ATENÇÃO - NOVÍSSIMA VERSÃO DO MEU GLOSSÁRIO

Em 22/11/11 meu glossário Ivo Korytowski's English-Portuguese Translator's Dictionary chegou aos 30 mil verbetes e está disponível para download gratuito no Media Fire em http://www.mediafire.com/?lg9bul32mgzjj82
A versão disponível no site do Babylon está completamente desatualizada, é de três anos atrás.

CIDADE MARAVILHOSA

2.3.12

ANIVERSÁRIO DA CIDADE

No dia 1o de março de 2012, dia do 447aniversário da cidade, o blog Literatura & Rio de Janeiro bateu o recorde histórico de visitas num só dia: mais de quinhentas! A todos que nos honram com sua visita nosso muito obrigado e voltem sempre!

1.3.12

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DE AMOR AO RIO de Orlando Machado Sobrinho (Machadão)


Rio
Cidade Maravilhosa
Morada do sol, parque da alegria
Paraíso de tentações e prazeres
Alvas praias, morros verdejantes
Visão que deslumbra os visitantes
Apaixonados pelo teu ser


Rio
Fácil de dizer em todas as línguas
Crepúsculo divinal da Ave Maria


Rio
Cariocas de todas as raças
Paraíso da Paz universal
Rio sonho de ternura
Paixão cristalizada na espuma
Das ondas que noite e dia
Beijam Copacabana


Rio
Cidade em festa Pão de Açúcar
Santuário do Cristo Redentor
Rio alma sentida, dentro do meu coração
Amo quem ama o meu, o teu, o nosso Rio
Rio de Janeiro
Não existe outro igual



21.2.12

QUARTA-FEIRA DE CINZAS, de Antonio Bulhões


Quarta-feira. Cinzas. Os foliões mais fanáticos espicham a madrugada para se recolher, curtindo os derradeiros momentos da pândega em agonia. Caso não consigam álibis para reiniciar somente amanhã a soi disant vida séria, irão de tarde trabalhar, se arrastando nas pernas cansadas. ressacas ambulantes, enxaquecas indomáveis. Senhores graves, infensos à esbórnia generalizada, suspiram aliviados, simplesmente por não apreciarem ou por a condenarem do ponto de vista da moral e dos bons costumes. Em alguns bairros houve o hábito, perdido ao que eu saiba, de, na quarta-feira de cinzas, sair bloco — a exemplo do Chave de Ouro, do Engenho de Dentro — de adeus nostálgico ao Carnaval que estava terminando, simultaneamente propiciatório do próximo. Não eram grande coisa, limitando-se a alguns giros meio melancólicos pela vizinhança, em clima que Vinicius de Moraes e Carlos Lyra, na década de 6o, imortalizaram na Marcha da quarta-feira de cinzas:

Saudades e cinzas foi o que restou
Pelas ruas o que se vê
E uma gente que nem se vê
Que nem se sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor
E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade.

Entre esses extremos, os demais habitantes da cidade vão se acomodando, cada qual a seu jeito, reinserindo-se na devolução à normalidade. Como acidente de percurso registre-se, na quarta-feira de cinzas de 1922, a eleição de Artur Bernardes para Presidente da República. Turistas ainda são raros. Até para o ano, amigos! Ou, irmãos de credo e salseiro, até breve, quem sabe. É que o Carnaval, desde séculos e séculos, desde que comemorado a primeira vez (quando?...), sob a bênção e a inspiração de Dioniso, que Zeus o tenha!, termina a cada momento em que a fadiga física ou o tédio de viver o sufoca no coração de um carnavalesco e começa a cada momento em que o coração de outro carnavalesco se incendeia de prazer e riso.

