ENSEADA DE BOTAFOGO

ENSEADA DE BOTAFOGO
"Andar pelo Rio, seja com chuva ou sol abrasador, é sempre um prazer. Observar os recantos quase que escondidos é uma experiência indescritível, principalmente se tratando de uma grande cidade. Conheço várias do Brasil, mas nenhuma tem tanta beleza e tantos segredos a se revelarem a cada esquina com tanta história pra contar através da poesia das ruas!" (Charles Stone)

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA
São Paulo, até 1910 era uma província tocada a burros. Os barões do café tinham seus casarões e o resto era pouco mais que uma grande vila. Em pouco mais de 100 anos passou a ser a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo. É pouco tempo. O século XX, para São Paulo, foi o mais veloz e o mais audaz.” (Jane Darckê Avelar)
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31.12.18

ADEUS 2018/FELIZ 2019!

5:47 da madrugada

COM ESTAS FOTOS DO AMANHECER EM COPACABANA

5:50

LITERATURA & RIO DE JANEIRO, O BLOG DE QUEM ADORA A CIDADE MARAVILHOSA,

5:54

DESPEDE-SE DE 2018

5:55

DESEJANDO AOS AMIGOS

5:58

UM FELIZ ANO NOVO

6:05

E CONTINUEM NOS VISITANDO

6:09

QUE SEMPRE TEREMOS NOVAS SURPRESAS!


6:17 - De novo a luz venceu as trevas

22.2.14

HAPPY HOUR NAS AREIAS DE COPACABANA


Com o calor subsaariano inviabilizando as deambulações urbanas nos horários de sol a pino e com o horário de verão (até semana passada) estendendo o dia até vinte horas, nada mais saudável (para quem tem a sorte de morar perto da orla) que uma happy-hour, fim de tarde, caminhando na areia à beira-mar (com direito a banho de mar revigorante). Para o fotógrafo contumaz a oportunidade de enriquecer seu álbum com novas tomadas, menos óbvias, da velha amiga Praia de Copacabana.





6.12.11

QUANTAS PRAIAS EXISTEM NO RIO DE JANEIRO?

A resposta está no livro PRAIAS CARIOCAS de CLÁUDIO NOVAES: 71. Achava que eram menos? Só em Paquetá são 14 e na Ilha do Governador, 17. Veja a lista completa das praias ao final da postagem.


PRAIAS CARIOCAS
Cláudio Novaes
Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos
Rio de Janeiro, 2011
Preço: 25 reais.

Apresentação

Assim como as sociedades humanas modificam a paisagem, o espaço natural também molda a experiência do povo que nele vive. Em poucas cidades a paisagem é tão essencial para a identidade de seus habitantes quanto no Rio de Janeiro. O carioca típico se orgulha de viver em um lugar que a Natureza escolheu como mostruário do seu catálogo de encantos: montanhas, florestas, rios — e praias.

Desde o século XIX, quando os banhos de mar passaram a ser considerados terapêuticos, a cidade avança ao longo da orla. Uma tendência que continua a movimentar o crescimento da metrópole, hoje ainda orientado para os bairros praieiros. Não buscamos apenas a beleza do horizonte oceânico. É nas praias que o carioca faz esportes, encontra os amigos, namora e lê. É nas areias que o habitante do Rio de Janeiro se sente mais conectado à essência da cidade. Nesse espaço que integra os diferentes grupos sociais, o Rio convive democraticamente com a sua diversidade.

Neste livro, o Instituto Pereira Passos oferece ao leitor um passeio por 71 praias da orla carioca  as ainda selvagens às bordadas de edifícios, das cheias de ondas às mais plácidas. Aceite o convite e mergulhe na alma do Rio de Janeiro.

Ricardo Henriques - Presidente do Instituto Pereira Passos

ONDE COMPRAR: Livraria Pereira Passos, Rua Gago Coutinho, 52 - Laranjeiras (saltar na estação de metrô Largo do Machado). Aproveite a ida à livraria para ver sua excelente seleção de obras sobre Rio e urbanismo e para pedir seu exemplar gratuito do Guia do Rio editado pela Riotur. O livro também pode ser comprado pela Internet na Livraria da Travessa.

