20.1.15

SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO

SABE O PORQUÊ DO NOME SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO? O TRECHO A SEGUIR DO CAPÍTULO "AS PROCISSÕES" DAS MEMÓRIAS DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, DE VIVALDO COARACY, EXPLICA


Estátua de São Sebastião na Glória

Vinte de janeiro é o dia que a igreja consagrada a São Sebastião. E São Sebastião é o padroeiro da cidade que foi posta pelo Fundador sob a sua invocação por ser o onomástico do soberano então reinante em Portugal, D. Sebastião, aquele rei-menino que foi morrer em Alcácer-Quibir. Quando Estácio lançou os fundamentos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, que mais tarde havia de receber oficialmente o atributo de “leal”, governava Portugal, como regente, pelo neto ainda na infância, a rainha viúva D. Catarina d’Áustria. Foi ela quem mandou levantar uma cidade às margens da Guanabara. Mas ninguém lhe homenageia a memória por isso. Muitos nem mesmo sabem quem foi. 

Denise Araripe: São Sebastião do Rio de Janeiro (técnica mista)


Cumprindo as ordens que da Rainha recebera, Estácio agarrou-se com unhas e dentes àquela língua de terra onde plantara o marco inicial da cidade a que ia sacrificar a vida. E ali ficou por dois anos, numa tenacidade heroica, até que Mem de Sá viesse da Bahia trazer o auxílio preciso para expulsar e esmagar definitivamente os franceses. Foi a 20 de janeiro de 1567 que se deu a batalha que assegurou o domínio lusitano sobre o Rio de Janeiro. São os combates desse dia, em que Estácio foi ferido de morte, que podem ser legitimamente comemorados nesta data.

Mem de Sá a escolhera para atacar os redutos de franceses e tamoios justamente por ser o dia do padroeiro. Naqueles tempos de fé robusta e ingênua, confiava-se no santo protetor para dar a vitória à sua gente. Não se afirmava já então que o mártir fora visto, sob a forma de um mancebo “muy fero e fermoso”, combatendo em pessoa ao lado das forças de Estácio, na duvidosa batalha das canoas? Aliás, não se pode desconhecer que essa confiança no apoio dos santos dava valor e ânimo capaz de conduzir, como conduziu, à vitória.

Imagem de São Sebastião na Cidade do Samba, Gamboa

São Sebastião foi sempre o padroeiro do Rio de Janeiro e, como tal, alvo de um culto carinhoso por parte dos cariocas. A ele foi consagrada a primeira capela erguida nestas terras: uma tosca igrejinha de taipa, coberta de sapé que Estácio se apressou em mandar levantar no primeiro sítio da cidade, ao sopé do Pão de Açúcar. Era a matriz, incipiente. E nela foi sepultado, de início, o próprio Fundador. Transferida a cidade para o morro do Descanso, que depois se chamou do Castelo, um dos primeiros cuidados de Salvador de Sá foi ali erguer a igreja do padroeiro, a Sé Velha, para onde foram trasladados os restos mortais de Estácio de Sá, hoje repousando na nova igreja de São Sebastião, sob a guarda dos Barbadinhos, na rua Haddock Lobo. 

Uma relíquia carioca: imagem recém-restaurada de São Sebastião do séc. XVI trazida por Estácio de Sá e guardada (e ocasionalmente exposta) na Igreja dos Capuchinhos, na Tijuca

Sempre foi muito devoto do seu patrono o povo do Rio de Janeiro. Nos tempos coloniais e nos da monarquia, a festa de São Sebastião era celebrada com vibrante entusiasmo em que as comemorações oficiais se aliavam às manifestações populares. Salvas das fortalezas e dos navios, parada de tropas em grande gala, cerimônias religiosas com missa solene e sermão adequado, repiques de sinos, foguetório, janelas ajaezadas de colchas de damasco e tapetes do oriente, luminárias em todas as casas, danças populares em plena rua. Os festejos estendiam-se ao mar onde se efetuava um combate simulado, com fogos de artifício, entre dois grupos de embarcações, para rememorar a famosa batalha das canoas em que, segundo a lenda, o Santo em pessoa tomara parte, descendo à terra, vindo combater ao lado de seus devotos, na defesa da sua cidade. Com a vinda para o Rio de Dom João VI, rei beato por excelência, os festejos religiosos e oficiais adquiriram ainda maior pompa e brilho, iniciando-se na noite de 17 de janeiro.

Imagem de São Sebastião na Igreja de São Francisco de Paula

Estátua de São Sebastião na Glória

Grafite de São Sebastião na Zona Portuária (fotos do editor do blog, exceto da obra de Denise Araripe, obtida no site do Atellier Villa Olivia)

21 comentários:

Anônimo disse...

Prezado professor Ivo, hoje eu vou te apresentar o meu amigo Luminarense, Gabriel, que será apartir de hoje mais um leitor do seu blog.

Um abraço...fã do seu blog

Siomara de Câssia Miranda

Dolores disse...

Hi Ivo,
Desejo tudo de bom que uma linda cidade possa querer paz,seguranca, harmonia,preservacao e pessoas que a amem e protejam!
HAPPY BIRTHDAY TO RIO DE JANEIRO!
FELIZ ANIVERSARIO CARTAO POSTAL DO BRASIL!
CONGRATULATION Ivo!
Beijinhos com carinho

Toronto - Ca

Val Du disse...

