Literatura & Rio de Janeiro
O blog de quem ama o Rio de Janeiro, seus encantos, história, literatura e arte.
"Andar pelo Rio, seja com chuva ou sol abrasador, é sempre um prazer. Observar os recantos quase que escondidos é uma experiência indescritível, principalmente se tratando de uma grande cidade. Conheço várias do Brasil, mas nenhuma tem tanta beleza e tantos segredos a ae revelarem a cada esquina com tanta história pra contar através da poesia das ruas!" (Charles Stone, um dos milhares de visitantes deste blog)
18.11.09
9.11.09
ROTEIROS GEOGRÁFICOS DO RIO

Marcadores: Rio Antigo
5.11.09
MORRO DO PINTO no SANTO CRISTO


Nosso encontro começou na Praça Mauá. De lá, um ônibus nos deixou na Rua Santo Cristo. De pronto o Supermercado Mundial, em cujo prédio funcionava outro mercado onde minha mãe fazia as compras do mês, atiçou-me a memória. As imagens acotovelaram-se à minha volta.
Propus a subida pela Vidal de Negreiros, rua de pedras, com suas escadarias ladeando as casas à direita e à esquerda e logo logo vi mudanças: fachadas remodeladas, novos patamares construídos, a quitanda da quase esquina, agora residência. Virando a primeira à direita chegamos à Rua Carlos Gomes, última rua onde morei. O grande terreno que antes pertencia à Shell transformara-se num parque, que não chegamos a visitar.
Fui percebendo o preenchimento de terrenos baldios por novas construções. O antes chamado “morrinho”, à esquerda, por onde descíamos da Rua Deolinda para a Carlos Gomes já não existia. A paisagem vista da rua não mudara tanto, aparentemente. Em primeiro plano a desativada fábrica Bhering. Precisaria de muito tempo para avaliar os detalhes que percebia em criança, para compará-los aos atuais. Conseguiria apontar as diferenças? Seria como tentar resolver um jogo dos 7 erros, usando apenas a memória. Sem chance. Melhor seguir em frente.

Adiante, os prédios maiores, que vão da Carlos Gomes à Deolinda, pertencentes cada um a uma mesma família. Para mim, criança, residência dos mais “ricos” da rua. Lá do alto, no terceiro andar de um deles, a cabeça branca da antiga professora de piano, por quem eu tinha admiração enorme, nos acenou ao meu chamado. Prometi voltar outro dia, com mais tempo. Dali podíamos ver parte da ponta do Caju, Estação da Leopoldina, São Cristóvão, o Cais do Porto, a Ponte Rio-Niterói, a Ilha do Governador. Ao longe, encarapitada numa pedra cinza, à esquerda, a Igreja da Penha que conseguia distinguir, amparada na memória dos dias em que a via iluminada.
Continuando a subida, o contato com os prédios por onde passava para ir à Igreja de N.S. de Montserrat. Num deles, à entrada, ainda estava fixado o símbolo da Guarda Noturna, uma plaquinha redonda, em branco, preto e vermelho, com a figura de um galo. Ivo reconheceu-o. Tempos idos do Rio de Janeiro.

Chegamos à rua mais alta, a Mont'Alverne, cujos casarios, alguns repintados, outros remodelados, continuam os mesmos, inclusive a antiga “venda do seu Alfredo”, datada de 1922. Adiante, na praça, a Igreja de N.S. de Montserrat, maltratada é certo, inclusive com seu coreto transformado em varal de roupas, mas certamente mantendo o espírito sagrado a quem a visita por dentro (assim espero). A vista alcança a Av. Presidente Vargas, Santa Teresa, a estação da Central do Brasil, o centro da cidade do Rio de Janeiro. Do outro lado da montanha, mais à esquerda, a zona sul. À direita, a zona norte.
Voltamos pela Mont'Alverne para chegarmos à Rua Farnese, onde Ivo queria fotografar preciosidades. Começamos a fazer o caminho que durante alguns anos percorri para chegar à Escola General Mitre, na própria Farnese. Trajeto sinuoso, de tantas recordações. Adiante, já no entroncamento com a Rua Mariano Procópio, deparei-me à direita com a casa em que nasci, lá nos fundos do terreno. Infelizmente, a foto se perdeu. Um dia volto lá. A Farnese está “melhorada”, não é mais de terra e as casas conservadas mantém um ar aconchegante de cidade do interior. Enfim, e para nosso deleite, Ivo encontra as três construções tombadas pela Prefeitura, lindas casas que eu, menina, não sabia do valor histórico.

Subimos a Saldanha Marinho, de casas menos conservadas, apenas algumas remodeladas. No alto da Saldanha Marinho, entroncamento com Mont'Alverne, paramos no largo onde ficava o Clube 13 de Maio, no qual brinquei em bailes de carnaval. Ali se dava o encontro dos maratonistas do circuito que havia pelas ruas do morro, em todo último domingo de julho. Segundo informação de morador atual, tal evento permanece até hoje, apenas terminando em outro local. O clube não mais existe. Hoje é residência.
Seguimos para a Rua Sara, longa rua que nos leva à Rua Santo Cristo, embaixo. Lá paramos no bar do Omar, simpaticíssimo e acolhedor, onde bebemos água e visitamos o novo piso que ele está fazendo e de onde fotografamos parte da paisagem. Vê-se a Rua Pedro Alves abaixo, que chega à Estação da Leopoldina, onde ficava a antiga fábrica de Açúcar Pérola; a Ponte Rio-Niterói, a chaminé e o globo da Bhering, onde havia um relógio que funcionava; à esquerda destacando-se São Cristóvão: o pavilhão, atual Feira Nordestina, o prédio da antiga faculdade de engenharia da UFRJ, o Lazareto. À direita, em tom amarelado, vê-se o novo templo do samba na cidade, a Cidade do Samba.
Descemos a Rua Sara e chegamos à Rua Orestes, à direita, onde funcionava a fábrica Bhering, de doces recordações. Bem recebidos por duas pessoas à entrada, soubemos que a fábrica mudou-se para Varginha, MG, mas suas instalações atualmente são locadas para diversos eventos, inclusive gravações de filmes e novelas, funcionando, também, no segundo piso uma loja de móveis fabricados com madeira de demolição e objetos antigos.
À pergunta sobre as guloseimas que a Bhering fabrica, puseram à nossa disposição para compra os maravilhosos e tradicionais caramelos cobertos de chocolate, embrulhados em papel azul com bolinhas brancas. Final doce e feliz para nosso agradável passeio ao Morro do Pinto, que parecia dormitar a sesta tranqüila, tal uma cidade de interior.





















1.11.09
HISTÓRIA URBANA





















Marcadores: Copacabana
27.10.09
COM HELIO BRASIL EM SÃO CRISTÓVÃO
O leitor me acompanhe em imaginárias caminhadas, avalie onde está a história e, sobretudo, me releve a tentação de falar dos dias em que o bairro ainda não fora injuriado por intervenções desastrosas. Se ao fim deste livro estiver convencido de que São Cristóvão encerra muito da história do Rio de Janeiro e, sem exageros, do Brasil, estarei satisfeito.

(Helio Brasil, São Cristóvão, Relume Dumará, pág. 14. Legendas das fotos a seguir — exceto textos entre colchetes — extraídas deste maravilhoso livro.)
A grande intervenção paisagística da Quinta [da Boa Vista] ocorre na segunda metade do século XIX, quando Pedro II incumbe o francês (nunca nos faltaram franceses para embelezar o Rio) Auguste François Marie Glaziou, como Diretor dos Parques e Jardins da Casa Imperial, de dar o toque artístico nos jardins do parque. O traço do francês já se fizera presente no Passeio Público e Campo de Santana. (pág. 115)
Proclamada a República, o palácio [imperial] abrigou a Assembléia Constituinte e, a partir de 1892, torna-se o Museu Nacional. [...] O Acervo do Museu é notável, sobretudo as peças tão caras ao imperador, ligadas à arqueologia. (págs. 114-5)
Descendo a Fonseca Teles encontraremos o Bairro de Santa Genoveva (na verdade, um minibairro), um conjunto residencial com arruamento ajustado à topografia do morro denominado do Breves. (pág. 78)
Não faltou ao núcleo uma capela devotada a Santa Genoveva, protetora de Paris. Convém lembrar que até a Segunda Guerra Mundial ainda éramos muito afrancesados em gostos e em nomenclaturas. (pág. 79)
Por trás do campo de São Cristóvão, na rua General Bruce, ergue-se no morro de São Januário, desde 1921, o Observatório Nacional, transferido do morro do Castelo. A visita ao local, principalmente agora em que lá foi criado o Museu da Astronomia, nos deixa maravilhados com o prédio principal [foto] e...
...as cúpulas onde estão instalados os telescópios, É imperdível a beleza da área verde do terreno, a cavaleiro do bairro. (pág.71)

Caminhando para o Campo de São Cristóvão, visite o prédio neogótico do Educandário Gonçalves de Araújo. Deixe-se encantar pelos jardins cuidados à frente do edifício. Espante-se com o caprichoso tratamento das escadas e não deixe de ver a capela interna. (pág. 104)

