ENSEADA DE BOTAFOGO

ENSEADA DE BOTAFOGO
"Andar pelo Rio, seja com chuva ou sol abrasador, é sempre um prazer. Observar os recantos quase que escondidos é uma experiência indescritível, principalmente se tratando de uma grande cidade. Conheço várias do Brasil, mas nenhuma tem tanta beleza e tantos segredos a se revelarem a cada esquina com tanta história pra contar através da poesia das ruas!" (Charles Stone)

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA
São Paulo, até 1910 era uma província tocada a burros. Os barões do café tinham seus casarões e o resto era pouco mais que uma grande vila. Em pouco mais de 100 anos passou a ser a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo. É pouco tempo. O século XX, para São Paulo, foi o mais veloz e o mais audaz.” (Jane Darckê Avelar)
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15.11.08

TEMPLO POSITIVISTA

O AMOR POR PRINCÍPIO, E A ORDEM POR BASE; O PROGRESSO POR FIM.


Em pedra e cal, o prédio foi concluído em 1897 e abriga, até hoje, a Igreja Positivista, fundada no Brasil em 1881, por Miguel Lemos. Dentro do espírito eclético, a fachada reproduz a do Panteon de Paris, com robustas colunas e destacado frontão. Uma rosa dos ventos, na entrada do templo, indica a direção de Paris. No Brasil, as idéias positivistas começaram a chegar na segunda metade do século XIX e tiveram grandes divulgadores como Benjamin Constant, Miguel Lemos e Teixeira Mendes. Penetraram nas universidades e no meio militar, atuando como suporte das críticas à Monarquia e da propaganda republicana. Exemplos da influência do positivismo podem ser encontrados no culto cívico a personalidades históricas [Tiradentes, por exemplo] e no lema “Ordem e Progresso” presente na bandeira nacional. (Transcrito do Guia Michelin do Rio de Janeiro.)

O Templo da Humanidade (fotos) fica na Rua Benjamin Constant, 74 - Glória. É um dos três únicos templos positivistas do mundo, os outros situados em Paris (5 rue Payenne) e Porto Alegre (Av. João Pessoa, 1.058). Abre aos domingos a partir das 10 da manhã.


Escreve João do Rio em As religiões no Rio:

Era domingo, à porta do templo da Humanidade, na rua Benjamim Constant. Com o céu luminosamente azul e o sol tépido, havia muita concorrência nessa rua, de ordinário deserta: senhoras, cavalheiros de sobrecasaca, militares, crianças. Uns subiam logo as escadas do templo, cuja fachada recorda um templo grego; outros mais íntimos, seguiam para o fundo, pelo lado direito. Teixeira Mendes fazia a sua prédica dominical. [...]

- Mas este templo como foi feito?
- O Apostolado deixou a sede da rua Nova do Ouvidor para a rua do Lavradio. A mudança determinou o lançamento de um empréstimo em 1891 para a construção do templo, no que muito concorreram Pereira Reis, Otero, Rufino de Almeida, Décio Vilares. A inauguração foi em 1894, e a igreja custou 250 contos.
- É mais uma prova da importância do Centro no regime republicano.
- A nossa intervenção no início da República foi de primeira ordem. Basta citar a Bandeira Nacional, a separação da Igreja do Estado, a liberdade dos professores, a reforma do código no caso da tutela de filhos menores. [...]

O templo da humanidade é lindo. Ao alto, junto ao teto correm janelas que arejam o ambiente. Todo pintado de verde-mar, está-se dentro como num suave banho de esperança.




Fotos do editor do blog.

6.10.08

GRANDE TEMPLO ISRAELITA DO RIO DE JANEIRO



Construção de estilo eclético, em que coexistem elementos tanto da arquitetura de origem hebraica quanto das ordenações clássicas. O autor do projeto, elaborado em 1919, é o engenheiro arquiteto Mario Vodred, e o templo foi inaugurado em 1932. Os mosaicos foram executados em 1976 pelo artista Humberto Cozzo (Guia das igrejas históricas da cidade do Rio de Janeiro). O Templo foi tombado pela Prefeitura e os serviços religiosos atualmente se restringem ao Rosh Hashaná e Yom Kipur.



TEXTO EXTRAÍDO DO LIVRO DE SAMUEL MALAMUDRECORDANDO A PRAÇA ONZE, EDITADO EM 1988 PELA LIVRARIA KOSMOS EDITORA:

A sinagoga mais antiga da Praça Onze — Beit Yaakov, fundada em 1916 — marcou o início da organização comunitária. Nos anos vinte, essa sinagoga não tinha nenhuma dificuldade em promover as rezas tanto matutinas como as da tarde e da noite. Havia sempre um minyan (número mínimo de dez varões maiores de 13 anos de idade). A sinagoga denominada Beith Israel, com sede na rua Santana 12, foi fundada mais tarde por um grupo de dissidentes da primeira. [...] A sinagoga Beith Israel foi a primeira a ter sede própria. [...]


A Beit Yaakov contava na época com um grande número de sócios e era a mais importante da Praça Onze. Não era suficientemente espaçosa para acolher maior número de pessoas nas datas religiosas mais importantes. A diretoria cogitou de construir um templo que atendesse ao crescimento da comunidade. Mas, enquanto essa idéia não se concretizava, alugava-se para as datas religiosas mais concorridas o salão do Clube Ginástico Português, que ficava na rua Buenos Aires, entre a Praça da República e a Avenida Pasoss. [...]


A comissão formada para a compra do terreno em que se ergueria o templo julgava que o bairro da Praça Onze continuaria sendo por longos anos o centro da vida judaica do Rio. [...] Foi comprado, então, um enorme terreno na esquina das ruas Tenente Possolo e Henrique Valadares.


A campanha para angariar os recursos para a construção do templo começou com a venda de títulos de sócio fundador, com direito a um lugar permanente e marcado na sinagoga, como é de praxe. Mas logo surgiram as dificuldades. Já então, numerosos judeus, economicamente bem situados, começaram a mudar suas residências da Praça Onze para outros bairros surgindo núcleos judaicos na Tijuca, em Vila Isabel, nas localidades suburbanas da Central do Brasil e da Leopoldina, onde se iam formando centros religiosos e culturais. [...]


O orçamento para a construção do templo ia crescendo continuamente, devido ao encarecimento constante dos materiais e da mão-de-obra. Isso levou a comissão a desmembrar uma parte do terreno e pô-lo à venda, renunciando, assim à construção do centro social. O lote desmembrado foi adquirido por um cidadão português, que ergueu ali um edifício que até hoje existe e a que deu curiosamente o nome de “Graças a Deus”...


O templo serviu durante longos anos como centro de congregação da comunidade, ao qual comparecia grande número de fiéis com suas famílias, principalmente nos dias mais santificados. [...] Atualmente, toda a região onde o templo fica situado se esvaziou do elemento judeu. [...]


O templo da rua Tenente Possolo serve hoje como marco de uma época da história da comunidade judaica e representa um monumento que a mesma tem por obrigação conservar.