5.11.09

MORRO DO PINTO no SANTO CRISTO



Quem passa pela Avenida Presidente Vargas vê, na altura da Cidade Nova (foto acima: quem sobe para a Praça da Bandeira vê à direita, quem vem de lá vê à esquerda), uma igrejinha numa colina cercada de casinhas: a Igreja de N.S. de Montserrat, no Morro do Pinto, Santo Cristo. O morro deve seu nome ao comerciante Antônio Pinto Ferreira Morado, antigo proprietário de terras ali. Convidei a poetisa Conceição Albuquerque, que viveu no morro até os 17 anos, a acompanhar-me lá. É dela a crônica que vocês lerão. Ela também tirou algumas fotos, marcadas com CA. As demais (exceto a antiga, em preto-e-branco) são do editor do blog.

"Em primeiro plano a desativada fábrica Bhering"

Quando recebi o convite do meu amigo Ivo, editor do blog, para ir ao Morro do Pinto, onde nasci e vivi até os dezessete anos, confesso que hesitei. Voltar a um lugar carregado de ótimas lembranças, após tantos anos, quando sabemos o tanto de estrago que o tempo pode fazer, me assustou. Havia também o temor de reacender lembranças ruins. Inconscientemente, adiei, adiei, adiei. Mas acabei não resistindo ao convite.

Nosso encontro começou na Praça Mauá. De lá, um ônibus nos deixou na Rua Santo Cristo. De pronto o Supermercado Mundial, em cujo prédio funcionava outro mercado onde minha mãe fazia as compras do mês, atiçou-me a memória. As imagens acotovelaram-se à minha volta.

Propus a subida pela Vidal de Negreiros, rua de pedras, com suas escadarias ladeando as casas à direita e à esquerda e logo logo vi mudanças: fachadas remodeladas, novos patamares construídos, a quitanda da quase esquina, agora residência. Virando a primeira à direita chegamos à Rua Carlos Gomes, última rua onde morei. O grande terreno que antes pertencia à Shell transformara-se num parque, que não chegamos a visitar.

Fui percebendo o preenchimento de terrenos baldios por novas construções. O antes chamado “morrinho”, à esquerda, por onde descíamos da Rua Deolinda para a Carlos Gomes já não existia. A paisagem vista da rua não mudara tanto, aparentemente. Em primeiro plano a desativada fábrica Bhering. Precisaria de muito tempo para avaliar os detalhes que percebia em criança, para compará-los aos atuais. Conseguiria apontar as diferenças? Seria como tentar resolver um jogo dos 7 erros, usando apenas a memória. Sem chance. Melhor seguir em frente.


Rua Carlos Gomes: "Chegamos ao número 360, minha última residência" (CA)

Chegamos ao número 360, minha última residência: um sobrado na época, hoje com mais dois andares, onde passei parte da infância e adolescência. A rua, onde brincara tanto de pique, queimado, pique-bandeira, corda, amarelinha, etc.etc., parecia mais estreita. Aquela impressão trazida pelo passar dos anos que José Lins do Rego nos mostra. Ao olhar para a varanda, que continuava a mesma, parecia ver minha mãe sentada no banquinho de madeira, apreciando o nascer do sol, e meu pequenino cachorro Joli, vira-latas metido a bassê, latindo valentemente aos cachorros maiores que por ali passavam. Na sala da frente imaginei meu velho piano, doado na mudança, ecoando desafinado pelo uso e pelos cupins que insistiam em ali viver.

Adiante, os prédios maiores, que vão da Carlos Gomes à Deolinda, pertencentes cada um a uma mesma família. Para mim, criança, residência dos mais “ricos” da rua. Lá do alto, no terceiro andar de um deles, a cabeça branca da antiga professora de piano, por quem eu tinha admiração enorme, nos acenou ao meu chamado. Prometi voltar outro dia, com mais tempo. Dali podíamos ver parte da ponta do Caju, Estação da Leopoldina, São Cristóvão, o Cais do Porto, a Ponte Rio-Niterói, a Ilha do Governador. Ao longe, encarapitada numa pedra cinza, à esquerda, a Igreja da Penha que conseguia distinguir, amparada na memória dos dias em que a via iluminada.

Continuando a subida, o contato com os prédios por onde passava para ir à Igreja de N.S. de Montserrat. Num deles, à entrada, ainda estava fixado o símbolo da Guarda Noturna, uma plaquinha redonda, em branco, preto e vermelho, com a figura de um galo. Ivo reconheceu-o. Tempos idos do Rio de Janeiro.


Vista da Rua Carlos Gomes (CA)

Chegamos à Rua Deolinda na curva à esquerda, saudados por um valente cão negro. A sensação de intimidade ao percorrê-la era a mesma. Na esquina da travessa à direita estavam os prédios de dois estabelecimentos da época, um deles fechado, com a inscrição PADARIA. Era ali o armazém do seu Serafim onde comprávamos tantas coisas, inclusive os picolés de groselha, que sugávamos até ficar branco, e o de coco, que tinha aquela camada áspera da fruta por cima. Lembro-me que anos antes, reconheci tal prédio no filme Lúcio Flávio, passageiro da agonia, o que segundo moradora atual realmente ocorreu. Ali se fizeram algumas filmagens. O outro prédio à entrada da travessa já não era o açougue de dona Augusta, mas um bar, pintado com o logotipo da cerveja Itaipava. No final da Deolinda, à esquerda, o prédio onde morei, felizmente bem conservado, guardando tantas histórias.