Porque o Carnaval é assim: uma festa extraordinária, rodopiante, de insuperável dinamismo, atingindo todos os segmentos da sensibilidade humana, nenhum lhe escapa, feita de fragmentos de glória, de momentos de esplendor, de instantes de gozo, que duram frações de minutos ou eternidades, como elos de uma corrente mágica, uma corrente permanente, sempiterna, mistério que se deve e se pode viver intensamente, que não se deve e não se pode jamais abranger como um todo, muito menos supor que é possível reduzir a um texto compacto, limitado, enciclopedizado, mistério indecifrável, de tão complexo na dinâmica de sua estrutura, de tão longevo em sua trajetória no tempo. O Carnaval é uma unidade formada da fusão de unidades soltas?... Estará estampado no inconsciente de cada um de nós e de nossas coletividades? Será aquilo que é, como as estrelas, os rios, as tempestades — em concreto, uma força da natureza, que se manifesta através do homem. Desde séculos e séculos. Por séculos e séculos. 

Do volume 1 de Diário da cidade amada - 1922 de Antonio Bulhões. Nesta obra monumental em três volumes (acondicionados num estojo) premiada pela ABL, Antonio Bulhões vale-se do ano de 1922 como "pretexto" para traçar um painel amplo da cidade amada do Rio de Janeiro em seus mil e um aspectos.

3.2.12

NOS PROTEJA SÃO SEBASTIÃO: PADROEIRO DA CIDADE DO RIO

Nireu Cavalcanti (arquiteto e historiador – professor da Pós-Graduação da UFF e autor de O Rio de Janeiro Setecentista)




Hoje, 30 de janeiro, voltei ao local da tragédia ocorrida na Rua Treze de Maio para, silenciosamente, abraçar as luzes dos tragados pela incúria humana.
Ao me aproximar do local, pela direção do Largo da Carioca, avistei uma imagem dantesca que me pareceu serem as vítimas penduradas e deixadas como testemunhas da tragédia.


No âmago do sítio, envolvido pelo cenário angustiante, senti a mensagem de vida nas folhas ondulantes da árvore e no majestoso teatro Municipal intacto, com pequenas marcas de estilhaços em algumas vidraças.
Lembrei-me da história de nossa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e do feito de seu padroeiro em defesa de Estácio de Sá e de seus bravos guerreiros, que caíram numa cilada dos inimigos Tamoios. Era final de tarde de um dia de julho de 1566 e, estando em quatro canoas, os nossos fundadores partiram em perseguição a outras tantas inimigas.
De repente, surgiram por detrás do Morro da Viúva inúmeras canoas repletas de guerreiros Tamoios ― os cronistas da época afirmam ser 180. Nesse momento, surgiu à frente da pequena tropa de Estácio de Sá um jovem guerreiro iluminado e fez explodir a pólvora que uma das canoas inimigas carregava, levando-os ao pavor e à fuga.
Por muitos anos, foi comemorado esse feito milagroso chamado “Guerra das Canoas” no dia 20 de janeiro. Na Baía de Guanabara havia desfile de embarcações e espetáculo de guerra teatral entre algumas escolhidas.
Chamou a minha atenção a proximidade do Teatro Municipal aos prédios que ruíram e se tivessem tombado sobre ele, nada restaria da nossa jóia do Patrimônio carioca.
Pensei ― foi São Sebastião que ficou entre esses prédios e salvou-o!

Deixando essas “lendas históricas” com os nossos antepassados, podemos buscar na história carioca as tragédias que abalaram a cidade e as causas possíveis que as provocaram, ou contribuíram para que ocorressem. Para isso, buscarei as crônicas de Vieira Fazenda, escritas em jornais da época (1896-1914), inestimável legado para a história da cidade e da sociedade, em sua obra Antiqualhas e memórias do Rio de Janeiro, editada, em cinco volumes, pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.


