5.12.10

TREM DO SAMBA 2010


Trem e música: componentes tradicionais das comunidades negras nas Américas. Confirmando essa tradição, no início do século XX, e fugindo da perseguição imposta pela elite às práticas simbólicas negras, Paulo da Portela e seus companheiros de escola reuniam-se no trem (que foi transformado em "sede social"), na volta do trabalho, cantando e tocando samba.

Bem mais tarde, em 1991, Marquinhos de Oswaldo Cruz (cantor e compositor portelense) vai também utilizar o trem como um espaço para reunião de sambistas. Também fugindo da repressão às vozes e ritmos negros, Marquinhos e um grupo de sambistas refazem no trem a rota da diáspora dos descendentes de escravos expulsos do centro da cidade. Buscavam mostrar a cidade, a música que era produzida no subúrbio e, em especial, no desconhecido bairro de Oswaldo Cruz. Esse movimento tem sua primeira vitória quando Marquinhos de Oswaldo Cruz e Juarez Barroso conseguem indicar a Velha Guarda da Portela para recebimento da Medalha Pedro Ernesto.

Toda essa luta foi acompanhada de descrédito de muitos moradores que consideravam essas questões menos importantes . Para muitos, Marquinhos era um indivíduo alienado, que só falava de samba. Não entendiam que uma comunidade se mantém através da sua memória e que a memória do bairro de Oswaldo Cruz sempre esteve ligada a música tradicional.

Um vagão de trem continuou a ser utilizado ainda em 1992. No entanto, foi em 1996 que o "Pagode do Trem" passou a comemorar o Dia Nacional do Samba. Assim, Marquinhos inventa uma forma original de celebrar o dia 2 de dezembro, relembrando a trajetória do povo negro que com a reforma Pereira Passos, foi expulso dos lugares nobres da cidade para os subúrbios e morros.

Acreditamos então, que em sua 15a edição, o Trem do Samba conseguirá atingir seus objetivos de difundir o samba que é produzido nos subúrbios cariocas (Texto extraído do folheto do Trem do Samba 2010).


Estação Oswaldo Cruz


Velha Guarda da Portela

Clube do Samba

Palco na Rua João Vicente

Botequim

Sambistas

Se todo mundo sambasse seria mais fácil viver...

2 comentários:

Vera Dias disse...

Muito interessante. Conhecia a festa no trem da Central, do percurso do Centro ao bairro de Oswaldo Cruz, no dia 2 de dezembro, porem desconhecia a história.

ULLMANN disse...

Fui nascido e criado em Oswaldo Cruz.Mas, ao contrário de Marquinhos de Oswaldo Cruz, que alavancou o bairro em 1991.Eu, também Marquinhos (e de, ora, Oswaldo Cruz...) deixei meu amado bairro e cidade...pra nunca mais voltar. Obrigado por este blog, que me encantou com imagens de parte da minha infãncia no Grajaú!