ENSEADA DE BOTAFOGO

ENSEADA DE BOTAFOGO
"Andar pelo Rio, seja com chuva ou sol abrasador, é sempre um prazer. Observar os recantos quase que escondidos é uma experiência indescritível, principalmente se tratando de uma grande cidade. Conheço várias do Brasil, mas nenhuma tem tanta beleza e tantos segredos a se revelarem a cada esquina com tanta história pra contar através da poesia das ruas!" (Charles Stone)

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA
“São Paulo, até 1910 era uma província tocada a burros. Os barões do café tinham seus casarões e o resto era pouco mais que uma grande vila. Em pouco mais de 100 anos passou a ser a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo. É pouco tempo. O século XX, para São Paulo, foi o mais veloz e o mais audaz.” (Jane Darckê Avelar)

21.9.09

ÁRVORES DO RIO

POSTAGEM ESPECIAL COMEMORATIVA DO DIA DA ÁRVORE
Textos extraídos do maravilhoso livro Árvore Cidade, de Mariana Varzea, Roberto Ainbinder e Cesar Duarte.

ALGODOEIRO-DA-PRAIA

"O algodoeiro-da-praia [...] é uma espécie pantropical, que se adapta a qualquer lugar dos trópicos, e vem sendo utilizada na recuperação das margens de lagoas e praias.
FOLHA simples, em forma de coração. FLOR grande, com cinco pétalas, amarela, com mancha triangular de cor vinho na base. Floresce durante todo o ano, principalmente de setembro a maio."

Fotos tiradas na Avenida Atlântica.



ABRICÓ-DE-MACACO

"Trazida das Guianas pelo paisagista Roberto Burle Marx, o abricó-de-macaco é uma espécie amazônica muito ornamental, não só por causa dos frutos, mas também por causa das flores que saem diretamente do tronco e são motivo de festa para insetos, animais e namorados."

Duas primeiras fotos tiradas perto do MAM, terceira no Largo do Machado e quarta em Laranjeiras (Rua Cardoso Junior).





AMENDOEIRA

"A amendoeira é uma das espécies mais presentes na cidade, irmanando bairros desde Santa Cruz a Copacabana. É também uma das principais testemunhas do nosso desenvolvimento urbano, no Passeio Público há um exemplar com mais de 150 anos. [...] É durante o outono e o inverno, quando as folhas caducam e tingem a paisagem carioca com tons amarelos, vermelhos e alaranjados, que a amendoeira marca o seu reinado na cidade. [...] Por nos proporcionarem o belíssimo espetáculo de criar verdadeiros tapetes de folhas no chão, proibiu-se o plantio das amendoeiras na cidade na década de 1990."

Fotos tiradas no bairro do Jardim Botânico, Lagoa, Forte de Copacabana, numa rua de Copacabana e novamente Lagoa (folhas caídas).







CASUARINA

"A casuarina foi trazida da Austrália no final do século XIX para arborizar o litoral brasileiro. Quem é morador do Recreio dos Bandeirantes [...] aprendeu a fantasiar contos de mistério e aventura nas tardes de vento e chuva, que fazem a árvore dançar e uivar até quase chegar ao chão."

Fotos tiradas na Barra da Tijuca e RIOCENTRO.



COQUEIRO-DA-BAHIA

"Sabe-se que há muito tempo o coqueiro freqüenta as praias do Brasil, da África e da Ásia, unindo paisagens tão distintas. [...] O coqueiro só passou a fazer parte do paisagismo urbano do Rio na década de 1960, no Parque do Flamengo, projetado por Burle Marx."

Fotos tiradas na Praia de Copacabana, Praia de Ipanema, Aterro do Flamengo, Urca (observe o Pão de Açúcar atrás) e Praia do Leme.






FIGUEIRA ITALIANA (ou fícus italiano)

"Conhecida no Brasil como falsa-seringueira ou seringueira, por causa do suco de látex que produz, a figueira italiana [ou fícus italiano] já faz parte da paisagem carioca há mais de cem anos. [...] No Parque do Flamengo, próximo à Marina da Glória, há um conjunto monumental que impressiona pela imponência."

Fotos tiradas no Aterro do Flamengo, Largo do Machado (observe o tamanho das folhas deste tipo de fícus) e Rua Bartolomeu Mitre, no Leblon.




FIGUEIRA MICROCARPA (o famoso fícus)

"Quando Glaziou foi contratado para embelezar as ruas da cidade não poderia imaginar o quanto o seu pensamento urbanístico iria marcar a nossa paisagem. Nem poderia prever que esta figueira monumental, trazida da Ásia, iria se transformar numa praga a ser dominada no início do século XXI." [Veja a bela crônica de Artur da Távola Velhos Fícus como Eu, neste blog.]