Chegamos à rua mais alta, a Mont'Alverne, cujos casarios, alguns repintados, outros remodelados, continuam os mesmos, inclusive a antiga “venda do seu Alfredo”, datada de 1922. Adiante, na praça, a Igreja de N.S. de Montserrat, maltratada é certo, inclusive com seu coreto transformado em varal de roupas, mas certamente mantendo o espírito sagrado a quem a visita por dentro (assim espero). A vista alcança a Av. Presidente Vargas, Santa Teresa, a estação da Central do Brasil, o centro da cidade do Rio de Janeiro. Do outro lado da montanha, mais à esquerda, a zona sul. À direita, a zona norte.

Voltamos pela Mont'Alverne para chegarmos à Rua Farnese, onde Ivo queria fotografar preciosidades. Começamos a fazer o caminho que durante alguns anos percorri para chegar à Escola General Mitre, na própria Farnese. Trajeto sinuoso, de tantas recordações. Adiante, já no entroncamento com a Rua Mariano Procópio, deparei-me à direita com a casa em que nasci, lá nos fundos do terreno. Infelizmente, a foto se perdeu. Um dia volto lá. A Farnese está “melhorada”, não é mais de terra e as casas conservadas mantém um ar aconchegante de cidade do interior. Enfim, e para nosso deleite, Ivo encontra as três construções tombadas pela Prefeitura, lindas casas que eu, menina, não sabia do valor histórico.


"dois estabelecimentos da época, um deles fechado, com a inscrição PADARIA" (esquerda) "um bar, pintado com o logotipo da cerveja Itaipava" (direita)

Na esquina com a Rua Saldanha Marinho certa decepção pelas ruínas do que antes foi o armazém do “Seu Clides”, onde eu adorava comprar doces, antes ou depois da escola. Ivo lembrou do registro desta construção em certo livro que possui. Interessante comparar tal registro em foto de 1934 com a memória dos anos 50 e agora em 2009.

Subimos a Saldanha Marinho, de casas menos conservadas, apenas algumas remodeladas. No alto da Saldanha Marinho, entroncamento com Mont'Alverne, paramos no largo onde ficava o Clube 13 de Maio, no qual brinquei em bailes de carnaval. Ali se dava o encontro dos maratonistas do circuito que havia pelas ruas do morro, em todo último domingo de julho. Segundo informação de morador atual, tal evento permanece até hoje, apenas terminando em outro local. O clube não mais existe. Hoje é residência.

Seguimos para a Rua Sara, longa rua que nos leva à Rua Santo Cristo, embaixo. Lá paramos no bar do Omar, simpaticíssimo e acolhedor, onde bebemos água e visitamos o novo piso que ele está fazendo e de onde fotografamos parte da paisagem. Vê-se a Rua Pedro Alves abaixo, que chega à Estação da Leopoldina, onde ficava a antiga fábrica de Açúcar Pérola; a Ponte Rio-Niterói, a chaminé e o globo da Bhering, onde havia um relógio que funcionava; à esquerda destacando-se São Cristóvão: o pavilhão, atual Feira Nordestina, o prédio da antiga faculdade de engenharia da UFRJ, o Lazareto. À direita, em tom amarelado, vê-se o novo templo do samba na cidade, a Cidade do Samba.

Descemos a Rua Sara e chegamos à Rua Orestes, à direita, onde funcionava a fábrica Bhering, de doces recordações. Bem recebidos por duas pessoas à entrada, soubemos que a fábrica mudou-se para Varginha, MG, mas suas instalações atualmente são locadas para diversos eventos, inclusive gravações de filmes e novelas, funcionando, também, no segundo piso uma loja de móveis fabricados com madeira de demolição e objetos antigos.

À pergunta sobre as guloseimas que a Bhering fabrica, puseram à nossa disposição para compra os maravilhosos e tradicionais caramelos cobertos de chocolate, embrulhados em papel azul com bolinhas brancas. Final doce e feliz para nosso agradável passeio ao Morro do Pinto, que parecia dormitar a sesta tranqüila, tal uma cidade de interior.


"No final da Deolinda, à esquerda, o prédio onde morei"

Rua Carlos Gomes

Rua Deolinda

"Dali podíamos ver parte da ponta do Caju, [...] o Cais do Porto, a Ponte Rio-Niterói, a Ilha do Governador."

Igreja de N.S. de Monstserrat (CA)

idem

"com seu coreto transformado em varal de roupas"

"A vista alcança a Av. Presidente Vargas, Santa Teresa, a estação da Central do Brasil, o centro da cidade do Rio de Janeiro."

Armazém na Rua Mont'Alverne do início do século XX

Rua Farnese, 45, 49 e 51: "três construções tombadas pela Prefeitura"

Uma das três casas tombadas

Chalé na Rua Farnese

"ruínas do que antes foi o armazém do Seu Clides

Foto antiga do encontro da Rua Farnese com a Saldanha Marinho. À esquerda o chalé da foto mais acima e do outro lado da rua o antigo armazém; à direita (onde estão as crianças) uma das casas tombadas. Foto escaneada do livro História dos Bairros: Zona Portuária da João Fortes Engenharia.

Rua Saldanha Marinho

"Fortaleza" na Rua Sara

"bar do Omar, simpaticíssimo e acolhedor"

"Vê-se a Rua Pedro Alves abaixo"

Rua Sara, em frente ao bar

"agradável passeio ao Morro do Pinto..." (CA)

"...que parecia dormitar a sesta tranqüila, tal uma cidade de interior"

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47 comentários:

tertulías disse...