[Educandário visto do Observatório]
Para tornar-se cristão foi aconselhado a servir ao próximo. Dedicou-se a ajudar viajantes na passagem de um caudaloso rio, carregando-os nos ombros. Certo dia um menino solicitou seus serviços, e Réprobo, ao desincumbir-se deles, surpreendeu-se. Somente com enorme esforço, arrastando inesperado peso entre águas revoltas, concluiu a travessia, deixando a criança a salvo na outra margem. Foi-lhe então revelado que transportara em seus ombros o próprio filho de Deus e, conseqüentemente, os pecados dos homens por ele redimidos. A partir dali, batizado, ganhou o nome de Cristóvão (Cristophoros - o que carrega Cristo). (págs. 17-18)
[São Roque] é festejado em 16 de agosto, com a retumbância de fogos de artifício que faziam rubros os céus do bairro e trêmulos os nossos muros, forte tradição do bairro. (pág. 78)

Visite a casa da marquesa de Santos, a Domitila de Castro Canto e Melo, que tanto trabalho deu à corte do Primeiro Reinado. Saiba que a construção é um dos exemplares da arquitetura neoclássica no Rio de Janeiro e tem em seus interiores belos trabalhos de artistas importantes. [...] É hoje o Museu do Primeiro Reinado. (págs. 107/109)
Em frente à escola [Nilo Peçanha] está o Museu Militar Conde Linhares, o Museu de Artilharia. O edifício abrigava os cursos de preparação de oficiais da reserva (CPOR). (pág. 76)

Ao lado [do Hospital Quinta D'Or], no mesmo terreno, uma centenária e modesta capela dedicada a São Francisco de Paula. [...] A capela é pequena e o que encanta são sua singeleza e o desenho neogótico. [...] Revi, emocionado, os velhos santos. São José, São Luiz Gonzaga... Não sei se me reconheceram. Notei em um dos anjos tocheiros um leve sorriso de desdém... [págs. 81-2, 85, 87)
[O Pavilhão] serviu para exposições durante algum tempo e, depois, esteve prestes a ser demolido. Foi salvo pela instalação oportuna da feira no seu interior, ganhando especial colorido com as comidas típicas, as músicas e os festejos que tanto falam à alma brasileira então lá preservados. Tudo ali recorda os primeiros momentos em que nordestinos chegavam no Campo em seus transportes arriscados para tentar a sorte na grande cidade que ajudaram a construir. (pág. 105)
O Campo de São Cristóvão, de fundamental importância para o bairro, é considerado seu centro geográfico. No início do século XX o Campo mereceu reforma caprichada do governo Pereira Passos. [...] Na grande praça, restam o coreto e o mictório, equipamentos muito comuns e típicos nas praças brasileiras. (págs. 63/65)
O Zoológico é uma grande conquista do bairro e fator de valorização para o parque e para o Rio de Janeiro. O projeto de suas instalações originais nos idos de quarenta é do arquiteto David Azambuja.
Postagem originalmente publicada em 21/7/06. Fotos do editor do blog. Para acessar uma monografia de Rejane Sobreira Minato sobre a história do bairro de São Cristóvão clique aqui. Para ler matéria sobre a revitalização do bairro e ouvir um áudio de Helio Brasil, clique aqui. Para ver outras postagens sobre São Cristóvão clique no marcador abaixo.
Marcadores: Helio Brasil, São Cristóvão
20.10.09
O 11 de Setembro do Rio
Marcadores: violência
19.10.09
A MAGIA DAS ESCADARIAS


Ascender, subir, elevar-se – palavras que se associam a redenção, sucesso, vitória: ascender aos céus, subir na vida, elevar-se por seus próprios méritos.
Nossas simples escadas domésticas, ou mesmo as escadas utilitárias dos profissionais - como os pedreiros, pintores, ou todos os que se utilizam desses instrumentos de subir - essas não têm a tal magia; não nos escondem nada, não ameaçam nos surpreender de repente com algo inusitado. Cumprem sua missão de nos elevar do chão, e pronto.

Mas, mesmo as escadarias leigas nos apresentam essa magia. Nas cidades em que há escadarias, parece que existe sempre alguma coisa que nos espera para além delas, algo que jamais conseguiremos atingir, mesmo tendo chegado ao cimo da longa escada.
Reparem que há sempre magia nessas cidades cheias de ruas íngremes e cobertas de escadarias.
Quando chegamos ao alto de uma dessas escadarias, seria natural uma sensação de triunfo, uma espécie de orgulho, ou mesmo uma certa arrogância advinda do sucesso. Olhar de cima é uma metáfora geralmente transformada na realidade, nua e crua, da dominação de uns sobre outros, dos poderosos sobre os fracos, dos ricos sobre os pobres, dos que mandam sobre os que devem obedecer.
Eu, curiosamente, quando subo, lentamente, uma dessas escadarias, e chego ao seu término, lá no alto, sinto-me um pouquinho mais humilde, menos pretensioso. É como se o esforço e a dificuldade vencidos purgassem, ainda que minimamente, minhas possíveis pretensões de ser maior, ou melhor, ou mais poderoso.
Já na descida não vejo magia nas escadarias. Tudo se reduz ao ato simples de descer, mesmo quando envolvido numa paisagem cativante. Talvez porque, descendo, podemos reduzir quaisquer pretensões à real condição em que todos vivemos: cá embaixo, no mesmo nível, igualados tanto na possibilidade de subir quanto na inevitável condição de, um dia, ter de descer.
Claro, meu prezado leitor, que não resisto a utilizar as escadarias em sua imagem usual: a de metáforas da vida, no seu sobe e desce constante e inexorável. Mesmo nossa vida orgânica é isto: do nascimento como base da escadaria, passando pelo ponto mais alto, no vigor da juventude e da maturidade, depois descendo, na direção da velhice, até voltar à base, representada pela morte.
Independentemente da magia que vejo nelas, acho as escadarias lindas, e sempre rendo uma homenagem muda a essa maravilhosa invenção, desde que foram escavadas nas rochas ou em troncos, com esses degraus que nos permitem ascender ou descer.
Os degraus de uma escadaria, com sua beleza simples e ordenada, guardam em si marcas indeléveis dos passos que nelas subiram. Num dia calmo, num momento mais silencioso do dia, talvez seja possível até ouvir o ruído de tais passos, que já subiram, desceram e para sempre se perderam nas escadarias do tempo vivido.


J. CARINO é professor universitário aposentado, consultor e escritor. Para ler outras crônicas suas, visite seu blog ou compre seu livro Olhando a Cidade e Outros Olhares.
2.10.09
PARABÉNS, RIO!







RIO DE JANEIRO DE ENCANTOS MIL












O Rio é simplesmente incomparável !

Texto originalmente publicado no livro Anos de avanço na educação, no Jornal de Brasília e Jornal do Commercio. Postagem originalmente publicada neste blog em junho de 2007 mas vale a pena ver de novo. Fotos do editor do blog.
Marcadores: crônicas sobre o Rio
30.9.09
LAZARETO DE SÃO CRISTÓVÃO



Eis o que nos diz Moreira de Azevedo:
"Vagando pela cidade diversos indivíduos atacados de elephantiasis dos Gregos (sic), ou mal de são Lázaro, assustou-se o povo do contágio da moléstia.”
Aparentemente, doenças deformantes eram confundidas. Fosse como fosse, os inúmeros doentes davam má aparência ao centro da cidade, já tornada capital do vice-reino. O conde de Bobadela, Gomes Freire de Andrade, tentou dar condições ao antigo abrigo dos jesuítas no atendimento aos enfermos para removê-los do Centro. Para lá foram. Amontoavam-se os infelizes em casebres à frente do abrigo na praia de São Cristóvão. Mais tarde (1763), o conde da Cunha, sucessor de Bobadela, conseguiu implantar o Lazareto, graças à interferência de Frei Antonio do Desterro já sob a administração da Irmandade da Candelária.



Na praça Mário Nazaré, veja os vestígios do cais onde atracavam as embarcações e o rico portão de entrada. No interior aprecie o requinte que as sucessivas reformas criaram, envolvendo a primitiva capela de planta octogonal, dedicada a São Pedro e contemporânea da de São Cristóvão. No salão nobre apreciaremos os retratos a óleo, de corpo inteiro, do conde da Cunha e do próprio frei Antônio. Pelos corredores, testemunhos da azulejaria portuguesa, de refinados desenho e colorido.
Em nossos dias, em que a hanseníase já é curável, a Irmandade da Candelária garante assistência às remanescentes enfermas, idosas irmãs da Ordem, com asseio e carinho. De seu ex-pátio frontal, podemos contemplar o frontispício do prédio e parte do Cais do Porto.
















Para ler uma história detalhada do Lazareto clique aqui. Para ver outras postagens neste blog sobre São Cristóvão, clique no marcador abaixo. Para ver uma exibição de slides do Lazareto clique aqui. O e-mail da Irmandade da Candelária, que administra o Lazareto, é sec@candelaria.com.br
Marcadores: Helio Brasil, São Cristóvão
21.9.09
ÁRVORES DO RIO
POSTAGEM ESPECIAL COMEMORATIVA DO DIA DA ÁRVORE
Textos extraídos do maravilhoso livro Árvore Cidade, de Mariana Varzea, Roberto Ainbinder e Cesar Duarte.


