IGREJAS HISTÓRICAS DO CENTRO DO RIO (Parte 1)

O projeto original é atribuído ao Engenheiro Militar Francisco José Roscio. A igreja, que constitui hoje, obra predominante do século XIX, com três naves, transepto [nave transversal], cúpula no cruzeiro e ampla capela-mor. Podem ser assinalados três períodos de obras: barroco - fachada e transepto; neoclássico - cúpula e decoração interior; eclético - corredores laterais.
Durante todo período do século XIX em que sofreu reformas, nelas atuaram vários arquitetos e engenheiros, tendo sido as obras de escultura, inclusive balaustrada, encomendadas em Portugal. Na fachada principal, observamos grandes espaços revestidos de pedra de cantaria, além do emolduramento das portas, janelas, do frontão triangular, pilastras aparentes, a cimalha e, ainda, de detalhes ornamentais acrescidos. O coroamento bulboso das duas torres sineiras é revestido por azulejos. Destacam-se a grande cúpula do cruzeiro, projetada pelo Engenheiro Gustavo Waenhneldt e concluída em 1877, as oito esculturas em mármore branco, esculpidas em Lisboa e localizadas à volta do tambor da cúpula. As portas da Igreja, uma principal e duas laterais, são em estilo Luís XV, em bronze, esculpidas por Teixeira Lopes e representam uma alegoria ao Santíssimo Sacramento. O espaço interno da Igreja é formado por planta em cruz latina. No ano de 1878, foram acrescidas duas naves laterais pelo Arquiteto Antônio de Paula Freitas. O revestimento das paredes e os altares foram realizados em mármore, evidenciando influência da arte italiana. Os púlpitos foram feitos em bronze pelo escultor Rodolfo Pinto do Couto e inaugurados em 1931. A decoração da cúpula foi realizada em fins do século XIX, com pinturas de João Zeferino da Costa e estuques de Alves Meira. (Texto obtido no site do IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - na foto antiga, de Marc Ferrez de 1885, observe que a Candelária era a construção mais alta da cidade.)





De sua imaginária destacou-se a imagem de São José (foto) procedente da França e doada à Irmandade pelo Comendador José Pinto de Oliveira, em 1884.






A fachada da Igreja foi realizada ao feitio da famosa igreja dos jesuítas (Igreja de Gesù), construída no século XVI em Roma, Itália. Apresenta, como aquela, frontão triangular e volutas laterais [ornatos em forma de espiral], tendo uma grande janela centrada ladeada por pilastras [pilares semi-embutidos na parede] e grandes nichos com estatuas de santos. No piso térreo, a grande portada, formada de arco entre colunas que sobressaem, é ladeada por nichos e pilastras. É de grande beleza a combinação de granito dos elementos estruturais com os mármores de lioz dos capitéis, embasamentos, molduras e esculturas, aplicados todos sobre o fundo liso da alvenaria caiada. A torre sineira não compõe a fachada principal, mas localiza-se nos fundos da Igreja.
A Igreja apresenta um plano de nave única e capela-mor profunda, ladeada por corredores, que terminam na sacristia e no consistório. O interior é revestido de talha em duas fases. A primeira, mais antiga, refere-se à capela-mor e apresenta elementos de feição rococó, sendo atribuída, em parte, à Mestre Valentim. No entanto, em conseqüência do incêndio ocorrido em 1923, a talha destruída parcialmente foi substituída por estuque. A segunda fase refere-se à talha realizada em meados do século XIX, por Antônio de Pádua e Castro e está localizada na nave da igreja, incluindo o coro.



A fachada da Igreja é constituída, na parte inferior, por uma galilé [espaço de transição entre o frontispício e as portas de acesso à nave] formada por três arcos. A parte superior da fachada é o resultado de reformas realizadas a partir de 1869, segundo projeto de Antônio de Pádua e Castro que lhe deu um aspecto clássico. Apresenta-se composta por três grandes janelas, com guarda-corpo de mármore trabalhado, encimados por nichos com estátuas de São Bernardo e Santo Adriano, procedentes de Lisboa. Entre os dois, há um medalhão de mármore trabalhado representando a coroação da Virgem, encontrado em escavações realizadas no terreno. Frontão triangular, com torre de mármore substituindo a original, destruída por uma bala de canhão [foto inferior] durante a Revolta da Armada em 1893. A fachada conta ainda com um relógio e, na torre, o mais antigo carrilhão por música da cidade.
O plano da nave é oval e da capela-mor retangular, ambas apresentando cúpula com lanternim [pequena torre curva sobre os telhados com função de iluminação]. A decoração interior foi realizada em dois momentos; numa mais antiga, de fins do século XVIII princípios do XIX, que corresponde ao retábulo [estrutura ornamental engastada na parede atrás do altar] da capela-mor e ao arco cruzeiro [arco que separa a nave da capela-mor], com elementos característicos do rococó. Outro momento, que está compreendido por volta de 1870-1872, relaciona-se às obras de estuque realizadas por Antônio Alves Meira ornamentando as cúpulas da nave e capela-mor e aos trabalhos executados por Antônio de Pádua e Castro para os retábulos da nave, púlpitos e coro.





Com três portas de entrada, a Igreja, de capela-mor e nave única, é coberta por abóbada de berço [cilíndrica] e apresenta capelas laterais profundas. Toda obra de talha rococó é atribuída ao Mestre Inácio Ferreira Pinto, destacando-se a parte que reveste o arco cruzeiro, culminando com um dossel e com um emblema do Carmo. Durante o reinado de Dom Pedro I, recebeu nova fachada, construída de acordo com o risco do arquiteto Pedro Alexandre Cavroé. O exterior foi alterado outras vezes [a última no início do século XX, quando recebeu a torre alta que vemos na foto abaixo]. Na sua planta, segundo Araújo Viana, predominou a forma da cruz latina, que, no Rio de Janeiro, só existem nela e na Candelária.





Fotos do editor do blog, exceto a foto antiga, cujo autor desconheço. Textos obtidos no site do IPHAN (exceto as observações entre chaves). Esta é a primeira de uma série de postagens que prepararemos aos poucos - em ritmo de obra de igreja! - sobre as igrejas históricas do Centro do Rio de Janeiro.
Marcadores: igrejas



4 Comments:
Prezado Professor Ivo:Eu li e reli a postagem sobre "IGREJAS HISTÒRICAS DO CENTRO DO RIO(PARTE 1)" várias vezes!
BELÍSSIMA POSTAGEM!!!PARABENS!
Siomara de Cássia Miranda
Sobre as Igrejas Históricas realmente está "show".
Parabéns.
Maria de Fátima.
Caro Ivo,
Seus posts são excelentes. Sempre muito completos. Uma verdadeira aula sobre o assunto. Gosto muito de fotos de igrejas. Aqui em São Paulo já tive a oportunidade de conhecer algumas, que por sinal, são muito bonitas também.
Ivo, adorei essa matéria sobre as igrejas. Depois de concluir a minha pós em Brasil pretendo fazer Guia Turístico, e esse seu meu artigo me servira muito. Gosto muito de fazer minhas postagens com fotos do Rio tiradas por mim. Se vc se interessar, qualquer dia desses podemos selecionar um objeto de estudo e sairmos com a máquina para fotografar e postar em nossos blogs.
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