25.1.10

CASA DE BANHO DE D. JOÃO VI NO CAJU

(MUSEU DA LIMPEZA URBANA DA COMLURB)

Cemitério Comunal Israelita
O bairro do Caju está um tanto degradado, imprensado entre a Avenida Brasil (foto abaixo), Linha Vermelha e acesso à Ponte Rio-Niterói. Mas já foi um bairro aprazível. Lá D. João VI tomava seus banhos de mar. Uma boa parte do bairro passou a ser ocupada (a partir de meados do século XIX) por cemitérios. No Caju também fica, desde o início do século XX, o Arsenal de Guerra do Rio (antes situado onde hoje fica o Museu Histórico Nacional). Aproveitei uma visita aos túmulos dos meus pais no Cemitério Comunal Israelita (foto acima) para dar um rolê até a Casa de Banho de D. João VI, atual Museu da Limpeza da Comlurb. Aqui estão as fotos de minha incursão pelo Caju (a da Avenida Brasil e as duas últimas tiradas de dentro do ônibus expresso Estácio-São Cristóvão-Caju, com ponto final na Estação Estácio do metrô).

Avenida Brasil
"um bairro aprazível"
CASA DE BANHO D. JOÃO VI
MUSEU DA LIMPEZA URBANA

Casa da família Tavares Guerra, próxima à Quinta do Caju, conhecida como Casa de Banho D. João VI, foi frequentada pelo monarca por volta de 1817, por indicação médica. O prédio (uma casa térrea de arrabalde) é um raro exemplar da arquitetura do final do século XVIII ou início do século XIX. Segundo o Guia da arquitetura colonial, neoclássica e romântica do Rio de Janeiro, "este exemplar de casa de chácara apresenta diversas características do vocabulário formal colonial, como a sua volumetria simples marcada pelo grande telhado de quatro águas e por uma água-furtada à moda trapeira, os vãos de arco abatido e as telhas do tipo capa e canal". Tombada pelo IPHAN em 1938, foi restaurada pela COMLURB em 1996 para abrigar o Museu da Limpeza Urbana. Conta parte da história da cidade, como se desenvolveu e resolveu seus problemas, dando condições de vida a seus habitantes, promove atividades com visitas guiadas e recreação, como também seminários, exposições temporárias e apresentações culturais.

Endereço: Praia do Caju, 385 (pesquise no Google Maps)
Telefone: 3890.6021
Visitação: de terça a sexta, de 10h às 17h;
Sábados e domingos, de 13h às 17h.
PS. Em dezembro de 2012, retornando ao local, constatei que o museu não estava mais aberto à visitação.

Rua Praia do Caju (a praia agora só existe no nome)
Casa de Banho de D. João VI (lateral)
Casa de Banho de D. João VI (entrada)
Busto de D. João VI
Em frente à Casa de Banho. Seria até bucólico, não fosse o elevado de acesso à Ponte Rio-Niterói atrás.
O CAJU
HENRIQUE VELTMAN

[...] Nos anos 1940, como os banhos de mar tinham caráter terapêutico, as pessoas iam para a Praia do Caju ao raiar do dia, às vezes ainda de madrugada. Vestiam geralmente, como trajes de banho, duas peças feitas de um tecido felpudo de lã: calça até os tornozelos, camisa de mangas compridas, franzida e com uma espécie de lapela.

Não me lembro bem dos nossos calções de banho. Mas os maiôs de dona Raquel − e das outras mães − também, eram terríveis.

O Caju se enchia, então, de famílias cobertas de mantas e cobertores discretos, recebendo nas manhãs a ainda mais discreta bênção do iodo, aspirando pelas narinas aquela mistura feita de sargaço, água salgada, areia suja de algas.
[...]

Um pouco de história. O Rio de Janeiro do início do século 19 era uma cidade infestada por carrapatos, mosquitos e outros insetos, que não poupavam nem mesmo os integrantes da família real portuguesa. Dom João VI foi um dos que mais sofreram. Uma ferida na perna, fruto da mordida de um carrapato, infeccionou e ele teve que buscar ajuda.

Para tratar a saúde, foram recomendados a Dom João VI banhos de mar. De São Cristóvão − onde ficava a família real portuguesa − até o Caju, havia um caminho fácil de ser percorrido. Aquele mesmo que nós, crianças judias do século 20, percorríamos em busca do milagroso iodo...

O Caju era um balneário, com muitos terrenos à beira de uma Baía da Guanabara ainda limpa. O mar batia na beira de uma casa construída no começo do século 19 e que até hoje está preservada como um símbolo da história do Rio. É a Casa de Banho de Dom João VI.

Dom João era imperador. Por isso, ele não se trocava na frente de qualquer um. Usava a casa como vestiário. Dizem ainda que, com medo de caranguejos e outros bichos do mar, ele tomava banho dentro de um barril em vez de mergulhar.

Hoje, no Caju, não há sinal de praia. A área foi aterrada para a construção do porto e da Ponte Rio-Niterói. A Casa de Banho é o Museu da Comlurb, com a memória da limpeza urbana do Rio, mas guarda um busto de Dom João VI, para que ninguém esqueça que, além da garotada da Praça Onze, a realeza já frequentou a Praia do Caju. (Crônica publicada originalmente no Boletim ASA de set-out/2007)



Parque São Sebastião
Ao longe o Corcovado (fotos do editor do blog — clique no label "Caju" abaixo para ver nossa outra postagem sobre o bairro )

3 comentários:

Tat disse...

Sempre me perguntei que casa linda era aquela que eu via do final da ponte Rio-Niterói em direção ao Rio! Agora sei que se trata da Casa de Banhos de D. João VI. Que pena que esse museu da Comlurb é tão pouco divulgado, mas, agora que eu sei do que se trata, vou visitá-lo!

Michelle Ferreira disse...

Nossa sempre olhava a placa quando eu chegava de Níteroi para Rio me perguntava, casa de banho? Tem que divugar e lindo!

Anônimo disse...

Sempre tive a curiosidade de saber do que se trata a placa que lia casa de banho, adorei saber vou visita-la.