PALÁCIO DO CATETE


Se em suas viagens à Europa você gosta de visitar palácios de antigos nobres e reis suntuosamente decorados e fica pensando que no Brasil não temos nada disso, está redondamente enganado. Tivemos a nossa nobreza também. Em Petrópolis você pode visitar o Palácio de Verão do Imperador e na Cidade Maravilhosa o antigo Palácio Nova Friburgo, onde moraram o barão e baronesa de Nova Friburgo (foto abaixo) no Segundo Império, ainda preserva a suntuosidade dos velhos tempos. Mais tarde denominado Palácio do Catete, serviu de residência aos presidentes da República, e num de seus aposentos Getúlio Vargas se suicidou (o aposento está preservado exatamente como no momento do suicídio). Com a transferência da capital para Brasília, passou a abrigar o Museu da República. Se você se interessa pela história do Brasil, aprecia ambientes nobremente decorados e curte jardins românticos à maneira do século XIX — com palmeiras, chafariz da Fundição Val d’Osne, bucólicos lagos, pontes, gruta, estátuas alegóricas de ferro fundido — não deixe de visitar o Palácio do Catete (aproveite um dia de chuva para isso).

Endereço: Rua do Catete, 153 (Catete - ver mapa abaixo).

Telefone: (21) 3235-3693

Preço: Adultos pagam R$6,00. Estudantes e adultos a partir de 60 anos pagam meio ingresso. Entrada gratuita nas quartas-feiras e domingos.

Horário: Terça a sexta das 10h às 17h. Sábados, domingos e feriados das 14h às 18h.

Como chegar: Pegue o metrô e salte na estação Catete. Você estará em frente ao Palácio.

Sugestão de passeio (se você está disposto a andar 3,6km e não estiver fazendo calor demasiado): salte do metrô no Largo do Machado, pegue a Rua do Catete contemplando seus prédios antigos (muitos tombados pelo patrimônio histórico), visite o Palácio do Catete, de lá prossiga até a Igreja da Glória e, após a visita à igreja, vá a pé até a Lapa e de lá, se ainda tiver fôlego, pegue a Rua do Lavradio e vá ver a Catedral Metropolitana. Assim você mata uma série de coelhos de uma só cajadada (não confundir cajadada, que é um golpe de cajado, com caixa d’água, que é algo bem diferente)! Está tudo no mapa abaixo. 


Ver A pé do Largo do Machado à Catedral num mapa maior

Apresentação: O prédio, originalmente em estilo neorrenascentista italiano, foi projetado pelo arquiteto alemão Carl Friedrich Gustav Waehneldt para o barão e baronesa de Nova Friburgo, ricos cafeicultores. Construído entre 1858 e 1867 na então Capital Imperial, “tornou-se símbolo do poder econômico da elite cafeicultora escravocrata do Brasil oitocentista”, como lemos no site do museu. A colocação do palácio na esquina das ruas do Catete e Silveira Martins, e não no centro do terreno como seria lógico, deveu-se a um pedido da baronesa, que não queria se sentir isolada como nas fazendas de café, preferindo apreciar o burburinho das ruas. Com a morte do barão e da baronesa, seus filhos o venderam a uma companhia hoteleira para que fosse transformado em hotel, projeto jamais concretizado (com a crise de 1891 a empresa faliu). Mais tarde passou para as mãos do Banco da República do Brasil, que vendeu o imóvel ao Governo Federal para abrigar a presidência.

Para adaptá-lo à nova finalidade, o palácio passou por ampla reforma em 1896. Datam daí várias adaptações em seus três andares, o acréscimo de símbolos republicanos, a instalação de luz elétrica, um raro requinte na época, e a remodelação dos jardins por Paulo Villon, discípulo de Glaziou, no estilo romântico inglês tão em voga na segunda metade do século XIX (Glaziou projetou os jardins do Palácio Imperial, atual Quinta da Boa Vista, o Campo de Santana e a reforma do Passeio Público). As águias de bronze monumentais no alto, projetadas por Rodolfo Bernardelli, foram instaladas em 1910 — daí a denominação Palácio das Águias como também passar a ser conhecido.

