PÃO DE AÇÚCAR


Foi ao pé dessa impressionante rocha maciça de gnaisse que tudo começou — precisamente entre os morros Pão de Açúcar e Cara de Cão. Ali, em 1o de março de 1565, Estácio de Sá desembarcou e criou o núcleo original da cidade, transferido dois anos depois, após a derrota definitiva dos franceses e seus aliados tamoios, para o alto do Morro do Castelo. O nome Pão de Açúcar se deveria ao fato de que os fundadores da cidade acharam o formato do morro parecido com o de fôrmas em formato cônico onde os portugueses transportavam blocos de açúcar para a Europa.




Endereço da estação do bondinho: Avenida Pasteur, 520  (Urca - ver mapa abaixo).

Telefone: (21) 2546-8400


Preço: Adultos: R$76,00. Jovens de 6 a 21 anos e idosos a partir de 60 anos com apresentação da carteira de identidade original: R$38,00. Crianças com menos de 6 anos: grátis.

Horário da bilheteria: Diariamente, 8h às 19h50. O último bondinho do Pão de Açúcar para o Morro da Urca parte às 20h40 e deste para a Praia Vermelha às 21h. Você pode também comprar seus bilhetes através do site.

Como chegar: Vá de metrô até a Estação Botafogo. Lá pegue o ônibus 513 (Botafogo-Urca). Caso esteja no Leblon, Ipanema ou Copacabana, outra alternativa é pegar o ônibus Circular 1. Se estiver no Centro, Flamengo ou Botafogo você pode pegar o ônibus 107 (Central-Urca). Se você está em Copacabana e é o tipo de pessoa que adora caminhar, saiba que dá para ir a pé até a Urca. Veja adiante em Caminhando de Copacabana à Urca.


Ver Pão de Açúcar num mapa maior

Apresentação: A primeira escalada do Pão de Açúcar historicamente comprovada foi em 1817, pela inglesa Henrietta Carstairs, hasteando no alto a bandeira britânica, que no dia seguinte um soldado português arrancou e substituiu pela bandeira de seu país. A primeira subida coletiva foi do norte-americano John Burdell em 31 de outubro de 1851, acompanhado de dez pessoas.

Foi o engenheiro brasileiro Augusto Ferreira Ramos, que participava da coordenação da Exposição de 1908 comemorativa do Centenário da Abertura dos Portos, quem teve a ideia visionária de um caminho aéreo para o alto do Pão de Açúcar. A Prefeitura autorizou-o, junto com o industrial Manoel Antonio Galvão e o Comendador Fridolino Cardoso, a construírem e explorarem por trinta anos um caminho aéreo da Praia Vermelha até o Morro da Urca e, de lá, ao Pão de Açúcar e Morro da Babilônia (que separa a Urca do Leme — este último trecho nunca foi construído).

Tratou-se de um projeto muito ousado na época e uma vitória da engenharia nacional. Os detratores (os chatos-de-galocha de plantão) não pouparam zombarias, dizendo que só faltava um trecho: aquele que levaria o engenheiro direto ao hospício! Operários tiveram que fazer perigosas escaladas para levar ao alto dos morros toneladas de materiais.

Na época havia quem defendesse a ideia de erguer no alto do Pão de Açúcar uma estátua de Cristóvão Colombo!

O trecho inicial, da Praia Vermelha ao Morro da Urca, cobrindo uma distância de 575 metros e subindo a 220 metros, foi inaugurado em 25 de outubro de 1912. O segundo trecho, do Morro da Urca ao Pão de Açúcar, com uma extensão de 750 metros e chegando a uma altitude de 396 metros, foi inaugurado em 18 de janeiro de 1913 (informações de extensões e alturas obtidas no site do Caminho Aéreo Pão de Açúcar). Portanto, em 2013, comemoramos o centenário do bondinho! 

No início dos anos 70, o sistema foi modernizado, e os bondinhos antigos foram substituídos por novos, com capacidade para mais passageiros, visão panorâmica e velocidade maior. No alto do Morro da Urca existe uma exposição permanente (o “Cocuruto”) que conta a história do bondinho. Uma curiosidade: cenas de 007 contra o Foguete da Morte, de 1979, foram filmadas no Pão de Açúcar, incluindo uma luta em pleno teleférico.

Se você sente medo de alturas, tenha em mente que o bondinho do Pão de Açúcar é considerado um dos mais seguros do mundo. Qualquer anormalidade — por exemplo, ventos excessivos, porta mal fechada etc. — impede a sua saída. Se faltar luz, entra em ação um gerador. Por isso, não deixe de fazer esse passeio maravilhoso (ainda que tenha que ficar no centro do bondinho, afastado da janela).

Outra sugestão: planeje a sua subida ao Pão de Açúcar de modo que, na volta, você pegue o anoitecer do alto do Morro da Urca. É muito bonita a visão da cidade com todas as luzes gradualmente se acendendo. No inverno anoitece em torno das seis da tarde e no verão, oito da noite.

