Texto do editor do blog com colaboração de Vitor Scalercio. Fotos do editor do blog (IK) e de Vitor Scalercio (VS).
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| Vista da entrada da Baía da Guanabara (IK). |
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| Vista do Iate Clube Jardim Guanabara (VS). |
O Rio é gigantesco, e por mais que você rode pela cidade, há sempre lugares novos para conhecer. Por exemplo, você conhece a Ilha do Governador? (As entranhas da Ilha, não apenas a estrada até o aeroporto.) Pois eu também só conhecia a Ilha en passant. Até que recebi do Vitor um e-mail onde ele dizia:
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| Vista do Jardim Guanabara (observe o Pão de Açúcar ao fundo) (VS). |
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| Jardim Guanabara: a Ilha livrou-se da "verticalização", o gabarito lá é uniforme, máximo de três andares (VS). |
“Sou carioca e eterno apaixonado pela cidade do Rio de Janeiro. E não me canso, cada dia descubro lugares novos, cantinhos desconhecidos, novas impressões, um novo olhar, uma outra perspectiva. [...] O Rio é único, não há nenhum outro lugar no mundo que reúna todas essas características peculiares, elas são singulares! A cidade tem vida, uma identidade, tem uma 'alma'! [...] E o carioca é um dos trunfos desta cidade, eu diria.
E um dos motivos que escrevo é falar sobre uma outra grande paixão que também faz parte do Rio de Janeiro. Tem uma história própria, também é singular, é uma outra cidade dentro da metrópole. É a minha Ilha do Governador. [...] Não sei se você conhece seus bairros, suas características, sua vida, sua história. Bom, aqui deixo meu convite. [...] Tenho certeza que você se encantará e verá mais uma peça que faz parte deste lindo mosaico que é a nossa cidade.”
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| Da Ilha você contempla um panorama singular do relevo carioca, as montanhas ao longe... (VS) |
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| Rua Agostinho dos Santos: as casas ficam expostas, sem muros altíssimos nem grades de prisão (IK). |
Aceitei o gentil convite do Vitor e... tornei-me um fã da Ilha! A Ilha livrou-se de um fenômeno chamado "verticalização": o gabarito lá é uniforme, máximo de três andares. Cheia de colinas, as ruas são sinuosas, seguindo as curvas de nível. Dentro da Ilha o trânsito sempre flui razoavelmente (você não fica retido no trânsito por uma eternidade), e existe a opção da barca. Muitos bairros da Ilha são seguros: as casas ficam expostas, sem muros altíssimos nem grades de prisão (veja as fotos). O calor do verão lá é atenuado pela brisa que sempre sopra do mar. A Ilha é um Rio de Zona Norte com nível de vida de Zona Sul: o bairro de Jardim Guanabara ostenta o terceiro maior IDH (índice de desenvolvimento humano) da cidade, superado apenas pela Gávea e Leblon. A Ilha está cheia de praias bucólicas como em Paquetá (é verdade que as águas da Baía estão poluídas, mas quem sabe, um dia...), com pescadores, barquinhos, peixe frito à beira-mar... Da Ilha você contempla um panorama singular do relevo carioca, as montanhas ao longe, Pão de Açúcar, Corcovado, etc. É como se existisse uma outra temporalidade, em que você está do lado da metrópole, mas consegue escapar de toda a agitação.
