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Literatura & Rio de Janeiro

O blog de quem ama o Rio de Janeiro, seus encantos, história, literatura e artes em geral.
Venha fazer o meu passeio-surpresa pelo Rio Antigo. Você se surpreenderá e verá coisas maravilhosas, que nenhum guia turístico convencional mostrará. Contatos pelo e-mail ivokory@gmail.com.

Blog dedicated to Rio de Janeiro city, its history and literature. Please visit also my English language blog "Rio de Janeiro Around the Year".

Minha foto
Nome: Ivo Korytowski
Local: Rio de Janeiro, RJ, Brazil

14.7.08

PÃO DE AÇÚCAR

SUGARLOAF/ZUCKERHUT/PAIN DE SUCRE



Bondinho chegando na estação/The cable-car arriving at the station

[For an English text, see my blog Rio de Janeiro Around the Year]
Qual dos portugueses da equipe de Estácio de Sá deu esse nome ao morro mais fotografado do mundo é difícil saber. Uma coisa é certa: quando os fundadores da cidade desembarcaram e viram o imponente maciço, acharam que se parecia com os cones de açúcar que eram produzidos na Ilha da Madeira e colocados no mercado europeu.

O Pão de Açúcar tem aproximadamente 400 metros de altura e está próximo aos morros da Urca e da Babilônia. Em 1909, os engenheiros Augusto Ferreira Ramos e Manoel Antônio Galvão ganharam autorização da Prefeitura para construir e explorar, durante 30 anos, um caminho aéreo que ligasse a praia Vermelha ao morro da Urca.

O projeto parecia tão desafiador que muita gente não acreditou pudessem os engenheiros levar semelhante tarefa a cabo. [...] O trecho inicial, coberto por cabos de aço, numa distância de 575 metros e 224 de altura, foi inaugurado a 25 de outubro de 1912, em meio a uma festa e foguetório, que mobilizou a cidade e particularmente o bairro. A praia Vermelha engalanou-se mas foram poucos — em geral homens — os que tiveram coragem de figurar como primeiros passageiros da viagem aérea até o morro da Urca.

O trecho seguinte — Urca-Pão de Açúcar —, cobrindo uma distância de 800 metros e 395 de altura, aconteceu a 18 de janeiro de 1913. O bondinho comportava 23 passageiros e deslizava em dois cabos-trilhos. Houve outra festa e, desta vez, formou-se fila, pois eram muitos os que desejavam ver a cidade como se estivessem num avião.[...]

Por ano, segundo dados oficiais, aproximadamente 1 milhão de pessoas — em geral turistas — utilizam-se do bondinho, a fim de ver que o Rio de Janeiro é, realmente, uma Cidade Maravilhosa. (Do livro de José Louzeiro, Urca, Coleção Cantos do Rio, Editora Relume-Dumará)



Subindo.../Up we go...


Subindo.../Up...


Vista do Morro da Urca/View from Urca Hill


O Pão de Açúcar/The Sugarloaf


Segunda parte do percurso: do Morro da Urca ao Pão de Açúcar/Second leg of the trip: from Urca Hill to Sugarloaf


Pão de Açúcar e estação do bondinho/Sugarloaf with the cable-car station


Vista do alto do Pão de Açúcar/View from the Sugarloaf


Uma turista & vista de Copacabana/A tourist & view of Copacabana Beach


Vista do Pão de Açúcar: está vendo o Corcovado lá atrás?/View from Sugarloaf: can you see the Corcovado over there?


Vista do Pão de Açúcar/View from Sugarloaf

Noite/Night

Fotos do editor do blog

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7.7.08

SANTA TERESA



As ruas carregam para o alto, saindo da Lapa, da Glória, Centro, Laranjeiras, Cosme Velho, Catumbi ou Rio Comprido.

Subo a Santa Teresa e a calma me invade. [...] Caminho. Sinto que meu percurso será longo e percebo que não adianta tentar traçar uma linha, uma trilha linear. Santa Teresa é um bairro feito de curvas e ladeiras. Caminhos tortuosos, jardins de caminhos que se bifurcam. Jorge Luis Borges seria um bom companheiro para esta minha caminhada, porque Borges conhece como ninguém os mistérios de um labirinto. Machado de Assis, escritor visceralmente urbano, conhecedor dos ares do Rio de Janeiro do século XIX, seria outro que me faria ver com perspicácia as características deste bairro, ele que previra que Santa Teresa ficaria “à moda”.