"Trazida das Guianas pelo paisagista Roberto Burle Marx, o abricó-de-macaco é uma espécie amazônica muito ornamental, não só por causa dos frutos, mas também por causa das flores que saem diretamente do tronco e são motivo de festa para insetos, animais e namorados."
Duas primeiras fotos tiradas perto do MAM, terceira no Largo do Machado e quarta em Laranjeiras (Rua Cardoso Junior).









COQUEIRO-DA-BAHIA:
"Sabe-se que há muito tempo o coqueiro freqüenta as praias do Brasil, da África e da Ásia, unindo paisagens tão distintas. [...] O coqueiro só passou a fazer parte do paisagismo urbano do Rio na década de 1960, no Parque do Flamengo, projetado por Burle Marx."




"Conhecida no Brasil como falsa-seringueira ou seringueira, por causa do suco de látex que produz, a figueira italiana [ou fícus italiano] já faz parte da paisagem carioca há mais de cem anos. [...] No Parque do Flamengo, próximo à Marina da Glória, há um conjunto monumental que impressiona pela imponência."
Fotos tiradas no Aterro do Flamengo, Largo do Machado (observe o tamanho das folhas deste tipo de fícus) e Rua Bartolomeu Mitre, no Leblon.



"Quando Glaziou foi contratado para embelezar as ruas da cidade não poderia imaginar o quanto o seu pensamento urbanístico iria marcar a nossa paisagem. Nem poderia prever que esta figueira monumental, trazida da Ásia, iria se transformar numa praga a ser dominada no início do século XXI." [Veja a bela crônica de Artur da Távola Velhos Fícus como Eu, neste blog.]
Fotos tiradas na Praça N.S. da Paz, Ipanema (duas primeiras) e Campo de Santana (duas últimas), onde encontramos fícus monumentais.




Dizem os indianos que foi sob a sombra de um Ficus religiosa que Buda atingiu o Nirvana. [...] Por sua monumentalidade, a figueira religiosa foi escolhida para embelezar os canais da cidade [...] A copa é composta por folhas [...] no formato de um coração.”
Fotos tiradas na Praça N.S. da Paz (na calçada externa ao cercado) e Largo do Machado (observe a forma de coração com ápice pontiagudo da folha).


"Fazendo jus ao nome francês, que quer dizer 'flamejante', suas flores cor-de-laranja e avermelhadas anunciam a chegada do verão e 'colocam fogo' na paisagem."





"O ipê é uma das espécies brasileiras mais conhecidas e cultivadas. Dizem que só não deu nome ao Brasil porque Cabral chegou por aqui no verão e o ipê só se torna exuberante no inverno."
Os ipês florescem entre junho e setembro. Existem ipês amarelos, rosas e roxos. As fotos foram tiradas em frente da Igreja Santa Teresinha em Botafogo, Centro, Catumbi, Copacabana (na praça à entrada do Túnel Velho) e Urca (três últimas fotos - observe na última as flores caídas sobre a camionete).







"O oiti é uma espécie da Mata Atlântica. [...] Embeleza as principais vias do Rio de Janeiro desde o século XIX, quando Glaziou o introduziu no Centro da cidade. [...] Chama a atenção pela copa majestosa, com variada tonalidade esverdeada, resultante da mistura das folhas antigas com as novas. [...] É no enfrentamento do concreto dos viadutos como o Elevado Paulo de Frontin, e de avenidas, como a Av. N. S. de Copacabana, que o oiti mostra a resistência da mata brasileira."


"Sua origem é a mata virgem sul-americana. [...] É ideal para embelezar parques e jardins e foi muito utilizada por Burle Marx em seus projetos."
A Paineira floresce no outono. As três primeiras fotos abaixo foram tiradas na Cinelândia e a última no Largo da Carioca, todas em maio.



"Chegou ao Brasil nas mãos de um português, vindo da França, para ser dada de presente ao rei D. João VI. [...] Na cidade, as palmeiras documentam uma fase de nossa história e onde quer que estejam significa que vamos encontrar uma parte do nosso patrimônio cultural."


"Pata-de-vaca é uma árvore de pequeno porte e traz um encanto especial para canteiros e ruas onde o casario predomina. [...] Recebeu o nome popular por causa do formato de suas folhas."
Duas primeiras fotos tiradas na Lapa. A última, que mostra a flor de perto, foi tirada no Aterro.



"O pau-brasil deu nome ao nosso país, por causa da cor avermelhada, lembrando a brasa, de sua madeira. [...] No paisagismo urbano, sempre foi plantado em ocasiões oficiais e datas comemorativas."
Fotos tiradas no jardim do Palácio do Catete e no Parque da Catacumba (Lagoa).

"Burle Marx, com o olhar visionário que habita a alma de todos os paisagistas, usou o nativo pau-rei como uma barreira natural contra a arquitetura cada vez mais verticalizada da cidade. O porte monumental deu origem ao próprio nome."

Textos (entre aspas) extraídos do livro Árvore Cidade, de Mariana Varzea, Roberto Ainbinder e o fotógrafo Cesar Duarte. Para obter mais informações sobre estas e outras árvores do Rio, recomendamos adquirir esse maravilhoso livro ilustrado (clique no nome acima). Fotos do editor do blog. Postagem originalmente publicada no Dia da Árvore de 2006 e acrescida de fotos e textos novos em 2007 e 2008.
Marcadores: árvores
17.9.09
POR QUE O LEBLON?



É o que algumas pessoas do bairro me perguntam, sempre que eu escrevo uma novela. Por que não Ipanema, Copacabana, Barra ou então Tijuca, Jacarepaguá, Vila Isabel, Gávea, Jardim Botânico... Enfim, por que não qualquer outro bairro do Rio? Por que o Leblon?
Alguns moradores fazem essa pergunta com simpatia e afeto. Mostram-se sorridentes, acarinhados e até envaidecidos com a minha escolha permanente. De outros, a indagação surge como um protesto, sempre acompanhada por um rosário de razões afeitas à cidadania, a começar pela queixa contra os caminhões da TV Globo, que deixam as ruas intransitáveis, tumultuando a vida dos moradores. E há também os que reclamam do alto preço dos imóveis – para comprar ou alugar –, por culpa minha, dizem eles, que valorizo o bairro na novela, fazendo parecer que aqui é o paraíso, onde não há violência, nem sujeira, nem descaso das autoridades públicas. Porém, no frigir dos ovos, estabelece-se uma divisão fifty-fifty: os que gostam e os que não gostam. Para os idosos, crianças, babás e seus bebês, a sensação é de festa permanente, de feriado ininterrupto. Ao lado disso tudo há, obviamente, violência, sujeira e descaso das autoridades públicas, como em todo o Rio e em quase todo o Brasil.
Mas a felicidade maior é mesmo dos paparazzi, que têm farto material disponível, com astros e estrelas desfilando, diariamente, nos restaurantes, bancas de jornais, farmácias, livrarias e cafeterias. Nos fins de semana – muitas vezes gravamos no sábado – há praticamente um tour de turistas domésticos, que circulam com câmeras fotográficas, perseguindo, numa boa, as celebridades globais.



O Leblon é uma pequena faixa de terra cercada de beleza por todos os lados. Situa-se entre o mar e a Lagoa Rodrigo de Freitas, e sua extensão total cobre menos de vinte ruas transversais: da Avenida Borges de Medeiros à Avenida Visconde de Albuquerque. O bairro abriga endereços famosos, moradores célebres e o Flamengo da Marilene Dabus e de todos nós.
Quando saio do Rio, a curiosidade é especulativa, cheia de perguntas feitas com os olhos brilhando. Também imaginam que o bairro seja uma espécie de Manhattan, ilha da fantasia onde as celebridades circulam de camiseta, bermudas e Havaianas. Muita gente faz essa ideia do Leblon. Conheci uma moça em São Paulo que me fez prometer que, vindo ela ao Rio, eu lhe mostrasse a Clínica São Vicente.



– Porque é para lá que todos os artistas vão, quando ficam doentes ou quando simplesmente precisam fazer um exame, consultar um médico. Leio isso sempre nos jornais e revistas.
Não tive coragem de revelar que a Clínica São Vicente é na Gávea. Não quis lhe provocar essa decepção.
Criam-se lendas, inventam-se histórias, fantasia-se. Para mim é apenas o lugar onde eu moro e que amo de coração. Simples, quase bucólico. Parodiando Fernando Pessoa e seu Tejo, posso afirmar que:
"O Leblon não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele".
















Fotos do editor do blog (exceto aquela em preto-e-branco).
7.9.09
CAMINHADAS NO RELUZENTE RIO NOTURNO

No capítulo “Horas Mortas” de seu livro Gamboa, escreve Alexei Bueno: “Talvez [...] a melhor e última visão que nos possam dar as ruas do que verdadeiramente são é vê-las na quietude e no vazio a que se entregam, eternamente, de tantas em tantas horas. [...] Não fosse a muito forte possibilidade de um assalto, recomendaríamos ao leitor esse hábitos noctívagos, deambulatórios e nefelibatas.”
Uma boa notícia ao Alexei e demais noctívagos: agora é possível fazer passeios noturnos pelo Rio sem risco de assalto. Refiro-me às ROTEIROS NOTURNOS NO CENTRO DO RIO A PÉ, organizados pelo Professor João Baptista Ferreira de Mello, do Departamento de Geografia Humana do Instituto de Geografia da UERJ. Eu já participei de várias e recomendo aos visitantes do blog — simplesmente imperdíveis. Para ver a programação de outubro e novembro de 2009 (com passeios noturnos e também diurnos) clique aqui. As fotos foram tiradas num dos passeios de 2008 por mim (IK) e pelo meu amigo fotógrafo Zeca. Conheçam outras fotos do Zeca visitando seu Flickr.








