DO CENTRO DO RIO
Beco dos Barbeiros
O Beco dos Barbeiros nasceu no século da Inconfidência, quando nele se instalaram os oficiais da tesoura de porta e cortina e dos Barbeiros, por isso mesmo, ficou a chamar-se.
Esses barbeiros antigos eram homens de sete instrumentos, na verdadeira acepção da palavra, porque, além da tesoura e da navalha, outros mais ainda manejavam no campo da odontologia e da mais rústica medicina. Com seus grossos boticões arrancavam dentes a frio, num tempo em que a anestesia longe estava de ser descoberta, e substituíam os poucos médicos existentes, na arte de sangrar os doentes (abusava-se então das sangrias como hoje das injeções) ou de aplicar-lhes sanguessugas, expostas nas próprias barbearias em redomas de vidro, vivas e famintas...
Os melhores possuíam lojas no beco e os demais trabalhavam em barracas ou perambulavam pelas ruas ou se concentravam, de preferência, no Largo do Paço [atual Praça Quinze] ou no do Rosário... [pág. 41]
Esses barbeiros antigos eram homens de sete instrumentos, na verdadeira acepção da palavra, porque, além da tesoura e da navalha, outros mais ainda manejavam no campo da odontologia e da mais rústica medicina. Com seus grossos boticões arrancavam dentes a frio, num tempo em que a anestesia longe estava de ser descoberta, e substituíam os poucos médicos existentes, na arte de sangrar os doentes (abusava-se então das sangrias como hoje das injeções) ou de aplicar-lhes sanguessugas, expostas nas próprias barbearias em redomas de vidro, vivas e famintas...
Os melhores possuíam lojas no beco e os demais trabalhavam em barracas ou perambulavam pelas ruas ou se concentravam, de preferência, no Largo do Paço [atual Praça Quinze] ou no do Rosário... [pág. 41]




Beco das Cancelas
Em 1808, ao desembarcar D. João VI no beco, não existiam senão três casas. Um dos mais estreitos da cidade, dava passagem de dia aos pedestres entre as ruas que cortava. À noite suas cancelas se fechavam. [...] Foram-se os séculos, as suas cancelas, mas gravado ficou na tradição carioca o nome tão pitoresco nelas inspirado. [pág. 74]






Beco de Bragança
Nesses casarões já demolidos [...] se acomodou o Regimento de Bragança, de um grupo de três chegados em 1767 de Portugal para reforçar as guarnições do Brasil. [...] Até aí os soldados portugueses não viviam aquartelados, quando mandados para as cidades brasileiras. Era costume distribuí-los pelas casas de família, como seus hóspedes obrigatórios, o que nem sempre, como é fácil de imaginar-se, dava resultados satisfatórios... Regurgitante de soldados, a rua dos Quartéis e com ela o beco passou depois a ser conhecida como do Bragança. O beco ainda hoje assim se chama. [pág. 70]


Texto do livro História das Ruas do Rio de Brasil Gerson, quinta edição remodelada e definitiva, organizada por Alexei Bueno. Na livraria Folha Seca, à Rua do Ouvidor, 37 - tel. (0xx21) 2507.7175 - possivelmente você encontrará este clássico da historiografia carioca. O Beco dos Barbeiros fica entre a Rua do Carmo e Primeiro de Março. O Beco das Cancelas liga a Rua do Carmo à Rua da Candelária. O Beco de Bragança fica do outro lado da Av. Presidente Vargas, sendo paralela à Visconde de Inhaúma. Fotos do editor do blog.