ENSEADA DE BOTAFOGO

ENSEADA DE BOTAFOGO
"Andar pelo Rio, seja com chuva ou sol abrasador, é sempre um prazer. Observar os recantos quase que escondidos é uma experiência indescritível, principalmente se tratando de uma grande cidade. Conheço várias do Brasil, mas nenhuma tem tanta beleza e tantos segredos a se revelarem a cada esquina com tanta história pra contar através da poesia das ruas!" (Charles Stone)

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA

VISTA DO TERRAÇO ITÁLIA
São Paulo, até 1910 era uma província tocada a burros. Os barões do café tinham seus casarões e o resto era pouco mais que uma grande vila. Em pouco mais de 100 anos passou a ser a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo. É pouco tempo. O século XX, para São Paulo, foi o mais veloz e o mais audaz.” (Jane Darckê Avelar)

24.7.10

CELEBRAR A VIDA COM AMIZADE E BELEZA BRASIL



VILMA CUNHA DUARTE, a "cronista de Araxá"


Às vezes, se gasta uma vida para perceber o óbvio ululante. O ser humano deixa a desejar na lucidez com “gostares ou não gostares”. Carência pede palavras de amor, ansiedade confunde as coisas,  indiferença ganha imaginação afetiva,  desejos viram o bom-senso de cabeça pra baixo.

Ainda bem que a maturidade chega, espantando bichos de sete cabeças, feras indômitas para a juventude teimosa. E esclarece: quando pessoas gostam de mesmo umas das outras, agem como tal.

Comecei mais um ano de vida com a querida amiga, no Rio de Janeiro deslumbrante. Diacho de maldade essa bocarra da mídia com a “Cidade Maravilhosa”. Fala, escreve e exporta uma imagem devastadora de umas das mais belas cidades do mundo. Um pecado! Problemas existem, mas não precisam ser tratados como obsessão.

Mírian e eu desfrutamos seis dias maravilhosos, sem ao menos vislumbrar um ato de violência. Cortamos o Rio dia e noite, de metrô, ônibus, a pé e muito pouco de táxi. O Rio está lindo, bem cuidado, ostensivamente protegido. Já perdi a conta das vezes que estive naquele paraíso paisagístico e cultural. Nada a declarar. Por que tanta gente morre de medo de ir lá? “Fogo amigo” na propaganda desastrosa. A velha mania de enxergar e falar muito mais de mal que de bem do Brasil e de brasileiros.

Custamos a chegar para as encomendas do coração. Amigos e parentes disputavam-nos. Delícia de puro gostar do jeito simples, generoso que prioriza, põe no colo, e abraça.

Escolada em viagens Brasil adentro e afora, sei que cada viagem tem um roteiro. Esta foi do gosto da amiga. Seis dias bonitos. Aproveitamos na boa medida. Descansei da minha rotina ocupada.

Um friozinho mentiroso pra nós, e vestido de casaco, cachecol, gorro e xale pelos cariocas.

Que delícia passar a manhã no paradisíaco Arpoador. Aquarela bem Brasil! Céu azul de doer em poesia, sol amarelo dourado, mar esmeraldino lambendo a areia com ondas branquinhas espumando de rir decerto, dos turistas em traje de banho.

História pedindo vez e ré na visita ao imponente Forte de Copacabana. Cultura rezando nas igrejas da Ressurreição, na esfuziante Catedral de São Sebastião, que abriga 18.000 pessoas. Tradição portuguesa pondo a mesa da alegria e comedoria nas festas dos santos de junho, no Mosteiro de Santo Antônio, justo no dia 13. Noutro na Igreja da Glória no Largo do Machado. Suspiros de encantamento com a majestade do Teatro Municipal ressuscitado na beleza da restauração, tudo misturado na brasilidade de Copa do Mundo, na amizade cantando parabéns, na celebração da vida em ação de graças por começar mais um ano inteira, feliz, rodeada e no Rio de Janeiro.

Rio velho e Rio Novo. Cada qual com seu encanto.