4.9.09
RIO, CIDADE MAIS FELIZ DO MUNDO


Essa visão impeliu o Rio para o alto de nossa lista das cidades mais felizes do mundo. Famosa por seu Carnaval anual (que ano que vem começa em 13 de fevereiro), a segunda maior metrópole da América do Sul ficou em primeiro lugar dentre 50 cidades em recente pesquisa realizada pelo consultor de políticas Simon Anholt e pela empresa de pesquisas de mercado americana GfK Custom Research.
"O Brasil está associado a todas estas qualidades de bom humor e bem viver e Carnaval", diz Anholt." O Carnaval é muito importante — é a imagem clássica que as pessoas têm do Rio, e é uma imagem de felicidade ".



Os dados de Anholt fornecidos para nossa lista fazem parte do Anholt-GfK Roper City Brands Index, divulgado em junho. A pesquisa foi compilada através de entrevistas online com 10.000 entrevistados em 20 países.
A felicidade é difícil de quantificar, e Anholt reconhece que seus dados, mais do que um indicador de onde as populações são mais felizes, são um reflexo do pensamento dos entrevistados de onde poderiam se imaginar felizes.
"Esta é uma pesquisa de percepção, não um levantamento da realidade ", diz ele. "As pessoas me escrevem o tempo todo e dizem: Isso não é verdade. Provavelmente não é verdade, mas é o que as pessoas pensam. A diferença entre a percepção e a realidade é o que interessa aos governos das cidades".
O historiador francês Fernand Braudel escreveu que “a felicidade, seja nos negócios ou na vida privada, deixa poucos traços na história. " Mas uma percepção de felicidade deixa um traço forte nos balanços de cidades que dependem de convenções, turismo e um afluxo de talento. (Matéria de Zack O'Malley Greenburg publicada na Forbes.com com o título The World's Happiest Cities e traduzida aqui parcialmente pelo editor do blog.)

28.8.09
SÍTIO ROBERTO BURLE MARX EM GUARATIBA




Em 11 de março de 1985, doou o Sítio ao governo brasileiro, que o administra através do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional / MinC. Com a doação, Burle Marx pretendia garantir seu desejo de manter a integridade da propriedade como um todo bem como criar uma escola dedicada ao paisagismo, botânica e artes em geral.




Numa área estimada em 365.000 metros quadrados, Burle Marx conseguiu reunir uma das mais importantes coleções de plantas tropicais e subtropicais do mundo. Ao lado dos jardins ao ar livre, esta magnífica coleção apresenta aos visitantes mais de 3.500 espécies de plantas cultivadas. A coleção botânica foi considerada patrimônio cultural brasileiro em 1985.





Luiz Emygdio de Mello Filho.









1. O Sítio não está aberto a passeios livres, sendo obrigatório o acompanhamento de guias do Sítio.
2. É necessário o agendamento prévio, feito de segunda a sexta-feira, entre 8 e 16 horas.
3. O Sítio abre de terça a sábado (exceto feriados).
4. Visitas em dois horários: 9:30h e 13:30h.
5. Duração da visita: 1h30m aproximadamente.
7. Entrada: R$ 5,00
Deve-se usar vestimenta própria para uma caminhada. No Centro de Recepção o visitante encontrará souvenires, água mineral e banheiros. Não há lanchonete no local.
Endereço:
Estrada Roberto Burle Marx, 2019 Barra de Guaratiba - Rio de Janeiro/RJ CEP 23020-240
Telefone: (0xx21) 2410-1412.


Fotos do editor do blog. Informações extraídas do folheto recebido em visita ao sítio em setembro de 2007. Para ver uma projeção de slides do sítio clique aqui.
6.8.09
ORGULHO DO RIO, de Carlos Heitor Cony

Nunca se ouviu dizer que o frio veio do Ceará ou do Piauí. A novidade é que está fazendo um friozinho gostoso aqui no Rio e eu olho e curto a minha cidade de outro jeito. Nada de praia, com muita luz e confusão, sem o chope azedo que fede duas esquinas antes de cada tasca. Sobra um Rio quase civilizado, quase manso como um corno, sem a agressividade da luz e do calor, a urgência de aproveitar a vida.
Tão bom que faço o impossível: em pleno domingo, tiro o carro da garagem (fazia isso no tempo das minhas setters Mila e Titi) e saio sem destino, dando voltas pelas ruas que cruzo diariamente sem sabor e sem afeto. Sim, aí está a minha cidade, aqui nasci e vivo, se possível aqui morrerei e meu pó será diluído neste ar e neste chão.
Passo sem querer (ou talvez por querer demais) na rua onde nasci, tantos anos passados. Relembro que durante alguns anos trabalhava duas esquinas adiante. Vivi meio século para atravessar duas esquinas na vida — na verdade, sou um fracasso. Tive e tenho amigos que vieram de longe, de Sobral, de Manaus, de Kiev, de Viena — e eu aqui, chumbado neste chão tamoio que, segundo alguns saudosistas, já era.
Volta e meia entra em discussão a decadência do Rio, o esvaziamento cultural e artístico da cidade que foi capital do Brasil durante quase dois séculos. Brasília dá conta do recado, todo dia chega um escândalo de lá. São Paulo não é mais terra da garoa, é terra de enchentes. A Bahia — bem, e aí entra a moleza — a Bahia é a terra dos santos e orixás, mágica e mítica. Segundo Vinicius de Moraes, ali os baianos fazem a arte e o engenho de viver a verdade — conheço esses babados, Vinicius de Moraes acreditou neles pelo espaço de dois verões, mas veio morrer na sua terra, no Rio, que ninguém é de ferro, nem mesmo os baianos adotivos.
Tantas vezes li que o Rio estava falido em todos os setores, sobretudo no campo das letras e artes, que já assumira a postura e o orgulho do provinciano que fica à espera das novidades vindas dos grandes e inesperados centros.
Em compensação, por prazer ou por trabalho, é que viajo com frequência. O fato de ter nascido no Rio já torna o carioca mais ou menos aberto ao mundo, não por necessidade, mas por curiosidade. Sinto-me melhor em Roma ou Florença do que no calorão da avenida Chile, como melhor no Trastevere do que no Mercado Modelo da Bahia. Podem me xingar, mas sei o que sou fazendo e sentindo.
Voltemos ao Rio. Tão cantada e decantada a sua decadência, eis que reencontro, num fim de semana plúmbeo (sei que os baianos conhecem e apreciam esta palavra, aqui no Rio seria apedrejado se a proferisse) a doce verdade: o Rio procura renovar seus encantos — que já são muitos, mas não bastantes.
A revitalização da zona portuária e da Lapa provoca grandes expectativas. A contratação do Fred para o Fluminense e do Adriano para o Flamengo foi comparada à conquista das Gálias — ouvi isso numa das mesas de esporte que enchem os domingos em todos os sentidos. A Rede Globo continua exportando o sotaque e as mazelas do Sudeste para o resto do país e até para Portugal e países lusófonos —um descalabro que não conta com a minha benção, mas ainda não chegamos ao descalabro pior de importar o sotaque e as mazelas de Petrolina, Própria, Campina Grande ou Marília.
Para acontecer mesmo, para se tornar nacional, um fato ainda precisa repercutir aqui no Rio. O finado prefeito Marcos Tamoio dizia que o charme da cidade não vinha do Corcovado nem do Pão de Açúcar, vinha do próprio nome: Rio. Três letras apenas, que a gente lê nos aeroportos do mundo: Rio.
Fellini se apaixonou por Roma quando, menino, em sua cidade natal, Rimini, viu num vagão de trem a placa com o nome: Roma. Em tempos de orgulho gay, toda vez que vejo o nome da minha cidade, mesmo num ônibus que chega de não sei de onde, coberto de pó e fadiga, sinto um orgulho besta e sempre renovado de aqui ter nascido, o rio de minha vida e de minha saudade."
Marcadores: crônicas sobre o Rio
30.7.09
CHOVE CHUVA











Fotos do editor do blog.
Marcadores: Rio chuvoso
20.7.09
CORES DO RIO (Colourful Rio)
UM VÍDEO DE IVO KORYTOWSKI COM MÚSICA DE PIXINGUINHA.
O Rio é um festival de cores. A começar por nosso céu, considerado pelo site The Blue Sky Explorer o mais bonito do mundo. Temos no ano mais dias de sol do que de chuva (fog aqui é coisa rara), dando a tudo um colorido especial. Em pouco tempo, vamos do verde das matas da Floresta da Tijuca (ou do Jardim Botânico) para o azul do mar — na praia, barracas multicores. Andar nas ruas é mergulhar num caleidoscópio de cores. Aqui florescem ipês amarelos, roxos, rosas, o flamboyant vermelho vivo etc. De cada dois cariocas, um (estimo) é rubro-negro - bela combinação cromática. Até os ônibus cariocas são mais coloridos que em outras cidades — sem falar nos táxis amarelos.
"Uma verdadeira viagem visual e sonora pelas cores do Rio. Parabéns!" (Roger)
7.6.09
DESAFIO 2009
AVISO - As respostas do desafio e a relação dos vencedores estão no final da postagem, mas antes de olhar, veja quantas fotos você consegue acertar! E ano que vem (2010) tem desafio novo!

























