
Chegou à terceira edição, agora em formato de bolso e preço módico (R$ 17,90), o romance de minha companheira de letras e de bairro (e colaboradora deste blog) Esther Largman "sobre o drama das prostitutas judias que vieram para o Brasil no início do século XX, enfrentando os códigos sociais e transgredindo os preceitos éticos da religião. Vítimas dos gigolôs franceses e dos traficantes de judias das aldeias pobres do Leste Europeu, essas jovens desembarcavam em terras brasileiras e eram encaminhadas por cafetões judeus para os bordéis do Rio de Janeiro. Não importava de onde viessem - eram as polacas, e o termo adquiriu um atrativo erótico considerável na vida boêmia da cidade."
"A história precisa ser contada. Não há outra coisa a fazer com os espectros a não ser exorcizá-los. Esta é a tarefa a que se propõe Esther Largman em seu Jovens Polacas." (Moacyr Scliar no Prefácio do livro).

Trecho do livro:
Os tempos estavam difíceis em Odessa, desde a época em que emigraram os outros tios e a prima Anita. [...] Certo dia apareceu um capataz novo, um rapaz moreno, muito elegante e bonito, Benjamim Tarnow, que começou a dirigir-lhe a palavra, elogiou sua beleza e, depois de algumas semanas, convidou-a para passear. Aos poucos Sarah apaixonou-se. Tempos depois, ficaram noivos e Benjamim avisou que iriam para a América do Sul, onde tinha parentes com negócio montado, e ricos. [...]
Quando chegou ao Rio de Janeiro, após pararem em Recife, cansada e já um pouco arrependida, ficou num hotel horrível, um pardieiro quente e sujo. Reclamou com Beny [Benjamim].
— O que você pensou, que eu ia morar num palácio? Temos primeiro que trabalhar e muito, não é, minha princesa? — perguntou irritado e irônico.[...]
Vi que, além de mentiroso, Beny era falso, grosseiro, e quando reagi, foi claro e cruel: tinha me trazido para ser uma de suas curves [prostitutas]!

Fotos das polacas por Augusto Malta.