Esculturas e arquiteturas. Nos prédios com cara de Europa, na Lapa caso de amores antigos, de gente comum, artistas renomados, com samba, copos, arte, sensualidade. Escadarias de azulejos coloridos e poliglotas, programas e inocência, no ecletismo singular e fenomenal, que só o Rio sabe bancar. Na areia castelos... sereias...


Abrir os braços de frente para o Cristo Redentor e agradecer. A reinação dele no alto do morro do Corcovado e aquela manhã exuberante de sol. Que o mostrou às claras literalmente maravilhoso, para brasileiros e visitantes dos quatro cantos do mundo.

Andar, correr, brincar a orla inteira de Copacabana, conhecer o conjunto do Fifa Fan Fest com telão pra ninguém botar defeito, cumprimentar o Dorival Caymmi no outro extremo e descansar no quiosque com água de coco, chopinho e batata frita, que ninguém é de ferro não senhor.


Quase matar o Carlos Drummond com tantos abraços naquele banco onde o meu poeta vê o Rio passar, o povo passar, o dia nascer, a noite chegar e decerto, a poesia ficar.

Comer bacalhau do Zé do Pipo, moquecas de camarão peixe e lagosta tudo junto, e outros banquetes de lamber os beiços de satisfação.

Obrigada Rio, obrigada Ivo Korytowski meu amigo escritor,  companheiro, cavalheiro, e cicerone em todas as minhas idas.

Obrigada todo mundo que fez a gente muito feliz por lá. Até... quem não preciso contar. (Fotos fornecidas pela autora da crônica) .

3.7.10

GRAFITES CARIOCAS - GRAFFITI IN RIO



Onipresente nas ruas das grandes cidades, o grafite é uma arte que cresceu à margem da História da Arte oficializada nos museus e centros culturais. O reconhecimento de sua importância para a compreensão da cultura contemporânea, de sua influência para a constituição de uma nova linguagem visual e social, vem aos poucos tomando conta dos debates sobre a diversidade da arte pública urbana.


Grafite de Nazza Stencil no Parque Tom Jobim, Lagoa.

O termo grafite, originário do italiano graffiti (plural da palavra graffito), é atribuído às inscrições, caligrafias ou pinturas impressas sobre um suporte que não foi inicialmente previsto para essa finalidade. Em sua forma política, a pichação atravessou o século XX, registrando nos muros do planeta palavras de ordem contra o poder e a cultura vigentes. Em sua forma artística, surgiu nas ruas de Nova York, na década de 1970 e, ainda, durante as manifestações de maio de 1968, em Paris.


Grafite na Lagoa, perto do Colégio de Aplicação.

O grafite no Rio de Janeiro expressa-se por meio de linguagens e materiais diversos, criando um campo cultural com vocabulário próprio, que precisa ser desvendado.
[...]
Diferente dos monumentos que nasceram com a vocação de celebrar a memória e das obras contemporâneas que afirmam um novo lugar para a arte no espaço urbano, o grafite é uma elegia ao transitório, a rede multicultural que forma a cidade. [...]” (Texto de Mariana Varzea extraído do belo livro Arte Ambiente, mostrando uma perspectiva nova da beleza do Rio de Janeiro, vista a partir de sua coleção de arte pública.)


Grafite de Tito em Copacabana

O grafite convida à reflexão. O que é? Qual o significado? Que motivação teve o artista? Há uma ideologia por trás dessa imagem? Aonde quer chegar o realizador dessa arte com a pintura proposta? Por que não utilizar essa arte como mote para o trabalho em sala de aula?

A arte nas paredes é uma das mais antigas formas de expressão do saber humano. As pinturas rupestres encontradas em cavernas por paleontólogos, arqueólogos e historiadores demonstram que a partilha de idéias, sentimentos e histórias de vida através da produção de painéis pintados em paredes é uma efetiva e milenar forma de expressão.


Músico na Rua Prof. Gabizo, bairro Maracanã.