Fotos tiradas na Praça N.S. da Paz, Ipanema (duas primeiras) e Campo de Santana (duas últimas), onde encontramos fícus monumentais.





FIGUEIRA RELIGIOSA

Dizem os indianos que foi sob a sombra de um Ficus religiosa que Buda atingiu o Nirvana. [...] Por sua monumentalidade, a figueira religiosa foi escolhida para embelezar os canais da cidade [...] A copa é composta por folhas [...] no formato de um coração.”

Fotos tiradas na Praça N.S. da Paz (na calçada externa ao cercado) e Largo do Machado (observe a forma de coração com ápice pontiagudo da folha).



FLAMBOYANT

"Fazendo jus ao nome francês, que quer dizer 'flamejante', suas flores cor-de-laranja e avermelhadas anunciam a chegada do verão e 'colocam fogo' na paisagem."

Fotos tiradas na Lagoa.







IPÊ

"O ipê é uma das espécies brasileiras mais conhecidas e cultivadas. Dizem que só não deu nome ao Brasil porque Cabral chegou por aqui no verão e o ipê só se torna exuberante no inverno."

Os ipês florescem entre junho e setembro. Existem ipês amarelos, rosas e roxos. As fotos foram tiradas em frente da Igreja Santa Teresinha em Botafogo, Centro, Catumbi, Copacabana (na praça à entrada do Túnel Velho) e Urca (três últimas fotos - observe na última as flores caídas sobre a camionete).






OITI

"O oiti é uma espécie da Mata Atlântica. [...] Embeleza as principais vias do Rio de Janeiro desde o século XIX, quando Glaziou o introduziu no Centro da cidade. [...] Chama a atenção pela copa majestosa, com variada tonalidade esverdeada, resultante da mistura das folhas antigas com as novas. [...] É no enfrentamento do concreto dos viadutos como o Elevado Paulo de Frontin, e de avenidas, como a Av. N. S. de Copacabana, que o oiti mostra a resistência da mata brasileira."

Fotos tiradas na minha rua, Santa Clara, em Copacabana.



PAINEIRA

"Sua origem é a mata virgem sul-americana. [...] É ideal para embelezar parques e jardins e foi muito utilizada por Burle Marx em seus projetos."

A Paineira floresce no outono. As três primeiras fotos abaixo foram tiradas na Cinelândia e a última no Largo da Carioca, todas em maio.





PALMEIRA IMPERIAL

"Chegou ao Brasil nas mãos de um português, vindo da França, para ser dada de presente ao rei D. João VI. [...] Na cidade, as palmeiras documentam uma fase de nossa história e onde quer que estejam significa que vamos encontrar uma parte do nosso patrimônio cultural."

Fotos tiradas no Jardim Botânico (cujas palmeiras são famosas), Jardim Zoológico e jardim do Palácio do Catete ao entardecer.




PATA-DE-VACA

"Pata-de-vaca é uma árvore de pequeno porte e traz um encanto especial para canteiros e ruas onde o casario predomina. [...] Recebeu o nome popular por causa do formato de suas folhas."

Duas primeiras fotos tiradas na Lapa. A última, que mostra a flor de perto, foi tirada no Aterro.




PAU-BRASIL

"O pau-brasil deu nome ao nosso país, por causa da cor avermelhada, lembrando a brasa, de sua madeira. [...] No paisagismo urbano, sempre foi plantado em ocasiões oficiais e datas comemorativas."

Fotos tiradas no jardim do Palácio do Catete e no Parque da Catacumba (Lagoa).



PAU-REI

"Burle Marx, com o olhar visionário que habita a alma de todos os paisagistas, usou o nativo pau-rei como uma barreira natural contra a arquitetura cada vez mais verticalizada da cidade. O porte monumental deu origem ao próprio nome."

Foto tirada na Praça Cuauhtémoque (Flamengo).


Textos (entre aspas) extraídos do livro
Árvore Cidade, de Mariana Varzea, Roberto Ainbinder e o fotógrafo Cesar Duarte. Para obter mais informações sobre estas e outras árvores do Rio, recomendamos adquirir esse maravilhoso livro ilustrado (tente na Estante Virtual). Fotos do editor do blog. Postagem originalmente publicada no Dia da Árvore de 2006 e acrescida de fotos e textos novos em 2007 e 2008.

BEM-VINDO AO BLOG LITERATURA & RIO DE JANEIRO, DESDE 2005 MOSTRANDO O QUE O RIO TEM DE MELHOR. QUE TAL NAVEGAR UM POUCO PELO BLOG E CADASTRÁ-LO NOS FAVORITOS?

