ENSEADA DE BOTAFOGO

ENSEADA DE BOTAFOGO
"Andar pelo Rio, seja com chuva ou sol abrasador, é sempre um prazer. Observar os recantos quase que escondidos é uma experiência indescritível, principalmente se tratando de uma grande cidade. Conheço várias do Brasil, mas nenhuma tem tanta beleza e tantos segredos a se revelarem a cada esquina com tanta história pra contar através da poesia das ruas!" (Charles Stone)

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA
São Paulo, até 1910 era uma província tocada a burros. Os barões do café tinham seus casarões e o resto era pouco mais que uma grande vila. Em pouco mais de 100 anos passou a ser a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo. É pouco tempo. O século XX, para São Paulo, foi o mais veloz e o mais audaz.” (Jane Darckê Avelar)
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22.11.10

IGREJAS HISTÓRICAS DO CENTRO DO RIO (Parte 2.1): IGREJA DE NOSSA SENHORA DO BONSUCESSO

Rua Santa Luzia, 206

Vista da Santa Casa da Misericórdia e da Igreja de Nossa Senhora de Bonsucesso, Thomas Ender, 1817-18

A igreja situa-se ao sopé da ladeira da Misericórdia, caminho íngreme pelo qual se subia até alcançar o Castelo propriamente dito, local onde se encontrava a igreja e o Colégio dos Jesuitas. Após o desmonte, o trecho da ladeira ainda existente é o único remanescente do Morro do Castelo, um dos mais importantes lugares da história do Rio de Janeiro.

A igreja faz parte do amplo conjunto arquitetônico da Santa Casa da Misericórdia. A devoção à N.S. do Bonsucesso surgiu com a vinda de uma estátua da Virgem, trazida de Portugal. Desde 1639, comemora-se a sua festa no domingo seguinte ao dia 8 de setembro.

A primeira construção, simples capela de barro, data da época da fundação da Santa Casa da Misericordia (1582). A igreja foi reconstruída em 1754. No final do século, a fachada foi enriquecida com portão de pedra de lioz, e a sineira-frontão com volutas e pináculos. Em 1817, foi representada em aquarela de Tomas Ender.

Atribui-se o seu projeto arquitetônico ao Mestre Paulo Ribeiro (1713) e ao brigadeiro Jose Fernandes Pinto Alpoim (1761). O frontispício, apesar da reduzida dimensão, destaca-se no conjunto pela harmonia e elegância das linhas barrocas.

A simplificada interpretação de elementos da igreja de Jesus em Roma, as volutas que compõem o pavimento superior e o inferior, e os dois frontões, um retilíneo e outro curvo, sugerem a filiação da igreja à matriz arquitetônica jesuítica italiana.

A nave é recoberta pela talha em estilo rococó tardio, pintada em branco com frisos dourados — característica das igrejas consagradas à Virgem. No altar-mor, cujo retábulo foi refeito em 1820, está a imagem de N.S. de Bonsucesso, logo abaixo do Cristo crucificado.

Destacam-se três altares dourados e escuros. Remanescentes da igreja dos jesuítas, demolida com o Morro do Castelo, essas importantes peças maneiristas do patrimônio artístico colonial datam de fins do século XVI. No primeiro altar, à esquerda, no retábulo do altar-mor da antiga igreja, a imagem de Santo Inácio é ladeada por São Francisco Xavier e São Francisco Borja. Os outros, colocados frontalmente, têm ambos a imagem da Virgem da Conceição.

O púlpito e o abafa-voz, em estilo barroco, pertenceram ao antigo Colégio dos Jesuítas e a tradição atribui-lhes grande importância histórica por terem sido utilizados por José de Anchieta (1517-1570) e Manoel da Nóbrega (1534-1597).

Uma via sacra, composta de diferentes painéis pintados e montados em estandartes próprios para procissões, encontra-se na capela-mor e na sacristia. Nesta última, destacam-se arcazes em jacarandá, o lavatório em mármore policromado do seculo XVIII, o curioso relógio e o pequeno altar, onde é venerada Santa Isabel, padroeira da Santa Casa. (Fonte: Guia das Igrejas Históricas da Cidade do Rio de Janeiro editado pela Prefeitura)

Igreja de Nossa Senhora de Bonsucesso

Capela-mor

Observe a talha em estilo rococó, branca com frisos dourados

Cúpula octogonal em madeira permitindo a entrada de luz natural pelo lanternim

Uma relíquia dos primeiros tempos do Rio: altar maneirista (maneirismo foi o renascentismo português tardio) do final do séc. XVI, com imagem da Virgem da Conceição, trazido da Igreja de S. Inácio, dos jesuítas, no Morro do Castelo. 