Nas grandes civilizações da Antiguidade, especialmente no Egito, Grécia e Roma, a utilização de variadas técnicas (mosaico, pintura, escultura) auxiliou a perpetuar as paredes como autênticos ateliês demonstrativos da cultura desses povos. O passar do tempo aperfeiçoou ainda mais essa arte/forma de comunicação. Não é possível desprezar, por exemplo, os belíssimos painéis nas paredes de prédios públicos da capital mexicana, que retratam a história daquele país, produzidos por Diego Rivera.

Nos dias de hoje, com a exponenciação técnica e a criatividade humana explorando cada palmo de terreno possível para a produção artística (desde o espaço virtual até a pintura no próprio corpo humano), ocorre o resgate da arte nas paredes, num autêntico "revival" da pintura rupestre, consolidando-se o grafitismo como linguagem artística urbana. (Trecho de “Grafite, uma arte na sala de aula” de João Luís Almeida Machado.)


Grafite de Noel Rosa num bar do Engenho de Dentro.

Detalhe do painel "BAMBAS DA LAPA" de outubro de 2010, uma criação coletiva dos artistas ACME, AFA, AIRÁ, AKUMA, BR, BRAGGA, CH2, CHICO, ECO, GODRI, JOU, MENT, PIA, SWK, TM1 e TOZ

DESDE A SUA CRIAÇÃO EM 2005, O BLOG LITERATURA & RIO DE JANEIRO ACOMPANHA A EVOLUÇÃO DOS GRAFITES NA NOSSA CIDADE. PARA VER A COLEÇÃO COMPLETA DE FOTOS CLIQUE AQUI. VOCÊ TAMBÉM PODE CLICAR NO INDICADOR "Grafites cariocas" ABAIXO.

21.6.10

FORTE DE COPACABANA: Os 18 do Forte


Nessa época crescia a oposição militar ao presidente da República Epitácio Pessoa. A eleição, em março de 1922, de seu sucessor Artur Bernardes foi considerada inaceitável por grande parte da oficialidade. Por outro lado, a interferência do governo federal na eleição para a presidência de Pernambuco em maio de 1922, utilizando tropas do Exército para favorecer o candidato apoiado por familiares de Epitácio Pessoa, provocou um telegrama de protesto da parte do marechal Hermes da Fonseca, então presidente do Clube Militar. A prisão disciplinar do marechal e o fechamento do Clube Militar, decretados no início de julho, aumentaram a agitação nos meios oposicionistas, particularmente entre os militares. A imprensa de oposição, tendo à frente o Correio da Manhã, concitava abertamente à rebelião.

Articulado com a conspiração que se desenvolvia no seio da oficialidade, Eduardo Gomes, então com 26 anos incompletos, deixou sua unidade no dia 4 de julho e colocou-se à disposição do comandante do Forte de Copacabana, o capitão Euclides Hermes da Fonseca, filho do marechal. Nesse mesmo dia entretanto, foi decidida a substituição deste último pelo capitão José da Silva Barbosa. Ao chegar ao forte em companhia do general Bonifácio da Costa para efetuar a troca de comando, o capitão Silva Barbosa foi com ele preso, por ordem do capitão Euclides, que contava com o apoio do tenente Siqueira Campos.


No dia seguinte, 5 de julho [nome de uma rua em Copacabana], eclodiu o levante do forte de Copacabana, movimento que iniciou o ciclo de revoltas tenentistas da década de 1920. Simultaneamente, rebelaram-se a Escola Militar do Realengo, parte da Vila Militar — elementos do 1º Regimento de Infantaria e do 1º Batalhão de Engenharia — e parte da guarnição do forte do Vigia, no bairro do Leme. Os rebeldes bombardearam vários objetivos militares, entre eles o quartel-general e o Arsenal de Marinha, forçando a transferência do comando militar e do Ministério da Guerra. Entretanto, após breves combates, as forças do governo dominaram a sublevação, controlando todos os focos da rebelião, com a exceção do forte de Copacabana. Diante desse quadro, que lhe foi exposto pelo ministro da Guerra João Pandiá Calógeras, o capitão Euclides Hermes da Fonseca franqueou a saída aos combatentes que desejassem abandonar o forte, o que foi feito por cerca de 270 dos trezentos homens que compunham a guarnição.

