30.9.09

LAZARETO DE SÃO CRISTÓVÃO


Texto do livro de Helio Brasil, São Cristóvão (Coleção Cantos do Rio, Editora Relume-Dumará). Fotos do editor do blog, exceto as fotos finais antigas em preto-e-branco, as duas com iniciais NC, gentilmente cedidas por Nireu Cavalcanti, e a espetacular foto acima, do meu amigo Latvian, cujo incrível acervo pode ser contemplado no Panoramio.

Pintura de Leandro Joaquim, provavelmente de 1785, intitulada Procissão Marítima, exposta no Museu Histórico Nacional. Observe a antiga Praia de São Cristóvão e o Lazareto numa colina à esquerda. Reprodução obtida em Wikimedia Commons.
Lanternim e dois dos quatro coruchéus vistos da Rua São Cristóvão

Hospital Frei Antônio (ex-Hospital dos Lázaros): Fachada posterior

Experimente o leitor conhecer o Hospital Frei Antônio do Desterro.

Eis o que nos diz Moreira de Azevedo:

"Vagando pela cidade diversos indivíduos atacados de elephantiasis dos Gregos (sic), ou mal de são Lázaro, assustou-se o povo do contágio da moléstia.”

Aparentemente, doenças deformantes eram confundidas. Fosse como fosse, os inúmeros doentes davam má aparência ao centro da cidade, já tornada capital do vice-reino. O conde de Bobadela, Gomes Freire de Andrade, tentou dar condições ao antigo abrigo dos jesuítas no atendimento aos enfermos para removê-los do Centro. Para lá foram. Amontoavam-se os infelizes em casebres à frente do abrigo na praia de São Cristóvão. Mais tarde (1763), o conde da Cunha, sucessor de Bobadela, conseguiu implantar o Lazareto, graças à interferência de Frei Antonio do Desterro já sob a administração da Irmandade da Candelária.


Jardim

Pátio interno com azulejos e pisos em pedras portuguesas em estilo art nouveau do início do século XX

Detalhe dos azulejos

Após a vinda da família real, os morféticos foram removidos do prédio para que nele se instalasse o 3° Batalhão dos Caçadores, unidade de guarda da Quinta da Boa Vista. Ficaram os lázaros entre 1817 e 1833, sucessivamente, nas ilhas da Enxada e dos Frades (Bom Jesus), no litoral de São Cristóvão e, depois, trazidos de volta ao Lazareto. No período em que o batalhão permaneceu no edifício foram adicionadas instalações para os militares, resultando certa mistura no aspecto arquitetônico. Mesmo assim, do bloco principal, erguem-se quatro pináculos em torno de um central, mais alto, que empresta especial encanto à sua arquitetura.

Na praça Mário Nazaré, veja os vestígios do cais onde atracavam as embarcações e o rico portão de entrada. No interior aprecie o requinte que as sucessivas reformas criaram, envolvendo a primitiva capela de planta octogonal, dedicada a São Pedro e contemporânea da de São Cristóvão. No salão nobre apreciaremos os retratos a óleo, de corpo inteiro, do conde da Cunha e do próprio frei Antônio. Pelos corredores, testemunhos da azulejaria portuguesa, de refinados desenho e colorido.

Em nossos dias, em que a hanseníase já é curável, a Irmandade da Candelária garante assistência às remanescentes enfermas, idosas irmãs da Ordem, com asseio e carinho. De seu ex-pátio frontal, podemos contemplar o frontispício do prédio e parte do Cais do Porto.


Portas e azulejos de outro pátio interno

São Lázaro

Hospital Frei Antônio: fachada anterior

Fachada anterior: gradis em ferro e arcos neogóticos

Fachada anterior

Inscrição sobre granito, na porta principal, com a data de construção do prédio

Gradil e vista para o gasômetro e cais do porto

Fachada lateral: aqui os elementos colonais estão bem preservados, embora a platibanda seja um acréscimo posterior

Sino

Vista do alto. Ao longe, os guindastes do cais. Outrora o mar chegava bem mais perto!

Capela de planta octogonal (NC)

Conde da Cunha (NC)

Vitral art nouveau de Formenti de 1920 com inscrição Aqui Nasce a Esperança sugerida por D.Pedro II em 1881 no livro de visitas

Rico portão de entrada

Vestígios do cais onde atracavam as embarcações

Foto de 1906 da recém-inaugurada Avenida Francisco Bicalho. À esquerda o gasômetro e bem no canto o Lazareto

Hospital dos Lázaros em antigo cartão postal (gentilmente enviado por Paulo Renato Leite de Castro). 
Para ler uma história detalhada do Lazareto clique aqui. Para ver outras postagens neste blog sobre São Cristóvão, clique no marcador abaixo. O e-mail da Irmandade da Candelária, que administra o Lazareto, é sec@candelaria.com.br

Um comentário:

Ju disse...

Ivo,
jamais poderia imaginar que esse hospital fosse assim.É uma construção belíssima a começar pelo portão. Obrigada por revelar-nos tantas coisas lindas. Sou carioca, amo essa cidade e cada dia descubro que a conheço muito pouco. Ainda bem que existe o seu blog.
Ju