7.7.08

IGREJAS HISTÓRICAS DO CENTRO DO RIO (Parte 1)

IGREJA DE NOSSA SENHORA DA CANDELÁRIA
Praça Pio X


A Irmandade de Nossa Senhora da Candelária foi instituída na antiga Matriz de São Sebastião, localizada no Morro do Castelo. Durante a primeira metade do século XVII, no mesmo local onde hoje se encontra foi erguida a primitiva capela, que no ano de 1768 encontrava-se em ruínas. A atual Igreja apresenta um aspecto similar à Basílica da Estrela, localizada em Lisboa. Teve sua construção iniciada em 1775, estendendo-se até o século XIX. Em 1811, foi celebrada a primeira missa e somente em 1898 foi inaugurada com as novas obras complementares.

O projeto original é atribuído ao Engenheiro Militar Francisco José Roscio. A igreja, que constitui hoje, obra predominante do século XIX, com três naves, transepto [nave transversal], cúpula no cruzeiro e ampla capela-mor. Podem ser assinalados três períodos de obras: barroco - fachada e transepto; neoclássico - cúpula e decoração interior; eclético - corredores laterais.

Durante todo período do século XIX em que sofreu reformas, nelas atuaram vários arquitetos e engenheiros, tendo sido as obras de escultura, inclusive balaustrada, encomendadas em Portugal. Na fachada principal, observamos grandes espaços revestidos de pedra de cantaria, além do emolduramento das portas, janelas, do frontão triangular, pilastras aparentes, a cimalha e, ainda, de detalhes ornamentais acrescidos. O coroamento bulboso das duas torres sineiras é revestido por azulejos. Destacam-se a grande cúpula do cruzeiro, projetada pelo Engenheiro Gustavo Waenhneldt e concluída em 1877, as oito esculturas em mármore branco, esculpidas em Lisboa e localizadas à volta do tambor da cúpula. As portas da Igreja, uma principal e duas laterais, são em estilo Luís XV, em bronze, esculpidas por Teixeira Lopes e representam uma alegoria ao Santíssimo Sacramento. O espaço interno da Igreja é formado por planta em cruz latina. No ano de 1878, foram acrescidas duas naves laterais pelo Arquiteto Antônio de Paula Freitas. O revestimento das paredes e os altares foram realizados em mármore, evidenciando influência da arte italiana. Os púlpitos foram feitos em bronze pelo escultor Rodolfo Pinto do Couto e inaugurados em 1931. A decoração da cúpula foi realizada em fins do século XIX, com pinturas de João Zeferino da Costa e estuques de Alves Meira. (Texto obtido no site do IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - na foto antiga, de Marc Ferrez de 1885, observe que a Candelária era a construção mais alta da cidade.)







IGREJA DE SÃO JOSÉ
Av. Presidente Antônio Carlos, altura da Rua São José (em frente ao Edifício Garagem)


O templo dedicado a São José teve sua origem em uma pequena ermida construída em 1608 pelo ermitão Egas Muniz. Em 1807, a Irmandade de São José deu início às obras da atual Igreja sob a responsabilidade do Mestre Félix José de Souza, substituído, em 1815, pelo arquiteto do Paço, João da Silva Muniz, sendo inaugurada em 1842. A igreja de estilo barroco tardio possui nave única e corredores laterais onde se localizam um púlpito e três tribunas. Na capela-mor tem abóbada semelhante à da nave, e possui duas tribunas por banda. Seu interior é decorado com talha de estilo rococó de autoria de Simeão de Nazaré, discípulo do Mestre Valentim. Em seu frontispício pesado predominam os elementos horizontais de cantaria, compostos pela cimalha [arremate superior saliente da fachada], pelo embasamento das duas torres sineiras e do acrotério central. Numa delas está instalado o famoso carrilhão, ali existente desde 1883.

De sua imaginária destacou-se a imagem de São José (foto) procedente da França e doada à Irmandade pelo Comendador José Pinto de Oliveira, em 1884.







IGREJA DE SANTA CRUZ DOS MILITARES
Rua Primeiro de Março, 36


A primitiva capela foi construída entre os anos de 1623 e 1628, no local onde anteriormente havia sido erguido o Forte de Santa Cruz, em princípios do século XVIII. A partir de 1780, deu-se início à construção da atual Igreja, segundo projeto do Engenheiro Militar Brigadeiro José Custódio de Sá Faria e no ano de 1811 foi sagrada.