No dia 6 os combates prosseguiram e, quando Euclides deixou o forte para parlamentar com o ministro Calógeras, foi preso por ordem de Epitácio Pessoa. Prevendo essa possibilidade, Euclides havia instruído seu substituto no comando do forte, o tenente Siqueira Campos, no sentido de que bombardeasse a cidade caso ele não voltasse dentro de duas horas. O próprio Euclides, uma vez preso, fez gestões junto a Siqueira Campos no sentido de que a ameaça não fosse cumprida, mas quando Siqueira foi informado de que Epitácio Pessoa exigia a rendição incondicional, rompeu as negociações. Epitácio ordenou então que o forte fosse cercado por terra, mar e ar.


Contrapondo-se à sugestão de Siqueira Campos de que fosse explodido o paiol de pólvora do forte, Eduardo Gomes propôs a saída dos rebeldes para a rua e o combate corpo a corpo com as forças do governo, o que foi aceito. Siqueira Campos dividiu então em 28 pedaços a bandeira nacional, entregando um a cada revoltoso e guardando consigo o destinado a Euclides. Munidos de fuzis e revólveres, os rebeldes marcharam pela praia de Copacabana, recebendo no caminho a adesão de um civil, Otávio Correia, a quem foi entregue armamento e o pedaço da bandeira separado para Euclides. Liderado pelos tenentes Siqueira Campos, Eduardo Gomes, Mário Carpenter e Newton Prado, o grupo enfrentou as tropas do 2º Batalhão do 3º Regimento de Infantaria durante aproximadamente uma hora e 15 minutos. Desse combate resultaram dois oficiais mortos, Mário Carpenter e Newton Prado, além do civil Otávio Correia. Saíram feridos, entre outros, Siqueira Campos e Eduardo Gomes, este com fratura exposta do fêmur esquerdo.

O episódio, louvado em prosa e verso pelos jornais da época, passaria à história com o nome de “Os 18 do Forte”, título do poema de autor desconhecido publicado no Correio da Manhã em setembro de 1923. Na ocasião, o jornal publicou também uma fotografia do grupo marchando em linha, na qual não aparecia Siqueira Campos, que havia avançado, distanciando-se dos demais. Segundo Eduardo Gomes, Siqueira Campos lhe dissera haver identificado dez combatentes naquela foto. Na verdade, o contingente de 27 homens que havia permanecido no forte não participou da marcha em sua totalidade, pois alguns não chegaram a sair para a rua, enquanto outros abandonaram o grupo durante a caminhada. Assim, participaram dos enfrentamentos finais cerca de 11 combatentes, e não 18 como registra a história. Anos mais tarde, porém, durante uma homenagem aos 18 do Forte, Eduardo Gomes afirmaria haverem sido 13 os combatentes.


Dias depois dos combates, Epitácio Pessoa visitou os feridos no hospital, indagando a Eduardo Gomes, cujo pai era seu conhecido, as razões que o haviam levado a participar da revolta. Na ocasião, o tenente respondeu-lhe que não se arrependia de seus atos. Essa mesma postura foi mantida por Eduardo Gomes no seu julgamento, quando, assistido por Nilo Peçanha, sustentou o depoimento do inquérito policial e assumiu plena responsabilidade pela atitude tomada. 

Em novembro de 1922 Artur Bernardes tomou posse na presidência da República. No ano seguinte, por efeito de um habeas-corpus, Eduardo Gomes esteve algum tempo em liberdade, empenhando-se então na defesa dos cadetes expulsos da Escola Militar. Após quase dez meses de sumário, em dezembro de 1923 os revoltosos foram pronunciados como incursos no artigo 107 do Código Penal, acusados de tentativa de mudança de forma de governo através da violência (mais tarde essa decisão seria reformulada pelo Supremo Tribunal Federal, sendo os indiciados pronunciados no artigo 111 do Código Penal). No Natal de 1923, dois dias antes que sua prisão fosse decretada, Eduardo Gomes fugiu para Mato Grosso. Com o pseudônimo de Eugênio Guimarães refugiou-se na fazenda Taquaraçu, pertencente à família do marechal Bento Ribeiro, no município de Três Lagoas, e aí passou a trabalhar como mestre-escola. 

