ENSEADA DE BOTAFOGO

ENSEADA DE BOTAFOGO
"Andar pelo Rio, seja com chuva ou sol abrasador, é sempre um prazer. Observar os recantos quase que escondidos é uma experiência indescritível, principalmente se tratando de uma grande cidade. Conheço várias do Brasil, mas nenhuma tem tanta beleza e tantos segredos a se revelarem a cada esquina com tanta história pra contar através da poesia das ruas!" (Charles Stone)

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA
São Paulo, até 1910 era uma província tocada a burros. Os barões do café tinham seus casarões e o resto era pouco mais que uma grande vila. Em pouco mais de 100 anos passou a ser a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo. É pouco tempo. O século XX, para São Paulo, foi o mais veloz e o mais audaz.” (Jane Darckê Avelar)
Mostrando postagens com marcador Copacabana. Mostrar todas as postagens
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31.12.18

ADEUS 2018/FELIZ 2019!

5:47 da madrugada

COM ESTAS FOTOS DO AMANHECER EM COPACABANA

5:50

LITERATURA & RIO DE JANEIRO, O BLOG DE QUEM ADORA A CIDADE MARAVILHOSA,

5:54

DESPEDE-SE DE 2018

5:55

DESEJANDO AOS AMIGOS

5:58

UM FELIZ ANO NOVO

6:05

E CONTINUEM NOS VISITANDO

6:09

QUE SEMPRE TEREMOS NOVAS SURPRESAS!


6:17 - De novo a luz venceu as trevas

1.6.18

BECO DAS GARRAFAS EM COPACABANA


O Beco das Garrafas (que também já foi conhecido como Beco das Garrafadas) é uma espécie de vão entre dois prédios na Rua Duvivier, entre a Av. Nossa Senhora de Copacabana e a Atlântica (como você pode ver neste Street View), sem nada de especial, exceto o fato de ter sido o berço da bossa nova:



O apelido Beco das Garrafas ou das Garrafadas deveu-se ao fato de que moradores incomodados pela barulheira lá em baixo lançavam garrafas nos arruaceiros. E não se trata de lenda urbana. Na coluna Madrugada do Diário Carioca de 8/5/57 o colunista Mister Eco já fazia menção a esse fenômeno:

“O delegado Hermes Machado promete tomar providências contra determinado morador da Rua Duvivier, que atira na via pública latas, frascos de vidro, lixo etc., pondo em risco de vida (e de sujeira) os que naquela rua transitam. Por coincidência, na mesma rua está situado o famoso Beco das Garrafas, com o Ma Griffe, o Bacará e o Little Club, que esse nome ganhou pelas garrafas “y otras cositas más”, que os moradores inconformados com a barulheira dos notívagos uisquiados jogam lá de cima.”

Beco das Garrafas visto dos fundos: um beco sem nada de especial, exceto o fato de ter sido o berço da bossa nova. A grade separando as áreas dos dois prédios originalmente não existia.

Aliás, o Correio da Manhã de 6/6/57 faz uma zoação ao guarda noturno do Beco, numa época em que guardas noturnos percorriam as ruas ao menos da Zona Sul vez ou outra soando seus apitos, como eu mesmo me lembro.

Uma das coisas mais engraçadas do mundo é aquele camarada fardado de cáqui, de madrugada, na Rua Duvivier, plantado entre a algazarra que emana do “beco das garrafadas”, dando os seus apitinhos regulares para assustar as moscas. Trata-se de um guarda noturno, de plantão no local mais noturno do Rio, onde três bares, dois botequins, um inferninho e uma sorveteria garantem uma das madrugadas mais povoadas da cidade...

Bottles Bar

Em crônica (pouco conhecida hoje em dia) no Correio da Manhã de 1/8/57 intitulada Fechamento do Rio, o arquipoeta Carlos Drummond de Andrade menciona o beco:

Há em Copacabana um beco das garrafadas, em que estas, ao que me contam, constituem uma arma dos moradores de apartamentos, contra a desordem lá em baixo. Se o grupo faz demasiada zoeira, tome garrafa na cabeça. Já não se usa água fria, como em outros tempos [...]

Shows de bossa nova e assemelhados no Beco das Garrafas

No jornal Última Hora de 29/7/1958 (e também na revista Mundo Ilustrado de 19-25/7/59), o saudoso cronista Stanislaw Ponte Preta (Sergio Porto) escreveu uma crônica intitulada De Beco em Beco Stanislaw Enche a Página onde mencionou o famoso beco:

O Beco das Garrafadas seria um beco honesto se, metido entre os três barezinhos discretos ali instalados (“Ma Griffe”, “Baccarat” e “Little Club”), não existisse um botequim de vender cachaça, onde se reúne um pessoal menos esclarecido pouquinha coisa e que, por isso mesmo, faz arruaça, xinga nome de mãe e entre em festival de bolacha [=bofetada] com muita facilidade. E mal começa o pega, os moradores da localidade, acordados pelo eco, começam a atirar garrafas lá de cima, na esperança de uma fratura do crânio que às vezes acontece, para alegria geral.