Que maravilha Ivo... Bravo! "Passeei" com voces dois por todas estas ruelas, imaginando ares do "passado", da foto em preto e branco. Diga-me, este bairro estápróximo à "ladeira do Joao Homem"? Sei que durante a época da faculdade íamos à esta ladeira para fazer aulas de desenho aos sábados. Mas nao mais me lembro onde era...

Ivo Korytowski disse...

Obrigado pelo comentário entusiasmado. A Ladeira João Homem a que você se referiu fica no Morro da Conceição, pertinho da Praça Mauá. É o morro mais "badalado" da Zona Portuária, com fortaleza colonial, ateliês, etc. Já mostrei no blog. Outros morros da região são o do Livramento, onde nasceu Machado (tb mostrei no blog), da Saúde, onde tem uma igrejinha linda, da Gamboa, onde fica o Hospital da Gamboa, da Providência, onde fica a mais antiga favela da cidade, e do Pinto, que acabei de mostrar!

Salomão Rovedo disse...

Ivo "Mem de Sá" Korytowski, sempre descobrindo e redescobrindo, inventando e reinventando o Rio que a gente não tem mais tempo de ver.
Vale sempre! Abraços...

Helio Brasil disse...

Gostei muito da matéria feita no blog sobre o Morro do Pinto. Não só o texto da Conceição (evocativo e descritivo) como as fotos são excelentes.
Curioso é que eu, bem garoto (nos 1940), passando de bonde pela Avenida Francisco Bicalho observava lá no alto o casario e a torre espetadinha da igreja, imaginando como seria interessante o ambiente por ali. As ladeiras (eu conhecia as de São Cristóvão) e os sobrados me atiçavam a imaginação. Os morros, suas subidas íngremes e desafiadoras sempre me interessaram. Sem imaginar que seria arquiteto (fui?) e sem saber que eu estava tentando recriar um espaço cheio de vida, deixei na minha agenda interna a vontade de conhecer aqueles lugares.
Agora, minha inércia e minha preguiça reconhecem, os espaços me visitaram.
Maravilha!
(enviado por e-mail)

Roger_Rio disse...

Demais, Ivo! Eu também "viajei" com vocês nesta postagem; repetindo o autor do primeiro comentário. Texto e fotos num casamento perfeito e delicioso, como foi o final, em qeu saboreei na lembrança os caramelos cobertos de chocolate da Bhering. Agora que descobri a "mina", qualquer dia passo por lá pra saborear à vera! ;o)

Rosa disse...

Essas fotos me trouxeram muitas saudades, pois mostram um pedaço da casa onde morei e uma casa que fica em frente a casa onde morei.Gostei muito de rever tudo isso, muito legal mesmo. Rosa

Fernandes disse...

Aos Srs. Ivo Korytowski e Conceição Albuquerque:
Agradeço pelos momentos de enlevo que tive ao ler o texto e apreciar as fotos, aqui publicados, sobre o Morro do Pinto, onde nasci em 1942.

Teresa disse...

Conceição,amei tua reportagem, fiquei morrendo de inveja de não ter pousado por muito tempo num mesmo lugar pra poder matar as saudades depois. Parabens pelo texto e ao colega pelas fotos, aprendí mais um pouco sobre o Rio.

Mathilde disse...

O fluminense, assumido carioca, marido da Mathilde,embebedou-se com a poesia da Conceicao ,espalhada pelas lembrancas de uma vida feliz,dura mas marcante e que, enlevado com tanta ternura, deixa neste blog historico seu eterno agradecimento pela aula de saudade...
em shalom,
Adolfo Berditchevsky,
de Israel.

anderson disse...

que blog lindo,um dos melhores que ja vi falando od nosso rio de janeiro,cara,vc me proporcionou momentos de extrema alegria em conhecer ainda mais a nossa cidade,sem mais...
lindo,parabens!

Suely disse...

Passei minha infância na Rua da América. Brincava na vila do número 41. Muita saudade despertada por seu blog nessa incurssão ao passado, vagando pelas ruas de Santo Cristo.

iara cruz disse...

Que legal encontrar gente que morou no Morro do Pinto. Vivi no 102 da Rua do Pinto até meados dos anos ssessenta. Continuei visitando o lugar até meados de oitenta e agora estou de volta, tentando ajudar pessoas que vivem naquela área, hoje muito degradada. Na General Mitre tinha um garoto, de nome Ivo, que me chamava de "meio quilo de osso furado". Seria v.??? Não se preocupe, nunca senti raiva dele por isso. Aliás, ele tb. fez o primeiro elogia que recebi de alguém na vida: "puxa, como v. está bonita, meio quilo".E a Conceição, em que época v. viveu por lá? Fiquei emocionada com a elegância do seu texto. Só quem viveu ali pode entender. Vamos fazer contato. Quem sabe nos conhecemos?
abs
iara

iara cruz disse...

Aliás, estou fazendo um jornalzinho com as crianças do Nabuco. Vs. teriam algumas dessas fotos para nos ceder?
abs

Ivo Korytowski disse...

Oi Iara, eu não sou o Ivo que você conheceu lá no Morro do Pinto, nunca morei lá, mas a Conceição foi criada ali e quem sabe você a conheça? Escreva para ela. O e-mail é guilhon@plugue.com.br E obrigado pelo comentário!

Vinicius Vaitsmann disse...

