ENSEADA DE BOTAFOGO

ENSEADA DE BOTAFOGO
"Andar pelo Rio, seja com chuva ou sol abrasador, é sempre um prazer. Observar os recantos quase que escondidos é uma experiência indescritível, principalmente se tratando de uma grande cidade. Conheço várias do Brasil, mas nenhuma tem tanta beleza e tantos segredos a se revelarem a cada esquina com tanta história pra contar através da poesia das ruas!" (Charles Stone)

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA
São Paulo, até 1910 era uma província tocada a burros. Os barões do café tinham seus casarões e o resto era pouco mais que uma grande vila. Em pouco mais de 100 anos passou a ser a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo. É pouco tempo. O século XX, para São Paulo, foi o mais veloz e o mais audaz.” (Jane Darckê Avelar)

1.10.20

PASSEANDO COM PEDRO NAVA PELA GLÓRIA, SANTA TERESA E LAPA

Prédio onde morou Pedro Nava
Prédio onde morou Pedro Nava

Placa
PEDRO DA SILVA NAVA
1903-1984
Médico, escritor e poeta.
Mineiro de Juiz de Fora,
aqui residiu entre 1943 e 1984.
Sua obra destaca-se no
panorama cultural brasileiro. 

No início de seu quinto livro de memórias, Galo das Trevas, Pedro Nava rompe a sequência em que vinha contando sua vida até se formar em Medicina em Belo Horizonte e, antes de retomá-la agora sob o alter ego Egon, traz a narrativa para o tempo presente e como que passa em revista sua própria vida. Aí que ele descreve um passeio que costumava fazer, saindo de seu prédio na Rua da Glória, 190, onde até hoje uma placa indica que lá morou (fotos acima), pega a Rua Cândido Mendes, sobe a Hermenegildo de Barros até o mirante em Santa Teresa e desce pela Taylor até a Lapa. Foi esse percurso que reconstituí e mostro aqui. Em seguida o texto do Nava ilustrado com minhas fotos.


Meus passeios a pé pelo bairro seguem sempre os mesmos itinerários. Saio do meu 190 para a direita, transponho fachadas de arranha-céus. Na esquina, onde havia aquele café das madrugadas, existe hoje uma lanchonete. Virando à direita, começo a subir Cândido Mendes que gosto de chamar de D. Luísa. Essa dona que deu seu nome era a mulher de Joaquim Clemente da Silva Couto, nos terrenos de cuja chácara abriu-se o logradouro, em 1845. Meu tio Antônio Salles aí morou, no princípio do século, mais ou menos à altura dessa Casa da Suíça — onde residiram Rachel e Oyama. Assim, subindo, cada vez que troco os pés na marcha, sei que estou pisando lugares palmilhados pelos amigos, por meus tios Salles e Alice, por meu Pai quando vinha visitá-los. Galgo esse primeiro trecho fazendo essa reprodução do caminhado dos meus e vou calcando solos do ministro Hermenegildo de Barros, da prima Maricas do Juca Horta e suas filhas que moraram por aqui. Os passos de minha mãe também conheceram essas calçadas quando ela vinha ver a parenta. Povoando a rua de fantasmas, continuo minha ascensão. Nenhuma casa antiga, no princípio. Só os altos prédios, cujos térreos são ocupados pela alegria comercial de açougues, casas de ferragens, mais lanchonetes, barbearias, cabeleireiros femininos, drogarias, mercearias, farmácias. Entre elas, casa fechada, cada janela uma aparelhagem de ar-refrigerado, porta discreta e desde pela manhã o entra e sai de pares. Alta rotatividade. Estaco sempre a contemplar as fachadas dos belos sobradões de números 118 e 117. O último traz data na platibanda: 1882. 

Rua Cândido Mendes, 117

Rua Cândido Mendes, 118

Outra parada obrigatória é a esquina de D. Luísa com Hermenegildo de Barros que seguindo meu saudosismo gosto também de chamar rua do Chefe de Divisão Salgado. Numa das esquinas desse encontro e em terrenos ao lado, a demolição de duas antigas casas. Pela metragem quadrada dos lotes desnudados tem-se ideia do monstro que vai levantar-se no local

"tem-se ideia do monstro que vai levantar-se no local"

Consola a visão dos 17 e 19, casas datadas de 1896, dominando pela sua autenticidade. São de platibanda, dois andares e térreo habitável. A porta que sai do rés da rua tem a altura do térreo até a linha superior das janelas. Lembram certos sobradões da Bahia. 


Sobrados geminados à Rua Hermenegildo de Barros, 17 e 19


"A porta que sai do rés da rua tem a altura do térreo até a linha superior das janelas."