        Vejamos dois exemplos de como o Poder público e os usuários da cidade, agindo contra o interesse coletivo e com equivocadas opções urbanísticas, geram problemas como esse do desmoronamento de três prédios, no centro da cidade do Rio de Janeiro.
         A origem de muitos dos problemas atuais de nossa cidade, decorre da incorreta ocupação do seu território pelos primeiros povoadores, e com anuência dos governantes, e continuada ao longo dos anos seguintes.
O centro atual da cidade foi construído numa zona alagadiça, com várias lagoas perenes, imenso manguezal e cortada por vários rios, riachos e córregos que se formavam com as chuvas torrenciais. Além de ser essa área plana, quase ao nível do mar da Baía de Guanabara e situar-se entre os morros isolados do Castelo (demolido em 1922) que abrigava o núcleo histórico da cidade, de São Bento (desbastado), de Santo Antônio (desbastado quase em sua totalidade), de Nossa Senhora da Conceição (desbastado) e do Senado (demolido) e dos morros contínuos da Serra da Carioca (Santa Tereza, Catumbi, Estácio e Rio Comprido), Santo Cristo, Saúde e Gamboa.
A ocupação dessa área deveria ser entre malha de canais a céu aberto, tipo Amsterdã. No entanto, a opção de nossos antepassados governantes e de sua população foi desbastar ou demolir os morros e aterrar as áreas molhadas. Criaram o território ideal para os alagamentos e desabamentos de encostas a cada chuva torrencial.
Vieira Fazenda cita as chuvas ocorridas em 14 de abril de 1756, que alagaram as ruas, transformando-as em rios navegáveis por canoas, sendo a mais violenta delas a ocorrida nos dias 10 a 17 de fevereiro de 1811. Além do alagamento de toda a cidade, parte do Morro do Castelo desabou sobre as casas do Beco do Cotovelo, que ficava em seu sopé, destruindo a maioria delas. Desabou também parte da barreira do Morro de Santo Antônio, na proximidade da atual Rua Treze de Maio. Entre os mortos nessa tragédia estava o famoso bêbado da cidade Bitu, motivo de chacota da garotada moradora nas redondezas do Morro do Castelo.
O autor ainda registra o “dilúvio” que caiu sobre a cidade, como a anunciar o fim do mundo, às 15h30 do dia 10 de outubro de 1864. Caíam pedras de gelo do “tamanho de avelãs” em tanta quantidade que as ruas ficaram cobertas. Destruiu várias edificações e destelhou todo o prédio onde funcionava a Fábrica de Gás, existente na atual Avenida Presidente Vargas. Esse problema se agravou com o adensamento de construções e a falta de educação da população, que joga nos logradouros e cursos de água lixo e outros dejetos.
Muitas edificações também eram destruídas pelo fogo, em função do sistema perigoso de iluminação com velas, pelo uso de combustível à base de óleo de baleia, principalmente, o gás (a partir de 1854) etc. e o uso de muita madeira nas construções. A Câmara de Vereadores chegou a estabelecer a proibição do uso do pinho-de-riga, em estrutura, piso e telhados por considerar essa madeira muito vulnerável ao fogo.
Nas construções recentes, a origem de muitos incêndios está na sobrecarga das instalações elétricas, na impropriedade dessas instalações com o uso de materiais inadequados e misturas de redes que deveriam ser separadas, como eletricidade e gás. Contribui para aumento e propagação desses sinistros a quantidade de objetos, revestimentos decorativos, móveis etc. de material inflamável como plásticos, papel, madeira e outros.

Poder público, construtores e empreendedores de edificações              

Quando os administradores públicos não governam visando os interesses coletivos e a qualidade de vida da população urbana, principalmente no caso de megalópoli como o Rio de Janeiro, o espaço urbano gerado torna-se o lodaçal apropriado à proliferação desses seres desumanos que exploram a cidade.
A legislação urbanística e edilícia da cidade do Rio de Janeiro, em sua essência, é para servir a especulação imobiliária e punir a Classe Média trabalhadora, que tem endereço, que paga IPTU e todas as demais taxas municipais ― incêndio, iluminação dos logradouros etc. Para ela, o rigor da Lei e para os seus extremos ― os pobres que vivem em áreas de risco (por falta de opção) e os ricos ―, a benesse da omissão do poder público.
Vejam os acréscimos nos edifícios da orla da Zona Sul ― quantos andares foram construídos, acima do último pavimento! Depois regularizam esses acréscimos através da “mais-valia”.
É o caso do edifício Liberdade (o mais alto), que era escalonado nos últimos andares e a Prefeitura aprovou acrescê-los até a fachada voltada para a Rua Treze de Maio.
A Legislação municipal (desde o Código de 1937) incentiva a verticalização das edificações, construídas coladas umas às outras, prejudicando a circulação do ar, a insolação dos cômodos e permite o tapamento dos acidentes geográficos (caso do Morro da Viúva) que formam a bela paisagem carioca. Sem falar que, no período de construção desses espigões, os prédios vizinhos são danificados, gerando eternos conflitos de indenizações que se arrastam anos a fio.
Essas barreiras arquitetônicas são focos de propagação de sinistros, como ocorreu no caso dos três prédios. Devemos lembrar que o Teatro Municipal escapou por ter uma rua separando-o dos demais e porque os prédios ruíram sem inclinar em sua direção.
Ou mudamos esse conluio pernicioso entre o poder público e os exploradores da cidade, ou teremos que apelar, como fez Estácio de Sá, para a proteção de São Sebastião.



