ENSEADA DE BOTAFOGO

ENSEADA DE BOTAFOGO
"Andar pelo Rio, seja com chuva ou sol abrasador, é sempre um prazer. Observar os recantos quase que escondidos é uma experiência indescritível, principalmente se tratando de uma grande cidade. Conheço várias do Brasil, mas nenhuma tem tanta beleza e tantos segredos a se revelarem a cada esquina com tanta história pra contar através da poesia das ruas!" (Charles Stone)

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA
São Paulo, até 1910 era uma província tocada a burros. Os barões do café tinham seus casarões e o resto era pouco mais que uma grande vila. Em pouco mais de 100 anos passou a ser a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo. É pouco tempo. O século XX, para São Paulo, foi o mais veloz e o mais audaz.” (Jane Darckê Avelar)

22.11.10

IGREJAS HISTÓRICAS DO CENTRO DO RIO (Parte 2.1): IGREJA DE NOSSA SENHORA DO BONSUCESSO

Rua Santa Luzia, 206

Vista da Santa Casa da Misericórdia e da Igreja de Nossa Senhora de Bonsucesso, Thomas Ender, 1817-18

A igreja situa-se ao sopé da ladeira da Misericórdia, caminho íngreme pelo qual se subia até alcançar o Castelo propriamente dito, local onde se encontrava a igreja e o Colégio dos Jesuitas. Após o desmonte, o trecho da ladeira ainda existente é o único remanescente do Morro do Castelo, um dos mais importantes lugares da história do Rio de Janeiro.

A igreja faz parte do amplo conjunto arquitetônico da Santa Casa da Misericórdia. A devoção à N.S. do Bonsucesso surgiu com a vinda de uma estátua da Virgem, trazida de Portugal. Desde 1639, comemora-se a sua festa no domingo seguinte ao dia 8 de setembro.

A primeira construção, simples capela de barro, data da época da fundação da Santa Casa da Misericordia (1582). A igreja foi reconstruída em 1754. No final do século, a fachada foi enriquecida com portão de pedra de lioz, e a sineira-frontão com volutas e pináculos. Em 1817, foi representada em aquarela de Tomas Ender.

Atribui-se o seu projeto arquitetônico ao Mestre Paulo Ribeiro (1713) e ao brigadeiro Jose Fernandes Pinto Alpoim (1761). O frontispício, apesar da reduzida dimensão, destaca-se no conjunto pela harmonia e elegância das linhas barrocas.

A simplificada interpretação de elementos da igreja de Jesus em Roma, as volutas que compõem o pavimento superior e o inferior, e os dois frontões, um retilíneo e outro curvo, sugerem a filiação da igreja à matriz arquitetônica jesuítica italiana.

A nave é recoberta pela talha em estilo rococó tardio, pintada em branco com frisos dourados — característica das igrejas consagradas à Virgem. No altar-mor, cujo retábulo foi refeito em 1820, está a imagem de N.S. de Bonsucesso, logo abaixo do Cristo crucificado.

Destacam-se três altares dourados e escuros. Remanescentes da igreja dos jesuítas, demolida com o Morro do Castelo, essas importantes peças maneiristas do patrimônio artístico colonial datam de fins do século XVI. No primeiro altar, à esquerda, no retábulo do altar-mor da antiga igreja, a imagem de Santo Inácio é ladeada por São Francisco Xavier e São Francisco Borja. Os outros, colocados frontalmente, têm ambos a imagem da Virgem da Conceição.

O púlpito e o abafa-voz, em estilo barroco, pertenceram ao antigo Colégio dos Jesuítas e a tradição atribui-lhes grande importância histórica por terem sido utilizados por José de Anchieta (1517-1570) e Manoel da Nóbrega (1534-1597).