O 35 já é outro arranha-céu. Em frente, sem placa de numeração (mas entre o 32 e 36) ressalta um dos mais lindos chalés do bairro. As duas águas são alegradas na frente pelo rendado leve dos lambrequins e, na parte mais alta da fachada, duas janelinhas para arejamento do forro, conjugadas e protegidas por grade de serralheria tão cheia de curvas, alças, protuberâncias, bossas que nos seus restos de prateado o ferro se liquefaz e fica parecendo quebrado de espuma da crista de onda que fosse imobilizado na graça de sua posição — como em chapa de fotografia instantânea. 


"duas janelinhas para arejamento do forro, conjugadas e protegidas por grade de serralheria"


Vêm depois, do lado par, sobradões de portas e janelas com cercadura de granito. No lado ímpar eu vejo há dois anos o muro onde está gravada a capricho e a indelével piche a palavra corno e depois seta que aponta um portão. Acho reprovável indicação assim omissa: devia ser seguida da informação bravo ou manso — esclarecedora dos interessados. 


"sobradões de portas e janelas com cercadura de granito"


O 59 dir-se-ia que é sonoro como as clochetes da elevação, na missa. Esse zirzumbir prateado vibra retine nas serralherias das sacadas e do portão
Minha alma se entristece com a reforma aviltante por que passou o velho 67… Assim vou visitando meus amigos dessa subida. 


Rua Hermenegildo de Barros, 59. As serralherias (gradis) a que se refere o autor desapareceram.


"Minha alma se entristece com a reforma aviltante por que passou o velho 67." Observe que deste prédio só sobrou a fachada.


Paro diante dos gêmeos que viraram suas fachadas para a travessa Cassiano e de que um tem porta lateral para Hermenegildo, com o número 73. Parecem com nosso 106 de Aristides Lobo e pela travessa, acima, começa Ouro Preto. Longa extensão de construções reformadas, de paredões e baldios servindo para despejo de lixo — colchões, velhas poltronas eventradas, baldes furados, penicos descascados, bacias sem fundo, entulho despejo da vizinhança. Um pouco antes do 111, belo muralhão com escadas de pedra, conduzindo a terreno que derrama sua vegetação como gigantesco pote de avencas. Os degraus devem ter sido o acesso para casa ruída ou derrubada


Rua Hermenegildo de Barros, 73


"travessa, acima, começa Ouro Preto"

 "paredões e baldios servindo para despejo de lixo." Já não servem mais. A coleta de lixo e entulho tornou-se mais eficiente.

"Os degraus devem ter sido o acesso para casa ruída ou derrubada"


O dito 111 é um casarão modernizado. Está pintado dum verde estridente, com tinta plástica. Essas tintas dão colorido novo que acentua e aumenta os vermelhos, os amarelos, os azuis, os róseos, todas as cores que eram usadas na pintura dos prédios coloniais e imperiais. Sua aplicação, longe de desvirtuar, como que revela e salienta os caracteres das nossas velhas edificações. Mais lances de paredões de pedra que o tempo foi desconjuntando e entre cujas frestas irrompem árvores que sobem renteando o muro sobre o qual espalham digitações de raízes que são como mãos magras mas potentes a segurar os punhados de monolitos que sem sua força ruiriam. Voltando ao que mencionei antes, vale dizer alguma coisa sobre a maneira como são tratadas nossas construções pelos que as reformam. Uns querem modernizá-las e suprimem toda a fantasia, enfeite belle-époque que salientava-se nas fachadas e florescia em torno às janelas e portas. As cores álacres da pintura são substituídas por um cinzento de cimento cheio de faiscações duras de mica. Mais valia derrubar a residência antiga que desfigurá-la desse jeito. Outros pensam que respeitam o tradicional querendo melhorá-lo e acrescentando à simplicidade primitiva das casas desornadas o excesso que lhes parece mais requintado. Exageram nos painéis de azulejo, nos jarrões de louça sobre os muros, nas pinhas em cima dos parapeitos, nas estátuas vidradas dos beirais. Os dois exemplos abundam nessa subida de Hermenegildo e depois, em toda Santa Teresa. 


"O dito 111 é um casarão modernizado." O verde estridente a que se refere Nava há muito virou um azul claro.


"lances de paredões de pedra que o tempo foi desconjuntando e entre cujas frestas irrompem árvores"


É justamente assim que acaba esse lance de via pública em cujo ângulo fronteiro fica a moradia que parece abandonada, onde viveu o ministro cujo nome passou à rua. É uma construção arnuvô [art nouveau] cheia de vidros coloridos fazendo coberturas apoiadas em estruturas de ferro. Num canto, essas vidraças de cima a baixo parecem cobrir elevador ou escada de caracol. Tem o número 158, dois andares na frente e três no lado que fica em Visconde de Paranaguá. 



