11.6.08

IMAGENS DO RIO ANTIGO

EDUARDO CAMÕES

Se existe algo que se aproxima da máquina do tempo, é a arte de Eduardo Camões, que reconstitui um Rio de Janeiro que já não existe mais. Na Introdução ao belo livro de Camões Rio Antigo — Old Rio, Ivan Horácio Costa conta como foi que o pintor (que fizera incursões pelas marinhas, pelo hiper-realismo etc.) resolveu dedicar-se ao tema do Rio de outrora: "Em uma livraria de Brasília, tipo ‘sebo’, descobre alguns livros antigos sobre o Rio de Janeiro e, estranhamente, sente saudades, não só do mar e nem só do Rio, mas de toda uma nostálgica época passada que lhe parece inteiramente familiar! Toma, então, a resolução de voltar para o Rio e registrar, através de sua pintura, as imagens que seus bisavós, avós e pais haviam conhecido..."

Conheça melhor esse notável retratista do Rio Antigo visitando o seu site.


Aqueduto da Carioca em 1875


Ipanema, Leblon e Lagoa em 1904


Rua Jardim Botânico em 1880


Lagoa em 1871


Enseada de Botafogo em 1820


AUGUSTO MALTA

Augusto César Malta de Campos (1864-1957) foi fotógrafo oficial da Prefeitura do então Distrito Federal, nomeado por Pereira Passos.

De 1903 a 1936, documentou um período de notáveis transformações urbanísticas e arquitetônicas na cidade, acompanhando as grandes remodelações do Rio de Janeiro de seu tempo, como o desmonte do Morro do Castelo, a abertura da Av. Central, a Exposição Nacional de 1908 e a Exposição Internacional de 1922, em comemoração ao Centenário da Independência do Brasil.

Malta também registrou a execução e a inauguração de obras públicas, monumentos, prédios históricos, carnavais antigos, os corsos e as batalhas de flores, flagrantes do momento, o surgimento das favelas, notícias e acontecimentos da época, em obra de inestimável valor histórico para a preservação da memória da cidade.
(Texto obtido no site do Museu da Imagem e do Som. Uma dica: para ler a matéria da Veja-Rio de 20/5/09 sobre o livro Augusto Malta e o Rio de Janeiro clique aqui.)


Aqueduto da Carioca


Bairro da Glória. Observe o relógio da Glória, estátua de Pedro Álvares Cabral, chaminé da City (esquerda), Igreja da Glória e o Pão de Açúcar ao fundo.


Morro do Castelo, já demolido
(no seu lugar estende-se a Esplanada do Castelo, repleta de prédios)


Vista aérea em 1906.


Trecho da rua dos Ourives (atual Miguel Couto) entre a rua da Alfândega e do Hospício (atual Buenos Aires).


Avenida Rio Branco.


Quiosque na rua Frei Caneca (1906).


Avenida Delfim Moreira (Praia do Leblon) em 1919.


MARC FERREZ

Marc Ferrez nasceu no Rio de Janeiro em 1843, apenas quatro anos após a fotografia ser inventada oficialmente por Louis Daguerre, na França. No início da década de 1860 começou a fotografar. Em 1867, abriu seu próprio estabelecimento, no Rio. Em 1870, se tornou fotógrafo da Marinha Imperial.

A produção de Ferrez se torna histórica e mais intensa a partir de 1875, quando passa a trabalhar na Comissão Geológica do Império, o que o leva a viajar pelo Brasil. Ferrez constitui a partir daí o acervo mais rico de imagens do Brasil, sem paralelo com outros fotógrafos.
(Eder Chiodetto, Folha de São Paulo de 13/11/2006.)


Aqueduto da Carioca transformado em viaduto para bondes, foto de 1896


Botafogo na década de 1870 (observe o Corcovado ao fundo, sem o Cristo!)


Escola Militar da Praia Vermelha e Pão de Açúcar
(sem o bondinho!) em torno de 1885


Real Gabinete Português de Leitura (existente até hoje) em 1895 com o bonde puxado a burro em frente



Largo do Humaitá em 1895 (hoje cheio de prédios)


Igreja da Ordem Terceira de N. S. do Carmo na atual Praça XV (foto de 1870); ao lado a Igreja de N. S. do Carmo da Antiga Sé ainda sem a torre alta acrescida em 1905 e mais ao fundo o Convento do Carmo.


FAMÍLIA FERREZ

Ícone da fotografia nacional, Marc Ferrez (1843-1923) deixou um legado de belíssimos retratos do Brasil. Sua obra foi continuada pelos filhos Luciano (1884-1955) e Júlio (1881-1946) e pelo neto Gilberto (1908-2000), numa produção que resultou em 8 000 negativos doados pela família ao Arquivo Nacional. Parte desse patrimônio foi exposto no Centro Cultural Banco do Brasil no início de 2008. As fotos a seguir foram dessa exposição.


Luciano Ferrez: Ressaca na Praia da Glória (praia esta que, com o Aterro do Flamengo, deixou de existir)


Luciano Ferrez: Praia de Ipanema em 1945


Luciano Ferrez: Lapa vista do Morro de Santo Antônio


Luciano Ferrez: Cinelândia (observe o Palácio Monroe ao fundo)


Júlio Ferrez: Pedra do Arpoador em 1918


Júlio Ferrez: Desmonte do Morro do Castelo. Observe a Igreja de Santa Luzia, que existe até hoje, mas longe, bem longe do mar!