A Igreja e, à sua direita, o antigo Recolhimento das Órfãs da Santa Casa, construção setecentista (1739) que surgiu com o objetivo de amparar órfãs carentes. À esquerda da igreja, a parte antiga da Santa Casa da Misericórdia. 

Das características maneiristas originais só se manteve o frontão triangular inferior. A portada de lioz, a torre sineira entre volutas, o segundo coroamento com frontão curvo e os pináculos são acréscimos barrocos da reforma do final do séc. XVIII. 

Informações das legendas obtidas no Guia das Igrejas Históricas já citado, no Guia da Arquitetura Colonial, Neoclássica e Romântica do Rio de Janeiro, em pesquisas na Internet e em consultas a Alexei Bueno. Para outras postagens sobre igrejas clique no marcador abaixo. Para ver um álbum de fotos de igrejas cariocas clique aqui.

15.11.10

IGREJAS HISTÓRICAS DO CENTRO DO RIO (Parte 2.2): IGREJA DE SANTA LUZIA

Rua Santa Luzia, 490

Igreja de Santa Luzia a beira-mar em 1890 em pintura de Camões

Uma pequena ermida consagrada a Santa Luzia era, em 1592, o único edifício na praia da Piaçava, posteriormente chamada praia de Santa Luzia. Nela, estabeleceram-se, durante quinze anos, os primeiros frades franciscanos.

Em 1752, a irmandade decidiu edificar nova igreja num terreno próximo, na mesma praia, de fachada muito singela, contava com uma torre e uma só porta de entrada. Em 1872, o templo sofreu remodelação, assumindo maiores proporções, segundo o projeto do Mestre Antônio de Pádua e Castro. São desta época as duas altas torres e as duas portas laterais.

A rua Santa Luzia foi aberta por imposição de D. João VI, que pretendia se locomover com sua carruagem diretamente do Convento da Ajuda à igreja para cumprir a promessa e assistir à missa — por este motivo, uma tribuna na capela-mor era destinada à família real.

Retratada por vários artistas e fotógrafos pela sua posição privilegiada, de frente para a praia, sua original beleza está documentada e pode ser apreciada na sala de passagem entre a igreja e a sacristia. O privilégio, no entanto, foi totalmente alterado pelas diversas remodelações que modificaram a cidade na primeira década deste século [século XX].

Com o desmonte do Morro do Castelo e o aterro dele proveniente, a igreja de Santa Luzia perdeu sua praia e secou sua fonte de água límpida, tida como milagrosa para as enfermidades dos olhos.

A igreja e o prédio da Santa Casa da Misericórdia, com sua igreja de N.S. de Bonsucesso, foram as únicas edificações que permaneceram em toda a área.

A fachada apresenta elementos do estilo neoclássico. Os três altares são do Mestre Antônio de Pádua e Castro, o mesmo artista que reconstruiu a fachada. Para o culto a N.S. dos Navegantes, há uma imagem da santa no altar à esquerda.

Atrás do altar, encontra-se a Sala das Promessas, com uma imagem de Santa Luzia em mármore branco, de onde jorra água cristalina, substituindo a fonte original, hoje obtida por um especial sistema de filtragem. Os devotos lavam os olhos e o rosto e bebem a água, ainda crendo nos seus poderes. (Fonte: Guia das Igrejas Históricas da Cidade do Rio de Janeiro editado pela Prefeitura)

A fachada conserva no corpo central a composição original do séc. XVIII.

Portada barroca.

Capela-mor rococó.

Estátua de Santa Luzia na Sala de Promessas

Lateral da igreja durante a Festa de Santa Luzia, em dezembro (época em que florescem os flamboyants).

A igreja em meio aos prédios. Do mar de outrora, nem cheiro!

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8.11.10

IGREJAS HISTÓRICAS DO CENTRO DO RIO (Parte 2.3): IGREJA DE SÃO FRANCISCO DE PAULA

LARGO DE SÃO FRANCISCO DE PAULA

Igreja de São Francisco de Paula em foto antiga de Georges Leutzinger.