"É uma construção arnuvô cheia de vidros coloridos"


Próximo existe pequeno belvedere dando sobre níveis inferiores e abrindo vista fantástica sobre a baía. Tem bancos de pedra para os namorados e os desocupados. Geralmente ninguém no lugar ermo e propício aos ladrões. Dele vê-se o mar, a ponta dos aterros onde está o Aeroporto Santos Dumont e, mais próxima, a do que vem do Flamengo e onde começaram, recentemente, grande construção de cimento armado destinada, dizem, a restaurante. Ninguém. Nenhum veículo. Só passa o vento que vai para o largo ou dele vem mais fresco sobre a testa e o corpo molhado do suor da ladeira vingada. 

Belvedere

"bancos de pedra para os namorados e os desocupados"


A "vista fantástica sobre a baía" foi em grande parte bloqueada pelos prédios


Depois da parada nestes altos visão ouro e azul, começa-se a descida. Duas opções. Taylor ou Visconde de Paranaguá. Ambas profundamente Rio velho e tão bairro da Glória que sempre hesito. Taylor principia numa ladeira curta e mais escabrosa que a do resto da rua. Do lado direito, grandes barrancos e em frente, o 159, bela e pequena casa do início do século [hoje desaparecida]. Logo em seguida, ribanceiras, do mesmo lado, que servem para despejo de lixo. Toda a encosta da montanha está coberta de utensílios imprestáveis e policrômicos, de restos de papel, de comida, de roupas que repugnam e revoltam a quem olha de perto aquela imundice acumulada pela negligência, descaso e incapacidade de nossa limpeza urbana.


A encosta que no tempo do Nava servia para o despejo de entulhos agora está limpinha. Palmas para a Comlurb.


A rua Taylor tem esse nome por ter sido aberta nos terrenos da chácara do Chefe de Divisão João Taylor. Certo em parte alta dessa propriedade — o que determinou a forma de crossa do logradouro. Seus números de 139 a 135 oferecem, a quem vai descendo, primeiro a vista de casinhas típicas do princípio dos 1900 e depois ruínas de muro com sobras de gradil e portão. A paisagem do resto da rua até sua chegada à esquina de Lapa é cheia de velhas casas cada qual oferecendo detalhes arquitetônicos casuais ou intencionais. 


À esquerda as "ruínas de muro" referidas pelo autor. À direita ficavam as "casinhas típicas do princípio dos 1900", derrubadas.


No 120-A, por exemplo, uma escadaria barranco acima teria sido solução para resolver a subida mas o ziguezague dos lances de degraus de ferro se acumulando e empilhando acaba desenhando uma geometria esticada que parece sanfona puxada de cima, enquanto os corrimãos de metal, polidos pelo uso e cintilando ao sol, ficam como raios que se baralhassem simetricamente. O 120, desvirtuado por aperfeiçoamento, deixa de ser convincente apesar de ter ficado bonito e alegre: azul e branco, pinhas e estátua de louça. A varanda canta em cima, atulhada de gaiolas de pássaros. Logo sobrados geminados da maior dignidade — o 114 tendo na platibanda a data 1894. Mas a mais curiosa e interessante edificação da rua é o 110 de que a graça reside na varanda cujas janelas são encimadas e têm por baixo painéis de madeira trabalhada a serra tico-tico, ostentando vazios favoráveis à ventilação. Fazem renda de Veneza. Do outro lado escarpas do morro. Às vezes as modificações introduzidas num prédio pela sua quantidade e variedade são como improvisos musicais na sua surpresa e fantasia. Os sobrados no alto de vasta amurada de arrimo de números 100 e 96 oferecem essa sugestão. 


Escadaria barranco acima, em ziguezague

"O 120, desvirtuado por aperfeiçoamento, deixa de ser convincente apesar de ter ficado bonito e alegre." As gaiolas de pássaros na varanda não existem mais. Observe no meio do telhado uma estátua de louça (que você vê ampliada na foto abaixo).



"sobrados geminados da maior dignidade"


Rua Taylor, 110. Os "painéis de madeira trabalhada a serra tico-tico" não existem mais.

Painel de madeira trabalhado a serra tico-tico. Imagem capturada por Raul Félix do documentário O Tempo e a Glória de Joaquim Pedro de Andrade.


"Do outro lado escarpas do morro"

Todo o lado ímpar diante das edificações que estamos descrevendo é composto de barrancos cheios de capim e lixo até ao número 45, sobrado de 1887 [duas correções: o número é 47 e a data, 1897], quatro janelas de frente, as de cima enriquecidas pelas varandas com serralheria representando dragões simétricos que se afrontam pelo olhar de ferro, bico, peitos, patas, garras — sobre fundo desenhado por florões e curvas da mais elaborada elegância. 


Sobrado no número 45

1897

"dragões simétricos que se afrontam pelo olhar de ferro, bico, peitos, patas, garras"


Depois de atravessar Conde de Lages, Taylor mostra à frente um belo trecho da rua da Lapa, mas antes de nela entrar, apresenta ainda três edificações dignas de atenção. A fachada lateral de casa avarandada numerada como 11 de Conde de Lages que é o Hotel Canarinho, com quartos para rapazes; um chalé de três janelas datado de 1886, beirais rendados de lambrequins, bandeirolas de vidro central que se ilumina ao dia como safira e um óculo de ventilação do forro, tão tecido e trabalhado que parece uma aplicação redonda; finalmente os lados de outro chalé, um dos mais lindos do bairro e numerado por Lapa 230. 


