15.9.16

A PAIXÃO RENASCE, de Flávia Oliveira

"O Rio é amor bandido"

CRÔNICA PUBLICADA ORIGINALMENTE NO JORNAL O GLOBO DE 4/8/2016, UM DIA ANTES DA ABERTURA DOS JOGOS OLÍMPICOS

O meu lugar, peço licença ao mestre Arlindo Cruz, é repleto de seres de luz — e de espíritos das trevas, especialmente entre os que o governam. É acolhedor, mas sabe ser brutal. É brutal, mas acolhedor como poucas metrópoles do mundo. Eu nasci, cresci e escolhi viver no Rio de Janeiro. Daqui não saio. Nem se o prefeito Eduardo Paes perder a paciência numa rede social e me mandar embora. Nem se os inomináveis — sim, há mais de um candidato abaixo da crítica — assumirem o Piranhão em 2017. (Aos não iniciados em carioquice, é esse o apelido da sede da prefeitura, erguida numa velha área de prostituição.)

O Rio nos maltratou às vésperas dos primeiros Jogos Olímpicos na América do Sul, que começam oficialmente amanhã. A violência urbana fugiu do controle. O aparato de repressão asfixiou comunidades populares em atitude tão inaceitável quanto habitual. No segundo trimestre, a polícia matou 124 pessoas na cidade; só em junho, foram 49 homicídios, o dobro do registrado no mesmo mês de 2015. Ainda ontem de manhã, o Complexo do Alemão padecia com mais um confronto entre policiais e traficantes.

Não foi à toa que a Anistia Internacional Brasil lançou a campanha “A violência não faz parte desse jogo”, para denunciar violações de direitos humanos na cidade olímpica. Um documento cobrando treinamento e abordagens adequados pelas forças de segurança, respeito à liberdade de manifestação pacífica, investigações imparciais e independentes e assistência a vítimas foi assinado por 120 mil pessoas e entregue ao Comitê Rio 2016. No mês passado, estreou o aplicativo Fogo Cruzado, um mapa colaborativo sobre ocorrência de tiroteios e confrontos. Em um mês, houve mais de 600 relatos.

Em sete anos de preparação para os Jogos, o Rio tampouco foi capaz de avançar na agenda ambiental, que prometia despoluir a Baía de Guanabara e as lagoas de Jacarepaguá. As competições de vela vão ocorrer num cenário livre apenas do lixo aparente, recolhido por balsas. E só Deus sabe o que pode acontecer se chover.

Os investimentos em mobilidade urbana não livraram a cidade de megaengarrafamentos na semana derradeira. Foram 120 quilômetros de puro estresse na última segunda-feira e 200, na terça. A circulação inviável levou à decretação do quarto feriado municipal durante a jornada olímpica, para desespero do empresariado ante ao efeito do expediente interrompido na atividade econômica. Todos esses passivos são conhecidos, merecem críticas e exigem mobilização permanente da sociedade carioca. A cidadania participativa do novo século não aceita o estelionato eleitoral nem se contenta com as realizações possíveis. O anseio é pela cidade ótima; e as autoridades têm de aprender a lidar com isso.

Mas a festa está na rua e o meu lugar, engalanado, é bonito como nenhum outro. Quando o clima de celebração se instala, a paixão renasce. As fotos lindas de todos os cantos da cidade que pipocam nas redes sociais são a prova. Difícil imaginar cenário mais bonito para uma competição esportiva, do Leme ao Pontal, da Lagoa ao Maracanã, do Centro a Deodoro.

As delegações estrangeiras, que desembarcam aos milhares com uniformes coloridos e smartphones em punho, estão a nos escancarar o significado dos Jogos. Os suíços tomaram a Lagoa; os franceses, a Hípica. A Dinamarca ocupou Ipanema; a Itália, a Barra. O CCBB abriu espaço para a magnífica exposição de obras dos museus D’Orsay e L’Orangerie, de Paris. Os mexicanos montaram uma mostra arqueológica e uma exposição audiovisual sobre Frida Kahlo no Museu Histórico Nacional. O “Abaporu”, obra-prima brasileira hoje no acervo do Malba argentino, migrou para o MAR. Virou capital do mundo o meu lugar.

O jamaicano Usain Bolt, multicampeão olímpico e mundial do atletismo, está treinando em instalações da Marinha, na Avenida Brasil. O igualmente laureado Michael Phelps, americano da natação, está na área. Simone Biles, fenômeno da ginástica artística dos EUA, e nosso Arthur Zanetti, o homem das argolas, também. A seleção bicampeã do vôlei feminino, orgulho nacional, vai brigar pelo tri. E vai que a seleção de futebol desencanta...

O povo do samba foi escalado e entrará em campo (viva!) na cerimônia de abertura e em programação intensa na região portuária revitalizada. Anteontem, os boêmios do Sat’s festejavam a vitoriosa campanha #agnaldoolimpico, que conseguiu fazer do garçom e churrasqueiro do bar de Copacabana um dos condutores da tocha. O Comitê Rio 2016 formalizou o convite após saber do flashmob etílico, que percorreu com um arremedo de chama olímpica 13 botequins do bairro. Mais carioca, impossível.