A fachada da Igreja foi realizada ao feitio da famosa igreja dos jesuítas (Igreja de Gesù), construída no século XVI em Roma, Itália. Apresenta, como aquela, frontão triangular e volutas laterais [ornatos em forma de espiral], tendo uma grande janela centrada ladeada por pilastras [pilares semi-embutidos na parede] e grandes nichos com estatuas de santos. No piso térreo, a grande portada, formada de arco entre colunas que sobressaem, é ladeada por nichos e pilastras. É de grande beleza a combinação de granito dos elementos estruturais com os mármores de lioz dos capitéis, embasamentos, molduras e esculturas, aplicados todos sobre o fundo liso da alvenaria caiada. A torre sineira não compõe a fachada principal, mas localiza-se nos fundos da Igreja.

A Igreja apresenta um plano de nave única e capela-mor profunda, ladeada por corredores, que terminam na sacristia e no consistório. O interior é revestido de talha em duas fases. A primeira, mais antiga, refere-se à capela-mor e apresenta elementos de feição rococó, sendo atribuída, em parte, à Mestre Valentim. No entanto, em conseqüência do incêndio ocorrido em 1923, a talha destruída parcialmente foi substituída por estuque. A segunda fase refere-se à talha realizada em meados do século XIX, por Antônio de Pádua e Castro e está localizada na nave da igreja, incluindo o coro.




IGREJA DE NOSSA SENHORA DA LAPA DOS MERCADORES
Rua do Ouvidor, 35


A partir de 1747, a Igreja começou a ser construída no mesmo local onde havia um oratório dedicado a Nossa Senhora da Lapa, onde os comerciantes, ou "mercadores", reuniam-se para rezar. No ano de 1750, foi sagrada e cinco anos depois concluída. Grandes obras de remodelação foram feitas de 1869 a 1872, quando se refez a fachada do templo, construiu-se a torre sineira e completou-se a obra de talha do interior.

A fachada da Igreja é constituída, na parte inferior, por uma galilé [espaço de transição entre o frontispício e as portas de acesso à nave] formada por três arcos. A parte superior da fachada é o resultado de reformas realizadas a partir de 1869, segundo projeto de Antônio de Pádua e Castro que lhe deu um aspecto clássico. Apresenta-se composta por três grandes janelas, com guarda-corpo de mármore trabalhado, encimados por nichos com estátuas de São Bernardo e Santo Adriano, procedentes de Lisboa. Entre os dois, há um medalhão de mármore trabalhado representando a coroação da Virgem, encontrado em escavações realizadas no terreno. Frontão triangular, com torre de mármore substituindo a original, destruída por uma bala de canhão [foto inferior] durante a Revolta da Armada em 1893. A fachada conta ainda com um relógio e, na torre, o mais antigo carrilhão por música da cidade.

O plano da nave é oval e da capela-mor retangular, ambas apresentando cúpula com lanternim [pequena torre curva sobre os telhados com função de iluminação]. A decoração interior foi realizada em dois momentos; numa mais antiga, de fins do século XVIII princípios do XIX, que corresponde ao retábulo [estrutura ornamental engastada na parede atrás do altar] da capela-mor e ao arco cruzeiro [arco que separa a nave da capela-mor], com elementos característicos do rococó. Outro momento, que está compreendido por volta de 1870-1872, relaciona-se às obras de estuque realizadas por Antônio Alves Meira ornamentando as cúpulas da nave e capela-mor e aos trabalhos executados por Antônio de Pádua e Castro para os retábulos da nave, púlpitos e coro.






IGREJA DE NOSSA SENHORA DO CARMO DA ANTIGA SÉ (esquerda; na foto antiga ainda sem a torre alta erguida em 1905 e ligada por um passadiço sobre a Rua do Cano, atual Sete de Setembro, com o Convento do Carmo)
e
IGREJA DA ORDEM TERCEIRA DE NOSSA SENHORA DO MONTE DO CARMO (direita)
Praça XV




IGREJA DE NOSSA SENHORA DO CARMO DA ANTIGA SÉ: No local onde se achavam as ruínas da Ermida de Nossa Senhora do Ó, próximo ao mar, os frades carmelitas iniciaram, em 1619, a construção de um convento e, em 1761, a construção de uma igreja que, mais tarde, foi transformada em Capela Real. Em 1808, com a chegada da família real portuguesa, foi elevada a Catedral Metropolitana, até a década de 1970, quando foi inaugurada a nova Catedral, na Avenida Chile.