Caminho. Quem sabe eu os encontre numa esquina, ou talvez sentados num dos largos de Santa Teresa à espera de um bonde.[...]

Palacetes, chalés, castelos, pequenas casas: uma arquitetura eclética, retrato dos moradores que escolheram este lugar para viver. Santa Teresa tem muita história e essa história ainda está aqui. (do livro de Lilian Fontes, Santa Teresa, editado pela Relume-Dumará)





Situado na Serra de Santa Teresa, o bairro é um dos mais típicos e pitorescos da cidade. Apesar de sua proximidade com o centro do Rio de Janeiro, a ocupação de Santa Teresa não ocorreu paralela à da cidade, abrigando, até meados do século XVIII, em meio à sua densa vegetação, quilombolas, malfeitores e centros de feitiçaria e rituais africanos.

Em 1744, o rio Carioca, cujas nascentes estão no Silvestre, nas encostas do Corcovado, foi alvo do primeiro sistema de canalização, visando o abastecimento de água da cidade. A água atravessava todo o atual bairro até o Aqueduto, atuais Arcos da Lapa.

Em 1877 foi criado um plano inclinado, hoje desativado, que ligava a Rua Matacavalos, atual Rua do Riachuelo, ao Largo dos Guimarães, no alto de Santa Teresa. A utilização dos bondes em Santa Teresa teve origem no plano inclinado pois, ao chegar ao Largo dos Guimarães, os passageiros tomavam um bonde a tração animal que circulava pela região habitada do bairro. Em 1898, já elétricos, os bondes começaram a trafegar sobre os Arcos da Lapa. (do Guia Michelin do Rio de Janeiro, primeira edição)





MORADORES ILUSTRES DE SANTA TERESA

Foi o Convento de Santa Teresa (Ladeira de Santa Teresa, 52), construído pelas irmãs Jacinta e Francisca Rodrigues Ayres, com ajuda do Governador Gomes Freire de Andrada, o Conde de Bobadela, no então Morro do Desterro, em 1750, que deu nome ao bairro de Santa Teresa. O bairro propriamente dito "surgiu por volta de 1850, quando se lotearam as chácaras do antigo morro do Desterro, episódio ocorrido em conseqüência da epidemia de febre amarela, que assolara a cidade naquele ano, mas que poupava lugares de topografia elevada", informa o professor Milton de Mendonça Teixeira no site da Protur.

"Até os anos de 1940, a Lapa era o ponto de encontro de boa parte da classe artística carioca. Villa-Lobos, Manuel Bandeira, Portinari, Carlos Drummond de Andrade, Mario de Andrade (quando vinha ao Rio), Oscar Niemeyer e vários outros se reuniam nas sinucas da Lapa, onde viravam noites bebendo e jogando." — informa o site Centro da Cidade. — "Quando o Estado Novo é decretado, a área da Lapa fica muito perigosa para estes que eram considerados subversivos, uns mais que outros. Assim, a perseguição política arrastou uma parte da intelectualidade carioca para a então distante e isolada Ipanema. A outra parte preferiu subir o morro ao lado, Santa Tereza, e viver por ali mesmo."

No livro A trinca do Curvelo (Rio de Janeiro, Topbooks, 1995), Elvia Bezerra aborda três moradores ilustres de Santa Teresa, em épocas diferentes: Nise da Silveira, Ribeiro Couto e Manuel Bandeira.

No artigo O diário de Gilberto Freyre, Antonio Carlos Villaça conta que Gilberto Freyre, quando vem ao Rio, em 1926, "vai visitar Manuel Bandeira na Rua do Curvelo, 51, Santa Teresa, ‘lindo lugar, mas casa de pobre’. Manuel o convida a morar com ele. E lá vai Gilberto para a casa franciscana de Santa Teresa. [...] Em 1926, Gilberto volta aos Estados Unidos. E anota em Nova Iorque, não sem tristeza: ‘Curioso como Manuel Bandeira, poeta, se mostra fechado a Augusto dos Anjos.’"

