ENSEADA DE BOTAFOGO

ENSEADA DE BOTAFOGO
"Andar pelo Rio, seja com chuva ou sol abrasador, é sempre um prazer. Observar os recantos quase que escondidos é uma experiência indescritível, principalmente se tratando de uma grande cidade. Conheço várias do Brasil, mas nenhuma tem tanta beleza e tantos segredos a se revelarem a cada esquina com tanta história pra contar através da poesia das ruas!" (Charles Stone)

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA
São Paulo, até 1910 era uma província tocada a burros. Os barões do café tinham seus casarões e o resto era pouco mais que uma grande vila. Em pouco mais de 100 anos passou a ser a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo. É pouco tempo. O século XX, para São Paulo, foi o mais veloz e o mais audaz.” (Jane Darckê Avelar)
Mostrando postagens com marcador Palacete da Babilônia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Palacete da Babilônia. Mostrar todas as postagens

8.4.10

PALACETE DA BABILÔNIA NO COLÉGIO MILITAR

Um raro casarão imperial que conseguiu sobreviver na Tijuca. Fotos de Roger de Sena (RS) e do editor do blog (IK).


Entrada do Colégio Militar na Rua São Francisco Xavier. (IK)

Quem passa em frente ao Colégio vê esta placa. Para visitar o Palacete é preciso pedir autorização à Comunicação Social do Colégio. (IK)

O "Palacete da Babilônia", antiga propriedade do Conde de Bonfim, Barão de Mesquita e Barão de Itacuruçá e atual sede do comando do Colégio Militar do Rio de Janeiro (Casa de Thomaz Coelho), em belíssimo estilo neoclássico. (RS)

Palacete e busto (suponho que do fundador Thomaz Coelho - se estou errado, me corrijam - o gramado não me permitiu chegar até a placa). (IK)

Observe o pórtico de entrada, a escadaria e a cúpula decorada por relógio circular. (RS)

Ao fundo o Morro da Babilônia. (IK)

Lateral do palacete. (RS)

Lateral (detalhe). (IK)

Placa explicativa na entrada do palacete. (IK)

Pintura do palacete na sala do diretor. (RS)

Detalhe do teto. (RS)

Relógio de pêndulos. (IK)

Internamente a decoração exuberante lembra uma época em que a vida social e cultural tinha como palco principal o espaço privado. (IK)

Piso em marcheteria. (IK)

Salão nobre. (RS).

UM POUCO DE HISTÓRIA: 

Até o Governo do Marquês de Pombal, sob D. José I, as terras cariocas entre o Rio Comprido e a tapera de Inhaúma pertenciam à Sociedade de Jesus — graças a uma doação a ela feita pelo fundador da cidade a requerimento do Padre Gonçalo de Oliveira — e nelas, além de outras benfeitorias, montaram eles dois grandes engenhos de açúcar, o primeiro dos quais passou a chamar-se Engenho Velho, depois que o segundo, ou Novo, começou a funcionar alguns quilômetros mais para o norte. E ao lado do Velho uma pequena igreja foi erguida em 1583, segundo alguns cronistas, e mais provavelmente em 1624 pelos padres Domingos Coelho, Fernão Cardim e Antônio de Matos[...], e que outra não é senão a de São Francisco Xavier; na rua que tem o nome do mesmo Santo, e já reconstruída ou reformada várias vezes. [...]

Divididas e vendidas as terras dos padres quase dois séculos depois de dissolvida a Sociedade em Portugal e suas colônias, um bairro de chácaras nascera ao redor da igreja, também chamado Engenho Velho [bairro este mais tarde incorporado à Tijuca], e esse era ainda o nome da sua rua principal (hoje Haddock Lobo em homenagem ao vereador e homem de muitos empreendimentos úteis à cidade no Oitocentismo), e através da qual “se passava por entre jardins”, no dizer de Joaquim Manuel de Macedo.  [...]

A Rua S. Francisco Xavier, outrora um simples caminho através dos latifúndios canavieiros dos jesuítas [...] é agora das mais extensas do Rio, pertencendo por isso a mais de um bairro. [...]

Em 1889, em março, oito meses antes da República, na chácara que fora antes ocupada pelo Conde de Bonfim e pelo Barão de Mesquita, então do Barão de Itacuruçá, genro de Mesquita (e dele para isso adquirida com a ativa cooperação da Associação Comercial do Rio de Janeiro), o Conselheiro Tomás Coelho, Ministro da Guerra do Gabinete João Alfredo, instalou nela, na sua esquina com a Rua do Andaraí Grande [atual Barão de Mesquita], o primeiro Colégio Militar brasileiro, dedicado sobretudo à educação dos filhos dos oficiais do Exército. Suas aulas iniciaram-se em maio, e o seu Primeiro Diretor foi o Major Ribeiro Guimarães. Era para chamar-se Pritaneu, mas D. Pedro II achou feia a palavra e riscou-a do decreto ao assiná-lo. Em 1954 muitos de seus alunos e os da Escola Técnica da Rua General Canabarro estiveram empenhados em vivas pendências, e um deles nelas morreu. Horácio Lucas era seu nome, perpetuado nas placas da pequena praça diante dos seus portões principais. 

(Brasil Gerson, História das ruas do Rio, pp. 340-3. Mais informações podem ser obtidas no site do Colégio Militar)
.