ENSEADA DE BOTAFOGO

ENSEADA DE BOTAFOGO
"Andar pelo Rio, seja com chuva ou sol abrasador, é sempre um prazer. Observar os recantos quase que escondidos é uma experiência indescritível, principalmente se tratando de uma grande cidade. Conheço várias do Brasil, mas nenhuma tem tanta beleza e tantos segredos a se revelarem a cada esquina com tanta história pra contar através da poesia das ruas!" (Charles Stone)

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA
São Paulo, até 1910 era uma província tocada a burros. Os barões do café tinham seus casarões e o resto era pouco mais que uma grande vila. Em pouco mais de 100 anos passou a ser a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo. É pouco tempo. O século XX, para São Paulo, foi o mais veloz e o mais audaz.” (Jane Darckê Avelar)
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7.2.16

CARNAVAL E CHUVA

Bonita crônica de Isabella Nelson (pseudônimo do jornalista e político Abner Carlos Mourão) publicada no jornal O Paiz de 7 de março de 1916


Suponho que os cariocas, com o seu decidido entusiasmo pelo carnaval, tivessem sentido na manhã de ontem um tristíssimo despertar, sentindo a chuva escorrer lá fora, desabaladamente…

Eu, por mim, amo a chuva. Quando acordo e ela cai, após alguns dias de sol intenso e de desmesurado calor tropical, penso logo no banho reparador que estão tomando as árvores. E precipito-me para a janela, na ânsia de vê-las, lavadas e verdes, com a alegria dos rebentos novos e todas as folhas cantando triunfalmente, sob as bátegas sonoras.

Porque as árvores cantam quando, em pleno verão, descem de muito alto as chuvas musicais… E a sua canção é tão doce, tão lírica, de um tão incomparável esplendor, que um poeta divino, de uma sensibilidade agudíssima — Guy Charles Cros — uma vez definiu o amor assim:

C’est la chanson de l’arbre, en juillet, sous l’averse. [É a canção da árvore, em julho, sob o aguaceiro.]



Bem defronte da minha casa fica um maravilhoso jardim adolescente. E são as suas pequenas árvores redondas, sempre sugando vorazmente a terra, sempre bebendo avidamente a chuva quando ela desce reconfortadora e benéfica, na incessante procura da energia que lhes permita desenvolverem-se e subirem para o sol, são essas pequenas árvores exuberantes, de um tão visível e magnífico ardor para a vida, as que mais amo entre todas as árvores da terra.

Vejo-as palpitar de prazer sob a chuva. E, quando o vento passa, agitam braços verdes e atiram umas nas outras e para o meu rosto milhares de gotas d'água e gritam, excitadas, arrepiadas, nervosas, como um bando de meninas travessas. 

E toda eu vibro, tanto essa agitação gárrula, indominável, bracejante, é comunicativa.

Se o sol tira perfumes rudes das plantas, produz a intensa exalação aromal dos matos aquecidos, a chuva faz a terra cheirar suavemente. E o ar fica tão frio, tão vivo, tão fino, que respirar é uma delícia tonificante.

Por isso, quando chove, eu me alegro e de uma profunda, imensa, seivosa alegria vegetal…

E todos os ritmos da chuva, desde os imprecisos e embaladores, até os mais estrepitosos, sinto-os cantar e correr e envolverem-me prodigiosamente.

Volto para a cama, cerro os olhos, e deixo-me ficar. E os ritmos prodigiosos me vão estesiando e readormecendo e sinto pouco a pouco fundirem-se na melancolia monocroma e monótona, que Guy Charles Cros pôs nestes versos:

Froide, froide comme ton cœur, mon beau serpent,
avec un doux bruit collant
tombe la pluie, tombe la pluie...”
[Fria, fria como teu coração, minha bela serpente,
com um doce ruído colante
cai a chuva, cai a chuva...]

Oh! a voluptuosidade penetrante e tranquila, a felicidade incomparável de uma boa manhã de chuva estival!