Villaça foi outro morador ilustre de Santa Teresa. "Era hóspede de um pequeno hotel" — conta Edmílson Caminha —, "o Bela Vista, na Pascoal Carlos Magno, onde vivia despojadamente, em um quarto que mais parecia uma cela de mosteiro. Lá o visitei muitas vezes — em uma delas, para a excelente entrevista que me concedeu. Descíamos juntos para almoçar no Lamas, na Colombo, no Lucas... Certa vez, postados ao meio-fio, perguntei ao amigo fraterno, então um gordo a pesar por volta dos 150 quilos: ‘Villaça, você ainda acredita em Deus?’ E ele, com a pureza que lhe era própria: ‘Oh, sim, principalmente quando estou esperando um táxi...’"

No livro Os seios de Jandira, o próprio Villaça conta: "Súbito, me revejo no hotel Bela Vista, onde me instalei em certo dia de calor, uma hora da tarde. Eu acabara de desembarcar de um navio. [...] Fui para uns dias, apenas. Acabei passando dezessete anos e meses."

Outros moradores ilustres do bairro foram a pintora Djanira (que residiu na Pensão Mauá e acabou virando nome de rua no bairro), Carmem Miranda (que residiu em 1931 na Rua André Cavalcanti, 229), Paschoal Carlos Magno (Rua Hermenegildo de Barros, 161) e o assaltante do trem pagador inglês Ronald Biggs. (texto do editor do blog)









Fotos do editor do blog. Informações sobre o bairro de Santa Teresa você encontra em InfoSanta. Clique no marcador Santa Teresa abaixo para ver outras postagens sobre esse bairro.

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IGREJAS HISTÓRICAS DO CENTRO DO RIO (Parte 1)

IGREJA DE NOSSA SENHORA DA CANDELÁRIA
Praça Pio X


A Irmandade de Nossa Senhora da Candelária foi instituída na antiga Matriz de São Sebastião, localizada no Morro do Castelo. Durante a primeira metade do século XVII, no mesmo local onde hoje se encontra foi erguida a primitiva capela, que no ano de 1768 encontrava-se em ruínas. A atual Igreja apresenta um aspecto similar à Basílica da Estrela, localizada em Lisboa. Teve sua construção iniciada em 1775, estendendo-se até o século XIX. Em 1811, foi celebrada a primeira missa e somente em 1898 foi inaugurada com as novas obras complementares.

O projeto original é atribuído ao Engenheiro Militar Francisco José Roscio. A igreja, que constitui hoje, obra predominante do século XIX, com três naves, transepto [nave transversal], cúpula no cruzeiro e ampla capela-mor. Podem ser assinalados três períodos de obras: barroco - fachada e transepto; neoclássico - cúpula e decoração interior; eclético - corredores laterais.

Durante todo período do século XIX em que sofreu reformas, nelas atuaram vários arquitetos e engenheiros, tendo sido as obras de escultura, inclusive balaustrada, encomendadas em Portugal. Na fachada principal, observamos grandes espaços revestidos de pedra de cantaria, além do emolduramento das portas, janelas, do frontão triangular, pilastras aparentes, a cimalha e, ainda, de detalhes ornamentais acrescidos. O coroamento bulboso das duas torres sineiras é revestido por azulejos. Destacam-se a grande cúpula do cruzeiro, projetada pelo Engenheiro Gustavo Waenhneldt e concluída em 1877, as oito esculturas em mármore branco, esculpidas em Lisboa e localizadas à volta do tambor da cúpula. As portas da Igreja, uma principal e duas laterais, são em estilo Luís XV, em bronze, esculpidas por Teixeira Lopes e representam uma alegoria ao Santíssimo Sacramento. O espaço interno da Igreja é formado por planta em cruz latina. No ano de 1878, foram acrescidas duas naves laterais pelo Arquiteto Antônio de Paula Freitas. O revestimento das paredes e os altares foram realizados em mármore, evidenciando influência da arte italiana. Os púlpitos foram feitos em bronze pelo escultor Rodolfo Pinto do Couto e inaugurados em 1931. A decoração da cúpula foi realizada em fins do século XIX, com pinturas de João Zeferino da Costa e estuques de Alves Meira. (Texto obtido no site do IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)






IGREJA DE SÃO JOSÉ
Av. Presidente Antônio Carlos, altura da Rua São José (em frente ao Edifício Garagem)


O templo dedicado a São José teve sua origem em uma pequena ermida construída em 1608 pelo ermitão Egas Muniz. Em 1807, a Irmandade de São José deu início às obras da atual Igreja sob a responsabilidade do Mestre Félix José de Souza, substituído, em 1815, pelo arquiteto do Paço, João da Silva Muniz, sendo inaugurada em 1842. A igreja de estilo barroco tardio possui nave única e corredores laterais onde se localizam um púlpito e três tribunas. Na capela-mor tem abóbada semelhante à da nave, e possui duas tribunas por banda. Seu interior é decorado com talha de estilo rococó de autoria de Simeão de Nazaré, discípulo do Mestre Valentim. Em seu frontispício pesado predominam os elementos horizontais de cantaria, compostos pela cimalha [arremate superior saliente da fachada], pelo embasamento das duas torres sineiras e do acrotério central. Numa delas está instalado o famoso carrilhão, ali existente desde 1883.

