ENSEADA DE BOTAFOGO

ENSEADA DE BOTAFOGO
"Andar pelo Rio, seja com chuva ou sol abrasador, é sempre um prazer. Observar os recantos quase que escondidos é uma experiência indescritível, principalmente se tratando de uma grande cidade. Conheço várias do Brasil, mas nenhuma tem tanta beleza e tantos segredos a se revelarem a cada esquina com tanta história pra contar através da poesia das ruas!" (Charles Stone)

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA
São Paulo, até 1910 era uma província tocada a burros. Os barões do café tinham seus casarões e o resto era pouco mais que uma grande vila. Em pouco mais de 100 anos passou a ser a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo. É pouco tempo. O século XX, para São Paulo, foi o mais veloz e o mais audaz.” (Jane Darckê Avelar)

18.10.23

MOSAICOS CERÂMICOS: ARTE NA PORTARIA DOS EDIFÍCIOS – Obras de José Moraes e Paulo Werneck, grandes artistas, são documentos de uma época.

Texto de Rogério Marques para o Quarentena News, aqui reproduzido com autorização do autor.


Na correria diária dos grandes centros, muita gente não percebe os mosaicos cerâmicos, uma técnica milenar, que estão em vários pontos do Rio. São trabalhos deixados, como um presente à cidade, por dois grandes artistas cariocas, José Moraes (1921-2003) e Paulo Werneck (1907-1987).

José Moraes foi pintor, escultor, muralista, gravador, ilustrador, professor da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado), de São Paulo, e do Departamento de Artes Plásticas da Universidade Federal de Uberlândia.

Paulo Werneck, além de artista versátil, foi ativista político, com preocupações sociais, ligado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). É considerado um dos maiores nomes do mosaico moderno brasileiro no século XX. Deixou centenas de painéis em várias cidades brasileiras, inclusive na capela de São Francisco de Assis, na Pampulha, Belo Horizonte, projetada por Oscar Niemeyer.

No Rio, os trabalhos de Moraes e principalmente os de Werneck estão em várias portarias de edifícios residenciais e comerciais. Muitas vezes, quem entra e sai dos prédios, ou passa pelas calçadas em frente, não sabe quem foram os autores daquelas obras, e até mesmo não reparam nelas. Geralmente, esses painéis, atualmente tombados, são assinados apenas com as iniciais dos artistas – JM e PW. Bem que poderiam ter, ao lado, uma pequena placa com informações sobre os autores.

No Edifício Azul e Branco, na Rua Almirante Tamandaré, 50, no Flamengo, José Moraes deixou no saguão dois belos murais que retratam brincadeiras das crianças de antigamente. O prédio foi construído no final da década de 50, muito antes da popularização de computadores e smartphones.

Quanta beleza, quanta arte naqueles trabalhos, de visível influência modernista. Em um dos painéis, meninas brincam de roda. No outro, de cabra-cega, as crianças parecem voar.


Painéis de José Moraes em portaria de edifício no Flamengo: brincadeiras de antigamente (Fotos Rogério Marques)


Em Copacabana e no Leme, Paulo Werneck tem trabalhos da época em que aqueles bairros estavam sendo verticalizados. No Leme, são de sua autoria dois grandes painéis retratando indígenas, no hall imponente do Edifício Maracati, na Rua General Ribeiro da Costa.

Mosaico de Paulo Werneck na entrada do Edifício Maracati, no Leme (Foto: Vicente de Mello/Divulgação)


No Centro da cidade, o hall dos elevadores do Instituto de Resseguros do Brasil, na Rua Marechal Câmara, é outro exemplo da arte de Paulo Werneck.

 Hall dos elevadores no Instituto de Resseguros do Brasil, no Centro. Painel de Paulo Werneck (Foto: Vicente de Mello/Divulgação)


Em Laranjeiras, bairro em que morou e teve um ateliê, Werneck deixou um painel em mosaico na fachada do Edifício Paulo Dalio, na Rua Leite Leal, 14, esquina com Rua das Laranjeiras. Somente há pouco tempo uma amiga que mora no prédio ficou sabendo a história e a importância daquele mural. Com muitos moradores acontece o mesmo.

Painel de Paulo Werneck em edifício na Rua Leite Leal, Laranjeiras. O artista morou no bairro. (Foto Rogério Marques)


Os painéis cerâmicos na decoração de edifícios foram uma tendência entre os anos 40 e 60. Tempos mais tranquilos, em que as crianças podiam brincar nas ruas, perto de casa. Hoje, as meninas de José Moraes no Edifício Azul e Branco, na Rua Almirante Tamandaré, ainda brincam de roda e de cabra-cega, mas atrás de grades (que evitei nas fotos) e outros esquemas de segurança.

Os tempos mudaram, mas a arte de José Moraes e Paulo Werneck felizmente sobreviveu.