Antigo Hotel Canarinho, hoje aparentemente invadido.

Chalé de três janelas datado de 1886. Os lambrequins dos beirais desapareceram.
Óculo de ventilação do forro

Outro chalé, um dos mais lindos do bairro


Virando à direita, um pequeno trecho desta rua que pelo aspecto e caráter já é a da Glória. Piso com atenção a buraqueira. Dupla atenção: primeira por saber que palmilho o velho caminho da Lapa do Desterro, aberto na colônia pelo governador Vasqueanes; segunda atenção, para não quebrar os ossos no logradouro que duvido tenha símile — pelo desmazelo dos responsáveis por seu calçamento e limpeza. É como Sapucaia que tivesse passado por terremoto ou bombardeio. Entra-se. Vê-se janela onde, como aparição de outras eras, como uma espécie de celacanto, há uma velha rebocada que chama pela fresta das portadas postas de meia jota. Dizem que essa relíquia de uma prostituição superada faz a vida ali há mais de quarenta anos, que é de tudo e pelo jeito ainda tem freguesia. Conheço-a de vista de meus passeios a pé e quando ela da janela me rejuvenesce com seu discreto sinal de cabeça (entra, simpático) — nunca deixo de cumprimentá-la grave e profundamente como a uma grande dama. Depois desta, outras instituições: Hotel Cid, Empire Hotel, Escola Deodoro com sua fachada imunda, os portões enferrujando e breve deixando cair no chão as duas belas moldagens metálicas das armas do antigo Distrito Federal; o arranha-céu no 122 onde mora o nosso José Olympio e chegamos ao chafariz mandado erigir em 1772 pelo vice-rei e capitão-general-de-mar-e-terra d. Luís de Almeida Soares Portugal Alarcão Eça Melo Silva e Mascarenhas, conde de Avintes e marquês do Lavradio. 


"um pequeno trecho desta rua que pelo aspecto e caráter já é a da Glória"


Escola Deodoro, em melhor estado de conservação do que na época em que foi descrita por Nava.


"o arranha-céu no 122 onde mora o nosso José Olympio"


Esse chafariz é como brasão da rua da Glória e mostra sua antiguidade colonial. Servia para aguada das embarcações quando a orla marítima era no nosso logradouro como ficou até o fim do século passado. Minha mãe, sempre que vinha ao nosso apartamento, olhava pela janela e dizia que conhecera o mar ali, onde está aquele parapeito que vai até ao Relógio. Essa linha pode ser vista como enrocamento e cais em gravuras de Rugendas. Ela possuía no meio reentrância quadrada, como aparece numa daquelas estampas, para abrigo das pequenas embarcações. Foi aterrada quando afastaram o mar. Pois tive a prerrogativa de ver suas pedras ao demolirem o Elixir de Nogueira [ver foto aqui] para erguerem o arranha-céu pegado ao meu. Das janelas da sala de jantar do nosso apartamento eu me aprazia em ver cavar buracos para os alicerces do prédio atual. Pois deu pano para mangas a amurada que apareceu e que fui ver de perto, feita de lajes monumentais ainda incrustadas de conchas. Era a parte mais recuada do antigo recôncavo de que falamos e demarcação continuada no nosso terreno pelos paredões atrás da garage. Moro pois em cima de área roubada do mar. Seu limite primitivo era o fundo do nosso apartamento; depois foi a amurada da Glória; posteriormente na primeira pista curva depois de Augusto Severo; mais tarde na última passagem de rolamento antes do Aterro, agora nas lindes externas deste. Olho com melancolia pelas minhas janelas da frente e calculo que cerca de um quilômetro de largura já foi tomado às águas, aqui na Glória. 

Esse chafariz é como brasão da rua da Glória e mostra sua antiguidade colonial.

Velho chafariz do Caminho da Glória (1772). Do livro Terra Carioca: Fontes e Chafarizes de Armando Magalhães Corrêa