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| Parque Marcello de Ipanema: o bairro de Jardim Guanabara ostenta o terceiro maior IDH da cidade (VS). |
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| Rua Jair Ramos: modernidade (IK). |
A Ilha do Governador é enorme: com 40,8 quilômetros quadrados, aproximadamente o tamanho de todos os bairros da Zona Sul juntos. Só que 51% de sua área é ocupada pelo bairro do Galeão cuja ocupação é apenas para fins militares (aeronáutica) e para o aeroporto. A população, 211 mil habitantes (censo 2000), supera a de Copacabana (147 mil). Tem de tudo na Ilha do Governador: o aeroporto; um Porcão; um iate clube; uma escola de samba; uma grande presença militar em vários bairros (estação de radio da marinha, base aérea do galeão, fuzileiros navais, hospital da aeronáltica, hospital de medicina aeroespacial etc.); três reservas militares de mata atlântica; a APARU do Jequiá, que possui uma preservação do ecossistema de manguezal; um estádio de futebol; um shopping center; praias; as ruas costumam ser arborizadas; igrejas históricas; casas simpáticas; prédios modernos (mas baixos); favelas; tem até uma lenda indígena (a tribo de Arariboia, os temininós, habitava lá). Na verdade, a Ilha não é um bairro, mas uma região administrativa composta de duas ilhas (a do Governador e a do Fundão) e de 15 bairros: Bancários, Cacuia, Cidade Universitária, Cocotá, Freguesia, Galeão, Jardim Carioca, Jardim Guanabara, Moneró, Pitangueiras, Portuguesa, Praia da Bandeira, Ribeira, Tauá e Zumbi.
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| Igreja de Nossa Senhora da Conceição: antiga capela do engenho de Salvador Correia de Sá, construída na primeira metade do século XVII (IK). |
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| Praça Jerusalém no Jardim Guanabara. Ao fundo, a Rua Uçá, ladeada de palmeiras (VS). |
A Prefeitura, em seu plano de estratégias para a cidade, considera a Ilha um microcosmo do Rio de Janeiro. No Plano Estratégico da prefeitura lemos: “Com efervescente vida própria, um intenso comércio e dispondo de enormes recursos naturais, a Ilha do Governador tem tudo para se desenvolver de forma ordenada e coerente, preservando a qualidade de vida. A Região possui indicadores que representam uma média dos indicadores da cidade, ou seja, possui um ambiente urbano no qual os melhores bairros residenciais - confortáveis e elegantes - apresentam as mesmas condições de vida da Zona Sul, convivendo entretanto com favelas e cortiços com as mesmas mazelas características de alguns bairros da Zona Norte. A Região Ilha do Governador representa, em escala menor, um modelo de informações estatísticas da cidade.”
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| Estação de barcas de Cocotá: o trânsito flui razoavelmente e existe a opção da barca (IK). |
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| Crianças na Praia da Bandeira: A Ilha está cheia de praias bucólicas (IK). |
A Ilha também teve uma longa história: antes do descobrimento, viviam lá os temininós, a tribo de Arariboia, mas foram expulsos pelos tamoios, aliados dos franceses. Após a vitória contra os invasores, Arariboia recebeu glebas do outro lado da baía, na atual Niterói. Salvador de Sá, irmão de Estácio e primo de Mem, fundaria lá os três primeiros grandes engenhos de açúcar e aguardente do Rio. O nome Governador vem de Salvador, duas vezes governador-geral do Rio. Na Ilha D. João VI tomava banhos de mar e caçava. Vinha da Quinta do Caju num pequeno galeão. A história completa você encontra na Wikipedia.
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| Ponta do Tiro (IK). |
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| Igreja da Sagrada Família (Ribeira) (IK). |
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| Porta da Igreja da Sagrada Família (IK). |
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| Vista da Igreja da Sagrada Família (VS). |
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| Praia da Bica (VS). |
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| Praia da Engenhoca (VS). |
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| Igreja de N.S. da Ajuda, na Freguesia. A atual construção de 1898 apoia-se nas paredes das precedentes igrejas de 1710 e 1743. (IK) |
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| Pedra da Onça, na Freguesia. Conta a lenda que uma índia ia todos os dias, no fim da tarde, até a praia, com seu gato maracajá, mergulhando da pedra durante horas. Um dia, a jovem índia não mais voltou, ficando o gato a esperá-la, olhando para o mar até morrer de fome (VS). |