31.8.15

BAIRRO SANTA TERESA


PONTE DOS ARCOS
Geir Campos

nas linhas desta ponte
rumo a santa teresa
oscilante bondinho
faz seus treinos de voo
e no bondinho vou
folheando telhados
onde releio histórias
de tempos mais felizes
quando por esta ponte
com seu sabor passava
a limpa água de fonte
que a cidade com sede
mandava a negra escrava
colher nos chafarizes

Igreja do Convento de Santa Teresa

As ruas carregam para o alto, saindo da Lapa, da Glória, Centro, Laranjeiras, Cosme Velho, Catumbi ou Rio Comprido.

Subo a Santa Teresa e a calma me invade. [...] Caminho. Sinto que meu percurso será longo e percebo que não adianta tentar traçar uma linha, uma trilha linear. Santa Teresa é um bairro feito de curvas e ladeiras. Caminhos tortuosos, jardins de caminhos que se bifurcam. Jorge Luis Borges seria um bom companheiro para esta minha caminhada, porque Borges conhece como ninguém os mistérios de um labirinto. Machado de Assis, escritor visceralmente urbano, conhecedor dos ares do Rio de Janeiro do século XIX, seria outro que me faria ver com perspicácia as características deste bairro, ele que previra que Santa Teresa ficaria “à moda”.

Caminho. Quem sabe eu os encontre numa esquina, ou talvez sentados num dos largos de Santa Teresa à espera de um bonde.[...]

Palacetes, chalés, castelos, pequenas casas: uma arquitetura eclética, retrato dos moradores que escolheram este lugar para viver. Santa Teresa tem muita história e essa história ainda está aqui.

Do livro de Lilian Fontes, Santa Teresa, da coleção Cantos do Rio, editada pela Relume-Dumará.


Luís Garcia era funcionário público. Desde 1860 elegera no lugar menos povoado de Santa Teresa uma habitação modesta, onde se meteu a si e a sua viuvez. Não era frade, mas queria como eles a solidão e o sossego. A solidão não era absoluta, nem o sossego ininterrompido; mas eram sempre maiores e mais certos que cá embaixo.

Machado de Assis, Iaiá Garcia

Largo das Neves

As ruas de Santa Teresa estão nestas condições. Um cavalheiro salta no Curvelo, vai a pé até o França, e quando volta já todas as ruas perguntam que deseja ele, se as suas tenções são puras e outras impertinências íntimas. Em geral, procura-se o mistério da montanha para esconder um passeio mais ou menos amoroso. As ruas de Santa Teresa, é descobrir o par e é deitar a rir proclamando aos quatro ventos o acontecimento.

João do Rio, A alma encantadora das ruas



Situado na Serra de Santa Teresa, o bairro é um dos mais típicos e pitorescos da cidade. Apesar de sua proximidade com o centro do Rio de Janeiro, a ocupação de Santa Teresa não ocorreu paralela à da cidade, abrigando, até meados do século XVIII, em meio à sua densa vegetação, quilombolas, malfeitores e centros de feitiçaria e rituais africanos.

Em 1744, o rio Carioca, cujas nascentes estão no Silvestre, nas encostas do Corcovado, foi alvo do primeiro sistema de canalização, visando o abastecimento de água da cidade. A água atravessava todo o atual bairro até o Aqueduto, atuais Arcos da Lapa.

Em 1877 foi criado um plano inclinado, hoje desativado, que ligava a Rua Matacavalos, atual Rua do Riachuelo, ao Largo dos Guimarães, no alto de Santa Teresa. A utilização dos bondes em Santa Teresa teve origem no plano inclinado pois, ao chegar ao Largo dos Guimarães, os passageiros tomavam um bonde a tração animal que circulava pela região habitada do bairro. Em 1898, já elétricos, os bondes começaram a trafegar sobre os Arcos da Lapa.

Guia Michelin do Rio de Janeiro, primeira edição


Subia a passo curto e repousado a ladeira de Santa Teresa, calculando a hora de minha chegada pelo despertar de Lúcia; o meu pensamento porém abria as asas, e precedendo-me, ia saudar a minha doce e terna amiga.

Havia oito dias que Lúcia não andava boa. A fresca e vivace expansão de saúde desaparecera sob uma langue morbidez que a desfalecia; o seu sorriso, sempre angélico, tinha uns laivos melancólicos, que me penavam. Às vezes a surpreendia fitando em mim um olhar ardente e longo; então ela voltava o rosto de confusa, enrubescendo. Tudo isto me inquietava; atribuindo a sua mudança a algum pesar oculto, a tinha interrogado, suplicando-lhe que me confiasse as mágoas que a afligiam.

— Não digas isso, Paulo! respondia com um tom de queixa. Posso ter pesares junto de ti? É uma ligeira indisposição; há de passar.

José de Alencar, Lucíola


O Curvelo é um pedacinho de província metido no Rio de Janeiro. [...] Rua sossegada esta, onde pela volta do dia é doce acompanhar o jogo das sombras das fachadas no tabuleiro de paralelepípedos; as lavadeiras estendem roupa nos paredões que fecham a calçada do lado da perambeira [...] e pela boca da noite é aqui que todos os namorados da redondeza vêm passear agarradinhos.

