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12.4.09

ILHA DO GOVERNADOR

Texto do editor do blog com colaboração de Vitor Scalercio. Fotos do editor do blog (IK) e de Vitor Scalercio (VS).


Vista da entrada da Baía da Guanabara (IK).


Vista do Iate Clube Jardim Guanabara (VS).

O Rio é gigantesco, e por mais que você rode pela cidade, há sempre lugares novos para conhecer. Por exemplo, você conhece a Ilha do Governador? (As entranhas da Ilha, não apenas a estrada até o aeroporto.) Pois eu também só conhecia a Ilha en passant. Até que recebi do Vitor um e-mail onde ele dizia:


Vista do Jardim Guanabara (observe o Pão de Açúcar ao fundo) (VS).


Jardim Guanabara: a Ilha livrou-se da "verticalização", o gabarito lá é uniforme, máximo de três andares (VS).

Sou carioca e eterno apaixonado pela cidade do Rio de Janeiro. E não me canso, cada dia descubro lugares novos, cantinhos desconhecidos, novas impressões, um novo olhar, uma outra perspectiva. [...] O Rio é único, não há nenhum outro lugar no mundo que reúna todas essas características peculiares, elas são singulares! A cidade tem vida, uma identidade, tem uma 'alma'! [...] E o carioca é um dos trunfos desta cidade, eu diria.

E um dos motivos que escrevo é falar sobre uma outra grande paixão que também faz parte do Rio de Janeiro. Tem uma história própria, também é singular, é uma outra cidade dentro da metrópole. É a minha Ilha do Governador. [...] Não sei se você conhece seus bairros, suas características, sua vida, sua história. Bom, aqui deixo meu convite. [...] Tenho certeza que você se encantará e verá mais uma peça que faz parte deste lindo mosaico que é a nossa cidade.



Da Ilha você contempla um panorama singular do relevo carioca, as montanhas ao longe... (VS)


Rua Agostinho dos Santos: as casas ficam expostas, sem muros altíssimos nem grades de prisão (IK).

Aceitei o gentil convite do Vitor e... tornei-me um fã da Ilha! A Ilha livrou-se de um fenômeno chamado "verticalização": o gabarito lá é uniforme, máximo de três andares. Cheia de colinas, as ruas são sinuosas, seguindo as curvas de nível. Dentro da Ilha o trânsito sempre flui razoavelmente (você não fica retido no trânsito por uma eternidade), e existe a opção da barca. Muitos bairros da Ilha são seguros: as casas ficam expostas, sem muros altíssimos nem grades de prisão (veja as fotos). O calor do verão lá é atenuado pela brisa que sempre sopra do mar. A Ilha é um Rio de Zona Norte com nível de vida de Zona Sul: o bairro de Jardim Guanabara ostenta o terceiro maior IDH (índice de desenvolvimento humano) da cidade, superado apenas pela Gávea e Leblon. A Ilha está cheia de praias bucólicas como em Paquetá (é verdade que as águas da Baía estão poluídas, mas quem sabe, um dia...), com pescadores, barquinhos, peixe frito à beira-mar... Da Ilha você contempla um panorama singular do relevo carioca, as montanhas ao longe, Pão de Açúcar, Corcovado, etc. É como se existisse uma outra temporalidade, em que você está do lado da metrópole, mas consegue escapar de toda a agitação.


Parque Marcello de Ipanema: o bairro de Jardim Guanabara ostenta o terceiro maior IDH da cidade (VS).


Rua Jair Ramos: modernidade (IK).

A Ilha do Governador é enorme: com 40,8 quilômetros quadrados, aproximadamente o tamanho de todos os bairros da Zona Sul juntos. Só que 51% de sua área é ocupada pelo bairro do Galeão cuja ocupação é apenas para fins militares (aeronáutica) e para o aeroporto. A população, 211 mil habitantes (censo 2000), supera a de Copacabana (147 mil). Tem de tudo na Ilha do Governador: o aeroporto; um Porcão; um iate clube; uma escola de samba; uma grande presença militar em vários bairros (estação de radio da marinha, base aérea do galeão, fuzileiros navais, hospital da aeronáltica, hospital de medicina aeroespacial etc.); três reservas militares de mata atlântica; a APARU do Jequiá, que possui uma preservação do ecossistema de manguezal; um estádio de futebol; um shopping center; praias; as ruas costumam ser arborizadas; igrejas históricas; casas simpáticas; prédios modernos (mas baixos); favelas; tem até uma lenda indígena (a tribo de Arariboia, os temininós, habitava lá). Na verdade, a Ilha não é um bairro, mas uma região administrativa composta de duas ilhas (a do Governador e a do Fundão) e de 15 bairros: Bancários, Cacuia, Cidade Universitária, Cocotá, Freguesia, Galeão, Jardim Carioca, Jardim Guanabara, Moneró, Pitangueiras, Portuguesa, Praia da Bandeira, Ribeira, Tauá e Zumbi.


Igreja de Nossa Senhora da Conceição: antiga capela do engenho de Salvador Correia de Sá, construída na primeira metade do século XVII (IK).