02 BOTAFOGO (Igreja S. João Batista)
03 LAPA
04 LAGOA
05 URCA (Pista Cláudio Coutinho)
06 RIACHUELO
07 CACHAMBI (Norte Shopping, o meu shopping favorito)
08 SÃO CRISTÓVÃO (Quinta)
09 SANTA TERESA
10 ARPOADOR
11 GÁVEA (Instituto Moreira Salles)
12 LARANJEIRAS (Parque Guinle)
13 GLÓRIA (Igreja da Glória)
14 TIJUCA (em frente da antiga fábrica de cerveja, hoje um supermercado)
15 LEME
16 VARGEM PEQUENA (Igreja de N.S. Montserrat)
17 JOÁ
18 SÃO CONRADO
19 BARRA DA TIJUCA (Shopping Barra World)
20 FLAMENGO (observe o Castelinho lá na frente!)
21 COPACABANA
22 JARDIM GUANABARA (Ilha do Governador)
23 PAQUETÁ
24 PENHA (lavagem da escadaria da Igreja)
Marcadores: desafio
1.6.09
FORTALEZA DE SÃO JOÃO (URCA)








Em 1938, o portão da Fortaleza foi tombado pelo IPHAN.
[...]
O local além de abrigar a fortaleza é um dos sítios históricos mais importantes da cidade do Rio de Janeiro, pois foi lá que Estácio de Sá fundou a cidade. Hoje, existe no mesmo local uma réplica do marco histórico. (Texto extraído do livro de Sandra Zivkovic Moraes As fortificações da cidade do Rio de Janeiro, da coleção Patrimônio Turístico editada pela Riotur. Para obter o livro entre em contacto com a Riotur pelo telefone 2588.9018 ou dirija-se à Praça Pio X, 119 - 10 andar.)









Marcadores: Rio Antigo, Urca
29.5.09
ESPERANÇA DE PAZ PARA O RIO

Rio - O governador Sérgio Cabral inaugurou, na manhã desta quarta-feira, a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) nas comunidades do Chapéu Mangueira e da Babilônia, no bairro do Leme, Zona Sul. A unidade vai garantir o policiamento da área e dar um fim ao poder paralelo que assustava os moradores. O governo ainda vai investir na capacitação profissional, por meio de cursos, e facilitar o acesso dos moradores ao mundo digital com o Internet na Praça, que já funciona na Praça Maestro Bebetinho e oferece acesso à internet banda larga.
Esta é a quarta UPP instalada no Rio. Ao todo, serão 100 policiais militares que farão o policiamento comunitário. O capitão Felipe Lopez e a subcomandante Renata Matos são os responsáveis pela tropa, em substituição da equipe do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do 19º BPM (Copacabana), que ocuparam, há mais de um mês, os dois morros e neutralizaram o domínio dos bandidos sobre os habitantes.
Em 2008, brigas entre facções rivais levaram pânico aos moradores de ambas as comunidades e do entorno. A sede da UPP, situada em uma posição estratégica da Ladeira Ary Barroso, na Babilônia, foi construída em seis meses pela Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop) e custou R$ 651,8 mil.
Ao lado do prefeito Eduardo Paes, o governador Sérgio Cabral anunciou que o governo do Estado já está se mobilizando para levar programas de revitalização para as comunidades: "A Benedita (da Silva) pediu à Dilma, pediu ao presidente Lula e vamos fazer o PAC aqui, que está orçado em R$ 65 milhões. É um projeto bonito, que já foi entregue à ministra Dilma. Tem também um Plano Inclinado previsto para cá", anunciou Sérgio Cabral.
Capital Humano
Uma das frentes para o desenvolvimento local é a capacitação profissional dos moradores das comunidades. Em até quarenta dias, será instalada na Ladeira Ary Barroso um Centro de Educação Tecnológica e Profissionalizante (Cetep), da Faetec, com 2.772 novas vagas por ano, em cursos de formação inicial de trabalhadores, nas áreas de idiomas (inglês, francês e espanhol), informática, hotelaria e beleza (cabeleireiro, manicura e pedicura).
DESDE A SUA CRIAÇÃO ESTE BLOG SE POSICIONA CONTRA A DITADURA DO TRÁFICO NAS COMUNIDADES. PARA LER NOSSAS OUTRAS MATÉRIAS SOBRE A VIOLÊNCIA NO RIO, CLIQUE NO MARCADOR ABAIXO.
Marcadores: violência
18.5.09
FOTOS DO RIO ANTIGO


Marcadores: fotos do Rio Antigo
17.5.09
DALLIER E O MORRO DA CONCEIÇÃO
Um oásis de Rio Antigo em meio à agitação do centro da cidade, o Morro da Conceição — ao lado da Praça Mauá — esconde tesouros que poucos cariocas conhecem: a Fortaleza da Conceição, concluída em 1718, o antigo Palácio Episcopal, onde hoje funciona o Serviço Geográfico do Exército, o Observatório do Valongo, a Igreja de São Francisco da Prainha, a Pedra do Sal.
O Morro da Conceição também abriga uma série de ateliês de artistas plásticos (Dallier, Marcelo Frazão, Cláudio Aun, Renato Santana e outros), na Ladeira João Homem e Rua do Jogo da Bola, constituindo o Projeto Mauá.Visitar o ateliê de Dallier no morro e ouvir suas reminiscências é, ao mesmo tempo, um exercício estético e uma viagem pelo Rio Antigo. A obra de Dallier tem afinidade com o expressionismo abstrato, movimento que combinou a intensidade emocional do expressionismo alemão com a estética antifigurativa das escolas abstratas da Europa. Para Dallier, criar um quadro é como "incorporar um santo". Abaixo, crônica-depoimento de Dallier.
Três Sambistas, de Dallier
ESSE RIO ONDE NASCI
A velha casa onde nasci ainda teima em continuar de pé, fica situada em uma pequena rua de nome "Estela" e tem uma placa de no 28 presa em uma de suas paredes externas. Fica lá, no finalzinho da Pacheco Leão, hoje uma rua bastante conhecida por ter se tornado um reduto televisivo.
Foi nesse bairro chamado Jardim Botânico, cujo trecho onde nasci foi apelidado de Itália pequena, que vivi minha vida, até alcançar a maioridade e ter servido o exército (Escola de Educação Física), com breve período de ausência, como quando fomos morar na Praça Mauá em uma velha casa construída por meu avô paterno em 1904 e ainda também de pé, de no 52, na Ladeira João Homem, onde nos últimos anos voltei a viver.
Quando tento mergulhar no fundo do poço de minhas memórias, as primeiras imagens que surgem em minha mente são as de uma manhã de Natal lá pelos idos de 1936. Quando eu acabara de completar quatro anos de minha existência nesse mundo de Nosso Senhor Jesus Cristo. De manhã, ao acordar, encontrei junto à cama um carrinho de mão de madeira (parecido com os que são usados em obras) e, dentro dele, uma boneca (brinquei com bonecas até os sete anos). Horas depois, lembro-me bem do meu avô materno e sua oitava mulher, que eu e meu irmão mais velho — éramos apenas dois — fomos acostumados a chamar de avó. Quando os avistei subindo a Ladeira, comecei a gritar – "Lá vem vovô, lá vem a lingüiça do vovô! — pois sempre que ele vinha nos visitar trazia como seu cartão de visitas uma lata de lingüiça "Olderich" em conserva e alguns ovos caseiros. Não me lembro de ter ganho deles um brinquedo.
Outras lembranças dessa época surgem descompassadas: doenças nos olhos, febres constantemente, queimaduras no corpo com café fervente e o acidente que tive no dia em que minha mãe, eu e meu irmão íamos visitar amigos no bairro onde nasci. Estávamos descendo a ladeira; lembro-me bem. Meu irmão e eu vestíamos roupas novas de seda branca com botões de madrepérola; ao olhar para um papa-vento no alto de um sobrado, veio o tombo, quebrei o queixo e fui levado para o pronto-socorro por uma tia do lado paterno de nome Rosa (já que eu tinha duas tias do mesmo nome de lados opostos, morando na mesma casa), onde levei vários pontos. Lembro-me também dos ônibus de dois andares da Light que faziam o percurso Praça Mauá – Jockey Club. Das visitas que fazíamos ao auditório da Radio Nacional para ver de perto Batista Júnior (era pai de Linda e Dircinha) e seus bonecos falantes.
Villa-Lobos no Circo, de Dallier
Também o Carnaval daquela época contagiava toda família — esqueci de dizer que dividíamos a casa com mais quatro irmãos de meu pai e suas respectivas famílias. Fantasiados descíamos a ladeira rumo à Avenida Rio Branco para assistir ao desfile de carros abertos, que carregavam foliões que espalhavam confetes, serpentinas e lança-perfumes (naquela época não era proibido) e parávamos na extinta Galeria Cruzeiro, onde os bondes que chegavam traziam dezenas de carnavalescos vindos de todas as partes e que se juntavam na avenida, formando um grande bloco contagiante onde a pura alegria reinava nos quatro dias de Momo .
Costumávamos, nós os moradores do Morro da Conceição, participar do banhos à fantasia na Praia do Flamengo. Íamos todos descendo o morro e tínhamos também nossos carros alegóricos que eram empurrados pelos participantes, e em determinado ano eu saí em um deles vestido com roupa de papel crepom, como ajudante de motorista um primo da mesma idade de nome Ézio. E lá íamos nós em nosso carro de madeira empurrado por familiares enquanto todos dançavam e cantavam ao som das antigas marchinhas.
A primeira lembrança do bairro onde nasci é de quando, com seis anos, já pertinho dos sete, nos mudamos de volta. É o caminhão de mudanças chegando à Rua Lopes Quintas, e a velha e pequena casa em que fomos morar. Foi nesse dia que eu conheci Lucília (onde andará?), a primeira paixão de menino, que durou alguns anos, até que ela veio a conhecer aquele que viria a ser seu marido.
Aos domingos freqüentávamos as matinês do Cinema Floresta, que fizeram surgir em mim a paixão por Alice Faye. Via e revia seus filmes (muitas vezes às escondidas), alguns (três) ao lado da brasileiríssima Carmen Miranda.
Só mais tarde, já adolescente, surgiria em mim uma nova e definitiva paixão: Emilinha Borba. Era com ansiedade que esperava os sábados para ouvir a voz de César de Alencar anunciar:
- A minha, a sua, a nossa favorita: Emilinha Borba!
Continuo a afirmar que, junto com a minha mãe, foram elas que nortearam a minha vida, e, até hoje estão presentes no meu dia-a-dia, através de lembranças, discos e filmes, que ouço e vejo para diminuir a solidão e fazer dela uma boa companheira.
Marcadores: Dallier, Morro da Conceição
14.5.09
ZÉ CARIOCA