Manuel Bandeira, “Zeppelin em Santa Teresa” em Andorinha, andorinha



Um lugar onde não existe sinal de trânsito, nem Correios, nem posto de gasolina, nem agência bancária pode ser um bairro. Nenhum livro escolar de Geografia definiria assim o bairro em que vivi, e muito menos saberia avaliar o que se perde quando não se vive ali. Santa Teresa não faz muito sentido para os cariocas. Quase ninguém passa pelo bairro, a menos que esteja a turismo, ou à procura do caminho para o Corcovado, ou então perdido. Muitos motoristas já pararam seus carros ao meu lado e me perguntaram para que lado fica o Silvestre, como se faz para chegar à Vista Chinesa, qual o caminho para o Largo do Guimarães. E sempre me pareceu muito fácil chegar a esses lugares, pois o bairro é quase todo formado ao longo de uma só rua comprida. Basta seguir reto, para cima ou para baixo. Quando eu dizia aos meus colegas de colégio que morava em Santa Teresa, eles quase me perguntavam como era viver fora da cidade, o que era um bonde, e talvez não se sentissem estimulados a me convidar, dada a distância, para uma festa em Copacabana ou Ipanema. Viver no bairro era sentir um grande isolamento, um alheamento das pessoas que conhecia.

Em Santa Teresa, a melhor forma de saber onde está o resto da cidade é olhar pela janela. Lá em casa, meu pai me chamou um dia para contemplar, junto com ele, a paisagem do Rio de Janeiro. Quase toda a Zona Norte da cidade, do Morro do Andaraí até a Ponte Rio-Niterói, incluindo o Estádio do Maracanã, passa através da janela da minha casa – e passa de uma só vez. Diante de toda aquela gravura de casas, de carros, de fumaças, da Igreja da Penha e da Serra do Mar, de lugares cujos nomes só saberia bem mais tarde, meu pai me ensinava a contemplar.

Felipe Fortuna, Curvas, Ladeiras: Bairro de Santa Teresa

Entrada do castelinho na Rua Fonseca Guimarães

MORADORES ILUSTRES DE SANTA TERESA

Foi o Convento de Santa Teresa (Ladeira de Santa Teresa, 52), construído pelas irmãs Jacinta e Francisca Rodrigues Ayres, com ajuda do Governador Gomes Freire de Andrada, o Conde de Bobadela, no então Morro do Desterro, em 1750, que deu nome ao bairro de Santa Teresa. O bairro propriamente dito "surgiu por volta de 1850, quando se lotearam as chácaras do antigo morro do Desterro, episódio ocorrido em conseqüência da epidemia de febre amarela, que assolara a cidade naquele ano, mas que poupava lugares de topografia elevada", informa o professor Milton de Mendonça Teixeira no site da Protur.

"Até os anos de 1940, a Lapa era o ponto de encontro de boa parte da classe artística carioca. Villa-Lobos, Manuel Bandeira, Portinari, Carlos Drummond de Andrade, Mario de Andrade (quando vinha ao Rio), Oscar Niemeyer e vários outros se reuniam nas sinucas da Lapa, onde viravam noites bebendo e jogando." — informa o site Centro da Cidade. — "Quando o Estado Novo é decretado, a área da Lapa fica muito perigosa para estes que eram considerados subversivos, uns mais que outros. Assim, a perseguição política arrastou uma parte da intelectualidade carioca para a então distante e isolada Ipanema. A outra parte preferiu subir o morro ao lado, Santa Teresa, e viver por ali mesmo." 

No livro A trinca do Curvelo (Rio de Janeiro, Topbooks, 1995), Elvia Bezerra aborda três moradores ilustres de Santa Teresa, em épocas diferentes: Nise da Silveira, Ribeiro Couto e Manuel Bandeira.

No artigo O diário de Gilberto Freyre, Antonio Carlos Villaça conta que Gilberto Freyre, quando vem ao Rio, em 1926, "vai visitar Manuel Bandeira na Rua do Curvelo, 51, Santa Teresa, ‘lindo lugar, mas casa de pobre’. Manuel o convida a morar com ele. E lá vai Gilberto para a casa franciscana de Santa Teresa. [...] Em 1926, Gilberto volta aos Estados Unidos. E anota em Nova Iorque, não sem tristeza: ‘Curioso como Manuel Bandeira, poeta, se mostra fechado a Augusto dos Anjos.’"

Villaça foi outro morador ilustre de Santa Teresa. "Era hóspede de um pequeno hotel" — conta Edmílson Caminha —, "o Bela Vista, na Pascoal Carlos Magno, onde vivia despojadamente, em um quarto que mais parecia uma cela de mosteiro. Lá o visitei muitas vezes — em uma delas, para a excelente entrevista que me concedeu. Descíamos juntos para almoçar no Lamas, na Colombo, no Lucas... Certa vez, postados ao meio-fio, perguntei ao amigo fraterno, então um gordo a pesar por volta dos 150 quilos: ‘Villaça, você ainda acredita em Deus?’ E ele, com a pureza que lhe era própria: ‘Oh, sim, principalmente quando estou esperando um táxi...’"