4.8.23

ESSE RIO QUE EU AMO; HEI DE SEMPRE AMAR, de CLAUDIO ARAGÃO

A previsão do tempo dava chuvas espaças no decorrer do dia. Frio. Devia me agasalhar, pegar minha sombrinha pra ir ao Centro do Rio de Janeiro. Ando com minha imunidade baixa. Problemas de autoestima... sei lá ...

 

Central do Brasil

Saí nesta segunda de casa, na minha Vila São José, às 8,20 da manhã, Peguei na estação Gramacho o trem das 8:45 rumo a Central do Brasil, deixando pra trás um Gramacho tão querido meu. De minha infância no circo Império onde um cantor em início de carreira fazia apresentações, depois entrava em seu fusquinha e se mandava. O nome dele era Roberto Carlos. Ali, aprendi em 1972 a Datilografia, pra entrar com tudo no acirrado mercado de trabalho. A-S-D-F-G...

 
Jairzinho

O trem passou pelo pequeno bairro de COPACABANA, onde Jairzinho, furacão, artilheiro, recordista, tricampeão  da copa de 70 nasceu e ninguém diz. Parou na recém criada estação Corte Oito. Dali pro Centenário é um pulo. No campo do Tricolor, careca, joguei grandes peladas. O clássico do lugar era Tricolor versus União. Também ali brinquei no Bloco do China só por causa de tanta menina bonita.

 

as meninas eram lindas

“O. lelé, o lá lá/ se segura, fica devagar/ abram alas pro bloco do China passar...” Eu era tímido pra cacete mas as meninas eram lindas...

 
um punho cerrado e altivo no meio da comunidade 

Estação Duque de Caxias. Centro. Da janela olho um imenso chapéu de Cardeal  ocupando a nossa praça de tanto romantismo. Último projeto do gênio Oscar Niemeyer. Ali, os velhos ficavam em seus carteados. Pipoqueiros, árvores, dois cinemas Santa Rosa e um grande de nome PAZ, onde aprendi meus primeiros golpes de Kung Fu com o astro Wang Yu. Hoje é uma C & A sem graça. Muita gente entrou e o próximo destino é Vigário Geral. Tão sofredora. Percebo por um punho cerrado e altivo no meio da comunidade como a pedir justiça que nunca veio. Lembro dos “cavalos corredores” e pra esquecer, melhor ir pra Parada de Lucas, onde reina o Galo dourado da Leopoldina, Unidos de Lucas, que tem o único samba enredo que me faz chorar, Sublime Pergaminho:

 

Uma voz na varanda do paço ecoou

 Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão.

 

Como não quero chorar a próxima estação é Cordovil, cuja capital é Cidade Alta. Controlada pelo Complexo de Israel e dele eu não falo. Mas sim que o bairro tem um dia, 2 de Outubro, e que na Cidade Alta, o imarcável ponta esquerda do Flamengo, Julio Cesar Uri Gueller ensaiou seus primeiros dribles.

 

Brás de Pina

Olhando pro alto, sinto o trem se encaminhar pra Brás de Pina, que já foi bairro de elite. Era chique morar em Brás de Pina. Aliás, o dito Sr. Brás de Pina tinha uma ligação com o balneário mais badalado do Brasil, Armação de Búzios. Pois que na Praia dos Ossos as baleias eram esquartejadas, deixados seus ossos ali (daí o nome) e o aproveitável seguia para o Sr. Brás de Pina que fazia o fabrico. Óleo de Baleia, por exemplo. Pra esquecer essa prática, prefiro lembrar que neste ex. suntuoso bairro, a lendária e genial Dolores Duran aprendeu sus primeiras notas ao piano. Antes das portas se fecharem pra próxima estação, vejo as comunidades do Pica Pau e das Cinco bocas.

 

Estação Penha

Estação Penha. Ali meu coração fraqueja. Menino de cinco anos, descido de um caminhão “pau-de-arara” em 1964, fui morar na rua 4, Morro do Parque Proletário da Penha. Aprendi juntar letrinhas na Escola Monsenhor Rocha com a Professora Cecília. Me divertir no Parque Shangai e a ter Fé subindo os 365 degraus da escadaria  até chegar aos pés de Nossa Senhora. No campo de terra do Ordem e Progresso, auri-verde invencível, joguei minhas primeiras peladas. Até vir pra Duque de Caxias em 1969. Marejando os olhos, sei que a próxima estação é Olaria. Se percebe pela quantidade de prédios azul e branco e o nome Álvaro da Costa Mello. Dono de Olaria e do Olaria Atlético Clube, de Romário, Cané, Gonçalves, Airton, Roberto Pinto, Afonsinho, Altivo, Alfinete, Miguel. O “Alçapão da Rua Bariri” fazia qualquer valente tremer. Também a Invernada, comandada pelo Homem de ouro Humberto de Mattos. Do alto do morro meu ficava da janela vendo ela cruzar a fronteira com a Penha, poeira subindo, indo atrás de malandros desocupados no jogo da ronda, o grande crime da época. Depois voltava cheia... quase arrastando no chão.

