ENSEADA DE BOTAFOGO

ENSEADA DE BOTAFOGO
"Andar pelo Rio, seja com chuva ou sol abrasador, é sempre um prazer. Observar os recantos quase que escondidos é uma experiência indescritível, principalmente se tratando de uma grande cidade. Conheço várias do Brasil, mas nenhuma tem tanta beleza e tantos segredos a se revelarem a cada esquina com tanta história pra contar através da poesia das ruas!" (Charles Stone)

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA
São Paulo, até 1910 era uma província tocada a burros. Os barões do café tinham seus casarões e o resto era pouco mais que uma grande vila. Em pouco mais de 100 anos passou a ser a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo. É pouco tempo. O século XX, para São Paulo, foi o mais veloz e o mais audaz.” (Jane Darckê Avelar)
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20.1.18

SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO

SABE O PORQUÊ DO NOME SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO? O TRECHO A SEGUIR DO CAPÍTULO "AS PROCISSÕES" DAS MEMÓRIAS DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, DE VIVALDO COARACY, EXPLICA


Estátua de São Sebastião na Glória

Vinte de janeiro é o dia que a igreja consagra a São Sebastião. E São Sebastião é o padroeiro da cidade que foi posta pelo Fundador sob a sua invocação por ser o onomástico do soberano então reinante em Portugal, D. Sebastião, aquele rei-menino que foi morrer em Alcácer-Quibir. Quando Estácio lançou os fundamentos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, que mais tarde havia de receber oficialmente o atributo de “leal”, governava Portugal, como regente, pelo neto ainda na infância, a rainha viúva D. Catarina d’Áustria. Foi ela quem mandou levantar uma cidade às margens da Guanabara. Mas ninguém lhe homenageia a memória por isso. Muitos nem mesmo sabem quem foi. 

Denise Araripe: São Sebastião do Rio de Janeiro (técnica mista)

Cumprindo as ordens que da Rainha recebera, Estácio agarrou-se com unhas e dentes àquela língua de terra onde plantara o marco inicial da cidade a que ia sacrificar a vida. E ali ficou por dois anos, numa tenacidade heroica, até que Mem de Sá viesse da Bahia trazer-lhe o auxílio preciso para expulsar e esmagar definitivamente os franceses. Foi a 20 de janeiro de 1567 que se deu a batalha que assegurou o domínio lusitano sobre o Rio de Janeiro. São os combates desse dia, em que Estácio foi ferido de morte, que podem ser legitimamente comemorados nesta data.

Mem de Sá a escolhera para atacar os redutos de franceses e tamoios justamente por ser o dia do Padroeiro. Naqueles tempos de fé robusta e ingênua, confiava-se no santo protetor para dar a vitória à sua gente. Não se afirmava já então que o mártir fora visto, sob a forma de um mancebo “muy fero e fermoso”, combatendo em pessoa ao lado das forças de Estácio, na duvidosa batalha das canoas? Aliás, não se pode desconhecer que essa confiança no apoio dos santos dava valor e ânimo capaz de conduzir, como conduziu, à vitória.

Imagem de São Sebastião na Cidade do Samba, Gamboa

São Sebastião foi sempre o padroeiro do Rio de Janeiro e, como tal, alvo de um culto carinhoso por parte dos cariocas. A ele foi consagrada a primeira capela erguida nestas terras: uma tosca igrejinha de taipa, coberta de sapé que Estácio se apressou em mandar levantar no primeiro sítio da cidade, ao sopé do Pão de Açúcar. Era a matriz, incipiente. E nela foi sepultado, de início, o próprio Fundador. Transferida a cidade para o Morro do Descanso, que depois se chamou do Castelo, um dos primeiros cuidados de Salvador de Sá foi ali erguer a igreja do Padroeiro, a Sé Velha, para onde foram trasladados os restos mortais de Estácio de Sá, hoje repousando na nova igreja de São Sebastião, sob a guarda dos Barbadinhos, na rua Haddock Lobo. 

Uma relíquia carioca: imagem recém-restaurada de São Sebastião do séc. XVI trazida por Estácio de Sá e guardada (e ocasionalmente exposta) na Igreja dos Capuchinhos, na Tijuca

Sempre foi muito devoto do seu patrono o povo do Rio de Janeiro. Nos tempos coloniais e nos da monarquia, a festa de São Sebastião era celebrada com vibrante entusiasmo em que as comemorações oficiais se aliavam às manifestações populares. Salvas das fortalezas e dos navios, parada de tropas em grande gala, cerimônias religiosas com missa solene e sermão adequado, repiques de sinos, foguetório, janelas ajaezadas de colchas de damasco e tapetes do oriente, luminárias em todas as casas, danças populares em plena rua. Os festejos estendiam-se ao mar onde se efetuava um combate simulado, com fogos de artifício, entre dois grupos de embarcações, para rememorar a famosa batalha das canoas em que, segundo a lenda, o Santo em pessoa tomara parte, descendo à terra, vindo combater ao lado de seus devotos, na defesa da sua cidade. Com a vinda para o Rio de Dom João VI, rei beato por excelência, os festejos religiosos e oficiais adquiriram ainda maior pompa e brilho, iniciando-se na noite de 17 de janeiro.