No livro Os seios de Jandira, o próprio Villaça conta: "Súbito, me revejo no hotel Bela Vista, onde me instalei em certo dia de calor, uma hora da tarde. Eu acabara de desembarcar de um navio. [...] Fui para uns dias, apenas. Acabei passando dezessete anos e meses."

Outros moradores ilustres do bairro foram a pintora Djanira (que residiu na Pensão Mauá e acabou virando nome de rua no bairro), Carmem Miranda (que residiu em 1931 na Rua André Cavalcanti, 229), Paschoal Carlos Magno (Rua Hermenegildo de Barros, 161) e o assaltante do trem pagador inglês Ronald Biggs.


Casa de inspiração militar na Rua Triunfo

Termos em que se ajusta um lugar ao sol (ou à sombra) na Cidade de São Sebastião, de Afonso Félix de Souza

E fica ajustado que o bairro
é o Bairro de Santa Teresa
e são três quartos e uma sala
bem no meio da natureza

E fica ajustado que a rua
só morre onde nasce uma fonte
a fim de que lembrem que a morte
é mesmo o início de uma ponte

E fica ajustado que o prédio
em vez de subir desce à terra
para que não pairem na lua
ao passo que a vida os soterra

E fica ajustado que a nesga
de mar que entra pela janela
é para nas horas difíceis
dizer-lhes de coisa mais bela

E fica ajustado que a sala
que se abre sobre o Pão de Açúcar
responderá à sede de ambos
com as águas tranquilas da Urca

E fica ajustado que a sala
terá um Chagall na parede
para se a paisagem for pouco
os olhos matarem a sede

E fica ajustado que a mesma
sala terá duas cadeiras
de onde se embeberão nas cores
da aurora sobre Laranjeiras

E fica ajustado que os quartos
à sombra das árvores dormem
e a bem do aconchego bucólico
os donos jamais os reformem

E fica ajustado que o dono
que tem na dona a sua dona
não espalhará pela casa
a sua tristeza trintona

E fica ajustado que os filhos
virão ocupar todo o espaço
e até mesmo o espaço lá fora
terá deles sempre algum traço

e fica ajustado que passa
para a posse de ambos o teto
neste traslado um pouco à moda
do João Cabral de Melo Neto





SANTA TERESA, crônica de Rubem Braga publicada na revista Manchete em abril de 1954:

Sábado, de tarde, na cidade, da janela de um vigésimo andar, a gente descobre essa vida inesperada e humilde dos terraços. Famílias de zeladores de prédio, quartos de empregados de hotel, mulheres passando roupa ou se penteando perto da janela, crianças que brincam entre as nuvens, tão quietas e remotas como em um quintal de subúrbio – tudo é paz.

Em alguns terraços há uma tentativa de volta a Minas, com vasos de plantinhas, moças a cantarolar retirando roupa da corda – e no lugar de galinhas cacarejando há pombos que esvoaçam de um prédio para o outro. Em alguns terraços há casinhas onde seria possível escrever “Lar de Elvira”, tão rendado é o pano da mesa que se entrevê pela janela, tão chorosa é a criança de carinha lambuzada e tão silencioso é o gato que salta do etagere para a mesa sem quebrar as duas horrorosas mas necessárias estatuetas em barro do Gordo e do Magro.

E sempre, de alguma janela, a gente vê um trecho do Aeroporto; parece tão lenta a descida desses aviões, tão suaves as nuvens brancas espalhadas pelo céu de um azul estranhamente delicado que dá vontade de viajar para qualquer cidade, ou invejar alguém que estará neste momento chegando ao Rio, depois de meses de ausência.

Mas do outro lado fica, entre árvores gordas e palmeiras finas, aquele remorso eterno de não morar em Santa Teresa. É verdade que a gente vive meses sem pensar em Santa Teresa, e Santa Teresa é um dos lugares do Rio que menos existe. Quando a gente vai a Santa Teresa, tem sempre o ar meio disfarçado de quem de repente saiu do asfalto para retomar o bondinho da infância e fica olhando cartões postais e pensando à toa debaixo das jaqueiras.

Há pessoas, como Pascoal, que dizem que moram em Santa Teresa, mas, no fundo, ninguém acredita. É mesmo difícil imaginar que em Santa Teresa haja, por exemplo, eleições, ou recrutamento para o serviço militar. E é talvez por isso mesmo que numa tarde de sábado, quando o vento é fresco e os pombos passeiam nos terraços, entre cuecas e meias coloridas que se agitam nos pegadores, e o coração está sereno, é bom imaginar que se tem um certo remorso de não morar em Santa Teresa, e talvez mais tarde, como todo mundo que mora no Rio, a gente pensa inutilmente em morar um dia em Santa Teresa, entre galinhas, árvores, redes, crianças, mulher...  Mas em que remoto mundo se esconde, em que estrela ou esquina vagueia essa mulher que levaríamos pelo braço, docemente, para morar em Santa Teresa?



Velho calçamento pé-de-moleque


SONETO SAUDOSISTA
Glauco Mattoso

No Rio existe um bairro sobre o morro,
antigo, arborizado, todo urbano.
Ali, em setenta e sete, o melhor ano
vivi desta vidinha de cachorro.