De quais dessas janelas teriam sido lançadas garrafas?

Ricardo Amaral, em sua coluna na Última Hora de 15/1/64, faz elogios aos shows do Beco, com uma ressalva:

Uma boa bossa que está funcionando no Rio é o “beco das garrafadas”. Todos os seus barzinhos apresentam bons espetáculos de bossa nova: Nara Leão, Odete Lara com Sérgio Mendes no “Baccará” e Consuelo Leandro com o conjunto Bossa Três no “Little Club”. O primeiro é produzido por Aluízio de Oliveira e os dois últimos pela dupla terrível Mieli-Boscoli. É pena que não contem com recursos de som e luz para aperfeiçoar as apresentações.

Bossa Nova & Companhia no local da antiga boate Baccara

Na segunda metade da década de 1950 e primeira metade da de 1960, nas três boates do beco – Little Club, Bottle’s e La Griffe, depois Baccara – começaram a engatinhar grandes nomes da música brasileiras: Elis Regina, Wilson Simonal (o “Frank Sinatra do Beco das Garrafas”), Eliana Pittman, Trio Tamba, Sérgio Mendes, Nara Leão, Quarteto em Cy. No Little Club foi iniciada a grande inimizade entre Elis Regina e Ronaldo Bôscoli, que o milagre do tempo transformou em grande amor, noivado e casamento. Segundo matéria de O Globo de 6/7/92, “o Beco das Garrafas inaugurou a fase profissional da bossa nova. Na década de 60, artistas – muitos na esperança de “dar uma canja” – intelectuais, políticos e pessoas da sociedade disputavam lugar na plateia para assistir aos shows. O período áureo se estendeu até 1964.”

Vitrine da Bossa Nova & Companhia: partituras, métodos, biografias, histórias, songbooks, CDs, DVDs, LPs, bossa nova, samba, choro. Em agosto de 2018 a loja deixou de funcionar.

Com o fim da era da bossa nova, as três casas noturnas entraram em decadência e durante três décadas (70 a 90) funcionaram como inferninhos de strip tease e “putaria” (tinha até uns reservados escurinhos no fundo para transar), a Little Club passando a se chamar Don Juan e a Bottle’s, New Munich. Até que, com o advento do novo século e o declínio desse tipo de casa noturna, o beco reencontrou sua antiga vocação, sendo hoje talvez o único lugar do Rio onde o morador ou visitante pode ouvir um bom show de bossa nova. 

Placas de ruas na Bossa Nova & Companhia que funcionou de 2006 a 2018

A Baccara, na esquina com a Duvivier, metamorfoseou-se na BOSSA NOVA & CIA, uma loja de partituras, métodos, biografias, histórias, songbooks, CDs, DVDs, LPs, bossa nova, samba, choro, tendo até um museuzinho na parte do alto com curiosidades ligadas à bossa nova. A loja funcionou de 2006 a 2018. Quando passei lá em agosto de 2018, a loja estava sendo oferecida para aluguel. Uma lástima.


Placa na entrada da Bossa Nova & Companhia: "Quando ninguém falava em paz, saúde e ecologia, essa já era a plataforma da Bossa Nova. Hoje, quando esses temas estão na pauta das aspirações nacionais, a Bossa Nova voltou a ser a trilha sonora de um Brasil ideal" (Ruy Castro)

22.2.14

HAPPY HOUR NAS AREIAS DE COPACABANA


Com o calor subsaariano inviabilizando as deambulações urbanas nos horários de sol a pino e com o horário de verão (até semana passada) estendendo o dia até vinte horas, nada mais saudável (para quem tem a sorte de morar perto da orla) que uma happy-hour, fim de tarde, caminhando na areia à beira-mar (com direito a banho de mar revigorante). Para o fotógrafo contumaz a oportunidade de enriquecer seu álbum com novas tomadas, menos óbvias, da velha amiga Praia de Copacabana.





23.10.13

ADEUS, CASA DE PEDRA


Foi-se abaixo a "casa de pedra", a última casa sobrevivente na Avenida Atlântica (a penúltima foi a "casa rosa", o antigo consulado da Áustria no Posto 6). Em seu lugar será construído o primeiro hotel seis estrelas do Brasil. O projeto da arquiteta iraniana Zaha Hadid prevê a utilização de pedras da casa demolida na construção nova. Mas em meio ao mar de prédios de Copacabana — colados uns nos outros pois foram erguidos numa época (anos 40, 50) em que o zoneamento urbano ainda não previa áreas livres nos terrenos como em bairros mais modernos, tipo Ipanema — ainda sobrevivem algumas casas antigas, umas poucas tombadas pelo Município,* que você pode ver na postagem UMA HISTÓRIA URBANA & ÚLTIMAS CASAS DE COPACABANA clicando aqui.