Uma via sacra, composta de diferentes painéis pintados e montados em estandartes próprios para procissões, encontra-se na capela-mor e na sacristia. Nesta última, destacam-se arcazes em jacarandá, o lavatório em mármore policromado do seculo XVIII, o curioso relógio e o pequeno altar, onde é venerada Santa Isabel, padroeira da Santa Casa. (Fonte: Guia das Igrejas Históricas da Cidade do Rio de Janeiro editado pela Prefeitura)

Igreja de Nossa Senhora de Bonsucesso

Capela-mor

Observe a talha em estilo rococó, branca com frisos dourados

Cúpula octogonal em madeira permitindo a entrada de luz natural pelo lanternim

Uma relíquia dos primeiros tempos do Rio: altar maneirista (maneirismo foi o renascentismo português tardio) do final do séc. XVI, com imagem da Virgem da Conceição, trazido da Igreja de S. Inácio, dos jesuítas, no Morro do Castelo. 

A Igreja e, à sua direita, o antigo Recolhimento das Órfãs da Santa Casa, construção setecentista (1739) que surgiu com o objetivo de amparar órfãs carentes. À esquerda da igreja, a parte antiga da Santa Casa da Misericórdia. 

Das características maneiristas originais só se manteve o frontão triangular inferior. A portada de lioz, a torre sineira entre volutas, o segundo coroamento com frontão curvo e os pináculos são acréscimos barrocos da reforma do final do séc. XVIII. 

Informações das legendas obtidas no Guia das Igrejas Históricas já citado, no Guia da Arquitetura Colonial, Neoclássica e Romântica do Rio de Janeiro, em pesquisas na Internet e em consultas a Alexei Bueno. Para outras postagens sobre igrejas clique no marcador abaixo. Para ver um álbum de fotos de igrejas cariocas clique aqui.

15.11.10

IGREJAS HISTÓRICAS DO CENTRO DO RIO (Parte 2.2): IGREJA DE SANTA LUZIA

Rua Santa Luzia, 490

Igreja de Santa Luzia a beira-mar em 1890 em pintura de Camões

Uma pequena ermida consagrada a Santa Luzia era, em 1592, o único edifício na praia da Piaçava, posteriormente chamada praia de Santa Luzia. Nela, estabeleceram-se, durante quinze anos, os primeiros frades franciscanos.

Em 1752, a irmandade decidiu edificar nova igreja num terreno próximo, na mesma praia, de fachada muito singela, contava com uma torre e uma só porta de entrada. Em 1872, o templo sofreu remodelação, assumindo maiores proporções, segundo o projeto do Mestre Antônio de Pádua e Castro. São desta época as duas altas torres e as duas portas laterais.

A rua Santa Luzia foi aberta por imposição de D. João VI, que pretendia se locomover com sua carruagem diretamente do Convento da Ajuda à igreja para cumprir a promessa e assistir à missa — por este motivo, uma tribuna na capela-mor era destinada à família real.

Retratada por vários artistas e fotógrafos pela sua posição privilegiada, de frente para a praia, sua original beleza está documentada e pode ser apreciada na sala de passagem entre a igreja e a sacristia. O privilégio, no entanto, foi totalmente alterado pelas diversas remodelações que modificaram a cidade na primeira década deste século [século XX].

Com o desmonte do Morro do Castelo e o aterro dele proveniente, a igreja de Santa Luzia perdeu sua praia e secou sua fonte de água límpida, tida como milagrosa para as enfermidades dos olhos.

A igreja e o prédio da Santa Casa da Misericórdia, com sua igreja de N.S. de Bonsucesso, foram as únicas edificações que permaneceram em toda a área.

A fachada apresenta elementos do estilo neoclássico. Os três altares são do Mestre Antônio de Pádua e Castro, o mesmo artista que reconstruiu a fachada. Para o culto a N.S. dos Navegantes, há uma imagem da santa no altar à esquerda.

Atrás do altar, encontra-se a Sala das Promessas, com uma imagem de Santa Luzia em mármore branco, de onde jorra água cristalina, substituindo a fonte original, hoje obtida por um especial sistema de filtragem. Os devotos lavam os olhos e o rosto e bebem a água, ainda crendo nos seus poderes. (Fonte: Guia das Igrejas Históricas da Cidade do Rio de Janeiro editado pela Prefeitura)

A fachada conserva no corpo central a composição original do séc. XVIII.

Portada barroca.

Capela-mor rococó.

Estátua de Santa Luzia na Sala de Promessas

Lateral da igreja durante a Festa de Santa Luzia, em dezembro (época em que florescem os flamboyants).

