O professor João Baptista em seus passeios guiados costuma observar que, se outrora as estátuas ficavam inacessíveis sobre pedestais e homenageavam figuras políticas e guerreiras, hoje homenageiam artistas e interagem com o transeunte: "andam pela calçada" ou "sentam-se nos bancos" (caso da popular estátua do Drummond). Nome completo: Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (1927-1994). "Minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro..." Escultura de Christina Motta, inaugurada em dezembro de 2014 pelo prefeito Eduardo Paes, conforme lemos na placa aos pés da estátua.
Desde 2005, o melhor blog sobre o Rio de Janeiro, seus encantos, história, literatura, arquitetura e arte. A partir de 2019, mostrando também São Paulo, para onde o editor do blog se mudou.
ENSEADA DE BOTAFOGO

"Andar pelo Rio, seja com chuva ou sol abrasador, é sempre um prazer. Observar os recantos quase que escondidos é uma experiência indescritível, principalmente se tratando de uma grande cidade. Conheço várias do Brasil, mas nenhuma tem tanta beleza e tantos segredos a se revelarem a cada esquina com tanta história pra contar através da poesia das ruas!" (Charles Stone)
VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA
“São Paulo, até 1910 era uma província tocada a burros. Os barões do café tinham seus casarões e o resto era pouco mais que uma grande vila. Em pouco mais de 100 anos passou a ser a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo. É pouco tempo. O século XX, para São Paulo, foi o mais veloz e o mais audaz.” (Jane Darckê Avelar)
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25.12.14
13.4.13
TAMOIOS NO ARPOADOR
Texto de Zuenir Ventura publicado originalmente no encarte "Aniversário do Rio" de O Globo de 1o de março de 2013 e reproduzido com a gentil permissão do autor.
Aconteceu neste verão. Convidado a escrever sobre um canto
do Rio, escolhi o Arpoador, porque de lá se costuma desfrutar deslumbrantes
entardeceres. Os termômetros marcavam quase 40º, com a sensação térmica
beirando os 50º. Sentado nas pedras, apreciava o sol refletir com tal
intensidade sobre o mar espelhado que devo ter experimentado aquela ilusão
ótica que no deserto se chama miragem. A gente entra num clima onírico e
acredita ver o que não existe. De repente, senti uma urgência febril de dividir
aquele espetáculo mágico com alguns personagens que cantaram e encantaram o
Rio. A primeira aparição foi de Millôr, que veio correndo pela areia, como
sempre fazia. Passou pelo largo que agora leva o seu nome, subiu até onde eu
estava e repetiu uma de suas geniais definições: “O pôr do sol é de quem olha”.
Em seguida, foi a vez de Tom e Vinicius, que atravessaram o Parque Garota de
Ipanema carregando o violão. Tinham acabado de acordar, após uma longa noite de
boemia. Finalmente, vindo de Copacabana, chegou Oscar Niemeyer, trazendo nos
olhos as curvas das mulheres e dos morros cariocas com que fez sua arquitetura.
Como não podia deixar de ser, a conversa girou em torno
dessa cidade solar, sensual, exibida que nasceu para ser musa. Falou-se
principalmente do narcisismo de quem desde pequena se habituou aos elogios. Era
ainda uma criança quando um de seus adoradores, o primeiro governador-geral
Tomé de Souza, se desmanchou: “Tudo é graça o que dela se pode dizer”. Alguém
lembrou que até os religiosos lançaram sobre ela olhares profanos: “É a mais
airosa e amena baía que há em todo o Brasil”, suspirou o padre Anchieta,
inteiramente catequizado. Seu colega da Companhia de Jesus, o padre Fernão
Cardim, sentiu o mesmo: “É coisa fermosíssima e a mais aprazível que há em todo
o Brasil”.