Imagem de São Sebastião na Igreja de São Francisco de Paula

Estátua de São Sebastião na Glória


Grafite de São Sebastião na Zona Portuária


Alberto da Veiga Guignard, São Sebastião, 1960, óleo sobre tela. "O artista parecia ter tomado gosto pelo expressionismo visceral de Van Gogh, e seus quadros de Cristo e de São Sebastião foram adquirindo uma coloração chocante. O marchand Jorge Beltrão especulava que alguns deles fossem produzidos sob o efeito do álcool, refletindo, portanto, de forma mais sincera, o estado de alma e o sofrimento em que o artista estava mergulhado." Marcelo Bortoloti, Guignard: Anjo Mutilado.

Imagem de São Sebastião na Igreja de Santa Luzia, Rio de Janeiro. Fotos do editor do blog, exceto da obra de Denise Araripe, obtida no site do Atellier Villa Olivia.



15.5.16

ARCO DO TELES

Largo do Paço, gravura de Louis Buvelot de 1845 obtida na Biblioteca Nacional Digital. O Arco do Teles está sob a seta.

O Arco do Teles era originalmente uma passagem por uma das três casas coloniais de uso misto (residencial e comercial) de meados do século XVIII de propriedade do juiz de órfãos Francisco Teles Barreto de Meneses ligando o Largo do Paço (atual Praça XV) ao Beco do Arco do Teles (atual Travessa do Comércio), como vemos na gravura acima, sob a seta. O Arco sobrevive até hoje, tombado pelo IPHAN em 1938, só que das três casas coloniais originais só restam as fachadas dianteira e traseira da casa central acopladas a prédios modernos, como você pode ver na primeira foto abaixo. 

No Capítulo II de O Rio de Janeiro no Tempo dos Vice-Reis, Luís Edmundo assim descreve as casas do Teles e seu Arco: “À direita, na linha do casario que avança para a praia, as casas do Teles, com os seus balcões verdoengos [=esverdeados] e os seus telhados íngremes e pardos. Na linha do rés-do-chão, vê-se a porta que dá entrada à bodega do francês Philippe, uma das mais populares figuras da cidade e que a profissão de bodegueiro liga à de intérprete, agente de câmbio e mais negócios. A sua tasca é uma das mais populares, sítio onde vão parar os viajantes vindos de Minas e de S. Paulo e onde, por vezes, dormem. Que os que estão em trânsito no porto podem descer, mas não podem dormir em terra. O Arco do Teles abre adiante a face escancarada e suja. É uma passagem curta, onde se amontoam e desaparecem mendigos, rascoas [=meretrizes], vadios e soldados." (Ver ilustração ao final da postagem.)

Arco do Teles visto da Praça XV. Observe que a fachada da casa colonial está encaixada entre os prédios modernos.

A casa colonial, abstraindo-se os prédios modernos

Chegando mais perto

Vamos entrar? Em outras eras a passagem não era tão segura assim, como lemos no texto do Coarary

O texto a seguir foi extraído da obra-prima de Vivaldo Coaracy Memórias da cidade do Rio de Janeiro:

O Arco do Teles está hoje tombado como monumento histórico. Policiado e relativamente asseado, serve quase exclusivamente para a passagem de caminhões que nele carregam ou descarregam mercadorias dos depósitos situados na travessa. Nem sempre, porém, assim foi. Passagem nobre e bem frequentada no tempo dos vice-reis, prestigiado pela vizinhança do Senado da Câmara e proximidade do Paço, decaiu e abastardou-se com o correr dos anos. Por proporcionar abrigo das intempéries, por ser sombrio, tornou-se o Arco do Teles uma espécie de Pátio dos Milagres, valhacouto de vagabundos, refúgio de delinquentes e palco de cenas vergonhosas, pouso de desacreditados tipos de rua como o Filósofo do Cais, a Bárbara Onça, e outros.

