2.3.06

CARNAVAL NO RIO

Clóvis ou bate-bola

Carnaval no Rio. A cidade bombou. Ruas, bares, restaurantes, hotéis, praias, tudo cheio, ferveção geral. Alegria, alegria. Deu até pra esquecer que existe a guerra do tráfico (na quinta-feira antes do Carnaval, traficantes atiraram a esmo, do Morro Santo Amaro, em prédios, lojas, carros no Catete — graças a Deus, ninguém se feriu. Fato grave, gravíssimo, não acham? Nenhuma autoridade — nem Lula, nem Garotinha, nem César Maia — se manifestou.)

Atrás da Banda de Ipanema

Na Cinelândia, as eternas cantoras do rádio — Marlene, Ademilde Fonseca, Carmélia Alves (Emilinha agora só em espírito) — continuam cantando as eternas marchinhas de Carnaval, e a eterna vedete Virgínia Lane comemorou os 86 anos, o povo cantando o Parabéns pra você. Tudo isto tendo por cenário o templo do saber — Biblioteca Nacional — e o templo da música — Theatro Municipal. Do alto do pedestal, a estátua de Carlos Gomes também assistia a tudo.

Alegre folião

Alguns anos atrás, os profetas do pessimismo vaticinaram a morte do Carnaval de rua, ofuscado pela pompa do desfile das escolas de samba. Mas o Carnaval de rua continua firme e forte: blocos, bandas se sucederam, alguns arrastando multidões — Banda de Ipanema, Carmelitas de Santa Teresa, Cordão do Bola Preta.


A caminho do Sambódromo

Sobre as escolas de samba... ir pro desfile das escolas de samba é como ler o Fausto de Goethe: fica sempre pro ano que vem (mas ano que vem hei de assistir). O desfile tem alguma coisa de ópera, balé, musical, mas é muito mais do que isto — é uma arte nova que nós inventamos. Pelo que vi na TV (pouquinho, que na TV não tem tanta graça) deve ser tão bonito como uma viagem de LSD. Se fosse nos EUA ou Alemanha, seria apregoado como o maior espetáculo da face da Terra. Mas nós com nosso complexo de inferioridade... Só espero que a Vila tenha sido campeã por merecimento, e não por critérios ideológicos.


Lapa

Na Lapa, todas as tribos se reuniram. Tocou-se de tudo: techno, rock, hip-hop, forró. Quem compareceu às rodas de samba da meia-noite e quinze teve a rara oportunidade de ouvir o que há de mais autêntico em termos do samba carioca: samba de raiz, partido alto, clássicos dos sambas de enredo, as velhas guardas, os sambistas das comunidades. Mestres de se tirar o chapéu como Xangô da Mangueira, Walter Alfaiate, Ari do Cavaco, Darci da Mangueira, Noca da Portela, Nelson Sargento, Serginho Meriti, Monarco, Marquinho Diniz (autor do Você sabe o que é caviar...) O cenário: os Arcos da Lapa e, na encosta do morro, o Convento de Santa Teresa.


Nelson Sargento na Lapa

Aliás, o pessoal das antigas ainda deve se lembrar do velho sucesso do Carnaval de 1950, de Herivelto Martins e Benedito Lacerda: "A Lapa / Está voltando a ser a Lapa / A Lapa / Confirmando a tradição / A Lapa / É o ponto maior do mapa / Do Distrito Federal [antigamente aqui era o Distrito Federal] / Salve a Lapa!" Pois é, salve a Lapa, o Rio de Janeiro continua lindo, "Rio dos sambas e batucadas / Dos malandros e mulatas / De requebros febris" (esta é do mestre Silas). E para terminar, um lembrete à Prefeitura: que instale alguns mictórios públicos até o próximo Carnaval, porque o cheiro de xixi... (por que os homens não conseguem segurar o xixi como as mulheres?)


Ferveção na Lapa

Fotos: Ivo & Mi

10 comentários:

Marilia Mota disse...

Ahhh, lindo. Queria estar na Lapa.
Saudades!
Bjs

Anônimo disse...

Fala Ivo,
Como sempre, seu fiel comentario da realidade, retrata, a verdade do carnaval, do ponto de vista de um cidadão zona sul; entretanto, detecto, o surgimento de um fenomeno nacional que é a "Muvuca". A muvuca vem se transformando em uma instituição nacional, em um novo traço da cultura urbana. Na verdade me lembra um pouco a invasão dos barbaros no Império Romano. Tendo em vista que ela é basicmente um "amontoado" disforme e amorfo, de gente oriunda das classes menos favorecidas de nossa sociedade, que "invadem o asfalto, chique do centro e zona sul, e, que "veem" a possibilidade comercial (venda de cerveja, churrasquinho e bebidas em geral)e de contato social com os "outros" (classes media e rica que se arriscam a sair, nos eventos de rua). O show dos stones foi a maior muvuca da historia, e o numero exagerado, e jamais sonhado de 200.000 pessoas nos, cordão da bola preta e suvaco do cristo, comprovam esse fato.
Mais adiante analisarei com mais detalhes, essa questão.
grande abraço
Daniel

Antonio Luioz Jr disse...

Ah, eu não sou muito de carnaval. Deve ser porque eu nao moro no Rio.
Mas o carnaval é uma festa que quase chega ser um Genocídio. Morre muita gente por nada. Sempre rolo por causa de mulheres ou brigas de bebados. Isso é uma pena. Até mais Ivo! Abraço.

Cris Zimermann disse...

Ivo, obrigada pelo carinho :)

Suas fotos estão lindas, quer promovê-las no BOB? Deixa um recado por lá pra eu saber...

Adoro Goethe, só não gosto muito quando ele fala sobre biologia. Vai ver é porque nunca curti biologia, mas até que da forma como ele trata do assunto eu consigo ao menos terminar a leitura.

Bjsss pra ti e a Mi :)

Vinicius Factum disse...

O ano está começando mesmo! Bom final de semana!

Abs,

Vinicius S Factum

Mariza Rebouças disse...

Amigo Ivo
Seu blog atesta: você é carioca da gema, aqui não importa onde foi posto o ovo.
A alma carioca é um mistério. De onde vem essa vontade de ser feliz, apesar de todos os pesares? E a coisa pega, turista, mesmo não entendendo nada, surfa na onda, brinca, dança igual a todo mundo. De repente, cadê o
banheiro? Ninguém merece.
Alô, alô, alcaide! Banheiro químico, por favor! Ajude a gente a ser feliz.

Cris Zimermann disse...

Ivo,

Hoje o dia é das mulheres, mas o recado vai para os meninos. Não se esqueça de cumprimentar a sua mulher com um maravilhoso Feliz Dia da Mulher!!!

Passa no BOB ;)

Bjsss

Dolores Gontijo disse...

Suas fotos estao mto boas! Um passeio no Rio a pe, mas c olhos bem abertos p
mostrar o q ele tem.
Adorei!
Meu filho encantou-se com o carnaval de rua resgatado. Ele ama o Rio e curtiu a volta do carnaval propriamente dito, que só o carioca sabe fazer e o ressuscitou, com blocos na rua, marchinhas e samba enredo. Mesmo diante de todo o apelo baiano, o Rio se curva ao som do que sabe fazer de melhor, o samba. Com toda certeza o Brasil inteiro terá novamente o carnaval com sabor
brasileiro. (enviado por e-mail do Canadá)

Jôka P. disse...

Bacanas as fotos,Ivo e MI!
Muito legais mesmo !!!
Adorei !
abçs !
:D

Anônimo disse...

Best regards from NY!
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