De sua imaginária destacou-se a imagem de São José (foto) procedente da França e doada à Irmandade pelo Comendador José Pinto de Oliveira, em 1884.







IGREJA DE SANTA CRUZ DOS MILITARES
Rua Primeiro de Março, 36


A primitiva capela foi construída entre os anos de 1623 e 1628, no local onde anteriormente havia sido erguido o Forte de Santa Cruz, em princípios do século XVIII. A partir de 1780, deu-se início à construção da atual Igreja, segundo projeto do Engenheiro Militar Brigadeiro José Custódio de Sá Faria e no ano de 1811 foi sagrada.

A fachada da Igreja foi realizada ao feitio da famosa igreja dos jesuítas (Igreja de Gesù), construída no século XVI em Roma, Itália. Apresenta, como aquela, frontão triangular e volutas laterais [ornatos em forma de espiral], tendo uma grande janela centrada ladeada por pilastras [pilares semi-embutidos na parede] e grandes nichos com estatuas de santos. No piso térreo, a grande portada, formada de arco entre colunas que sobressaem, é ladeada por nichos e pilastras. É de grande beleza a combinação de granito dos elementos estruturais com os mármores de lioz dos capitéis, embasamentos, molduras e esculturas, aplicados todos sobre o fundo liso da alvenaria caiada. A torre sineira não compõe a fachada principal, mas localiza-se nos fundos da Igreja.

A Igreja apresenta um plano de nave única e capela-mor profunda, ladeada por corredores, que terminam na sacristia e no consistório. O interior é revestido de talha em duas fases. A primeira, mais antiga, refere-se à capela-mor e apresenta elementos de feição rococó, sendo atribuída, em parte, à Mestre Valentim. No entanto, em conseqüência do incêndio ocorrido em 1923, a talha destruída parcialmente foi substituída por estuque. A segunda fase refere-se à talha realizada em meados do século XIX, por Antônio de Pádua e Castro e está localizada na nave da igreja, incluindo o coro.




IGREJA DE NOSSA SENHORA DA LAPA DOS MERCADORES
Rua do Ouvidor, 35


A partir de 1747, a Igreja começou a ser construída no mesmo local onde havia um oratório dedicado a Nossa Senhora da Lapa, onde os comerciantes, ou "mercadores", reuniam-se para rezar. No ano de 1750, foi sagrada e cinco anos depois concluída. Grandes obras de remodelação foram feitas de 1869 a 1872, quando se refez a fachada do templo, construiu-se a torre sineira e completou-se a obra de talha do interior.

A fachada da Igreja é constituída, na parte inferior, por uma galilé [espaço de transição entre o frontispício e as portas de acesso à nave] formada por três arcos. A parte superior da fachada é o resultado de reformas realizadas a partir de 1869, segundo projeto de Antônio de Pádua e Castro que lhe deu um aspecto clássico. Apresenta-se composta por três grandes janelas, com guarda-corpo de mármore trabalhado, encimados por nichos com estátuas de São Bernardo e Santo Adriano, procedentes de Lisboa. Entre os dois, há um medalhão de mármore trabalhado representando a coroação da Virgem, encontrado em escavações realizadas no terreno. Frontão triangular, com torre de mármore substituindo a original, destruída por uma bala de canhão [foto inferior] durante a Revolta da Armada em 1893. A fachada conta ainda com um relógio e, na torre, o mais antigo carrilhão por música da cidade.

O plano da nave é oval e da capela-mor retangular, ambas apresentando cúpula com lanternim [pequena torre curva sobre os telhados com função de iluminação]. A decoração interior foi realizada em dois momentos; numa mais antiga, de fins do século XVIII princípios do XIX, que corresponde ao retábulo [estrutura ornamental engastada na parede atrás do altar] da capela-mor e ao arco cruzeiro [arco que separa a nave da capela-mor], com elementos característicos do rococó. Outro momento, que está compreendido por volta de 1870-1872, relaciona-se às obras de estuque realizadas por Antônio Alves Meira ornamentando as cúpulas da nave e capela-mor e aos trabalhos executados por Antônio de Pádua e Castro para os retábulos da nave, púlpitos e coro.