"RIO — A demolição levou três dias. E desde esta segunda-feira a última casa da Avenida Atlântica, localizada na esquina com a Rua Santa Clara, já não faz parte da paisagem da Praia de Copacabana. No fim da tarde, a retroescavadeira colocava abaixo as últimas paredes do imóvel, conhecido como a “casa de pedra”. Segundo o comprador, o empresário Omar Peres, dono do restaurante La Fiorentina, a propriedade saiu por R$ 32 milhões — corretores estimam entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões o valor de um imóvel do gênero na orla do bairro. 

— A demolição termina hoje, e vai levar ainda cerca de um mês para o terreno ficar todo limpo, explicou. O hotel vai demorar, no mínimo, dois anos para ficar pronto. Vamos inaugurar antes das Olimpíadas — informou Peres, que tem como sócio no negócio o dono da Avianca, German Efromovich. 

O projeto arquitetônico para o hotel inclui, na entrada, uma parede com pedras da casa, que receberá, do designer Aroeira, imagens de grande nomes do Rio. A ideia, do próprio Peres, foi encampada pela arquiteta, a iraquiana Zaha Hadid. A construção terá 12 andares e cerca de cem apartamentos. 

Sobre o hotel, o empresário garante que o diferencial, além da vista (é claro!) serão os mimos aos clientes, como mordomo bilíngue exclusivo — que pode fazer compras e arrumar o armário, por exemplo —, carro para buscar e levar ao aeroporto, bebidas como bons vinhos e uísque na diária e um spa no terraço. Outro destaque pode vir de um restaurante no local: Peres negocia com o chef Alex Atala, dono do D.O.M., que, assim, traria sua marca para o Rio. 

— No setor hoteleiro, é fundamental que o cliente fique satisfeito — afirma Peres, que já construiu outros dois hotéis no Rio, mas pela primeira vez vai administrar uma unidade." (Matéria de Raphaela Ribas publicada no Globo Rio em 21/10/13)



* As casas de Copacabana tombadas pelo Município: Casa de Villiot (Rua Sá Ferreira, 80) e os casarões na Rua Sá Ferreira, 196, Rua Souza Lima, 171 e Rua Xavier da Silveira, 75.


[ESPAÇO RESERVADO PARA A FOTO DO NOVO HOTEL DAQUI A DOIS ANOS]

1.8.11

COMUNIDADES DO MORRO DOS CABRITOS E DA LADEIRA DOS TABAJARAS (COPACABANA)


Depois que me separei no final dos anos 1990, namorei uma garota que toda noite antes de dormir fumava um cigarro de cânabis. Duas vezes me fez subir a Ladeira dos Tabajaras perto de minha casa para se suprir da erva. Numa das subidas, de repente ouviram-se tiros, a polícia subiu em peso ao morro e tivemos de nos refugiar num bar e aguardar durante horas até que o entrevero terminasse. Com a pacificação, fiquei curioso em conhecer mais de perto esses meus vizinhos, e fiz umas incursões pelas Comunidades do Morro dos Cabritos e da Ladeira dos Tabajaras, agora na santa paz de Deus. Eis algumas fotos das comunidades em si e dos panoramas de que desfrutam. Outras fotos que tirei por lá você encontra no Google Earth.

Morro dos Cabritos visto da Ladeira dos Tabajaras

Alto da Ladeira dos Tabajaras

Rua Euclydes da Rocha (ver mapa acima)

Centro Comunitário do Morro dos Cabritos (esquerda)

Bar Bundinha de Fora

Copacabana em meio aos prédios com o mar no fundo

Copacabana

Descida ao asfalto

21.6.10

FORTE DE COPACABANA: Os 18 do Forte


Nessa época crescia a oposição militar ao presidente da República Epitácio Pessoa. A eleição, em março de 1922, de seu sucessor Artur Bernardes foi considerada inaceitável por grande parte da oficialidade. Por outro lado, a interferência do governo federal na eleição para a presidência de Pernambuco em maio de 1922, utilizando tropas do Exército para favorecer o candidato apoiado por familiares de Epitácio Pessoa, provocou um telegrama de protesto da parte do marechal Hermes da Fonseca, então presidente do Clube Militar. A prisão disciplinar do marechal e o fechamento do Clube Militar, decretados no início de julho, aumentaram a agitação nos meios oposicionistas, particularmente entre os militares. A imprensa de oposição, tendo à frente o Correio da Manhã, concitava abertamente à rebelião.