27.4.09
BONDINHO DE SANTA TERESA

A cidade do Rio de Janeiro não utiliza mais o bonde. Os carros, os ônibus, a pressa o expulsaram. Em Santa Teresa, o bonde permaneceu, porque a curvas, as ruas estreitas o pedem. Os moradores precisam dele, do seu ruído. "É muito bom isto aqui. Eu fico com as minhas telas, ouvindo o passarinho cantando, lá longe um latido, e aí vem o barulho do bonde", disse-me Regina Toledo Piza, que tem seu ateliê em Santa Teresa.
O barulho do bonde, a presença do bonde. O bonde é a maior referência de Santa Teresa. O tempo passa, as coisas se transformam, mas o bonde tem de permanecer. [...] Se tirarem o bonde, Santa Teresa sucumbe. Morre um pedaço do Rio de Janeiro. (Texto extraído do livro de Lilian Fontes, Santa Teresa - um livro maravilhoso para se familiarizar com o clima desse aprazível bairro carioca.)










CRÔNICA DE MACHADO DE ASSIS SOBRE A INAUGURAÇÃO DOS BONDES DE SANTA TERESA (15 de março de 1877)
O pior é se um dia, naquele subir e descer, descer e subir, subirem uns para o céu e outros descerem ao purgatório, ou quando menos ao necrotério.
Escusado é dizer que as diligências viram esta inauguração com um olhar extremamente melancólico.
Alguns burros, afeitos à subida e descida do outeiro, estavam ontem lastimando este novo passo do progresso. Um deles, filósofo, humanitário e ambicioso, murmurava:
O que assim não seja... por ora.
Mas inauguraram-se os bonds. Agora é que Santa Teresa vai ficar à moda. O que havia pior, enfadonho a mais não ser, eram as viagens de diligência, nome irônico de todos os veículos desse gênero. A diligência é um meio-termo entre a tartaruga e o boi.
Uma das vantagens dos bonds de Santa Teresa sobre os seus congêneresda cidade, é a impossibilidade da pescaria. A pescaria é a chaga dos outros bonds. Assim, entre o Largo do Machado e a Glória a pescaria é uma verdadeira amolação, cada bond desce a passo lento, a olhar para um e outro lado, a catar um passageiro ao longe. As vezes o passageiro aponta na Praia do Flamengo, o bond, polido e generoso, suspende passo, cochila, toma uma pitada, dá dois dedos de conversa, apanha o passageiro, e segue o fadário até a seguinte esquina onde repete a mesma lengalenga.
Nada disso em Santa Teresa: ali o bond é um verdadeiro leva-e-traz, não se detém a brincar no caminho, como um estudante vadio.
E se depois do que fica dito, não houver uma alma caridosa que diga que eu tenho em Santa Teresa uma casa para alugar-palavra de honra! o mundo está virado.


Marcadores: bondes, Santa Teresa
24.4.09
RIO ANTIGO
Museu da Imagem e do Som visto da Ladeira da Misericórdia (que dava acesso ao Morro do Castelo)
Largo de São Francisco da Prainha, na Saúde
Pátio dos Canhões (Museu Histórico Nacional)
As fotos desta postagem, embora mostrem aspectos do Rio Antigo, são recentes, tiradas pelo editor do blog. Veja onde encontrar fotos antigas do Rio:
Uma lista de páginas com fotos do Rio Antigo também pode ser encontrada na comunidade Rio Antigo do Orkut.
Agradeço ao amigo Erik Steger por ter colaborado na pesquisa dos sites.
Cores da Lapa
Igreja de N.S. da Glória
João do Rio, A alma encantadora das ruas. Pode ser baixado em versão PDF no site Domínio Público. Existe também uma edição recente pela Companhia das Letras.
Brasil Gerson, História das ruas do Rio. Clássico da historiografia carioca, em edição revista e ampliada (depois da morte do autor) por Alexei Bueno.
Coleção Cantos do Rio da Editora Relume-Dumará. Pequenos livros abordando os bairros do Rio. Recomendo especialmente Gamboa, de Alexei Bueno, Santa Teresa, de Lilian Fontes, Lagoa, de Carlos Heitor Cony, Botafogo, de Cláudio Henrique, São Cristóvão, de Helio Brasil (livro belíssimo!), e Centro, de Antônio Torres.
A Livraria Folha Seca, à Rua do Ouvidor, 37 - Centro possui uma excelente seção de livros sobre o Rio de Janeiro antigo e moderno. Nos sebos da Praça Tiradentes e Avenida Passos também é possível encontrar livros sobre a cidade.
Encosta do Morro da Conceição Janela do ateliê do pintor Dallier no Morro da Conceição Travessa do Comércio Feira Rio Antigo na Rua do Lavradio no primeiro sábado de cada mês Morro da Conceição Sacada de serralheria na Glória, subida para Santa Teresa
Rua do Mercado
Como conhecer o Rio Antigo:
Uma das maneiras de conhecer o Rio Antigo é fazer um passeio guiado com o editor deste blog. Contactos pelo e-mail ivokory@gmail.com
Caso queira conhecer especificamente o Morro da Conceição, você pode fazer uma visita guiada com o pintor Paulo Dallier, que tem ateliê no morro. O telefone é (21) 2263.4663 e o e-mail é dallier@oi.com.br
Outra boa pedida são os Roteiros Geográficos do Instituto de Geografia da UERJ, que incluem o imperdível Roteiro Noturno no Centro do Rio A Pé além de outros passeios. Informações pelo e-mail roteirosgeorio@uol.com.br
Outra alternativa para conhecer o Rio antigo (& moderno) são os Roteiros do Rio a Pé, da ACADETUR (Agência Acadêmica de Turismo) da UniverCidade. Os passeios, gratuitos, começam sempre às 14 horas, e os interessados devem se inscrever alguns dias antes pelo telefone 3113-1706. Informações também podem ser solicitadas à Acadetur pelo e-mail acadetur@univercidade.br
26 - Cinelândia e arredores
Encontro: Estação do Metrô Carioca-saída Rio Branco
MAIO
23 - Santa Teresa
Encontro: Estação do bondinho na Rua Lélio Gama.
JUNHO
18 - Praça Mauá e Mosteiro de São Bento
Encontro: Mosteiro de São Bento
JULHO
18 - Flamengo e Casa Julieta de Serpa
Ponto de encontro: Casa Julieta de Serpa -Praia do Flamengo, 340.
AGOSTO
19 - São Cristóvão e Quinta da Boa Vista
Ponto de encontro: Largo da Cancela
SETEMBRO
27 - Gloria e arredores
Ponto de encontro: Largo da Glória na saída do metro
OUTUBRO
24 - Urca e arredores
Ponto de encontro: Praça General Tiburcio.
NOVEMBRO
7 - Forte Duque de Caxias
Ponto de Encontro: Praça Julio de Noronha
DEZEMBRO
13-Niteroi e Niemeyer
Ponto de encontro: estação das barcas em Niterói
A Riotur fornece gratuitamente a turistas e cariocas mapas e folhetos sobre o Rio de Janeiro na Av. Princesa Isabel, 183 (Copacabana). Você pode pedir informações pelo e-mail marketing.riotur@pcrj.rj.gov.br
Convento do Carmo
Postagem originalmente publicada em 21/3/06 e atualizada com fotos adicionais e a programação de 2009 do Rio A Pé. Fotos do editor do blog.
Marcadores: Rio Antigo
23.4.09
SALVE SÃO JORGE!




