Chegando ao Rio, vi ainda o convento da Ajuda [situado na atual Cinelândia e demolido em 1911; o chafariz da Praça General Osório, Ipanema, pertencia ao convento], de onde partiam cantos místicos; a igreja que forçava a rua larga de São Joaquim [atual Rua Marechal Floriano] a tornar-se rua estreita; os banhistas da praia de Santa Luzia [a praia de Santa Luzia ligava a Praia da Lapa à Ponta do Calabouço, onde se situa o Museu Histórico Nacional; a Igreja de Santa Luzia, na Avenida Presidente Antônio Carlos, pertinho da ABL, e a Santa Casa da Misericórdia ficavam à beira-mar!], adestrados pelo grande nadador Abraão Saliture; o teatrinho do Passeio Público, com seus cantores e transformistas e um garção que era perfeito sósia do barão do Rio Branco; o Mercado Velho [em frente à Rua do Mercado, que dá para a Praça XV, o primeiro verdadeiro mercado do Rio, onde estão agora um edifício do Ministério da Agricultura e o Entreposto do Peixe], que fartava os gulosos na carne vegetal das talhadas de abacaxis; a Chácara da Floresta [no antigo Morro do Castelo, demolido entre 1922 e 1930], um pedaço de subúrbio no centro da cidade; a sobrecasaca do poeta Múcio Teixeira; a opa rubra do irmão das almas; a muleta do panfletário Deocleciano Mártir, que classificava a febre amarela de patriótica, por liquidar tantos portugueses; a cartolinha cinzenta do cronista João do Rio; [...] as vacas leiteiras conduzidas em plena rua e mungidas à porta do freguês; as carrocinhas de sorvetes em forma de navio, a navegar em seco; [...] o chafariz da Carioca [o Aqueduto da Carioca, em estilo romano, hoje conhecido como os Arcos da Lapa, trazia a água do Rio Carioca até o chafariz], que distribuía Nossa Irmã a Água, franciscanamente, por milhares de sequiosos; os moleques baleiros, muito ágeis ao saltar no estribo dos bondes em marcha e impecáveis ao desfiar o seu pregão: "Balas de ovo, alteia, lima e rosa, ó nenê!"; o acendedor de lampiões, a quem os garotos apelidavam profeta; a caixa de doces que vendedores ambulantes transportavam à cabeça; os tabuleiros de baianas que depois passariam a ser baianas apenas de indumentária; os casais fora da lei civil ou religiosa, afeitos a rumar para o hotel Locomotora; a cara amarrada do carnavalesco Morcego, funcionário postal; o cortiço de que meu pai saiu tantas manhãs, levando-me ao colo para que o barão do Lavradio, pediatra da Santa Casa da Misericórdia, me curasse da coqueluche. (Texto extraído do livro de memórias de Agripino Grieco.)
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| Largo de São Francisco da Prainha, na Saúde |
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| Pátio dos Canhões (Museu Histórico Nacional) |
Fotos do Rio de antigamente:
As fotos desta postagem, embora mostrem aspectos do Rio Antigo, são recentes, tiradas pelo editor do blog. Veja onde encontrar fotos antigas do Rio:
Instituto Moreira Salles
Uma lista de páginas com fotos do Rio Antigo também pode ser encontrada na comunidade Rio Antigo do Facebook.
Uma lista de páginas com fotos do Rio Antigo também pode ser encontrada na comunidade Rio Antigo do Facebook.
Agradeço ao amigo Erik Steger por ter colaborado na pesquisa dos sites.
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| Cores da Lapa |
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| Igreja de N.S. da Glória |
Livros sobre o Rio Antigo:
João do Rio, A alma encantadora das ruas. Pode ser baixado em versão PDF no site Domínio Público. Existe também uma edição recente pela Companhia das Letras.
Brasil Gerson, História das ruas do Rio. Clássico da historiografia carioca, em edição revista e ampliada (depois da morte do autor) por Alexei Bueno.
Coleção Cantos do Rio da Editora Relume-Dumará. Pequenos livros abordando os bairros do Rio. Recomendo especialmente Gamboa, de Alexei Bueno, Santa Teresa, de Lilian Fontes, Lagoa, de Carlos Heitor Cony, Botafogo, de Cláudio Henrique, São Cristóvão, de Helio Brasil (livro belíssimo!), e Centro, de Antônio Torres.
A Livraria Folha Seca, à Rua do Ouvidor, 37 - Centro possui uma excelente seção de livros sobre o Rio de Janeiro antigo e moderno. Idem a Livraria Pereira Passos, na Rua Gago Coutinho, 52, perto do Largo do Machado. Nos sebos da Praça Tiradentes e Avenida Passos também é possível encontrar livros sobre a cidade.
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| Encosta do Morro da Conceição |
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| Rua do Mercado |
Como conhecer o Rio Antigo:
Caso queira conhecer especificamente o Morro da Conceição, você pode fazer uma visita guiada com o pintor Paulo Dallier, que tem ateliê no morro. O telefone é (21) 2263.4663 e o e-mail é dallier@oi.com.br
Outra boa pedida são os Roteiros Geográficos do Instituto de Geografia da UERJ, que incluem o imperdível Roteiro Noturno no Centro do Rio A Pé além de outros passeios. Para ver a programação dos passeios (noturnos e também diurnos) visite o blog dos Roteiros Geográficos.