Articulado com a conspiração que se desenvolvia no seio da oficialidade, Eduardo Gomes, então com 26 anos incompletos, deixou sua unidade no dia 4 de julho e colocou-se à disposição do comandante do Forte de Copacabana, o capitão Euclides Hermes da Fonseca, filho do marechal. Nesse mesmo dia entretanto, foi decidida a substituição deste último pelo capitão José da Silva Barbosa. Ao chegar ao forte em companhia do general Bonifácio da Costa para efetuar a troca de comando, o capitão Silva Barbosa foi com ele preso, por ordem do capitão Euclides, que contava com o apoio do tenente Siqueira Campos.


No dia seguinte, 5 de julho [nome de uma rua em Copacabana], eclodiu o levante do forte de Copacabana, movimento que iniciou o ciclo de revoltas tenentistas da década de 1920. Simultaneamente, rebelaram-se a Escola Militar do Realengo, parte da Vila Militar — elementos do 1º Regimento de Infantaria e do 1º Batalhão de Engenharia — e parte da guarnição do forte do Vigia, no bairro do Leme. Os rebeldes bombardearam vários objetivos militares, entre eles o quartel-general e o Arsenal de Marinha, forçando a transferência do comando militar e do Ministério da Guerra. Entretanto, após breves combates, as forças do governo dominaram a sublevação, controlando todos os focos da rebelião, com a exceção do forte de Copacabana. Diante desse quadro, que lhe foi exposto pelo ministro da Guerra João Pandiá Calógeras, o capitão Euclides Hermes da Fonseca franqueou a saída aos combatentes que desejassem abandonar o forte, o que foi feito por cerca de 270 dos trezentos homens que compunham a guarnição.

No dia 6 os combates prosseguiram e, quando Euclides deixou o forte para parlamentar com o ministro Calógeras, foi preso por ordem de Epitácio Pessoa. Prevendo essa possibilidade, Euclides havia instruído seu substituto no comando do forte, o tenente Siqueira Campos, no sentido de que bombardeasse a cidade caso ele não voltasse dentro de duas horas. O próprio Euclides, uma vez preso, fez gestões junto a Siqueira Campos no sentido de que a ameaça não fosse cumprida, mas quando Siqueira foi informado de que Epitácio Pessoa exigia a rendição incondicional, rompeu as negociações. Epitácio ordenou então que o forte fosse cercado por terra, mar e ar.


Contrapondo-se à sugestão de Siqueira Campos de que fosse explodido o paiol de pólvora do forte, Eduardo Gomes propôs a saída dos rebeldes para a rua e o combate corpo a corpo com as forças do governo, o que foi aceito. Siqueira Campos dividiu então em 28 pedaços a bandeira nacional, entregando um a cada revoltoso e guardando consigo o destinado a Euclides. Munidos de fuzis e revólveres, os rebeldes marcharam pela praia de Copacabana, recebendo no caminho a adesão de um civil, Otávio Correia, a quem foi entregue armamento e o pedaço da bandeira separado para Euclides. Liderado pelos tenentes Siqueira Campos, Eduardo Gomes, Mário Carpenter e Newton Prado, o grupo enfrentou as tropas do 2º Batalhão do 3º Regimento de Infantaria durante aproximadamente uma hora e 15 minutos. Desse combate resultaram dois oficiais mortos, Mário Carpenter e Newton Prado, além do civil Otávio Correia. Saíram feridos, entre outros, Siqueira Campos e Eduardo Gomes, este com fratura exposta do fêmur esquerdo.

O episódio, louvado em prosa e verso pelos jornais da época, passaria à história com o nome de “Os 18 do Forte”, título do poema de autor desconhecido publicado no Correio da Manhã em setembro de 1923. Na ocasião, o jornal publicou também uma fotografia do grupo marchando em linha, na qual não aparecia Siqueira Campos, que havia avançado, distanciando-se dos demais. Segundo Eduardo Gomes, Siqueira Campos lhe dissera haver identificado dez combatentes naquela foto. Na verdade, o contingente de 27 homens que havia permanecido no forte não participou da marcha em sua totalidade, pois alguns não chegaram a sair para a rua, enquanto outros abandonaram o grupo durante a caminhada. Assim, participaram dos enfrentamentos finais cerca de 11 combatentes, e não 18 como registra a história. Anos mais tarde, porém, durante uma homenagem aos 18 do Forte, Eduardo Gomes afirmaria haverem sido 13 os combatentes.


Dias depois dos combates, Epitácio Pessoa visitou os feridos no hospital, indagando a Eduardo Gomes, cujo pai era seu conhecido, as razões que o haviam levado a participar da revolta. Na ocasião, o tenente respondeu-lhe que não se arrependia de seus atos. Essa mesma postura foi mantida por Eduardo Gomes no seu julgamento, quando, assistido por Nilo Peçanha, sustentou o depoimento do inquérito policial e assumiu plena responsabilidade pela atitude tomada. 