Não é Santa Teresa que percorro.
Agora sou de novo um paulistano.
Já cego, vejo o mundo de outro plano.
Em sonho, deixo o corpo, mas não morro.

Viajo pelas ruas sobre o trilho.
O bonde aberto corre, beira o abismo.
Sou livre, não me escondo nem me humilho.

Mas volto ao meu exílio quando cismo
que posso ter deixado ali meu filho,
dum tempo em que amor livre era anarquismo.

Antiga casa de Paschoal Carlos Magno

Refúgio de negros quilombolas, escapados da cidade, [o Morro do Desterro, atual Morro de Santa Teresa] era também lugar de muitos candomblés e feitiçarias, antes de que o limpasse, em operações que se prolongaram até Catumbi, a Guarda Real de Polícia do Major e depois General Miguel Nunes Vidigal, no Reinado de Pedro I. E no de Pedro II, vinte ou trinta anos mais tarde, não chegavam ainda a meia dúzia as suas ruas, entre elas a pitoresca do Aqueduto, que era uma ampliação do caminho por onde passava o encanamento primitivo das águas destinadas ao chafariz da Carioca e estava o Hotel Bela Vista, um dos mais procurados pelos viajantes estrangeiros no tempo da febre amarela. Depois da morte do Almirantre Alexandrino de Alencar, que nela morava, ganhou o seu nome em quase toda a sua extensão, exceto no seu trecho inicial, que então já era conhecido como Rua do Ferrocarril Carioca, ou do Ferrocarril simplesmente, aproveitado que tinha sido seu leito antigo para a colocação dos trilhos dos primeiros bondes sobre os Arcos em 1895. O grande médico homeopata e famoso Ministro da Fazenda de Campos Sales, Joaquim Murtinho, era o morador de maior projeção desse pitoresco recanto do bairro, numa casa que dava para a Rua Marinho, que fora aberta pelo negociante Antônio Ribeiro Marinho [...] Joaquim Murtinho gostava de cães, e quando ele morreu existiam mais de 60 no seu quintal. A Rua Ferrocarril recebeu então o nome de Joaquim Murtinho, e a Marinho ficou sendo Murtinho Nobre, o fundador do Touring Clube do Brasil. Sobrinha do luminar da homeopatia brasileira, D. Laurinda Santos Lobo [...] herdou o que era dele e converteu os seus salões nos mais ilustres no Rio da República Velha, sobretudo do ponto de vista cultural. E vindo depois o Dr. Raimundo de Castro Maia para convertê-la numa rua de atração turística, onde se cultuaria o amor às tradições e à paisagem carioca, na sua Chácara do Céu.

Brasil Gerson, História das ruas do Rio, Santa Teresa e Mata-Cavalos

Chalé romântico no alto da ladeira de Santa Teresa

No dia seguinte, estava Rubião ansioso por ter ao pé de si o recente amigo da estrada de ferro, e determinou ir a Santa Teresa, à tarde; mas foi o próprio Palha que o procurou logo de manhã. Ia cumprimentá-lo, ver se estava bem ali, ou se preferia a casa dele, que ficava no alto. [...]

— Vá jantar logo comigo, em Santa Teresa, disse o Palha ao despedir-se. Não tem que hesitar, lá o espero, concluiu retirando-se. [...]

A lua era magnífica. No morro, entre o céu e a planície, a alma menos audaciosa era capaz de ir contra um exército inimigo, e destroçá-lo. Vede o que não seria com este exército amigo. Estavam no jardim. Sofia enfiara o braço no dele, para irem ver a lua. [...]

Rubião lembrou-se de uma comparação velha, mui velha, apanhada em não sei que décima de 1850, ou de qualquer outra página em prosa de todos os tempos. Chamou aos olhos de Sofia as estrelas da terra, e às estrelas os olhos do céu. Tudo isso baixinho e trêmulo.

Machado de Assis, Quincas Borba

Em memória das vítimas das tragédias com o bonde

AI QUEM ME DERA
Luiz Claudio de Faria

Ai quem me dera compor canções à luz da lua
Sentado, Carlitos, à beira deserta duma rua
De bem co'a vida, o sorriso fácil n'alma lis
Farrapo de luz, terno de linho, chapéu de gris

Ai quem me dera filosofar em bom francês
Burilar, Sartre, pensamentos à beira do Sena
Trazer a alma leve, serena e lisa a tez
O riso cheio de vin rouge, de lirismo a fiel pena

Ai quem me dera Woody Allen, ter sonhos
De um sedutor, tomar todas em Manhattan
À meia-noite pegar o último bonde para Santa Teresa
Deleitando-me sob os olhares ébrios da lua têsa

Ai mas que não passo de um reles tecedor de loas
O espírito travesso gastando-me a vida assim à toa
Gosto assim. E hei de gastá-la em boa companhia
Chapéu de gris, vin rouge, amor de lua, poesia.

Do livro Corpos em deserção

Antiga Pensão Mauá e Escola Tomás de Aquino

Por absoluta falta de necessidade, nunca mais foram abertas ruas novas no bairro. Raramente uma casa ou um prédio é demolido, e nunca se soube de uma construção moderna. Informalmente, sem necessidade de portarias ou decretos, o bairro já está tombado, talvez porque a ocupação das suas encostas já tenha um caráter definitivo. Além disso, por causa dos acidentes de sua topografia, Santa Teresa nunca proporcionará todos os confortos exigidos pelo morador de uma metrópole. Raramente um prédio terá garagem, já que a sua base fica vários metros abaixo do nível da rua. Sem garagem, o carro deverá ser estacionado em ruas estreitas, sem interferir no caminho dos bondes, que jamais se desviam, e ficará exposto a todos os riscos.

Felipe Fortuna, Curvas, Ladeiras: Bairro de Santa Teresa

Antigo Hotel Bela Vista

Súbito, me revejo no hotel Bela Vista, onde me instalei em certo dia de calor, uma hora da tarde. Eu acabara de desembarcar de um navio. [...]

Fui para uns dias, apenas. Acabei passando dezessete anos e meses. Sempre no mesmo quarto, terceiro andar. O quarto dava para uma varanda, coberta, com vista ampla sobre a cidade. Via-se muito. O Corpo de Bombeiros. A Central do Brasil, com seu relógio. Até a ponte Rio-Niterói, lá longe. Viam-se os aviões que saíam do Galeão. Bela vista. [...]

Houve tanta pessoa curiosa, naquele hotel-residência. [...]

Mas houve a mais triste das histórias. Um belo dia, o dono resolveu vender o hotel. Com a inflação, os lucros já não compensavam. E assim cometeu ele sem mais esta imprudência. Que fazer com o dinheiro? Comprou um posto de gasolina. Não deu certo. Comprou um restaurante na cidade. Foi roubado. Perdeu tudo. Em pouco tempo, não tinha mais nada. O dinheiro evaporou-se.

Fizeram os velhos um pacto de morte. Decidiram lançar-se na lagoa Rodrigo de Freitas. Morreriam juntos. E assim fizeram. Ela morreu logo. Morreu afogada, na soturna lagoa. Ele sobreviveu. Foi socorrido. Levaram-no para o Miguel Couto. Escapou da morte.

Mas não tinha para onde ir. Bateu à porta do hotel. E pediu ao novo dono que lhe desse um quarto, um lugar à mesa. O dono concordou, com generosidade. O velho Luciano voltou ao seu hotel, como hóspede gratuito. Era uma sombra de si mesmo.

André Pestana e Antonio Carlos Villaça, Os seios de Jandira

Antiga chácara do Viegas com fachada de azulejos (1873)

Como se está longe, em Santa Teresa! A gente não é a mesma. Os modos são diferentes. todos falam baixo, ninguém gesticula. As vozes que se escutam são sem palavras: dos bondes que têm um jeito de saudade das diligências.

Álvaro Moreyra, “Paisagem de Dona Júlia e Dona Laurinda” em Rio de Janeiro em prosa e verso.

Igreja de Santa Teresa na Rua Áurea

Pela suavidade de seu clima o bairro de Santa Teresa era, e ainda é, o da preferência dos estrangeiros aqui residentes. Franceses, ingleses, alemães e naturais de outros países, antes, mais do que agora, ali moravam. Em franca cordialidade viajavam nos bondinhos que, vagarosos, sacolejando nos trilhos, os traziam ao bulício das ruas da planície, o que encontravam logo no desembarque em frente ao [...] chafariz do largo da Carioca.

A viagem, embora de poucos minutos, permitia uma conversação simples, um bate-papo confraternizante, do qual, na variedade de línguas que ouvia, um cronista daquele tempo deu gracioso relato num de seus escritos: “Vous soyez joli!”, exclamava o passageiro de um banco. “Wonderful, dear John!”, era um gordo mister felicitando o compatriota. “Ja, ja, sehr gut!, confirmava um germânico, rotundo, vermelhão. E no final de tais retalhos recolhidos pelos seus ouvidos atentos a essa Babel rodante, o cronista ajuntou maliciosamente: “Mas, às vezes, ouvia-se também o português...”.
[...]
Quase decorridos cem anos após a inauguração dos “bondinhos de presépio” [crônica de 1975], que, na nova Lapa, voltaram a enfeitar a paisagem rodando sem pressa sobre os Arcos, talvez em seus bancos não viaje mais aquela pitoresca torre de Babel glosada pelo cronista. Os passageiros de agora, alguns tradicionais do bairro, satisfeitos nos insistentes reclamos, tornam, porém, felizes, aos pequeninos bancos dos veículos que os conduzem tranquilamente, mesmo sujeitos a um sempre esperado descarrilamento, simples, sem danos.

Jota Efegê, trechos de “Nos bondinhos de Santa Teresa uma torre de Babel com rodas”, O Globo, 24/2/1975


EU © SANTA TERESA (crônica do editor do blog escrita na época em que morou nessa aprazível bairro, de 1987 a 1998, e publicada então no jornal Folha de Santa Teresa)

Existem cariocas que já viajaram dez vezes para Miami e percorreram toda a Europa, mas jamais subiram a Santa Teresa.

Os motoristas de táxi são um caso especial. Recusam-se a subir até o bairro porque — alegam eles — os trilhos podem furar os pneus. E nos tempos pré-Carlos Lacerda, quando os bondes percorriam a cidade de norte a sul e leste a oeste, será que os táxis limitavam os seus percursos à orla marítima?

Senhores motoristas de táxi: não sabem o que estão perdendo! O bucolismo. Nenhum sinal de trânsito. Nenhuma placa de estacionamento proibido. A arquitetura eclética, cobrindo várias décadas do final do século passado até meados do atual século (quando Santa Teresa foi “congelada”) [o século passado agora é retrasado e o atual, passado].

Nos saudosos anos 60, com o surgimento do interesse nas religiões orientais, estabeleceu-se, no caminho para o Sumaré, o templo budista, onde, várias vezes ao dia, pratica-se a meditação Vipássana e deseja-se que “todos os seres que estejam em sofrimento possam dele se libertar”; no outro extremo, no declive para a Lapa, no convento de Santa Teresa, as irmãs carmelitas dedicam-se à vida ascética e contemplativa. Quem sabe, devido a essas boas “vibrações”, em Santa Teresa não ocorram crimes hediondos. [O brutal assassinato da fonoaudiólaga Márcia Maria em 2001 lançou por terra essa tese.] 

Em Santa Teresa morava a linda Sofia, que o Cruzeiro não quis fitar, como lhe pedia Rubião, levando esse último à loucura. Atualmente, morre-se de amor de outra forma! [Estávamos em plena epidemia da AIDS.]

É bem verdade que faltam a Santa Teresa alguns requintes da civilização. Tirar uma xerox exige um périplo ao bairro de Fátima. Não temos banco (até a Rocinha já tem). Nem motel. Não temos posto de gasolina, auto-escola ou borracheiro: aqui não é o habitat dos automóveis. Em compensação, temos um armazém que também é bar; uma distribuidora de bebidas que também é museu de arte; botequins onde o pagode corre solto, como nos velhos tempos; um restaurante alemão onde "tirar" o chopp é um ritual como na Alemanha; um restaurante nordestino de dar inveja aos melhores restaurantes do Recife; e, como se estivéssemos na Europa, uma escola que aplica a pedagogia alpina [a Escola Suíça, que depois se mudou para a Barra da Tijuca], castelos e até um velho aqueduto.

Eu amo Santa Teresa.

Velho casarão no Largo do Guimarães

Saiu e andou. Olhou o céu, os ares, as árvores de Santa Teresa, e se lembrou que, por estas terras, já tinham errado tribos selvagens, das quais um dos chefes se orgulhava de ter no sangue o sangue de dez mil inimigos. Fora há quatro séculos. Olhou de novo o céu, os ares, as árvores de Santa Teresa, as casas, as igrejas: viu os bondes passarem; uma locomotiva apitou; um carro, puxado por uma linda parelha, atravessou-lhe na frente, quando já a entrar do campo... Tinha havido grande e inúmeras modificações. Que fora aquele parque? Talvez um charco. Tinha havido grandes modificações nos aspectos, na fisionomia da terra, talvez no clima... Esperemos mais, pensou ela; e seguiu serenamente ao encontro de Ricardo Coração dos Outros.

Lima Barreto, O triste fim de Policarpo Quaresma

Azulejos em fachadas de lojas

Foi exatamente ali, em 1975, no edifício simpaticamente apelidado de ferro de engomar que me iniciei nos mistérios e segredos de Santa, sempre explicando a amigos estrangeiros que eu, sem dúvida alguma, morava num país e numa cidade muito católicos. Rua Santa Cristina, bairro de Santa Teresa. Ninguém duvidava.

[...] Desço a Aprazível e, depois de observar o trabalho de filigrana e madeira que decora os lambrequins da fachada de um chalé do início do século passado, descubro, à direta, a cidade e o mar, com direito a miradouro. Do ferro de engomar mudei-me para a Pascoal Carlos Magno, sempre nos arredores do Largo dos Guimarães com seu comércio que ainda desafia o tempo [...] As janelas de minha sala davam para a Rua Teresina, quase em frente aos dois casarões neoclássicos e geminados. Caminhar por ali, um dos poucos lugares onde o relevo é mais estável, é de tirar o fôlego de qualquer pessoa atenta à beleza de nossa arquitetura eclética, em busca de presenças ainda vivas de um Rio de Machado de Assis. No espaço de uma caminhada fácil percorro, com a calma exigida pelos casarões de outrora, nosso Angkor Vat, o Parque das Ruínas com raízes e troncos  sustentando suas paredes descascadas que mesclam arquitetura e natureza de forma inevitável. A tarde sempre passa, agradável, na Chácara do Céu entre Portinaris e as diferentes paisagens ao redor, emolduradas pelas janelas. Volto para o Largo e percorro toda a Rua Triunfo, a descida para a Monte Alegre — com a casa de Benjamin Constant hoje bem cuidada e preservada. Subo outra vez e sempre olho os azulejos da varanda da antiga residência de Laurinda Santos Lobo [o autor refere-se ao centro cultural com esse nome, que na verdade foi a residência de um antigo senador do início do século XX; Laurinda morou no atual Parque das Ruínas], também transformada em espaço público de grande beleza.

João Luiz Vieira, Prefácio ao guia Santa Teresa & Urca


Santa Teresa, 1991, sexta-feira de carnaval.

Reza o provérbio popular que a esposa fiel pulou a cerca traindo o marido. Este, o dito clássico, consagrado socialmente. No caso daquela sexta-feira de carnaval de 1991, sem dúvida alguma, foi a freirinha fiel a seus votos religiosos que pulou o muro da clausura traindo Cristo, o sagrado marido, deixando para trás de si a vida de oração e de silêncio do Convento das Carmelitas. E , por acaso, sorte ou armadilha venal do Tinhoso, caiu direto, de cabeça, no samba, na exata morada da irreverência: o Bloco das Carmelitas, que, em frente do convento, passava maroto desfilando pelas ruas de Santa Teresa — o bairro.

A religiosa fujona, no jardim do convento, entre flores e sebes, mal ouviu o som da bateria se esquentando — o repicar do tarol, o bater grave do bumbo, o compasso marcado do surdo, o toque marcial da caixa, o catuque nervoso do tamborim, os vozeios e os cantares — ela, a freirinha, pé que é um leque, ergueu rápido a barra do cândido hábito, enrolou como deu a saia nas pernas e, em decidido salto sem  volta, ganhou a rua, misturando-se às centenas de falsas carmelitas do então bloco. Todas religiosamente fantasiadas. Mini-hábito dando pelo meio das coxas — a tentação. Veuzinho no rosto, só o olhinho aparecendo — o anonimato.

“Seja o que Deus quiser” — a freirinha murmurou.

“Amém” — confirmou rapidamente um coro de vinte e seis anjos alegres.

JORGE HAUSEN, A surpresinha e outros escritos

Igreja ortodoxa russa de Santa Zenaide

ORAÇÃO A SANTA TERESA
Manuel Bandeira

Santa Teresa olhai por nós
Moradores de Santa Teresa
Santa Teresa olhai por nós
Moradores de Santa Teresa
Antigamente o bonde era no Largo da Carioca atrás do chafariz
Na estação tinha uma casa de frutas
Onde o chefe de família
Podia comprar a quarta de manteiga sem sal
A lata de biscoito Aimoré
A língua do Rio Grande
O homem das balas recebia recados, guardava embrulhos
De vez em quando havia um desastre na manobra do reboque.

Bom tempo em que havia desastre na manobra do reboque!
Porque hoje é ali no duro
Na ladeira dos fundos do Teatro Lírico.

Santa Teresa olhai por nós
Moradores de Santa Teresa,
Santa Teresa rogai por nós
Moradores de Santa Teresa
Rogai por nós junto ao prefeito da cidade.

Rogai pelos tísicos
Rogai pelos cardíacos
Rogai pelos tabéticos
Rogai pela gente de fôlego curto
Rogai por mim e pelo pintor Artur Lucas.

Nos fundos do Teatro Lírico
Tem um mictório
Rogai pelas donzelas do morro obrigadas a passar diariamente em frente do mictório.

Santa Teresa rogai por nós
Moradores de Santa Teresa
Estamos comendo da banda podre
Faz um ano.

Vista do Parque das Ruínas

Nos velhos tempos, o acesso ao primitivo Morro do Desterro fazia-se pela Ladeira de Santa Teresa onde terminava a Rua dos Barbonos (atual Evaristo da Veiga). A ladeira ainda é a mesma que lá está. Caminho íngreme, só era praticável por pedestres e muares. Era com efeito em lombo de burro que se realizavam passeios e excursões aos pitorescos recantos do morro, percorrendo a sombreada estrada que, margeando o aqueduto, atingia as matas do Corcovado. Em época remota, o morro não gozava de boa fama e tais excursões só se empreendiam em companhia numerosa. Ainda aí por 1830, a crônica policial registrava assaltos por quilombolas e malfeitores contra pessoas desprevenidas que iam passear por aqueles ermos.

Pouco a pouco, porém, o morro foi se povoando. A estrada transformou-se na Rua do Aqueduto (hoje Almirante Alexandrino), debruada de chácaras e residências, da qual, onde a topografia o permitiu, outras ruas foram se esgalhando para o Morro das Neves a que o Comendador Paula Matos, que ali tinha grande propriedade, legou posteriormente o nome. O carioca descobriu a amenidade da moradia naquelas alturas de temperatura aprazível, a que não chegavam os odores, os “miasmas” e os mosquitos da cidade.

Vivaldo Coaracy, Memórias da cidade do Rio de Janeiro, p. 150

Convento de Santa Teresa

Quero levar-vos hoje ao mosteiro das freiras carmelitas reformadas, ao retiro melancólico das filhas de Santa Teresa. [...]

O monte em que está situado o convento que vamos estudar não é mais o que era dantes, nem no nome, nem nas condições, nem no aspecto. Chamou-se morro de Nossa Senhora do Desterro desde o princípio do século décimo sétimo; no fim do décimo oitavo, porém, trocou esse nome pelo de Santa Teresa, que lhe deu o convento.

No outro tempo – e o outro tempo ainda era apenas há cem anos passados – os grandes da cidade e os negociantes ricos tinham as suas chácaras na então estrada, mais tarde rua de Mata-cavalos [atual Rua do Riachuelo], e em outros sítios vizinhos, e o monte de Nossa Senhora do Desterro era uma solidão imensa, e mostrava-se coberto de florestas onde somente penetravam caçadores animosos a quem não faziam recuar os casos sinistros de ataques de quilombolas.

Hoje o morro de Santa Teresa está encravado no seio da cidade, como uma esmeralda em um enorme diadema. É ainda um saudável e desejado retiro, por que o rumor incessante da multidão que remoinha no vale não pode chegar até aos asilos tranqüilos de suas alturas, e porque a sua atmosfera deleitosa e pura contrasta com ondas quentes e pesadas do ar que no vale se respira. Não é mais uma solidão como outrora: é ainda um subúrbio da cidade. Mas a cidade quase por todos os lados o cerca, e vai pouco a pouco subindo por ele como uma insaciável conquistadora.

Joaquim Manuel de Macedo, Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro



Vivi em Santa Teresa, meu bairro, de forma concêntrica, quase centrípeta: dentro de uma biblioteca que estava dentro de um bairro. Ganhei um conhecimento meticuloso sobre o meu lugar. A minha infância é em grande parte lembrada por haver morado ali. Quando aparece algum idiota que propõe a extinção dos bondes ou o asfaltamento de um trecho de paralelepípedos, sinto que me agridem pessoalmente. Não tenho qualquer impulso conservador em relação às mudanças que precisam ocorrer para melhorar a vida do bairro: mas como entender uma decisão que transformaria Santa Teresa num bairro igual aos outros, com os problemas que só os outros têm?

Felipe Fortuna, Curvas, ladeiras: Bairro De Santa Teresa

Arte de Portas Abertas 2006

Apesar das mudanças de nomes, tão inevitáveis quanto os maus prefeitos, Santa Teresa ainda preserva uma razoável quantidade de ruas com nomes ao sabor antigo. Rua do Triunfo e Rua Áurea, resplandecentes; Rua Progresso e Rua Aprazível, finalmente reconciliadas. Rua do Oriente e Rua Ocidental. Travessa da Vista Alegre, Rua Monte Alegre, Beco da Lagoinha, Rua do Paraíso, Estrada das Paineiras.

Felipe Fortuna, Curvas, ladeiras: Bairro De Santa Teresa

Castelo Valentim

Convento

Descendo a ladeira de Santa Teresa. Fotos do editor do blog tiradas de 2006 a 2015. 


4 comentários:

Felipe Fortuna disse...

Caro Ivo Korytowski,

Acabo de percorrer o seu blog sobre Santa Teresa - que considero muito atraente, com citações e, em especial, com fotos bem expressivas. Por qualquer ângulo que se considere, o bairro aparecerá sempre de modo singular. Agradeço-lhe a gentileza de ter escolhido os trechos que agora compõem parte do seu blog, como tijolos na estrutura maior que é louvar a existência - sempre colocada em risco - de um lugar tão charmoso e convidativo.

Tenho planos de, em algum momento, publicar nova edição do livro. Histórias antigas surgiram de repente, pessoas e eventos ainda pedem mais comentários. Fiquemos em contato para a troca de informações.

Com o abraço do

Felipe Fortuna (enviado por e-mail e inserido aqui pelo editor do blog)

Roger de Sena disse...

Grande Ivo,
Que postagem!!!!
É quase um registro enciclopédico sobre Santa! Ou será que vai se tornar mesmo? Melhor que na Wikipédia!!!!
Ainda não li tudo em detalhes, mas certamente voltarei aqui mais vezes!
Abração.

Moira disse...

Meu grande amigo, que bom rever Sta Teresa!!! Morei aí na Murtinho Nobre 11...até 4 anos de idade, e tenho lembranças de infância inesquecíveis...esperar maãe voltar do trabalho no Curvelo, vinha de bonde do centro do Rio. Dos campeonatos de barco à vela na Baía de Guanabara, aos domingos,a chegada do Porta -Aviões pela baía, num dia festivo, do desmanche do Monte Castelo...nossa, tudo veio à minha lembrança! Saudades daquele tempo...sou fã do bairro!
Beijos

Arlanza Crespo disse...

Que bom ler sobre Santa Teresa,e principalmente da maneira que você escreve.Morei em Santa Teresa toda a minha infancia,até 1960.Minha casa era na rua monte Alegre 314 ,ao lado da casa do pintor Leopoldo Gotuzzo e em frente à chácara do Dr.Veiga,com os quais convivi bastante.As casas ainda existem,e quando vou ã Santa Teresa fico triste em ver que a casa do grande pintor Gotuzzo não tem nenhuma placa de identificação e a chácara do Dr.Veiga virou chácara do Viegas por um erro de troca de letra.Do hino de Santa Teresa composto na década de 30 então nem se fala.Que pena...
Meu email é arlanzacrespo@yahoo.com
Sou museóloga e estou fazendo um trabalho sobre o bairro.