LISTA DAS PRAIAS (informações e fotos de cada uma você obtém no livro citado; a foto abaixo é do editor do blog):



ZONA OESTE

1 Praia de Sepetiba
2 Praia de Dona Luiza ou Recôncavo
3 Praia do Cardo
4 Praia do Aterro ou da Brisa
5 Praia da Ponta Grossa
6 Praia da Venda Grande
7 Praia da Pedra de Guaratiba
8 Praia da Capela 
9 Praia da Marambaia 
10 Praia da Barra de Guaratiba
11 Praia do Canto 
12 Praia dos Búzios

REGIÃO DA BARRA DA TIJUCA
1 Praia do Perigoso Pequena ou Perigosinho
2 Praio do Meio 
3 Praia Funda 
4 Praia do Inferno
5 Praia de Grumari
6 Praia do Abricó
7 Prainha 
8 Praia da Macumba
9 Praia do Pontal
10 Praia do Recreio dos Bandeirantes
11 Praia da Barra da Tijuca 
12 Praia dos Amores 
13 Praia da Joatinga 

ZONA SUL 
1 Praia de São Conrado ou Gávea
2 Praia do Vidigal
3 Praia do Leblon 
4 Praia de Ipanema 
5 Praia do Arpoador 
6 Praia do Diabo 
7 Praia de Copacabana 
8 Praia do Leme 
9 Praia Vermelha 
10 Praia de Fora  (Forte de São João)
11 Praia do Forte ou de Dentro (Forte de São João)
12 Praia da Urca 
13 Praia de Botafogo  
14 Praia do Flamengo 

ZONA NORTE
1 Praia de Ramos 
2 Praia do Galeão
3 Praia de São Bento
4 Praia da Bica  
5 Praia da Ribeira 
6 Praia da Engenhoca
7 Praia do Zumbi
8 Praia das Pitangueiras
9 Praia da Bandeira  
10 Praia do Cocotá 
11 Praia Congonhas do Campo ou Barão
12 Praia da Guanabara
13 Praia dos Bancários
14 Praia da Rosa
15 Praia do Dendê
16 Praia dos Gaegos 
17 Praias de Tubiacanga
18 Praia de Itacolomi 

PAQUETÁ
1 Praia dos Tamoios
2 Praia do Buraco
3 Praia do Catimbau
4 Praia do Lameirão
5 Praia Pintor Castagneto ou dos Coqueiros
6 Praia de São Roque
7 Praia da Moreninha ou Comprida
8 Praia José Bonifácio ou da Guarda
9 Praia do Veloso
10 Praia Manoel Luís
11 Praia Moema e Iracema
12 Praia da Imbuca
13 Praia das Gaivotas
14 Praia Grossa  

18.4.10

ARPOADOR NUMA TARDE DE OUTONO

Fotos tiradas da Pedra do Arpoador pelo editor do blog em dia de mar bravio no início do outono. Texto do Guia Michelin do Rio, 1a edição, 1990.

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O Arpoador é, na verdade, o início da Praia de Ipanema, com pouco mais de 500 metros de extensão, próximo a uma ponta de pedra que invade o mar e que separa Ipanema de Copacabana. O Arpoador, nome que vem dos tempos do Império, quando ali se concentravam pescadores de baleias, vindas da Antártica à procura de águas mais quentes para procriar, permaneceu por muito tempo, quase como uma praia exclusiva de seus moradores. [...] Na década de 1980, a rua foi transformada em calçadão com jardineiras floridas e bancos e o tráfego de veículos restrito aos moradores. [...]

A praia é muito concorrida nos finais de semana, principalmente por surfistas, que encontram condições ideais para a prática do esporte.