O Rio maltrata, mas é lindo. É lindo, mas maltrata. O Rio é cigarra; a gente intui o inverno de escassez, mas não resiste à cantoria do fim das tardes de verão. O Rio é amor bandido, é filho pródigo. A gente puxa a orelha e belisca; se emociona e acolhe. Me abraça, meu Rio.

LEIA TAMBÉM NOSSA MATÉRIA SOBRE AS OLIMPÍADAS CARIOCAS CLICANDO AQUI.

1.9.16

O AMANUENSE BELMIRO NO RIO DE JANEIRO


Numa época em que o regionalismo desponta como tendência hegemônica (quase um estilo de época) nas letras brasileiras, Cyro dos Anjos, em sua obra O amanuense Belmiro, vai na contracorrente com esse sui generis "diário" íntimo (que na verdade resultou do amálgama de uma série de crônicas jornalísticas) de um burocrata belo-horizontino de 38 anos, amanuense na Seção do Fomento Animal (“que não fomenta coisa alguma, senão o meu lirismo”) do Ministério da Agricultura, espécie de anti-herói chapliniano, “velho profissional da tristeza”, a cuja vida exterior normalmente banal (rompida vez ou outra por algum evento menos banal como a prisão por algumas horas por suspeita de comunismo ou a viagem ao Rio de Janeiro) se contrapõem os “abismos insondáveis” da alma embebida de paixão não correspondida, “ingênuos pensamentos, loucas fantasias”, dúvidas, incertezas (“Fali na vida, por não ter encontrado rumos. Este Diário, ou coisa que o valha, não é sintoma disso?”). 

O estilo é uma mescla de lirismo, ceticismo e ironia, com sutis toques machadianos. O autor assim consegue o milagre de transformar o cotidiano corriqueiro (“Que vim fazer neste mundo? Até agora nada realizei”) em material literário de primeira, nessa narrativa que se estende do Carnaval de 1935 até o do ano seguinte. Como espécie de ideia recorrente, o amor platônico pela bela Arabela, que na verdade é Carmélia Miranda, jovem de boa família, “criatura mais bonita [e] mais fina nestas redondezas”, que acaba casando com um distinto médico radiologista, o casal indo passar a lua-de-mel na Europa. 

Desfila por esse diário uma fauna de personagens, amigos do amanuense: a “desejável” (que hoje chamaríamos de “boazuda”  “como a saúde de Jandira convida a um higiênico idílio rural”) Jandira, o anarquista Redelvim (“um anarquismo lírico, que não dá para atirar bombas nem praticar atentados”), que o autor conheceu numa república de estudantes, o filósofo Silviano defensor da conduta católica (“fugir da vida no que ela tem de excitante”), o jovem colega de repartição Glicério “que é novo na vida e na burocracia”, o tranquilo Florêncio, “homem sem abismos”, “homem sem história” sempre provido das melhores e mais recentes anedotas, etc.

O autor às vezes coloca em dúvida a utilidade de seu diário (“Se, acaso, publicar um dia este caderno de confidências íntimas, perdoem-me os leitores as anotações de caráter muito pessoal, que forem encontrando e que certamente não lhes interessarão.”), outras vezes o justifica (“Por que um livro?”, foi a pergunta que me fez Jandira, a quem, há tempos, comuniquei esse propósito. “Já não há tantos? Por que você quer escrever um livro, seu Belmiro?” Respondi-lhe que perguntasse a uma gestante por que razão iria dar à luz um mortal, havendo tantos.”)

A certa altura o autor (o livro é narrado em primeira pessoa) vem ao Rio sob pretexto de uma missão profissional qualquer, mas na verdade para ver o embarque da amada platônica recém-casada para a lua-de-mel na Europa. A seguir, trechos dos capítulos 77 a 80 que narram a aventura, ou melhor, desventura carioca:

Deixando o Arpoador, senti-me lúcido e triste

EIS-ME nesta mui leal cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Deixei Belo Horizonte com antecedência de alguns dias para não dar na vista do Glicério. Senti desejo de vir, e vim. De que vale a gente viver a contrariar-se? Por si mesma a vida já nos impõe tantas limitações... [...]

Nossos amigos cariocas não sabem o que vale o mar para nós, de Minas.

Desde cinco dias não faço outra coisa senão frequentá-lo no cais, na praia, pela manhã, pela noite. Anda enfurecido e sombrio, arrastando sua língua difícil. Tenho tentado, em vão, conversá-lo: está inacessível.

Perco-me, também, na contemplação comovida deste Rio velho, deste Rio torto e encardido, que é o que amo. A cidade nova e brilhante, que nasceu dos flancos da outra, me assusta e intimida. O Rio antigo traz-me imagens machadianas que amei na adolescência.