Estimulado pela exuberância sensorial daquela tarde, resolvi
corrigir Vinicius, que dizia que ser carioca é um estado de espírito. Acho que
é mais. Não se trata apenas de alma, mas de corpo e alma. Ama-se a cidade com
todos os sentidos, a começar pelos olhos. Olha que coisa mais linda uma garota
de Ipanema a caminho do mar. Ela vai se molhar e se estender nas areias para
dourar seu copo quase nu. Segundo Tom, que transformou em música tudo isso,
esse rito hedonista, quase erótico, é uma herança de nossos antepassados
tamoios, que nos ensinaram a curtir a água, o corpo, a música e a dança.
O sol já estava sendo rendido no seu plantão diário, e os
banhistas noturnos começavam a estender suas cangas na areia para o mais novo
modismo deste verão: o banho de lua. Foi quando chegou Cazuza para fazer parte
do show. Antes de dar um mergulho, cantou: “Vago na lua deserta das pedras do
Arpoador”.
Nunca me senti tão tamoio quanto nesse fim de tarde, início
de noite nas pedras mágicas do Arpoador.
30.12.10
18.4.10
ARPOADOR NUMA TARDE DE OUTONO
Fotos tiradas da Pedra do Arpoador pelo editor do blog em dia de mar bravio no início do outono. Texto do Guia Michelin do Rio, 1a edição, 1990.
O Arpoador é, na verdade, o início da Praia de Ipanema, com pouco mais de 500 metros de extensão, próximo a uma ponta de pedra que invade o mar e que separa Ipanema de Copacabana. O Arpoador, nome que vem dos tempos do Império, quando ali se concentravam pescadores de baleias, vindas da Antártica à procura de águas mais quentes para procriar, permaneceu por muito tempo, quase como uma praia exclusiva de seus moradores. [...] Na década de 1980, a rua foi transformada em calçadão com jardineiras floridas e bancos e o tráfego de veículos restrito aos moradores. [...]
A praia é muito concorrida nos finais de semana, principalmente por surfistas, que encontram condições ideais para a prática do esporte.
A melhor hora do dia para se visitar a Pedra do Arpoador é à tardinha, quando o sol vai-se pondo no horizonte. Do alto da pedra, áspera e batida pelas ondas, com o vento soprando suave e envolvendo o corpo num abraço, os olhos se enchem de formas e cores diante da vista: à esquerda, a Praia do Diabo; à direita, a longa curva das Praias de Ipanema e Leblon, limitadas entre grandes prédios, avenidas cheias de carros e o calçadão, e a faixa de areia, onde, aqui e ali, surgem concentrações de coqueiros ; logo a seguir, o mar, imenso e tranquilo a essa hora, une-se ao céu, ambos num tom de azul esmaecido e acinzentado. Pouco a pouco, à medida que o sol se põe atrás do Morro Dois Irmãos, recortando sua silhueta negra contra o horizonte, o mar se enfeita de prata com pequenos pontos de chumbo, que são as IIhas Rasa, Redonda e Comprida [...] Pouco a pouco, as luzes da cidade se acendem, formando colares de brilhantes que adornam a noite. O mar, que já não pode mais ser visto, emana, então, seu aroma forte e penetrante. O espetáculo se completa quando a lua surge redonda, inteira, arrebatando todos os olhares e atenções, logo ali, em frente ao Arpoador. (Guia Michelin do Rio de Janeiro, 1a edição,1990).
Para ver também fotos do pôr-do-sol no Arpoador no verão clique no marcador "Arpoador" abaixo.
8.2.10
PÔR-DO-SOL NO ARPOADOR
Com a temperatura beirando os quarenta graus, fazer o que no fim de semana? Trancafiar-se em casa no ar-condicionado? Filar o ar-condicionado do shopping? Entornar umas cervejas e sair nos blocos carnavalescos? Um programa cada vez mais popular é pegar uma praia sem raios ultravioleta no fim da tarde, início da noite. No Arpoador e Ipanema o sol faz o espetáculo, ao mergulhar no horizonte. Com direito a palmas do público. Altas vibes no nosso Rio de Janeiro.
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