A melhor hora do dia para se visitar a Pedra do Arpoador é à tardinha, quando o sol vai-se pondo no horizonte. Do alto da pedra, áspera e batida pelas ondas, com o vento soprando suave e envolvendo o corpo num abraço, os olhos se enchem de formas e cores diante da vista: à esquerda, a Praia do Diabo; à direita, a longa curva das Praias de Ipanema e Leblon, limitadas entre grandes prédios, avenidas cheias de carros e o calçadão, e a faixa de areia, onde, aqui e ali, surgem concentrações de coqueiros ; logo a seguir, o mar, imenso e tranquilo a essa hora, une-se ao céu, ambos num tom de azul esmaecido e acinzentado. Pouco a pouco, à medida que o sol se põe atrás do Morro Dois Irmãos, recortando sua silhueta negra contra o horizonte, o mar se enfeita de prata com pequenos pontos de chumbo, que são as IIhas Rasa, Redonda e Comprida [...] Pouco a pouco, as luzes da cidade se acendem, formando colares de brilhantes que adornam a noite. O mar, que já não pode mais ser visto, emana, então, seu aroma forte e penetrante. O espetáculo se completa quando a lua surge redonda, inteira, arrebatando todos os olhares e atenções, logo ali, em frente ao Arpoador. (Guia Michelin do Rio de Janeiro, 1a edição,1990).

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Para ver também fotos do pôr-do-sol no Arpoador no verão clique no marcador "Arpoador" abaixo.

8.2.10

PÔR-DO-SOL NO ARPOADOR


Com a temperatura beirando os quarenta graus, fazer o que no fim de semana? Trancafiar-se em casa no ar-condicionado? Filar o ar-condicionado do shopping? Entornar umas cervejas e sair nos blocos carnavalescos? Um programa cada vez mais popular é pegar uma praia sem raios ultravioleta no fim da tarde, início da noite. No Arpoador e Ipanema o sol faz o espetáculo, ao mergulhar no horizonte. Com direito a palmas do público. Altas vibes no nosso Rio de Janeiro.


21.1.07

ZÓZIMO BARROSO DO AMARAL

E AÍ, ZÓZIMO? de ARNALDO BLOCH (Crônica publicada originalmente no Segundo Caderno do jornal O Globo de 14/01/2006 e reproduzida com permissão do autor)

Estátua de Zózimo Barroso do Amaral "contemplando" a Praia do Leblon

Zózimo, vou dizer uma coisa, sempre que passo pela sua estátua e o vejo olhando o mar, na ponta do Leblon, me vem uma baita tranquilidade, daquela que é raro sentir, parecida com a tranqüilidade de ficar uns dias sem celular e ver a vida como ela é — ou, dirão, como ela era (lembra?), e eu de bobo ainda acredito que pode ser, pelo menos de vez em quando.

Vou dizer: ontem vi um sujeito tentando sair apressado e encontrando no elevador o peão de obra a retirar dúzias de sacos de areia (o elevador social parado).

O sujeito ansioso balançava a perna, com aquele velho ímpeto escravocrata que continua forte por aqui, e o peão dizendo a ele, esbaforido, "já vai terminar, já vai terminar", mas faltavam ainda uns dez sacos de areia.

Aí veio a transformação, o sujeito parou de balançar a perna e disse: "Melhor eu ir de escada". O peão, servil, ainda cismou,"já termino num instante!". Mas o sujeito, que abrira a porta de ferro, disse: "Não. Faz aí o seu trabalho com calma. Posso descer de escada. Não tem motivo para essa pressa toda".

Zózimo, vou dizer: eu, se fosse o peão da história, ia logo acreditar mais no Brasil, mais no cidadão, mais na dignidade dos homens. O diabo é que eu não saberia dizer se o sujeito agiu com medo de punição divina, esperando prêmio por boa ação, ou, simplesmente, por ser um homem de princípios. Não sei quão raro é tal gesto, essas coisas as estatísticas não medem, solidariedade, princípios.

Talvez você, Zózimo, nos revelasse um indicador confiável de princípios, numa nota que começasse dizendo: "Convidem para a mesma mesa o peão e o morador", e peço desculpas por ousar aqui parodiá-lo, amigo. Sei que digo "amigo" sem tê-lo, de fato, sido: quando você ainda trafegava pela redação papeamos só duas vezes, no café.

Digo "amigo", sim, como quem fala com a estátua aqui no Leblon, com o Zózimo figura pública, e sente saudades da sua elegância. Diferente da elegância fabricada do fashionismo galopante: falo da elegância de espírito, de viver, de olhar, ver, o mundo. Elegância que se vê nas coberturas e nos morros, nos conjugados e nos palacetes, no magnata e no peão, elegância e cafonalha não distinguem classe social, não há roupa ou fantasia que dê jeito quando, na alma, falta classe.

Zózimo, você ainda estava por aqui quando o pessoal começou a dizer que inveja é uma merda? Andei pensando esses dias: pior que inveja é vaidade. Mas tem coisa pior ainda: ser chato. E a coisa pior entre todas as coisas piores: não ter humor, levar-se a sério demais. Uma merda.


Para inveja, vaidade e chatice há perdão. Mas não para a falta de humor. Quem rejeita o humor pode até exercer poder, mas não morrerá antes de ter o nome gritado com escárnio nas ruas. E, quando morrer, o peso da vergonha tornará penosa a sua passagem para o nada — ou para o tudo, conforme for o que nos espera do outro lado.

Falando nisso, eu poderia arriscar uma pergunta: o que há (se é que há) aí do outro lado? Mas não pergunto, pois sei que você não responderia, e falta-me a habilidade tão praticada por aí de conversar com os que se foram.

Por isso digo, sem expectativa de ser escutado: Zózimo, ontem vi um fuscão azul-marinho que vou te contar. Belezura. Se pudesse, comprava, mas nem pensei em fazer oferta. Afinal, o fuscão estava no Rebouças — se emparelhasse, o dono era capaz de pensar que era assalto. E o proprietário estava tão feliz ao volante da charanga que pensei: "fuscão com tanta felicidade dentro não tem cotação, não tem preço, é um vintage , qualquer oferta seria uma ofensa.".

Zózimo, o Rio tá que tá, vou dizer. A violência é um problema sério, mas o medo desmedido dela é um problema ainda mais sério. Tem gente com tanto medo que se enfurna em casa e se esquece de viver. Essas pessoas, Zózimo, acho que têm medo de algo além da violência — medo de não saber viver (de nunca ter sabido viver entre os mortais), então a violência acaba sendo o argumento para esperar a morte em casa.

Apesar disso as ruas estão cheias, a maior parte das pessoas, de todas as classes (apesar dos contrastes, das divisões, do gangsterismo) é boa e se encontra nos balcões das biroscas, nos bares, nas esquinas, nos quiosques, vai à praia, ao baile, anda de bicicleta, aplaude o pôr-do-sol, queira-se ou não.

Outro dia, Zózimo, foi engraçado, eu vinha caminhando pela areia, rápido, para alcançar o sol num finzão de tarde e vi, de frente, entre o Dez e o Nove, a multidão de cariocas, além de turistas brasileiros e estrangeiros, postados diante do sol, aplaudindo (era o primeiro dia ensolarado depois de muitos) e tirando fotos com máquinas e celulares. Parecia que o já manjado aplauso ao sol tinha virado eveiiiiinto organizado, mas felizmente não tinha patrocinador (já imaginou, pôr de sol patrocinado por empresa de telefonia? Arre!) .

E era bonito que só. Que sol! Tinha gente gritando uuuhúuuuu com as mãos espalmadas na direção da estrela ("estrela", de dia, soa estranho, mas o sol é exatamente isso, a estrela do dia). E pensei: "Caramba, isso é um culto, um culto ao sol, incrível como somos tribais, ou como estamos cada vez mais tribais".
Sabe, Zózimo, quanto a mim, não sei se mostraria a mão espalmada ao sol e gritaria uuuhúuuuu , mas, sei lá, já gritei uuuuuhúuuu pra tanta coisa tola que, pensando bem, não seria má idéia, ainda mais num passeio que comece com uma visita à sua estátua. Inté.

Fotos da estátua de Zózimo "contemplando" a Praia do Leblon e do pôr-do-sol em Ipanema do editor do blog.

27.10.05

AMANHECENDO / ANOITECENDO de ANA LIA VIANNA AMBROSIO


AMANHECENDO

Cedo cedinho despertei. Escuro ainda, olhei para o relógio – horário de verão – cinco e meia da madrugada. Boa noite de sono, apesar das poucas horas. Bem humorado levantei, decidindo por um passeio nas ruas. A pé. Aproveitar das vantagens de morar sozinho, sem ter que dar satisfação a ninguém. Logo me veio à cabeça a violência que impera na cidade e os riscos da minha aventura. Resolvi arriscar. De saída, vi de perto os feirantes arrumando suas barracas, reconhecia alguns deles. Em seguida, peguei o caminho do mar: nas pedras encantei-me com os pescadores apostando nas futuras presas. Alegres, homenageando o oceano, a terra, os sonhos. A noite se despedia, cedendo lugar à nova jornada que, triunfante, clareava. Cachorros solitários abanando os rabos, adolescentes voltando das farras, gente (de todas idades) cuidando da forma. Sem falar nos inúmeros bêbados vagando pelas calçadas. Alguns falando sozinhos, outros cambaleando.

"A esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar..."

Navio, ao longe, dá margem às recordações do meu tempo de criança. Tempos de muita brincadeira, tempos ingênuos, tempos tristes. De brincar de pique esconde, de cabra cega, de mamãe posso ir. Cantigas de roda, primeiro beijo, malícia entrando no circuito. Como não quer nada. Êta malícia gostosa – provocando arrepios no corpo e na alma. Submarinos: imperdível cenário de nossas imaginações. Nada melhor do que as lembranças!
E a violência? Desta vez nem a percebi. Cego?
Aos poucos, pessoas nas ruas. O trabalho, a escola, a vida. Portadoras, quem sabe, de um emblema invisível chamado Esperança. Que as leva a prosseguir viagem.

"Sem a qual a vida é nada, sem a qual se quer morrer."

Amanheceu no meu caro e fiel bairro - Leme.



ANOITECENDO


Contemplando o céu – horário de verão – fascinado com o belíssimo quadro que me ofuscava os olhos. Retratá-lo? Impossível. Enquanto o sol se despedia, uma faixa de nuvem clara anunciava a noite chegando. Esplêndido único raro momento! Cenário tranquilo. Crianças brincando, amantes se encontrando, gente simples caminhando. Os idosos, satisfeitos, sorriam numa terra de ninguém. Confuso e esperançoso nosso país, imerso em tão formosa ilha, parecia esquecer-se dos inúmeros problemas.
Ilha da fantasia e da realidade.
Pés macios, firmes, poderosos deslizavam numa direção. Mão única. Voltei atrás no tempo, rememorando violentas paixões, amores ternos, eternas amizades. Desejava fotografar cada segundo, perpetuando sonhos fecundos e viáveis. Os inviáveis, maioria, fica para outra vez. Barulho do mar, quase sem ondas – melodia em meus passos. Profana canção. Areias brancas a embalar-me no colo. Feito criança. Lembranças e mais lembranças embelezando minha andança. Andança promissora; olhei de novo para cima – nada se transformara. Faixa de nuvem cristalina no mesmo lugar. Alívio...
Segui até o final. Final de quê? Pouco importa. Revesti-me de coragem, decidindo voltar. Sabia de cor e salteado que na vida tudo tem um fim: triste, fugaz, porém sábio acalanto. Fotografei no coração inesquecível passeio. Noite mal começara. Ao retornar, procurei o quadro perfeito em seus encantos. Desaparecera. Céu escuro por completo, apenas uma tímida estrela ameaçando despontar.

Anoiteceu.

E com a noite as eternas ondas do Leme! Até amanhã.




Saiba mais sobre Ana Lia Vianna visitando seu blog "Prosa Hoje" em http://prosahoje.blogspot.com/