Com três portas de entrada, a Igreja, de capela-mor e nave única, é coberta por abóbada de berço [cilíndrica] e apresenta capelas laterais profundas. Toda obra de talha rococó é atribuída ao Mestre Inácio Ferreira Pinto, destacando-se a parte que reveste o arco cruzeiro, culminando com um dossel e com um emblema do Carmo. Durante o reinado de Dom Pedro I, recebeu nova fachada, construída de acordo com o risco do arquiteto Pedro Alexandre Cavroé. O exterior foi alterado outras vezes [a última no início do século XX, quando recebeu a torre alta que vemos na foto abaixo]. Na sua planta, segundo Araújo Viana, predominou a forma da cruz latina, que, no Rio de Janeiro, só existem nela e na Candelária.



IGREJA DA ORDEM TERCEIRA DE NOSSA SENHORA DO MONTE DO CARMO: A Ordem Terceira do Carmo, fundada em 1648, depois de se instalar provisoriamente numa ermida, deu início, em 1755, à construção de sua igreja, ao lado da que era conventual, com frente para a Rua Direita atual Primeiro de Março. Edificada por Mestre Manuel Alves Setúbal, foi sagrada em 1770. Os campanários das torres só ficaram prontos em 1850, feitos segundo risco do professor da Academia de Belas Artes, Manoel Joaquim de Melo Côrte Real. Templo de uma só nave e capela-mor profunda, é ladeado à direita por uma galeria que termina na sacristia e que se abre em arcada para um beco de passagem; pela esquerda, por um corredor que termina na capela do noviciado, executada por Mestre Valentim, em estilo rococó. A fachada de primorosa cantaria é encimada por frontão barroco, forte e ondulado, e pelos já referidas sineiras, de construção tardia, e que possuem arremates bulbosos revestidos de azulejos. A portada de lioz da frontaria [segunda foto abaixo] , vinda de Lisboa, foi benta em 1761 e apresenta notável medalhão com imagem da Virgem. Internamente, a talha foi executada por Luís da Fonseca Rosa e Mestre Valentim, seu discípulo. O altar-mor, do século XVIII, tem frontal e contrafrontal de prata. Os altares laterais estão iluminados por lampários de prata, desenhados por Mestre Valentim.




Fotos do editor do blog, exceto a foto antiga, cujo autor desconheço. Textos obtidos no site do IPHAN (exceto as observações entre chaves). Esta é a primeira de uma série de postagens que prepararemos aos poucos - em ritmo de obra de igreja! - sobre as igrejas históricas do Centro do Rio de Janeiro.

8 comentários:

Siomara de Cássia Miranda disse...

Prezado Professor Ivo:Eu li e reli a postagem sobre "IGREJAS HISTÒRICAS DO CENTRO DO RIO(PARTE 1)" várias vezes!
BELÍSSIMA POSTAGEM!!!PARABENS!
Siomara de Cássia Miranda

Maria de Fátima disse...

Sobre as Igrejas Históricas realmente está "show".
Parabéns.
Maria de Fátima.

Alexandre Core disse...

Caro Ivo,

Seus posts são excelentes. Sempre muito completos. Uma verdadeira aula sobre o assunto. Gosto muito de fotos de igrejas. Aqui em São Paulo já tive a oportunidade de conhecer algumas, que por sinal, são muito bonitas também.

Marcelo C Henrique disse...

Ivo, adorei essa matéria sobre as igrejas. Depois de concluir a minha pós em Brasil pretendo fazer Guia Turístico, e esse seu meu artigo me servira muito. Gosto muito de fazer minhas postagens com fotos do Rio tiradas por mim. Se vc se interessar, qualquer dia desses podemos selecionar um objeto de estudo e sairmos com a máquina para fotografar e postar em nossos blogs.

Flavia disse...

ola tudo bem ?
tenho uma foto antiga do casamento dos meus bisavôs,nao conheço muito a igrejas do centro do Rj, to precisando de uma ajuda para matar a charada de onde foi realizado o casamento.
Será que poderia me ajudar ?
me passe seu email?
abraçosssss
flavia29stypurski@gmail.com

Flavia disse...

ola tudo bem ?
tenho uma foto antiga do casamento dos meus bisavôs,nao conheço muito a igrejas do centro do Rj, to precisando de uma ajuda para matar a charada de onde foi realizado o casamento.
Será que poderia me ajudar ?
me passe seu email?
abraçosssss
flavia29stypurski@gmail.com

Isabelle Quirino disse...

Estou precisando muito de ajuda para conseguir fotos antigas da Igreja Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores para um trabalho. Ivo, você poderia me ajudar?

Paulo de Tarso Machado de Barros disse...

Parabéns Ivo pelo trabalho informativo importante e por citar as fontes. Continue.