Percorrendo a Rua Matacavalos, pensei, com saudade, naqueles cavalheiros que andavam de tílburi, jogavam voltarete e tinham, sobre o mundo, pensamentos sutis. Divisei, a um canto, o vulto amável de Sofia e tive dó do Rubião. A meus ouvidos, mana Rita fazia insinuações (Cale a boca, mana Rita...). Em certo bonde, que me pareceu puxado por burricos, tive a meu lado Dom Casmurro, e lobriguei, numa travessa, dois vultos que deslizavam furtivos à luz escassa dos lampiões: Capitu e Escobar.

Andando sempre, e a pé (não aprendi, ainda, a usar convenientemente os ônibus), também fui dar comigo em regiões não machadianas. Os passos me levaram, distraído, a certos quarteirões movimentados, ribeirinhos do Mangue. Jamais me passara pela idéia uma visita a paragens tais, mas, como já ali me achasse, moveu-me a curiosidade de examinar os transeuntes e o local. Não fui muito adiante: encontrei militares de terra e mar algo tocados, que começaram a olhar-me de soslaio, e tratei de retirar-me com dignidade. Atrás, algumas damas de poucas ou nenhumas vestes me propunham em francês coisas não muito adequadas ao meu ofício e condição. Safei-me daquele mercado estranho, com o peito deprimido. Ali nenhuma ilusão era possível. [...]

Por que me perturba, assim, o mar? Diante dele, quando devia amesquinhar-me, exalto-me e quero compartilhar de sua energia cósmica. De onde nos será possível descortinar o alto panorama? Qual será o caminho—o da humildade ou o da dureza?

Deixando o Arpoador, senti-me lúcido e triste, como o marinheiro do poeta. Ficaram-me desejos confusos de amor e de aniquilamento. Se ao menos o amor se definisse, teríamos um sentido. Mas, que sabemos do amor? Impossível fixá-lo, encontrar-lhe a expressão real, permanente. Ele se compõe da variedade e da ondulação. Conhece todas as gradações, e seu objeto é ora fixo, ora móvel, ora uno, ora múltiplo.

Ainda estou a ouvir, como a uma sinfonia wagneriana, as vagas que batem no rochedo. A voz do grande paralítico.

26.8.16

VIAGEM DE METRÔ, de Ivo Korytowski


Texto, fotos e vídeos de Ivo Korytowski. Crônica de maio de 2000 inspirada em acontecimento real. Se fosse escrita hoje, o homem de 40 anos teria 66, e tanto ele como a garota sardenta, de tão absortos em seus smartphones, sequer se perceberiam mutuamente. E o filho não estaria lendo o Jornal dos Sports, primeiro porque jovem não lê mais jornal impresso, segundo porque o jornal nem existe mais. Postagem dedicada ao amigo de adolescência Ronald Berger que desde priscas eras trabalha no metrô carioca. Boa viagem, digo, leitura.


Plataforma de embarque do metrô, estação Cardeal Arcoverde, Copacabana. Sábado de manhã, ainda cedo, pouca gente pra embarcar. Só ultrapasse a faixa amarela quando o carro abrir as portas, avisa o auto-falante. Homem de uns quarenta anos, aparência de casado, dando a mão ao filho de dez anos, lança um olhar escancarado pra garota meio sardenta, cabelos compridos, castanhos, ar preocupado de quem acaba de desmanchar um namoro depois de muito conflito. Homem latino, solteiro ou casado, quando solto na rua, tem o cacoete de olhar pras mulheres bonitas – sorte delas! A garota meio sardenta retribui o olhar daquele homem maduro, homem dos sonhos para uma garota jovem, perdida na vida, à procura de uma figura de “pai” que a oriente. Não corra, a pressa pode se transformar em acidente, avisa desta vez o auto-falante. Aviso quase inaudível contra o barulho do trem que se aproxima. Abrem-se as portas do trem. O vagão que parou diante da garota meio sardenta não é o mesmo que parou diante do homem maduro. É agora que vou perdê-la de vista, pensa ele. Mas a garota faz um desvio de rota e vem para o vagão do homem maduro. Senta-se num banco. O homem com o filho sentam-se em dois bancos laterais preferenciais para gestantes, idosos e inválidos – bem de frente pra garota meio sardenta.


O homem perscruta a garota: olheiras, ar cansado, seria garota de programa que volta pra casa após noite de trabalho? Não parece, o aspecto é cândido demais. O filho ao lado lê a classificação dos times no campeonato estadual – claro que o Mengão está na dianteira, três pontos de vantagem sobre o vice. Agora, o homem maduro esquadrinha a pochete à procura de pedaço de papel – neca. Mas caneta tem, graças a Deus. Arranca um retângulo meio irregular da margem de uma página do Jornal dos Sports do filho. (Pra que você está rasgando meu jornal, pai? Pra nada!) Pensa: dou meu telefone do trabalho? Não, pode dar confusão. Escreve (letra de forma bem desenhada, pra garota entender) o endereço do e-mail do trabalho. Passadas as estações Botafogo e Flamengo, o metrô encheu. O homem maduro oferece o lugar a uma senhora de meia idade, com a segunda intenção de interceptar a garota meio sardenta caso ela salte antes dele. Mas estação após estação, a garota continua sentada. Deve ser tijucana, ou será que vai saltar na Central pra pegar o trem? Tijucana com certeza, pele branquinha, suburbana vai à praia todo domingo. Entre a Carioca e Uruguaiana, o trem dá uma freada brusca e pára dentro da galeria – o terror dos claustrofóbicos. Ah, se fôssemos só nós dois neste vagão, pensa o homem! Em poucos segundos, o trem retoma a marcha. Após a estação Presidente Vargas, o homem maduro avisa ao filho:


– Dobra este jornal que vamos saltar.