Das alturas que descrevemos e onde fica a casa que pertenceu ao ministro Hermenegildo de Barros pode-se baixar não só por Taylor (assim acabamos de fazer) como por Visconde de Paranaguá. Essa via pública começa naquela e é primeiro uma reta que parece ter procurado a rua da Glória mas que recuou diante das escarpas do morro onde deixou o fundo de saco dum impasse. Descendo pelo outro lado, inflete-se em ângulo reto de modo que sua segunda parte está para a primeira como a haste de um T maiúsculo. Seu início faz-se por cerca duns cento e cinquenta degraus separados de dez em dez por patamares em cujo centro está plantada uma árvore. Aos lados dessa descida, sobrados e casas do início do século, restos de muros ruindo, casarões se desmantelando, baldios cheios de lixaria e a alegria das crianças naqueles batentes onde elas levantam suas fantasias e rolam suas aventuras. Há uma ruína no lado ímpar, mostrando fundos para a ladeira e tendo frente provável em Conde de Lages, que desafia a gravura — tanta a poesia que foi dada aos paredões se desarmando pela erva fina dumas folhinhas da forma de salsa miúda toda cerrada e fechada como se fosse reunião de avencas postas em gramado na beira das platibandas, molduras e beirais. Visconde de Paranaguá termina em Taylor por arrimos de pedra, muros do lado par e pelo inevitável arranha-céu no lado ímpar. Vira-se naquela, segue-se pequeno trecho e já damos em Conde de Lages. 


"Seu início faz-se por cerca duns cento e cinquenta degraus": escadaria da Rua Visconde de Paranaguá



"Aos lados dessa descida, sobrados e casas do início do século"

"Visconde de Paranaguá termina em Taylor por arrimos de pedra, muros do lado par e pelo inevitável arranha-céu no lado ímpar." Na verdade, a ladeira termina, no lado par, com a dilapidada mansão do Visconde de Paranaguá, comprada por um industrial português nos anos 1930 e frequentada então pela alta sociedade. Conhecida como Casarão dos Amores, foi imortalizada por poema de Manuel Bandeira cuja primeira estrofe diz: "Um dia destes a saudade / (Saudade, a mais triste das flores) / Me deu da minha mocidade / No Palacete dos Amores." Pelo que pude constatar, foi ocupada por um "coletivo" de estudantes e hoje abriga eventos.

Aqui outrora retumbaram hinos. Quando havia prostituição ostensiva no Rio, o trecho da zona que vinha da parte sul — transversais do Catete, Russel — comunicava-se com o da parte que ia para o norte pelos braços abertos das ruas da Glória e Conde de Lages que desaguavam nas calçadas felizes de Lapa, Joaquim Silva, Morais e Vale, do glorioso beco dos Carmelitas. Essa zona alegre continuava um tanto diluída, por Mem de Sá e Riachuelo, escondia-se um pouco e reaparecia apoteótica nos quarteirões prodigiosos do Mangue — que puseram Blaise Cendrars bestificado e dizendo que não vira ainda nada igual nos bairros prostibulares das partes do mundo que conhecera. Eu e os meus colegas da Assistência Pública, veteranos do seu Serviço Externo, somos, com as donas de bordel, os souteneurs, os cafetões, os malandros, os gigis, os carachués [=rufiões] e as próprias putas, os grandes conhecedores desse ambiente. Lavagens de estômago de envenenadas com fenol, permanganato, oxicianureto, sublimado, creolina — praticamo-las nos randevus de luxo e valhacoutos mais canalhas; caras trabalhadas à navalha, lombadas abertas em belas incisões esguichando sangue, contusões de porrete, ferimentos penetrantes, tripas ao léu, comas alcoólicos, êxtases de éter sulfúrico, estupores de cocaína — transportamos às centenas para entregar ao Serviço Interno do nosso antigo e desaparecido H.P.S. E éramos bem tratados, respeitados, em ambientes que nunca teríamos a ousadia de entrar sem as imunidades do avental branco e da malinha de madeira do socorro-urgente. Sempre penso nesse mundo iluminado, poético, trágico, sinistro e orgástico quando nos meus passeios pela Glória entro — como íamos começando a fazer antes dessa digressão — quando entro, dizia, numa rua Conde de Lages despida das galas de seus antigos festivais e vazia de suas multidões de machos em cio. [...] O quarteirão que se percorre por Conde de Lages e sua angulação até a Glória modificaram-se completamente. A população é de pessoal do comércio, famílias modestas, estudantes, gente simples. As aves de arribação procuraram outros pousos. [...] As velhas casas impluíram por si ou foram demolidas. Sobraram sobrados e térreos do princípio deste século — inconfundíveis pelas fachadas arnuvô e a rua segue quieta e apaziguadora até as paredes laterais da Escola Deodoro e do arranha-céu em frente — batentes abertos sobre o antigo Boqueirão, o Caminho da Olaria — hoje nossa rua da Glória — velha de duzentos para trezentos anos. 

11.4.20

AS MURALHAS DE COMBATE ÀS EPIDEMIAS ESCONDEM A TRAGÉDIA SOCIAL E ESPACIAL DA POPULAÇÃO DA CIDADE MARAVILHOSA, de NIREU CAVALCANTI

desapegadas das coisas supérfluas

Dizem que algumas pessoas ao passarem por situação de morte iminente e sobreviverem, se transformam interiormente. Passam a levar a vida de forma construtiva, valorizando os demais seres humanos, buscando a paz, a alegria, o amor e desapegadas das coisas supérfluas. Disse, apenas algumas pessoas!

