ENSEADA DE BOTAFOGO

ENSEADA DE BOTAFOGO
"Andar pelo Rio, seja com chuva ou sol abrasador, é sempre um prazer. Observar os recantos quase que escondidos é uma experiência indescritível, principalmente se tratando de uma grande cidade. Conheço várias do Brasil, mas nenhuma tem tanta beleza e tantos segredos a se revelarem a cada esquina com tanta história pra contar através da poesia das ruas!" (Charles Stone)

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA
São Paulo, até 1910 era uma província tocada a burros. Os barões do café tinham seus casarões e o resto era pouco mais que uma grande vila. Em pouco mais de 100 anos passou a ser a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo. É pouco tempo. O século XX, para São Paulo, foi o mais veloz e o mais audaz.” (Jane Darckê Avelar)
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30.12.10

ADEUS 2010/FELIZ 2011!


COM ESTAS FOTOS DURANTE O PÔR-DO-SOL NO ARPOADOR


LITERATURA & RIO DE JANEIRO - O BLOG DE QUEM ADORA O RIO DE JANEIRO -


DESPEDE-SE DE 2010,


DESEJANDO AOS AMIGOS


UM FELIZ ANO E DÉCADA NOVA!


E CONTINUEM NOS VISITANDO,


QUE SEMPRE TEREMOS


NOVAS SURPRESAS!

8.2.10

PÔR-DO-SOL NO ARPOADOR


Com a temperatura beirando os quarenta graus, fazer o que no fim de semana? Trancafiar-se em casa no ar-condicionado? Filar o ar-condicionado do shopping? Entornar umas cervejas e sair nos blocos carnavalescos? Um programa cada vez mais popular é pegar uma praia sem raios ultravioleta no fim da tarde, início da noite. No Arpoador e Ipanema o sol faz o espetáculo, ao mergulhar no horizonte. Com direito a palmas do público. Altas vibes no nosso Rio de Janeiro.


21.1.07

ZÓZIMO BARROSO DO AMARAL

E AÍ, ZÓZIMO? de ARNALDO BLOCH (Crônica publicada originalmente no Segundo Caderno do jornal O Globo de 14/01/2006 e reproduzida com permissão do autor)

Estátua de Zózimo Barroso do Amaral "contemplando" a Praia do Leblon

Zózimo, vou dizer uma coisa, sempre que passo pela sua estátua e o vejo olhando o mar, na ponta do Leblon, me vem uma baita tranquilidade, daquela que é raro sentir, parecida com a tranqüilidade de ficar uns dias sem celular e ver a vida como ela é — ou, dirão, como ela era (lembra?), e eu de bobo ainda acredito que pode ser, pelo menos de vez em quando.

Vou dizer: ontem vi um sujeito tentando sair apressado e encontrando no elevador o peão de obra a retirar dúzias de sacos de areia (o elevador social parado).

O sujeito ansioso balançava a perna, com aquele velho ímpeto escravocrata que continua forte por aqui, e o peão dizendo a ele, esbaforido, "já vai terminar, já vai terminar", mas faltavam ainda uns dez sacos de areia.

Aí veio a transformação, o sujeito parou de balançar a perna e disse: "Melhor eu ir de escada". O peão, servil, ainda cismou,"já termino num instante!". Mas o sujeito, que abrira a porta de ferro, disse: "Não. Faz aí o seu trabalho com calma. Posso descer de escada. Não tem motivo para essa pressa toda".

Zózimo, vou dizer: eu, se fosse o peão da história, ia logo acreditar mais no Brasil, mais no cidadão, mais na dignidade dos homens. O diabo é que eu não saberia dizer se o sujeito agiu com medo de punição divina, esperando prêmio por boa ação, ou, simplesmente, por ser um homem de princípios. Não sei quão raro é tal gesto, essas coisas as estatísticas não medem, solidariedade, princípios.

Talvez você, Zózimo, nos revelasse um indicador confiável de princípios, numa nota que começasse dizendo: "Convidem para a mesma mesa o peão e o morador", e peço desculpas por ousar aqui parodiá-lo, amigo. Sei que digo "amigo" sem tê-lo, de fato, sido: quando você ainda trafegava pela redação papeamos só duas vezes, no café.