— Eu sou a Emília, antiga Marquesa de Rabicó, sua criada — respondeu a boneca, muito lampeira e lambeta.
O santo ficou na mesma. E ainda estava na mesma, sem compreender coisa nenhuma, quando viu aparecerem Pedrinho e Narizinho com Tia Nastácia atrás, de mãos postas, rezando atropeladamente quantas orações sabia.
— Como conseguiram chegar ate aqui? — perguntou ele. — Isto me parece a maravilha das maravilhas.
— Foi o pó de pirlimpimpim que nos trouxe — respondeu Pedrinho — e dessa vez São Jorge ficou na mesmíssima.
[...]
São Jorge estava ali desde o reinado do Imperador Diocleciano sem outra companhia a não ser o dragão, de modo que ficava muito alegre quando alguém aparecia por lá. [...]
— E o senhor? — quis saber Emília depois que tudo foi explicado. — Agora que sabe a nossa historia, conte-nos a sua.
São Jorge contou que nascera príncipe da Capadócia e tivera no mundo vida muito agitada. A sua luta contra o poderosíssimo mágico Atanásio ficou histórica. Por fim fez-se cristão e em virtude disso padeceu morte cruel numa das matanças de cristãos ordenadas pelo Imperador Diocleciano. Depois da morte veio morar na Lua.
— E sabe que é hoje o patrono da Inglaterra? — lembrou Narizinho. — Vovó diz que o senhor é o santo mais graúdo de todos, porque dá o nome a muitas ordens de cavalaria e tem aparecido até em moedas de ouro.
São Jorge não sabia nada daquilo, nem sequer que era santo, porque só depois de sua morte é que começou a virar tanta coisa. Também não sabia o que era ser "patrono da Inglaterra", nem o que significava isto de "ordens de cavalaria". Os meninos tiveram de dar-lhe uma liçao de tudo.
— Mas não posso compreender donde vem a minha importância, o meu "graudismo" ... — declarou ele com toda a modéstia, pensativamente.
— Eu sei! — berrou Emília. — E por causa do dragão e dessa tremenda e bonita armadura de guerreiro. Santos de camisolão e porretinho podem ser muito milagrosos, mas não impressionam. Diga-me uma coisa: onde é que descobriu esse dragão?
O santo contou que era um monstro que ele havia matado certa vez em que o encontrou prestes a devorar a filha do rei da Líbia.
Mas se o matou, como é que o dragão está vivinho aqui?
Mistérios deste mundo de mistérios, gentil bonequinha. Eu também fui morto e no entanto todos lá da Terra (segundo vocês dizem) me veem aqui nesta Lua, a cavalo, de lança erguida contra o dragão. Mistérios deste mundo de mistérios.
(Monteiro Lobato, Viagem ao Céu, trecho do Capítulo VII, "Coisas da Lua". Na infância e pré-adolescência, o editor deste blog foi leitor contumaz do genial Lobato.)

ANIVERSÁRIO DE PIXINGUINHA

Filho de uma família musical, Alfredo da Rocha Viana Filho nasceu no Rio de Janeiro, em 23 de abril de 1897. Teve treze irmãos. O apelido Pixinguinha veio da junção de dois outros apelidos: “Pizindim”, apelido colocado pela avó Edwirges, que era africana, e “Bexiguinha”, herdado ao contrair varíola (bexiga), epidemia que deixou marcas em seu rosto.
A história da nossa música popular e do rádio confunde-se com a vida desse maravilhoso flautista, saxofonista, compositor, arranjador e regente. Choros, canções regionais, desafios sertanejos, maxixes, lundus, corta-jacas, batuques, cateretês, entre outras modalidades musicais, receberam o acento, o hálito, o sopro, a marca magistral do primeiro arranjador que a música popular brasileira teve, com “O Teu Cabelo Não Nega”, de Lamartine e os Irmãos Valença, e “Taí”, de Joubert de Carvalho.
Aos 12 anos começou a acompanhar seu pai, flautista, em festas, tocando cavaquinho. Aos treze fazia a primeira composição, “Lata de Leite”, inspirada nos chorões boêmios, músicos que de madrugada encerravam suas atividades e, voltando para casa, bebiam o leite deixado na porta das residências. De suas primeiras composições destacam-se ainda “Rosa” e “Sofre Porque Queres”.
Esse filho de Ogun, de fama internacional, fundiu a sua formação clássica, de base européia, com ritmos nossos, de raízes negras, além de incorporar a música negra norte-americana, formando assim um estilo em que sobressai o toque especial do sentimento brasileiro de nossa música popular. Diante de sua música, que mexe com a alma e traz um jeito tão nosso, não há quem não sinta o orgulho de ser brasileiro.
São tantas as composições marcantes realizadas por esse mestre de nossa música popular, entre tantos mestres, que é difícil destacar algumas dessas jóias. Cito aqui algumas do meu gosto: “Carinhoso”, “Gavião Calçudo” , “Chorei”, “Um a Zero” e “Vou Vivendo”. Mas há quem prefira “Mundo Melhor”, “Segure Ele” e “Sofres Porque Queres”. E ainda quem não abra mão de “A Vida É um Buraco”, “Naquele Tempo” e “Rosa”.
Estátua de Pixinguinha na Travessa do Ouvidor, Centro do Rio
Se música é pensar e sentir a vida através de sons, em Pixiguinha temos o exemplo primoroso de como não se pode viver sem ela. Esse poeta da nossa música popular tinha a alma de passarinho, que gostava de soltar da flauta pingos de ouro, de dia e de noite. Dos lamentos de seu saxofone lograva extrair sentimentos puros, fundos, pungentes choros, emoção numa coisa só música afinada, que traz também o riso,.além de fazer que famosos compositores, letristas e músicos de hoje se curvem diante dela.
Ele pensava, sentia e respirava música. Foi na terceira complicação cardíaca, nos idos de 1964, que ele ficou internado por mais de um mês. Foi proibido pelo médico de certas comidas pesadas, bebida e de tocar saxofone. Tempo depois, quando teve autorização para voltar a tocar saxofone, chorou. Escreveu vinte músicas durante o tempo que esteve internado,, cada uma delas se relacionando com os momentos que teve no hospital. Por exemplo, “Manda Brasa”, expressão que ouviu quando ia almoçar, e “Vou pra Casa”, escreveu no quarto, ao receber alta.
Pixinguinha morreu dentro de uma igreja, em Ipanema, no Rio de Janeiro, em 17 de fevereiro de 1973. Tinha ido batizar o filho de um amigo, depois de adiar por várias vezes o batismo por motivo de complicações no estado de saúde. É possível que não tenha resistido à emoção de ser padrinho do filho do amigo na hora do batismo quando então caiu fulminado por um enfarte. O pessoal da Banda de Ipanema, que saía pelas ruas em época de Carnaval, ao tomar conhecimento de sua morte, passou na porta da igreja onde o corpo de Pixinguinha estava sendo velado lá dentro. E naquele instante tocou como nunca o samba que homenageava o mestre. Os foliões cantavam num clima de alegria e tristeza o refrão: “Ô, lê, lê, ô,lá, lá, pega no ganzê, pega no ganzá...”
Um motorista, ao ouvir pelo rádio do carro a notícia da morte de Pixinguinha, disse para o passageiro:
- Esse homem tinha um coração tão bom que Deus quis que ele morresse dentro de uma igreja.
Painel a óleo em frente à estátua de Pixinguinha. O painel mostra um encontro hipotético entre bambas da nossa música (Nelson Sargento, Paulo Moura, Braguinha, Noel Rosa e outros) na Wiskeria Gouveia, o "Escritório do Pixinguinha".
Marcadores: Centro, Cyro de Mattos
17.4.09
HOMENAGEM A TIRADENTES

— e como o povo se ria! —
que não passava de Alferes
de cavalaria!
“Faremos a mesma coisa
que fez a América Inglesa!”
E bradava: “Há de ser nossa
tanta riqueza!”
Por aqui passava um homem
— e como o povo se ria! —
“Liberdade ainda que tarde”
nos prometia.
E cavalgava o machinho.
E a marcha era tão segura
que uns diziam: “Que coragem!”
E outros: “Que loucura!”
Mas ninguém mais se está rindo
pois talvez ainda aconteça
que ele por aqui não volte,
ou que volte sem cabeça...