As duas fotos do meio foram cedidas pelo autor do artigo; a da estátua de São Sebastião na Glória e a última foram tiradas pelo editor do blog.

20.1.12

VIDIGAL

Placas "UPP Vidigal" e "Iluminação": os serviços públicos chegam ao Vidigal. Azulejos do projeto O Caminho dos Direitos Humanos de Françoise Schein (2001). Um conjunto de painéis desse mesmo projeto pode ser visto na entrada da estação de metrô Siqueira Campos.

Com a inauguração da UPP (a 19a da cidade) na última quarta-feira, 18 de janeiro, o Vidigal, livre da ditadura do tráfico, integra-se ao tecido da cidade, podendo agora ser normalmente visitado pelos apreciadores da “arte de flanar”. Aproveitei o feriado municipal de 20 de janeiro, dia de São Sebastião, e fui lá conferir. Aqui está o resultado.
O Vidigal é um bairro sui-generis. Embora à distância pareça uma enorme favela, existe toda uma área não-favelizada a nordeste, e existe uma zona limítrofe onde prédios de classe média e casas, como a da segunda foto a seguir, convivem com a comunidade próxima.

O Vidigal visto de baixo

Casinha à esquerda e mercado Super Rede à direita

Os agentes de Viana [Paulo Fernandes Viana, intendente geral da polícia de 1808 a 1821] eram implacáveis e truculentos. O mais famoso deles foi o Major Miguel Nunes Vidigal. Segundo-comandante da nova Guarda Real, Vidigal tornou-se o terror da malandragem carioca. Ficava à espreita nas esquinas ou aparecia de repente nas rodas de capoeira ou nos batuques em que os escravos se confraternizavam bebendo cachaça até tarde da noite. Sem se importar com qualquer procedimento legal, mandava que seus soldados prendessem e espancassem qualquer participante desse tipo de atividade — fosse um delinquente ou apenas um cidadão comum que estivesse se divertindo. Em lugar do sabre militar, os soldados de Vidigal usavam um chicote de haste longa e pesada, com tiras de couro cru nas pontas. O major também comandou pessoalmente vários assaltos a quilombos montados por escravos fugitivos nas florestas ao redor do Rio de Janeiro. Em recompensa pelos seus serviços, Vidigal recebeu de presente dos monges beneditinos, em 1820, um terreno ao pé do Morro Dois Irmãos. Invadido por barracos a partir de 1940, o terreno está hoje ocupado pela Favela do Vidigal, de onde se tem uma vista privilegiada das praias de Ipanema e do Leblon.

Trecho de 1808
de Laurentino Gomes (pp. 234-5)



Vista para o mar

Ao looonge (está vendo???) Ipanema e Arpoador

Deve ser difícil viver num lugar com uma das vistas mais bonitas da cidade  o mar à frente e a Mata Atlântica nos fundos , um comércio abundante e, agora, segurança 24 horas. E é. O Morro do Vidigal pode ser considerado a Zona Sul das favelas cariocas, mas, embora tenha as qualidades acima, está longe de ser um ambiente ordeiro. Com a chegada da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), inaugurada na quarta-feira, a favela agora clama por uma faxina geral, um choque de ordem que ponha as coisas nos seus devidos lugares. (O Globo - Rio - para ler o resto da matéria clique aqui.)

As casas sobem o morro & os fios se entrecruzam

Homem de lata. Fotos do editor do blog.