O filho continua absorto nas notícias desportivas. O homem insiste, enérgico:

– Pô, vamos saltar!

O homem maduro pega o filho pela mão e, antes de se dirigir à porta, na maior cara de pau deste mundo, entrega a papeleta com o e-mail do trabalho pra garota meio sardenta. Depois de saltarem, o filho indaga:

– O que você deu praquela mulher, pai?
– Um papel.
– Você conhece ela?
– Conheço. E não diga nada pra mamãe.



Domingo foi Dia das Mães, a família foi à churrascaria, lotada. Na segunda-feira, o homem maduro, tão logo chega ao trabalho, confere sofregamente o e-mail. Tinha de tudo: propaganda do namoro on-line, cartão virtual de uma amiga virtual, piada infame do argentino, brasileiro e da mulher gostosa no elevador... Se estivéssemos em comédia romântica hollywoodiana, teria também um e-mail em formoso “papel de carta” começando com os dizeres: “Sou a garota do metrô...” E eu, o autor, estaria milionário com a venda dos direitos autorais de minha história. Mas aqui, trata-se de realidade. O homem maduro jamais recebeu e-mail da garota meio sardenta.


22.8.16

RIO 2016: AS OLIMPÍADAS CARIOCAS



Não obstante as previsões catastróficas das cassandras de sempre – que previram desde um atentado terrorista e uma onda de assaltos contra os visitantes até uma epidemia de Zika e entulhos na Baía atrapalhando os regatistas –, apesar da má-vontade da imprensa nacional e internacional – a CNN chegou a descobrir uma bactéria super-resistente nadando nas águas de Copacabana e o site de análise política O Antagonista chamou nossos jogos de “olímpiadas do coco” (ao que enviei uma mensagem raivosa dizendo que eles é que eram “jornalistas de cocô”) –, apesar da tentativa das esquerdas, que já haviam tentado sabotar nossa Copa ("Não Vai Ter Copa": ver aqui), de explorar a exposição internacional para promover sua campanha de FORA TEMER... apesar de toda essa torcida do contra, como já acontecera nas conferências do clima da ONU, no Pan (ver aqui), na Jornada Mundial da Juventude (ver aqui) e na Copa (ver aqui), mais uma vez a nossa querida cidade maravilhosa soube acolher com galhardia um grande evento e receber de braços abertos a avalanche de visitantes, encantando-os. Podemos dizer que o Rio ganhou medalha de ouro ao sediar as Olimpíadas (ou melhor, quem disse isso foi Rosiska Darcy de Oliveira na crônica Rio, medalha de ouro que você pode ler aqui).

A cerimônia de abertura já mostrou que não somos os vira-latas que um certo "complexo" diagnosticado por um genial cronista às vezes nos leva a crer que sejamos. A revista Veja, em matéria de capa, admite que “O BRASIL SURPREENDE O MUNDO”Conquanto não ficássemos entre as dez maiores potências esportivas como planejado, fizemos a melhor campanha de nossa história olímpica (7 ouros, 6 pratas, 6 bronzes, 13o lugar no ranking) e ainda de quebra ganhamos um legado: o lindo Boulevard Olímpico que permitiu ao carioca redescobrir a orla histórica da cidade (ver aqui), o VLT, os BRTs, a expansão do metrô. Muitos medalhistas brasileiros são visivelmente gente humilde, dos estratos populares (aquela gente da qual os lulopetistas e seus asseclas se dizem representantes enquanto saboreiam seu caviar e saqueiam o país), alguns das Forças Armadas. Se nossos universitários em vez de bebericarem tanto chope e se embeberem de tanto esquerdismo inútil se dedicassem aos desportos, como fazem seus colegas do Primeiro Mundo...

Em Editorial onde faz balanço das Olimpíadas cariocas, escreve O Globo: "Ao se anunciar o Rio como sede da Olimpíada de 2016 começou um debate sobre se compensaria trazer os Jogos para a cidade e o Brasil. Hoje, não se tem dúvida de que foi bastante compensador. Não apenas pelo dinheiro que circulou na cidade e outros estados, como pelos empregos criados, principalmente na construção civil. E a Rio-2016 foi aproveitada de forma hábil pelo prefeito Eduardo Paes para viabilizar impressionantes projetos na revitalização do Porto, na ampliação da malha de transporte de massa (BRTs) e na linha de metrô até a Barra."