 
Imperatriz Leopoldinense

No vagão onde estou passa por mim somente velhas guardas. O homem rouco que vende sabonete da raspa do Joá, que serve pra tudo. Passa Escobar e sua pomada Canela de velho e o eterno “cuem, cuem” com as legítimas bananadas de Campos dos Goitacazes. Compro três por dois reais e quando olho, chegamos a Ramos. Tá na cara. É só olhar a imensa tamarineira no Cacique, onde uma revolução no samba se fez, num Fundo de Quintal.  Ao lado, na Professor Lacê, a Imperatriz  Leopoldinense  que um dia foi pequena mas que Zé Katimba e Rosinha Magalhães a tornaram gigante. Ademais, e o Piscinão de Dicró é onde? E por falar em grandeza, a FIOCRUZ é onde? Viva a Ciência!  Acho que o Capitão Ramos, que deu nome ao bairro, deve estar orgulhoso onde quer que esteja.

 
Teleférico

Se o tema é orgulho, a próxima estação é Bonsucesso, sobrenome de uma das proprietárias primeiras no bairro. Aqui o Diamante Negro Leônidas da Silva, nosso primeiro Pelé, deu seus primeiros passos justamente no Bonsucesso Futebol Clube, que tem a camisa igual a do Barcelona. Bonsucesso de tantos problemas com poluição. Mas de comércio pulsante. Da Praça das Nações. E do Teleférico subindo pra Comunidade do Adeus. Sinto meu coração acelerar e já sei que a próxima estação é Triagem. Meu primeiro emprego de carteira assinada em 1974 foi ali, na Prefeito Olimpio de Mello, fábrica de cintos, malas e artefatos de metais COFABAM. Tinha apenas 15 anos. Da estação seguia a pé até a fábrica, bairro Benfica. Passava pelo quartel de soldados carrancudos prendendo em trens soldados relapsos, depois a saudosa CCPL, cooperativa de leite e a rua dos Lustres. Lembranças tantas e tantos planejamentos... em 1974... O trem sai lentamente pra me doer mais ainda. Ouço gritos de gols e sei que se trata da estação Maracanã. Lembranças dos  trens cheios, barulhentos, bandeiras desfraldadas, Geral e copos de xixis arremessados em cima de nós, pobres, que não tinha grana pra ir de arquibancadas. Hoje o Maracanã é “arena”. Acabaram com a geral e mandaram pobres pros botequins. Quase ninguém entra na Estação Maracanã e rumamos pro Imperial Bairro de São Cristóvão. Da Quinta da Boa Vista. Do Jardim Zoológico, onde minha família tinha como programação principal ver os animais e depois estender uma toalha no gramado com os alimentos. Lembrança boa de se ter... inda mais quando sei que uma parte de mim está em São Cristóvão. A “Feira dos Paraíbas”.

 

“Feira dos Paraíbas”

O maquinista agradece, deseja bom trabalho e avisa que a próxima estação, Central do Brasil, o desembarque é obrigatório. Ponto final e eu olhando aquele imenso e histórico Relógio lá no alto que não dá as horas. Local de tantas manifestações, protestos, discursos, numa desses um certo presidente foi pro saco e a longa noite desceu.

 

Santo Guerreiro

Atravessei a roleta, parei na Lanchonete DOURADO, Seu Brás, 30 anos de casa, já sabe meu gosto. Média de café com leite e pão na chapa. Conversamos e ele nunca deixou de reclamar. Me despeço e cruzo a Presidente Vargas. Entro no abandonado Campo de Santana. Não olho pra direita, residência do mal agradecido, escroto Marechal que deu o golpe no Imperador que o promoveu. Saio pela esquerda. Dou de cara com São Jorge em seu cavalo. Entro, me ajoelho, rezo, peço ao Santo Guerreiro que me proteja dos olhares maldosos, dos dragões do dia a dia. Acendo uma vela, compro três canetas e uma fita vermelha que boto no pulso. Sigo e passo pela Alfandega, Buenos Aires, no prédio do TCE mudo de calçada, retomo e viro na Rua da Constituição. Dali, Praça Tiradentes. Mitológica. da Gafieira Estudantina da inesquecível Maria Antonieta. Teatro Carlos Gomes, João Caetano. Agora entro na Rua da Carioca famosa. Todas as lojas fechadas compradas por um banco oportunista (Sim! Sei que é um pleonasmo!!!) menos o outrora suntuoso, aristocrático CINE-THEATRO ÍRIS, que se viu obrigado a mudar para o ramo erótico e sobreviver. Paro a olhar toda aquela arquitetura e três porteiros me olham e dão um folheto com a programação daquela noite. Agradeço. Cruzo a Rio Branco, o Buraco do Lume, a Primeiro de março, estou na Praça XV a olhar o magistral Chafariz do Mestre Valentim. Depois passo sob o Arco do Telles, travessa do Comércio, Rua do Ouvidor. Ali, o Toca do Baiacu está repleta de gente almoçando. A barriga está nas costas. Ao lado da Toca está uma deslumbrante e sagrada Igreja; Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, de 1753, depois de três anos restaurada e linda demais. Ela tem uma bala explosível de canhão alojada em sua torre desde muito tempo que um navio revoltoso disparou contra ela.  Mesmo ao lado do sino trepidando constantemente, até hoje não explodiu; Milagre.