A igreja em meio aos prédios. Do mar de outrora, nem cheiro!

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8.11.10

IGREJAS HISTÓRICAS DO CENTRO DO RIO (Parte 2.3): IGREJA DE SÃO FRANCISCO DE PAULA

LARGO DE SÃO FRANCISCO DE PAULA

Igreja de São Francisco de Paula em foto antiga de Georges Leutzinger.

Igreja da Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula

No antigo Largo da Sé, que nunca conseguiu abrigar sua catedral, a Venerável Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula recebeu, em 1756, um terreno para construir seu templo, concluído somente em 1801

A igreja reflete a tradicional arquitetura portuguesa, com duas torres com bases quadradas, nave retangular com corredores laterais, capela-mor ladeada de sacristia e capela privativa. 

A fachada é movimentada, com frontão curvilíneo de cantaria, sustentado por pilastras de ordem toscana. Nas duas torres cobertas por bulbos revestidos de azulejos coloridos, há quatro sineiras com dois relógios cada. A portada atual, resultado de uma substituição posterior, introduz no frontispício um elemento neoclássico. Essa peça de madeira trabalhada é obra de Mestre Antônio de Pádua e Castro. 

O interior da igreja tem revestimento de talha já próximo do neoclássico. A nave central é ladeada por dez enormes colunas coríntias, cinco de cada lado, decoradas com pesada ornamentação. 

Atribui-se a Mestre Valentim a talha tanto da capela-mor, quanto da capela privativa de N.S. da Vitória, pertencendo estas obras à sua última fase. As pinturas das paredes da capela de N.S. da Vitória são de autoria de Manoel da Cunha, um escravo que conseguiu aperfeiçoar suas técnicas na Europa e comprar a alforria com a paga de seus trabalhos. (Fonte: Guia das Igrejas Históricas da Cidade do Rio de Janeiro editado pela Prefeitura)

Fachada da igreja. Observe o frontão curvilíneo barroco.

Portada neoclássica

Interior da igreja. Observe as colunas coríntias laterais.

Interior (detalhe) com revestimento de talha já próximo do neoclássico.

Capela privativa

Lateral para a Rua Ramalho Ortigão.

Fotos do editor do blog. A Igreja de São Francisco de Paula, no Largo de São Francisco, no Centro da cidade, está aberta para visitação nos dias úteis no horário comercial. Missas são celebradas de segunda a sexta às 12h e 15h30. Para outras postagens sobre igrejas clique em um dos labels abaixo. Para ver um álbum de fotos de igrejas do Rio clique aqui.

1.11.10

IGREJAS HISTÓRICAS DO CENTRO DO RIO (Parte 2.4): IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO E SÃO BENEDITO DOS HOMENS PRETOS

RUA URUGUAIANA, 77

Igreja do Rosário e São Benedito ainda com o frontão maneirista setecentista, Thomas Ender, 1817-18.

O culto a N. S. do Rosário no Rio de Janeiro data de 1639. Os devotos tinham a imagem da santa na igreja de São Sebastião, no Morro do Castelo, pois a Irmandade de N. S do Rosário e São Benedito só foi aprovada oficialmente em 1669.

Quando a igreja de São Sebastião estava prestes a se transformar em Sé, decidiu-se retirar a imagem de N.S. do Rosário e para ela se construir um templo. Assim, iniciou-se a edificação da igreja em 1700, em terreno doado à Irmandade na rua da Vala (hoje Uruguaiana). [A construção concluiu-se em 1725.]

Em 1737, estando a igreja do Castelo ameaçada de desabar, a foi transferida para a igreja de N. S. do Rosário e de São Benedito, onde ficou até 1808, quando a Sé passou para a igreja do Convento dos Carmelitas [Igreja de N.S. do Carmo da Antiga Sé, na Praça XV], mais próximo à residência da família real [o Paço da Praça XV].

No início do século XIX, por duas vezes a igreja abrigou o Senado da Câmara [câmara dos vereadores]. É interessante destacar que seu interior foi palco de importantes acontecimentos históricos, desde a preparação do Dia do Fico, ao movimento de luta pela abolição da escravatura apoiada pela confraria.