Em novembro de 1922 Artur Bernardes tomou posse na presidência da República. No ano seguinte, por efeito de um habeas-corpus, Eduardo Gomes esteve algum tempo em liberdade, empenhando-se então na defesa dos cadetes expulsos da Escola Militar. Após quase dez meses de sumário, em dezembro de 1923 os revoltosos foram pronunciados como incursos no artigo 107 do Código Penal, acusados de tentativa de mudança de forma de governo através da violência (mais tarde essa decisão seria reformulada pelo Supremo Tribunal Federal, sendo os indiciados pronunciados no artigo 111 do Código Penal). No Natal de 1923, dois dias antes que sua prisão fosse decretada, Eduardo Gomes fugiu para Mato Grosso. Com o pseudônimo de Eugênio Guimarães refugiou-se na fazenda Taquaraçu, pertencente à família do marechal Bento Ribeiro, no município de Três Lagoas, e aí passou a trabalhar como mestre-escola. 

(Texto extraído da biografia de Eduardo Gomes no site do CDDOC da FGV. Fotos do editor do blog. Para mais informações sobre o Forte, endereço, horário, preço, mapa da área etc. consulte o GUIA DO RIO, seu guia carioca simples, prático e grátis, neste mesmo blog. Basta clicar na guia FORTE DE COPACABANA, lá em cima, no cabeçalho do blog.)


1.2.10

POEMAS DE COPACABANA

PoemasDeCopacabana1

COPACABANA
Geir Campos

dormes
            entre teus sustos
                                        relaxada
imagem do meu tudo
                                    e do meu nada

teu fundo respirar contemplo
                                                 é onde
a vida se pergunta
                              e se responde

enquanto dormes
                             por teu sono vela

trazida de uma ilhota peruana
      e aqui no exílio da sua capela

      nossa senhora de copacabana

PoemasDeCopacabana2

COPACABANA
Vinicius de Moraes

Esta é Copacabana — ampla laguna
Curva e horizonte, arco de amor vibrando
Suas flechas de luz contra o infinito.
Aqui meus olhos desnudaram estrelas
Aqui meus braços discursaram a lua
Desabrochavam feras dos meus passos
Nas florestas de dor que percorriam.
Copacabana, praia de memórias!
Quantos êxtases, quantas madrugadas
Em teu colo marítimo! Esta é a areia
Que tanto enlameei com minhas lágrimas.
Aquele é o bar maldito. Não estás vendo
Aquele escuro ali? É um obelisco
De treva: cone erguido pela noite
Para marcar por toda a eternidade
O lugar onde o poeta foi perjuro.
Ali tombei, ali beijei-te ansiado
Como se a vida fosse terminar
Naquele louco embate. Ali cantei
À lua branca, cheio de bebida
Ali menti, ali me ciliciei
Para gozo da aurora pervertida.

PoemasDeCopacabana3

Sobre o banco de pedra que ali tens
Nasceu uma canção. Ali fui mártir
Fui réprobo, fui bárbaro, fui santo
Aqui encontrarás minhas pegadas
E pedaços de mim por cada canto.
Numa gota de sangue numa pedra
Ali estou eu. Num grito de socorro
Entreouvido na noite, ali estou eu.
No eco longínquo e áspero do morro
Ali estou eu. Tu vês essa estrutura
De apartamentos como uma colmeia
Gigantesca? Em muitos penetrei
Tendo a guiar-me apenas o perfume
De um corpo de mulher a palpitar
Como uma flor carnívora na treva.
Copacabana! ah, cidadela forte
Desta minha paixão! a velha lua
Ficava no seu nicho me assistindo
Beber e eu muita vez a vi luzindo
No meu copo de uísque, branca e pura
A destilar tristeza e poesia...
Copacabana! réstia de edifícios
Cujos nomes dão nome ao sentimento!...
Foi no Leme que vi nascer o vento
Certa manhã, na praia. Uma mulher
Toda de negro no horizonte extremo
Entre muitos fantasmas me esperava
A moça dos antúrios, deslembrada
A senhora dos círios, cuja alcova
O piscar do farol iluminava
Como a marcar o pulso da paixão
Morrendo intermitentemente. E ainda
Um brilhar de punhal, um riso acústico
Que não morreu. Ou certa porta aberta
Para a infelicidade: inesquecível
Frincha de luz a separar-me apenas
Do irremediável. Ou o abismo embaixo
Aberto, elástico, e o meu ser disperso
No espaço em torno, e o vento me chamando
Me convidando a voar... (Ah, muitas mortes
Morri entre essas máquinas erguidas
Contra o tempo!) Ou também o desespero
De andar, como um metrônomo, para lá
E para cá, marcando o passo do impossível
À espera do segredo, do milagre
Da poesia.

PoemasDeCopacabana4

Tu, Copacabana,
Mais que nenhuma outra foste a arena
Onde o poeta lutou contra o invisível
E onde encontrou enfim sua poesia
Talvez pequena, mas suficiente
Para justificar uma existência
Que sem ela seria incompreensível.