 

Bala que atingiu a torre da Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores. Na verdade, não está mais alojada na torre, e sim exposta na sacristia.

Entro, me ajoelho, olho, peço, registro. Em Jejum, minha oração tem mais chance de chegar ao céu. 

Ao lado da Igreja está um dos últimos bastiões na luta da verdadeira identidade carioca; a Livraria FOLHA SECA, de Rodrigo Ferrari (Digão) e seu fiel escudeiro, Miguelzinho. Nos abraçamos, botamos o papo em dia e levei um Aldir Blanc; o delicioso “ UMA CAIXINHA DE SURPRESAS” .

 

o essencial CCBB

Agora, o essencial CCBB. Ver a programação com música, teatro, exposições. Fui lá especificamente pra uma sobre HEITOR DOS PRAZERES. Me identifiquei e subi pro segundo andar.

 

“Mangueira teu cenário é uma beleza

Que a natureza criou”

 

foi grande nas Artes Plásticas

Esse magistral artista Multi foi Compositor, Ator, Cantor, participou da fundação das primeiras escolas de samba do Brasil e foi grande nas Artes Plásticas com uma pintura que abordava comunidades com um viés alegre, cheio de cores. Certa vez a jovem Rainha Elizabeth esteve numa exposição e ao ver seus quadros perguntou a alguém : “Quem é esse artista extraordinário?!”

 

Pois é. Nas paredes, seus quadros, matérias em jornais daqui e do estrangeiro. Roupas de desfiles, instrumentos, vídeos.

 

esse Rio que eu amo; hei de sempre amar.

Ufa! Banho de Brasil, banho de Rio de Janeiro. Imunidade lá nos píncaros. Deixei então o CCBB, todo janotas. Segui a pé pra Central do Brasil. Em lá chegando pedi ao Seu Brás dois “Joelhos” Presunto e queijo. Um suco de acerola. Seu Brás sorriu; sorrimos. Depois na roleta da gratuidade peguei o trem ramal Gramacho horário 16:45. E da janela vendo de novo esse Rio que eu amo; hei de sempre amar. 

O AUTOR

Claudio Aragão foi retirante da seca do Ceará, cursou faculdade de Letras no Rio de Janeiro, gerenciou restaurantes famosos como o lendário bistrô francês Le Bec Fin, frequentado pelo pai do editor deste blog, e tem várias obras publicadas, destacando-se a série sobre futebol em forma de literatura de cordel.

8.4.23

CENTRAL DO BRASIL: ESTRADA DE FERRO, DE GENTE E DE MÚSICAS, de ROGÉRIO MARQUES

Texto publicado originalmente no Quarentena News, uma página de jornalistas no Facebook.

Central do Brasil. (Foto: Rogério Marques)

Quantas histórias de trabalhadores e quantas músicas estão gravadas naquele caminho de ferro que começa no grande relógio de quatro faces, o Relógio da Central. Tirei essa foto da janela de um ônibus, a caminho de Niterói, e lá fui eu pensando nessas histórias.

Na minha infância e adolescência morei no Rocha, subúrbio carioca, e usei muito os trens da Central, atualmente SuperVia. Antes da popularização das máquinas de lavar, lembro das lavadeiras que vinham de longe, até de municípios da Baixada Fluminense, com suas trouxas grandes e pesadas. Desciam na estação Central do Brasil, aquelas guerreiras, às vezes acompanhadas de filhos pequenos, que não tinham com quem deixar, e pegavam os ônibus para a Zona Sul, onde moravam seus clientes.

Havia também os baleiros, os vendedores de mariolas, de amendoim, os pingentes que volta e meia despencavam. Na hora do rush, os batedores de carteiras e os famosos bolinas, hoje chamados de assediadores, aproveitavam-se da superlotação dos vagões para agir.

Muito antes das fake news, lendas urbanas corriam os subúrbios na velocidade dos trens. Como a do sujeito que urinou do alto de uma passarela sobre a linha férrea e morreu eletrocutado, quando "acertou" a rede aérea de alta voltagem.

MARCHINHAS DE PROTESTO


Em carnavais passados, a vida dura dos passageiros era retratada em marchinhas de protesto de grande sucesso. Como na música "O trem atrasou" (Paquito, Estanislau Silva, Artur Vilarinho), sucesso no Carnaval de 1941 na voz de Roberto Paiva, mais tarde gravada por outros artistas, entre eles Nara Leão. Naquela época, quando o trem atrasava, a Central do Brasil dava um memorando aos passageiros, para eles apresentarem aos patrões. Velhos tempos!