Os negros do Rosário, na segunda metade do século XVIII, realizaram festas, restaurando a Corte do Rei do Congo, um desfile com rei e rainha, em cortejo público, música e dança simbólicos, considerado por muitos como um dos precursores do Carnaval carioca de rua.

A igreja conservou, da original fachada setecentista, a portada, em lioz, encimada por medalhão da padroeira. No século XIX, sofreu uma reforma. O interior é constituído por uma nave e dois corredores, em dois andares no lado esquerdo.

A ausência de riquezas em seu interior é resultado de um violento incêndio, que o destruiu em 1967. (Guia das Igrejas Históricas da Cidade do Rio de Janeiro editado pela Prefeitura)

Fachada da Igreja, remodelada em meados do séc. XIX.

Lateral direita da igreja

Lateral esquerda da igreja

Portada maneirista em lioz encimada por medalhão da padroeira

Interior despojado devido ao incêndio de 1967

O interior antes e depois do incêndio. Foto P&B de Schultz e colorida do arquivo do IPHAN.

Detalhe da fachada. Devido à estreiteza da Rua Uruguaiana, com uma câmera amadora não dá para enquadrar a igreja toda de frente.

Movimento em frente da igreja, que fica do lado do "camelódromo" (Centro de Comércio Popular da Uruguaiana).

Fotos do editor do blog (salvo indicação contrária). Para outras postagens sobre igrejas clique no marcador abaixo. Para ver um álbum de fotos de igrejas do Rio clique aqui.

25.10.10

IGREJAS HISTÓRICAS DO CENTRO DO RIO (Parte 2.5): IGREJA DO CONVENTO DE SANTO ANTÔNIO & IGREJA DE SÃO FRANCISCO DA PENITÊNCIA

LARGO DA CARIOCA

Largo da Carioca. O chafariz foi construído junto com o Aqueduto da Carioca para solucionar o problema de abastecimento de água. Atrás (da esquerda para a direita) o Convento de Santo Antônio, a Igreja conventual  e a igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência. Jansson, J. 1824.

Esta litografia de Heaton e Rensburg de 1845-46 mostra o conjunto colonial do Largo da Carioca ainda incólume, antes das "mexidas" do século XX

Convento e igreja de Santo Antônio (esquerda) & e Igreja de São Francisco da Penitência (direita) vistos do Largo da Carioca. Quem passa apressado por lá no dia a dia não imagina os tesouros artísticos que essas igrejas guardam. Foto de 2009 quando a igreja de Santo Antônio ainda exibia o frontão neocolonial resultante de uma reforma da década de 1920. Obras de restauração em  2012 devolveram o frontão triangular maneirista original mas com uma falha que esperamos venha a ser retificada: falta a linha da cimalha entre o frontão e o corpo da igreja, visível nas duas gravuras iniciais. 

IGREJA DO CONVENTO DE SANTO ANTÔNIO

A Igreja de Santo Antônio foi construída de 1608 a 1620, sob o risco do Frei Francisco dos Santos. Durante o século XVIII, foram feitas obras sucessivas, com a construção da frente da nave e a inclusão do galilé no corpo da nave. A aparência externa da Igreja reflete a influência jesuítica, com portadas de pedra portuguesa de lioz, tendo três portas no primeiro pavimento, três janelas de peitoril, com vidraças no coro, frontão reto apresentando um óculo no tímpano. O Convento que ladeia a igreja pelo lado esquerdo, é edificação da segunda metade do setecentos, constitui uma sólida massa edificada de três andares, com pequenas e espaçadas janelas. O cunhal que limita a fachada conventual é encimado por forte e alto pináculo. Entre o convento e a igreja aparece a sineira. 

Para o claustro central, o corredor do térreo se abre em arcadas de cantaria, enquanto nos andares superiores, as celas apresentam janelas de dimensões restritas, diferindo no conjunto das demais construções franciscanas no Brasil. 