PoemasDeCopacabana5

POEMA DE COPACABANA
Nertan Macedo

(Mas há quem vele porque te ama,
Praia de cinza, violentada).
Copacabana de madrugada,
Abandonada a um mar cinzento;
Copacabana de madrugada
Exala um ar de indiferença.
Porque só nós estamos vendo
Copacabana abandonada,
Copacabana de madrugada:
Cinza espalhada num mar de cinza,
Cinza espalhada num mar de bruma,
Cinza cobrindo arranha-céus...
Copacabana está sozinha,
Violentada, prostituída,
Quem nesta hora te conhece
Sem riso, nua como uma noiva,
Lívida, triste, despenteada?
Vingo momentos de vã pureza,
Teu sol dourado, teu corpo branco,
Tuas manhãs mistificadas.
Copacabana de madrugada -
Tristeza, bruma, álgidos ventos... -
(Mas há quem vele porque te ama,
Praia de cinza, violentada).

PoemasDeCopacabana6

COPACABANA
Igor Fagundes

como se caminhasse rumo ao Leme
e viesse o sol pousar ao fim da tarde
na mochila, rumo à sede de entregá-lo
a algum poente que não fosse só miragem

aqui, onde há saudade em cada grão de areia
sobre os pés e a chamam dentro: maresia
de um menino cuja sombra traz o atlântico
de teu corpo – luz maior do que a avenida

aí, onde o verde dos olhos dita o trânsito
e um vento avança pelos lábios, sem buzinas
sem faróis, pois não há noite em céus da boca
e feito asfalto, é nossa pele a travessia

aqui, onde nas mãos terás copacabanas:
um forte ao fundo, a vista curva da varanda
a multidão em nós, teus fogos de artifício
o arpoador além do olhar, tramando abismos

como se nos bastássemos de morros, túneis
da Tonelero ao Rebouças, da Isabel ao Cantagalo
da tua voz ao meu chamado, este destino:
mochila aberta, entrego o sol ao teu caminho

PoemasDeCopacabana7

COPACABANA
Fernando Py

Mineral de tão ausência
paisagem retorno - areia
na palma da mão em concha
de onde escorre toda a infância
presa na praia perene
entre gritos e buzinas
e opressão de edifícios
sumida em crateras de asfalto

          desculpe o transtorno
         
estamos instalando o cérebro eletrônico

arrepio de tão moderno
castelos outrora
deserto de amor em selva maquinária
de onde escorre saliva de betume
cravo em cruz na crosta condenada
entre pés e pés — passeio destroço
no rio preto sempre interrupto e plão

          DESCULPE O TRANSTORNO
          ESTAMOS INSTALANDO
          O CÉREBRO ELETRôNICO

choque de dois habitando o mesmo corpo
épocas longes visitando a memória
mastro emergindo na onda primitiva
avião
brinquedo e criança na praia soterrados

          desculpe o transtorno

gravata e barba inúteis se acrescentam

PoemasDeCopacabana8

ao passado nos olhos
que água veem — colunas desabando
aos pés cuja nudez na areia se agasalha
e espuma nas mãos um pingo lasso
cola-se à pele — comunhão discreta

          estamos instalando o cérebro eletrônico

edifício em ruínas — sempre dois
brigando no corpo
presença do ontem nos gestos e na roupa
ciência maior e menos entregar-se
praia distante embora aqui
edifício em construção

                    crise
do ontem no hoje se expandindo

          desculpe o

as mesmas ondas onde? a pele primavera
onde? riso bebido em laranjada onde?
onde a lembrança mínima da praia?

          transtorno

caramujo inaudível ânfora da tarde
e a noite se avizinha apascentando

          estamos instalando

fios de essência ligam-se à medula
colorindo o princípio do velho
Copacabana pérola
          infinito
matemática

          o cérebro eletrônico

pesquisando a justeza das crateras
onde mais que todos mineral
isento de pureza e acalanto
o maduro obriga a infância a destruir-se.

PoemasDeCopacabana9

LUAR SOBRE COPACABANA
Celso Japiassu

Névoa e gás envolvem a lua,
paredes e muros de Copacabana.
Reflexos imitam a lua, deságuam
nas línguas negras,
são estranhos animais.

Invisível-indivisível, o corpo
anda: corpos velhos sob a lua.
Os velhos passam, não são vistos.
São peixes transparentes contra a água
de outros corpos na rua.

Entre o mar e os edifícios
o areal rompe as ondas,
suja os olhos e a boca,
constrói no ar seu roteiro.
Deixa traços no caminho.

Uma noite sem mistério
ou sonho. Um homem senta-se ao bar,
aspira o hálito do tempo,
bebe ao futuro. As horas,
uma a uma, desperdiçam seus sinais.

O movimento dos vultos,
cães silenciosos, homens apagados
misturados ao trânsito da noite.
O tempo espelha sua lâmina
no refluxo das águas.