15.1.12

ESTRADA DE FERRO FAZENDA MATO ALTO


Se eu contar que fiz um passeio de trenzinho maria-fumaça sem sair do Rio de Janeiro vocês acharão que é lorota, mas a foto acima não me deixa mentir. Sábado, 14 de janeiro, participei de um “Passeio Poético”, nos trilhos da Estrada de Ferro Mato Alto, promovido pelo Movimento de Preservação Ferroviária. Trata-se de uma pequena ferrovia, com cerca de 3,5 quilômetros de extensão, que o aficionado por trens Márcio Manela construiu em sua fazenda de gado, em Guaratiba. Ali passeamos em um trenzinho composto de vagões abertos construídos nas oficinas da fazenda, tracionados por uma das velhas locomotivas a vapor que o colecionador adquire e depois restaura nessas mesmas oficinas. “Passeio Poético” porque durante o passeio poetizas do grupo “Poetas do Trem” declamaram poemas sobre as velhas marias-fumaças (entre eles o que você lerá em seguida). Para mais informações sobre o Movimento de Preservação Ferroviária clique aqui. Para mais informações sobre a Fazenda Mato Alto e suas simpáticas locomotivas clique aqui. Para ver um outro informe sobre esse passeio poético clique aqui.





MARIA
Hernani Bottega

Ao raiar do sol, com um apito, ameaça a partida.
À tardinha, volta à romântica praça, início da ida.

Pertence a uma família cheia de graça.
Fama mundial, melhor não há quem faça.

            Chama-se Maria, Maria Fumaça

Gasta madeira, em carvão, na fornalha. Corre veloz,
serpenteia junto ao rio, aposta corrida com o albatroz.

Vence vales, sobe colinas, vara campos, assusta a caça.
Costura cidades, lugares e, por instantes, pela gente passa.

            Chama-se Maria, Maria Fumaça

Desfila imponente. Das outras se distingue bem à beça.
Engole trilhos com muita fome e diligente pressa.

E nesse contínuo vai e vem , o tempo passa.
Já quase, quase ninguém conhece Maria

            Maria Fuuu masss ÇAA


10.1.12

SER CARIOCA NÃO É CERTIDÃO DE NASCIMENTO, É UM ESTADO DE ESPÍRITO, de Aspásia Camargo


1. Riomania - Quando desponta o verão, tenho um encontro mágico e intransferível com minha cidade, o Rio de Janeiro. É o momento em que todos redescobrimos sua beleza e sedução. Suas riomanias, modismos e gingados, que se renovam a cada ano, revelando os seus mistérios e surpresas.  São as “bossas do verão”.


2. Somos gregários - Vivo também o prazer de  encontrar amigos em algum café ou bar de esquina, para comentar os últimos espetáculos, os próximos planos ou as mazelas da cidade. Por exemplo, como a cidade anda suja!


3. Pontos de encontro - No ano passado, várias tribos fizeram seu ponto no Arpoador, à noite, e as sorveterias de iogurte conquistaram a cidade! São as novidades que só o verão carioca oferece, aos que aqui vivem e aos que vêm ao seu encontro, atraídos por sua magia e sedução.


4. Rumo ao subúrbio! - A moda agora é frequentar novos recantos da cidade. Verdadeiras caravanas se organizam em busca do melhor botequim de subúrbio, com boa gastronomia a preços acessíveis, depois que alguns botequins tradicionais salgaram na conta. É o caso do Aconchego Carioca, em uma transversal da Rua do Mattoso, na Praça da Bandeira. Há também um porco embebedado no Cachambeer, em Cachambi, e um caldo de frutos do mar no Bar da Portuguesa em Ramos. É o charme da Leopoldina.


5. O verão sobe o morro - Cacá Diegues estava certo quando inventou Cinco X Favela. Agora, com muitas delas pacificadas, os cariocas frequentam mais as comunidades cheias de afetividade e emoção. Os estrangeiros, que vêm de países superindividualistas, ficam encantados com tanta interação. Comer uma boa feijoada no Bar do David, no Chapéu Mangueira é uma descoberta.  Mas houve também espetáculos de final de ano, nas lajes! Como o do Theatro Municipal na Rocinha, e a Orquestra Sinfônica no Alemão. A cultura erudita se mistura com a alma da nação.