17.9.09

POR QUE O LEBLON?

Crônica de Manoel Carlos publicada originalmente na Veja-Rio de 28/01/09


Praia do Leblon com o Cristo ao fundo



Avenida Ataulfo de Paiva


Grafite


Sede do Flamengo

Por que o Leblon?

É o que algumas pessoas do bairro me perguntam, sempre que eu escrevo uma novela. Por que não Ipanema, Copacabana, Barra ou então Tijuca, Jacarepaguá, Vila Isabel, Gávea, Jardim Botânico... Enfim, por que não qualquer outro bairro do Rio? Por que o Leblon?

Alguns moradores fazem essa pergunta com simpatia e afeto. Mostram-se sorridentes, acarinhados e até envaidecidos com a minha escolha permanente. De outros, a indagação surge como um protesto, sempre acompanhada por um rosário de razões afeitas à cidadania, a começar pela queixa contra os caminhões da TV Globo, que deixam as ruas intransitáveis, tumultuando a vida dos moradores. E há também os que reclamam do alto preço dos imóveis – para comprar ou alugar –, por culpa minha, dizem eles, que valorizo o bairro na novela, fazendo parecer que aqui é o paraíso, onde não há violência, nem sujeira, nem descaso das autoridades públicas. Porém, no frigir dos ovos, estabelece-se uma divisão fifty-fifty: os que gostam e os que não gostam. Para os idosos, crianças, babás e seus bebês, a sensação é de festa permanente, de feriado ininterrupto. Ao lado disso tudo há, obviamente, violência, sujeira e descaso das autoridades públicas, como em todo o Rio e em quase todo o Brasil.

Mas a felicidade maior é mesmo dos paparazzi, que têm farto material disponível, com astros e estrelas desfilando, diariamente, nos restaurantes, bancas de jornais, farmácias, livrarias e cafeterias. Nos fins de semana – muitas vezes gravamos no sábado – há praticamente um tour de turistas domésticos, que circulam com câmeras fotográficas, perseguindo, numa boa, as celebridades globais.



Maisons Leblon: "Aristocracia com melhor segurança em ponto nobre do Leblon"


Cinema Leblon: um dos poucos cinemas de rua sobreviventes no Rio


Praça Antero de Quental

Mas, afinal, por que o Leblon? Será por causa dessa movimentação toda, desse circo a céu aberto que a televisão cria, mesmo já sendo o bairro, independentemente de novelas, o preferido dos famosos? Não, nada disso. A resposta é fácil, simples, cristalina: porque moro aqui. Transito pelas ruas do Leblon, a pé, todos os dias, conhecendo seus moradores, um a um, pelo menos de vista. Aqui também formei grande parte da minha família, já que tenho dois filhos e três netos leblonenses genuínos. Sendo assim, quando penso na história central de uma novela, é natural que eu a imagine desenrolando-se aqui, nestas ruas e praças, nestes bares e restaurantes. Na sua vida agitada sete noites por semana.

O Leblon é uma pequena faixa de terra cercada de beleza por todos os lados. Situa-se entre o mar e a Lagoa Rodrigo de Freitas, e sua extensão total cobre menos de vinte ruas transversais: da Avenida Borges de Medeiros à Avenida Visconde de Albuquerque. O bairro abriga endereços famosos, moradores célebres e o Flamengo da Marilene Dabus e de todos nós.

Quando saio do Rio, a curiosidade é especulativa, cheia de perguntas feitas com os olhos brilhando. Também imaginam que o bairro seja uma espécie de Manhattan, ilha da fantasia onde as celebridades circulam de camiseta, bermudas e Havaianas. Muita gente faz essa ideia do Leblon. Conheci uma moça em São Paulo que me fez prometer que, vindo ela ao Rio, eu lhe mostrasse a Clínica São Vicente.


Avenida Ataulfo de Paiva


Rua General Urquiza, 133: neste endereço (mas não neste prédio) morei na infância.



Eu sentado no carro do meu pai; no fundo à esquerda, nossa casa na General Urquiza, 133

– Mas por quê? – perguntei eu.

– Porque é para lá que todos os artistas vão, quando ficam doentes ou quando simplesmente precisam fazer um exame, consultar um médico. Leio isso sempre nos jornais e revistas.

Não tive coragem de revelar que a Clínica São Vicente é na Gávea. Não quis lhe provocar essa decepção.

Criam-se lendas, inventam-se histórias, fantasia-se. Para mim é apenas o lugar onde eu moro e que amo de coração. Simples, quase bucólico. Parodiando Fernando Pessoa e seu Tejo, posso afirmar que:
"O Leblon não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele".



