ENSEADA DE BOTAFOGO

ENSEADA DE BOTAFOGO
"Andar pelo Rio, seja com chuva ou sol abrasador, é sempre um prazer. Observar os recantos quase que escondidos é uma experiência indescritível, principalmente se tratando de uma grande cidade. Conheço várias do Brasil, mas nenhuma tem tanta beleza e tantos segredos a se revelarem a cada esquina com tanta história pra contar através da poesia das ruas!" (Charles Stone)

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA
São Paulo, até 1910 era uma província tocada a burros. Os barões do café tinham seus casarões e o resto era pouco mais que uma grande vila. Em pouco mais de 100 anos passou a ser a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo. É pouco tempo. O século XX, para São Paulo, foi o mais veloz e o mais audaz.” (Jane Darckê Avelar)
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4.11.13

PARQUE DOIS IRMÃOS

PASSEIO DE TIRAR O FÔLEGO, LITERALMENTE
João Sette Camara
Texto publicado originalmente na revista Rio Show de O Globo de 20 de julho de 2007 e reproduzido com permissão do autor. Fotos do parque e de seu acesso do editor do blog.


Recentemente soube que o Parque Natural Municipal do Penhasco Dois Irmãos, mais conhecido como Parque Dois Irmãos, que fica no morro de mesmo nome, havia sido todo reformado e tinha ganhado um reforço na segurança devido a um maior afluxo de turistas nesta época de Pan. Eu, que adoro as áreas verdes, mas nunca tinha visitado o parque, parti para o Leblon.



Da subida, na pacata Rua Aperana, não se tem ideia das surpresas que aguardam o visitante lá em cima. O parque, limpo, bem cuidado e aparentemente seguro, é uma sucessão de ladeiras entrecortadas por mirantes de todos os tamanhos que descortinam paisagens de tirar o fôlego. Do primeiro deles, o mais baixo, vê-se a orla, da Joatinga ao Arpoador. E ainda há um pequeno anfiteatro de pedra, com as Cagarras ao fundo, que poderia ser um dos palcos mais bonitos e exclusivos da cidade, se fosse utilizado.

Memorial às 228 vítimas do acidente em 2009 com o avião da Air France

Subindo ainda mais o morro e arrependido de não ter levado bicicleta — a melhor opção para explorar as trilhas, o que também pode ser feito com o auxílio de guias e mediante agendamento — cheguei a mais um mirante, que tem uma vista ainda mais alucinante, pois dele vê-se também a Lagoa e o Jardim Botânico. Além do visual, o parque ainda tem uma área para piqueniques (que precisam ser agendados), brinquedos para crianças, aparelhos de ginástica e campo de futebol.



Criado pela prefeitura em 1992 e com uma área de 39 hectares, há que se rezar para que, passado o Pan, a atmosfera de segurança e limpeza não se evapore deste parque que é um presente para os cariocas.

[Nota do editor do blog: As preces do autor foram atendidas: visitei o parque em 20/10/13 e ele continua impecavelmente limpo e cem por cento seguro.]



INFORMAÇÕES:
Parque Natural Municipal do Penhasco Dois Irmãos
Rua Aperana s/no - Alto Leblon (você pode subir de carro e estacionar no parque ou subir a pé)
Terça a domingo, das 8h às 17h, no horário de verão até 18h

17.9.09

POR QUE O LEBLON?

Crônica de Manoel Carlos publicada originalmente na Veja-Rio de 28/01/09


Praia do Leblon com o Cristo ao fundo



Avenida Ataulfo de Paiva


Grafite


Sede do Flamengo

Por que o Leblon?

É o que algumas pessoas do bairro me perguntam, sempre que eu escrevo uma novela. Por que não Ipanema, Copacabana, Barra ou então Tijuca, Jacarepaguá, Vila Isabel, Gávea, Jardim Botânico... Enfim, por que não qualquer outro bairro do Rio? Por que o Leblon?

Alguns moradores fazem essa pergunta com simpatia e afeto. Mostram-se sorridentes, acarinhados e até envaidecidos com a minha escolha permanente. De outros, a indagação surge como um protesto, sempre acompanhada por um rosário de razões afeitas à cidadania, a começar pela queixa contra os caminhões da TV Globo, que deixam as ruas intransitáveis, tumultuando a vida dos moradores. E há também os que reclamam do alto preço dos imóveis – para comprar ou alugar –, por culpa minha, dizem eles, que valorizo o bairro na novela, fazendo parecer que aqui é o paraíso, onde não há violência, nem sujeira, nem descaso das autoridades públicas. Porém, no frigir dos ovos, estabelece-se uma divisão fifty-fifty: os que gostam e os que não gostam. Para os idosos, crianças, babás e seus bebês, a sensação é de festa permanente, de feriado ininterrupto. Ao lado disso tudo há, obviamente, violência, sujeira e descaso das autoridades públicas, como em todo o Rio e em quase todo o Brasil.

Mas a felicidade maior é mesmo dos paparazzi, que têm farto material disponível, com astros e estrelas desfilando, diariamente, nos restaurantes, bancas de jornais, farmácias, livrarias e cafeterias. Nos fins de semana – muitas vezes gravamos no sábado – há praticamente um tour de turistas domésticos, que circulam com câmeras fotográficas, perseguindo, numa boa, as celebridades globais.