O mesmo ocorre nas grandes tragédias produzidas pela ganância humana e governos desumanos como as guerras. Ou, as catástrofes das chuvas, terremotos, tsunamis, erupções de vulcões, derretimento das geleiras, incêndios nas florestas e tantas outras hecatombes. Alguns países, estados, municípios e suas populações se transformam, após o serenar da tragédia, e fazem ações reconstrutivas materiais e, principalmente, humanas. Passam a viver um novo tipo de governo responsável e de sociedade mais justa e solidária.

O mesmo ocorre na Cidade Maravilhosa, após as tantas tragédias que a vitimam e a sua população? A história tem mostrado que governantes e sociedades se contentam com o tampão de esparadrapos na grande, fétida e horrorosa ferida, que aparece exposta pelas tragédias.

Vamos nos restringir às sucessivas epidemias que ocorrem e destroem vidas ao longo de nossa história. Os colonizadores trouxeram: a sífilis, tuberculose, varíola, lepra, a febre epidêmica, a guerra com arma de fogo e o regime da escravidão. Dizimaram milhares e milhares de índios e índias do Brasil e africanos trazidos e vendidos como escravos.

regime da escravidão

As doenças que aparecem externamente no corpo do enfermo foram sempre as que mais resultaram em pedidos da sociedade por ações concretas dos governantes para saná-las.

A lepra grassou já no século XVII e apavorou a sociedade convencida de que era doença transmissível. O governador Gomes Freire de Andrade (1733-1782) construiu, precariamente, o primeiro hospital destinado aos lázaros, em São Cristóvão. Os governos seguintes ampliaram e aperfeiçoaram as instalações do Lazareto. Foi uma ação positiva e permanente dos governantes.

as instalações do Lazareto

Surtos epidêmicos de varíola ocorreram sucessivamente ao longo dos séculos XVII ao atual XXI. A partir do final do século XVIII começa a aplicação da vacina, principalmente, nos escravos. Também a sífilis, o sarampo, doenças intestinais, gripes diversas, febres, escorbuto e erisipela ceifaram muitas vidas e são fartos os registros e relatórios das ações dos governantes e, principalmente, dos profissionais de saúde. Geralmente as ações eram voltadas para as doenças que mais apareciam negativamente, junto à população. Nunca eram atacadas as causas.

Iniciamos o Quadro de Óbitos no município do Rio de Janeiro, em 1903, por ser um ano marcante, para os estudiosos da questão Sanitária. O médico Oswaldo Cruz foi nomeado para dirigir o combate à principal epidemia (!) que grassava na cidade carioca: a Febre Amarela.

No entanto, podemos verificar que a Febre Amarela – “principal epidemia” (!) – estava em oitavo lugar entre as dez maiores moléstias que ceifavam vidas na Cidade Maravilhosa.

1) Tuberculose pulmonar = 2.736 mortos.
2) Moléstias do aparelho digestivo (a maioria de crianças) = 2.303 mortos.
3) Moléstias do aparelho circulatório = 2.077 mortos
4) Moléstias do aparelho respiratório = 1.597 mortos
5) Moléstias do sistema nervoso = 1.521 mortos
6) Varíola = 805 mortos
7) Paludismo agudo = 599 mortos
8) Febre Amarela = 584 mortos
9) Gripe = 490 mortos
10) Moléstias do aparelho urinário = 421 mortos

Para entendermos ─ se for possível ─ a “Escolha de Sofia” da Febre Amarela (584 mortos) em detrimento das demais nove moléstias que somam 12.549 mortos, perguntamos: quem foram os agentes políticos, econômicos, intelectuais e cientistas, do setor imobiliário e da imprensa, que se reuniram para determinar o enfrentamento da Febre Amarela, e não outras doenças mais letais, como a tuberculose?

enfrentamento da Febre Amarela

A população do município do Rio de Janeiro, em 1903, era cerca de 750 mil pessoas com parte vivendo na pobreza, passando fome, sem trabalho e enfurnada em aglomerações de habitações precárias, nas favelas, nos cortiços e casas de cômodos. No centro da cidade haviam se formado duas favelas: uma no morro de Providência, a primeira do Rio, e a outra no morro de Santo Antonio, no largo da Carioca. Esses morros, quando se inicia sua ocupação desordenada, possuíam cobertura vegetal arbórea e os terrenos eram espaçosos, permitindo que fosse feito loteamento popular para abrigar essa população. O custo dessas obras era inferior às do porto, da abertura de avenidas e outras obras de visibilidade política. Propostas nesse sentido foram feitas por engenheiros e arquitetos e alguns políticos. No entanto, as autoridades e seus apoiadores preferiram “sanear” a paisagem do centro da cidade mandando incendiar a favela de Santo Antonio e enviar os desalojados para engrossarem a favela de Mangueira – trecho denominado Santo Antonio.