Como é bom saber que outras pessoas que não moram mais aqui,guardam uma lembrança boa deste lugar.A sensação que eu tenho é de que as coisas aqui permanecem por gerações, sou nascida e criada no Morro do Pinto,e tb passei minha infância comendo balas , toff e a dos bonequinhos rosas,da beringh ,brinquei de pique e comprei pipas nos armazenm do seu Horlando(esquina da Capitão Sena).Um aprendizado de mulecagem que meu irmão de 10 anos faz e que meus pais, tb daqui, fizeram...Poder vivenciar e compartilhar isso é muito especial, porque nem todos tiveram essa oportunidade.Meus vizinhos parecem familiares,a vó de seus amigos tb é a minha vó, a malcriação e o sermão são os mesmos,passados por conversas nas portas das casas no calor do verão das ferias escolar.Tenho 27 anos de Morro do Pinto e pretendo envelhecer aqui, trocando experiências com os meus filhos, muitos emprestados das minhas amigas.Obrigada por divulgar meu morrão e o "Tio" Omar é legal pena que ele não vende fiado! rsrsrs

Vinicius Vaitsmann disse...

Ops!Meu nome é Adriana e esse ai do Email é meu marido que agora mora aqui!

Ignêz Schmidt disse...

Ignêz Schmidt, mas todos me conheciam como Irene.
Excelente, estava contando ao meu filho sobre a minha infância no Morro do Pinto. Morei em três ruas, Rua Sara, Carlos Gomes e Pedro Alves, morei até aos quatorze anos. Minha mãe se chamava Albertina Schmidt, conhecida como Tita, ela que morou bastante tempo lá, mas gostaria tanto rever as pessoas daquela época pessoas que conheceram minha mãe, seria muito bom, saber mais sobre minha mãe.Se alguém puder trazer um pouco dessas recordações, ficaremos muito gratos

bells disse...

Oláaaa, eu estava buscando na internet e achei seu blog.
Adorei tudo o que escreveu e postou sobre o Morro do Pinto. Nasci e cresci lá, meu Pai até hoje mora lá. Tem uma foto da casa da Minha falecida Bisa tbm ( na saldanha Marinho) eu amo aquele lugar, tive a infância mais perfeita q poderia. Muito bom relembrar.

Abraços

Elizabete Gomes

Matheus disse...

"Segundo informação de morador atual, tal evento permanece até hoje, apenas terminando em outro local. O clube não mais existe. Hoje é residência."

Meu pai é o atual morador dessa casa xD

Hanrrikson de Andrade disse...

Olá,

O relato está excelente. Moro no Santo Cristo desde criança, na Rua Farnese nº 38, a primeira casa após o terreno baldio, logo no começo da ladeira. Minha residência foi originalmente construída em 1874 (ano anterior ao início da ocupação do antigo Morro do Nheco) e também é tombada pela Prefeitura. Aliás, 80% das residências nas ruas e travessas mais tradicionais são tombadas e muitos dos seus moradores sequer sabem disso. A Escola General Mitre, por exemplo, na qual todos os meus amigos de infância estudaram, conserva até hoje os grilhos onde os escravos eram presos (já que ali funcionou um antigo engenho). Como não temos aqui um centro cultural ou qualquer iniciativa de resgate da história do bairro, tais informações só chegam aos moradores por meio da transmissão de conhecimento no âmbito familiar, de avô para pai, de pai para filho e assim por diante. Aqui também há uma forte ligação com a história do samba, enfim, há muita a coisa a ser resgatada. Parabéns pela iniciativa!

Marcello Perri disse...

Caro Ivo,

Sou Marcello Perri, a cada leitura de cada parte da matéria me remeteram a um saudosismo como se tivesse passando um filme antigo na minha cabeça, tenho 42 anos e morei na rua Dr. Piragibe, nº 33 aptº 105 até me casar em 1993; confesso que tinha uma ponta de inveja dos meus amigos que moravam nos casarões e tinham um grande espaço para brincar, como morava em prédio, o espaço que tinha era os corredores, onde escutei muitas “reclamações” no bom sentido, das minhas saudosas vizinhas; minha tia Antonieta, a D. Mindoca e da Sheila quando espalhava brinquedos ou andava de carrinho Velotrol pelos longos corredores.
Joguei muita “pelada” descalço nas ruas de ladeira e paralelepípedo, de vez em quando voltava pra casa com uma unha faltando, a gente sempre improvisava nas brincadeiras, chegava a jogar 6 chutes ou rebatida, como queiram, no final da rua nos largos patamares das escadarias que levam até a rua Pedro Alves e a Leopoldina, também brincávamos de piques e outras tantas...
Somos de uma época onde os vizinhos se preocupavam com o bem estar dos outros e ajudavam um ao outro, inclusive na criação ou orientação, chamando atenção da mulecada mais afoita, os pais não se preocupavam, era uma época de inocência sem maldade.
O local foi habitado por famílias tradicionais Italianas e Portuguesas e muitas pessoas se conheciam e casavam entre essas famílias mantendo os laços tradicionais que se perderam ao longo dos anos.
A Conceição não comentou, mas existia um clube chamado Dramático fundado em 1925, que teve seu auge nas décadas de 50, 60 e 70, onde tinha um time de futebol de salão quase imbatível e que segundo meu Pai, teve grande influência no cotidiano dos moradores com bailes de carnaval e bailes com grandes conjuntos e artistas da época, como: Lafaiete, The Pop’s, The Fevers e outros, assim como era o tradicional circuito do Morro do Pinto, era patrocinado pelo S. C. Dramático e não pelo clube de Maio e prêmios doados pelos moradores do bairro.
Meu Pai Francisco Perri (foi morador 56 anos do bairro)e outros de sua geração ainda freqüentam o local e tem fotos e grandes histórias do passado, como os blocos carnavalescos Eles Que Digam e Independente do Morro do Pinto, o bloco do Moreira, o bloco da Onça (não confundir com o Bafo da Onça) um dos mais antigos da Cidade do Rio de Janeiro, assim como também existia o bloco Ala da Saudade do qual organizava por vários anos grandes festas juninas no bairro, outro clube que também teve grande importância no cotidiano do bairro foi o S. C. Del Mare.