30.7.09

CHOVE CHUVA


Tomara que chova, três dias sem parar, dizia a velha marchinha de Carnaval. Chove chuva, chove sem parar, diz a música de Jorge Ben Jor. Pois não é que a estação de chuvas, que no Rio de Janeiro coincide tradicionalmente com o final da primavera, resolveu se estender pelo verão, outono e inverno? A impressão é que aqui no Rio o aquecimento global não “pegou”.


Orla de Copacabana


Arpoador


Ipanema


A chuva vista da janela do ônibus (fechada para você não se molhar)


O gari continua trabalhando...


A chuva não espanta o ciclista


Lagoa com o Corcovado ao fundo


Guarda-chuva: companheiro indispensável


Chove chuva, chove sem parar


Guarda-chuvas

Fotos do editor do blog.

13.2.06

DOMINGO CHUVOSO II

Domingo de sol a gente sabe o que faz aqui no Rio: vai à praia, vai passear. Mas e quando chove? Chuva não tem a cara do Rio. Existe uma palavra inglesa, serendipity — criada por Horace Walpole no século XVIII em alusão ao reino de Serendip, o Ceilão — que é a capacidade de "esbarrar" com coisas boas e inesperadas, por acaso (existe um correspondente português, "serendipidade", mas soa artificial). Eu que tenho alma de andarilho e acredito em serendipity mais do que no horóscopo, saí à rua com chuva e tudo — verdade que ela acabou dando uma boa trégua. Vejam por onde andei:

Calçadão de Copacabana

Centro Cultural Oi Futuro

Castelinho da Praia do Flamengo

Vista do Castelinho



Túnel Novo



Baile de Carnaval na Praça do Lido, em Copacabana

Desfile da Beija Flor (sem os carros alegóricos) na Avenida Atlântica, em Copacabana

Fotos de Ivo & Mi. O Centro Cultural Oi Futuro (ex-Telemar) fica na Rua Dois de Dezembro, 63 - Catete - pertinho do Largo do Machado. Ocupa o prédio da antiga Companhia Telefônica Brasileira, que também já abrigou o Museu do Telefone. O Castelinho do Flamengo, construído entre 1916-1918 para residência do proprietário da Construtora Silva Cardoso, é um exemplo típico do ecletismo em arquitetura, mesclando elementos art-nouveau, neo-renascentistas italianos, neogregos e neogóticos franceses, formando uma "colcha de retalhos". Desde 1992 abriga o Centro Cultural Oduvaldo Vianna Filho, uma videoteca municipal, mas só a arquitetura do prédio já vale uma visita - e é grátis. Situa-se na Praia do Flamento, 158 - esquina com a Dois de Dezembro.

12.12.05

DOMINGO CHUVOSO



Domingo chuvoso no Rio de Janeiro. Fazer o quê? Enfurnar-me em casa e assistir ao Faustão? Aderir à onda consumista pré-natalina nos shoppings? Aproveito uma trégua da chuva pra fazer o que gosto: dar uma de João do Rio e sair por aí. Curtir a alma encantadora das ruas pra ver que surpresas o "destino" me reserva. Desço a Atlântica rumo ao Posto Seis, pego a Francisco Otaviano (a rua que liga a praia de Copacabana à de Ipanema), desço a Vieira Souto, depois a Delfim Moreira, até o final do Leblon. Aí vem a surpresa do dia. Que em 54 anos de Rio, sempre descubro algo de novo. Desta vez, a novidade é o Parque do Penhasco Dois Irmãos: encosta no alto Leblon, há uns dez anos ameaçada de favelização, que a Prefeitura transformou em área de proteção ambiental. Vejam as fotos do passeio!


Santuário na rocha


Hotel Sheraton; ao fundo, favela do Vidigal


Praia do Leblon


Praia do Leblon


Grafite hip-hop


Cena urbana

Mais informações sobre o Parque do Penhasco Dois Irmãos, no Alto Leblon, podem ser obtidas no site da Riotur em http://www.rio.rj.gov.br/riotur/pt/atracao/?CodAtr=1431