Igreja da Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula

No antigo Largo da Sé, que nunca conseguiu abrigar sua catedral, a Venerável Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula recebeu, em 1756, um terreno para construir seu templo, concluído somente em 1801

A igreja reflete a tradicional arquitetura portuguesa, com duas torres com bases quadradas, nave retangular com corredores laterais, capela-mor ladeada de sacristia e capela privativa. 

A fachada é movimentada, com frontão curvilíneo de cantaria, sustentado por pilastras de ordem toscana. Nas duas torres cobertas por bulbos revestidos de azulejos coloridos, há quatro sineiras com dois relógios cada. A portada atual, resultado de uma substituição posterior, introduz no frontispício um elemento neoclássico. Essa peça de madeira trabalhada é obra de Mestre Antônio de Pádua e Castro. 

O interior da igreja tem revestimento de talha já próximo do neoclássico. A nave central é ladeada por dez enormes colunas coríntias, cinco de cada lado, decoradas com pesada ornamentação. 

Atribui-se a Mestre Valentim a talha tanto da capela-mor, quanto da capela privativa de N.S. da Vitória, pertencendo estas obras à sua última fase. As pinturas das paredes da capela de N.S. da Vitória são de autoria de Manoel da Cunha, um escravo que conseguiu aperfeiçoar suas técnicas na Europa e comprar a alforria com a paga de seus trabalhos. (Fonte: Guia das Igrejas Históricas da Cidade do Rio de Janeiro editado pela Prefeitura)

Fachada da igreja. Observe o frontão curvilíneo barroco.

Portada neoclássica

Interior da igreja. Observe as colunas coríntias laterais.

Interior (detalhe) com revestimento de talha já próximo do neoclássico.

Capela privativa

Lateral para a Rua Ramalho Ortigão.

Fotos do editor do blog. A Igreja de São Francisco de Paula, no Largo de São Francisco, no Centro da cidade, está aberta para visitação nos dias úteis no horário comercial. Missas são celebradas de segunda a sexta às 12h e 15h30. Para outras postagens sobre igrejas clique em um dos labels abaixo. Para ver um álbum de fotos de igrejas do Rio clique aqui.

1.11.10

IGREJAS HISTÓRICAS DO CENTRO DO RIO (Parte 2.4): IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO E SÃO BENEDITO DOS HOMENS PRETOS

RUA URUGUAIANA, 77

Igreja do Rosário e São Benedito ainda com o frontão maneirista setecentista, Thomas Ender, 1817-18.

O culto a N. S. do Rosário no Rio de Janeiro data de 1639. Os devotos tinham a imagem da santa na igreja de São Sebastião, no Morro do Castelo, pois a Irmandade de N. S do Rosário e São Benedito só foi aprovada oficialmente em 1669.

Quando a igreja de São Sebastião estava prestes a se transformar em Sé, decidiu-se retirar a imagem de N.S. do Rosário e para ela se construir um templo. Assim, iniciou-se a edificação da igreja em 1700, em terreno doado à Irmandade na rua da Vala (hoje Uruguaiana). [A construção concluiu-se em 1725.]

Em 1737, estando a igreja do Castelo ameaçada de desabar, a foi transferida para a igreja de N. S. do Rosário e de São Benedito, onde ficou até 1808, quando a Sé passou para a igreja do Convento dos Carmelitas [Igreja de N.S. do Carmo da Antiga Sé, na Praça XV], mais próximo à residência da família real [o Paço da Praça XV].

No início do século XIX, por duas vezes a igreja abrigou o Senado da Câmara [câmara dos vereadores]. É interessante destacar que seu interior foi palco de importantes acontecimentos históricos, desde a preparação do Dia do Fico, ao movimento de luta pela abolição da escravatura apoiada pela confraria.

Os negros do Rosário, na segunda metade do século XVIII, realizaram festas, restaurando a Corte do Rei do Congo, um desfile com rei e rainha, em cortejo público, música e dança simbólicos, considerado por muitos como um dos precursores do Carnaval carioca de rua.

A igreja conservou, da original fachada setecentista, a portada, em lioz, encimada por medalhão da padroeira. No século XIX, sofreu uma reforma. O interior é constituído por uma nave e dois corredores, em dois andares no lado esquerdo.

A ausência de riquezas em seu interior é resultado de um violento incêndio, que o destruiu em 1967. (Guia das Igrejas Históricas da Cidade do Rio de Janeiro editado pela Prefeitura)

Fachada da Igreja, remodelada em meados do séc. XIX.