Maisons Leblon: "Aristocracia com melhor segurança em ponto nobre do Leblon"


Cinema Leblon: um dos poucos cinemas de rua sobreviventes no Rio


Praça Antero de Quental

Mas, afinal, por que o Leblon? Será por causa dessa movimentação toda, desse circo a céu aberto que a televisão cria, mesmo já sendo o bairro, independentemente de novelas, o preferido dos famosos? Não, nada disso. A resposta é fácil, simples, cristalina: porque moro aqui. Transito pelas ruas do Leblon, a pé, todos os dias, conhecendo seus moradores, um a um, pelo menos de vista. Aqui também formei grande parte da minha família, já que tenho dois filhos e três netos leblonenses genuínos. Sendo assim, quando penso na história central de uma novela, é natural que eu a imagine desenrolando-se aqui, nestas ruas e praças, nestes bares e restaurantes. Na sua vida agitada sete noites por semana.

O Leblon é uma pequena faixa de terra cercada de beleza por todos os lados. Situa-se entre o mar e a Lagoa Rodrigo de Freitas, e sua extensão total cobre menos de vinte ruas transversais: da Avenida Borges de Medeiros à Avenida Visconde de Albuquerque. O bairro abriga endereços famosos, moradores célebres e o Flamengo da Marilene Dabus e de todos nós.

Quando saio do Rio, a curiosidade é especulativa, cheia de perguntas feitas com os olhos brilhando. Também imaginam que o bairro seja uma espécie de Manhattan, ilha da fantasia onde as celebridades circulam de camiseta, bermudas e Havaianas. Muita gente faz essa ideia do Leblon. Conheci uma moça em São Paulo que me fez prometer que, vindo ela ao Rio, eu lhe mostrasse a Clínica São Vicente.


Avenida Ataulfo de Paiva


Rua General Urquiza, 133: neste endereço (mas não neste prédio) morei na infância.



Eu sentado no carro do meu pai; no fundo à esquerda, nossa casa na General Urquiza, 133

– Mas por quê? – perguntei eu.

– Porque é para lá que todos os artistas vão, quando ficam doentes ou quando simplesmente precisam fazer um exame, consultar um médico. Leio isso sempre nos jornais e revistas.

Não tive coragem de revelar que a Clínica São Vicente é na Gávea. Não quis lhe provocar essa decepção.

Criam-se lendas, inventam-se histórias, fantasia-se. Para mim é apenas o lugar onde eu moro e que amo de coração. Simples, quase bucólico. Parodiando Fernando Pessoa e seu Tejo, posso afirmar que:
"O Leblon não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele".



Prédio em estilo neocolonial na General Urquiza


Bonito prédio na General Urquiza


General Urquiza: aprazível como no meu tempo de criança


Rua Desembargador Alfredo Russel, 160


A placa já diz tudo


Prédio em estilo normando na Praça Baden Powell


Orelhão & calor


Canteiro


Pizzaria Guanabara


Moderno e pós-moderno na Rua Aristides Espínola


Painel de pastilhas na esquina da Aristides Espínola com Gal. San Martin


Mirante do Leblon


Pescador


Zózimo contempla a Praia do Leblon


Chalés à rua José Linhares


Rio Design Center

Fotos do editor do blog (exceto aquela em preto-e-branco).

9.8.05

CENA ESTRELADA POR RUBEM FONSECA (de Geneton Moraes Neto)



RIO DE JANEIRO, 2005


Os detetives dos livros de Rubem Fonseca são espertíssimos. Notam tudo. Quem navegou deliciado pelas páginas de um livro como Bufo & Spalanzanni certamente se surpreendeu com a argúcia dos investigadores criados pela imaginação de Fonseca. Mas lamento informar que o próprio Rubem Fonseca não é tão atento: não notou que eu segui seus passos sorrateiramente pelas ruas do Leblon. Fonseca nem desconfiou. O criador não é tão arguto quanto suas criaturas.
Faz pouco tempo: Rubem Fonseca estava na fila do Supermercado Zona Sul, na rua General Artigas. Sozinho. Anônimo. Silencioso. Usava um boné, não para se proteger do sol - porque já eram sete da noite -, mas certamente para se resguardar da investida de algum leitor inconveniente ou, pior, algum repórter intruso, como eu. O horror, o horror, o horror.
Pensei com meus botões: vou fazer uma foto de Rubem Fonseca, a Greta Garbo das letras, o homem que devota um consistente horror a repórteres e fotógrafos. O problema é que minha máquina - amadora - estava em casa. Resolvi acompanhar, à distância, a caminhada de Fonseca pelas ruas, na saída do supermercado. Quem sabe? Se ele passasse em frente ao meu apartamento, eu teria trinta segundos para correr, pegar a máquina lá dentro e voltar para a rua, a tempo de eternizar o flagrante num disquete.
Rubem Fonseca saiu do supermercado, entrou à direita na General Artigas, dobrou à esquerda na Ataulfo de Paiva e seguiu, anonimamente feliz sob a lua do Leblon. Guardei uma distância prudente: fiquei sempre a uns dez passos do homem, para não perdê-lo de vista. Não perdi.
Rubem parou diante de uma banca. Bela imagem: o homem célebre e solitário contemplava as manchetes dos jornais pendurados na banca como se fossem roupas num varal. Mas lamento informar que perdi a foto perfeita. Não deu tempo ir buscar a máquina.
O homem sumiu de vista, entrou à direita na rua General Urquiza, caminhou em direção ao mar do Leblon. O repórter ficou a ver navios.
É tudo o que Rubem, o fugidio, sempre quis.

CENA 1 de "TRÊS CENAS ESTRELADAS POR RUBEM FONSECA". As cenas 2 & 3 você pode ler no excelente site do jornalista Geneton Moraes Neto em http://www.geneton.com.br/archives/000118.html.


FOTOS DO LEBLON: Ivo & Mi