Quem eram os seus moradores: parte dos velhos libertados pela Lei dos Sexagenários, conhecida como Lei Saraiva Cotegipe (13/09/1885), e da Lei Áurea (13/05/1888) que não contemplaram garantia de emprego e nem habitação para esses libertos. Tinha imigrantes portugueses, italianos e espanhóis, população rural vinda do interior do Estado, do Nordeste, do Espírito Santo e de Minas Gerais. Os desempregados e desabrigados pelas demolições dos cortiços e das casas de cômodos; soldados desertores, marginais, prostitutas e famílias pobres de trabalhadores, completavam o perfil populacional daquela favela. Ambiente propício para a tuberculose, a varíola, para as moléstias do aparelho digestivo e também para a febre amarela.

O primeiro quartel do século XX foi de grandes obras de urbanização da cidade, a construção do porto e das avenidas Central (atual Rio Branco), Francisco Bicalho, Rodrigues Alves e Beira Mar. A derrubada de morros, como o do Senado e do Castelo – crime do governo Carlos Sampaio contra o patrimônio histórico da cidade. Obras que não previram o assentamento da população pobre que habitava essa área, da qual foi expulsa.

O exemplo dessa mentalidade cruel que isola o fato de seu contexto foi a reurbanização da Quinta da Boa Vista. Era preciso concluir o projeto do paisagista Glaziou! Maravilha aplaudida por todos. Acontece que ao longo dos anos foram construídas moradias no terreno da Quinta, com a permissão do Imperador Pedro II e dos militares comandantes dos quartéis instalados na área. Eram cerca de 140 casas cujos moradores foram expulsos, sem indenização, por não serem donos dos imóveis. Em março de 1910 o ministro da Guerra comunicou ao da Viação que as casas habitadas por praças do 13o Regimento de Cavalaria, estavam desocupadas.

No mesmo ano surgiram barracos na encosta do morro do Telégrafo voltada para a Rua Visconde de Niterói e essa ocupação foi denunciada pela imprensa alertando as autoridades para o surgimento de uma nova favela no morro. A Prefeitura enviou o fiscal da região e um de seus engenheiros para verificar o que estava ocorrendo. O engenheiro vistoriou 12 barracos, constatou suas condições impróprias para moradia e que feriam as posturas municipais. Propôs que a Prefeitura construísse casas operárias para aquela gente em terrenos próximos ao morro.

Em maio de 1910 os moradores dos barracos foram convocados a comparecerem à sede da Prefeitura para a legalização dos barracos. Os invasores continuaram no morro do Telégrafo e não foram construídas as casas proletárias conforme proposta do técnico consciente.

Oito anos depois, 1918, já havia na batizada favela de Mangueira 49 barracões! Assim surgiu a imensa favela premiada por sua Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira.

favela de Mangueira

As estatísticas da cidade do Rio de Janeiro, para o ano de 1914, registraram que 13.601 pobres moravam em 2.564 barracos espalhados pelos seus morros. A população total do município era estipulada em torno de 960.000 pessoas.

O combate e erradicação da febre amarela, ação positiva e elogiável, que teve todo apoio do governo federal e municipal – a cidade do Rio era a capital do Brasil – não teve investimento para eliminar as causas das demais epidemias. Nada foi feito para universalizar o esgotamento sanitário e o fornecimento de água potável para toda a cidade e sua população. A rede hospitalar e de postos de saúde cresceram inferiormente à demanda. O transporte público de massa dependia exclusivamente das linhas férreas construídas no Império: a Central do Brasil – nome republicano da antiga Pedro II – e da Leopoldina, que permitiram o crescimento da cidade para os subúrbios da Leopoldina, Zona Norte e Oeste. A malha mais urbanizada era atendida pelas linhas de bonde, em sua maioria pertencente à Light. Os fotógrafos registraram os bondes superlotados de passageiros.

linhas de bonde

A tuberculose, ou Peste Branca, exigia para seu tratamento: o isolamento do doente por vários meses, em local saudável, de bom clima, de preferência frio, arejado e ensolarado. Mas, o principal, era o doente ingerir alimentação saudável. A população pobre, e mais ainda os doentes, não tinham condições de realizar nenhuma das recomendações sanitárias, dependendo totalmente do poder público. Que por sua vez lavou as mãos para, higienizado, cuidar da Febre Amarela.

Os que tinham posse e estavam doentes, ou não, possuíam casas ou viajavam para a Europa, Petrópolis, Friburgo, Campos de Jordão e balneários mineiros. Os novos bairros do Leme, Copacabana e Ipanema eram oferecidos como o paraíso saudável do viver à beira-mar, respirando ares benéficos das brisas marítimas.

ares benéficos das brisas marítimas

Essa postura de ação pontual do poder púbico apoiada pela parte da sociedade dos não pobres se repetiu no enfrentamento da peste bubônica, ou Peste Negra, e da Gripe Espanhola, ou Influenza. Todas erradicadas com sucesso pelas ações públicas. A varíola também teve muito reduzida sua mortalidade.