6. O novo hit do verão - A onda agora é a redescoberta dos bairros, uma espécie de bairromania  que a Lei Seca facilitou. Afinal, ninguém quer levar multas ou perder a carteira frequentando bares muito longe de casa. Com isso, foram beneficiadas as economias locais. E, vamos combinar: é bem simpático frequentar as esquinas e a vizinhança, valorizando os arredores e os prazeres de nossa infância, como acontece em outros países que promovem sua própria cultura.


7. Aqui é o meu lugar - Como dizia o grande Osvaldo Nunes, “voltei, aqui é meu lugar, minha emoção é grande, a saudade era maior, e voltei pra ficar”. Então, fique! Puxe a cadeira, chame os amigos e, sem exageros, peça uma cerveja bem gelada… afinal, estamos no verão!


8. Fotomania - A reconquista dos bairros vem inspirando uma nova e verdadeira declaração de amor ao Rio de Janeiro.  As máquinas fotográficas e celulares clicam sem parar e são agora os olhos do carioca, que faz questão de apresentar as paisagens de sua preferência nas redes sociais. Esses flagrantes improvisados trazem a certeza de que o Rio de cada um continua lindo e merece virar a janela de todos nós.


9. How to be a carioca? - Ser carioca não é certidão de nascimento, é um estado de espírito. Uma opção de amor pela cidade de seus sonhos. Somos a única cidade do mundo que acolhe oficialmente [como cariocas] não apenas os que aqui nasceram, mas os que escolheram esta cidade para ficar. Além disso, são cidadãos honorários aqueles que voltam sempre e que têm pelo Rio um carinho especial, renovado a cada ano – em geral, no verão.


10. Identidade global - Já somos, sem perceber, uma cidade global. Nossa “carteira de identidade” preenche atributos típicos de uma metrópole internacional: capacidade de atração, espírito acolhedor, diversidade cultural, charme popular, opções de lazer e entretenimento. E mais aquela sensação de pertencimento:  aqui é o meu lugar. É este Rio global que precisa assumir o seu destino.


11. O que falta é gestão pública - Transporte de massa, escolas e hospitais de qualidade, um planejamento metropolitano, esgoto tratado, menos lixo, uma verdadeira economia empreendedora e criativa. E um Rio Banda Larga que, por enquanto, é apenas uma bandinha muito estreita… Mais alguns verões, e chegaremos lá!


Um ótimo verão carioca para todos!
Deputada Aspásia Camargo


Fotos do editor do blog

31.12.11

ADEUS 2011/FELIZ 2012!

5:47 da madrugada

COM ESTAS FOTOS DO AMANHECER EM COPACABANA

5:50

LITERATURA & RIO DE JANEIRO, O BLOG DE QUEM ADORA A CIDADE MARAVILHOSA,

5:54

DESPEDE-SE DE 2011

5:55

DESEJANDO AOS AMIGOS

5:58

UM FELIZ ANO NOVO

6:05

E CONTINUEM NOS VISITANDO

6:09

QUE SEMPRE TEREMOS NOVAS SURPRESAS!


6:17 - De novo a luz venceu as trevas

16.12.11

FESTIVAL DE PRESÉPIOS




Como se não bastasse a famosa Árvore de Natal, temos agora, pertinho da Lagoa, o belíssimo Festival de Presépios revitalizando o Jardim de Alah, parquinho que separa Ipanema do Leblon, onde eu brincava quando criança, mas que por muitas décadas andou meio esquecido & abandonado. Mais um dentre tantos eventos artísticos & culturais que abrilhantam a nossa Cidade Maravilhosa cheia de encantos mil.