Abraço

Marcello Perri

Mauro disse...

Morei no morro do pinto por 22 anos e minha família ainda mora por lá,que viagem fiz agora aqui no blog,sensacional!!! morei na rua carneiro leão,deveriamos fazer mais reportagens sobre o bairro.

Jesuscomacento disse...

Viajei no tempo com as fotos. Lá na Rua Saldanha Marinho ainda tem um açougue, onde o "Seu" Jésus, meu pai, está pagando os últimos pecados rsrs...

Fica aquela impressão de que o tempo parou, e que até a folha caída de uma árvore para no ar entre um suspiro e outro.

Morei na Carlos Gomes 117, e muitas coisas que coloquei na mochila das minhas vivências aprendi por ali.

Valeu!

Jorge Paulo disse...

Muito bom Ari!

Nasci na rua Vidal de Negreiros 29 em 1943 e morei tambem no 53.
Tenho excelentes lembranças do local, pois foi ali que conheci e me casei com a Beth, a bela e adorável dentista do lugar, vascaina doente!!

Senti falta de informações sobre notáveis que nasceram no local tal como Ernesto Nazareth, pianista e compositor de "Tangos Brasileiros" como "Odeon", "Brejeiro", "Ameno Resedá", "Bambino", "Dengoso", "Travesso", "Fon Fon", "Tenebroso" etc. obras normalmente utilizadas na formação de musicos populares e eruditos. Ele foi o demarcador dos rumos para o Choro.
Ele nasceu ali na rua Vidal de Negreiros em 20 de março de 1863 antiga Rua do Bom Jardim nº9.
Para maiores informações sobre a obra do antigo morador do morro do Pinto consultem www.ernestonazareth.com.br para que possam ouvir suas composições e saber o quanto foi importante a sua contribuição para a formação musical do povo brasileiro.

Obrigado pelas boas lembranças.

Juca do Vidal
beletati@uol.com.br

Luciana Branha disse...

Nossa!!! Fiz uma viagem no tempo vendo todas essas fotos.
A casa sa minha bisa na Saldanha Marinho, a "Fortaleza da Rua Sara" que nós chamávamos de castelo e todo ano tinha festas de dia das bruxas...
Soó faltou ver a Rua Mariano Procópio, onde nasci e cresci.
Quantas lembranças... Muito bom ver isto!!! Hoje moro em Salvador e sinto muitas saudades desse lugar!

Maria das Graças disse...

Muito obrigada pelos maravilhosos momentos que passei ao visitar o blog com as fotos do Morro do Pinto.
Nasci na Rua Carlos Gomes, 403 onde residiam meus pais, na casa de minha avó. Este número é bem próximo ao terreno onde existiam os enormes tambores da Shell.
A casa da minha avó ficava no terceiro nível, para baixo, porque o prédio tinha três andares, sendo que a casa que dava para o nível da rua era a mais bonita, toda avarandada em sua volta.
Todo o prédio, como quase todo o Morro do Pinto no início e meados do Século passado, era habitado por portugueses e suas famílias.
Muitos portugueses, quando chegavam ao Rio, sem conhecerem nada da cidade, instalavam-se nas proximidades do Cais do Porto, pois que chegavam aquela época em navios. E uma grande maioria deles começou a vida por aqui trabalhando como Estivadores, Carregadores e outros trabalhadores do Porto.
A casa em que morávamos era formada por terrenos em diversos planos, que eram os nossos "quintais" e eles ficavam bem em frente à chaminé da Fábrica Bering.
Eu adorava sentir o cheiro do café, do chocolate e de todas as delícias que ela exalava.
A partir do nível em que morávamos havia uma longa escadaria de tijolos vermelhos e por ela se chegava à Rua Brito Teixeira, depois à Rua Tília e finalmente à Rua Orestes, onde morava meu tio, que tinha uma pequena fábrica e loja de sapatos.
Desde 1985, quando minha avó faleceu, nunca mais voltei lá.
Quantas saudades e quanto emoção os comentários e as fotos de vocês me trouxeram.
Fui batizada na Igreja de Santo Cristo dos Milagres e mesmo quando meus pais se mudaram eu sempre passei minhas férias e fins de semana lá no querido Morro do Pinto.
Eu circulava por todas essas ruas que vocês citaram. Foi um presente emocionante o que esse blog me trouxe.
Obrigada. Parabéns!
Atenciosamente, Maria das Graças (comentário enviado por e-mail)

Antonio de Souza Garcia disse...