Praça Jerusalém no Jardim Guanabara. Ao fundo, a Rua Uçá, ladeada de palmeiras (VS).

A Prefeitura, em seu plano de estratégias para a cidade, considera a Ilha um microcosmo do Rio de Janeiro. No Plano Estratégico da prefeitura lemos: “Com efervescente vida própria, um intenso comércio e dispondo de enormes recursos naturais, a Ilha do Governador tem tudo para se desenvolver de forma ordenada e coerente, preservando a qualidade de vida. A Região possui indicadores que representam uma média dos indicadores da cidade, ou seja, possui um ambiente urbano no qual os melhores bairros residenciais - confortáveis e elegantes - apresentam as mesmas condições de vida da Zona Sul, convivendo entretanto com favelas e cortiços com as mesmas mazelas características de alguns bairros da Zona Norte. A Região Ilha do Governador representa, em escala menor, um modelo de informações estatísticas da cidade.”


Estação de barcas de Cocotá: o trânsito flui razoavelmente e existe a opção da barca (IK).


Crianças na Praia da Bandeira: A Ilha está cheia de praias bucólicas (IK).

A Ilha também teve uma longa história: antes do descobrimento, viviam lá os temininós, a tribo de Arariboia, mas foram expulsos pelos tamoios, aliados dos franceses. Após a vitória contra os invasores, Arariboia recebeu glebas do outro lado da baía, na atual Niterói. Salvador de Sá, irmão de Estácio e primo de Mem, fundaria lá os três primeiros grandes engenhos de açúcar e aguardente do Rio. O nome Governador vem de Salvador, duas vezes governador-geral do Rio. Na Ilha D. João VI tomava banhos de mar e caçava. Vinha da Quinta do Caju num pequeno galeão. A história completa você encontra na Wikipedia. Imagens antigas da Ilha você encontra no fotolog Ilha do Governador.


Ponta do Tiro (IK).


Igreja da Sagrada Família (Ribeira) (IK).


Porta da Igreja da Sagrada Família (IK).


Vista da Igreja da Sagrada Família (VS).


Praia da Bica (VS).


Praia da Engenhoca (VS).


Igreja de N.S. da Ajuda, na Freguesia. A atual construção de 1898 apoia-se nas paredes das precedentes igrejas de 1710 e 1743. (IK)


Pedra da Onça, na Freguesia. Conta a lenda que uma índia ia todos os dias, no fim da tarde, até a praia, com seu gato maracajá, mergulhando da pedra durante horas. Um dia, a jovem índia não mais voltou, ficando o gato a esperá-la, olhando para o mar até morrer de fome (VS).


Exibição de slides da Ilha do Governador (IK)


Exibição de slides da Ilha do Governador (VS)

19 comentários:

Marcelo C.Henrique disse...

Meu amigo Ivo, como sempre surpreendendo. Gostei muito dessa postagem referente a Ilha do Governador, principalmente a foto da entrada da Baía da Guanabara. Abraços amigão!!

Márcio disse...

oi pai
fotos de um lugar perto da onde eu estudo né?? hehheeh
mto bonitas as fotos parece outra cidade!!
abraço

Ivo Korytowski disse...

É uma cidade dentro da cidade!

Manoel disse...

Não sei se você sabe mas eu morei na ilha do Governador ainda num tempo em que se podia tomar banho de mar em várias praias, inclusive na do Galeão. A água ainda era bem razoável. Morei no Galeão, na Vila Militar no meu tempo de Aeronáutica. Mesmo depois de me mudar para Jacarepaguá (Pç Seca) ainda trabalhei na ilha por mais de 10 anos (num total de 15 anos de Aeronaútca). Conheço bem a ilha - Galeão, Guarabú, Cocotá, Praia da Bica. Claro que hoje já não é mais tão bucólica assim... [...] Eu gostava muito de lá. Na época não havia favela e o militares (Aeronáutica e Marinha) tomavam conta, faziam a segurança do bairro. Muita gente, turistas de fora da ilha, não gostavam muito não, mas era uma tranquilidade em termos de segurança. Pena que passou, mas eu diria que ainda tem alguns sub-bairros razoavelmente bons de se morar. Hoje os quartéis não querem tomar conta nem das calçadas ao redor dos quarteis. Dizem que é com a polícia (que não aparece).
É isso. (comentário enviado por e-mail)

Mariza Rebouças disse...

Alô, Ivo

Foi ótimo mandar o email, acabei dando um passeio guiado pelas ótimas fotos da Ilha. Valeu!
bjks
Mariza

Diego Viana disse...

Puxa vida, eu não tinha a menor idéia de todas essas coisas sobre a Ilha. Muito legal! É uma pena que as notícias que a gente recebe de lá sejam sempre de falta de cuidado com os bens públicos, esvaziamento econômico e por aí vai. Bom saber o outro lado!

Ana Paula disse...

Olá, Sr. Ivo!
Parabéns pelo blog! Serviu de inspiração para meus alunos realizarem um trabalho sobre nosso bairro.