"Patrão, o trem atrasou
Por isso estou chegando agora
Trago aqui um memorando da Central
O trem atrasou meia hora
O senhor não tem razão
Pra me mandar embora."


"Mundo de zinco", de Wilson Batista e Antônio Nássara, retrata uma época em que as favelas e seus barracos, de madeira com teto de zinco, eram muito mais pobres do que atualmente. Na Rua Visconde de Niterói, de frente para a linha férrea, os trens sempre fizeram parte da Estação Primeira. Gravada por Jorge Goulart, “Mundo de zinco” foi uma das músicas mais cantadas nos carnavais do começo dos anos 1950.

"Aquele mundo de zinco que é Mangueira
Desperta com o apito do trem
Uma cabrocha, uma esteira
Um barracão de madeira
Qualquer malandro em mangueira tem."


Também de Wilson Batista, em parceria com Roberto Martins, a história do pedreiro Valdemar é a mesma de tantos trabalhadores que madrugam diariamente. A "Circular", citada na marchinha, é o bairro Penha Circular, perto da Avenida Brasil. A gravação original foi de Blecaute, cantor de muitos sucessos e pouco lembrado.

"Você conhece o pedreiro Valdemar?
Não conhece, mas eu vou lhe apresentar
De madrugada toma o trem na Circular
Faz tanta casa e não tem casa pra morar."


Outro grande sucesso de carnavais passados é a marchinha "Zé Marmita", de Luís Antônio e Brasinha, gravada por Marlene. A canção retrata o cotidiano de milhões de trabalhadores, como os camelôs que vemos nas ruas diariamente, almoçando junto às suas bancas, sem interromper o trabalho.

"Quatro horas da manhã
Sai de casa o Zé Marmita
Pendurado na porta do trem
Zé Marmita vai e vem."

ZAQUIA JORGE E O TREM DE LUXO

A atriz Zaquia Jorge, a Vedete do Subúrbio, em 1953 no Teatro Madureira (Foto: Arquivo Nacional)


Atualmente poucos lembram ou mesmo sabem quem foi Zaquia Jorge, atriz e empresária do ramo teatral, conhecida como "A vedete do subúrbio". Zaquia atuou no teatro de revista, também conhecido como teatro de rebolado, um gênero popular que misturava vedetes, humor, sátiras, sensualidade.

As revistas eram alvo de críticas dos conservadores. Para eles, aquele tipo de teatro não era arte. Além de preconceitos, as vedetes às vezes enfrentavam problemas com a censura. Ainda assim, o teatro de revista revelou talentos como Wilza Carla, as irmãs Carmen e Aurora Miranda, Dercy Gonçalves, Luz del Fuego, Virgínia Lane, Sônia Mamede, Elvira Pagã e tantas outras. Feministas desde sempre.

Luz del Fuego, adepta da prática do nudismo, criou o primeiro clube de naturismo do Brasil, em uma pequena ilha da Baía de Guanabara, a Ilha do Sol. Seu sonho de uma sociedade mais livre, sem ver pecado na nudez, acabou em 1967, quando foi assassinada na ilha por dois assaltantes, juntamente com seu caseiro.

Teatro Zaquia Jorge, antigo Teatro de Madureira (Foto: Divulgação)


Em abril de 1952, Zaquia Jorge criou o Teatro Madureira, primeiro e talvez único teatro de revista do subúrbio carioca, na Rua Carolina Machado, em frente à estação ferroviária. A peça de estreia foi "Trem de luxo", de Walter Pinto e Freire Júnior, que fez muito sucesso.

Cinco anos depois, em 1957, também num mês de abril, a carreira da atriz foi interrompida por uma tragédia. Aos 33 anos de idade, Zaquia morreu afogada quando tomava banho de mar com amigas na Barra da Tijuca. A notícia causou comoção na cidade e deu origem à música "Madureira chorou", de Carvalhinho e Júlio Monteiro, gravada por Joel de Almeida no Carnaval de 1958:



"Madureira chorou
Madureira chorou de dor
Quando a voz do destino
Obedecendo ao Divino
A sua estrela chamou."

Em homenagem à atriz, o teatro que ela criou passou a ter o nome de Zaquia Jorge, mas fechou poucos anos depois.

ESTRELA DE MADUREIRA


No Carnaval de 1975, o Império Serrano, escola de Madureira, homenageou a artista e ficou em terceiro lugar no desfile do Grupo 1. O samba-enredo escolhido pela escola foi "Zaquia Jorge, a vedete do subúrbio, estrela de Madureira", de autoria de Avarese, pseudônimo de Abimael Nascimento Álvares. O samba, interpretado por Roberto Ribeiro, começava com esse estribilho, que logo caiu no agrado do povo:

"Baleiro, bala
Grita o menino assim
Da Central a Madureira
É pregão até o fim".