Lateral direita da igreja

Lateral esquerda da igreja

Portada maneirista em lioz encimada por medalhão da padroeira

Interior despojado devido ao incêndio de 1967

O interior antes e depois do incêndio. Foto P&B de Schultz e colorida do arquivo do IPHAN.

Detalhe da fachada. Devido à estreiteza da Rua Uruguaiana, com uma câmera amadora não dá para enquadrar a igreja toda de frente.

Movimento em frente da igreja, que fica do lado do "camelódromo" (Centro de Comércio Popular da Uruguaiana).

Fotos do editor do blog (salvo indicação contrária). Para outras postagens sobre igrejas clique no marcador abaixo. Para ver um álbum de fotos de igrejas do Rio clique aqui.

25.10.10

IGREJAS HISTÓRICAS DO CENTRO DO RIO (Parte 2.5): IGREJA DO CONVENTO DE SANTO ANTÔNIO & IGREJA DE SÃO FRANCISCO DA PENITÊNCIA

LARGO DA CARIOCA

Largo da Carioca. O chafariz foi construído junto com o Aqueduto da Carioca para solucionar o problema de abastecimento de água. Atrás (da esquerda para a direita) o Convento de Santo Antônio, a Igreja conventual  e a igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência. Jansson, J. 1824.

Esta litografia de Heaton e Rensburg de 1845-46 mostra o conjunto colonial do Largo da Carioca ainda incólume, antes das "mexidas" do século XX

Convento e igreja de Santo Antônio (esquerda) & e Igreja de São Francisco da Penitência (direita) vistos do Largo da Carioca. Quem passa apressado por lá no dia a dia não imagina os tesouros artísticos que essas igrejas guardam. Foto de 2009 quando a igreja de Santo Antônio ainda exibia o frontão neocolonial resultante de uma reforma da década de 1920. Obras de restauração em  2012 devolveram o frontão triangular maneirista original mas com uma falha que esperamos venha a ser retificada: falta a linha da cimalha entre o frontão e o corpo da igreja, visível nas duas gravuras iniciais. 

IGREJA DO CONVENTO DE SANTO ANTÔNIO

A Igreja de Santo Antônio foi construída de 1608 a 1620, sob o risco do Frei Francisco dos Santos. Durante o século XVIII, foram feitas obras sucessivas, com a construção da frente da nave e a inclusão do galilé no corpo da nave. A aparência externa da Igreja reflete a influência jesuítica, com portadas de pedra portuguesa de lioz, tendo três portas no primeiro pavimento, três janelas de peitoril, com vidraças no coro, frontão reto apresentando um óculo no tímpano. O Convento que ladeia a igreja pelo lado esquerdo, é edificação da segunda metade do setecentos, constitui uma sólida massa edificada de três andares, com pequenas e espaçadas janelas. O cunhal que limita a fachada conventual é encimado por forte e alto pináculo. Entre o convento e a igreja aparece a sineira. 

Para o claustro central, o corredor do térreo se abre em arcadas de cantaria, enquanto nos andares superiores, as celas apresentam janelas de dimensões restritas, diferindo no conjunto das demais construções franciscanas no Brasil. 

No interior da Igreja, as pinturas que ornam a capela-mor e os trabalhos de talha nela encontrados, juntamente com os outros dois altares da nave formam um raro conjunto de obras que mantêm a feição do gosto artístico do nosso barroco inicial. Pelo lado direito da nave, em grande arco gradeado, abre-se a Capela da primitiva Ordem Terceira com talha também barroca, porém de fase posterior. A Sacristia representa notável composição arquitetônica, reúne um conjunto destacado de obras do século XVIII, entre elas, o arcaz confeccionado em 1749 por Manoel Alves Setúbal, os azulejos e os painéis emoldurados representando cenas da vida de Santo Antônio. Em sala próxima, sobressai o lavabo monumental trazido de Portugal. Nas Capelas domésticas, entre as quais se sobressai a das relíquias, localizadas no claustro encontram-se imagens de barro cozido, que representam o nascimento e a morte de São Francisco. Destaca-se, ainda, na sala do palratório, o forro emoldurado e pintado com elementos rococó. (Fonte: site do IPHAN)

Igreja do convento de Santo Antônio com frontão neocolonial dos anos 1920. 

Igreja de Santo Antônio com frontão triangular maneirista original restaurado, mas sem a linha da cimalha do frontão

Devoção a Santo Antônio

Altar lateral em talha barroca dourada sobre uma base vermelha

Santo casamenteiro

Imagem de Santo Antônio sobre a amurada do convento. Atribui-se à imagem a inspiração na vitória contra os invasores franceses.

