MORRO DA CONCEIÇÃO



Um oásis de Rio Antigo em meio à agitação do centro da cidade, o Morro da Conceição — pertinho da Praça Mauá — esconde tesouros que poucos cariocas conhecem: a Fortaleza da Conceição, concluída em 1718, o antigo Palácio Episcopal, onde hoje funciona o Serviço Geográfico do Exército, o Observatório do Valongo, a Igreja de São Francisco da Prainha, a Pedra do Sal.

O Morro da Conceição também abriga uma série de ateliês de artistas plásticos na Ladeira João Homem e Rua do Jogo da Bola.

Segundo Antônio Agenor de Melo Barbosa, “visitar o Morro da Conceição nos faz conhecer, (re)conhecer e vivenciar um tempo arcaico que não é nosso e sim dos nossos distantes ancestrais que, de fato, construíram estes sobrados e rechearam de vida e impregnaram de memória as ruas deste lugar.”

Desde 2002, todos os anos, no segundo fim de semana de dezembro (semana do 8 de dezembro, dia de N. S. da Conceição), os artistas do morro organizam o Projeto Mauá, com abertura dos seus ateliês, visitas guiadas ao Palácio Episcopal e Observatório do Valongo, shows e outras atrações.

O Morro da Conceição costumava ser pouco visitado — muitos cariocas nem sabiam de sua pacata existência — mas, com a implantação do projeto Porto Maravilha visando a Olimpíada de 2016, vem ganhando uma nova visibilidade. Vale a pena perambular por suas ruelas e ladeiras e escadas — o morro é supertranquilo e superseguro.

O Morro está situado no bairro da Saúde, Zona Portuária, pertinho da Praça Mauá.

Como chegar: 

Existem vários acessos a esse oásis de Rio Antigo (que em certos aspectos lembra alguns bairros antigos de Lisboa) escondido em meio aos prédios do Centro e situado entre o Morro do Livramento e o Morro de São Bento. Vejamos as três melhores opções para subir até lá:

· Acesso pela Travessa do Liceu (ver mapa): no final da Av. Rio Branco, onde esta encontra a Rua do Acre, tem uma travessa com barracas de ambulantes dos dois lados que vai dar na Praça Mauá, a Travessa do Liceu. Mais ou menos na metade da travessa, do lado esquerdo, você verá uma escadinha. Suba sem susto. Ela vai dar na Ladeira do João Homem. No início da ladeira, no no 7, fica o bar galeria Imaculada, mistura de bar com galeria de arte. No no 52 fica o ateliê de Dallier, o artista mais antigo do morro. Bata na porta. Se ele estiver por lá, aproveite para conhecer sua arte.

· Acesso pela Rua Major Daemon (ver mapa): a subida é meio íngreme, mas dá para ir a pé se você estiver com bom fôlego — são só 230 metros até o alto. Você também pode subir de táxi por essa rua.

· Acesso pela Pedra do Sal (ver mapa): Subindo os degraus da Pedra do Sal e seguindo depois pela ruela tortuosa você chegará no alto do Morro da Conceição. 


Ver Morro da Conceição num mapa maior

História: O Morro da Conceição é um dos quatro morros do Centro do Rio onde começou a ocupação da cidade, que depois desceu para a “várzea”. Os outros morros: Morro do Castelo (demolido nos anos 20), Morro de São Bento (onde no final do século XVI se instalou o Mosteiro de São Bento) e Morro de Santo Antônio (local do convento e igreja de Santo Antônio e da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência). Como reação (antes tarde do que nunca) às invasões francesas de 1710 e 1711, construiu-se no alto do morro a Fortaleza da Conceição.

Atrações do Morro da Conceição (ver mapa):  

Palácio Episcopal: Construído por volta de 1674 para convento dos capuchinhos, transformou-se em residência do bispo — Palácio Episcopal — no século XVIII, conforme lemos na placa na entrada. Adquirido pelo Ministério da Guerra em 1923, sedia, junto com a Fortaleza, o Serviço Geográfico do Exército.