À entrada do arco existia primitivamente um dos pequenos oratórios abundantes na velha cidade: simples nicho abrigando uma imagem diante da qual geralmente ardia uma luz. Eram demonstrações da devoção do proprietário dos prédios e diante de muitos desses nichos se reuniam, em certos dias da semana, moradores da vizinhança para rezar ladainhas. No oratório do Arco do Teles venerava-se a imagem de Nossa Senhora dos Prazeres. Tão escandalosas, porém, eram as cenas que a imagem presenciava que, revoltado com semelhante profanação, um dos moradores da zona, Manuel Machado de Oliveira, tomou a iniciativa de remover a santa imagem para a Igreja de Santo Antônio dos Pobres, onde até hoje se encontra.

Em começos do corrente século [século XX], em ação conjunta, a Polícia e a Prefeitura promoveram o saneamento moral e material do Arco do Teles e desde então, removida das proximidades a Praça do Mercado, modificados os costumes, ele ficou sendo simples passagem para trânsito comercial.

Em 1750, como já ficou registrado, a Câmara cedeu a sua casa, sobre a Cadeia Velha, para sede do Tribunal da Relação que acabava de ser criado no Rio de Janeiro. Passou a Casa das Vereanças a funcionar então no lado oposto do Largo, nas casas de Teles de Meneses de que alugou uma parte dos sobrados onde instalou todos os seus serviços de secretaria. Estava aí alojada quando, em 1757, a provisão régia de 11 de março lhe concedeu o título de Senado da Câmara.

Nos baixos, ou pavimento térreo, das casas dos Teles funcionavam várias lojas de pequenos mercadores. Entre elas, havia a de um belchior ou adeleiro, Francisco Xavier, mais conhecido por alcunha popular que a decência não permite reproduzir, mas que consta de autos antigos. Na noite de 20 de julho de 1790, irrompeu violento incêndio nessa loja. No empenho de salvar as mercadorias que ali guardava e representavam todos os seus haveres, pereceu nas chamas o belchior e com ele um menino que lhe servia de caixeiro e criado. O fogo propagou-se aos sobrados e comunicou-se à casa da Câmara, destruindo não só os móveis, alfaias e pertences, como o precioso arquivo municipal, do qual apenas se salvaram uns poucos livros que se encontravam eventualmente em poder do escrivão do Senado da Câmara. [...]

A perda irremediável do arquivo municipal representou prejuízo de extensas consequências. Até hoje, muitos pontos obscuros da história da cidade e numerosas controvérsias sobre a origem de posses territoriais e seu caráter alodial ou enfitêutico, não podem ser esclarecidos com exatidão em resultado daquele incêndio. [...]

O juiz Francisco Teles Barreto de Menezes mandou reconstruir os prédios de sua propriedade que o incêndio destruíra em parte. Quanto ao Senado da Câmara, passou a funcionar em prédios alugados, sucessivamente na Rua do Ouvidor, na Rua Direita, no Consistório da Igreja do Rosário, sem sede própria, até instalar-se por fim, em 1825, em casa especialmente construída, no Campo da Aclamação [...]

Vivaldo Coaracy, Memórias da Cidade do Rio de Janeiro, Coleção Rio 4 Séculos, pp.42-43

Arco do Teles visto da Travessa do Comércio.

Aqui também se vê claramente que o Arco hoje fica sob um prédio moderno.

Arco do Teles em ilustração de Washt Rodrigues para O Rio de Janeiro no Tempo dos Vice-Reis de Luís Edmundo

5.3.14

PROCISSÃO DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS


TEXTO E ILUSTRAÇÃO DO LIVRO MEMÓRIAS DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO DE VIVALDO COARACY


Iniciava-se a Quaresma com a Procissão de Cinzas que percorria a cidade na quarta-feira desse nome. Segundo Moreira de Azevedo, era a mais aparatosa e que maior concurso de povo atraía de quantas se celebravam no antigo Rio de Janeiro. Nem é de duvidar. Com os seus andores imponentes e ricamente ornados, com a multidão de figurantes que a compunham: "anjos", membros das irmandades em opas multicores, clero em sobrepelizes de rendas, "virgens" cantando, estandartes, maceiros, personagens simbólicos, guarda militar, acompanhamento de devotos portadores de tochas—constituía imponente espetáculo para a assistência que se comprimia ao longo das ruas por onde serpenteava o extenso préstito.

Instituída em 1647, dela se encarregavam os Terceiros da Ordem da Penitência de cujo templo partia, descendo a Ladeira de Santo Antônio. Depois de atravessar o Largo da Carioca, percorria as ruas principais do centro da cidade, visitando várias igrejas em que se detinha, para após longas horas recolher-se novamente ao Morro de Santo Antônio. Era a princípio composta de vinte andores, número que sucessivamente foi reduzido a quinze, treze e dez, sem prejuízo da riqueza e luxo com que eram adornados e da opulência da vestimenta das imagens. Desses andores o mais notável era o da imposição das chagas, com a imagem de São Francisco de Assis ajoelhado diante de um crucifixo enorme, cuja cruz se elevava acima da altura do segundo pavimento das casas. Doze homens robustos tornavam-se precisos para, com esforço, carregar esta almanjarra, honra disputada entre os Irmãos Terceiros que, no dia seguinte, exibiam aos conhecidos, com orgulho, os ombros machucados e chagados.