IGREJA DA ORDEM TERCEIRA DE SÃO FRANCISCO DA PENITÊNCIA

Em 1619 foi fundada a Ordem Terceira da Penitência, pelo português Luís de Figueiredo e sua mulher, e em 1620 já se encontrava pronta a Capela da Conceição, localizada perpendicularmente ao lado direito da igreja conventual. A igreja da Ordem Terceira foi iniciada em 1653, construída paralelamente à Igreja conventual, também pelo lado direito, mas por causa de desavenças na Irmandade, somente a partir de 1726 as obras se aceleraram, e no ano de 1773 foi inaugurada. A primitiva Capela ficou incorporada à nova Igreja. 

Igreja sem torres ou sineiras, sua fachada destaca-se de todas as demais do Rio de Janeiro. Tem seu frontispício dividido em quatro pilastras terminadas por pináculos de cantaria e ligados pela cimalha corrida, interrompida por óculo que é o centro do frontão barroco, formado por conjunto de seis janelas e três portas divididas pelas pilastras em três partes iguais [VER FOTO ABAIXO]. A parte central corresponde ao corpo da Igreja e apresenta uma portada trabalhada em lioz vinda de Portugal, onde se observa um medalhão com os respectivos escudos da Ordem Franciscana e de Portugal e na parte superior é arrematado por linhas sinuosas. 

O interior da Igreja, todo revestido de talha, expõe um raro exemplar da arte barroca. Dois grandes artistas, Manuel de Brito e Francisco Xavier de Brito, trabalharam para as realizações das obras. O início dos trabalhos de entalhe ocorreu pelo altar-mor em 1726, obra de Manuel de Brito. Seguem-se cronologicamente os trabalhos realizados por Francisco Xavier de Brito para os púlpitos (1722), arco cruzeiro (1753) e seis altares laterais da nave (1736-1738). O preenchimento dos espaços entre um altar lateral e outro foi iniciado em 1739 por Manoel de Brito. A talha da primitiva Capela da Ordem Terceira, que se abre em arco para a igreja conventual vizinha, é também destacada pela sua composição, datando, provavelmente, do segundo quartel do século XVIII. No retábulo do altar, destacam-se as figuras dos quatro Evangelistas assentadas nas bases das colunas que sustentam o dossel de coroamento. [...]

A pintura do teto da nave da igreja (1737) foi realizada por Caetano da Costa Coelho, que utilizou a técnica da pintura em perspectiva ilusionista. A sacristia apresenta um conjunto de obras rococó composto pelo arcaz e pelas pinturas dos painéis emoldurados, localizados no teto. Com arranjo museológico, os compartimentos à esquerda da igreja apresentam as imagens, os andores, os paramentos e demais objetos relativos à Procissão da Cinzas, uma das mais importantes do Rio antigo. O altar para a capela do Santíssimo Sacramento é obra realizada no século XIX, como também o cemitério, localizado nos fundos, colado aos barrancos do morro, de aspecto neoclássico, composto por duas colunatas que ladeiam uma parte central aberta em forma retangular. (Fonte: site do IPHAN)

Frontispício dividido em 4 pilastras terminadas por pináculos de cantaria e ligados pela cimalha corrida, interrompida por óculo que é o centro do frontão barroco; formado por conjunto de seis janelas e três portas divididas pelas pilastras em três partes iguais. 

Portada barroca

Nave

O interior da igreja, todo revestido de talha, expõe um raro exemplar da arte barroca.

Altar-mor com imagem do Cristo Seráfico (ou seja, como um anjo, com três pares de asas) de Francisco Xavier de Brito no alto.

Pintura do teto em perspectiva da apoteose de São Francisco realizada por Caetano da Costa Coelho.

Fotos do editor do blog. Para outras postagens sobre igrejas históricas clique em um dos labels abaixo. 

7.7.08

IGREJAS HISTÓRICAS DO CENTRO DO RIO (Parte 1)

IGREJA DE NOSSA SENHORA DA CANDELÁRIA
Praça Pio X


A Irmandade de Nossa Senhora da Candelária foi instituída na antiga Matriz de São Sebastião, localizada no Morro do Castelo. Durante a primeira metade do século XVII, no mesmo local onde hoje se encontra foi erguida a primitiva capela, que no ano de 1768 encontrava-se em ruínas. A atual Igreja apresenta um aspecto similar à Basílica da Estrela, localizada em Lisboa. Teve sua construção iniciada em 1775, estendendo-se até o século XIX. Em 1811, foi celebrada a primeira missa e somente em 1898 foi inaugurada com as novas obras complementares.