O sereno, as sombras e o silêncio
juntam-se nas esquinas das ruas
e avenidas do Leme ao Posto Seis.
Transitam além dos olhos, na alma
que não consegue adormecer.

Há um território do sono
explorado pelo mar e seus ruídos,
habitação do medo, onde fantasmas
balbuciam sortilégios e os mortos
são aves recolhidas pelo vento.

PoemasDeCopacabana10
baconacapa
Cairo de Assis Trindade
(do livro Poezya que porra é essa?)

depois que eu descobri copacabana
esqueci a sonhada ida à grécia
o pôr de sol do sul na primavera
e o meu encanto por viver cigano

depois que eu conheci copacabana
desisti de ir pra lá de bagdah
pra paris ou qualquer outro lugar
mesmo que mais sagrado ou mais sacana

depois que mergulhei em suas águas
e me afoguei em sua noite insana
jamais voltei a ser o mesmo cairo

se me perdi nesta babel humana
quero morrer aqui em minha praia
e ir surfar no céu de copacabana

Fotos da Praia de Copacabana (em diferentes dias e horários) tiradas pelo editor do blog. Mas nem sempre o mar está calminho como nessas fotos; temos dias de mar nervoso também. Para ver nossas outras postagens sobre esse bairro carioca clique no marcador “Copacabana” abaixo.

16.5.08

COPACABANA



Textos do Guia Michelin, Vinicius de Moraes, José Carlos de Oliveira, Sérgio Sant'Anna e Antônio Torres
Fotos de Ivo & Mi (exceto a foto do obelisco comemorativo da inauguração da Avenida Atlântica acima, da década de 1920)

Tu, Copacabana,
Mais que nenhuma outra foste a arena
Onde o poeta lutou contra o invisível
E onde encontrou enfim sua poesia
Talvez pequena, mas suficiente
Para justificar uma existência


Que sem ela seria incompreensível.

(Vinicius de Moraes)



Nossa Senhora de Copacabana
(réplica da imagem boliviana, no museu do Forte de Copacabana)

Em meados do século XVII, a área, que englobava também Ipanema e a Lagoa, era conhecida pelos índios como Sacopenapan, formada por um extenso areal, cercado por verdes montanhas, alagadiços e brejos, coberto por palmeiras, cactos, bromélias, pitangueiras, araçazeiros e cajueiros. Apenas se registravam a presença de humildes pescadores, de postos militares estratégicos para a defesa da cidade, situados nas extremidades da praia, e a Igrejinha de Nossa Senhora de Copacabana, que deu origem ao nome do bairro.

A história da devoção a Nossa Senhora de Copacabana, cuja imagem representa Nossa Senhora da Candelária, começou nas antigas colônias espanholas, mais precisamente na região atual da Bolívia, numa aldeia chamada Copacabana, às margens do Lago Titicaca. Em vista da fama milagrosa da virgem, comerciantes peruanos, bolivianos e portugueses teriam trazido para cá, no século XVII, uma cópia da imagem primitiva. Não se sabe ao certo a data da construção da capela no promontório rochoso que separa a Praia de Copacabana da Praia de Ipanema; contudo, em 1746, foi construída, no mesmo local, uma igreja maior, fruto do agradecimento do Bispo D. Antonio do Desterro, por uma graça recebida durante uma terrível viagem. No início do século XX, a antiga Igrejinha de Nossa Senhora de Copacabana foi destruída para dar lugar ao Forte de Copacabana. (Extraído do Guia Michelin do Rio de Janeiro.)


Casarão em estilo alemão, no início da Rua Santa Clara, que pertenceu a Pedro Calmon (a escadaria à esquerda dá acesso à Favela do Morro dos Cabritos)

Durante todo o século XIX os acessos à região eram nada convidativos: um caminho que partia da Rua Real Grandeza, em Botafogo, cruzava o Morro da Saudade e descia pela atual Ladeira dos Tabajaras; uma trilha pela atual Ladeira do Leme; ou ainda a possibilidade de contornar a Lagoa e o litoral de Ipanema e do Arpoador. Somente nos últimos anos do século XIX a primeira linha de bondes, com tração animal, chegou à praia, depois de aberto o Túnel Velho (1892), ligando Botafogo a Copacabana, e viabilizando o início da ocupação do bairro. Pouco tempo depois, o prefeito Pereira Passos, responsável por uma política de modernização e higienização da capital da República, trouxe à área benefícios, como o Túnel Novo, a Avenida Atlântica e a eletrificação dos bondes.

As poucas e simples construções, do início do século XX, logo foram substituídas por suntuosos palacetes, que, de estilo eclético, representavam o que de mais moderno existia [pouquíssimos sobrevivem em meio aos prédios – ver fotos nesta postagem]. Com a inauguração do Hotel Copacabana Palace, em 1923, a fama do bairro espalhou-se rapidamente e o seu crescimento, em ritmo acelerado, passou a ficar marcado pela presença dos então chamados “arranha-céus”, que variavam de 4 a 12 andares. [...] Após os anos 50, o bairro perderia seu ar aristocrático pela multiplicação dos grandes prédios de pequenos apartamentos, os chamados "conjugados". (Extraído do Guia Michelin do Rio de Janeiro.)