IGREJA DE NOSSA SENHORA DO CARMO DA ANTIGA SÉ (esquerda; na foto antiga ainda sem a torre alta erguida em 1905 e ligada por um passadiço sobre a Rua do Cano, atual Sete de Setembro, com o Convento do Carmo)
e
IGREJA DA ORDEM TERCEIRA DE NOSSA SENHORA DO MONTE DO CARMO (direita)
Praça XV




IGREJA DE NOSSA SENHORA DO CARMO DA ANTIGA SÉ: No local onde se achavam as ruínas da Ermida de Nossa Senhora do Ó, próximo ao mar, os frades carmelitas iniciaram, em 1619, a construção de um convento e, em 1761, a construção de uma igreja que, mais tarde, foi transformada em Capela Real. Em 1808, com a chegada da família real portuguesa, foi elevada a Catedral Metropolitana, até a década de 1970, quando foi inaugurada a nova Catedral, na Avenida Chile.

Com três portas de entrada, a Igreja, de capela-mor e nave única, é coberta por abóbada de berço [cilíndrica] e apresenta capelas laterais profundas. Toda obra de talha rococó é atribuída ao Mestre Inácio Ferreira Pinto, destacando-se a parte que reveste o arco cruzeiro, culminando com um dossel e com um emblema do Carmo. Durante o reinado de Dom Pedro I, recebeu nova fachada, construída de acordo com o risco do arquiteto Pedro Alexandre Cavroé. O exterior foi alterado outras vezes [a última no início do século XX, quando recebeu a torre alta que vemos na foto abaixo]. Na sua planta, segundo Araújo Viana, predominou a forma da cruz latina, que, no Rio de Janeiro, só existem nela e na Candelária.



IGREJA DA ORDEM TERCEIRA DE NOSSA SENHORA DO MONTE DO CARMO: A Ordem Terceira do Carmo, fundada em 1648, depois de se instalar provisoriamente numa ermida, deu início, em 1755, à construção de sua igreja, ao lado da que era conventual, com frente para a Rua Direita atual Primeiro de Março. Edificada por Mestre Manuel Alves Setúbal, foi sagrada em 1770. Os campanários das torres só ficaram prontos em 1850, feitos segundo risco do professor da Academia de Belas Artes, Manoel Joaquim de Melo Côrte Real. Templo de uma só nave e capela-mor profunda, é ladeado à direita por uma galeria que termina na sacristia e que se abre em arcada para um beco de passagem; pela esquerda, por um corredor que termina na capela do noviciado, executada por Mestre Valentim, em estilo rococó. A fachada de primorosa cantaria é encimada por frontão barroco, forte e ondulado, e pelos já referidas sineiras, de construção tardia, e que possuem arremates bulbosos revestidos de azulejos. A portada de lioz da frontaria [segunda foto abaixo] , vinda de Lisboa, foi benta em 1761 e apresenta notável medalhão com imagem da Virgem. Internamente, a talha foi executada por Luís da Fonseca Rosa e Mestre Valentim, seu discípulo. O altar-mor, do século XVIII, tem frontal e contrafrontal de prata. Os altares laterais estão iluminados por lampários de prata, desenhados por Mestre Valentim.




Fotos do editor do blog, exceto a foto antiga, cujo autor desconheço. Textos obtidos no site do IPHAN (exceto as observações entre chaves). Esta é a primeira de uma série de postagens que prepararemos aos poucos - em ritmo de obra de igreja! - sobre as igrejas históricas do Centro do Rio de Janeiro.

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3.7.08

ERROS NUNCA MAIS


VACINE-SE CONTRA OS ERROS DE PORTUGUÊS MAIS COMUNS COM MEU LIVRO RECÉM-LANÇADO PELA CAMPUS/ELSEVIER

ERROS NUNCA MAIS:
OS PRINCIPAIS ERROS DE PORTUGUÊS E COMO SE VACINAR CONTRA ELES.

À VENDA NAS SARAIVAS E SICILIANOS E OUTRAS LIVRARIAS REAIS E VIRTUAIS.

