15.11.15

ZONA DA LEOPOLDINA I: RAMOS & OLARIA


Vista incrível do alto de uma escadaria em Ramos com o Morro do Adeus à direita (observe a estação do teleférico) e o Corcovado (centro) e Pão de Açúcar (esquerda) bem no fundo.

A zona (ou região, ou subúrbio) da Leopoldina é, segundo Nei Lopes, em seu Dicionário da Hinterlândia Carioca, a “denominação tradicional dada ao conjunto dos bairros servidos pelo ramal ferroviário antigamente chamado de LEOPOLDINA, e que formam o segmento nordeste do Município do Rio de Janeiro.” Atualmente é servida pelos trens da linha Gramacho da Supervia que saem (pelo menos nos dias úteis) de quinze em quinze minutos da Plataforma 12 da Estação Central do Brasil. O bairro de Ramos celebrizou-se graças ao bloco Cacique de Ramos, cuja sede na verdade fica em Olaria, e ao Piscinão de Ramos, que a rigor fica no complexo da Maré. Um passeio a pé por esses dois bairros revela algumas surpresas, como uma velha sinagoga (entre os anos 30 e 60 do século XX existiu uma comunidade judaica pujante na Leopoldina) que parece funcionar até hoje, e a singela igrejinha de Nossa Senhora da Conceição de Ramos, no Morro da Bela Vista, com belos painéis de azulejos e uma vista espetacular para a Igreja da Penha. Vale a pena ir até lá. E se o Cacique está em Olaria, em Ramos temos a quadra da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense

Fotos tiradas pelo editor do blog, e textos explicativos dos dois bairros escaneados do livro Rio Bairros: Uma Breve História dos Bairros Cariocas - De A a Z (que você vê na foto do alto da postagem) do pesquisador Robson Letiere, que se deu ao trabalho de desenhar bandeiras para cada um dos bairros que constituem o município do Rio de Janeiro. Quem estiver interessado no livro do Robson (que custa barato e vale a pena ter devido à riqueza de informações) pode contactá-lo pelo e-mail concurso@bandeirascariocas.com.br ou telefone (21) 99730-3180.


Casa de 1915 com bonita fachada adornada na Rua Aureliano Lessa (Ramos).

Casa de 1917 com fachada profusamente adornada na Rua Aureliano Lessa (Ramos).

Painel de azulejos de Nossa Senhora de Fátima na fachada de uma casa na Rua N.S. das Graças (Ramos).

Antigo Cine Ramos, atual Igreja Universal, em prédio com linhas art déco simplificadas, que funcionou de 1934 a 1969.

Antigo Cine Rosário, construído em 1938, em estilo art déco, tombado pelo Município em 1997. Em 1981 passou a se chamar Cine Ramos, depois virou bingo, boate (Trigonometria), mas hoje está abandonado.

Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, cujo nome homenageia os subúrbios servidos pelos trens da antiga linha da Leopoldina.

Casinha de ladeira com a vista que você pediu a Deus.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Ramos no Morro da Bela Vista, Ramos, com painel de António Igrejas de 2001 na torre. "Igreja da padroeira do bairro, é a mais antiga de Ramos. Foi fundada em 23 de setembro de 1923, no terreno doado pelo português Zacarias Queirós, dono da primeira padaria de Ramos. Os comerciantes construíram a simpática capela no alto do Morro da Bela Vista, de onde se descortina a visão de todos os subúrbios da Leopoldina, com a Igreja da Penha ao fundo." (Guia Ramos, Olaria & Penha, da coleção bairros do Rio).

Santa Ceia de António Igrejas de 1998 na Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Ramos.

Igreja da Penha vista do Morro da Bela Vista, em Ramos.

Filosofia de rua: "Será que a Terra é o Inferno de outro Planeta?", de Xédom. Faz sentido!


Painel bucólico de António Igrejas na fachada de um pequeno prédio na Rua João Silva, em Olaria.

Salve o Cacique de Ramos, patrimônio cultural do Rio.

Sinagoga Ahavat Shalom (Amor pela Paz) em Olaria. "A sinagoga Ahavat Shalom, em Olaria, teve seu apogeu com a consolidação e a expansão da comunidade judaica dos subúrbios da Leopoldina, entre os anos 1930 e 1960. Depois, a mudança em massa para outros bairros a deixou vazia, mas o prédio simples, de janelas em basculante, foi mantido pelo médico Soil Zuchen, o último dos imigrantes originais que permanece na região. Hoje, graças aos esforços de um grupo de antigos moradores, o templo está restaurado, tem minian aos sábados e comemorou, com um grande almoço no CIB, seus 60 anos."

Matriz de São Geraldo (1932 - Olaria) cujas linhas geométricas refletem o estilo art déco predominante na época.

Lateral da Matriz de São Geraldo. Aqui o geometrismo art déco fica bem perceptível.

Palácio Maçônico de Olaria com linhas neoclássicas (1930).

Chegada do trem na estação de Olaria.

5 comentários:

A VIDA NUMA GOA disse...

Muito bom. Pasmo aqui com as duas primeiras casas e com a sinagogoa. Duas coisas: vc saberia dizer se o painel de azulejos da igreja é de um dos Igrejas? 2) Faltou falar no Bar da Portuguesa, entre Ramos e Olaria, que era frequentado por Pixinguinha e é um hoje um dos melhores da cuidade...

Ivo Korytowski disse...

Evandro, o painel da torre da igreja é do Igrejas, acrescentei esta informação à legenda da foto. Obrigado pela dica do Bar da Portuguesa, fica para um novo passeio futuro.

Jayme Copstein disse...

Esta tua cidade é verdadeiramente bonita. Ah! Se pudessem lhe devolver a paz, ela recobraria o paraíso que foi um dia. (enviado por e-mail e inserido aqui pelo editor do blog)

Anônimo disse...

Triste a forma que a Prefeitura do Rio abandonou Ramos, destruindo-a ainda mais com a obra do BRT - Transcarioca...

HV agência literária disse...

Cheguei aqui procurando algo no google, e gostei muito! Ótimas informações. Para quem só conheceu Olaria/Ramos de passagem, ao fazer um livro sobre a comunidade judaica dos bairros da Leopoldina, valeu muito esse "passeio" histórico e bem fundamentado.