(Texto extraído da biografia de Eduardo Gomes no site do CDDOC da FGV. Fotos do editor do blog. Para mais informações sobre o Forte, endereço, horário, preço, mapa da área etc. consulte o GUIA DO RIO, seu guia carioca simples, prático e grátis, neste mesmo blog. Basta clicar na guia FORTE DE COPACABANA, lá em cima, no cabeçalho do blog.)


3.6.10

RIO ENFEITADO PARA A COPA

RUA DOUTOR LEAL, ENGENHO DE DENTRO




“ONDE QUER QUE VOCÊ VÁ ALI [NA ÁFRICA], TODOS ESTÃO JOGANDO FUTEBOL O TEMPO TODO. POR TODA PARTE.
CARLOS BILARDO, EX-TREINADOR DA LÍBIA E ARGENTINA


“2010 ESTÁ NOS LÁBIOS DE TODOS E O POVO DA ÁFRICA DO SUL ESTÁ ANSIOSO PARA DAR AO MUNDO UMA RECEPÇÃO AFRICANA CALOROSA.”
MOLEFI OLIPHANT, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE FUTEBOL DA ÁFRICA DO SUL


“QUANDO JOGAMOS, A COSTA DO MARFIM INTEIRA FICA CONTENTE.”
MEIO-CAMPISTA YAYA TOURÉ


O FUTEBOL NÃO É SIMPLESMENTE O ESPORTE MAIS POPULAR EM GANA, É COMO UMA RELIGIÃO.”
OTTO PFISTER, TREINADOR DA SELEÇÃO DE GANA VENCEDORA DA COPA DO MUNDO SUB-17 EM 1991


“GRAÇAS AO FUTEBOL UM PAÍS PEQUENO PÔDE SE TORNAR GRANDE.”
JOGADOR LEGENDÁRIO DE CAMARÕES ROGER MILLA


“SOMOS AINDA A SELEÇÃO DIFÍCIL DE DERROTAR NA ÁFRICA. CADA PARTIDA PARA NÓS É COMO UMA FINAL.”
EX-CAPITÃO DA NIGÉRIA JAY-JAY OKOCHA





Fotos do editor do blog. A Rua Doutor Leal foi a terceira colocada no concurso Esta Rua É Fera promovido pelo G1-RJ. Textos extraídos do livro FUTEBOL 10, escrito por Martin Cloake, Glenn Dakin, Adam Powley, Aidan Radnedge e Catherine Sauders e traduzido por Ivo Korytowski.

22.5.10

COMUNIDADE SANTA MARTA, NO MORRO DONA MARTA (BOTAFOGO)

Comunidade Santa Marta vista da Rua São Clemente. Observe o plano inclinado à direita.
Casas bem no alto, a parte mais pobre, algumas de tábuas.
Parte mais alta da favela e o Cristo ao fundo cercado por andaimes.
Em seus cinco anos de vida, o blog Literatura & Rio de Janeiro tem procurado mostrar um pouquinho de tudo: o Rio "turístico", com suas praias, Cristo e Pão de Açúcar, o Rio Antigo, o Rio Moderno (Barra), a Zona Portuária, a Zona Norte, as ilhas (Paquetá, Governador), parques, templos, etc. Mas ainda não havíamos tido a oportunidade de mostrar uma comunidade, uma favela. Isso porque vivíamos numa (empregando a expressão criada por Zuenir Ventura) “cidade partida”. Sob o jugo de traficantes fortemente armados, as comunidades haviam se tornado território proibido para o morador do asfalto. Escreveu Lilian Fontes em seu livrinho Santa Teresa: “Infelizmente não posso entrar nas favelas de Santa Teresa, conhecer suas entranhas, as casas, conversar com os moradores. O trânsito ali se fechou. Os últimos dez anos do carioca têm sido marcados por esta acirrada questão da guerra entre traficantes, [...] vedando totalmente os seus territórios.” Mas com a implementação gradual das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) começa a cair o Muro que dividia a cidade. A Comunidade Santa Marta, em Botafogo, a primeira a receber uma UPP, também é a primeira a receber a visita de Literatura & Rio de Janeiro, um blog que é de todos os cariocas.