Prédio em estilo neocolonial na General Urquiza


Bonito prédio na General Urquiza


General Urquiza: aprazível como no meu tempo de criança


Rua Desembargador Alfredo Russel, 160


A placa já diz tudo


Prédio em estilo normando na Praça Baden Powell


Orelhão & calor


Canteiro


Pizzaria Guanabara


Moderno e pós-moderno na Rua Aristides Espínola


Painel de pastilhas na esquina da Aristides Espínola com Gal. San Martin


Mirante do Leblon


Pescador


Zózimo contempla a Praia do Leblon


Chalés à rua José Linhares


Rio Design Center

Fotos do editor do blog (exceto aquela em preto-e-branco).

7.9.09

ROTEIRO NOTURNO NO CENTRO DO RIO A PÉ


Catedral Presbiteriana (IK)

No capítulo “Horas Mortas” de seu livro Gamboa, escreve Alexei Bueno: “Talvez [...] a melhor e última visão que nos possam dar as ruas do que verdadeiramente são é vê-las na quietude e no vazio a que se entregam, eternamente, de tantas em tantas horas. [...] Não fosse a muito forte possibilidade de um assalto, recomendaríamos ao leitor esse hábitos noctívagos, deambulatórios e nefelibatas.”


Uma boa notícia ao Alexei e demais noctívagos: agora é possível fazer passeios noturnos pelo Rio sem risco de assalto. Refiro-me ao ROTEIRO NOTURNO NO CENTRO DO RIO A PÉ, organizado pelo Professor João Baptista Ferreira de Mello, do Departamento de Geografia Humana do Instituto de Geografia da UERJ. Eu já participei de vários e recomendo aos visitantes do blog — simplesmente imperdíveis. Para ver a programação dos passeios (noturnos e também diurnos) visite o blog dos Roteiros Geográficos. As fotos foram tiradas num dos passeios de 2008 por mim (IK) e pelo meu amigo fotógrafo Zeca. Conheçam outras fotos do Zeca visitando seu Flickr.


Catedral Presbiteriana (IK)


Real Gabinete Português de Leitura (IK)


Território da DASPU (nas imediações da Praça Tiradentes) (Zeca)


Rua do Lavradio (IK)


Rua do Lavradio (IK)


Rua do Lavradio (IK)


Avenida Chile (IK)


Rua do Lavradio (IK)


Arcos da Lapa (Zeca)

4.9.09

RIO, CIDADE MAIS FELIZ DO MUNDO



Desde que Fred Astaire e Ginger Rogers apareceram no filme de 1933 Flying Down to Rio, o mundo se fascinou com o Rio de Janeiro. A percepção popular da cidade está cheia de imagens de jovens felizes dançando ao anoitecer, tendo por pano de fundo imponentes montanhas e o mar escuro.

Essa visão impeliu o Rio para o alto de nossa lista das cidades mais felizes do mundo. Famosa por seu Carnaval anual (que ano que vem começa em 13 de fevereiro), a segunda maior metrópole da América do Sul ficou em primeiro lugar dentre 50 cidades em recente pesquisa realizada pelo consultor de políticas Simon Anholt e pela empresa de pesquisas de mercado americana GfK Custom Research.

"O Brasil está associado a todas estas qualidades de bom humor e bem viver e Carnaval", diz Anholt." O Carnaval é muito importante — é a imagem clássica que as pessoas têm do Rio, e é uma imagem de felicidade ".





Por trás dos números

Os dados de Anholt fornecidos para nossa lista fazem parte do Anholt-GfK Roper City Brands Index, divulgado em junho. A pesquisa foi compilada através de entrevistas online com 10.000 entrevistados em 20 países.

A felicidade é difícil de quantificar, e Anholt reconhece que seus dados, mais do que um indicador de onde as populações são mais felizes, são um reflexo do pensamento dos entrevistados de onde poderiam se imaginar felizes.

"Esta é uma pesquisa de percepção, não um levantamento da realidade ", diz ele. "As pessoas me escrevem o tempo todo e dizem: Isso não é verdade. Provavelmente não é verdade, mas é o que as pessoas pensam. A diferença entre a percepção e a realidade é o que interessa aos governos das cidades".

O historiador francês Fernand Braudel escreveu que “a felicidade, seja nos negócios ou na vida privada, deixa poucos traços na história. " Mas uma percepção de felicidade deixa um traço forte nos balanços de cidades que dependem de convenções, turismo e um afluxo de talento. (Matéria de Zack O'Malley Greenburg publicada na Forbes.com com o título The World's Happiest Cities e traduzida aqui parcialmente pelo editor do blog.)



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