O projeto original é atribuído ao Engenheiro Militar Francisco José Roscio. A igreja, que constitui hoje, obra predominante do século XIX, com três naves, transepto [nave transversal], cúpula no cruzeiro e ampla capela-mor. Podem ser assinalados três períodos de obras: barroco - fachada e transepto; neoclássico - cúpula e decoração interior; eclético - corredores laterais.

Durante todo período do século XIX em que sofreu reformas, nelas atuaram vários arquitetos e engenheiros, tendo sido as obras de escultura, inclusive balaustrada, encomendadas em Portugal. Na fachada principal, observamos grandes espaços revestidos de pedra de cantaria, além do emolduramento das portas, janelas, do frontão triangular, pilastras aparentes, a cimalha e, ainda, de detalhes ornamentais acrescidos. O coroamento bulboso das duas torres sineiras é revestido por azulejos. Destacam-se a grande cúpula do cruzeiro, projetada pelo Engenheiro Gustavo Waenhneldt e concluída em 1877, as oito esculturas em mármore branco, esculpidas em Lisboa e localizadas à volta do tambor da cúpula. As portas da Igreja, uma principal e duas laterais, são em estilo Luís XV, em bronze, esculpidas por Teixeira Lopes e representam uma alegoria ao Santíssimo Sacramento. O espaço interno da Igreja é formado por planta em cruz latina. No ano de 1878, foram acrescidas duas naves laterais pelo Arquiteto Antônio de Paula Freitas. O revestimento das paredes e os altares foram realizados em mármore, evidenciando influência da arte italiana. Os púlpitos foram feitos em bronze pelo escultor Rodolfo Pinto do Couto e inaugurados em 1931. A decoração da cúpula foi realizada em fins do século XIX, com pinturas de João Zeferino da Costa e estuques de Alves Meira. (Texto obtido no site do IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - na foto antiga, de Marc Ferrez de 1885, observe que a Candelária era a construção mais alta da cidade.)


Candelária e chafariz (art déco) da mulher com ânfora

A monumental cúpula com esculturas de mármore em volta

Cúpula

Capela mor

Porta de bronze (detalhe)

Anjo

Piso

Painéis no teto de João Zeferino da Costa contando as origens da igreja

Capela lateral



IGREJA DE SÃO JOSÉ
Av. Presidente Antônio Carlos, altura da Rua São José (em frente ao Edifício Garagem)



O templo dedicado a São José teve sua origem em uma pequena ermida construída em 1608 pelo ermitão Egas Muniz. Em 1807, a Irmandade de São José deu início às obras da atual Igreja sob a responsabilidade do Mestre Félix José de Souza, substituído, em 1815, pelo arquiteto do Paço, João da Silva Muniz, sendo inaugurada em 1842. A igreja de estilo barroco tardio possui nave única e corredores laterais onde se localizam um púlpito e três tribunas. Na capela-mor tem abóbada semelhante à da nave, e possui duas tribunas por banda. Seu interior é decorado com talha de estilo rococó de autoria de Simeão de Nazaré, discípulo do Mestre Valentim. Em seu frontispício pesado predominam os elementos horizontais de cantaria, compostos pela cimalha [arremate superior saliente da fachada], pelo embasamento das duas torres sineiras e do acrotério central. Numa delas está instalado o famoso carrilhão, ali existente desde 1883.

De sua imaginária destacou-se a imagem de São José procedente da França e doada à Irmandade pelo Comendador José Pinto de Oliveira, em 1884. Missas são celebradas segundas-feiras às 11h30, de terça a sexta ao meio-dia e no domingo às 10 horas.
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"As fachadas principal e laterais são repartidas regularmente por pilastras e cunhais de cantaria, utilizando o contraste cromático da pedra com o cal branco das paredes." Guia das Igrejas Históricas da Cidade do Rio de Janeiro

Visão lateral

A igreja vista da escadaria da Assembleia Legislativa

Talha em estilo rococó tardio

Imensa imagem de São José

Teto e lustre

IGREJA DA IRMANDADE DA SANTA CRUZ DOS MILITARES
Rua Primeiro de Março, 36



A primitiva capela foi construída entre os anos de 1623 e 1628, no local onde anteriormente havia sido erguido o Forte de Santa Cruz, em princípios do século XVIII. A partir de 1780, deu-se início à construção da atual Igreja, segundo projeto do Engenheiro Militar Brigadeiro José Custódio de Sá Faria e no ano de 1811 foi sagrada.