Na revista Isto É desta semana, lemos: "Os brasileiros estão cheios de esperança, felizes com a Olimpíada que foram capazes de organizar e com a oportunidade rara de desfrutar de um período luminoso de uma das cidades mais iluminadas do mundo. A Olimpíada reergueu a nossa auto-estima e varreu para longe o desânimo político e econômico que paralisou a nação nos últimos dois anos."  E o meganadador Michael Phelps, em seu perfil no Instagram, se derrete pela cidade: "Por mais legal que seja estar em casa, já sinto falta da beleza do Rio de Janeiro e da simpatia de seu povo. Obrigado, Rio, por receber os Jogos Olímpicos e por fazer com que a gente se sentisse tão bem-vindo!"

MORAL DA HISTÓRIA: mais uma vez ficou comprovado que, como disse o poeta, “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. E  no futuro, quando o Rio de Janeiro voltar a abrigar um grande evento, como é de sua vocação, mais uma vez as cassandras, que são incapazes de aprender alguma coisa, vaticinarão a catástrofe que não acontecerá. A seguir, algumas fotos e um vídeo tirados pelo editor do blog durante as Olimpíadas.

Transatlântico

Rubgy Sevens

O público do rugby (nem só de futebol vive o homem)

A imprensa

Hipismo

A pira olímpica

Arte no Boulevard Olímpico

Engarrafamento humano no trecho mais estreito do Boulevard Olímpico

Alegres torcedores

Anéis olímpicos na Praia de Copacabana

Rio 2016 em arte de Kristjana S. Williams exposta na fachada do Copacabana Palace. Imagem obtida no site Maior Viagem.

20.8.16

ARTISTA E AMBULANTE NO TREM DA CENTRAL

Em artigo publicado durante os Jogos Olímpicos, o site da CNN contrasta o "moderno sistema de metrô" carioca com a "rede de trens mais rústica", que descreve como uma "loja de conveniências sobre rodas, oferecendo aos viajantes a oportunidade de comprarem de tudo, de biscoitos e doces a relógios digitais e bolsas." O filme amador mostra um artista do acordeon e um ambulante em ação no trem Santa Cruz que levava o público aos locais de competições em Deodoro durante as Olimpíadas.
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1.8.16

33 DECLARAÇÕES DE AMOR AO RIO DE JANEIRO

LOUVAÇÕES À CIDADE MARAVILHOSA (EM COMEMORAÇÃO ÀS OLIMPÍADAS) RECOLHIDAS PELO EDITOR DO BLOG EM JORNAIS, REVISTAS, LIVROS e até em textos já publicados por este blog:


1) “Ninguém pode amar mais do que eu esta cidade do Rio de Janeiro. Ó grande beleza de cidade, ó cidade que é vinte, trinta, quarenta cidades imprevistas, uma infiltrada na outra, esta mais colonial que Ouro Preto, aquela mais nova que Goiânia, uma de alta montanha, uma de oeste de Minas, uma toda de praia, outra de casarões de arvoredo – ó ruas estranguladas entre mares e morros, recantos e esplanadas, cartões-postais baratos e segredos de esquinas sutis, avenidas afogadas em sol e ladeiras de húmus esquecidos – cidade de minhas tantas agonias e felicidades, palcos de velhas inquietações, canais de silenciosa aventura, blocos de cimento que me esmagaram, praças de humilhações, arrabaldes de exaltações líricas – minha medíocre história anda escrita em tuas ruas e nenhuma entre as cidades é mais formosa que tu, nem sabe mais coisas de mim”

RUBEM BRAGA


2) “Estou apaixonado pelo Rio. Vocês têm praia, arte, cultura, montanha, floresta, tudo o que existe de melhor no mundo. Liguei para a minha esposa e falei que a gente precisa morar aqui.”

JOHN GREEN, autor de A culpa é das estrelas


3) “A cidade do Rio de Janeiro, com seu belo céu de azul e sua natureza tão rica, com a beleza de seus panoramas e de seus graciosos arrabaldes, oferece muitos desses pontos de reunião, onde todas as tardes, quando quebrasse a força do sol, a boa sociedade poderia ir passar alguns instantes numa reunião agradável, num círculo de amigos e conhecidos, sem etiquetas e cerimônias, com toda a liberdade do passeio, e ao mesmo tempo com todo o encanto de uma grande reunião.

Não falando já do Passeio Público, que me parece injustamente votado ao abandono, temos na Praia de Botafogo um magnífico boulevard como talvez não haja um em Paris, pelo que toca à natureza. Quanto à beleza da perspectiva, o adro da pequena igrejinha da Glória é para mim um dos mais lindos passeios do Rio de Janeiro. O lanço d'olhos é soberbo: vê-se toda a cidade à vol d'oiseau, embora não tenha asas para voar a algum cantinho onde nos leva sem querer o pensamento.”

JOSÉ DE ALENCAR


4) “Outro dia recebi a carta de uma leitora que me perguntava por que eu não deixo o Rio. Dizia que já havia sido baleada e que, se pudesse, já teria partido. Ela tinha a fantasia de que eu poderia deixar o país, viver fora, e não entendia o fato de eu continuar aqui. Acontece que não posso e não quero largar mão desta cidade. Sou dependente do Rio, das montanhas do Rio, dos cariocas. Sou fruto desta cidade.”

