ENSEADA DE BOTAFOGO

ENSEADA DE BOTAFOGO
"Andar pelo Rio, seja com chuva ou sol abrasador, é sempre um prazer. Observar os recantos quase que escondidos é uma experiência indescritível, principalmente se tratando de uma grande cidade. Conheço várias do Brasil, mas nenhuma tem tanta beleza e tantos segredos a se revelarem a cada esquina com tanta história pra contar através da poesia das ruas!" (Charles Stone)

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA
São Paulo, até 1910 era uma província tocada a burros. Os barões do café tinham seus casarões e o resto era pouco mais que uma grande vila. Em pouco mais de 100 anos passou a ser a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo. É pouco tempo. O século XX, para São Paulo, foi o mais veloz e o mais audaz.” (Jane Darckê Avelar)

21.2.12

QUARTA-FEIRA DE CINZAS, de Antonio Bulhões


Quarta-feira. Cinzas. Os foliões mais fanáticos espicham a madrugada para se recolher, curtindo os derradeiros momentos da pândega em agonia. Caso não consigam álibis para reiniciar somente amanhã a soi disant vida séria, irão de tarde trabalhar, se arrastando nas pernas cansadas. ressacas ambulantes, enxaquecas indomáveis. Senhores graves, infensos à esbórnia generalizada, suspiram aliviados, simplesmente por não apreciarem ou por a condenarem do ponto de vista da moral e dos bons costumes. Em alguns bairros houve o hábito, perdido ao que eu saiba, de, na quarta-feira de cinzas, sair bloco — a exemplo do Chave de Ouro, do Engenho de Dentro — de adeus nostálgico ao Carnaval que estava terminando, simultaneamente propiciatório do próximo. Não eram grande coisa, limitando-se a alguns giros meio melancólicos pela vizinhança, em clima que Vinicius de Moraes e Carlos Lyra, na década de 6o, imortalizaram na Marcha da quarta-feira de cinzas:

Saudades e cinzas foi o que restou
Pelas ruas o que se vê
E uma gente que nem se vê
Que nem se sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor
E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade.

Entre esses extremos, os demais habitantes da cidade vão se acomodando, cada qual a seu jeito, reinserindo-se na devolução à normalidade. Como acidente de percurso registre-se, na quarta-feira de cinzas de 1922, a eleição de Artur Bernardes para Presidente da República. Turistas ainda são raros. Até para o ano, amigos! Ou, irmãos de credo e salseiro, até breve, quem sabe. É que o Carnaval, desde séculos e séculos, desde que comemorado a primeira vez (quando?...), sob a bênção e a inspiração de Dioniso, que Zeus o tenha!, termina a cada momento em que a fadiga física ou o tédio de viver o sufoca no coração de um carnavalesco e começa a cada momento em que o coração de outro carnavalesco se incendeia de prazer e riso.

Porque o Carnaval é assim: uma festa extraordinária, rodopiante, de insuperável dinamismo, atingindo todos os segmentos da sensibilidade humana, nenhum lhe escapa, feita de fragmentos de glória, de momentos de esplendor, de instantes de gozo, que duram frações de minutos ou eternidades, como elos de uma corrente mágica, uma corrente permanente, sempiterna, mistério que se deve e se pode viver intensamente, que não se deve e não se pode jamais abranger como um todo, muito menos supor que é possível reduzir a um texto compacto, limitado, enciclopedizado, mistério indecifrável, de tão complexo na dinâmica de sua estrutura, de tão longevo em sua trajetória no tempo. O Carnaval é uma unidade formada da fusão de unidades soltas?... Estará estampado no inconsciente de cada um de nós e de nossas coletividades? Será aquilo que é, como as estrelas, os rios, as tempestades — em concreto, uma força da natureza, que se manifesta através do homem. Desde séculos e séculos. Por séculos e séculos. 

(Do volume 1 de Diário da cidade amada - 1922 de Antonio Bulhões. Nesta obra monumental em três volumes — acondicionados num estojo  premiada pela ABL, Antonio Bulhões vale-se do ano de 1922 como "pretexto" para traçar um painel amplo da cidade amada do Rio de Janeiro em seus mil e um aspectos.)