A fachada da Igreja foi realizada ao feitio da famosa igreja dos jesuítas (Igreja de Gesù), construída no século XVI em Roma, Itália. Apresenta, como aquela, frontão triangular e volutas laterais [ornatos em forma de espiral], tendo uma grande janela centrada ladeada por pilastras [pilares semi-embutidos na parede] e grandes nichos com estatuas de santos. No piso térreo, a grande portada, formada de arco entre colunas que sobressaem, é ladeada por nichos e pilastras. É de grande beleza a combinação de granito dos elementos estruturais com os mármores de lioz dos capitéis, embasamentos, molduras e esculturas, aplicados todos sobre o fundo liso da alvenaria caiada. A torre sineira não compõe a fachada principal, mas localiza-se nos fundos da Igreja.

A Igreja apresenta um plano de nave única e capela-mor profunda, ladeada por corredores, que terminam na sacristia e no consistório. O interior é revestido de talha em duas fases. A primeira, mais antiga, refere-se à capela-mor e apresenta elementos de feição rococó, sendo atribuída, em parte, à Mestre Valentim. No entanto, em consequência do incêndio ocorrido em 1923, a talha destruída parcialmente foi substituída por estuque. A segunda fase refere-se à talha realizada em meados do século XIX, por Antônio de Pádua e Castro e está localizada na nave da igreja, incluindo o coro.


Missas são celebradas às segundas, quartas e sextas e sábados às 12h30. A aquarela antiga abaixo é de Richard Bate de 1820.

Fachada em estilo barroco jesuítico 

A igreja em aquarela de Richard Bate de 1820

Torre sineira nos fundos, à direita

Nicho com estátua do evangelista

Na decoração toda branca os estuques se misturam com a talha

Altar lateral

Claraboia

IGREJA DE NOSSA SENHORA DA LAPA DOS MERCADORES
Rua do Ouvidor, 35




A partir de 1747, a Igreja começou a ser construída no mesmo local onde havia um oratório dedicado a Nossa Senhora da Lapa, onde os comerciantes, ou "mercadores", reuniam-se para rezar. No ano de 1750, foi sagrada e cinco anos depois concluída. Grandes obras de remodelação foram feitas de 1869 a 1872, quando se refez a fachada do templo, construiu-se a torre sineira e completou-se a obra de talha do interior.

A fachada da Igreja é constituída, na parte inferior, por uma galilé [espaço de transição entre o frontispício e as portas de acesso à nave] formada por três arcos. A parte superior da fachada é o resultado de reformas realizadas a partir de 1869, segundo projeto de Antônio de Pádua e Castro que lhe deu um aspecto clássico. Apresenta-se composta por três grandes janelas, com guarda-corpo de mármore trabalhado, encimadas por nichos com estátuas de São Bernardo e Santo Adriano, procedentes de Lisboa. Entre os dois, há um medalhão de mármore trabalhado representando a coroação da Virgem, encontrado em escavações realizadas no terreno. Frontão triangular, com torre de mármore substituindo a original, destruída por uma bala de canhão [foto inferior] durante a Revolta da Armada em 1893. A fachada conta ainda com um relógio e, na torre, o mais antigo carrilhão por música da cidade.

O plano da nave é oval e da capela-mor retangular, ambas apresentando cúpula com lanternim [pequena torre curva sobre os telhados com função de iluminação]. A decoração interior foi realizada em dois momentos; numa mais antiga, de fins do século XVIII princípios do XIX, que corresponde ao retábulo [estrutura ornamental engastada na parede atrás do altar] da capela-mor e ao arco cruzeiro [arco que separa a nave da capela-mor], com elementos característicos do rococó. Outro momento, que está compreendido por volta de 1870-1872, relaciona-se às obras de estuque realizadas por Antônio Alves Meira ornamentando as cúpulas da nave e capela-mor e aos trabalhos executados por Antônio de Pádua e Castro para os retábulos da nave, púlpitos e coro.

Três grandes janelas, com guarda-corpo de mármore trabalhado, encimadas por nichos com estátuas de São Bernardo e Santo Adriano, procedentes de Lisboa. 