Visite-nos!

www.ilhagovernador.blogspot.com

Claudio Martins disse...

Ivo, seu Documentário é muito bom. Nasci na Ilha em 1945, época de praias e águas limpas, morros cobertos de vegetação. Velhos tempos dos mutirões entre as famílias e cordialidade entre as pessoas. Tempos românticos que se perderam na poeira dos tempos, mas continuam guardados nos escaninhos de minh'Alma. (enviado por e-mail)

Anônimo disse...

Lindo o teu olhar sobre a Ilha e alguns,como eu comparam-na a Jpa.É inevitável.Vamos parar de bairrismos lá e cá tem suas belezas e mazelas.Mas lá em Jpa não tem a Pedra da Onça(Gato)!!!!!!C.Barboza da Silva

Karol disse...

Que coisa mais linda, seu blog de excelente bom gosto literário.
Representas muito bem nossa cidade.
Adorei todas as fotos, principalmente: Ilha do Governador [minha terrinha] (comentário enviado por e-mail)

Paulo da Mata-Machado Jr disse...

Ah, e quanto a uma recente "postagem" no seu Blog sobre sua visita à Ilha do Governador, também não me recordo se comentei que foi lá que passei minha infância, dos cinco anos incompletos até os treze. Era uma lindíssima Ilha do Governador, outra coisa! Civilizadíssima, até bonde tinha! Hoje a paisagem ainda atrai, mas aquela água totalmente contaminada e tantas favelas... também não sei se você sabe, mas residiram lá Lima Barreto, Rachel de Queiroz, Paulo Rónai, Vinicius de Moraes, e alguns jogadores de futebol... (enviado por e-mail)

Douglas disse...

Boa tarde Ivo,
Muito legal a sua postagem sobre a Ilha. Não conheço nada lá mas estou precisando achar uma vaga para eu morar lá, já que começarei a trabalhar no Estaleiro Mauá nesta semana.
Vc poderia me indicar um lugar que fosse seguro e próximo ao Estaleiro?
Agradeço a sua atenção e mais uma vez parabéns!!!

Ivo Korytowski disse...

Douglas, por favor, forneça um e-mail para que o Vitor, que mora na Ilha, possa lhe responder.

guimaraes disse...

E amigo como foi maravilhoso rever essa maravilhosa Ilha do Governador. Eu conheci a Ilha em 1964 quando prestei serviço militar na Policia de Aeronautica, e naquela época nos faziamos o patrulhamento em toda a Ilha inclusive Itacolomi e Tubiacanga. Nesses dois lugares tinha um posto policial com xadrez(Delegacia) onde um soldado era o delegado da area. Neste posto tinha um telefone a manivela que entrava em contato com a base e fazia as ligaçoões, era uma cidadezinha de roça, era o maior barato. valeu amigo pela lembrança, abraços.

Michelle disse...

Sou moradora da ilha, e eu falo para o meu marido que não troco esse lugar por nada. Engraçado é que todos aqui citaram as favelas... até parece que não tem favela no Rio. Todos os lugares, inclusive zona sul, tem favelas, e muitas delas tão perigosas ou até mais perigosas que as daqui. O bom da ilha é que é um dos poucos lugares onde conseguimos nos locomover de carro na hora do rush. A nossa cidade maravilhosa nesses horários se torna um verdadeiro inferno. Mesmo com tudo que foi citado de ruim,, a Ilha ainda é um lugar ótimo pra se viver. E com vistas para pontos turísticos extraordinários. Bem, quem conhece e mora sabe do que falo, quem não conhece...fica a dica pra fazer um passeio em terras insulanas!

Vânia Marinho disse...

Morei na Ilha por mais de 15 anos. Já saí de lá há 17 anos, e amo esse lugar. Faz bastante tempo que não lá e fiquei super emocionada em ver essas fotos. A Ilha é realmente lindíssima. Parabéns pelas fotos.

Anônimo disse...

Olá trata-se a 1ª vez que encontrei o teu blogue e adorei muito!Espectacular Projecto!
Até à próxima

Rozete disse...

" Ilha do Governador " um bairro que só não é melhor porque os governantes nunca deram real importância ao seu valor histórico , foi sem dúvida um dos pilares da resistência as invasões do RIO nos séculos de colonização portuguesa ,
Sua posição geográfica é sem nenhuma modéstia espetacular (se fosse localizada na Europa seria o metro quadrado mais caro da região).
Sou apaixonado pela ILHA , pena que depois da construção da refinaria de Duque de Caxias a Petrobras assassinou o meio ambiente ao seu redor , onde o político bota a mão nunca mais será o mesmo .

Rozete disse...

Continuando .

O que sobrou do arquipélago formado pelas ilha que deu origem a Cidade Universitária é a prova dos desmandos com o meio ambiente .
Hoje falam de manguezal e de canal do fundão : os dois nunca existiram e reflexo da ocupação desordenada e a ILHA do GOVERNADOR sofre com tudo isso .