Curiosamente, o samba-enredo que ficou em segundo lugar, de autoria de Roberto Ribeiro, Alcyr Pimentel e Cardoso, fez muito mais sucesso. Mais tarde, foi gravado por Roberto Ribeiro, que encurtou o título para "Estrela de Madureira". Passou, então, a ser tocado nas rádios e acabou tornando-se um clássico do samba.

"Brilhando, um imenso cenário
Num turbilhão de luz, de luz
Surge a imagem daquela
Que meu samba traduz
A estrela vai brilhando
Mil paetês salpicando
O chão de poesia
A vedete principal
Do subúrbio da Central
Foi a pioneira.
E um trem de luxo parte
Para exaltar a sua arte
Que encantou Madureira
Mesmo com o palco apagado
A apoteose é o infinito
Continua a estrela brilhando no céu.”

À noite, voltando de Niterói, a caminho de casa, passo novamente pela estrada de ferro de tantas histórias. Vou no ônibus pensando na Estrela de Madureira e em tantas outras atrizes que, em defesa de sua arte, da liberdade, dos direitos das mulheres, enfrentaram todo tipo de preconceitos e jamais desistiram.

Estação de Madureira em foto antiga, sem data (Foto: site Madureira: Ontem & Hoje)

30.3.23

RIO, DA GLÓRIA À PIEDADE: LIVRO REÚNE ONZE INTELECTUAIS "CARIOCAS DA GEMA OU DE CORAÇÃO"

 


Em 29 de setembro de 2019, um grupo de intelectuais que se reunia regularmente em bares cariocas em tertúlias intelectuais fartamente regadas a vinhos e cervejas, como aquelas talvez que reuniam poetas e prosadores do início do século passado em locais como a Confeitaria Colombo, recebeu pelo e-mail a seguinte mensagem de Helio Brasil, o escritor que se celebrizou por fixar a memória de seu bairro natal São Cristóvão:





Em anexo, as tais "alucinações perigosíssimas": o projeto de um LIVRO DE CRÔNICAS cujo título seria RIO: DA GLÓRIA À PIEDADE.

PROPOSTA:

1. CADA AUTOR ESCREVE TRÊS CRÔNICAS SOBRE A CIDADE.

2. CADA CRÔNICA COM 3 OU 4 LAUDAS, NO MÁXIMO, ABORDANDO A RICA HISTÓRIA DA CIDADE, SUAS QUALIDADES, SUA HISTÓRIA, SEUS MONUMENTOS E SUA POESIA.

3. SE NÃO HOUVER ÓBICES DE DIREITOS, ENTREMEAR COM LETRAS DE MÚSICAS POPULARES QUE EXALTAM O RIO. (Acho que não faltam...)

etc.

Helio Brasil encerrava a sua proposta com esta observação:

PS – NÃO ESTOU ENSANDECIDO. SOU ASSIM MESMO!

Assim foi plantada a semente do recém-lançado Rio, da Glória à Piedade

Parte do grupo em uma de suas tertúlias etílico-intelectuais (2019)

Ocorre-me a máxima do Barão de Itararé: "De onde menos se espera, daí é que não sai nada." Pois bem, acabamos de provar cientificamente que a máxima está errada: de onde menos se esperava, uma conversa de ébrios num bar na remota pré-pandemia, daí foi que saiu a mais importante obra de celebração (glória) e lamentação (piedade) de nossa cidade amada deste primeiro quartel do século XXI (e quartel aqui não tem nada a ver com golpes militares). É verdade que a eclosão da pandemia no início de 2020, inviabilizando por um longo tempo as reuniões do grupo, fez com que o projeto quase descambasse num buraco negro, mas o empenho do nosso querido André Seffrin, amigo do editor lusitano, amante do Rio, Joaquim Emídio, que comparece com um texto no livro, fez com que a fênix renascesse das cinzas. Quem foi ao lançamento testemunhou uma noite memorável, que conseguiu lotar o Lamas numa segunda-feira, dia semimorto, e quase esgotar uma edição nada modesta de trezentos exemplares!



No Prefácio Alexei Bueno explica o título:

O título deste livro talvez soe enigmático para aqueles não nascidos no Rio de Janeiro, ou que nele não tenham vivido. Refere-se ele, metaforicamente, a duas partes da cidade: à Glória, pequeno bairro que faz jus ao nome, entre a Lapa e o Catete, praticamente o início da Zona Sul da urbe, e que tal nome recebeu da magnífica Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, da década de 1730, uma das obras-primas da arquitetura religiosa colonial luso-brasileira e a predileta da nossa família imperial, erguida no outeiro em que se travou uma das batalhas decisivas para a expulsão dos franceses da cidade, e seu renascimento como importante porto lusitano, e à Piedade, pobre e longínquo subúrbio, que tem como seu acontecimento mais notável até hoje, provavelmente, o absurdo assassinato de Euclides da Cunha, em 15 de agosto de 1909, dia de Nossa Senhora da Glória.