FERNANDA TORRES


5) “Quando saí pela primeira vez do Rio e fui para Nova York, Boston, São Francisco, Paris, Londres, Viena, o que mais me impressionou foram as paisagens humanas. Tudo tinha sido feito por nós, homens e mulheres. Já o carioca fez uma cidade que usa elementos da natureza, criando uma paisagem que transborda dela, sem destruí-la. Não existe nada igual no mundo. Por isso, a gente tem esta facilidade de transcender. É difícil até não acreditar em Deus.”

ROBERTO DAMATTA


6) “Seguindo por uma vereda, penetrei no interior de uma nobre floresta e, de uma altura de cento e cinquenta a duzentos metros, pude contemplar um dos soberbos panoramas tão comuns ao redor de todo o Rio. Vista dessa altura, a paisagem adquire seu brilho mais colorido. Cada forma, cada sombra ultrapassa de modo tão magnificente tudo o que um europeu jamais possa ter visto em sua terra natal, que este não sabe como expressar suas sensações.”

CHARLES DARWIN


7) “Somos privilegiados por viver numa cidade que é a própria História do país, a história da formação de um povo, da formação da brasilidade. Os baianos que me perdoem, mas o Rio de Janeiro tem uma característica mais heterogênea do que a própria Bahia, só pelo fato de ter sido capital do país desde 1763 até a segunda metade do século XX, e por abrigar um porto altamente cosmopolita.”

NIREU CAVALCANTI


8) “Sabe aquela famosa frase de caminhão 'viajo porque preciso, volto porque te amo?' Eu poderia assinar esta. Saio do Rio, mas o Rio não sai de mim.”

JOYCE MORENO


9) “Você é múltipla, diversa, encantadora em todos os seus cantos. A melhor companhia sempre, em qualquer situação. Um mergulho na praia. Uma caminhada no calçadão. Um passeio pela Floresta da Tijuca, Um samba em Madureira. Um bate-papo com vizinhos numa calçada do subúrbio. Um jogo de futebol no Maracanã. Uma festa na laje da favela. Um chope com amigos no bar. Um encontro casual na esquina. Você é toda essa mistura de gente. Você favorece o encontro. Você é da rua, é de todo mundo e virou até Patrimônio da Humanidade.”

EDUARDO PAES


10) “Aqui tem mar e montanha. E as mulheres têm bunda e peito. É por isso que chamam o Rio de Janeiro de Cidade Maravilhosa. Vocês têm tudo que os outros lugares do mundo queriam ter.”

RAPPER AMERICANO DON BLANQUITO


11) “O Rio é síntese brasileira que escapa a guias de turismo, transcende. É cidade-mulher e não precisa de joias para se enfeitar. Mais bela está para existir. Já completou quatrocentos janeiros e fica cada vez mais criança, ri de tudo, ri à toa. Ri de todos e, depois, de si mesma. Também por isso, fascina.”

JOÃO ANTÔNIO


12) “O Rio é vício realmente, você é dependente dele... É a beleza... As montanhas do Rio têm contorno de mulher, uma mulher deitada. O Rio de Janeiro é um orgasmo.”

MÁRIO LAGO


13) “Esta capitania do Rio dista da Equinocial 23 graus para o Sul, e da Bahia 130 léguas. É muito sadia, de muitos bons ares e águas. No verão tem boas calmas algumas vezes, e no inverno mui bons frios; mas em geral é temperada. O inverno se parece com a primavera de Portugal: têm uns dias formosíssimos tão aprazíveis e salutiferos que parece estão os corpos bebendo vida. [...] A cidade está situada em um monte de boa vista para o mar, e dentro da barra tem uma bahia que bem parece que a pintou o supremo pintor e architecto do mundo Deus Nosso Senhor, e assim é cousa formosíssima e a mais aprasivel que ha em todo o Brasil, nem lhe chega a vista do Mondego e Tejo.”

PADRE FERNÃO CARDIM


14) “Nesta manhã chuvosa, quase fria, neste dia cinzento, o Rio deixa de ser capital do Brasil, mas não se sente infeliz por isso. Que imaginam vocês da responsabilidade, da utilidade ou da necessidade de uma beleza como esta, plantada na orla marítima, inundada de sol, feliz com os seus defeitos, qual a vantagem de ser capital política e administrativa? Acenaram-nos o consolo de que, por muitos séculos, o centro literário, musical, artístico, não sairá daqui. [...]

De qualquer forma, obrigado, Juscelino, por fazer disto uma cidade. Com a sua Brasília, fez do Rio uma cidade autônoma, habitável e mais vazia, embora sem o encanto de sua presença. Nós, os ingratos, nem de longe poderíamos imaginar como é bom viver longe dos políticos, das confusões, de todo esse aglomerado humano que faz da Corte uma cidade hostil, atravancada, sem nenhum atrativo. Ninguém podia imaginar que de repente voltássemos, sem sair daqui, a uma ilha de paz, de sol e de perdão.”