2.7.08

SANTA TERESA: ARTE DE PORTAS ABERTAS



Ateliê de fotografia de Paulo Rubens


Ateliê de pintura/escultura de Delfina Renck Reis


Arte de Maria Lídia Magliani

O primeiro Arte de Portas Abertas, evento em que artistas plásticos de Santa Teresa abrem seus ateliês para o público, ocorreu em 1996 - doze anos atrás. De início semestral, passou a ser anual, sempre em julho, e agregou outras atrações além das visitas aos ateliês: artesanato, exposições, shows, gastronomia, grafite, arte efêmera. A 18ª Edição do Arte de Portas Abertas será nos dias 5 e 6 de julho de 10 às 18 horas e contará com 60 artistas, entre eles três franceses e dois vietnamitas, 43 ateliês e 12 Centros Culturais. As fotos aqui mostradas são do Arte de Portas Abertas de 2006. A programação completa e outras informações você encontra no site da Chave Mestra.


Carlos Antunes: Arcos da Lapa


O bondinho de Santa Teresa


Papier Mâché de Rosália Côrtes

"O ato de abrir a porta, deixá-la aberta como desafio ao medo, conseqüência lógica de um estado de violência que teima em se implantar na cidade, fez com que esse ato coletivo transformasse o Arte de Portas Abertas, iniciado em 1996 pelo movimento VivaSanta, num dos eventos mais esperados do Rio de Janeiro. Certo é que ao entrar por esses portais, os visitantes encontram sempre um artista em seu local de trabalho fazendo com que esse transpor as entradas se torne peculiar. Ali onde concebe e produz, o artista divaga, reflete, gera o projeto a ser posto em prática, erra e, sobre o erro, cria e recria." (Texto extraído do catálogo do evento em 2006)



Artesanato: fantasminhas e cobrinhas


Ateliê de escultura de Thelma Innecco


Sentimento do Rio


Paulo Alcântara: máscaras


Projeto Muro Mural


Ateliê Solaris de Jemile Diban


Gerson Machado: Gato Preto

Fotos de Ivo & Mi. Clique no marcador Santa Teresa abaixo para ver outras postagens neste blog sobre esse aprazível bairro carioca.

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16.6.08

PASSEIO NOTURNO PELO CENTRO DO RIO


Catedral Presbiteriana (IK)

No capítulo “Horas Mortas” de seu livro Gamboa, escreve Alexei Bueno: “Talvez [...] a melhor e última visão que nos possam dar as ruas do que verdadeiramente são é vê-las na quietude e no vazio a que se entregam, eternamente, de tantas em tantas horas. [...] Não fosse a muito forte possibilidade de um assalto, recomendaríamos ao leitor esse hábitos noctívagos, deambulatórios e nefelibatas.”

Trago uma boa notícia ao Alexei e demais noctívagos: agora é possível fazer um passeio noturno pelo centro do Rio sem risco de assalto. Refiro-me ao ROTEIRO NOTURNO NO CENTRO DO RIO A PÉ, organizado pelo Professor João Baptista Ferreira de Mello, do Departamento de Geografia Humana do Instituto de Geografia da UERJ. Eu já participei de dois desses passeios e os recomendo aos visitantes do blog — simplesmente imperdíveis. Adiante informações sobre o último passeio - assim que receber sobre o próximo, inserirei. As fotos foram tiradas no passeio de 29 de maio último por mim (IK) e pelo meu amigo fotógrafo Zeca. Conheçam outras fotos (magníficas) do Zeca visitando seu Flickr.


Catedral Presbiteriana (IK)


Real Gabinete Português de Leitura (IK)


Real Gabinete Português de Leitura (Zeca)


Território da DASPU (nas imediações da Praça Tiradentes) (Zeca)

ROTEIRO NOTURNO NO CENTRO DO RIO A PÉ

19 DE JUNHO DE 2008 – QUINTA-FEIRA – 20 HORAS E 50 MINUTOS - GRÁTIS

ENCONTRO NO ADRO DA CATEDRAL PRESBITERIANA (NA CONFLUÊNCIA DA PRAÇA TIRADENTES COM AS RUAS DA CARIOCA E SILVA JARDIM)

ROTEIRO:

ILUMINADOS PRÉDIOS DA CATEDRAL EVANGÉLICA DO RIO DE JANEIRO E REAL GABINETE PORTUGUÊS DE LEITURA - IGREJA NOSSA SENHORA DA LAMPADOSA - AV. PASSOS - TERRITÓRIO DA “DASPU” - PRAÇA TIRADENTES DOS TEATROS SECULARES E DOS MODERNOS HOTÉIS - RUA DA CONSTITUIÇÃO - GOMES FREIRE DOS HOTÉIS DE ALTA ROTATIVIDADE - LAVRADIO DOS ANTIQUÁRIOS E CASAS DE SHOWS - ESPLANADA DE SANTO ANTONIO - LARGO BRAGUINHA - MEM DE SÁ DOS SOBRADOS EXUBERANTES, SAMBA DE RAIZ, MARCHINHAS, MAMBO, FUNK, ROCK, TRAVESTIS E MITOLÓGICA MALANDRAGEM - SECULARES E SIMBÓLICOS ARCOS DA LAPA - RUA JOAQUIM SILVA - ESCADARIA SELARON - LARGO NELSON GONÇALVES - SALA CECÍLIA MEIRELES

Término por volta das 23 horas e 30 minutos

Coordenação: Prof. Dr. João Baptista Ferreira de Mello do NEPEC (Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Espaço e Cultura) do Departamento de Geografia Humana do Instituto de Geografia da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

Inscrições grátis (limitada a 50 participantes): roteirosgeorio@uol.com.br

Informações: 8871 7238

Com tempo chuvoso, roteiro adiado



Rua do Lavradio (IK)


Rua do Lavradio (IK)


Rua do Lavradio (IK)


Avenida Chile (IK)


Rua do Lavradio (IK)

Arcos da Lapa (Zeca)

13.6.08

BICENTENÁRIO DO JARDIM BOTÂNICO




Tudo bem que a praia faz parte do modo de vida do carioca — Rio sem praia é como Munique sem cerveja. Mas engana-se quem pensa que sem praia o Rio não é nada. Só o Rio Histórico já vale uma visita à cidade (como este blog não se cansa de mostrar). E temos o maior parque nacional do mundo dentro de uma área urbana, o Parque Nacional da Tijuca. O que pouca gente sabe é que a quinta atração mais visitada pelos turistas no Rio, depois da praia (claro!), Corcovado, Pão de Açúcar e Maracanã, é o Jardim Botânico.

O Jardim Botânico é diferente de outros parques e jardins. A vegetação num parque ou jardim é mais ou menos homogênea, a vegetação nativa do local. Mas no Jardim Botânico você pode caminhar horas — ele é imenso — que sempre verá uma paisagem vegetal diferente: da mata Atlântica ao Jardim Japonês, das palmeiras imperiais às vitórias-régias ou bambuzais ou alguma planta nativa das Ilhas Molucas ou de Madagascar ou do Sudeste Asiático ou... São espécies do mundo inteiro.

Ir ao Jardim Botânico é desligar-se do burburinho urbano (e das mazelas da metrópole também) e adentrar uma outra dimensão, da beleza natural. Não a natureza bruta, plena de feras, perigos. Mas a natureza domada, como se nós, homens, criados à imagem e semelhança de Deus, tivéssemos "retocado" a obra divina. São dois séculos de paisagismo, tempo suficiente para que o nosso Jardim Botânico se tornasse uma das maravilhas do mundo. É ver para crer!

(Texto do editor do blog.)




Localizado junto a uma das vias de maior movimento da Zona Sul do Rio de Janeiro, no bairro ao qual empresta seu nome, o Jardim Botânico é um oásis de paz em meio à agitação da cidade grande.

Este é o único lugar no Rio onde é possível encontrar cerca de 6.200 espécies vegetais — algumas até em extinção — provenientes de todas as partes do planeta.

Sua origem remonta ao século XIX, à época da chegada da Família Real ao Rio de Janeiro, ocorrida a 7 de março de 1808. Preocupado com o problema acarretado pelas longas viagens e pelos perigos enfrentados durante o trajeto pelos navios que transportavam especiarias das Índias Orientais e de outras partes da Ásia para Portugal, grande mercado consumidor, D. João resolveu iniciar a construção, no Rio de Janeiro, de um parque onde essas espécies pudessem ser aclimatadas. Com esse objetivo, em 13 de junho de 1808, foi criado o Jardim de Aclimatação. Alguns meses depois, o jardim recebia o nome de Horto Real. A partir daí, o local começou a receber grande quantidade de sementes e mudas.