15.12.11

FEIRA DE SÃO CRISTÓVÃO



no CENTRO LUIZ GONZAGA DE TRADIÇÕES NORDESTINAS
com trechos do cordel FEIRA DE SÃO CRISTÓVÃO do cantador, repentista, cordelista, violeiro e poeta JOSÉ JOÃO DOS SANTOS, O MESTRE AZULÃO


São Cristóvão é nos domingos
O ponto mais brasileiro
Encontro dos nordestinos
Que estão no Rio de Janeiro
Lá passam horas saudosas
Comendo coisas gostosas
E ouvindo um bom violeiro


O nordestino que fez
O grande Rio crescer
Construindo arranha-céus
Se arriscando a morrer
Comandado pelos gringos
Tem direito aos domingos
Ter seu lugar de lazer


O Campo de São Cristóvão
É palco de tradição
Dos primeiros nordestinos
Que deixaram seu torrão
Sua família querida
Vieram tentar a vida
Viajando em caminhão


Depois de dez, doze dias
Numa viagem sofrida
O Campo de São Cristóvão
Era o ponto de descida
Onde cada nordestino
Procurava seu destino
Em busca de nova vida


Iam para as construções
Onde outros trabalhavam
Trazendo carta e notícias
Dos parentes que mandavam
Aos domingos sem faltar
São Cristóvão era o lugar
Onde todos se encontravam


Ali passavam momentos
De saudade e alegria
Comprando coisas do norte
Que um e outro trazia
Fazendo reunião
No ponto da condução
De quem vinha e de quem ia [...]


Para matar as saudades
A feirinha era um consolo
Fava, feijão e farinha
Beiju, tapioca e bolo
Rapadura e requeijão
Alpargata e cinturão
Cachimbo e fumo-de-rolo


Chinelo e chapéu de couro
Maleta feita de sola
Alçapão pra passarinho
Colher de pau e gaiola
Apareceu folheteiro
Depois chegou sanfoneiro
E cantador de viola


Café e sarapatel
Pamonha e milho cozido
Ribaçã, carne-do-sol
Mel de abelha garantido
Feijão verde do sertão
Dando a gente a impressão
Que o norte estava chovido


Um pedaço do nordeste
Se via na Guanabara
Tinha até gente do sul
Conhecida pela cara
Uns vinham pra conhecer
Um comprar outro vender
Na feira dos paus-de-arara [...]


O Prefeito Cesar Maia
É grande admirador
Do caboclo nordestino
Honesto e trabalhador
Disse assim desta maneira
Eu vou dar a esta feira
Seu merecido valor


Vendo aquele Pavilhão
A anos desativado
Disse, não pode ficar
Este prédio abandonado
Vou tirá-lo da ruína
Para a Feira Nordestina
Vou construir um mercado [...]


No espaço grandioso
Fez a obra de primeira
Uma praça organizada
Com barracas em fileira
Cada, com sua extensão
Obedece a posição
De cada rua da feira


As ruas todas têm nomes
De pessoas de valor
Como diversos artistas
Cordelistas, cantadores
Alguns mortos, outros vivos
Uns que foram primitivos
Desta feira os fundadores


Tem a praça dos artistas
Cordelistas, e violeiro
O espaço do forró
Com o melhor sanfoneiro
Que no baião se destaca
Tem água em toda barraca
Com telefone e banheiro


A obra de César Maia
É atraente e granfina
A beleza arquitetônica
Nos encanta, nos fascina
Em qualquer ponto de vista
Vai atrair o turista
Para a Feira Nordestina


Quem já viu o Pavilhão
Em lixeira transformado
E hoje vê-lo tornar-se
No mais moderno mercado
Será do sertão a praia
O nome de Cesar Maia
Eternamente lembrado



Cantador, repentista, cordelista, violeiro e poeta, Mestre Azulão nasceu em Sapé da Paraíba (PB) e veio para o Rio de Janeiro com 17 anos. Herdou o apelido de Azulão de outro cantador, cujas toadas aprendeu aos 7 anos. Mestre Azulão é a memória viva da Feira dos Nordestinos, sendo um dos fundadores. Sua produção de cordel já atinge mais de 300 livros e já cantou na Europa e nos Estados Unidos. Morador de Japeri, Mestre Azulão tem três filhos, um de cada casamento. 



Postagem originalmente publicada em agosto de 2007 e posteriormente ampliada com fotos novas. O texto original, do cordel "O Poder Que a Bunda Tem", também do Mestre Azulão, que gerou alguns comentários, foi substituído no final de 2011 por este que você agora lê. Para mais informações visite o site da Feira de São Cristóvão. Clique no marcador "São Cristóvão" abaixo para ver outras postagens sobre esse histórico bairro carioca.