Viajar no tempo é maravilhoso. Principalmente quando podemos recordar a infância. E uma infância gostosa, onde podíamos brincar nas ruas, sem medo de atropelamentos, onde nós mesmos fazíamos nossos brinquedos. Carrinho de rolimã, patinete, etc. Nasci na rua Atília (em 1936 - Antonio Garcia - o Tuninho) e minha irmã (Berenice Garcia, em 1934 na rua Sara. Filhos de Brazilina (chamada de Dona). Dona Leonor foi a nossa parteira. Posteriormente nos mudamos para a rua Pedro Alves 267, e lá ficamos até 1950, quando mudamos para Vila Isabel, quando eu tinha quatorze anos. Fui batizado na Igreja de Santo Cristo, onde também fiz a Primeira Comunhão. Lembrar a rua da América (onde morou D. Elisa e Sr João, amigos de minha mãe), da rua João Cardoso, esquina de Pedro Alves, onde morou Margarida, minha primeira namorada. MontÁlverne, etc, não é só um exercício de memória, é viver novamente um passado maravilhoso e lamentar que nossas crianças de hoje em dia não tenham a mesma oportunidade que tivemos. Na Rua Pedro Alves, em frente ao 267, onde morei, havia um espaço, chamado na época de Larguinho, onde jogávamos futebol e brincávamos as brincadeiras da época. Em frente havia a casa do antigo Abrigo de Bondes, residência da Dona Carmela. Muito obrigado por me ter dado essa oportunidade de rever um pedaço de meu passado, de minha infância e um abração a ambos. Antonio Garcia

Luiza disse...

Que delícia de viagem acabei de fazer. A emoção é tanta que as palavras chegam a engasgar na garganta. Fiz um passeio em cada foto, em cada comentário. Nasci na Barão de Angra..Alguém sabe a localização? Meus avós moravam na Mariano Procópio e a casa tinha duas entradas, podia-se entrar tb pela Saldanha Marinho. Estudei no General Mitre e fiz primeira comunhão na Montserrat com o padre Atílio. Eu e meus pais morávamos na rua da América 140. Meus amigos eram todos perto da casa de minha avó, por conta disso eu não saia de lá. Desfilava no Independente do Morro do Pinto e adorava quando tinha a corrida, era um evento aguardado por todos. Uma verdadeira festa!! Lembranças que jamais foram esquecidas. Os bate papos na porta de casa..o primeiro namorado..as missas de domingo..Fecho os olhos e me vejo naquela época. Parabéns pelo blog...é um carinho para os nossos corações!!

Antonio Garcia disse...

Luiza, que bom que vc tb viajou no tempo e reviu o seu passado. Recordar, realmente, é viver. Lembrar, principalmente, de nossas infância, aquela infância que não existe mais nas grandes cidades, onde o PC, o celular mantém as crianças longe do mundo real, é maravilhoso. Lembre que citei tb a rua da América, onde morava a D. Elisa. Não lembro mais o nr da casa dela. Mas lembro que era naquela calçada alta.

Madame Formosa disse...

NOSSA EU SEU QUE É O SENHRO DO AÇOGUE E PADRINHO DO MEU IRMÃO E MEU.
ACHEI QUE ELE TINHA SE APOSENTADO.
SOU MUITO GRATA AO MEU PADRINHO QUANTAS VEZES AJUDOU MINHA MÃE SUBRINSO NOSSAS NECESSIDADES.MINHA MÃE CONTA QUE MINHA AVÓ CELESTE FOI UM AMIGO QUE ELA DEIXOU DE HERANÇA PARA MINHA MÃE UM AMIGO VERDADEIRO.
SAUDADES. TE AMO PADRINHO IREI TE VISITAR.

Alexandre do Carmo disse...

POR ALGUM MOTIVO QUE AINDA NÃO SEI, MAS DESCONFIO, FIQUEI EMOCIONADO AO LER E VER ESSAS FOTOS, E CONSTATAR QUE O NOME "MORRO" NÃO É SINÔNIMO DE TRÁFICO E VIOLÊNCIA.
É ALGO MUITO MAIS ESPECIAL, ENCANTADOR, LÚDICO DE UMA ÉPOCA QUE INFELIZMENTE NÃO VOLTA MAIS.
PARABÉNS E MUITO OBRIGADO POR NOS APRESENTAR UM RIO DE JANEIRO QUE NÃO INTERESSA AS EMISSORAS DE TV ABERTA, MAS INTERESSA E MUITO AOS QUE AMAM ESSA CIDADE E SUA HISTÓRIA MARAVILHOSA.
MUITO OBRIGADO!!!

Caio Motta disse...

O Circuito do Morro do Pinto era promovido pelo S.C Dramático e patrocinado pelo jornal dos esportes,era o circuito que oferecia o maior número de prêmios aos seus participantes.Na rua Mont'Alverne 39 existia a União Beneficente 3 de Maio nosso Morro do Pinto de Herminio do Internacional de Porto Alegre e Jefinho o maior jogador do Departamento Autônomo.

Caio Motta disse...

Valeu Marcello Perry,filho do grande amigo do meu pai,Francisco Perry,foi muito bom ler oque você disse a respeito do nosso Morro do Pinto do S.C Dramático,time de futebol de salão quase imbatível,seu pai Chico era o goleiro junto ao seu tio Bruno.
O nosso Circuito do Morro do Pinto que nós moradores trabalhávamos muito para que tudo desse certo.Não podemos esquecer Almir Pereira que trabalhava muito para que tudo corresse bem.
Podemos falar dos bares:do Sr.Angelo e do Sr.Manduca que comíamos muitos doces e sorvetes.
A barbearia do Liliu na rua Sara(esquina com Mont'Alverne)cortava nossos cabelos com ou sem dinheiro.
A Prof° Dona Ester educadora da molecada do morro nas décadas de 40 e 50.
Um Abraço do meu PAI JAIMINHO a todos do Morro do Pinto.
"Onde a natureza se torna mais bela."