Oi, tudo bem?

Achei teu blog, quando estava procurando informações sobre um documentário feito no Largo do Machado.

Gostei muito do blog, bem interessante.

Até mais.

Sonia disse...

Gostei muito da matéria sobre SÃO SEBASTIÃO, padroeiro do Rio de Janeiro. Cidade que vem sofrendo ataques seguidos, semelhantes aos dos tempos em que Estácio de Sá enfrentou seus inimigos. A estátua de São Sebastião também acompanha o destino da cidade. É uma imagem peregrina e perseguida, que continua seguindo adiante pela fé dos devotos. (enviado por e-mail)

Siomara de Cássia Miranda disse...

Prezado Ivo!Parabéns pela matéria sobre SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO!
O seu blog esta cada vez melhor!
Um abraço.
Siomara de Cássia Miranda

Silvana Vargas disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Silvana Vargas disse...

Belas imagens que nem a chuva é capaz de atrapalhar homenageiam nossa cidade. Gosto do tema que fala da religiosidade e das nossas tradições.

Charles Stone disse...

20 de janeiro de 2009. Mis um feriado idolatrado na Cidade Maravilhosa.Nesse dia fui ao centro dar uma volta e observar o vazio das avenidas, costumeiramente agitadas pelo vai-e-vem dos carros e pessoas. Nesse dia, por incrvel que pareça, havia pessoas pela ruas mais que o normal.Era gente que segui rumo á praia do Flamengo.Ma a alegriadeles durou pouco, pois a praia foi logo substituída pela pressa de vir embora devido á chuva que caiu no meio da tarde.
Aí restou uma programação religiosa que também faz parte do calendário da cidade: a procissão de São Sebastião, com pompa,tradição e devoção do povo.Com direito a teatro e tudo mais.Valeu São Sebastião

Ivo Korytowski disse...

Charles, a procissão de São Sebastião e uma verdadeira maratona. Começa na Igreja dos Capuchinhos, Tijuca, vai até a Catedral e... volta ao ponto de partida! Observe a última foto da postagem Chove Chuva, o pessoal de guarda-chuva. Foi tirada no dia de São Sebastião defronte à catedral.

Marcelo C.Henrique disse...

Ivo, sou eu o MArcelo do LAbirinto Brasil, estou adorando os seus artigos, continue postando falo do seu blog para todos os meus conhecidos. um imenso abraço!!!

Lembra daquela proposta de juntar as nossas lentes para fotografar o Rio de JAneiro? Ppois é não esqueci não. Um abraçãom amigo!!!

Charles Lewis Stone disse...

Parabéns por ter voltado à página original do Literatura & Rio de Janeiro. ela é muito mais charmosa e poética. Dá-nos um ar chic e saudosista.
Abraços,

Charles Lewis Stone

Anônimo disse...

Professor Ivo, que matéria legal sobre O Padroeiro São Sebastião no seu Blog! Muito legal mesmo!
Siomara de Cássia Miranda

Anônimo disse...

Professor Ivo, seu Blog sempre nos brinda com muita história e cultura! Sou fan do seu Blog! Muito Sucesso sempre!
Siomara de Cássia Miranda

Aleksándros Souza disse...

Recentemente, morei por um período em uma cidade do país basco: San Sebastian, uma cidade de mais de quinhentos anos, que tem uma baía idêntica à de Guanabara. Hoje, nada me convence de que, uma vez que estrangeiros batizaram a cidade, estes deviam conhecer San Sebastian, e que, em função da semelhança das baías, o nome de São Sebastião do Rio de Janeiro teria essa procedência.

https://www.google.com.br/search?q=fotos+de+San+Sebastian&client=ms-android-motorola&prmd=inv&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjv_qKl1LHKAhWIHpAKHVG5B7sQ_AUIBygB#imgrc=r2pRjvqlG5ke2M%3A

Aleksándros Souza disse...

Aliás, uma cidade de mais de mil e quinhentos anos.

Aleksándros Souza disse...

Aliás, uma cidade de mais de mil e quinhentos anos.

Aleksándros Souza disse...

Recentemente, morei por um período em uma cidade do país basco: San Sebastian, uma cidade de mais de quinhentos anos, que tem uma baía idêntica à de Guanabara. Hoje, nada me convence de que, uma vez que estrangeiros batizaram a cidade, estes deviam conhecer San Sebastian, e que, em função da semelhança das baías, o nome de São Sebastião do Rio de Janeiro teria essa procedência.

https://www.google.com.br/search?q=fotos+de+San+Sebastian&client=ms-android-motorola&prmd=inv&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjv_qKl1LHKAhWIHpAKHVG5B7sQ_AUIBygB#imgrc=r2pRjvqlG5ke2M%3A

Aleksándros Souza disse...

Aliás, uma cidade de mais de 1500 anos.

Aleksándros Souza disse...

Aliás, uma cidade de mais de 1500 anos.

Aleksándros Souza disse...

Mais um detalhe, que descobri quando morreu lá: por centenas de anos, San Sebastian foi o reduto de veraneio de monarcas ingleses e franceses, para não falar dos russos.

Aleksándros Souza disse...

Corrigindo: "quando morei por lá"