ENSEADA DE BOTAFOGO

ENSEADA DE BOTAFOGO
"Andar pelo Rio, seja com chuva ou sol abrasador, é sempre um prazer. Observar os recantos quase que escondidos é uma experiência indescritível, principalmente se tratando de uma grande cidade. Conheço várias do Brasil, mas nenhuma tem tanta beleza e tantos segredos a se revelarem a cada esquina com tanta história pra contar através da poesia das ruas!" (Charles Stone)

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA
São Paulo, até 1910 era uma província tocada a burros. Os barões do café tinham seus casarões e o resto era pouco mais que uma grande vila. Em pouco mais de 100 anos passou a ser a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo. É pouco tempo. O século XX, para São Paulo, foi o mais veloz e o mais audaz.” (Jane Darckê Avelar)
Mostrando postagens com marcador Ilha Fiscal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ilha Fiscal. Mostrar todas as postagens

3.1.11

ILHA FISCAL


As visitas guiadas à Ilha Fiscal partem do cais do Espaço Cultural da Marinha (Praça XV) e o acesso à Ilha é por meio da Escuna Nogueira da Gama, de quinta a domingo, às 12h30, 14h e 15h30. Os ingressos são vendidos a partir das 11h (é bom chegar cedo porque podem se esgotar). Mais informações pelo tel. 2233.9165 ou no site da Marinha.



Trecho da crônica Muitos não são convidados para o baile! de Hélio Moreira publicada no Diário da Manhã de Goiânia:

Outro dia, lendo o agradável livro O baile da despedida, do inesquecível escritor Josué Montelo, lembrei-me que tive acesso, há algum tempo, ao opúsculo intitulado Ilha Fiscal, mandado publicar pela Marinha Brasileira em 1963. O livro de Josué é um romance onde o autor coloca uma personagem de nome Catarina para contar sobre a sua presença naquele baile, o baile mais famoso da história do Brasil e que teve, como cenário, justamente a citada Ilha Fiscal. Como o livro O baile da despedida não entra em detalhes sobre a festa propriamente dita, gostaria de passar aos meus leitores algumas curiosidades, colhidas daquele opúsculo. Antes de dar algumas bisbilhotadas na festa e ferir com o aguilhão da curiosidade alguns interessados, gostaria de aproveitar a oportunidade para evidenciar, mais uma vez, a falta de sensatez de alguns governantes.



O baile, uma homenagem à oficialidade de um navio chileno, em visita ao Brasil, ocorreu no dia 9 de novembro de 1889, portanto menos de uma semana antes do acontecimento que iria mudar, para sempre, a história do Brasil.



Segundo os historiadores, por aquela época, a tensão política e militar havia atingido o mais alto grau de efervescência, avolumavam-se atos de indisciplina militar, Ruy Barbosa e Quintino Bocaiúva pregavam, abertamente na imprensa, a instauração da República; no entanto o governo se preocupava, como de resto toda a elite política e social da Corte, exclusivamente, com a organização do baile.



Era um sábado de calor sufocante, nos lares e nos salões, a modista e o cabeleireiro vestiam e penteavam as damas; alguns vestidos precisavam ser apertados, outros, alargados; alguns cabelos precisavam ser reformados porque haviam sido arranjados muito cedo (havia maior procura que oferta de profissionais). Miravam-se no espelho à procura da silhueta que não lhes pertencia; o ruge remoça a fisionomia, o pó de arroz perfuma o olfato, desviando o olhar das possíveis rugas.



Ao anoitecer, carros e mais carros, puxados por garbosos cavalos, começam a chegar ao embarcadouro Pharoux, descarregando as senhoras vistosas, cobertas por capas riquíssimas e respirando esnobismo em cada movimento e sempre observadas por uma multidão de gente que se aglomerou nas imediações para ver o desfile claudicante de sapatos no tapete das ilusões, formado pelos paralelepípedos desnivelados.



Do cais se avistava a Ilha, toda iluminada e iluminando todo o litoral à custa de um foco elétrico localizado na torre principal do edifício do baile, as embarcações iam e voltavam, sempre apinhadas de convidados. A família Imperial, tendo a frente o imperador Dom Pedro II, embarcou as nove horas; na ilha foram recebidos pelos membros do Ministério, capitaneados pelo Visconde de Ouro Preto, com direito ao Hino Nacional tocado pela banda de música. Houve dança nos seis salões que foram adrede preparados, inclusive, atapetados de vermelho.


Não poderei, por falta de espaço, descrevê-lo em detalhes, porém, passo-lhes um resumo do informe da Confeitaria Pascoal, encarregada do serviço: havia 150 copeiros, 60 trinchadores, passaram pela copa 12 mil garrafas de vinho, licores, champanhe, cerveja, águas gasosas, 12 mil sorvetes, 12 mil taças de punch, 500 pratos de doces variados. Na cozinha havia 40 cozinheiros e 50 ajudantes e foram servidos 18 pavões, 80 perus, 300 galinhas, 350 frangos, 10 mil sanduíches, 18 mil frituras, mil caças, 50 peixes, 100 línguas, 50 mayonnaises e 25 cabeças de porco recheadas. A história sempre repete os fatos e os homens não querem ver! 


(Fotos da Ilha Fiscal tiradas pelo editor do blog. Uma curiosidade: no capítulo XLVIII do romance Esaú e Jacó, Machado de Assis faz alusão ao baile da Ilha Fiscal: "Nenhuma dessas coisas preocupava Natividade. Mais depressa cuidaria do baile da ilha Fiscal, que se realizou em novembro para honrar os oficiais chilenos. Não é que ainda dançasse, mas sabia-lhe bem ver dançar os outros, e tinha agora a opinião de que a dança é um prazer dos olhos. Esta opinião é um dos efeitos daquele mau costume de envelhecer. Não pegues tal costume, leitora.")