ANTONIO GARCIA disse...

A cada comentário que leio a saudade fica mais intensa. Morei lá até os quatorze anos de idade. Eu nasci na rua Atília e minha irmã Berenice na Rua Sara. Depois mudamos para a Pedro Alves, 267, que não existe mais, em frente ao que chamávamos de Larguinho, que na minha imaginação de criança era enorme. E anos depois, quando lá voltei, vi como era pequeno. E tinha a casa da D Esmeralda, onde era o antigo abrigo dos bondes puxados a burro. Lembro do Democrático onde minha irmã, mais velha que eu, dançou algumas vezes. E, como foi dito acima, como é bom saber que "morro" não significa bandidagem, marginais. Nos meus 78 anos lembro com muita nostalgia o tempo feliz em que brincava na rua, sem medos.

Caio Motta disse...

Ps:Corrigindo o Bruno não é tio do Marcello Perry é primo

Marilane disse...

Olá, adorei a reportagem!! Minha família toda veio do Morro do Pinto, tanto por parte de pai quanto de mãe. Meus pais inclusive, casaram-se nesta igreja, de MontSerrat. Frequentei muito quando visitava familiares, quando criança.
Ainda hoje tenho familia lá (Sr. Nelson Protético), mas quanse não vou lá mais...
Bom, meu bisavô era conhecido no morro, pois ele criou um "cinema" improvisado para passar filmes para os moradores, que na década de 40/50 nem tinham televisão. O nome dele era Alvaro Teixeira Sobrinho. Meu pai (seu neto)já é falecido e gostaria muito de mais informações sobre a minha família que lá viveu.
Obrigada a quem puder me ajudar.

Sérgio disse...

Olá amigos, boa tarde!
Lendo a matéria vi que alguns aqui conhecem o Sport Club Dramático.
Este clube participou do Campeonato Carioca do Departamento Autônomo
nos anos 50.
Gostaria de saber se alguém teria uma foto, flâmula ou documento
que possibilitasse que redesenhasse o escudo desta agremiação??

Desde já obrigado!

Rodrigo Vellardo disse...

Um pouco longe, a Ladeira do João Homem é no Morro da Conceição.

Eliza Maria disse...

Morei por 30 anos na rua Nabuco de Freitas,numero 75,rodei todas as ruas mencionadas quando era moleca e tenho saudades desse bairro.Frequentei muitas festas juninas na igreja do MontSerrat e ia muito a área de lazer,hoje revitalizada.
Lá fiz amigos,e até hj tenho contato com eles e tenho saudades da minha infância nesse bairro.Infelizmente minha casa na Nabuco,antes tombada agora não existe mais.
Mas foi muito bom rever essas ruas e matar saudades.
Minha infância e adolescência foram muito boas nesse bairro.
Foi a melhor parte da minha vida e que até hoje lembro com muito carinho

Michele Silva disse...

Olá, sou nascida e criada nesse bairro. Hoje tenho 33 anos, nasci na Rua Barão de Angra, onde minha mãe morava com meu pai na casa de minha tia Zefa(Josefa) e do meu tio Chico(Francisco) que estava sempre com vários cachorros a sua volta. Tempos difíceis, mais inesquecíveis. De lá saímos para morar em outro bairro: Rocinha, por onde passamos pouquíssimo tempo e voltamos para o bairro novamente. Moramos na Rua barão de Angra, Na Vila no final da Rua Silva Baião, enfrente a escola General Mitre - Vila essa que a mim, a minha irmã e aos meus amigos: Ivan, Vanessa, Teco e Diego, parecia tão enorme e tão deliciosa. Lembro-me de nossas brincadeiras na rua onde carro não tinha como entrar, lembro ainda que éramos sempre cuidados pelo seu Milton e sua esposa Noemi, que hoje habitam o reino dos céus. Como éramos felizes, nossas brincadeiras de pique esconde e pique alto, e no carnaval, mexíamos com os bate-bolas que passavam e que muito revoltados, queriam nos pegar na vila, mas tínhamos sempre um adulto por perto para nos defender. Sempre fui a menininha branquela de cabelos em pé e com um sorriso no rosto que ia nas vendas, do seu manel, do seu Orlando, do seu domingos... de lá fomos morar na Rua Farnese, bem perto do clube do independente. Tempos depois case e fui morar no beco da escadinha, esquina com a Rua Farnese, me separei e fui morar na Rua Farnese, bem perto do antigo bar do seu domingos, hoje conhecido, como o bar do Carlinhos. Hoje não moro mais lá,(há exatamente 6 anos) mais continuo no bairro, só que perto do nosso antigo Hospital da Gamboa. Mas rever todas as fotos e ouvir nossa historia, nos deixa muito saudosos e felizes, por saber que fazemos e fizemos parte de tudo isso. Amo esse bairro e as pessoas que nele habitam. Acredito, que nunca existirá nada igual, e tão saboroso, quanto nossa historia e esse lugar maravilhoso.

Obrigada por esse presente!!!

Maria Helena Teixeira Quinze Dias disse...

