ENSEADA DE BOTAFOGO

ENSEADA DE BOTAFOGO
"Andar pelo Rio, seja com chuva ou sol abrasador, é sempre um prazer. Observar os recantos quase que escondidos é uma experiência indescritível, principalmente se tratando de uma grande cidade. Conheço várias do Brasil, mas nenhuma tem tanta beleza e tantos segredos a se revelarem a cada esquina com tanta história pra contar através da poesia das ruas!" (Charles Stone)

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA
São Paulo, até 1910 era uma província tocada a burros. Os barões do café tinham seus casarões e o resto era pouco mais que uma grande vila. Em pouco mais de 100 anos passou a ser a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo. É pouco tempo. O século XX, para São Paulo, foi o mais veloz e o mais audaz.” (Jane Darckê Avelar)
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14.5.14

CIDADE DAS ARTES


Cidade das Artes, projeto pós-moderno monumental do arquiteto francês Christian de Portzamparc que, embora "inaugurada" no final do mandato do ex-prefeito César Maia de 2008, só entrou em operação no primeiro semestre de 2013. Digno representante da arquitetura pós-moderna, uma reação contra o "racionalismo" excessivo da arquitetura moderna, voltando a introduzir motivos ornamentais e decorativos no projeto de edificações. Christian de Portzamparc é um arquiteto e urbanista nascido em 1944 em Casablanca, que estudou na École Nationale des Beaux Arts de Paris e se notabilizou pelos projetos arrojados e toque artístico. Um tal monumento numa metrópole como Paris ou Nova Iorque seria um orgulho para a cidade, mas aqui...





26.4.08

ALFABARRA

Texto de Danuza Leão transcrito da revista Piauí 14. Fotos do editor do blog.



O Rio sempre foi polarizado. No século XIX, o máximo era viver em São Cristovão, onde morava a família imperial. Os chiques da época tinham horror à praia, que era considerada lugar de gente pobre, e só entravam no mar por recomendação médica. Pouco a pouco o Rio foi indo, inexoravelmente, rumo ao sul. Primeiro, era bem morar no Flamengo e em Botafogo. Depois, em Copacabana. Depois, em Ipanema, no Leblon e em São Conrado. E agora Barra e Recreio. (Daqui a pouco, será in o carioca morar na praia do Gonzaga, em Santos.) Houve um tempo em que a divisão era entre a Zona Sul e a Norte; hoje a cidade se divide entre as pessoas que moram ou não na Barra.


A Barra e o resto da cidade são dois universos distintos, que raramente se misturam. Quem mora lá freqüenta academias de ginástica, salões de beleza, médicos, dentistas, psicanalistas, hospitais, butiques, cinemas, veterinários, escolhidos não pelo critério de serem os melhores, mas por outro, muito mais importante: estão localizados na Barra. Lá não há ruas nem calçadas, todo mundo anda de carro. Os prédios são enormes e sem características marcantes, como o Alfabarra. A alma do bairro está nos shoppings. As mulheres costumam ser louras, de cabelo comprido e liso, e fazem muita ginástica.



Quem mora entre o Leblon e o centro dá um grito se alguém sugerir jantar num restaurante além-túnel. Pode ser o melhor do mundo, eles não querem nem saber. E tente convidar um habitante deste outro planeta a jantar do lado de cá: eles vão dar uma desculpa qualquer, mas de lá não saem. Por isso bons restaurantes do Rio têm aberto filiais na Miami carioca. É imenso o número de pessoas que, tendo se mudado para lá, acabaram transferindo seus escritórios para perto de suas casas. Mal disfarçando a empáfia, eles contam que levam de cinco a sete minutos para ir e voltar do trabalho.


A maior tragédia de uma mãe é quando seu filho comunica que vai se mudar para a Barra. Ela sabe que vai ser pior do que se ele fosse morar em São Paulo ou no exterior. Se fosse para a Europa, ele sentiria saudades da terra em que nasceu e viria visitar seu país uma vez por ano; ela também iria encontrá-lo e, apesar da falta que sentiria do seu filho, teria de se conformar em vê-lo tão pouco. No entanto, se ele for morar e trabalhar na Barra será muito pior. Adeus almoços de domingo, jantares familiares, telefonemas do carro, pelo celular, enquanto ele estava no congestionamento do trânsito. Se seu filho se mudar para a Barra, prepare-se para vê-lo uma ou duas vezes por ano, quando ele tiver de sair do seu paraíso para uma importante reunião de trabalho em, digamos, Botafogo. Aí, talvez – talvez – ele telefone e diga que, como estará perto de sua casa, vai dar uma passada para te ver. Mas por que essa mãe não vai visitá-lo naquele apartamento tão lindo, com um varandão enorme de frente para o mar?