No interior da Igreja, as pinturas que ornam a capela-mor e os trabalhos de talha nela encontrados, juntamente com os outros dois altares da nave formam um raro conjunto de obras que mantêm a feição do gosto artístico do nosso barroco inicial. Pelo lado direito da nave, em grande arco gradeado, abre-se a Capela da primitiva Ordem Terceira com talha também barroca, porém de fase posterior. A Sacristia representa notável composição arquitetônica, reúne um conjunto destacado de obras do século XVIII, entre elas, o arcaz confeccionado em 1749 por Manoel Alves Setúbal, os azulejos e os painéis emoldurados representando cenas da vida de Santo Antônio. Em sala próxima, sobressai o lavabo monumental trazido de Portugal. Nas Capelas domésticas, entre as quais se sobressai a das relíquias, localizadas no claustro encontram-se imagens de barro cozido, que representam o nascimento e a morte de São Francisco. Destaca-se, ainda, na sala do palratório, o forro emoldurado e pintado com elementos rococó. (Fonte: site do IPHAN)

Igreja do convento de Santo Antônio com frontão neocolonial dos anos 1920. 

Igreja de Santo Antônio com frontão triangular maneirista original restaurado, mas sem a linha da cimalha do frontão

Devoção a Santo Antônio

Altar lateral em talha barroca dourada sobre uma base vermelha

Santo casamenteiro

Imagem de Santo Antônio sobre a amurada do convento. Atribui-se à imagem a inspiração na vitória contra os invasores franceses.

IGREJA DA ORDEM TERCEIRA DE SÃO FRANCISCO DA PENITÊNCIA

Em 1619 foi fundada a Ordem Terceira da Penitência, pelo português Luís de Figueiredo e sua mulher, e em 1620 já se encontrava pronta a Capela da Conceição, localizada perpendicularmente ao lado direito da igreja conventual. A igreja da Ordem Terceira foi iniciada em 1653, construída paralelamente à Igreja conventual, também pelo lado direito, mas por causa de desavenças na Irmandade, somente a partir de 1726 as obras se aceleraram, e no ano de 1773 foi inaugurada. A primitiva Capela ficou incorporada à nova Igreja. 

Igreja sem torres ou sineiras, sua fachada destaca-se de todas as demais do Rio de Janeiro. Tem seu frontispício dividido em quatro pilastras terminadas por pináculos de cantaria e ligados pela cimalha corrida, interrompida por óculo que é o centro do frontão barroco, formado por conjunto de seis janelas e três portas divididas pelas pilastras em três partes iguais [VER FOTO ABAIXO]. A parte central corresponde ao corpo da Igreja e apresenta uma portada trabalhada em lioz vinda de Portugal, onde se observa um medalhão com os respectivos escudos da Ordem Franciscana e de Portugal e na parte superior é arrematado por linhas sinuosas. 

O interior da Igreja, todo revestido de talha, expõe um raro exemplar da arte barroca. Dois grandes artistas, Manuel de Brito e Francisco Xavier de Brito, trabalharam para as realizações das obras. O início dos trabalhos de entalhe ocorreu pelo altar-mor em 1726, obra de Manuel de Brito. Seguem-se cronologicamente os trabalhos realizados por Francisco Xavier de Brito para os púlpitos (1722), arco cruzeiro (1753) e seis altares laterais da nave (1736-1738). O preenchimento dos espaços entre um altar lateral e outro foi iniciado em 1739 por Manoel de Brito. A talha da primitiva Capela da Ordem Terceira, que se abre em arco para a igreja conventual vizinha, é também destacada pela sua composição, datando, provavelmente, do segundo quartel do século XVIII. No retábulo do altar, destacam-se as figuras dos quatro Evangelistas assentadas nas bases das colunas que sustentam o dossel de coroamento. [...]

A pintura do teto da nave da igreja (1737) foi realizada por Caetano da Costa Coelho, que utilizou a técnica da pintura em perspectiva ilusionista. A sacristia apresenta um conjunto de obras rococó composto pelo arcaz e pelas pinturas dos painéis emoldurados, localizados no teto. Com arranjo museológico, os compartimentos à esquerda da igreja apresentam as imagens, os andores, os paramentos e demais objetos relativos à Procissão da Cinzas, uma das mais importantes do Rio antigo. O altar para a capela do Santíssimo Sacramento é obra realizada no século XIX, como também o cemitério, localizado nos fundos, colado aos barrancos do morro, de aspecto neoclássico, composto por duas colunatas que ladeiam uma parte central aberta em forma retangular. (Fonte: site do IPHAN)

Frontispício dividido em 4 pilastras terminadas por pináculos de cantaria e ligados pela cimalha corrida, interrompida por óculo que é o centro do frontão barroco; formado por conjunto de seis janelas e três portas divididas pelas pilastras em três partes iguais. 