No nosso GUIA DO RIO no cabeçalho deste blog temos algumas sugestões de passeios pelo Rio Antigo que você pode fazer: Morro da Conceição, Mosteiro de São Bento, Passeio pelo Centro Carioca, Igreja da Glória.
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| Janela do ateliê do pintor Dallier no Morro da Conceição |
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| Travessa do Comércio |
Ver o seu blog é também rever o Rio antigo que conheci em parte, antes da abertura da Av. Presidente Vargas. Morei por pouco tempo, no início de 1943, na Rua São Pedro, 61, bem atrás da Igreja da Candelária. Assisti a toda a demolição para a construção da grande avenida, vi cortarem um pedaço do Campo de Santana, que ia até quase ao meio da nova artéria, etc. Assisti à demolição do Hotel Avenida, e do Pálace Hotel, ambos na Av. Rio Branco, ex-Avenida Central. Conheci O Globo no primeiro andar, sobre uma livraria, onde hoje estão a Caixa Econômica e a estação Carioca do Metrô. Ali também estavam dois cinemas, um em cada lado da Av. Rio Branco, onde vi nesse mesmo ano tantos grandes filmes a preço irrisório. Um se chamava Eldorado, o outro Parisiense. E não esqueço o Hidrolitol, um envelope com um sal dissolvido em água borbulhante, no ponto de bondes próximo à Escola Nacional de Música.
Ainda na Lapa, eu ia ao cinema Colonial, depois transformado em Sala Cecília Meireles. No apartamento de Manuel Bandeira, na Av. Beira-Mar, vi um desenho do poeta sobre o mar ali tão próximo, e pouco depois vi a grande cobertura de areia aspirada do fundo do mar e da terra trazida do morro de Santo Antônio para formar o que se chamaria o aterro do Flamengo. Vi o incêndio do Park Royal, ao lado da Igreja de São Francisco, dando para o largo do mesmo nome, e tendo ao lado a então estreitíssima Rua Ramalho Ortigão, e a Casa Cruz, cuja fachada foi arrebentada pela parede do Park Royal. Estudante, morei também numa pensão na Rua da Alfândega, onde não havia uma só casa comercial e sim residências e no térreo depósitos de mercadorias. O que mais vi? Vi o mar, que não conhecia, tão junto do asfalto, a praia do Flamengo apenas uma nesga de areia. Tudo vi e com tudo me maravilhei, ou me espantei. A demolição de quase todos os prédios da Av. Rio Branco, o do Jornal do Brasil principalmente, e o do "Ferro de Engomar", hoje com o mesmo formato na planta mas com não sei quantos andares. Perdoe-me esse acesso de lembranças. Leie e apague. São recordações que só a mim dizem respeito. (Depoimento de Waldir Ribeiro do Val)
Ainda na Lapa, eu ia ao cinema Colonial, depois transformado em Sala Cecília Meireles. No apartamento de Manuel Bandeira, na Av. Beira-Mar, vi um desenho do poeta sobre o mar ali tão próximo, e pouco depois vi a grande cobertura de areia aspirada do fundo do mar e da terra trazida do morro de Santo Antônio para formar o que se chamaria o aterro do Flamengo. Vi o incêndio do Park Royal, ao lado da Igreja de São Francisco, dando para o largo do mesmo nome, e tendo ao lado a então estreitíssima Rua Ramalho Ortigão, e a Casa Cruz, cuja fachada foi arrebentada pela parede do Park Royal. Estudante, morei também numa pensão na Rua da Alfândega, onde não havia uma só casa comercial e sim residências e no térreo depósitos de mercadorias. O que mais vi? Vi o mar, que não conhecia, tão junto do asfalto, a praia do Flamengo apenas uma nesga de areia. Tudo vi e com tudo me maravilhei, ou me espantei. A demolição de quase todos os prédios da Av. Rio Branco, o do Jornal do Brasil principalmente, e o do "Ferro de Engomar", hoje com o mesmo formato na planta mas com não sei quantos andares. Perdoe-me esse acesso de lembranças. Leie e apague. São recordações que só a mim dizem respeito. (Depoimento de Waldir Ribeiro do Val)
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| Feira Rio Antigo na Rua do Lavradio no primeiro sábado de cada mês |
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| Morro da Conceição |
Folhetos sobre o Rio:
A Riotur fornece gratuitamente a turistas e cariocas mapas e folhetos sobre o Rio de Janeiro nestes locais:
- Quiosque na praia, na altura da Rua Hilário de Gouveia - 7h às 22h
- Centros de Atendimento ao Turista: Av. Princesa Isabel, 183 - Seg a Sáb, 9h às 20h | Dom, 9h às 5h. Rua da Candelária, 6 - Seg a Sex, 8h30 as 5h30 | Sáb 8h30 as 15h30
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| Sacada de serralheria na Glória, subida para Santa Teresa |
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| Convento do Carmo |

