Digo "amigo", sim, como quem fala com a estátua aqui no Leblon, com o Zózimo figura pública, e sente saudades da sua elegância. Diferente da elegância fabricada do fashionismo galopante: falo da elegância de espírito, de viver, de olhar, ver, o mundo. Elegância que se vê nas coberturas e nos morros, nos conjugados e nos palacetes, no magnata e no peão, elegância e cafonalha não distinguem classe social, não há roupa ou fantasia que dê jeito quando, na alma, falta classe.

Zózimo, você ainda estava por aqui quando o pessoal começou a dizer que inveja é uma merda? Andei pensando esses dias: pior que inveja é vaidade. Mas tem coisa pior ainda: ser chato. E a coisa pior entre todas as coisas piores: não ter humor, levar-se a sério demais. Uma merda.


Para inveja, vaidade e chatice há perdão. Mas não para a falta de humor. Quem rejeita o humor pode até exercer poder, mas não morrerá antes de ter o nome gritado com escárnio nas ruas. E, quando morrer, o peso da vergonha tornará penosa a sua passagem para o nada — ou para o tudo, conforme for o que nos espera do outro lado.

Falando nisso, eu poderia arriscar uma pergunta: o que há (se é que há) aí do outro lado? Mas não pergunto, pois sei que você não responderia, e falta-me a habilidade tão praticada por aí de conversar com os que se foram.

Por isso digo, sem expectativa de ser escutado: Zózimo, ontem vi um fuscão azul-marinho que vou te contar. Belezura. Se pudesse, comprava, mas nem pensei em fazer oferta. Afinal, o fuscão estava no Rebouças — se emparelhasse, o dono era capaz de pensar que era assalto. E o proprietário estava tão feliz ao volante da charanga que pensei: "fuscão com tanta felicidade dentro não tem cotação, não tem preço, é um vintage , qualquer oferta seria uma ofensa.".

Zózimo, o Rio tá que tá, vou dizer. A violência é um problema sério, mas o medo desmedido dela é um problema ainda mais sério. Tem gente com tanto medo que se enfurna em casa e se esquece de viver. Essas pessoas, Zózimo, acho que têm medo de algo além da violência — medo de não saber viver (de nunca ter sabido viver entre os mortais), então a violência acaba sendo o argumento para esperar a morte em casa.

Apesar disso as ruas estão cheias, a maior parte das pessoas, de todas as classes (apesar dos contrastes, das divisões, do gangsterismo) é boa e se encontra nos balcões das biroscas, nos bares, nas esquinas, nos quiosques, vai à praia, ao baile, anda de bicicleta, aplaude o pôr-do-sol, queira-se ou não.

Outro dia, Zózimo, foi engraçado, eu vinha caminhando pela areia, rápido, para alcançar o sol num finzão de tarde e vi, de frente, entre o Dez e o Nove, a multidão de cariocas, além de turistas brasileiros e estrangeiros, postados diante do sol, aplaudindo (era o primeiro dia ensolarado depois de muitos) e tirando fotos com máquinas e celulares. Parecia que o já manjado aplauso ao sol tinha virado eveiiiiinto organizado, mas felizmente não tinha patrocinador (já imaginou, pôr de sol patrocinado por empresa de telefonia? Arre!) .

E era bonito que só. Que sol! Tinha gente gritando uuuhúuuuu com as mãos espalmadas na direção da estrela ("estrela", de dia, soa estranho, mas o sol é exatamente isso, a estrela do dia). E pensei: "Caramba, isso é um culto, um culto ao sol, incrível como somos tribais, ou como estamos cada vez mais tribais".
Sabe, Zózimo, quanto a mim, não sei se mostraria a mão espalmada ao sol e gritaria uuuhúuuuu , mas, sei lá, já gritei uuuuuhúuuu pra tanta coisa tola que, pensando bem, não seria má idéia, ainda mais num passeio que comece com uma visita à sua estátua. Inté.

Fotos da estátua de Zózimo "contemplando" a Praia do Leblon e do pôr-do-sol em Ipanema do editor do blog.