É simples: assim como os de lá se recusam a vir para cá, os de cá têm horror a ir para lá, mesmo para ver um filho querido. A Barra desagregou as famílias e separou os amigos, pois quem mora lá passa a se dar apenas com quem mora lá. Por isso, previna-se: quando conhecer aquela pessoa maravilhosa, que poderia vir a ser seu amor definitivo, pergunte onde ela mora. E só dê prosseguimento ao romance se morarem do mesmo lado da cidade.


A Barra se tornou também o reino dos jogadores de futebol, que compraram apartamentos imensos e caríssimos, para a infelicidade dos seus vizinhos. Os moradores odeiam quando as famílias desses jogadores – imensas, com montes de crianças – vão visitá-los e usufruir dos luxos que os condomínios oferecem, como a piscina e demais apetrechos de lazer. Houve até um caso famoso em que, não sabendo que se tratava dos pais de um desses jogadores, alguns moradores chamaram o porteiro para impedi-los de subir pelo elevador social.


Clique no marcador abaixo para ver todas as postagens deste blog sobre a Barra da Tijuca. Para ler a crônica de Fernanda Torres "Eu amo a Barra" publicada na Veja Rio de 20/8/08 clique aqui.

25.8.06

RIO MODERNO: BARRA DA TIJUCA

Poema e depoimento de Manoel Rodrigues
Fotos de Manoel Rodrigues (MR) e do editor do blog (IK)



"Da minha varanda" (MR)

Da minha varanda

Da minha varanda a olhar,
Entre frestas goldens e greens
Vejo o mar...



"Vejo o mar..." (MR)

De minha varanda vejo o tempo passar
E após cada chuva,
Vejo a garça chegar e voar,
No seu vôo semanal
Em bandos ou de par em par.
E também vejo,
O desgarrado biguá no canal mergulhar.



"Vejo a garça..." (MR)

Da minha varanda,
Várias noites sem me cansar,
Vejo estrelas e o luar.
Confundo o céu,
As estrelas e o mar
Como miragem
Que se fundem em uma mesma paisagem.

Da minha varanda
Vejo os vizinhos, às vezes sozinhos
Ou com seus cãezinhos a caminhar.
Da minha varanda, que dá para o mar,
Dá pra ver,
Indo e vindo,
Sem se cansar,
O barqueiro todo animado,
Levando a barquinha
Pro outro lado, e pra cá.



"Levando a barquinha..." (IK)

Da minha varanda
Vejo o canal, a lagoa, e
Sinto o quanto, para quem mora aqui, a vida é tão boa...

E se isto não bastasse...
Da minha varanda, bem defronte,
Vejo o Sol ao longe se pôr no horizonte
Por entre os montes
Daquelas bandas de lá...



"Vejo o canal..." (MR)

Aqui na Barra tudo é bem diferente: não tem Rio Antigo, antigo mesmo não tem; favela também não.


"não tem Rio Antigo..." (IK)

Li as confissões do morador da Urca, do Rogel Samuel. Temos alguns poucos pontos em comum (os bons). Creio que aqui, como lá, é um dos poucos lugares do Rio onde se pode andar tranqüilo à meia-noite. Ontem mesmo, saímos do teatro e viemos andando a pé até a casa. As pessoas se cumprimentam ou pelo menos se conhecem de vista. Realmente não parece o Rio de Janeiro (parece a Florida? Miami?). Por outro lado, aqui é tudo novo, amplo, moderno. Não temos velhos moradores famosos ou ex-moradores mortos famosos, como a Pequena Notável, mas vivos. A toda hora a gente esbarra num jogador famoso, artista, ator ou cantor. Se freqüentar a noite então...


"aqui é tudo novo, amplo, moderno..." (IK)

Moro em frente a um condomínio chamado Golden Green (daí o goldens e greens no meu poema). Moram lá muitos novos-ricos como Romário, Ratinho, contraventores, ganhadores da mega-sena. A taxa de condomínio é mantida bem alta para exercer uma "seleção natural".