Ai, que viagem...morei lá por alguns meses com minha avó (1950), só q de outro lado -na R.Nabuco de Freitas. 158-casa 5 (numa vila q fazia fronteira à subida do morro, próxima de outra rua Travessa S.Diogo, que terminava num muro onde passávamos à linha férrea...tinha um rancho (moda na época), que eu via os ensaios (escondida) e qdo.minha avó descobria o tamanco cantava...sentávamos à entrada da vila pra apreciar o Rancho Unidos do Morro do Pinto com suas cabrochas vestidas de libélulas, com asas enormes que se moviam naquela musica dolente, muito iluminadas,coloridas...ah, que bom lembrar...a música era (parte)...Unidos do Morro do Pinto/com suas pastoras galantes/brincando pela rua o carnaval/prestando homenagem/a esta grande capital...,tinha à esquerda, outra travessa (viela) com a quitanda da d.Jorgina...a padaria em frente...à esquerda à saida da vila, uma casa onde morava uma sra.que tinha duas filhas lindas (pareciam estrelas do cinema), uma delas casou com um jogador do América na época (um homem lindo) e algum tempo depois ia visitar a mãe num carro enorme, capota arriada (importado diziam), que tb depois se separou dele e ele vivia feito mendigo andando pelas ruas e eu ñ entendia nada...e os + velhos ñ falavam disso com crianças...tinha uma passarela enorme de larga na R.Marques de Sapucaí q nos deixava na Pres.Vargas, tinha uma outra passarela (bem menor, mais nova) q também nos levava à mesma Pres.Vargas, acho que o prédio era a Cia.de Carris (se ñ estou enganada), ao Hospital S.Francisco, agora sofrendo reparos...ai q saudade, muita saudade...aos domingos subia aquelas ladeiras pra ir à missa (?) e ficar namorando à distância o coroinha q tinha uma namorada, fiz meu catecismo naquela igrejinha e a comunhão, obrigado pelas lembranças! Trabalho bonito, resgatando histórias de quem ainda as pode contar...

JMauro disse...

Nosssaaaa!!! Viajei e muito. Morei na rua Doutor Piragibe. Rua Monte Alverca. Na rua João Cardoso e, na rua Conselheiro Leonardo. Isso nos anos 60 até 74. Alguém se lembra do bar do seu Augusto que ficava de esquina entre as ruas Doutor Piragibe e Saldanha Marinho? E o armarinho do seu Alberto? Apelidos: Gulu; Dechi Nanoto; Peru; Sérgio Vaca Preta; chulé ou Tringueleta; Batata e seu irmão Osvaldo; Fererê e seu irmão Marinho; Zeca? Todos moravam nas ruas Conselheiro/Sadanha e Dour Piragibe.
E o Dramático? Eu fui o goleiro principal do futebol de salão do Dramático dos anos 71 a 73. Nosso time era imbatível.
Estudei na Escola General Mitra. Na época a diretora era a dona Lia. Professoras: dona Marilene; dona Teresa. Naquela época fazia sucesso o arroz com peixe preparados com baixa carinho pelas merendeiras. Ufa! É nostalgia demais!!! Brincávamos de polícia e ladrão. Pique ajuda. Pique tá. Pino. Pique esconde. Pique baleia. Bafo. Bola de gude. Pipa (soltava pipa no terraço do Dramático). Também íamos pegar baitolinha na garagem da Central. E o Morro do Kingong? Delmaré, ééé!!! Legal! Caso alguém lembre-se dos apelidos e nomes, post aqui. Eu sou Mauro, apelidado naquela época de chulé e Tringueleta. Forte abraço a todos.


Mauro Vieira disse...

Só hoje descobri esse blog. Ivo é o que morou na Carlos Gomes? Sou neto da D. OLIVIA e filho do Mário que foi goleiro do Dramático, contemporâneo do Jorge não que jogou no América. De lambuja, sou sobrinho do Áureo que jogou no Bangu. Eu joguei com o Coronel e o Sabará, no CAMPINHO da Farnese, onde nasci e me criei. Fui Sacristão na gestão da D. Mercedes .... duríssima! kkk Good Times, apesar de ter carregado muita água!!!!

Ivo Korytowski disse...

Mauro, obrigado por visitar o blog. Eu não sou o Ivo que morou na Rua Carlos Gomes!

Gustavo Rossi disse...

Muito bom! Se puder postar um pouco da história da praça Afonso Pena eu ficarei muito grato. Abs

Anônimo disse...

estou a proucura da familia oliveira que a 40 anos atras moravam na rua farneze n 64 morro do pinto. proucuro pelos os filhos de Armando de oliveira e Maria de oliveira, que se chamam maria gloria de oliveira, Jorge de oliveira e valdir de oliveira. pois estou cuidando do senhor wilson de oliveira que veio morar em vitoria ES a 40 anos atras e hj esta muito idoso e sem documentos preciso de informaçaes da familia dele.
preciso de uma nova certiadao dele.e nao acho o cartoria de quem nasceu e foi registrado em 1937. agurdo alguem com alguma informaçao.

Anônimo disse...

meu nome no FACEBOOK é ozzylopes Estou a proucura da familia oliveira que a 40 anos atras moravam na rua farneze n 64 morro do pinto. proucuro pelos os filhos de Armando de oliveira e Maria de oliveira, que se chamam maria gloria de oliveira, Jorge de oliveira e valdir de oliveira. pois estou cuidando do senhor wilson de oliveira que veio morar em vitoria ES a 40 anos atras e hj esta muito idoso e sem documentos preciso de informaçaes da familia dele.
preciso de uma nova certiadao dele.e nao acho o cartoria de quem nasceu e foi registrado em 1937. agurdo alguem com alguma informaçao. ctts (27)99840 0822 VitoriaES
ALGUEM ME AJUDE POR FAVOR