28.4.06

ANOITECER NO RIO

Início da tarde no Leme

À tarde no Arpoador

Fim de tarde na Cinelândia

Fim de tarde no Leme

Fim de tarde no Leme

Fim de tarde à beira-mar

Fim de tarde no Jardim Botânico

Pôr-do-sol em Ipanema

Pôr-do-sol no Leme

Anoitecer visto do Morro da Conceição

Anoitecer em Copacabana

Anoitecer no Forte de Copacabana

Quase noite no Largo de Santa Rita, Centro

A noite é uma criança na Lapa. Fotos do editor do blog.

27.10.05

AMANHECENDO / ANOITECENDO de ANA LIA VIANNA AMBROSIO


AMANHECENDO

Cedo cedinho despertei. Escuro ainda, olhei para o relógio – horário de verão – cinco e meia da madrugada. Boa noite de sono, apesar das poucas horas. Bem humorado levantei, decidindo por um passeio nas ruas. A pé. Aproveitar das vantagens de morar sozinho, sem ter que dar satisfação a ninguém. Logo me veio à cabeça a violência que impera na cidade e os riscos da minha aventura. Resolvi arriscar. De saída, vi de perto os feirantes arrumando suas barracas, reconhecia alguns deles. Em seguida, peguei o caminho do mar: nas pedras encantei-me com os pescadores apostando nas futuras presas. Alegres, homenageando o oceano, a terra, os sonhos. A noite se despedia, cedendo lugar à nova jornada que, triunfante, clareava. Cachorros solitários abanando os rabos, adolescentes voltando das farras, gente (de todas idades) cuidando da forma. Sem falar nos inúmeros bêbados vagando pelas calçadas. Alguns falando sozinhos, outros cambaleando.

"A esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar..."

Navio, ao longe, dá margem às recordações do meu tempo de criança. Tempos de muita brincadeira, tempos ingênuos, tempos tristes. De brincar de pique esconde, de cabra cega, de mamãe posso ir. Cantigas de roda, primeiro beijo, malícia entrando no circuito. Como não quer nada. Êta malícia gostosa – provocando arrepios no corpo e na alma. Submarinos: imperdível cenário de nossas imaginações. Nada melhor do que as lembranças!
E a violência? Desta vez nem a percebi. Cego?
Aos poucos, pessoas nas ruas. O trabalho, a escola, a vida. Portadoras, quem sabe, de um emblema invisível chamado Esperança. Que as leva a prosseguir viagem.

"Sem a qual a vida é nada, sem a qual se quer morrer."

Amanheceu no meu caro e fiel bairro - Leme.



ANOITECENDO


Contemplando o céu – horário de verão – fascinado com o belíssimo quadro que me ofuscava os olhos. Retratá-lo? Impossível. Enquanto o sol se despedia, uma faixa de nuvem clara anunciava a noite chegando. Esplêndido único raro momento! Cenário tranquilo. Crianças brincando, amantes se encontrando, gente simples caminhando. Os idosos, satisfeitos, sorriam numa terra de ninguém. Confuso e esperançoso nosso país, imerso em tão formosa ilha, parecia esquecer-se dos inúmeros problemas.
Ilha da fantasia e da realidade.
Pés macios, firmes, poderosos deslizavam numa direção. Mão única. Voltei atrás no tempo, rememorando violentas paixões, amores ternos, eternas amizades. Desejava fotografar cada segundo, perpetuando sonhos fecundos e viáveis. Os inviáveis, maioria, fica para outra vez. Barulho do mar, quase sem ondas – melodia em meus passos. Profana canção. Areias brancas a embalar-me no colo. Feito criança. Lembranças e mais lembranças embelezando minha andança. Andança promissora; olhei de novo para cima – nada se transformara. Faixa de nuvem cristalina no mesmo lugar. Alívio...
Segui até o final. Final de quê? Pouco importa. Revesti-me de coragem, decidindo voltar. Sabia de cor e salteado que na vida tudo tem um fim: triste, fugaz, porém sábio acalanto. Fotografei no coração inesquecível passeio. Noite mal começara. Ao retornar, procurei o quadro perfeito em seus encantos. Desaparecera. Céu escuro por completo, apenas uma tímida estrela ameaçando despontar.

Anoiteceu.

E com a noite as eternas ondas do Leme! Até amanhã.




Saiba mais sobre Ana Lia Vianna visitando seu blog "Prosa Hoje" em http://prosahoje.blogspot.com/