Tão logo D. João foi coroado monarca do Reino Unido de Portugal e Brasil, mandou aumentar a área do Horto Real e mudou seu nome para Real Jardim Botânico.

Com o retorno de D. João VI a Portugal, em 25 de abril de 1821, D. Pedro I, ao assumir o trono, deu prosseguimento às obras iniciadas por seu pai; sua primeira providência foi franquear ao público o Real Jardim Botânico, que, até então, era inteiramente privado.

(Texto extraído do Guia Michelin do Rio de Janeiro.)






O nobre quintal carioca

Quando estava grávida, em 1976, a jornalista Rosa Nepomuceno passava tardes inteiras sob um centenário jequitibá-rosa no Jardim Botânico. Anos mais tarde, ela descobriu que seu recanto favorito teve um fã ilustre: em visita ao Brasil, em 1925, o cientista Albert Einstein ajoelhou-se aos pés da árvore e beijou suas raízes. Ela está entre as 25 plantas emblemáticas do parque destacadas pela autora em O Jardim de D. João. Editado pela Casa da Palavra, o livro pega carona nos festejos dos 200 anos do Jardim Botânico, criado após a chegada da família real portuguesa ao Rio, em 1808. Em 176 páginas fartamente ilustradas com plantas, portais, aléias, lagos e fontes, Rosa recorre a sua memória afetiva e reúne histórias da instituição. A obra ressalta as palmeiras imperiais, cuja primeira muda veio do Caribe e foi plantada, supostamente, pelo próprio dom João. "A Palma Mater foi fulminada por um raio em 1972", ela conta. "Suas sementes deram origem às outras palmeiras do Brasil."

Antes da vinda da corte, a área foi engenho de açúcar e fábrica de pólvora. "A política de Portugal era estimular a criação de hortos nas colônias para aclimatação de plantas asiáticas que rendessem especiarias, frutas, madeira e resina para remédios e perfumes", explica. Para Rosa, a sobrevivência do local como o único horto remanescente do século XIX deve-se à mística em torno da nobreza e dos grandes cientistas que o visitaram. O livro recorda a abertura do Real Horto ao público, a partir de 1819, o que resultou na criação de linhas de bonde, restaurantes e pousadas nos arredores. Lembra, também, o período de decadência, quando foi anexado ao Imperial Instituto Fluminense de Agricultura, em 1861, com as pesquisas abandonadas e várias espécies desaparecidas. "O Jardim Botânico hoje é muito mais complexo, com cerca de 2 000 espécies e mais de 9 000 exemplares", celebra o presidente do parque, Liszt Vieira. "Vou lá quase diariamente. Conheço os funcionários e acompanho as florações", diz Rosa, paulista de Botucatu, que destaca a beleza do Jardim Japonês, um dos trechos do parque. "Apesar da intimidade, jamais me referi a ele como o quintal da minha casa, tamanho meu respeito e cerimônia."

Matéria publicada originalmente na Veja-Rio de 10 de dezembro de 2007.





"O Jardim Botânico da lagoa Rodrigo de Freitas era um dos lugares mais belos do Rio de Janeiro. Começou como um pequeno jardim criado pelo marquês de Sabará junto à fábrica de pólvora da Lagoa, dirigida por ele. Quando um visitante desejava conhecê-lo, acompanhava-o um soldado da fábrica, dando uma volta pelo recanto florido, descrevendo os diversos canteiros que tanto agradavam ao marquês. Havia por lá chá-da-índia, especiarias e sementes, trazidas da Ilha de França em 1809. Mais tarde, a fábrica de pólvora foi transferida para a raiz da serra da Estrela, onde tinha condições de produzir mais de dez mil arrobas por ano. O jardim de plantas exóticas fora ampliado para uma légua de comprimento e anexado ao Museu Real."

Jô Soares, O Xangô de Baker Street




"Quando, tempos passados, anunciou-se o grande piquenique ao Jardim Botânico, certo não foi objeção a lembrança deste descalabro de fadiga. Tínhamos almoçado na montanha [alusão a um passeio ao Corcovado]; tratava-se agora de ir jantar ao jardim. Prontos!

Ao meio-dia, apeava o Ateneu dos bondes especiais à porta do grande parque. Atravessamos cantando um dos hinos do colégio as arcarias elevadas de palmas. Junto ao lago da avenida, debandamos.

No bosque dos bambus, à esquerda, estavam armadas as longas mesas para o banquete das quatro horas. Graças à boa von