Desde 2005, o melhor blog sobre o Rio de Janeiro, seus encantos, história, literatura, arquitetura e arte. A partir de 2019, mostrando também São Paulo, para onde o editor do blog se mudou.
ENSEADA DE BOTAFOGO
"Andar pelo Rio, seja com chuva ou sol abrasador, é sempre um prazer. Observar os recantos quase que escondidos é uma experiência indescritível, principalmente se tratando de uma grande cidade. Conheço várias do Brasil, mas nenhuma tem tanta beleza e tantos segredos a se revelarem a cada esquina com tanta história pra contar através da poesia das ruas!" (Charles Stone)
VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA
“São Paulo, até 1910 era uma província tocada a burros. Os barões do café tinham seus casarões e o resto era pouco mais que uma grande vila. Em pouco mais de 100 anos passou a ser a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo. É pouco tempo. O século XX, para São Paulo, foi o mais veloz e o mais audaz.” (Jane Darckê Avelar)
O Chafariz das Saracuras compõe-se de um elemento central formado por uma pirâmide sobre uma bacia com embasamento circular, possuindo uma escadaria intercalada por quatro tanques. A água jorra das saracuras de bronze na base da pirâmide e das tartaruguinhas sobre os tanques.
Vi prodígios na vida — chegada do homem na Lua, a queda do comunismo, o fim da inflação — mas não tinha visto a água jorrar do Chafariz das Saracuras. Sua secura parecia irreversível: “Hoje o chafariz emudeceu”, dizia o Guia Michelin do Rio. “Não há mais nem o canto nem a dança das águas, que secaram.” Quando criança eu brincava na praça e o chafariz... seco. Nos anos 70 de paz e amor, bicho ia ver os amigos artesãos na Feira Hippie e o chafariz continuava... seco. Dois anos atrás, o chafariz havia sido restaurado, as saracuras e tartarugas, repostas e vertendo água. Vi de relance passando de ônibus. Mas logo as peças foram roubadas, e a água secou. Dias atrás minha amiga Vera Dias, chefe da subgerência de monumentos e chafarizes da prefeitura e editora do blog As histórias dos monumentos do Rio de Janeiro, avisou que o chafariz voltou a ser recuperado e está funcionando (como outros chafarizes da cidade) das 8 às 10, das 12 às 14 e das 16 às 18. Fui lá conferir. De prodígios, agora só falta ver um cometa!
O elemento central com as saracuras.
Detalhe da água jorrando de uma tartaruguinha.
Chafariz das Saracuras é um Bem Tombado Nacional e tem seu projeto atribuído ao Mestre Valentim. Foi construído para abastecimento d’água pelo Antigo Convento da Ajuda em 1795 com a projeção do Conde de Rezende, quinto Vice-Rei do Brasil. Com a demolição do convento, situado na atual Praça Floriano no Centro, foi doado à Cidade em 1911 por sua Eminência o Cardeal Arcebispo Dom Joaquim Arcoverde Cavalcanti e transferido para a Praça General Osório. (Informações transcritas de totem da Riotur no local)
O chafariz no antigo Convento da Ajuda. Foto extraída do excelente blog Curiosidades Cariocas que costumo visitar regularmente. As demais fotos são do editor do blog.
Nos anos 70 lembro que meu falecido pai comentou que “no meu tempo de rapaz passeávamos tranquilos por morros que hoje são perigosos e não dá para subir”. Durante décadas vivemos (na expressão de Zuenir Ventura) em uma “cidade partida”. O asfalto regido pelas leis do país e a favela regida pela ditadura do tráfico. Com a pacificação das comunidades, o muro de Berlim entre favela e asfalto vai sendo derrubado. Um belo exemplo: o recém-inaugurado Complexo Rubem Braga com o Mirante da Paz no alto. Lá turistas e moradores podem contemplar a vista que antes era privilégio dos moradores da Comunidade do Cantagalo. E estes, por sua vez, têm acesso facilitado ao metrô e à cidade aos seus pés.
Mar de edifícios em Ipanema, Rua Barão da Torre e a Lagoa à direita. Ao fundo as montanhas. São esses contrastes que dão encanto ao Rio.
Prédios colados na Favela do Morro do Cantagalo & rampa de acesso do Complexo Rubem Braga. E de quebra vemos o Corcovado.
Desde o dia 30 de junho, os moradores das comunidades do Cantagalo e do Pavão-Pavãozinho, no Rio de Janeiro, já utilizam o Complexo Rubem Braga para ter rápido acesso à estação Ipanema/General Osório, do metrô.
O Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o Ministro das Cidades, Márcio Fortes, o Prefeito Eduardo Paes e o Secretário de Transportes, Sebastião Rodrigues, participaram da cerimônia de inauguração do local, cujo nome homenageia o jornalista e escritor Rubem Braga, que residiu nas imediações do metrô de Ipanema.
O complexo, construído pela Odebrecht Infraestrutura, é composto por um túnel de 260 m de extensão escavado na rocha que liga a estação General Osório às duas torres (de 64 m e 31 m de altura) de elevadores com capacidade para transportar até 100 pessoas por viagem. No topo da torre mais alta foi construído o Mirante da Paz, e serão instalados, ainda, postos de serviços públicos, como o Rio Poupa Tempo.
Estima-se que a nova obra beneficiará cerca de 10 mil pessoas, permitindo o reordenamento urbano de todo o entorno da estação. (Informações transcritas do site da Odebrecht.)
Quase dois anos depois, em 16/5/2012, retornei ao Mirante da Paz com minha câmera nova, uma Sony de 16,1 megapixels. As fotos resultantes podem ser vistas clicando aqui.
Dois meses depois, em 7/7/2012, gravei um vídeo amador da descida pelo elevador do Complexo Rubem Braga: