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Sem dúvida um dos personagens mais intrigantes do início do império brasileiro foi Francisco Gomes da Silva. Mas não foi pelo seu nome de batismo que ele entraria para a História do Brasil e sim por seu apelido, que significa, entre outras coisas, “gracejo de mau gosto, insolente, pilhéria, troça e zombaria”.
Pois o Chalaça, português que veio para o Brasil junto com a Corte de D. João VI, era isso mesmo, um homem de muitos gracejos, piadas grosseiras, brincadeiras e farras, principalmente as farras, com as quais fazia companhia a D. Pedro I, o primeiro imperador brasileiro, que adorava a noite, a bebida, a música e as mulheres, enfim, um autêntico boêmio.
Mas o Chalaça não foi apenas um brincalhão. Foi um grande articulador político, pena que no terreno dos conchavos e das intrigas, principalmente junto à famosa amante de Pedro I, Domitila de Castro Canto e Melo, a Marquesa de Santos, intrigas estas que culminaram no afastamento do ministro José Bonifácio de Andrada e Silva do governo e atingiriam a própria imperatriz Leopoldina, isolada cada vez mais no seu palácio. O Chalaça ganharia sempre cargos de importância na Corte, obtendo títulos honoríficos e grande fortuna, e morreria em Lisboa em 1852 depois de ter escrito três livros e sempre estando perto do poder.
A casa onde o Chalaça morou, na atual rua General Canabarro, no Maracanã, bairro da zona norte do Rio, é hoje o Espaço Cultural Laguna, mesmo nome do palacete e homenagem à Retirada da Laguna, importante acontecimento da guerra do Paraguai. A casa, que ficava bem perto do Palácio da Quinta da Boa Vista, residência de d. Pedro I, tem 17 aposentos e está numa área de 3.600 metros quadrados. A residência abriga um túnel que, segundo reza a lenda, seria o local de fuga do imperador para seus encontros amorosos. Nem é preciso dizer que o palácio era o local preferido do Chalaça para suas intrigas de poder. Mais tarde, ali seriam realizadas reuniões importantes do Clube da Maioridade, que lutou e conseguiu antecipar a subida ao poder de Pedro II em 1840, com apenas 14 anos.
Após a proclamação da República, em 1889, o Exército ocupou a antiga casa do Chalaça, que abrigou ali várias organizações militares, até mesmo por causa do amplo espaço não só da casa como do terreno. Em 1944, foi restaurado pelo ministro da Guerra de Getúlio Vargas e futuro presidente da República, Eurico Gaspar Dutra, passando a ser a residência oficial dos ministros do Exército, sendo o próprio Dutra o seu primeiro morador. Hoje o local [Rua General Canabarro 731 - Maracanã] abriga uma biblioteca e está sempre sendo utilizado para eventos culturais [aberto ao público de segunda a quinta das 10h ao meio-dia e das 13h30m às 16h30m, e às sextas, das 10h ao meio-dia].