A relação das 10 maiores “causa mortis” do ano de 1903, já visto anteriormente, para o ano de 1920 sofreu variações significativas: a Febre Amarela foi extinta e aparece com zero de registro. A Varíola teve apenas 4 óbitos o que indica sua breve extinção. A outra moléstia que caiu foi a do sistema nervoso que era de 1.521, descendo para 1.102. As demais moléstias subiram, sendo a do aparelho digestivo a que mais aumentou: de 2.303 para 5.235 mortos, passando a ser a primeira entre as dez maiores causadoras de óbitos. A tuberculose continua alta com 4.641 óbitos, ficando abaixo da Moléstia do aparelho digestivo.

Voltamos à pergunta inicial: a cidade do Rio de Janeiro foi liberta de suas moléstias causadoras de alto índice de mortalidade?

O MUNDO GLOBALIZADO DO COVID–19

O município do Rio de Janeiro, nesse ano de 2020, com a população estimada de 6.700.000 pessoas, apresenta deplorável quadro econômico (desemprego e subemprego), social com cerca de 1.300.000 moradores em favelas (em 1920 eram estimados 200.000 favelados) e loteamentos clandestinos precários. Os serviços públicos de saúde, educação, segurança e transporte de massa foram sucateados ou mal planejados ao longo dos 100 anos (1920-2020) e já não atendem à população usuária.

Mais grave é a poluição dos cursos d’águas, das lagoas e de toda a Baía de Guanabara e o desmatamento dos morros e das reservas florestais. Tão grave é o deficiente fornecimento de água potável, pela CEDAE, descartando mais de 30% da população, quanto o do esgotamento sanitário tratado, que atende abaixo desse outro serviço. Somando-se ao problema do lixo residencial, industrial e hospitalar cuja coleta não é universal, podemos afirmar que chegamos ao caos carioca.

Para agravar mais ainda o enfrentamento do COVID-19 – mais uma vez pontual e resultado da “Escolha de Sofia” – as velhas moléstias mortíferas continuam – a volta da febre amarela e do sarampo ─ acrescidas de novas moléstias de caráter nacional, que, em 2018, apresentaram os seguintes números de infectados e de mortos, no Brasil: dengue (240.000 /142); chikungunya (84.000 / 35) e a zica (8.024 / 4). Só nos resta rezar!

COMO REAGIR APÓS A TRAGÉDIA

Voltando ao início e acreditando que algumas pessoas, sociedades e governos se transformam para o bem depois de experiências trágicas, vamos sugerir ações duradoras para mudar as causas que nos levaram ao fundo do poço.

caos carioca

De caráter econômico:

Suspender o pagamento de juros da dívida pública brasileira – a interna e a externa fecharam o ano de 2019 no astronômico valor de R$ 4,249 trilhões de reais – e instituir grupo de especialistas para auditá-la. Quem possui essas cotas são os que possuem excedentes financeiros. Portanto, não vai pesar muito em seu bolso. O FMI já suspendeu o pagamento de países pobres. O STF brasileiro suspendeu o pagamento de juros da dívida dos estados à União.

1) Rever as taxas incidentes do Imposto de Renda sobre a renda dos brasileiros. 
2) Fazer a Reforma Tributária reduzindo o número de impostos e reduzindo alíquotas.
3) Fazer a Reforma Administrativa, fortalecendo e valorizando o serviço público. Acabar com a discrepância salarial entre os três poderes e estabelecer que todos os servidores tenham as mesmas regras de aposentadoria e de férias.
4) Fazer a Reforma Política. Aproveitar que terá de se adiar as eleições para prefeitos e, por isso ampliar seus mandatos para cinco anos, estender para os demais cargos de governadores e presidente e extinguir a REELEIÇÃO para o executivo.
5) Fazer as eleições para o Poder Legislativo antes do Poder Executivo para que elejamos parlamentos livres e independentes do Executivo. Reduzir o mandato de senadores para cinco anos e acabar com as suplências.

Construir um pacto federativo entre governo e sociedade para que todos os governos dediquem suas propostas e ações voltadas para a Educação, a Saúde, para o Transporte de passageiros e de carga eficientes. O saneamento sanitário e o abastecimento de água potável em todos os municípios brasileiros. Despoluir os rios, lagoas e mares, reflorestar as áreas degradadas e fiscalizar rigorosamente o meio ambiente.

Fazer o grande mutirão nacional para construção de habitação para cada família brasileira que hoje esteja vivendo em condições inadequadas.

pacto federativo

Professor arquiteto e historiador Nireu Oliveira Cavalcanti
Abril de 2020 – era do Coronavirus (COVID–19)