Nos 63 anos em que serviu de sede do governo federal, o primeiro andar abrigou a secretaria, biblioteca, gabinetes, salas de despachos e audiências e o Salão Ministerial, onde o presidente se reunia com seus ministros. No segundo andar estavam a capela e salas de recepções e de música. Num sarau promovido pela esposa do presidente Hermes da Fonseca, Chiquinha Gonzaga apresentou seu novo ritmo, corta-jaca, escandalizando a sociedade da época (assim como um batidão da pesada escandaliza a sociedade de hoje — ou será que nada mais nos escandaliza?). No terceiro pavimento estavam os aposentos particulares do presidente. Num deles Getúlio Vargas se matou

Atrações do Palácio do Catete:

Museu da República: Em 1960, o palácio passou a abrigar o Museu da República. Antes de entrar, observe a fachada do palácio. Ela é revestida de granito no primeiro andar e mármore rosa nos andares superiores. A entrada se faz por um portão de ferro fundido alemão de 1864 (foto). No hall de entrada observe as colunas de mármore que levam à escadaria de mármore e ferro, com corrimão em bronze trabalhado, que conduz ao segundo andar, o andar nobre, destinado a recepções e cerimônias, tanto na época do barão como da presidência de República. No vão da escadaria observe a claraboia com vitrais.

A decoração dos salões do segundo andar, com estuques, pinturas, assoalhos em marchetaria, rico mobiliário e lustres, é eclética na diversidade de estilos, com a suntuosidade (guardadas as devidas proporções) dos palácios europeus, reunindo elementos imperiais e da reforma republicana. São seis os salões, além da capela:


  • Salão azul ou francês com mobiliário em estilo Luís XV e Luís XVI. Mais tarde as paredes receberam pintura nova com toques art nouveau.
  • Salão nobre ou salão de baile, onde se realizavam as principais recepções. Mantém o mobiliário original da época da construção do prédio, a pintura do teto representa os deuses do Olimpo (embora não seja mais a original, e sim uma substituição de 1938) e os painéis laterais mostram cenas mitológicas.
  • Salão pompeano, com decoração evocando as pinturas murais encontradas nas casas de Pompeia.
  • Salão amarelo ou veneziano, com ornamentação e mobiliário inspirados nos palácios renascentistas venezianos. O tom amarelo dos tecidos das cortinas e móveis é de uma reforma na primeira década do século XX.
  • Salão mourisco inspirado na arte islâmica.
  • Salão de banquetes com naturezas mortas na decoração. O painel no centro do teto representa Diana, deusa da caça.


O último andar do palácio continha os aposentos privados da família do barão e, mais tarde, das famílias dos presidentes. Destaca-se o quarto presidencial onde Getúlio Vargas se suicidou em 24 de agosto de 1954.

Jardim do palácio: Vale a pena visitar o jardim no fundo do palácio, projetado em 1896 pelo paisagista Paulo Villon, discípulo de Auguste Glaziou. Este desenhara o jardim original para os barões de Nova Friburgo. O chafariz em ferro fundido no centro, representando o nascimento de Vênus, é obra de 1854 do escultor francês Mathurin Moreau e foi confeccionado pela Fundição Val d’Osne. Nos fundos, na direção da Praia do Flamengo, existe um parque infantil. Aos domingos à tarde costuma rolar nos jardins do palácio (no início, em frente ao cinema e à cafeteria) uma animada seresta, frequentada pelo pessoal das antigas.

Aproveite para ver também:

Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular: O centro fica bem ao lado do palácio, na Rua do Catete, 179, e ocupa um dos prédios antigos do conjunto arquitetônico tombado pelo IPHAN (Rua do Catete, 126 a 196 e 179 a 187). Reúne uns 1400 objetos organizados em cinco temas: Vida, Técnica, Religião, Festa e Arte. O próprio conjunto arquitetônico também merece uns minutos de contemplação.

(Informações obtidas em Ivo Korytowski, Guia da Cidade Maravilhosa, Editora Ciência Moderna.)

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