Portada barroca

Nave

O interior da igreja, todo revestido de talha, expõe um raro exemplar da arte barroca.

Altar-mor com imagem do Cristo Seráfico (ou seja, como um anjo, com três pares de asas) de Francisco Xavier de Brito no alto.

Pintura do teto em perspectiva da apoteose de São Francisco realizada por Caetano da Costa Coelho.

Fotos do editor do blog. Para outras postagens sobre igrejas históricas clique em um dos labels abaixo. 

12.10.10

GOOGLE STREET VIEW NO RIO DE JANEIRO

Com o Google Street View você pode fazer todos os passeios que eu faço pelos meandros de nossa cidade (exceto favelas) sem sair do conforto do seu computador. Incrível, não? Para saber como funciona clique aqui. Eis algumas imagens para você ter uma ideia da coisa (use o botão esquerdo do mouse para girar a imagem em 360 graus e o botão de rolagem para regular o zoom):

1. Igreja de São Jorge em Quintino (veja também a nossa postagem Salve São Jorge):


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2. Largo de São Francisco da Prainha na Zona Portuária a ser revitalizada:


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3. Avenida Atlântica (não deixe de girar a foto com o botão esquerdo do mouse para ver a praia do outro lado):


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4. Os pudicos que me perdoem mas não resisti a essa espiada na zona do baixo meretrício na Vila Mimosa:


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1.9.10

SERRALHERIA ARTÍSTICA DO VELHO RIO

TEXTO DE PEDRO NAVA & FOTOS DO EDITOR DO BLOG


O gosto pelas serralherias [=objetos de ferro ornamental] do velho Rio nasceu no Egon destes seus itinerários de Santana. Foi um pouco sem intenção, mesmo sem querer é que ele foi se penetrando da beleza e da fantasia dos gradis e dos portões desta freguesia para deixar, depois, sua nova paixão se estender aos antigos ferros dos outras arrabaldes. Esquadrinhou bairros e bairros a procurá-los nas casas do fim do século passado [século XIX] e inícios do atual [século XX]. Grades mais antigas existiam mas ainda sem desempenho no conjunto arquitetônico e a importância adquirida naquelas duas épocas.


O princípio da ideia do Egon era apenas a de olhar e tirar desta contemplação um prazer pessoal e uma ocupação de transeunte de nossas ruas mais veneráveis. Mas depois ele viu a picareta demolindo impiedosamente as casas rendadas de ferro da sua Rio de Janeiro e sua substituição por módulos de cimento armado cuja beleza ainda não foi impregnada nem caprichada pelo tempo e pela morte. Então, por que não guardar? para os maníacos do futuro um pouco da lembrança de nossas grades, gradis, portões, beiras e ornatos metálicos.


O Egon planejou, quando tivesse tempo, percorrer e bater as ruas da Tijuca, São Cristóvão, Catumbi, [rua da] Estrela, Rio Comprido, São Januário, [rua do] Retiro Saudoso, Catete, Gávea, Botafogo, [rua] Camerino, Gamboa, e as dos subúrbios da Central para registrar e guardar o que houvesse de mais típico e pitoresco no ponto e no risco destas rendas que estão em vias de desaparecer. O médico planejou primeiro desenhar os das que lhe parecessem mais importantes. Depois fotografar e arquivar.


Para isto era preciso um sistema, uma classificação do que se fez com o ferro na bela arte de que o Rio já foi tão rico e que cada dia que passa fica mais pobre. Depois de muita observação de serralheiro itinerante e olhante, viu a grandeza do ferro nos portões que achou preciso marcar, da Santa Casa, da velha Faculdade de Medicina (a velhíssima, de Santa Luzia), de São Bento, da Casa da Moeda, do Supremo Tribunal Militar, da Escola José Bonifácio, e tantos, tantos outros.