Tal aproximação, tal percurso, esboça, portanto, uma ideia de decadência, e a decadência é uma marca inegável e evidente desta que é uma das cidades mais famosas do mundo, e que, no aspecto das belezas naturais em área urbana, tem nele, com poucas dúvidas, a primazia. 

etc.


Alexei Bueno e Helio Brasil. Foto enviada por Nireu Cavalcanti.

Desfilam pelo livro as criações em prosa e verso de: 

Helio Brasil, nosso decano e inspirador, hoje com 91 anos, que no meio da jornada da vida deu uma reviravolta e, de arquiteto consagrado, tornou-se o genial “escritor de São Cristóvão”, autor de romances como A última adolescênciaLadeira do Tempo-Foi e mais recentemente o histórico A pele do soldado (que vocês estão convidados a ler!)


Nireu Cavalcanti, arquiteto, desenhista e historiador, a maior autoridade viva na história do Rio colonial, autor de um clássico da historiografia carioca, O Rio de Janeiro setecentista: A vida e a construção da cidade da invasão francesa até a chegada da Corte.



Rogério Marques, jornalista veterano que trabalhou em importantes órgãos da imprensa, que “nasceu numa rua que já não existe e se chama Rogério meio que por acaso”.



Gustavo Barbosa, professor de comunicação, dirigiu as editoras Codecri e Rocco, consultor editorial e de comunicação institucional, autor do Dicionário de Comunicação, entre outras obras, realizador de projetos editoriais, redator, revisor e editor de texto, atualmente residindo na Bahia.



Ivo Korytowski, tradutor, lexicógrafo, blogueiro, YouTuber, fotógrafo amador e escritor, autor de um livro de memórias, O Rio, o mundo e eu: Uma memória filosófica & sentimental, inspirado no que de melhor se produziu na literatura memorialística brasileira.

Da esquerda para a direita: Helio, Nireu, a garçonete do Angu do Gomes e Ivo

Suzana Vargas, única representante do “sexo forte” neste quase “Clube do Bolinha”, gaúcha como todo bom Vargas, mas carioca de coração, poeta, ensaísta, autora de literatura infantil, criadora e coordenadora da Estação das Letras. 

Suzana e Ivo

Joaquim Emidio, nosso querido editor que apostou suas fichas na edição desta obra, digno representante da “ocidental praia lusitana” que, ao publicar um livro sobre o Rio de Janeiro, aventurou-se por “mares nunca dantes navegados” por uma editora portuguesa, acredito.



Eliezer Moreira, baiano de nascença, mineiro de criação, mas que fez do Rio sua cidade do coração, romancista com texto primoroso, cujo Olhos Bruxos, genial homenagem-fantasia ao bruxo do Cosme Velho, foi finalista do Prêmio Jabuti de 2020.



Eliezer Moreira, Eduardo Mondolfo, Helio Brasil e Gustavo Barbosa num encontro do grupo em 2019

Eduardo Mondolfo, arquiteto dos mais consagrados com escritório na Cinelândia, coração do Rio, “local em que tudo de bom e de ruim, sem acaso, acontece”, e poeta nas horas vagas. (foto acima)

Alexei Bueno, editor (no sentido de organizador de obras completas e edições críticas), ensaísta, um dos maiores poetas vivos do país, que aos dezessete anos cometeu a ousadia de traduzir o dificílimo The Raven (O corvo) do Poe, autor premiadíssimo (Prêmio Jabuti, Prêmio ABL de Poesia, Prêmio Alphonsus de Guimaraens da Biblioteca Nacional, entre outros).



André Seffrin, crítico literário e editor de escol, cuja casa em Laranjeiras abriga uma das maiores bibliotecas de literatura brasileira da cidade, cujo esforço incansável contribuiu para que este livro viesse a lume (foi ele quem conseguiu o editor).



DEPOIMENTOS SOBRE O LANÇAMENTO (extraídos de e-mails que circularam):


Cecília Jucá de Hollanda:


Mais do que uma festa, o evento foi uma celebração de amizades, admiração,  carinho, alegria, fraternidade, encontro de talentos literários e compromisso com a nossa amada cidade do Rio de Janeiro e sua gente, cariocas ou forasteiros de todo Brasil!

 Agora é saborear os textos de cada um de vocês, os autores. Eu já comecei à ler o meu exemplar, ontem mesmo, ao chegar em casa de voltar da festança.


Hélio Brasil:


QUANDO SUGERI A CONSTRUÇÃO DESTE LIVRO, FIQUEI AGRADAVELMENTE SURPRESO (ALIÁS, EUFÓRICO) COM A RECEPTIVIDADE À MINHA SUGESTÃO. E ERA, AINDA, O ANO DE 2020...