"um condomínio chamado Golden Green..." (MR)

Nós aqui no Parque das Rosas pagamos um condomínio acessível com direito a ônibus para a cidade e barca para atravessar o canal de acesso à praia, sala de ginástica, sala de jogos, sauna (vapor e seca), quadra, piscina, salão de festas e churrasqueira. Só pra você ver que tem de tudo um pouco e a diversos preços. Se não na Barra, próximo - Recreio ou Jacarepaguá.


"tem de tudo um pouco..." (até pracinhas tranqüilas) (IK)

Nos fins de semanas e feriados, varias atrações gratuitas são organizadas pelos diversos shopping-centers. No shopping onde fica minha faculdade (no Recreio), o Barra World, o shopping em si é uma atração. Parece um cenário, com a Esfinge, Torre Eiffel, Torre de Pisa, Torre de Londres etc.


Pedacinho de Londres no Barra World (IK)

Temos na minha quadra duas salas de teatro, no pequeno shopping Barra Square. Andando um pouquinho (andando mesmo), no Barra Garden, há uma sala de espetáculos, o Garden Hall, onde já assistimos ao Chico Anísio, Tom Cavalcante, Roupa Nova entre outros. Cinema, nem preciso falar muito. A Barra poderia se chamar a nova Cinelândia do Rio. Só no New York City Center são 18 salas da rede UCI, fora as do Via Parque, e as da rede Cinemark do shopping Downtown.


Cinemark no shopping Downtown (IK)

Os puristas do nosso idioma abominam o inglês no nome das lojas, restaurantes, escolas, academias etc. sem querer olhar, ou perceber, outros nomes franceses (coiffeur, maison, mademoiselle), italianos (Fratelli, La Nona), árabes (Rabi’s, Stambul, Yunes) etc. em igual quantidade. Na verdade eles são anglófobos. O problema deles, pode checar, é só com o inglês. Eles embarcaram numa Teoria da Conspiração, onde os EUA vão dominar o mundo através do idioma. Acho uma bobeira.


New York City Center (IK)

Outra coisa é a falsa idéia de que a vida aqui é caríssima. Mentira. Tem pra todo mundo. Se você for do tipo Vera Loyola, que gosta de aparecer gastando dinheiro à toa, tem, mas se você for mais contido economicamente, também tem. Por exemplo, desde que mudamos para cá, praticamente paramos de comprar alimentos para o mês. Comemos sempre fora, a preços variadíssimos. A quilo, à la carte, bufês de todos os preços. Sai muito mais em conta, podemos variar e estamos sempre saindo, dando uma voltinha e variando o cardápio.


"Comemos sempre fora..." (IK)

Outra vantagem é a quantidade de faculdades e universidades (UVA - Veiga de Almeida, UGF - Gama Filho, Castelo Branco, e a recordista Estácio de Sá espalhada por todo o bairro), tendo como efeito colateral a invasão dos barzinhos pelos estudantes locais e de fora, e o grande número de carros estacionados.


Avenida das Américas (IK)

O que temos de feiras e feirinhas também não está no gibi. A última a que fomos, uma Fashion alguma coisa, no Città America (belo shopping, por sinal: parece uma bela mansão espanhola, com jardins, cascatas e flores; lá existe uma filial do internacional Hard Rock Café). Mas as pequenas feiras, com artesanato, são a toda hora. Estamos tendo, neste fim de semana, uma tipo árabe no Marapendi Shopping com direito a dança do ventre. Aos sábados, temos a feira tradicional de frutas e legumes, próximo ao Rosa Shopping, só que em vez das barracas tradicionais, os feirantes usam Kombis adaptadas e a montagem e desmontagem é vapt-vupt.


Città America: "parece uma bela mansão espanhola" (IK)

Música ao vivo nas praças de alimentação é outra constante a partir das quintas-feiras. Tem de tudo, conforme o gosto - pagode, romântico, rock, world music, inglês, português, francês, árabe. O publico adora por ser gratuito. Musica é o que não falta, temos até um bloco carnavalesco - "Vem cá me dá", ensaia todo fim de semana a partir de um mês antes do Carnaval e desfila nas redondezas, indo às vezes para a orla marítima.


Recanto árabe no Barra World (IK)

Nestes muitos outros aspectos, a Barra é totalmente diferente da pacata Urca do Samuel.


Ciclovia (MR)


Calçada na orla (MR)


Orla marítima (MR)


Palm Springs (IK)

Poema e depoimento de Manoel Rodrigues especialmente para este blog. Fotos de Manoel Rodrigues (MR) e do editor do blog (IK). Clique no marcador abaixo para ver todas as postagens sobre a Barra da Tijuca.