Descobriu que um gradil singelo ou trabalhado, se contemplado em seus elementos essenciais, adquire mais beleza pela sua repetição e ritmo chiriquiano [alusão ao pintor vanguardista italiano Giorgio de Chirico] de sua perspectiva — como os da Caixa d'Água (depois Hospital Estácio de Sá e mais tarde Hospital da Polícia Militar), da praça da República, do Passeio Público.


Começou a verificar os dados que era preciso distinguir e ir classificando: ornatos e gradis sobre as portas, para arejar, só de ferro ou aqueles em que o metal aparece combinado à madeira, como no Hospital da Misericórdia. Grades para arejar sótãos como no admirável prédio, único que restou da rua Pharoux, na esquina da praça Quinze. E as sacadas do Pago Imperial. Grades das janelas da Alfândega Velha [atual Centro Cultural Brasil-França]. As semelhantes, da casa do Arco do Teles. Os ferros ourivesados que dividem as varandas únicas de mais de uma casa. Os ferros trabalhados combinados à madeira, fazendo superfície de arejamento. E os portões colocados diante das portas que permaneciam fechados, enquanto estas se abriam para deixar entrar só o ar fresco e impedir os estranhos, os cachorros de rua, os ladrões.


E mais os sustentadores de cobertas e marquises. E a prodigiosa grade de sacada que o Egon descobriu: tomando duas fachadas do prédio da esquina de Bento Ribeiro com [Barão de] São Félix. Depois o igual, da casa em frente do Velho Senado. Estátuas de ferro, reprodução de antigos da escultura, sobre a cimalha do prédio de Sacadura Cabral 145 (o imóvel era de três portas — a central, larga, para carruagens, encimada pela data da construção: 1856). [Informa Alexei Bueno, em seu livro Gamboa: “Infelizmente, em começos de 2002, as duas estátuas [...] desapareceram, parece que recolhidas pelo proprietário após haverem tentado roubá-las.”]


De uma em uma o Egon correu a cidade a vê-las e afinal fez a sistematização que lhe permitiria arquivar em boa ordem as impressões que lhe ficassem em fotografia ou simples desenho. Gradil de sacada para uma janela, para várias janelas, pegando fachada inteira ou corridamente duas fachadas em prédios de esquina; gradis de jardim, de varanda, de sepultura, de escada onde as descidas retas ou curvas criam soluções variadas; gradil em torno a monumentos e estátuas; ferros de sustentação de beiral e de marquises; escadas de ferro: todo o degrau, só o espelho [=a parte vertical do degrau de uma escada] servindo o piso de madeira ou mármore; portão pequeno em conjunto com a porta — aquele em frente desta; porta toda de ferro, porta toda de madeira com almofada aberta e gradeada de ferro nesse ponto; grades de arejamento de forros — fechadas ou imóveis como pequenas janelas; grades de arejamento de porão, de porão habitável e neste caso fechadas ou ajaneladas; grades de arejamento das bandeirolas [bandeira = caixilho envidraçado que encima portas e janelas, e que serve para dar claridade aos aposentos das portas] — simples, com letras em monograma, com braço de lampião saindo desse fecho; grades de separação de varanda corrida de mais de uma residência no mesmo prédio; ornatos de ferro de cobertas de varanda, quiosques, marquises, tetos, beirais; vasos de ferro, estátuas, estatuetas, bichos, cruzes de igreja; dobradiças, puxadores, aldrabas; portões; balaústres simples ou com gradil em baixo...


Infelizmente tudo isto ficou gravado apenas na memória do Egon. Cadê? tempo para fazer seu tombo das serralherias do Rio. Outro que o faça, se quiser, seguindo este plano acabado de dar... se daqui a ano, dois ou três, ainda houver ferragens no nosso Rio... Tudo isto o Egon viu e sentiu desde que começou a estudar "a alma encantadora das ruas" desta mui leal e heroica, quando ia do centro ao seu HPS — Hospital de Pronto-Socorro. [...] (Pedro Nava, O círio perfeito, Memórias 6)

VEJA TAMBÉM MEU VÍDEO "PEDRO NAVA E OS MEANDROS DA MEMÓRIA":