3.2.12

NOS PROTEJA SÃO SEBASTIÃO: PADROEIRO DA CIDADE DO RIO

Nireu Cavalcanti (arquiteto e historiador – professor da Pós-Graduação da UFF e autor de O Rio de Janeiro Setecentista)




Hoje, 30 de janeiro, voltei ao local da tragédia ocorrida na Rua Treze de Maio para, silenciosamente, abraçar as luzes dos tragados pela incúria humana.
Ao me aproximar do local, pela direção do Largo da Carioca, avistei uma imagem dantesca que me pareceu serem as vítimas penduradas e deixadas como testemunhas da tragédia.


No âmago do sítio, envolvido pelo cenário angustiante, senti a mensagem de vida nas folhas ondulantes da árvore e no majestoso teatro Municipal intacto, com pequenas marcas de estilhaços em algumas vidraças.
Lembrei-me da história de nossa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e do feito de seu padroeiro em defesa de Estácio de Sá e de seus bravos guerreiros, que caíram numa cilada dos inimigos Tamoios. Era final de tarde de um dia de julho de 1566 e, estando em quatro canoas, os nossos fundadores partiram em perseguição a outras tantas inimigas.
De repente, surgiram por detrás do Morro da Viúva inúmeras canoas repletas de guerreiros Tamoios ― os cronistas da época afirmam ser 180. Nesse momento, surgiu à frente da pequena tropa de Estácio de Sá um jovem guerreiro iluminado e fez explodir a pólvora que uma das canoas inimigas carregava, levando-os ao pavor e à fuga.
Por muitos anos, foi comemorado esse feito milagroso chamado “Guerra das Canoas” no dia 20 de janeiro. Na Baía de Guanabara havia desfile de embarcações e espetáculo de guerra teatral entre algumas escolhidas.
Chamou a minha atenção a proximidade do Teatro Municipal aos prédios que ruíram e se tivessem tombado sobre ele, nada restaria da nossa jóia do Patrimônio carioca.
Pensei ― foi São Sebastião que ficou entre esses prédios e salvou-o!

Deixando essas “lendas históricas” com os nossos antepassados, podemos buscar na história carioca as tragédias que abalaram a cidade e as causas possíveis que as provocaram, ou contribuíram para que ocorressem. Para isso, buscarei as crônicas de Vieira Fazenda, escritas em jornais da época (1896-1914), inestimável legado para a história da cidade e da sociedade, em sua obra Antiqualhas e memórias do Rio de Janeiro, editada, em cinco volumes, pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.