A bandeira brasileira


Hotel Copacabana Palace


Árvore e prédio


Grafites


Mais grafites


O trânsito


Os prédios e o verde


O Cristo visto da praia

Nisto, entramos numa rua de Copacabana e ele mandou parar. Pagou e descemos. Abriu a porta de um prédio e entramos. Subimos ao sétimo andar. Abriu uma porta e entramos. Acendeu a luz e fechou a porta com a chave e um trinco. Enfiou a chave no bolso da calça. Dei logo uma geral no ambiente. Que diferença do barraco lá do morro! Era um verdadeiro apê, todo mobiliado. Sentamos numa poltrona, e aí ele tirou os óculos, guardou no bolsinho do paletó, olhou bem para mim e disse: “Agora olha a minha boca”. Quando arreganhou os beiços, vi dois dentes de outro brilhando na frente, do lado de cima. “Que tal?” Eu disse que tava legal...

(José Carlos de Oliveira, Terror e Êxtase)


E la nave va...


Carlos Drummond de Andrade


Quiosque


"As Garotas de Copacabana"


Estátua viva


Escultura de areia

Copacabana é um bairro surpreendente. Você está no meio daquela zona toda e, de repente, vira uma quebrada à direita, sobe uma ladeira, e logo a paisagem mudou.

Do lado esquerdo da rua, havia os prédios de sempre, mas do lado direito era puro mato, uma pequena floresta num morro. Era ali em frente que Miss Simpson morava.

Não foi preciso nem representar: eu era mesmo um tímido em pânico, apertando a campainha do 501 com meu livrinho de inglês debaixo do braço. E se tudo não passasse de um trote do pessoal?

Fui recebido por um sorriso luminoso e puxado pelo braço até uma varanda com vista para aquela floresta tropical. Estaria num sonho outra vez? Ouvia-se o trinar dos mais variados espécimes de pássaros, o cantar das cigarras, o zumbir de outros insetos, o guinchar dos...

—Monkeys, little monkeys — esclareceu Miss Simpson...


(Sérgio Sant'Anna, A Senhorita Simpson)


Vendedor de castanhas de caju


Pessoas passeando no calçadão e na pista da Avenida Atlântica junto à praia, interditada aos carros nos domingos e feriados



Contraste: Favela Pavão Pavãozinho vista da Rua Raul Pompeia


Crianças brincam no Forte de Copacabana (observe a favela Pavão-Pavãozinho atrás dos prédios)

Copacabana, eu te amo mesmo assim. Você me adormece com os embalos do baile no morro e me desperta ao som das suas rajadas de balas.

De vez em quando soltam foguetes no morro ao pé da minha cama, no meio da noite, para avisar que a cocaína já chegou. Digo: a mercadoria, a encomenda. Por favor, não tive nenhuma intenção de te delatar. Não sou nenhum alcagüete, sabia? Francamente, detesto o barulho dos helicópteros nos meus ouvidos. Sei que é a polícia tentando participar da tua festa, para pegar um brilho.

Mas você é muito espalhafatosa, querida. Exibida demais.

Estilhaços sobre Copacabana. Copacabana me engana. Mas eu sou um superbacana. Moro em Copacabana.

De minha janela não vejo o Corcovado e o Redentor, que lindo.
(Antônio Torres, Um Táxi para Viena d'Áustria)


Copacabana pós-moderna


Tonelero com Figueiredo de Magalhães


Idem


Av. Nossa Senhora de Copacabana


Praia de Copacabana (foto tirada, em dia de mar calminho, no Posto 6)


Praia cheia num dia de sol


Entardecer na praia


A praia (com o Pão de Açúcar no fundo) vista da Colônia de Pescadores no Posto 6


A praça, os ipês floridos, os prédios (Bairro Peixoto)


Casarão na Rua Sousa Lima (por quanto tempo ainda ficará de pé?)


Outro casarão, na esquina da Rua Cinco de Julho com Dias da Rocha (quem é observador ainda encontra vários casarões em meio aos prédios de Copacabana)


A Help, grande templo do turismo sexual, está com os dias contados


Surfo, logo existo


Homenagem ao frescobol: "Esporte inventado no Brasil nos anos 50, entre os postos 4 e 6, único esporte com espírito esportivo, sem disputa formal, vencidos ou vencedores" (Millôr Fernandes)



Minha rua

Postagem originalmente publicada em março de 2007 agora acrescida de fotos novas e de trecho do poema Copacabana de Vinicius. Saiba tudo que rola por Copacabana visitando o blog Avenida Copacabana, do meu amigo Jôka, e o site Copacabana.com