À saída e entrada da procissão havia salvas de mosquetaria dadas pela tropa destacada para companhá-la. E após a recolhida, a Irmandade distribuía enormes cartuchos de amêndoas, rebuçados e doces às crianças que houvessem figurado como "anjos", o que não deixava de ser mais um atrativo para a meninada empenhar-se com as respectivas famílias para comparecer nesse caráter à procissão. O pecado da gula estimulava a devoção.

Um episódio interessante é digno de registro, como exemplo de preconceito e superstição. Em 1849 deixou de figurar na procissão o andor de São Benedito que, havia dois séculos, nela sempre tivera seu lugar após o de Santa Isabel de Hungria. Naquele ano, porém, alguns Terceiros, mais suscetíveis às distinções de pigmento, cismaram que "branco não carrega negro nas costas, mesmo que seja Santo". A esdrúxula noção contaminou, por imitação ou timidez, a confraria e São Benedito não encontrou quem lhe levasse o andor. Teve que ficar abandonado e macambúzio na sacristia. Ora, nesse ano irrompeu no Rio de Janeiro a primeira grande epidemia de febre amarela que assolou cruelmente a população. Não tardaram, naturalmente, logo as beatas a propalar nas massas crédulas a afirmativa de que tão tremendo castigo era indubitável efeito da cólera vingativa do Santo ofendido. Resultado: no ano imediato, São Benedito, de manto novo de veludo, com resplendor dourado, foi reintegrado na procissão de Cinzas, com o andor pintado de novo e fartamente florido de palmas e rosas. Era uma penitência de apaziguamento. Nem por isso, porém, deixou a febre amarela de periodicamente fustigar a cidade, até que Osvaldo Cruz a extirpasse.

A procissão de Cinzas realizava-se imediatamente em seguida ao carnaval. Com o declínio que os costumes trouxeram ao sentimento religioso, derramado o espírito de irreverência, não faltaram os que nela vissem uma espécie de anexo ou encerramento dos folguedos profanos da véspera. Já havia quem a considerasse quase como um préstito carnavalesco retardado. Figuras de mascarados, que apareciam noutras procissões também, começaram a se imiscuir na de Cinzas. Desvanecia-se em grande parcela da massa popular o respeito que as cerimônias religiosas deste tipo antes inspiravam. Desvirtuou-se o caráter da procissão. Alguns dos elementos perniciosos que nela se introduziram tomavam atitudes grotescas, provocando os risos, as chufas, os gracejos de parte daqueles que, ao longo das ruas, assistiam à passagem do cortejo. Surgiram incidentes e conflitos a agravar-se de ano para ano. Os capoeiras, que infestavam a cidade, não perderam esta oportunidade de provocar as arruaças em que se compraziam. Tomou-se, cada vez com maior frequência, necessária a intervenção da força policial para manter a ordem e assegurar à procissão o seu curso.

De tal forma se acentuaram estas condições que em 1861 decidiu a Venerável Ordem Terceira da Penitência, por proposta do Ministro Manuel Gonçalves Machado, suprimir a Procissão de Cinzas que desde então não mais se realizou. Dizia-se ao tempo ter a Ordem tornado esta decisão por insinuação das próprias autoridades, a fim de evitar que estas se vissem forçadas a, no ano seguinte, proibir a saída do préstito transformado em ocasião de escândalo publico. 

Vivaldo Coaracy, Memórias da Cidade do Rio de Janeiro. A ilustração abre o capítulo "As Procissões" não sendo necessariamente da Procissão de Cinzas. Uma curiosidade: Em 1 de março de 1863 Machado de Assis, em crônica publicada em O Futuro, menciona a supressão dessa procissão, que portanto não se deu em 1861 como informa Coaracy. A crônica começa com este parágrafo: "Entre os poucos fatos desta quinzena um houve altamente importante: foi a supressão da procissão de Cinzas. Em 1862, logo ao começar a quinzena, publicou uma das folhas diárias desta Corte um artigo pequeno, mas substancial, no qual uma voz generosa pedia mais uma vez a supressão das procissões, como nocivas ao verdadeiro culto e filhas genuínas dos cultos pagãos. Nem o autor, nem o mais crédulo dos seus leitores, acreditaram que essa usança fosse suprimida; e a mesma grosseria, o mesmo fausto, o mesmo vão e ridículo aparato passou aos olhos do povo sob pretexto de celebrar os sucessos gloriosos da Igreja."