Aproveite para ver também (ver mapa acima):

Já que você veio até a Urca, dê uma volta pelas imediações da estação do bondinho antes de embarcar (caso pretenda pegar o anoitecer lá do alto) ou depois da emocionante viagem:

Praça General Tibúrcio: O nome da praça é uma homenagem a um herói da Guerra do Paraguai. No centro da praça ergue-se um imponente monumento dedicado aos heróis de Dourados e Laguna.

Praia Vermelha: Esta praia, que não é oceânica, encontra-se na entrada da Baía da Guanabara. Procure a estátua de bronze de Chopin que a comunidade de poloneses radicados no Rio, revoltada com a destruição da estátua similar pelos nazistas em Varsóvia, encomendou ao escultor nascido na Polônia e radicado no Brasil August Zamoyski em 1939. Originalmente ficava defronte ao Teatro Municipal.

Pista Cláudio Coutinho (também conhecida como Caminho do Bem-Te-Vi): Uma simpática e bucólica trilha que se estende pela base do Morro da Urca com extensão de 1,25 quilômetro (ida e volta são dois quilômetros e meio, uma boa caminhada!) Vale a pena fazer tranquilamente o percurso, sentindo o marulho do mar abaixo, a impotência da montanha acima, o frescor da vegetação, ouvindo os passarinhos, curtindo a bela paisagem e, se tiver sorte, deparando com um ou outro miquinho pulando pelas árvores. De lá parte uma trilha que dá acesso ao alto do morro.

Caminhando de Copacabana até a Urca

Se você é um bom andarilho, pode ir a pé de Copacabana à Urca. O caminho (ver mapa acima): suba a Avenida Princesa Isabel pelo lado par (o lado direito), atravesse o túnel, passe pelo Rio Sul (ou dê uma rápida entrada para conhecer), na altura do Canecão pegue a Av. Venceslau Brás à direita. Em frente à sede do Botafogo do outro lado da rua, observe o Manequinho (ver mapa), o menininho urinando, mascote do Botafogo, estátua de bronze de Belmiro de Almeida inspirada no (mas não idêntica ao) Manneken Piss de Bruxelas. Quando chegar na Av. Pasteur, dobre à direita e siga até o fim. Segundo a ferramenta de medição de distância do Google Maps, o percurso tem uns 2,6 quilômetros. Não sendo alto verão, dá pra curtir numa boa.

Na Av. Pasteur você passará por alguns prédios históricos muito interessantes tombados pelo patrimônio histórico, entre eles (ver mapa):

No 250 - Palácio Universitário. Antigo Hospício de Alienados D. Pedro II, em 1949 transformou-se em reitoria e faculdades da antiga Universidade do Brasil, atual UFRJ. Estilo neoclássico. Observe o gradil de ferro das Fundições Val d’Osne na França, que originalmente ficava no Campo de Santana. Recentemente sofreu um incêndio.
Uma curiosidade: no capítulo V de O Triste Fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto menciona o tal hospício: “Só o nome da casa metia medo. O hospício! É assim como uma sepultura em vida, um semienterramento, enterramento do espírito, da razão condutora, de cuja ausência os corpos raramente se ressentem. [...] Com que terror, uma espécie de pavor de cousa sobrenatural, espanto de inimigo invisível e onipresente, não ouvia a gente pobre referir-se ao estabelecimento da praia das Saudades!” Que praia é essa? perguntará você, ao passar por lá e não ver praia nenhuma. Pois é, a praia existia, do outro lado da rua, onde hoje você vê o muro do Iate Clube!

No 350 - Instituto Benjamim Constant. Tradicional instituição de ensino para deficientes visuais, “criado pelo Imperador D.Pedro II através do Decreto Imperial n.º 1.428, de 12 de setembro de 1854, tendo sido inaugurado, solenemente, no dia 17 de setembro do mesmo ano, na presença do Imperador, da Imperatriz e de todo o Ministério, com o nome de Imperial Instituto dos Meninos Cegos. Este foi o primeiro passo concreto no Brasil para garantir ao cego o direito à cidadania.”, segundo o site do Instituto.

No 404 - Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais. O prédio em estilo neoclássico foi construído para abrigar o Palácio dos Estados da Exposição Nacional de 1908. Único remanescente dessa exposição comemorativa do centenário da abertura dos portos, já que os demais pavilhões foram demolidos. Vale a pena entrar para ver a escadaria, claraboia e visitar (ainda que rapidinho) o Museu de Ciências da Terra.

Uma dica final: Se você é adepto da "arte de flanar", vale a pena incursionar Urca adentro, um bairro tranquilo, bucólico e seguro. (Informações obtidas em Ivo Korytowski, Guia da Cidade Maravilhosa, Editora Ciência Moderna.)

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