Entre os dois nichos há um medalhão de mármore trabalhado representando a coroação da Virgem.

Frontão triangular


"Bala perdida" da Revolta da Armada

IGREJA DE NOSSA SENHORA DO CARMO DA ANTIGA SÉ (esquerda; na foto antiga ainda sem a torre alta erguida em 1905 e ligada por um passadiço sobre a Rua do Cano, atual Sete de Setembro, com o Convento do Carmo)
e
IGREJA DA ORDEM TERCEIRA DE NOSSA SENHORA DO MONTE DO CARMO (direita)
Praça XV




IGREJA DE NOSSA SENHORA DO CARMO DA ANTIGA SÉ

No local onde se achavam as ruínas da Ermida de Nossa Senhora do Ó, próximo ao mar, os frades carmelitas iniciaram, em 1619, a construção de um convento e, em 1761, a construção de uma igreja que, mais tarde, foi transformada em Capela Real. Em 1808, com a chegada da família real portuguesa, foi elevada a Catedral Metropolitana, até a década de 1970, quando foi inaugurada a nova Catedral, na Avenida Chile.

Com três portas de entrada, a Igreja, de capela-mor e nave única, é coberta por abóbada de berço [cilíndrica] e apresenta capelas laterais profundas. Toda obra de talha rococó é atribuída ao Mestre Inácio Ferreira Pinto, destacando-se a parte que reveste o arco cruzeiro, culminando com um dossel e com um emblema do Carmo. Durante o reinado de Dom Pedro I, recebeu nova fachada, construída de acordo com o risco do arquiteto Pedro Alexandre Cavroé. O exterior foi alterado outras vezes [a última no início do século XX, quando recebeu a torre alta que vemos na foto acima]. Na sua planta, segundo Araújo Viana, predominou a forma da cruz latina, que, no Rio de Janeiro, só existem nela e na Candelária.


Interior com exuberante talha rococó

Nave coberta por abóbada de berço, cilíndrica

Capelas laterais profundas

IGREJA DA ORDEM TERCEIRA DE NOSSA SENHORA DO MONTE DO CARMO

A Ordem Terceira do Carmo, fundada em 1648, depois de se instalar provisoriamente numa ermida, deu início, em 1755, à construção de sua igreja, ao lado da que era conventual, com frente para a Rua Direita atual Primeiro de Março. Edificada por Mestre Manuel Alves Setúbal, foi sagrada em 1770. Os campanários das torres só ficaram prontos em 1850, feitos segundo risco do professor da Academia de Belas Artes, Manoel Joaquim de Melo Côrte Real. Templo de uma só nave e capela-mor profunda, é ladeado à direita por uma galeria que termina na sacristia e que se abre em arcada para um beco de passagem; pela esquerda, por um corredor que termina na capela do noviciado, executada por Mestre Valentim, em estilo rococó. A fachada de primorosa cantaria é encimada por frontão barroco, forte e ondulado, e pelas já referidas sineiras, de construção tardia, e que possuem arremates bulbosos revestidos de azulejos. A portada de lioz da frontaria [segunda foto abaixo] , vinda de Lisboa, foi benta em 1761 e apresenta notável medalhão com imagem da Virgem. Internamente, a talha foi executada por Luís da Fonseca Rosa e Mestre Valentim, seu discípulo. O altar-mor, do século XVIII, tem frontal e contrafrontal de prata. Os altares laterais estão iluminados por lampários de prata, desenhados por Mestre Valentim. Uma missa comunitária é celebrada às segundas-feiras ao meio-dia.


Igreja da Ordem Terceira de N.S. do Monte do Carmo: "A fachada principal, toda revestida de granito, é típica da arquitetura portuguesa, o que atestam suas duas torres." Guia das Igrejas Históricas do Rio de Janeiro

Portada de lioz com medalhão da Virgem

Capela-mor profunda e cúpula

São Miguel Arcanjo, na sacristia

Talha barroca

Fotos do editor do blog, exceto as antigas. Textos obtidos no site do IPHAN (exceto as observações entre colchetes). 

NOTA:  VOCÊ VIU AQUI SEIS IMPORTANTES IGREJAS HISTÓRICAS DO CENTRO CARIOCA. PARA VER TAMBÉM A PARTE 2 COM OUTRAS IGREJAS HISTÓRICAS CLIQUE AQUI OU NO LABEL "igrejas históricas do Centro do Rio" ABAIXO.