24.7.10

CELEBRAR A VIDA COM AMIZADE E BELEZA BRASIL



VILMA CUNHA DUARTE, a "cronista de Araxá"


Às vezes, se gasta uma vida para perceber o óbvio ululante. O ser humano deixa a desejar na lucidez com “gostares ou não gostares”. Carência pede palavras de amor, ansiedade confunde as coisas,  indiferença ganha imaginação afetiva,  desejos viram o bom-senso de cabeça pra baixo.

Ainda bem que a maturidade chega, espantando bichos de sete cabeças, feras indômitas para a juventude teimosa. E esclarece: quando pessoas gostam de mesmo umas das outras, agem como tal.

Comecei mais um ano de vida com a querida amiga, no Rio de Janeiro deslumbrante. Diacho de maldade essa bocarra da mídia com a “Cidade Maravilhosa”. Fala, escreve e exporta uma imagem devastadora de umas das mais belas cidades do mundo. Um pecado! Problemas existem, mas não precisam ser tratados como obsessão.

Mírian e eu desfrutamos seis dias maravilhosos, sem ao menos vislumbrar um ato de violência. Cortamos o Rio dia e noite, de metrô, ônibus, a pé e muito pouco de táxi. O Rio está lindo, bem cuidado, ostensivamente protegido. Já perdi a conta das vezes que estive naquele paraíso paisagístico e cultural. Nada a declarar. Por que tanta gente morre de medo de ir lá? “Fogo amigo” na propaganda desastrosa. A velha mania de enxergar e falar muito mais de mal que de bem do Brasil e de brasileiros.

Custamos a chegar para as encomendas do coração. Amigos e parentes disputavam-nos. Delícia de puro gostar do jeito simples, generoso que prioriza, põe no colo, e abraça.

Escolada em viagens Brasil adentro e afora, sei que cada viagem tem um roteiro. Esta foi do gosto da amiga. Seis dias bonitos. Aproveitamos na boa medida. Descansei da minha rotina ocupada.

Um friozinho mentiroso pra nós, e vestido de casaco, cachecol, gorro e xale pelos cariocas.

Que delícia passar a manhã no paradisíaco Arpoador. Aquarela bem Brasil! Céu azul de doer em poesia, sol amarelo dourado, mar esmeraldino lambendo a areia com ondas branquinhas espumando de rir decerto, dos turistas em traje de banho.

História pedindo vez e ré na visita ao imponente Forte de Copacabana. Cultura rezando nas igrejas da Ressurreição, na esfuziante Catedral de São Sebastião, que abriga 18.000 pessoas. Tradição portuguesa pondo a mesa da alegria e comedoria nas festas dos santos de junho, no Mosteiro de Santo Antônio, justo no dia 13. Noutro na Igreja da Glória no Largo do Machado. Suspiros de encantamento com a majestade do Teatro Municipal ressuscitado na beleza da restauração, tudo misturado na brasilidade de Copa do Mundo, na amizade cantando parabéns, na celebração da vida em ação de graças por começar mais um ano inteira, feliz, rodeada e no Rio de Janeiro.

Rio velho e Rio Novo. Cada qual com seu encanto.

Esculturas e arquiteturas. Nos prédios com cara de Europa, na Lapa caso de amores antigos, de gente comum, artistas renomados, com samba, copos, arte, sensualidade. Escadarias de azulejos coloridos e poliglotas, programas e inocência, no ecletismo singular e fenomenal, que só o Rio sabe bancar. Na areia castelos... sereias...


Abrir os braços de frente para o Cristo Redentor e agradecer. A reinação dele no alto do morro do Corcovado e aquela manhã exuberante de sol. Que o mostrou às claras literalmente maravilhoso, para brasileiros e visitantes dos quatro cantos do mundo.

Andar, correr, brincar a orla inteira de Copacabana, conhecer o conjunto do Fifa Fan Fest com telão pra ninguém botar defeito, cumprimentar o Dorival Caymmi no outro extremo e descansar no quiosque com água de coco, chopinho e batata frita, que ninguém é de ferro não senhor.


Quase matar o Carlos Drummond com tantos abraços naquele banco onde o meu poeta vê o Rio passar, o povo passar, o dia nascer, a noite chegar e decerto, a poesia ficar.

Comer bacalhau do Zé do Pipo, moquecas de camarão peixe e lagosta tudo junto, e outros banquetes de lamber os beiços de satisfação.

Obrigada Rio, obrigada Ivo Korytowski meu amigo escritor,  companheiro, cavalheiro, e cicerone em todas as minhas idas.

Obrigada todo mundo que fez a gente muito feliz por lá. Até... quem não preciso contar. (Fotos fornecidas pela autora da crônica) .

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