Alto da favela visto da última estação do plano inclinado.
Idem.
A vista lá do alto: Botafogo, o cemitério e ao fundo Copacabana.
Contraste: favela e "asfalto". Observe a Lagoa ao fundo.
Lá vem o "bonde"!
A favela (parte inferior direita) e a cidade aos seus pés.
Praça Cantão.
Recentemente, num projeto de iniciativa de dois artistas holandeses, as casas em torno da Praça Cantão tiveram suas fachadas pintadas em cores vivas.
As casas pintadas em meio à fiação.
Grafite: Dia Internacional da Paz. (Fotos do editor do blog.)
PS em 23/3/2015: 
Outro dia, flanando por Botafogo, decidi dar uma nova espiada na comunidade que, tendo se celebrizado após a memorável visita do rei do pop Michael Jackson (com "permissão" da chefia do tráfico), após a pacificação, e embelezada pelo projeto de pintura das casas iniciado pela dupla de artistas holandeses Haas & Hahn (e depois ampliado), tornou-se atração turística. Desta feita permaneci na parte de baixo, não subi o plano inclinado. Aqui estão as fotos (agora com mais qualidade e colorido, tiradas pela minha nova Canon PowerShot de 16,1 megapixels):

Pelada na Praça Cantão

Grafite

Cores de Santa Marta

Comunidade fashion moda feminina

Bares

Igreja de Santa Marta


26.4.10

TIJUCA - PARTE I

ARQUITETURA, ARTE AMBIENTE, LOGRADOUROS. Fotos do editor do blog.

O Crepúsculo (Tijuca Tênis Clube).

Quem não admirará esse soberbo Corcovado, verdadeira maravilha, de cujo altivo píncaro se dominam as duas sumptuosas capitaes [Rio e Niterói], a magestosa bahia e o vasto oceano, a confundir-se com o firmamento, apresentando ás nossas vistas os panoramas mais bellos e mais variados que na terra se possam encontrar? E a encantadora Tijuca, coberta de formosos jardins e de virentes [=verdejantes] mattas, cortadas de límpidas fontes e de estrepitosas cascatas, que se escoam em alvíssimos aljofares [gotas d'água], quem deixará de admirar?

Joaquim Nogueira Paranaguá,
Do Rio de Janeiro ao Piauhy, pelo interior do paiz: impressões de viagem, publicado em 1905 pela Imprensa Nacional e transcrito na ortografia da época. O termo Tijuca tinha acepção mais ampla, designando a planície tijucana, atual bairro Tijuca, e também a montanha e floresta tijucanas, hoje Alto da Boa Vista, local do Parque Nacional da Tijuca, maior floresta urbana do mundo.)


Praça Saenz Peña. No fundo, as torres do Sumaré.
Estátua de bronze de Oswaldo Diniz Magalhães, radioginasta (Praça Saens Peña).
Escola Municipal Prudente de Morais (Rua Enes de Souza, 36).
Escola Municipal Soares Pereira, do final da década de 20: acesso avarandado com seis colunas toscanas lisas de granito e frontão ondulado (Av. Maracanã, 1450).
Shopping Tijuca.
Chafariz de ferro fundido do século XIX construído na França (Praça Comendador Xavier de Brito).
Antiga fábrica da Companhia Hanseática, depois Brahma, hoje Supermercado Extra

SALVE, TIJUCA!
Texto de Roger de Sena exclusivo para este blog

Pois é... chegou a hora da Tijuca aparecer no blog mais charmoso sobre o Rio!

