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24.6.06

GARRINCHA NA COPA DE 62

Texto de Ruy Castro, com fotos do Rio enfeitado para a Copa


Rua Anita Garibaldi (Copacabana)

Só faltava ao Brasil derrotar a Tchecoslováquia para ser bi. Nas oitavas-de-final, os tchecos tinham jogado para empatar com o Brasil e conseguido. Mas, agora, teriam de jogar para vencer.

Garrincha não se preocupava com o adversário, qualquer que fosse. Não era menosprezo, mas um sublime desinteresse por táticas, chaves ou esquemas. O futebol era uma coisa muito simples, de onze contra onze, as camisas pouco lhe importavam. [...]

[No dia do jogo], Garrincha amanhecera resfriado e estava com 39 graus de febre. Jogou a poder de aspirina.

Recebia a bola, dançava na frente dos três tchecos que saíam para marcá-lo e a soltava para Zito ou Didi, que a lançavam para Amarildo ou Vavá livres lá na frente. Quando o inimigo percebeu que Garrincha não estava nos seus melhores dias, já era tarde. [...]

O Brasil era bi. Os jogadores deram a volta olímpica e Mauro levantou a Jules Rimet. Zagalo, Nílton Santos, Gilmar e outros choraram de novo [...] Nas cadeiras especiais, Elza Soares desmaiara ao ouvir o apito final. [...]

O vestiário era uma festa. Os jogadores pelados eram sufocados pelos dirigentes, jornalistas e torcedores que iam misturar-se a eles nos chuveiros. Dezenas de embandeirados brindavam com champanhe, uísque e cerveja aos gritos de "É bicampeão!". [...] Mas a entrada de Elza, com seu vestido de cetim verde-amarelo, provocou um imediato silêncio. E, segundos depois, pôs todo mundo em polvorosa. Era uma mulher num ambiente de homens nus — algo impensável para 1962. [...]

Elza, indiferente à comoção que causara, atirou-se a Garrincha debaixo do chuveiro e carimbou-o de beijos. Seu vestido de cetim, ao molhar-se, colou-se mais ainda ao seu corpo. Ele lhe prometera a Copa e cumprira. A Copa era dela. O resto que fosse para o diabo.

Se Elza não saísse logo para continuar a comemoração com a torcida, Garrincha, sem querer — mas querendo —, teria ficado inconveniente.

Texto extraído do livro Estrela Solitária de Ruy Castro. Fotos do Rio enfeitado para a Copa do editor do blog.


Largo do Machado


Bairro Santa Genoveva (São Cristóvão)


Rua Senador Pompeu (Centro)


Rua dos Inválidos (Centro)


Ladeira do Russel (Glória)

7 comentários:

c. disse...

professor, saudações!

encantada pelo seu blog, sua delicadeza, seu olhar lânguido neste rio apressado. cheguei até aqui pelo ree de letras, página oficial do curso de Letras da estácio de sá - há uma refeência ao seu blog lá.

em particular, adorei as fotos das esculturas de areia e do cristo de costas. gostaria de solicitar sua autorização para publicá-la no meu blog a fim de iluminar um texto recém-posado. deixo o endereço para que possas avaliar se vale à pena ou não a inclusão de tão bela imagem no meio daquele monte de besteiras que destilo por lá.

agradecendo sua atenção e ousando parabenizar-lhe por tão belas Letras, despeço-me.

Claudia.

c. disse...

ps: péssima digitadora!

Marilia Mota disse...

Oi, Ivo,
As filhas, eu e os demais in-law só temos suas fotos da copa como tela de fundo no computador.
Saudade daí mais que nunca nesse clima de copa.
Bjs
M

Paulo Osrevni disse...

Viva Garrincha! Quem me dera tê-lo visto jogar!

Léa Madureira disse...

Oi, Ivo !

Que bom relembrar a mais sutil característica de nossa gente: surpreender, sempre, com o talento! É isso que sentimos, lendo essa página de Ruy Castro, vendo ouvindo sabendo que, até no improviso, o sincretismo nos salva. E, não querendo transigir, transigimos em benefício de uma bendita entropia !
Quiçá essa entropia _ como um amuleto, patuá ou raiz forte _ nos proteja!
Parabéns pela alegria das fotos e beleza do texto ! Mais brasileiro, impossível !

E viva a resistência que nos salva !

Bjcs, Léa

Fã número um disse...

Te conheci e me encantei pela sua paixão pelas letras, pelos adoráveis e inteligentes textos da época da Maytê , mas o de fotógrafo eu não conhecia. Se quer saber: prefiro o primeiro apesar das lindas fotos.
Em tempo, estou terminando de ler “ A cura de Schopenhauer” e percebe-se claramente o diferente universo, a riqueza de vocabulário, em relação ao outro livro do mesmo autor de sua tradução.
Vez por outra, você poderia postar alguns textos seus, velhos ou novos, para apreciação dos antigos e mais recentes leitores.
Fique com Deus e até.

Ivo Korytowski disse...

Oi Claudia, claro que você - ou qualquer outro simpático visitante do blog - podem reproduzir seu material, contanto que citem a fonte!