        Vejamos dois exemplos de como o Poder público e os usuários da cidade, agindo contra o interesse coletivo e com equivocadas opções urbanísticas, geram problemas como esse do desmoronamento de três prédios, no centro da cidade do Rio de Janeiro.
         A origem de muitos dos problemas atuais de nossa cidade, decorre da incorreta ocupação do seu território pelos primeiros povoadores, e com anuência dos governantes, e continuada ao longo dos anos seguintes.
O centro atual da cidade foi construído numa zona alagadiça, com várias lagoas perenes, imenso manguezal e cortada por vários rios, riachos e córregos que se formavam com as chuvas torrenciais. Além de ser essa área plana, quase ao nível do mar da Baía de Guanabara e situar-se entre os morros isolados do Castelo (demolido em 1922) que abrigava o núcleo histórico da cidade, de São Bento (desbastado), de Santo Antônio (desbastado quase em sua totalidade), de Nossa Senhora da Conceição (desbastado) e do Senado (demolido) e dos morros contínuos da Serra da Carioca (Santa Tereza, Catumbi, Estácio e Rio Comprido), Santo Cristo, Saúde e Gamboa.
A ocupação dessa área deveria ser entre malha de canais a céu aberto, tipo Amsterdã. No entanto, a opção de nossos antepassados governantes e de sua população foi desbastar ou demolir os morros e aterrar as áreas molhadas. Criaram o território ideal para os alagamentos e desabamentos de encostas a cada chuva torrencial.
Vieira Fazenda cita as chuvas ocorridas em 14 de abril de 1756, que alagaram as ruas, transformando-as em rios navegáveis por canoas, sendo a mais violenta delas a ocorrida nos dias 10 a 17 de fevereiro de 1811. Além do alagamento de toda a cidade, parte do Morro do Castelo desabou sobre as casas do Beco do Cotovelo, que ficava em seu sopé, destruindo a maioria delas. Desabou também parte da barreira do Morro de Santo Antônio, na proximidade da atual Rua Treze de Maio. Entre os mortos nessa tragédia estava o famoso bêbado da cidade Bitu, motivo de chacota da garotada moradora nas redondezas do Morro do Castelo.
O autor ainda registra o “dilúvio” que caiu sobre a cidade, como a anunciar o fim do mundo, às 15h30 do dia 10 de outubro de 1864. Caíam pedras de gelo do “tamanho de avelãs” em tanta quantidade que as ruas ficaram cobertas. Destruiu várias edificações e destelhou todo o prédio onde funcionava a Fábrica de Gás, existente na atual Avenida Presidente Vargas. Esse problema se agravou com o adensamento de construções e a falta de educação da população, que joga nos logradouros e cursos de água lixo e outros dejetos.
Muitas edificações também eram destruídas pelo fogo, em função do sistema perigoso de iluminação com velas, pelo uso de combustível à base de óleo de baleia, principalmente, o gás (a partir de 1854) etc. e o uso de muita madeira nas construções. A Câmara de Vereadores chegou a estabelecer a proibição do uso do pinho-de-riga, em estrutura, piso e telhados por considerar essa madeira muito vulnerável ao fogo.
Nas construções recentes, a origem de muitos incêndios está na sobrecarga das instalações elétricas, na impropriedade dessas instalações com o uso de materiais inadequados e misturas de redes que deveriam ser separadas, como eletricidade e gás. Contribui para aumento e propagação desses sinistros a quantidade de objetos, revestimentos decorativos, móveis etc. de material inflamável como plásticos, papel, madeira e outros.

Poder público, construtores e empreendedores de edificações              

Quando os administradores públicos não governam visando os interesses coletivos e a qualidade de vida da população urbana, principalmente no caso de megalópoli como o Rio de Janeiro, o espaço urbano gerado torna-se o lodaçal apropriado à proliferação desses seres desumanos que exploram a cidade.
A legislação urbanística e edilícia da cidade do Rio de Janeiro, em sua essência, é para servir a especulação imobiliária e punir a Classe Média trabalhadora, que tem endereço, que paga IPTU e todas as demais taxas municipais ― incêndio, iluminação dos logradouros etc. Para ela, o rigor da Lei e para os seus extremos ― os pobres que vivem em áreas de risco (por falta de opção) e os ricos ―, a benesse da omissão do poder público.
Vejam os acréscimos nos edifícios da orla da Zona Sul ― quantos andares foram construídos, acima do último pavimento! Depois regularizam esses acréscimos através da “mais-valia”.
É o caso do edifício Liberdade (o mais alto), que era escalonado nos últimos andares e a Prefeitura aprovou acrescê-los até a fachada voltada para a Rua Treze de Maio.
A Legislação municipal (desde o Código de 1937) incentiva a verticalização das edificações, construídas coladas umas às outras, prejudicando a circulação do ar, a insolação dos cômodos e permite o tapamento dos acidentes geográficos (caso do Morro da Viúva) que formam a bela paisagem carioca. Sem falar que, no período de construção desses espigões, os prédios vizinhos são danificados, gerando eternos conflitos de indenizações que se arrastam anos a fio.
Essas barreiras arquitetônicas são focos de propagação de sinistros, como ocorreu no caso dos três prédios. Devemos lembrar que o Teatro Municipal escapou por ter uma rua separando-o dos demais e porque os prédios ruíram sem inclinar em sua direção.
Ou mudamos esse conluio pernicioso entre o poder público e os exploradores da cidade, ou teremos que apelar, como fez Estácio de Sá, para a proteção de São Sebastião.



As duas fotos do meio foram cedidas pelo autor do artigo; a da estátua de São Sebastião na Glória e a última foram tiradas pelo editor do blog.

20.1.12

VIDIGAL

Placas "UPP Vidigal" e "Iluminação": os serviços públicos chegam ao Vidigal. Azulejos do projeto O Caminho dos Direitos Humanos de Françoise Schein (2001). Um conjunto de painéis desse mesmo projeto pode ser visto na entrada da estação de metrô Siqueira Campos.

Com a inauguração da UPP (a 19a da cidade) na última quarta-feira, 18 de janeiro, o Vidigal, livre da ditadura do tráfico, integra-se ao tecido da cidade, podendo agora ser normalmente visitado pelos apreciadores da “arte de flanar”. Aproveitei o feriado municipal de 20 de janeiro, dia de São Sebastião, e fui lá conferir. Aqui está o resultado.
O Vidigal é um bairro sui-generis. Embora à distância pareça uma enorme favela, existe toda uma área não-favelizada a nordeste, e existe uma zona limítrofe onde prédios de classe média e casas, como a da segunda foto a seguir, convivem com a comunidade próxima.

O Vidigal visto de baixo

Casinha à esquerda e mercado Super Rede à direita

Os agentes de Viana [Paulo Fernandes Viana, intendente geral da polícia de 1808 a 1821] eram implacáveis e truculentos. O mais famoso deles foi o Major Miguel Nunes Vidigal. Segundo-comandante da nova Guarda Real, Vidigal tornou-se o terror da malandragem carioca. Ficava à espreita nas esquinas ou aparecia de repente nas rodas de capoeira ou nos batuques em que os escravos se confraternizavam bebendo cachaça até tarde da noite. Sem se importar com qualquer procedimento legal, mandava que seus soldados prendessem e espancassem qualquer participante desse tipo de atividade — fosse um delinquente ou apenas um cidadão comum que estivesse se divertindo. Em lugar do sabre militar, os soldados de Vidigal usavam um chicote de haste longa e pesada, com tiras de couro cru nas pontas. O major também comandou pessoalmente vários assaltos a quilombos montados por escravos fugitivos nas florestas ao redor do Rio de Janeiro. Em recompensa pelos seus serviços, Vidigal recebeu de presente dos monges beneditinos, em 1820, um terreno ao pé do Morro Dois Irmãos. Invadido por barracos a partir de 1940, o terreno está hoje ocupado pela Favela do Vidigal, de onde se tem uma vista privilegiada das praias de Ipanema e do Leblon.

Trecho de 1808
de Laurentino Gomes (pp. 234-5)



Vista para o mar

Ao looonge (está vendo???) Ipanema e Arpoador

Deve ser difícil viver num lugar com uma das vistas mais bonitas da cidade  o mar à frente e a Mata Atlântica nos fundos , um comércio abundante e, agora, segurança 24 horas. E é. O Morro do Vidigal pode ser considerado a Zona Sul das favelas cariocas, mas, embora tenha as qualidades acima, está longe de ser um ambiente ordeiro. Com a chegada da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), inaugurada na quarta-feira, a favela agora clama por uma faxina geral, um choque de ordem que ponha as coisas nos seus devidos lugares. (O Globo - Rio - para ler o resto da matéria clique aqui.)

As casas sobem o morro & os fios se entrecruzam

Homem de lata. Fotos do editor do blog.

15.1.12

ESTRADA DE FERRO FAZENDA MATO ALTO


Se eu contar que fiz um passeio de trenzinho maria-fumaça sem sair do Rio de Janeiro vocês acharão que é lorota, mas a foto acima não me deixa mentir. Sábado, 14 de janeiro, participei de um “Passeio Poético”, nos trilhos da Estrada de Ferro Mato Alto, promovido pelo Movimento de Preservação Ferroviária. Trata-se de uma pequena ferrovia, com cerca de 3,5 quilômetros de extensão, que o aficionado por trens Márcio Manela construiu em sua fazenda de gado, em Guaratiba. Ali passeamos em um trenzinho composto de vagões abertos construídos nas oficinas da fazenda, tracionados por uma das velhas locomotivas a vapor que o colecionador adquire e depois restaura nessas mesmas oficinas. “Passeio Poético” porque durante o passeio poetizas do grupo “Poetas do Trem” declamaram poemas sobre as velhas marias-fumaças (entre eles o que você lerá em seguida). Para saber onde se localiza a Fazenda Mato Alto clique aqui. Para ler matéria do Globo Rio sobre a fazenda clique aqui. A Mato Alto é uma das fazendas de Guaratiba onde se realizará uma missa campal por ocasião da visita do Papa. [NOTA POSTERIOR: Devido às chuvas fortes a missa acabou sendo transferida para Copacabana. Para ver a cobertura deste blog da Jornada Mundial da Juventude clique aqui.]