ALI NASCEU, DE FORMA CORDIAL, SEM DISPUSTAS, UM LIVRO DO QUAL TENHO ORGULHO DE FAZER PARTE, NUM TIME DE “ASTROS DA INTELIGÊNCIA”.

NASCEU, ENTÃO, DA GLÓRIA À PIEDADE...

MESMO QUE, ÀS VEZES, NELE PERPASSE UMA BRISA DE TRISTEZA, HÁ UMA LUFADA DE JUVENTUDE NOS TEXTOS, NAS PÁGINAS POÉTICAS E COLORIDAS POR VOCÊS. NÃO CARIOCAS, OUTROS DA GEMA, NÃO IMPORTA O BERÇO... UM IRMÃO LUSITANO!... O RIO FOI CANTADO E ABRAÇADO COM O CARINHO, E MESMO A ZANGA E A TRISTEZA, DE QUEM O AMA.

OS SÉCULOS VIVIDOS ME FIZERAM ESTAR NA ABERTURA DA OBRA E O LEITOR ESPERTO, NUM PULINHO,  LOGO ENCONTRARÁ OS MELHORES HINOS DE DOR, IRONIA E AMOR.

A TODOS, ABRO MEUS MAGROS BRAÇOS E, EM ABRAÇO FRATERNO , OS APERTO COM A FORÇA QUE A AMIZADE NOS DÁ.

PARABÉNS PELO FEITO, OBRIGADO PELO APOIO E QUE OS DEUSES – EXISTAM OU NÃO – OS ABENÇOEM A TODOS!


Rogério Marques:


Quero agradecer a todos vocês aquela noite de ontem, maravilhosa, no velho restaurante Lamas que me traz tantas recordações. Obrigado ao querido Helio Brasil, nosso bravo  timoneiro, pela persistência, por conduzir esse processo sem nunca ter desanimado, nem mesmo naquele período triste e trágico da pandemia. Obrigado ao Joaquim, amigo e editor que fez um belíssimo trabalho e atravessou o oceano para poder estar conosco. Obrigado ao Nireu, velho camarada, que me convidou para participar dessa turma de craques. Obrigado a cada um de vocês, por tudo, pelos textos belíssimos. Ontem, em alguns momentos, me emocionei, entre beijos e abraços de amigos que foram prestigiar nosso livro, entre eles alguns que não via há mais de 10 anos. Foi bom demais. Vamos manter esse grupo, essa amizade, vamos em frente.


Joaquim Emídio:


Amigos
Aqui vai um textinho para marcarmos presença na net. [Para ver o texto citado pelo Joaquim clique aqui.]
Talvez o encontro merecesse um cronista em forma mas confesso que estava pouco inspirado para escrever e o facto de não conhecer a maioria das pessoas limitou os meus desejos e virtudes:).
O livro já está a ficar velho mas ainda são visíveis as marcas que deixou para conseguirmos chegar a bom porto.
O André e a família são os grandes companheiros desta jornada.
Muito lhe agradeço ter-me metido no grupo e não me ter deixado sozinho numa missão que sem ele não tinha dado certo.
No fundo no fundo todos contribuímos um pouquinho mas o André salientou-se e merece o reconhecimento.
Por mim começamos já a falar no próximo livro nem que seja para daqui a 10 anos:))
Abraços e ATÉ SEMPRE

Joaquim


Alexei Bueno:


Foi muito bom assistir à concretização desse projeto, que eu achava no mínimo "improvável, pela época na qual se desenvolveu e pelo Brasil de todas as épocas.


Eduardo Mondolfo:

Foi uma noite incrível e uma realização e tanto!
Normalmente mesas de bar não geram livros!

Ivo Korytowski:
Foi uma noite memorável, conseguimos lotar o Lamas numa segunda-feira, dia semimorto, e quase esgotar uma edição nada modesta de trezentos exemplares!

Suzana Vargas:
Fiquei pensando qual seria meu papel  num time de 10 atacantes, nem como contribuiria. Mas com a alegria, carinho  e receptividade de vocês fui, aos poucos, me sentindo pertencente e pertencida ao grupo (está correto, Alexei? trata-se de um jogo). Foi uma noite muito bonita onde pude conversar pessoalmente com cada um, todos unidos em torno do filho único nessa maternidade Rosmaninho.
Obrigada! Foi , de fato, uma noite inesquecível. Obrigada ! Foi , de fato, uma noite inesquecível. Um obrigada especial ao querido André , meu amigo de tanto tempo pelo qual tenho uma imensa admiração!
Ao Joaquim pelo poético empenho de realizar nosso sonho em questão de meses. 

André Seffrin:
Foi bonita a festa no Lamas, valeu o esforço conjunto.

E, LAST BUT NOT LEAST, O GRUPO EM FOTO GENTILMENTE ENVIADA POR NIREU CAVALCANTI: