26.4.10

TIJUCA - PARTE I

ARQUITETURA, ARTE AMBIENTE, LOGRADOUROS. Fotos do editor do blog.

O Crepúsculo (Tijuca Tênis Clube).

Quem não admirará esse soberbo Corcovado, verdadeira maravilha, de cujo altivo píncaro se dominam as duas sumptuosas capitaes [Rio e Niterói], a magestosa bahia e o vasto oceano, a confundir-se com o firmamento, apresentando ás nossas vistas os panoramas mais bellos e mais variados que na terra se possam encontrar? E a encantadora Tijuca, coberta de formosos jardins e de virentes [=verdejantes] mattas, cortadas de límpidas fontes e de estrepitosas cascatas, que se escoam em alvíssimos aljofares [gotas d'água], quem deixará de admirar?

Joaquim Nogueira Paranaguá,
Do Rio de Janeiro ao Piauhy, pelo interior do paiz: impressões de viagem, publicado em 1905 pela Imprensa Nacional e transcrito na ortografia da época. O termo Tijuca tinha acepção mais ampla, designando a planície tijucana, atual bairro Tijuca, e também a montanha e floresta tijucanas, hoje Alto da Boa Vista, local do Parque Nacional da Tijuca, maior floresta urbana do mundo.)


Praça Saenz Peña. No fundo, as torres do Sumaré.
Estátua de bronze de Oswaldo Diniz Magalhães, radioginasta (Praça Saens Peña).
Escola Municipal Prudente de Morais (Rua Enes de Souza, 36).
Escola Municipal Soares Pereira, do final da década de 20: acesso avarandado com seis colunas toscanas lisas de granito e frontão ondulado (Av. Maracanã, 1450).
Shopping Tijuca.
Chafariz de ferro fundido do século XIX construído na França (Praça Comendador Xavier de Brito).
Antiga fábrica da Companhia Hanseática, depois Brahma, hoje Supermercado Extra

SALVE, TIJUCA!
Texto de Roger de Sena exclusivo para este blog

Pois é... chegou a hora da Tijuca aparecer no blog mais charmoso sobre o Rio!

A Tijuca não é um bairro com grandes atrativos. Pelo menos não daqueles que o turista, brasileiro ou estrangeiro, está acostumado a procurar no Rio. Porém a maior floresta urbana do mundo (Floresta da Tijuca) quase faz parte do bairro, a maior praia da cidade (Barra da Tijuca) a carrega em seu “sobrenome”, e o maior estádio de futebol do mundo é seu vizinho. Por tudo isso, e mais algumas outras coisas, a Tijuca é um bairro, no mínimo, pitoresco. Não sou um tijucano da gema – chamemos assim a quem nasceu e sempre morou lá - nem morro de amores por esse pedacinho de São Paulo encravado na Cidade Maravilhosa. Sim, porque seus moradores e sua geografia são um bocado parecidos com os dos “manos”. Lavar o carro na calçada ou na garagem continua a ser um hábito tão tijucano quanto paulistano.

OK, tirei a minha onda mas preciso dizer que estou tijucano, e por isso acompanhei o Ivo, junto com a Celina e o Valter, por alguns dos pontos mais curiosos, para que ele fizesse as fotos para o blog. Terminamos o passeio comendo as empadinhas do (bar) SALETE, na rua Afonso Pena, e, claro, tudo regado a muito chopp, que ninguém é de ferro!

Centro de Referência da Música Carioca, em palacete tombado e restaurado pela Prefeitura (Rua Conde de Bonfim, 824).

Ah! Tem mais: este ano, depois de, finalmente, vencer o desfile das escolas de samba do grupo especial, a Unidos da Tijuca fez o bairro frequentar as manchetes fora das colunas policiais. E uma UPP (Unidade de Policiamento Pacificadora) está prometida para a Comunidade do Borel (uma das maiores, se não a maior do bairro) para este começo de ano. Assim, esse outrora bucólico bairro carioca, voltará a fazer parte do roteiro bem cuidado da cidade!

Outra: sabiam que a Tijuca tem um hino? Mais ou menos assim: “Entre morros verdejantes / A Tijuca foi crescendo / Nas mansões, saraus e festas / E nas ruas, serestas / Violões tocando pelo ar / Os sons plangentes / Depois o silêncio vinha / Envolvendo em paz / As frias madrugadas de um passado  / Que não volta mais / (refrão) Mas no coração / A Tijuca não mudou / Mantém a tradição, a tradição!”

É mole? Está gravado em minha memória, junto aos outros registros que o alemão (Alzheimer) deixará para apagar por último. Então... coisas de quando as escolas públicas tinham aula de “Canto Orfeônico”!

Quem se dispuser a fazer uma busca pela net, certamente achará a partitura.
Salve, Tijuca!

Casarão em estilo europeu na Rua Saboia Lima. 
Velho botequim na esquina das ruas
Enes de Souza e Bom Pastor.
Simpático prédio de esquina nas redondezas do Colégio Militar.
Uma rua tranquila.
Saci na Praça Hans Klussmann ao lado do antigo reservatório, no final da Rua Saboia Lima

Casa da Vila da Feira e Terras de Santa Maria, clube dedicado ao folclore e danças lusitanas fundado em 1953, com extravagante decoração que reflete a origem portuguesa de seus sócios (Rua Haddock Lobo, 195).
Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, em estilo neocolonial luso-brasileiro (Rua Mariz e Barros, 775 - quase no bairro Maracanã). 
Ipê nos fundos do Hospital Gaffrée e Guinle.
O Palacete da Babilônia no Colégio Militar. Observe a Pedra da Babilônia atrás.
Antigo Colégio Marista São José (Rua Barão de Mesquita, 164).
Batalhão da Polícia do Exército (Rua Barão de Mesquita, 425).
Para encerrar com chave-de-ouro, as famosas empadas do Salete. Clique no marcador Tijuca abaixo para ver outras postagens sobre o bairro.

7 comentários:

Hélio Brasil disse...

Belíssimo seu trabalho sobre a vaidosa Tijuca. Fotos bonitas e bem selecionadas.
Sou, como você sabe, nascido em São Cristóvão. Depois morei na sua periferia (ou portal) que é a Praça da Bandeira, onde nadei nas enchentes e fui parar em Sampaio (subúrbio da Central). Uma vez casado, fui morar em Vila Isabel e, do bairro do Noel, passei, afinal, para a Tijuca. Digamos, mais para Maracanã, perto do Largo da Segunda Feira.
Você, porém, carimbou meu passaporte ao fotografar o Gafrée, na Mariz e Barros e determinou : Tijuca! Moro pertíssimo e, assim, admito e aceito a cidadania. Batizado na São Francisco, na Santo Afonso me casei. Mas do bairro, o que mais amo é a maravilhosa FLORESTA, feiticeira, feérica nas primaveras. Se quiser acrescentar fotos de arquitetura – também interessantíssima – passe na Professor Gabizo, na Campos Sales e na Ibituruna.
Quanto à Igreja dos Capuchinhos (São Sebastião) o projeto é do ilustre e esquecido Arquimedes Memória (o Niemeyer do início do século XX). Acho que vale citá-lo.
Abração e parabéns

Alexei disse...

Excelente postagem, Ivo. E a melhor foto é a do maravilhoso botequim de esquina, esse merecia um tombamento municipal e uma remoção das adulterações. Freqüentei a Tijuca desde a primeira infância, e morei nove anos lá entre o fim da adolescência e o início da juventude. Assisti a todas as demolições criminosas e idiotas que houve no bairro desde a época do Metrô, o magnífico prédio do Correio, a casa do Duque de Caxias, com seu belíssimo jardim, em 1980 - em pleno regime militar! - para construir o caixote da Mesbla, sem falar em três ou quatro casarões do século XIX, alguns com um ar ainda rural, estupidamente postos abaixo. Não sobrou nada, excetuando o Colégio Militar, a Casa da Vila da Feira - que merecia ser liberada da sua entrada abominável, restabelecendo o gradil que obviamente possuía - e mais uma coisinha ou outra. (enviado por e-mail)

Ciça disse...

Eu não sou tijucana mas adorei ver uma parte da Tijuca tão singela. Uma arquitetura que traz boas lembranças a nós cariocas, seja de que Zona for: norte, sul ou oeste. Memória de tempos sem balas perdidas e com mais humanidade em suas construções. Gosto da fileira de palmeiras da entrada do Hospital São Vicente de Paulo na Dr. Satamini. Deve dar uma foto linda. Outro dia fui até lá e tirei uma foto do pôr do sol lá em cima do Hospital. Bárbara. Parabéns aos tijucanos e a todos aqueles que passaram bons momentos por lá. Ciça

Vera Dias disse...

Otimas sequencia de fotos com diversos e belissimos predios,da Tijuca. Importante esse destaque, porque chama a atenção dos moradores da arquitetura local.

Pedro Paulo Bastos disse...

Ah, como eu adoro a Tijuca. Meu bairro, aliás! Eu xingo, reclamo de um monte de problemas, falo mal, odeio a confusão e o trânsito da Praça Saenz Peña, mas não tem lugar mais original e tradicional como esse. A Tijuca é como se fosse um filho, daqueles rebeldes, que dão um trabalho danado mas que, no fundo, a gente ama demais. Eu torço muito para a recuperação do bairro, através da ocupação das UPPs e do resgate histórico que ele tem para a cidade. Espero que a sua referência de bairro de bons colégios, cultura e de familiaridade possam se reacentuar, de forma a valorizar a auto-estima não só da Tijuca mas de todos os tijucanos.
Estou para me mudar para a Z Sul em breve e sei que vou sentir falta desse lugar!

Eduardo Marinho disse...

Muito legal o trabalho, retrata um RJ que na corrêria do dia a dia não vemos!

Eduardo Marinho disse...

Muito legal o trabalho, retrata um RJ que na corrêria do dia a dia não vemos!