MARIA
Hernani Bottega

Ao raiar do sol, com um apito, ameaça a partida.
À tardinha, volta à romântica praça, início da ida.

Pertence a uma família cheia de graça.
Fama mundial, melhor não há quem faça.

            Chama-se Maria, Maria Fumaça

Gasta madeira, em carvão, na fornalha. Corre veloz,
serpenteia junto ao rio, aposta corrida com o albatroz.

Vence vales, sobe colinas, vara campos, assusta a caça.
Costura cidades, lugares e, por instantes, pela gente passa.

            Chama-se Maria, Maria Fumaça

Desfila imponente. Das outras se distingue bem à beça.
Engole trilhos com muita fome e diligente pressa.

E nesse contínuo vai e vem , o tempo passa.
Já quase, quase ninguém conhece Maria

            Maria Fuuu masss ÇAA


10.1.12

SER CARIOCA NÃO É CERTIDÃO DE NASCIMENTO, É UM ESTADO DE ESPÍRITO, de Aspásia Camargo


1. Riomania - Quando desponta o verão, tenho um encontro mágico e intransferível com minha cidade, o Rio de Janeiro. É o momento em que todos redescobrimos sua beleza e sedução. Suas riomanias, modismos e gingados, que se renovam a cada ano, revelando os seus mistérios e surpresas.  São as “bossas do verão”.


2. Somos gregários - Vivo também o prazer de  encontrar amigos em algum café ou bar de esquina, para comentar os últimos espetáculos, os próximos planos ou as mazelas da cidade. Por exemplo, como a cidade anda suja!


3. Pontos de encontro - No ano passado, várias tribos fizeram seu ponto no Arpoador, à noite, e as sorveterias de iogurte conquistaram a cidade! São as novidades que só o verão carioca oferece, aos que aqui vivem e aos que vêm ao seu encontro, atraídos por sua magia e sedução.


4. Rumo ao subúrbio! - A moda agora é frequentar novos recantos da cidade. Verdadeiras caravanas se organizam em busca do melhor botequim de subúrbio, com boa gastronomia a preços acessíveis, depois que alguns botequins tradicionais salgaram na conta. É o caso do Aconchego Carioca, em uma transversal da Rua do Mattoso, na Praça da Bandeira. Há também um porco embebedado no Cachambeer, em Cachambi, e um caldo de frutos do mar no Bar da Portuguesa em Ramos. É o charme da Leopoldina.


5. O verão sobe o morro - Cacá Diegues estava certo quando inventou Cinco X Favela. Agora, com muitas delas pacificadas, os cariocas frequentam mais as comunidades cheias de afetividade e emoção. Os estrangeiros, que vêm de países superindividualistas, ficam encantados com tanta interação. Comer uma boa feijoada no Bar do David, no Chapéu Mangueira é uma descoberta.  Mas houve também espetáculos de final de ano, nas lajes! Como o do Theatro Municipal na Rocinha, e a Orquestra Sinfônica no Alemão. A cultura erudita se mistura com a alma da nação.


6. O novo hit do verão - A onda agora é a redescoberta dos bairros, uma espécie de bairromania  que a Lei Seca facilitou. Afinal, ninguém quer levar multas ou perder a carteira frequentando bares muito longe de casa. Com isso, foram beneficiadas as economias locais. E, vamos combinar: é bem simpático frequentar as esquinas e a vizinhança, valorizando os arredores e os prazeres de nossa infância, como acontece em outros países que promovem sua própria cultura.


7. Aqui é o meu lugar - Como dizia o grande Osvaldo Nunes, “voltei, aqui é meu lugar, minha emoção é grande, a saudade era maior, e voltei pra ficar”. Então, fique! Puxe a cadeira, chame os amigos e, sem exageros, peça uma cerveja bem gelada… afinal, estamos no verão!


8. Fotomania - A reconquista dos bairros vem inspirando uma nova e verdadeira declaração de amor ao Rio de Janeiro.  As máquinas fotográficas e celulares clicam sem parar e são agora os olhos do carioca, que faz questão de apresentar as paisagens de sua preferência nas redes sociais. Esses flagrantes improvisados trazem a certeza de que o Rio de cada um continua lindo e merece virar a janela de todos nós.


9. How to be a carioca? - Ser carioca não é certidão de nascimento, é um estado de espírito. Uma opção de amor pela cidade de seus sonhos. Somos a única cidade do mundo que acolhe oficialmente [como cariocas] não apenas os que aqui nasceram, mas os que escolheram esta cidade para ficar. Além disso, são cidadãos honorários aqueles que voltam sempre e que têm pelo Rio um carinho especial, renovado a cada ano – em geral, no verão.


10. Identidade global - Já somos, sem perceber, uma cidade global. Nossa “carteira de identidade” preenche atributos típicos de uma metrópole internacional: capacidade de atração, espírito acolhedor, diversidade cultural, charme popular, opções de lazer e entretenimento. E mais aquela sensação de pertencimento:  aqui é o meu lugar. É este Rio global que precisa assumir o seu destino.


11. O que falta é gestão pública - Transporte de massa, escolas e hospitais de qualidade, um planejamento metropolitano, esgoto tratado, menos lixo, uma verdadeira economia empreendedora e criativa. E um Rio Banda Larga que, por enquanto, é apenas uma bandinha muito estreita… Mais alguns verões, e chegaremos lá!


Um ótimo verão carioca para todos!
Deputada Aspásia Camargo


Fotos do editor do blog

16.12.11

FESTIVAL DE PRESÉPIOS




Como se não bastasse a famosa Árvore de Natal, temos agora, pertinho da Lagoa, o belíssimo Festival de Presépios revitalizando o Jardim de Alah, parquinho que separa Ipanema do Leblon, onde eu brincava quando criança, mas que por muitas décadas andou meio esquecido & abandonado. Mais um dentre tantos eventos artísticos & culturais que abrilhantam a nossa Cidade Maravilhosa cheia de encantos mil.

12.12.11

MUSEU DO VAL DE LITERATURA


Museu do Val de Literatura (casa maior atrás; a casinha na frente é o escritório do Waldir) na bucólica Andrade Costa

No sábado, 10/12, tive a oportunidade de ir à inauguração do museu que o poeta, ensaísta (maior autoridade brasileira viva em Raimundo Correia) e editor Waldir Ribeiro do Val criou em seu sítio na bucólica "aldeia" de Andrade Costa no município de Vassouras (estado do Rio de Janeiro): o Museu do Val de Literatura. Um museu extraordinário (em um local onde você menos esperaria encontrar algo assim), contendo uma coleção, fruto de toda uma vida dedicada à literatura (logo, uma vida bem vivida), de primeiras edições, livros e cartas autografadas, artigos e informações fascinantes sobre os gigantes da literatura brasileira. Vale a pena subir a linda serra — via Japeri, Miguel Pereira, Paty do Alferes e Avelar: entre no Google Maps, pesquise “Avenida das Flores, Vassouras” e depois afaste o zoom para ver como chegar lá — a fim de conhecer o museu do nosso amigo Waldir. Só que, aqui entre nós, um acervo desses mereceria vir para o Rio de Janeiro, onde mais pessoas poderiam desfrutá-lo. Se alguém porventura tiver alguma sugestão de onde poderia ser abrigado... O museu fica na Rua das Flores, 35, esquina com Avenida Carlos Val, em Andrade Costa, município de Vassouras. Telefone: (24) 2488.1143. E-mail: waldirdoval@yahoo.com.br


Entrada do museu na Rua das Flores

Faixa de boas vindas

O rico acervo: Graciliano Ramos e Jorge Amado

Augusto Frederico Schmidt, de quem Waldir Ribeiro do Val foi secretário-literário, revendo seus artigos e preparando a edição de seus novo livros

Igrejinha metodista e botequim (convivendo lado a lado) em frente ao museu

6.12.11

QUANTAS PRAIAS EXISTEM NO RIO DE JANEIRO?

A resposta está no livro PRAIAS CARIOCAS de CLÁUDIO NOVAES: 71. Achava que eram menos? Só em Paquetá são 14 e na Ilha do Governador, 17. Veja a lista completa das praias ao final da postagem.


PRAIAS CARIOCAS
Cláudio Novaes
Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos
Rio de Janeiro, 2011
Preço: 25 reais.

Apresentação

Assim como as sociedades humanas modificam a paisagem, o espaço natural também molda a experiência do povo que nele vive. Em poucas cidades a paisagem é tão essencial para a identidade de seus habitantes quanto no Rio de Janeiro. O carioca típico se orgulha de viver em um lugar que a Natureza escolheu como mostruário do seu catálogo de encantos: montanhas, florestas, rios — e praias.

Desde o século XIX, quando os banhos de mar passaram a ser considerados terapêuticos, a cidade avança ao longo da orla. Uma tendência que continua a movimentar o crescimento da metrópole, hoje ainda orientado para os bairros praieiros. Não buscamos apenas a beleza do horizonte oceânico. É nas praias que o carioca faz esportes, encontra os amigos, namora e lê. É nas areias que o habitante do Rio de Janeiro se sente mais conectado à essência da cidade. Nesse espaço que integra os diferentes grupos sociais, o Rio convive democraticamente com a sua diversidade.

Neste livro, o Instituto Pereira Passos oferece ao leitor um passeio por 71 praias da orla carioca  as ainda selvagens às bordadas de edifícios, das cheias de ondas às mais plácidas. Aceite o convite e mergulhe na alma do Rio de Janeiro.

Ricardo Henriques - Presidente do Instituto Pereira Passos

ONDE COMPRAR: Livraria Pereira Passos, Rua Gago Coutinho, 52 - Laranjeiras (saltar na estação de metrô Largo do Machado). Aproveite a ida à livraria para ver sua excelente seleção de obras sobre Rio e urbanismo e para pedir seu exemplar gratuito do Guia do Rio editado pela Riotur. O livro também pode ser comprado pela Internet na Livraria da Travessa.

LISTA DAS PRAIAS (informações e fotos de cada uma você obtém no livro citado; a foto abaixo é do editor do blog):



ZONA OESTE

1 Praia de Sepetiba
2 Praia de Dona Luiza ou Recôncavo
3 Praia do Cardo
4 Praia do Aterro ou da Brisa
5 Praia da Ponta Grossa
6 Praia da Venda Grande
7 Praia da Pedra de Guaratiba
8 Praia da Capela 
9 Praia da Marambaia 
10 Praia da Barra de Guaratiba
11 Praia do Canto 
12 Praia dos Búzios

REGIÃO DA BARRA DA TIJUCA
1 Praia do Perigoso Pequena ou Perigosinho
2 Praio do Meio 
3 Praia Funda 
4 Praia do Inferno
5 Praia de Grumari
6 Praia do Abricó
7 Prainha 
8 Praia da Macumba
9 Praia do Pontal
10 Praia do Recreio dos Bandeirantes
11 Praia da Barra da Tijuca 
12 Praia dos Amores 
13 Praia da Joatinga 

ZONA SUL 
1 Praia de São Conrado ou Gávea
2 Praia do Vidigal
3 Praia do Leblon 
4 Praia de Ipanema 
5 Praia do Arpoador 
6 Praia do Diabo 
7 Praia de Copacabana 
8 Praia do Leme 
9 Praia Vermelha 
10 Praia de Fora  (Forte de São João)
11 Praia do Forte ou de Dentro (Forte de São João)
12 Praia da Urca 
13 Praia de Botafogo  
14 Praia do Flamengo 

ZONA NORTE
1 Praia de Ramos 
2 Praia do Galeão
3 Praia de São Bento
4 Praia da Bica  
5 Praia da Ribeira 
6 Praia da Engenhoca
7 Praia do Zumbi
8 Praia das Pitangueiras
9 Praia da Bandeira  
10 Praia do Cocotá 
11 Praia Congonhas do Campo ou Barão
12 Praia da Guanabara
13 Praia dos Bancários
14 Praia da Rosa
15 Praia do Dendê
16 Praia dos Gaegos 
17 Praias de Tubiacanga
18 Praia de Itacolomi 

