23.11.14

SAARA CARIOCA


A SAARA carioca, diferente do Saara africano, é a Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega, uma área de comércio popular pitoresca e colorida que evoca os bazares do Oriente Médio. As lojas expõem as mercadorias nas calçadas, pregoeiros com microfones diante de algumas lojas anunciam as ofertas irresistíveis, e na época das festas de fim de ano a SAARA lota de gente que quer se beneficiar do milagre da multiplicação do dinheiro, e ali árabes e judeus sempre conviveram harmoniosamente, num exemplo que deveria ser imitado no Oriente Médio. Nas suas mais de 600 lojas podem-se encontrar roupas, brinquedos, calçados, artigos esportivos, artigos de festa, etc. Ali funcionam tradicionais restaurantes árabes. A SAARA se estende pelas Ruas da Alfândega, Senhor dos Passos e transversais, no trecho entre a Avenida Passos e o Campo de Santana.

De acordo com o Plano Agache, toda a área de sobrados neoclássicos da segunda metade do século XIX e "ecléticos" da virada do século XIX para o XX que hoje constitui o SAARA (com uma ou outra construção mais moderna destoando) deveria ter sido cortada pela avenida Diagonal ligando a Lapa à Presidente Vargas, o que exigiria a derrubada de inúmeros desses sobrados, como ocorreu na abertura da Avenida Presidente Vargas, que não poupou sequer igrejas históricas. Graças à mobilização dos comerciantes da área quando Lacerda era governador da Guanabara, que fundaram a associação conhecida como SAARA, os sobrados foram preservados e estão lá firmes e fortes, em bom estado de conservação.

Na SAARA existem dois restaurantes árabes tradicionais: Cedro do Líbano e Sírio e Libanês. O restaurante Sírio e Libanês (Rua Senhor dos Passos, 217) foi fundado em 1963 pelo imigrante libanês Jawad Ghazi e está situado no coração da SAARA. Abre de segunda a sexta das 11h às 18h e no sábado das 11h às 16h. Já o Cedro do Líbano (Rua Senhor dos Passos, 231), o restaurante árabe mais antigo do Rio, foi fundado pelo libanês Narciso Mansur em 1948 e vendido seis anos depois para dois imigrantes, um espanhol e um português, que mantiveram a culinária libanesa. Existem também três igrejas históricas: a de São Gonçalo Garcia e São Jorge (que no dia do Santo Guerreiro tem fila na porta), a de Santo Elesbão e Santa Ifigênia (santos de devoção dos escravos africanos — penúltima foto) e a de Nossa Senhora do Terço.

Sugestão de roteiro pelo Centro do Rio: Cinelândia, o conjunto colonial do Largo da Carioca, a Rua da Carioca, a Praça Tiradentes, o Real Gabinete Português de Leitura, o comércio pitoresco do Saara terminando o passeio com chave-de-ouro na mais que centenária Casa Cavé ou na charmosa Confeitaria Colombo. (Informações obtidas em Ivo Korytowski, Guia da Cidade Maravilhosa. Fotos do editor do blog. Mais informações sobre a história da SAARA clicando aqui.)












Um comentário:

Carlos Almeida disse...

Muito bom o post, Ivo! Particularmente sou apaixonado por esta área de comércio popular da nossa Cidade Olímpica e Maravilhosa.
Vale lembrar que os chineses chegaram há alguns anos e estão também ocupando seu espaço entre árabes e judeus, trazendo variedade cultural à região.
Abraços!