Fortaleza da Conceição: Construída entre 1715 e 1718, logo após a segunda invasão francesa comandada por Duguay-Trouin, como parte do plano de defesa da cidade de autoria do engenheiro militar João Massé, constitui o exemplar mais conservado da arquitetura militar colonial carioca. Mantém grande parte da muralha original com duas guaritas cilíndricas, com seteiras e coberturas circulares (na foto abaixo, na extrema direita). Na face voltada para a praça há um pórtico de granito (que se vê parcialmente na foto, atrás da coluna com a N. S. da Conceição). Visitas à Fortaleza e Palácio precisam ser agendadas pelo telefone (21) 2223-2177.

Ateliês dos artistas: Durante o Projeto Mauá em dezembro os ateliês do morro abrem as portas ao público. Mas nada impede que você tente visitá-los em outras épocas. Segue uma lista dos ateliês. Se você aprecia arte, bata na porta ou toque a campainha para ver se estão por lá.

  • Atelier Adrianna Eu (arte contemporânea) — Rua do Jogo da Bola, 102 casa 2 - tel.8735-0303.
  • Atelier Claudio Aun (escultura, pintura, cursos e workshops) — Ladeira do João Homem, 59 - tel. 2253-1474.
  • Atelier Teresa e Gustavo Speridião (pintura e objetos) — Ladeira do João Homem, 82 - tel. 2263-9753.
  • Atelier Villa Olívia — Ladeira do João Homem, 13.
  • Atelier Paulo Dallier (pinturas) — Ladeira do João Homem, 52 - tel. 2263-4663.
  • Atelier Osvaldo Gaia (pintura o objetos) — Ladeira do João Homem, 34.
  • Atelier Ventos do Norte (máscaras) — Rua do Jogo da Bola, 117 - tel. 2223-4281.
  • Atelier Renato Sant’Ana (pintura e objetos) — Ladeira do João Homem, 46 - tel. 2263-1956.

Atrações na base do Morro da Conceição (ver mapa):

Igreja de São Francisco da Prainha: Seu adro “conserva a fisionomia da cidade de há um século” e a igreja, de 1740, possui fachada sóbria e alta em estilo barroco jesuítico. A ornamentação interna data do final do século XIX.

Pedra do Sal: Tortuosa escadaria aberta pelos escravos na pedra viva”, um dos berços do samba carioca, ali se descarregava o sal das embarcações que aportavam nas proximidades. Tornou-se ponto de encontro de sambistas como Donga, João da Baiana, Pixinguinha e Heitor dos Prazeres. Subindo os degraus e seguindo depois pela ruela tortuosa você chegará no alto do Morro da Conceição.

Jardim Suspenso do Valongo: Construído em 1906 durante a reforma urbana promovida pelo prefeito Pereira Passos, durante décadas o jardim esteve completamente abandonado, mas recentemente foi restaurado no contexto da revitalização da Zona Portuária. As quatro esculturas  de Minerva, Mercúrio, Ceres e Marte (direita para a esquerda de quem olha do jardim para a rua) — foram trazidas do antigo Cais da Imperatriz, destruído para a construção do porto moderno e objeto de recente escavação arqueológica.

Praça Mauá e Orla Conde: Com o projeto Porto Maravilha de revitalização da Zona Portuária uma nova orla surgiu no Centro onde antes passava o Elevado Perimetral permitindo que se passeie dos antigos armazéns do cais do porto até o Museu Histórico Nacional. Na Praça Mauá vale a pena visitar o Museu de Arte do Rio e o Museu do Amanhã, bem como passear pela nova velha orla (nova porque foi revitalizada e velha por ser a orla histórica). Para mais informações sobre esses museus clique nos seus nomes no GUIA DO RIO no cabeçalho do blog. 

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