PAQUETÁ
1 Praia dos Tamoios
2 Praia do Buraco
3 Praia do Catimbau
4 Praia do Lameirão
5 Praia Pintor Castagneto ou dos Coqueiros
6 Praia de São Roque
7 Praia da Moreninha ou Comprida
8 Praia José Bonifácio ou da Guarda
9 Praia do Veloso
10 Praia Manoel Luís
11 Praia Moema e Iracema
12 Praia da Imbuca
13 Praia das Gaivotas
14 Praia Grossa  

17.11.11

COW PARADE RIO 2011




As vaquinhas simpáticas estão de volta no que é "o maior e mais bem sucedido evento de arte pública no mundo". O blog Literatura & Rio de Janeiro, sempre sintonizado com tudo que embeleze e promova a nossa cidade, não poderia deixar de registrar e documentar o evento. Aliás as vaquinhas já estiveram por aqui em 2007, como você pode ver clicando no indicador Cow Parade abaixo. Segundo o site da Cow Parade, "Há algo de mágico sobre a vaca. Ela representa coisas diferentes para pessoas diferentes ao redor do mundo: é sagrada, é histórica, mas o sentimento comum é de carinho. Ela simplesmente faz todos sorrirem." Inclusive quando comem um bom churrasco, eu acrescentaria.

12.11.11

UM DIA ESPECIAL


"Graças a Deus a Rocinha
que estava mal-afamada
Pelas tropas legais
hoje está sendo ocupada
Aquela comunidade
Passa a ter tranquilidade
E vai ser pacificada"

Em Um dia especial publicado em sua coluna ontem em O Globo, escreveu Merval Pereira: "Ontem foi um dia especial para o Estado do Rio, e não apenas porque estava lindo, um daqueles dias de luz, festa do sol, da canção de bossa-nova que nós cariocas gostamos de afirmar que só mesmo uma cidade como o Rio pode proporcionar. Havia razões concretas, palpáveis, para transformar o dia em especial, e não apenas vantagens intangíveis. Muitos cariocas acordaram com uma boa notícia na manchete dos jornais - outros devem ter sabido na televisão de madrugada: Nem, o chefão do tráfico da Rocinha, havia sido preso." (para ler a matéria completa clique aqui

Míriam Leitão, em sua coluna Panorama Econômico, escreveu: "A prisão do chefe do tráfico na Rocinha e a previsão de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na favela ícone do Rio são promissoras para todos os bairros, seja onde ele se encastelava, seja os bairros do entorno, mas é também uma excelente informação para o Brasil inteiro. Tráfico de drogas existe aqui e em qualquer lugar do mundo, mas no Rio o que se viu por muitos anos foi a consolidação da ideia de que em certas áreas o poder público não podia entrar; as pessoas, as empresas concessionárias de serviço público só poderiam circular se tivessem a ordem ou a aquiescência dos donos do pedaço. É intolerável no Estado de Direito que haja pedaços do país em que a circulação de pessoas e dos representantes dos poderes constituídos não possa ocorrer por determinação de autoridades estranhas à democrática." (para ler a matéria completa clique aqui

Desde a sua criação o blog Literatura & Rio de Janeiro se manifesta contra a ditadura do tráfico (clique no marcador violência abaixo para ler nossas matérias a respeito), e é com satisfação que vemos o Estado retomar os territórios dominados. Assim como Oswaldo Cruz livrou o Rio do flagelo da febre amarela, acredito que a história verá o governador Sergio Cabral (auxiliado pelo incorruptível Secretário de Segurança José Mariano Beltrame e pelos bravos policiais da banda limpa) como aquele que, enfim, devolveu a paz à Cidade Maravilhosa, livrando-a do flagelo do tráfico.

Nota: Os versos de abertura são dos cordelistas Gonçalo Pereira da Silva, Manoel Santamaria e Antônio de Araújo. Saiba mais clicando aqui.