GEORGES LEUZINGER

Durante a década de 1860, este suíço radicado na capital do Império desde 1832 realizou um trabalho sistemático de documentação fotográfica do Rio de Janeiro. Incluindo cenas urbanas, vistas de Niterói, da Serra dos Órgãos e de Teresópolis, suas paisagens e panoramas surgiam apenas duas décadas depois da invenção da daguerreotipia — fazendo do artista não apenas um dos pioneiros dessa atividade no Brasil, ao lado de Augusto Stahl, Revert Henry Klumb e, mais tarde, Marc Ferrez, mas um de seus grandes inovadores no século XIX. (Texto extraído do folheto da exposição "Georges Leuzinger: Um pioneiro do século XIX".)


Chafariz do Mestre Valentim e (ao fundo, da esquerda para a direita) Convento do Carmo, Igreja de N. S. do Carmo e Igreja de N.S. do Carmo da Antiga Sé, ainda existentes na atual Praça 15 de Novembro


Lagoa Rodrigo de Freitas e (ao fundo, da esquerda para a direita) Morro Dois Irmãos, Pedra da Gávea e outras montanhas, em torno de 1866


Dedo de Deus, Teresópolis


Igreja de Santa Luzia, Rio de Janeiro, em torno de 1865 (atualmente situada na Avenida Presidente Antônio Carlos, a igreja ficou distante do mar)

Clique nos marcadores abaixo para conhecer outras postagens deste blog sobre o Rio de outrora. Dicas: na Veja-Rio de 4/3/09 você encontrará uma bela matéria sobre o acervo de fotos do Rio Antigo do Instituto Moreira Salles. Para ir até lá, clique aqui.

16 comentários:

Jôka P. disse...

Sou fã do artista Eduardo Camões !
Abç !

Léa Madureira G. Lima disse...

Oi, Ivo!
Que belo vôo sobre o tempo e a cidade! São pinturas? São poemas? Capricho, certamente, de algum artista... Nem parecem fotos! Existe mesmo esta cidade ou é efeito de encantamento, certo modo do olhar? Rssss...
A nostalgia nos faz esquecer um pouco a "urbi-caos". E, mesmo reféns da violência, "ouvimos" o caminho, abençoando os passos!
Bjcs, Léa

Siomara de Cássia Miranda disse...

Prezado Professor Ivo!APós ver seu blog,eu estava passando perto da Igreja de Santa LUzia,e,por alguns momentos me transportei para o seu blog novamente;assim sendo,pensei mais uma vez,como o seu blog é M A R A V I L H O S O!!!
Sucesso sempre!!!
Siomara de Cássia Miranda

Sther Boechat disse...

Pôxa, nem sei o que dizer!
Vim procurar um barzinho no google e achei um tesouro! Viva a net!
Viajei com seu blog, suas fotos, poemas, vixe! Tô acabrunhada até agora...deleitei-me aqui enste espaço de viajar além do que possa ver...
Parabéns e Feliz Natal!
Sther Boechat

Marcela disse...

Belíssimas imagens! Para pessoas como eu, que circulam diariamente pelo centro do Rio, dá uma sensação diferente ver como foram um dia os pontos onde a 'modernidade' passou e tudo demoliu...
Há algum tempo procurava uma fotografia da Igreja de Santa Luzia antes do aterramento, e essa do Georges Leuzinger tem exatamente o ângulo que eu desejava ver!

Vida longa a esse bonito trabalho de mostrar as coisas boas do Rio...
Beijos,

Anônimo disse...

Como protuguesa não conheço o Rio´as fotos contudo são muito belas. Um pedido ainda :será que encontra fotografias da Exposição Internacional do Centenário da Independencia? o Rio devia estar um espetáculo!!! Gostei do seu blog. É para continuar não? Um abraço Carmen

Anônimo disse...

Um carioca desde 26 anos na Austria, um meio austríaco criado no Rio... Obrigado por este blog maravilhoso! Voce conseguiu transportar-me de novo para o Rio. Este teu blog é uma linda declaracao de amor à nossa cidade! Keep going! Ricardo Leitner

Marcos disse...

Como é gratificante encontrar fotos do Brasil antigo. Estava procurando fotos antigas de minha Fortaleza(CE)e encontrei esta maravilha. Como é triste ver nossa bela cidade do Rio de Janeiro tão diferente em relaçao ao passado. Como seria bom se pudéssemos apagar o Rio atual e voltar a destas fotos do passado.
Parabéns pelo trabalho.
Marcos
Fortaleza-Ceara

adelaide amorim disse...

É sempre um passeio delicioso vir até aqui e ver o Rio em suas fotos históricas. Um grande abraço.

clara valinho disse...

Como eu gostaria de ter vivido ensta época...

maria cecilia disse...

Navegando por caso pela net em busca de fotos do Rio Antigo deparei-me com este blog.Surpresa minha encontrar uma foto do desterro do morro de Santo Antônio onde meu avô e seus irmãos vindos de Portugal participaram nesse desterro.Meu avô retornou a terrinha e anos mais tarde meu pai foi para o Rio. Sou carioca mas atualmente vivo em Portugal e é sempre agradável ver o Rio de Janeiro em esplendor independente de épocas...o Rio foi, é e sempre será uma cidade linda e abençoada por Deus...Obrigada por estas postagens tão lindas e cheias de história

ariete regina disse...

Sou amante incontestyável da cidade do Rio de Janeiro , no entanto você me superou em dedicação e carinho com ela.
Sua obra é deslumbrante.

Ariete Regina
(carioca há 66 anos)

Duda disse...

Parabéns!!!! Adorei as fotos...! :)

Anônimo disse...

Blealsirl

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valeuapena disse...

Obrigado por poder rever um Rio antigo, e
ter convivído em alguns dos lugares exibidos em fotos. Muito bom, afinal REVIVER É VIVER.

valeuapena disse...

\Valeu a pena, passar algum tempo relembrando ou vendo partes do nosso RIO. oBRIGADO Wan...