DAVID NASSER (em crônica sobre a transferência da capital para Brasília)


15) “Ser brasileiro é ter certidão de Estados da graça.
Qualquer um, tem o seu charme de seduzir.
Mas o cortejo do Rio... cativação para sempre.
Quem pode resistir?
Inspirar beleza e expirar poesia, função vital de coração de poeta.
Desvendar a alma do Rio... ousadia de quase morrer lindamente, de emoção.”

VILMA DUARTE, a cronista de Araxá


16) “Fellini se apaixonou por Roma quando, menino, em sua cidade natal, Rimini, viu num vagão de trem a placa com o nome: Roma. Em tempos de orgulho gay, toda vez que vejo o nome da minha cidade, mesmo num ônibus que chega de não sei de onde, coberto de pó e fadiga, sinto um orgulho besta e sempre renovado de aqui ter nascido, o rio de minha vida e de minha saudade.”

CARLOS HEITOR CONY


17) “Não há no mundo Cidade mais encantadora. Paris, Londres, Roma, Atenas, Jerusalém, Cairo, Tóquio e Nova York guardam seus encantos, suas tradições, suas culturas e suas civilizações. A Cidade Maravilhosa, coração do Brasil, guarda encantos mil. Guarda praias, abriga florestas, encanta com o Pão de Açúcar e é abraçada pelo Cristo Redentor, que, diariamente, do Alto do Corcovado, também abençoa a todos, e sempre de braços abertos.”

PAULO CÉSAR MARTINEZ Y ALONSO


18) “Quando criança eu pensava: ‘Sorte ter nascido na cidade mais bonita do mundo’. Depois de adulto, tive curiosidade em conhecer outras cidades mundo afora, mas após tantos périplos, continuo fiel ao primeiro amor, o Rio.
É só sair pelas ruas para deparar com grandes e pequenas maravilhas.”

“O Rio de Janeiro não é uma cidade como, digamos, Goiânia ou Caruaru, onde você esgota as atrações turísticas em um ou dois dias de visita (claro que não estou desmerecendo estas simpáticas cidades que já tive o prazer de visitar). As atrações são infinitas, ou melhor, transfinitas, porque estão sempre aumentando, sempre aparecem coisas novas. Moro no Rio há seis décadas (nasci aqui) e sou um eterno turista carioca, sempre me surpreendendo, sempre descobrindo uma novidade.”

IVO KORYTOWSKI (editor deste blog)


19) “Andar pelo Rio, seja com chuva ou sol abrasador, é sempre um prazer. Observar os recantos quase que escondidos é uma experiência indescritível, principalmente se tratando de uma grande cidade. Conheço várias do Brasil, mas nenhuma tem tanta beleza e tantos segredos a se revelarem a cada esquina com tanta história pra contar através da poesia das ruas!”

CHARLES STONE


20) “Esta primeira impressão de multiplicidade repete-se e aumenta continuamente de dia a dia; nunca se acaba de ver essa cidade, porque ela procura sempre mostrar, de dentro de um outro esconderijo, um novo encanto: talvez não exista outra no mundo que seja tão engenhosa em vistas e panoramas inesperados, também nenhuma que possua tantas camadas culturais diferentes. Passeios a pé ou de automóvel significam aqui a descoberta de coisas imprevistas, porém a surpresa que mais espanta é a extensão do Rio de Janeiro. Imagina-se que depois de trinta ou quarenta minutos de passeio de auto já chegamos a uma extremidade da cidade, e, deveras, já se eleva um outeiro e a rua perde-se no verde, porém, ali, de repente, recomeça uma outra cidade de vilas ou um subúrbio, e este crescimento parece permanecer invariavelmente. E nessa dimensão gigantesca, que multiplicidade! Quantas cidades diferentes nessa única cidade!”

STEFAN ZWEIG, “Pequena Viagem ao Brasil” (1936)


21) “O Brasil está associado a todas essas qualidades de bom humor, boa vida e Carnaval. O Carnaval é muito importante — é a imagem clássica que as pessoas têm do Rio, e é uma imagem de felicidade”.

SIMON ANHOLT, consultor da pesquisa publicada em 2009 pela Forbes elegendo o Rio a cidade mais feliz do mundo




22) “A cidade tem mar e montanha, clima bom o ano inteiro e a felicidade do carioca”

CLAUDE TROISGROS

 

23) “Poucas cidades no mundo têm o mar e a floresta tão próximos. É isso que torna o Rio tão especial”

PAULO BETTI



24) “Muitas coisas fazem o Rio especial: a magia, a poesia, gente bonita, o Maracanã, o futebol, o Flamengo

JORGE BEN JOR



25) “A mistura do Rio é muito cativante: é uma cidade moderna, mas com foco enorme na natureza”

PAULA BEZERRA DE MELLO, gerente de marketing do Fasano



26) “O melhor é acordar e dar de cara com o Cristo e o Pão de Açúcar. Fico de bom humor o dia inteiro”

ANA BOTAFOGO



27) “Em cada esquina há vida, diferente de São Paulo ou Brasília. As pessoas conversam nos botequins

MOACYR LUZ



28) “O melhor do Rio é o espírito do carioca, o humor, as praias, as montanhas, o Carnaval”