A Tijuca não é um bairro com grandes atrativos. Pelo menos não daqueles que o turista, brasileiro ou estrangeiro, está acostumado a procurar no Rio. Porém a maior floresta urbana do mundo (Floresta da Tijuca) quase faz parte do bairro, a maior praia da cidade (Barra da Tijuca) a carrega em seu “sobrenome”, e o maior estádio de futebol do mundo é seu vizinho. Por tudo isso, e mais algumas outras coisas, a Tijuca é um bairro, no mínimo, pitoresco. Não sou um tijucano da gema – chamemos assim a quem nasceu e sempre morou lá - nem morro de amores por esse pedacinho de São Paulo encravado na Cidade Maravilhosa. Sim, porque seus moradores e sua geografia são um bocado parecidos com os dos “manos”. Lavar o carro na calçada ou na garagem continua a ser um hábito tão tijucano quanto paulistano.

OK, tirei a minha onda mas preciso dizer que estou tijucano, e por isso acompanhei o Ivo, junto com a Celina e o Valter, por alguns dos pontos mais curiosos, para que ele fizesse as fotos para o blog. Terminamos o passeio comendo as empadinhas do (bar) SALETE, na rua Afonso Pena, e, claro, tudo regado a muito chopp, que ninguém é de ferro!

Centro de Referência da Música Carioca, em palacete tombado e restaurado pela Prefeitura (Rua Conde de Bonfim, 824).

Ah! Tem mais: este ano, depois de, finalmente, vencer o desfile das escolas de samba do grupo especial, a Unidos da Tijuca fez o bairro frequentar as manchetes fora das colunas policiais. E uma UPP (Unidade de Policiamento Pacificadora) está prometida para a Comunidade do Borel (uma das maiores, se não a maior do bairro) para este começo de ano. Assim, esse outrora bucólico bairro carioca, voltará a fazer parte do roteiro bem cuidado da cidade!

Outra: sabiam que a Tijuca tem um hino? Mais ou menos assim: “Entre morros verdejantes / A Tijuca foi crescendo / Nas mansões, saraus e festas / E nas ruas, serestas / Violões tocando pelo ar / Os sons plangentes / Depois o silêncio vinha / Envolvendo em paz / As frias madrugadas de um passado  / Que não volta mais / (refrão) Mas no coração / A Tijuca não mudou / Mantém a tradição, a tradição!”

É mole? Está gravado em minha memória, junto aos outros registros que o alemão (Alzheimer) deixará para apagar por último. Então... coisas de quando as escolas públicas tinham aula de “Canto Orfeônico”!

Quem se dispuser a fazer uma busca pela net, certamente achará a partitura.
Salve, Tijuca!

Casarão em estilo europeu na Rua Saboia Lima. 
Velho botequim na esquina das ruas
Enes de Souza e Bom Pastor.
Simpático prédio de esquina nas redondezas do Colégio Militar.
Uma rua tranquila.
Saci na Praça Hans Klussmann ao lado do antigo reservatório, no final da Rua Saboia Lima

Casa da Vila da Feira e Terras de Santa Maria, clube dedicado ao folclore e danças lusitanas fundado em 1953, com extravagante decoração que reflete a origem portuguesa de seus sócios (Rua Haddock Lobo, 195).
Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, em estilo neocolonial luso-brasileiro (Rua Mariz e Barros, 775 - quase no bairro Maracanã). 
Ipê nos fundos do Hospital Gaffrée e Guinle.
O Palacete da Babilônia no Colégio Militar. Observe a Pedra da Babilônia atrás.
Antigo Colégio Marista São José (Rua Barão de Mesquita, 164).
Batalhão da Polícia do Exército (Rua Barão de Mesquita, 425).
Para encerrar com chave-de-ouro, as famosas empadas do Salete. Clique no marcador Tijuca abaixo para ver outras postagens sobre o bairro.