Não foi exatamente na Praça Tiradentes e muito menos em Minas Gerais, como muitos pensam, que Tiradentes morreu. Tendo nas mãos um mapa da Biblioteca Nacional, datado de 1785-1760, o historiador Milton Teixeira mostra o local exato da execução. Marcado pela palavra “forca”, este ficaria a algumas centenas de metros da atual Praça Tiradentes, mais precisamente no que hoje é a esquina da Avenida Passos com Rua Buenos Aires. Através do mapa e de alguns relatos históricos, também é possível reconstituir as últimas passagens da vida de Tiradentes. Milton conta que o alferes teria sido preso em 10 de maio de 1789, numa casa na Rua dos Latoeiros (atual Rua Gonçalves Dias), onde teria se escondido depois de passar um tempo na Igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens (na atual rua da Alfândega). Tiradentes foi levado então para a Ilha das Cobras, onde passou a ocupar a cela número 3 do cubículo 5. Lá, foi submetido a vários interrogatórios, sempre negando a sua ligação com a Conjuração Mineira. Forçado pelas circunstâncias — todos os seus colegas o apontaram como líder do movimento — acabou assumindo o envolvimento. [...] Em sua sentença, a rainha Maria I foi taxativa: dos dez envolvidos, nove seriam presos e um seria condenado à morte. “Claro que sobrou para Tiradentes, que, além de ser o mais pobre entre os dez, ainda era dentista, profissão que parece nunca ter sido vista com bons olhos pelos portugueses”, brinca Milton. [...]

Não foi na Ilha das Cobras que Tiradentes passou sua última noite, e sim na Cadeia, edifício que ficava onde hoje está o Palácio Tiradentes; não por acaso, ali foi posta uma estátua do inconfidente. Vestido com uma camisa de onze varas e, segundo a lenda, depois de ter beijado as mãos e os pés do seu carrasco, Tiradentes deixou a cadeia na manhã de 21 de abril de 1792. Ele teria, então, seguido pela Rua da Cadeia (atual Rua da Assembléia), chegado ao Largo da Carioca, continuado pela Rua do Piolho (atual Rua da Carioca) até o campo da Lampadosa, assistido à missa na igreja que, na época, dava nome ao local e, finalmente, enforcado na esquina da Avenida Passos com Rua Buenos Aires. “Tiradentes nunca teve barba, bigode e cabelão, como costuma ser retratado em quadros e, no momento da execução, estava careca. Mas como a República chegou ao Brasil com um caráter agnóstico, o principal objetivo foi substituir a imagem dos santos pela das figuras pátrias. A de Tiradentes era a que mais se parecia com a de Cristo, porque, enquanto este veio para nos salvar, aquele teria vindo para nos libertar”, diz Milton, lembrando que, depois da execução, o corpo foi esquartejado na Casa do Trem (atual Museu Histórico Nacional) e cada pedaço enviado para lugares onde ele tivesse pregado suas idéias libertárias.

(Texto extraído do ótimo livro de Roberta Oliveira, Praça Tiradentes.)
Fotos da estátua de Tiradentes (diante do Palácio Tiradentes, onde fica a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) tiradas pelo editor do blog em 2007. Tiradentes é patrono das polícias militares do Brasil.
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12.4.09
ILHA DO GOVERNADOR

O Rio é gigantesco, e por mais que você rode pela cidade, há sempre lugares novos para conhecer. Por exemplo, você conhece a Ilha do Governador? (As entranhas da Ilha, não apenas a estrada até o aeroporto.) Pois eu também só conhecia a Ilha en passant. Até que recebi do Vitor um e-mail onde ele dizia:
E um dos motivos que escrevo é falar sobre uma outra grande paixão que também faz parte do Rio de Janeiro. Tem uma história própria, também é singular, é uma outra cidade dentro da metrópole. É a minha Ilha do Governador. [...] Não sei se você conhece seus bairros, suas características, sua vida, sua história. Bom, aqui deixo meu convite. [...] Tenho certeza que você se encantará e verá mais uma peça que faz parte deste lindo mosaico que é a nossa cidade.”









9.4.09
SEMANA SANTA

A SEMANA foi santa — mas não foi a semana santa que eu conheci, quando tinha a idade de mocinho nascido depois da guerra do Paraguai. Deus meu! Há pessoas que nasceram depois da guerra do Paraguai! Há rapazes que fazem a barba, que namoram, que se casam, que têm filhos, e, não obstante, nasceram depois da batalha de Aquidabã! Mas então que é o tempo? É a brisa fresca e preguiçosa de outros anos, ou este tufão impetuoso que parece apostar com a eletricidade? Não há dúvida que os relógios, depois da morte de López [ditador paraguaio], andam muito mais depressa. Antigamente tinham o andar próprio de uma quadra [época] em que as notícias de Ouro Preto gastavam cinco dias para chegar ao Rio de Janeiro. [...]
As semanas santas de outro tempo eram, antes de tudo, muito mais compridas. O Domingo de Ramos valia por três. As palmas que traziam das igrejas eram muito mais verdes que as de hoje, mais e melhores. Verdadeiramente já não há verde. O verde de hoje é um amarelo escuro. A segunda-feira e a terça-feira eram lentas, não longas; não sei se percebem a diferença. Quero dizer que eram tediosas, por serem vazias. Raiava, porém, a quarta-feira de trevas; era princípio de uma série de cerimônias, e de ofícios, de procissões, sermões de lágrimas, até o sábado de aleluia, em que a alegria reaparecia, e finalmente o Domingo de Páscoa, que era a chave de ouro. [...]
Como entender, depois da passagem de Humaitá [episódio da Guerra do Paraguai], que as procissões do enterro, uma de São Francisco de Paula, outra do Carmo, eram tão compridas que não acabavam mais? Como pintar-lhes os andores, as filas de tochas inumeráveis, as Marias Behus, segundo a forma popular, centurião, e tantas outras partes da cerimônia, não contando as janelas das casas iluminadas, acolchoadas e atapetadas de moças bonitas — moças e velhas — porque já naquele tempo havia algumas pessoas velhas, mas poucas. Tudo era da idade e da cor das palmas: verde.
(Trecho de crônica publicada na revista A Semana em 25 de março de 1894)

Foto de 1890 de Marc Ferrez e estatueta de Zé Andrade exposta na mega music store Modern Sound. Clique no marcador "Machado de Assis" abaixo para ver outras postagens sobre o bruxo do Cosme Velho.
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25.3.09
CONFEITARIA COLOMBO








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16.3.09
Véronique, Brésil 2009
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2.3.09
CORES DO RIO - PS
28.2.09
A VISITA DO POETA


— Vai falando, Poesia — digo-lhe, de vista baixa...
— Eu não — responde ele, de vista mais baixa ainda.
Vou desenhando e pensando. O que haverá com Poesia? Alguém judiou dele. Para ele estar assim...
Terá sido mulher? Sempre que o vi, estava feliz. Opulento, até. Na face, o seu saudável “rosa-colonial”. Hoje, até pálido ele está. Poucos sabem a extensão da maldade, quando se faz sofrer aos poetas. Aos poetas, não se pode negar nada. Tirar, muito menos. Principalmente a este, que é um franciscano. Vocês não sabiam? Vinicius de Moraes é franciscano, apenas está dispensado de usar o hábito porque todos o dispensam de fazer sacrifícios. O Itamarati, por exemplo, o dispensou de ir lá. Quando o ministro Hermes Lima precisa de alguma orientação, manda Lolô Bernardes telefonar e Vinicius instrui, pelo telefone. Na Casa de Rio Branco não se faz nada sem ouvir Vinicius de Moraes. Daí a mágoa de Pomona Politis, que se considera uma continuação e, às vezes, o próprio Barão do Rio Branco.
Mas, o que há com Poesia para estar ali sentado, sem um som, sequer o da respiração? Esse poeta arfava muito. Antigamente, a dois metros dele, era possível ouvir-se-lhe a arfância. E nunca foi de sentar muito tempo, a não ser se tivesse alguém no colo. No mínimo, uma criança. Também, não se pode dizer que tenha sido um poeta vertical; isto é, em pé. Na horizontal, com simples acenos, abalou montanhas, causou muita febre terçã, afundou navios e derrubou aeronaves. O Zepelin, não o bar, mas o Graf Zepelin pegou fogo por quê?
E hoje, cá está o poeta, de vista baixa, bebendo sua cervejinha, calado, de repente, como ele mesmo vaticinou, “não mais que de repente”. Poesia, que é da moça, que dizia à lua: “Minha carne é cor-de-rosa; não é verde como a tua.” Que é da mulher, que passou, com sete esperanças na boca fresca. Que é da outra, cujos cabelos rescendiam à flor da murta. E tu disseste, Poesia, gloriando a todas elas: “Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres!”
Não queria ver o poeta assim, em minha casa. A cabeça pendida, o peito silencioso, a mão trêmula, erguendo o copo de cerveja... cerveja que sabe às amargas ingratidões. Quero-o, como antes, contando o abalo que causou em Ava Gardner, em Rosana Schiafino, na Soraya, na própria Edith Piaf, quando essas senhoras o viram pela primeira vez. Ava Gardner, coitada, ainda era virgem e ficou de tal maneira perturbada que se casou com Mickey Rooney.
Uma vez, no Louvre, diante da Gioconda, eu lhe disse, muito a sério:
— Vamos sair daqui, Poesia, que essa mulher vai se descontrair e cair na gargalhada.


Crônica extraída da antologia Seja feliz e faça os outros felizes organizada por Joaquim Ferreira dos Santos e publicada pela Civilização Brasileira. Clique no marcador abaixo para ver outras postagens sobre Vinicius.
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