EVANDRO MESQUITA


29) “O Rio seguiu sendo, ao lado de São Paulo, a grande metrópole brasileira, centro de encantos civilizatórios e oportunidades profissionais, da vida alegre e das praias azuis, da descontração do espírito, onde até os contrastes da miséria, com os cortiços de fins do século XIX e as favelas do século XX, amontoadas umas sobre as outras, acabam sendo motivo para enredos de sambas, audácias de bambas e fonte de turismo internacional. O Rio não perdeu o seu carisma ao deixar de ser o centro do poder. Porque Brasília ainda não logrou firmar o seu. Se é que o fará algum dia... Prossegue atraente, envolta em lendas e mistérios, orgulho dos brasileiros, fonte de atração internacional, logrando superar os riscos da violência nada ‘encantadora de suas ruas’, com promessas de amor, graça, encanto e diversão.”

NELSON MELLO E SOUZA, “Rio de Janeiro e Seu Carisma”, 450 Anos da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, revista da Academia Carioca de Letras


30) “O vento beijando o teu rosto, o mar se arrojando a teus pés, o verde descendo das Serras... Meu Rio, que lindo tu és!
Uma cidade que é gente. Que sonha, que sente, que chora e que ri...
Esta é a minha cidade. Que felicidade é viver por aqui. Há sempre um lugar pra se amar e curtir vendo o sol no horizonte ou o dia raiar.
Arpoador... Ipanema... Praia Vermelha... Grumari...
Que maravilha o dia amanhecendo e como é suave a brisa me beijando. Que extasiante meu corpo suado, tão excitante o sol me possuindo... Um peixe frito e um chope gelado.
Há tanta ternura numa tarde-noite e como é romântico o som de um piano!
Meu amor! Viajei no teu alto-astral. Além de samba e futebol, culturalmente és capital. Minha flor. Beija-flor do meu carnaval. Corpos livres dourando ao sol num calor de quarenta graus.
Vascão, Fla, Flu, Botafogo... Asas delta no ar.
O bicho pega no jogo. Muitos motéis pra transar.
Sou um amante do Rio e fã de Vila Isabel. Alô Madureira, Tijuca, Mangueira e Padre Miguel!
Viva o Cacique de Ramos!
Salve a Banda de Ipanema e o Cordão do Bola Preta!
Só alegria. É carnaval... Vamos lá minha Vila!
Depois vem quarta-feira de cinzas, que legal! Dez! Nota dez! Chope de graça na quadra da escola campeã.
É plena quaresma, mas na sexta-feira tem o Baile das Cremações. Se for pecado Deus perdoa.
Deus é carioca. É carioca, é carioca, é carioca!
Jesus Cristo é carioca...”

MARTINHO DA VILA, “Delírios de Amor Carioca” (trecho), 450 Anos da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, revista da Academia Carioca de Letras


31) “Esta é a minha cidade, saudade! a cidade que escolhi para vida, paixão e morte do mineiro despencado do seu Caminho Novo. A cidade onde todos se abraçam no mesmo bloco e seguem sob o mesmo estandarte rutilante. Porque no resto é aquela merda de mineiro contra paulista e cabeça-chata [nordestino], de paulista contra mineiro e guasca [gaúcho], de nordestino contra amazonense e acreano e de todos, a uma, versus a boa terra da Bahia. Aqui, pelo menos, todos rebolam no mesmo samba.”

PEDRO NAVA, Balão Cativo, Capítulo III


32) “Gênova, a soberba, com todos os seu palácios de mármore e jardins; Nápoles, risonha, com as suas águas límpidas, o seu Vesúvio e as suas vilas; Veneza, a rica, com as suas cúpulas e monumentos; o Bósforo, mesmo, com os seus imensos minaretes — nada oferece ao olhar deslumbrado tão magnífico panorama. Eis o Brasil! terra fecunda, entre as mais fecundas, natureza à parte, natureza privilegiada!”

ARAGO (cronista da expedição científica da corveta Uranie ao redor do mundo que aportou no Rio de Janeiro em dezembro de 1817)



33) Rio de Janeiro, cidade a mais ditosa do Novo Mundo! Rio de Janeiro, aí tens a tua augusta rainha, e o teu excelso príncipe com a sua real família, as primeiras majestades que o hemisfério austral viu e conheceu. Estes são os teus soberanos e senhores, descendentes e herdeiros daqueles grandes reis, que te descobriram, te povoaram, e te engrandeceram, ao ponto de seres de hoje em diante a princesa de toda a América, e Corte dos senhores reis de Portugal; enche-te de júbilo, salta de prazer, orna-te dos teus mais ricos vestidos, sai ao encontro dos teus soberanos; e recolhe com todo o respeito, e veneração, e amor o princípio ditoso, que vem em nome do Senhor visitar o seu povo.

LUÍS GONÇALVES DOS SANTOS, O PADRE PERERECA (escrevendo sobre a chegada da Família Real na cidade)

Fotos tiradas no Rio de Janeiro pelo editor do blog. Você pode reproduzi-las desde que cite a fonte.