JARDIM BOTÂNICO



Tudo bem que a praia faz parte do modo de vida do carioca — Rio sem praia é como Munique sem cerveja. Mas engana-se quem pensa que sem praia o Rio não é nada. Só o Rio Histórico já vale uma visita à cidade (como este blog não se cansa de mostrar). E temos o maior parque nacional do mundo dentro de uma área urbana, o Parque Nacional da Tijuca. O que pouca gente sabe é que a quinta atração mais visitada pelos turistas no Rio, depois da praia (claro!), Corcovado, Pão de Açúcar e Maracanã, é o Jardim Botânico.

O Jardim Botânico é diferente de outros parques e jardins. A vegetação num parque ou jardim é mais ou menos homogênea, a vegetação nativa do local. Mas no Jardim Botânico você pode caminhar horas — ele é imenso — que sempre verá uma paisagem vegetal diferente: da mata Atlântica ao Jardim Japonês, das palmeiras imperiais às vitórias-régias ou bambuzais ou alguma planta nativa das Ilhas Molucas ou de Madagascar ou do Sudeste Asiático ou... São espécies do mundo inteiro.

Ir ao Jardim Botânico é desligar-se do burburinho urbano (e das mazelas da metrópole também) e adentrar uma outra dimensão, da beleza natural. Não a natureza bruta, plena de feras, perigos. Mas a natureza domada, como se nós, homens, criados à imagem e semelhança de Deus, tivéssemos “retocado” a obra divina. São dois séculos de paisagismo, tempo suficiente para que o nosso Jardim Botânico se tornasse uma das maravilhas do mundo. É ver para crer!

Endereço: Rua Jardim Botânico, 1.008 (ver mapa abaixo).

Telefone: (21) 3874-1808


Preço: Adultos pagam R$10,00. Estudantes e adultos a partir de 60 anos pagam meio ingresso. Pagamento só em dinheiro. Crianças até 7 anos e adultos a partir de 60 anos estão isentos de pagamento.

Horário: Diariamente, 8h às 17h (no horário de verão, até 18h; segundas-feiras abre ao meio-dia).

Como chegar: Uma forma prática de chegar ao Jardim Botânico: Compre um bilhete “metrô na superfície”, vá de metrô até a Estação Botafogo, saia pelo acesso São Clemente, lá pegue o metrô na superfície (na verdade, um ônibus confortável com ar-condicionado que funciona como extensão do metrô) e salte na quinta parada (Estação Jardim Botânico). Você vai ter que percorrer um trecho de uns 750 metros, percorrendo a calçada em frente do Jardim Botânico (ver mapa), até a entrada.



Ver Jardim Botânico num mapa maior

Apresentação: O duplamente centenário Jardim Botânico foi fundado em 13 de junho de 1808 pelo então Príncipe Regente D. João (mais tarde, D. João VI) com o nome de Jardim de Aclimação e o propósito de aclimatar as especiarias vindas das Índias Orientais. Meses depois passou a se chamar Real Horto e, com a coroação de D. João VI como rei do Reino Unido de Portugal e Brasil, tornou-se o Real Jardim Botânico. Somente no reinado de D. Pedro I foi aberto à visitação pública com o nome de Jardim Botânico. Seus 137 hectares, 55 abertos à visitação pública, abrigam um acervo botânico da flora brasileira e exótica e um acerto histórico cultural.

Reserve duas horas no mínimo (se possível, três) para visitar com calma o Jardim Botânico. Na entrada você receberá um folheto com informações (que poderá ir lendo à medida que se sentar nos bancos para espairecer) e um mapa do jardim. Aqui vai a minha dica pessoal: não se prenda totalmente ao mapa. Caminhe a esmo pela área, perdendo-se em meio às aleias (depois que estiver totalmente perdido, aí sim, pegue o mapa e tente descobrir onde foi parar!) Afinal, nossa vida já é tão regrada e regida por cronogramas e agendas. Eis uma rara ocasião de (pelo menos por algumas horas) “viver sem roteiro”!

Não encerre o seu passeio pelo Jardim Botânico sem ter visitado (aí sim o mapa poderá ser útil):

Chafariz das Musas: Situado mais ou menos no centro do Jardim Botânico (você inevitavelmente dará de cara com ele!), esse chafariz de ferro fundido, de origem inglesa, do século XIX ostenta quatro musas representando a música, arte, poesia e ciência. No início do século XX foi trazido do Largo da Lapa, Centro, para o Jardim Botânico.

Jardim Japonês: Um pedacinho do Japão no Rio de Janeiro, com bonsais, cerejeiras, bambuzais, lagos artificiais com carpas e pedras. Perto do portão principal, à direita.

Orquidário: Belíssima estufa de orquídeas, da década de 30, em estrutura de ferro e vidro, no estilo das estufas inglesas. Imperdível para os apreciadores das orquídeas. Aliás, pertinho do orquidário fica o bromelário. O orquidário fica na parte posterior (ou seja, mais afastada da Rua Jardim Botânico) esquerda do Jardim Botânico (veja no mapa distribuído na entrada).

Portal da Academia de Belas Artes: Esse portal é tudo que resta da antiga Academia de Belas Artes, que ficava perto da Praça Tiradentes, projetada pelo arquiteto francês Grandjean de Montigny, que veio ao Rio de Janeiro na missão artística francesa de 1816. Sua arquitetura é puramente neoclássica, o que havia de mais moderno na época. A academia foi (num desses crimes contra o patrimônio arquitetônico que se cometem por aqui) demolida em 1938 e a fachada do corpo central foi reconstruído no Jardim Botânico. Da obra de Grandjean de Montigny sobrevivem no Rio: duas construções — sua residência na Gávea (dentro do campus da PUC) e a antiga Praça do Comércio (atual Casa França-Brasil) — e um chafariz no Alto da Boa Vista. O portal fica bem no final da aleia principal, aquela do Chafariz das Musas.

Portal e parte dos muros da antiga Fábrica de Pólvora: Isso é tudo que restou da Real Fábrica de Pólvora que o Príncipe Regente D. João mandou construir ali em 1808 e que foi destruída numa grande explosão em 1831. Posteriormente o Jardim Botânico se expandiu sobre as terras da antiga fábrica. Nessa área funciona uma lanchonete, parque infantil e banheiro. Observe o brasão da coroa portuguesa no alto do portal. Fica bem no fundo do Jardim Botânico, pouco antes do Portal da Academia de Belas Artes.

Memorial Mestre Valentim: Abriga obras desse grande escultor, entalhador e urbanista do Brasil colonial: a ninfa Eco, o caçador Narciso e as Aves Pernaltas. A ninfa e o caçador, as primeiras estátuas fundidas (em chumbo e estanho) no país, são tudo que resta do antigo Chafariz das Marrecas, demolido para a ampliação do quartel da Rua das Marrecas (Centro). No chafariz, a ninfa contemplava Narciso (foto), absorto com sua própria imagem refletida n’água.

Observe também que o centro de visitantes (bem na entrada, onde são vendidos suvenires — foto abaixo) foi a antiga sede do engenho de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, construída em 1756, tendo sido em 1808 incorporada à fábrica de pólvora e, posteriormente, ao Jardim Botânico. (Informações obtidas em Ivo Korytowski, Guia da Cidade Maravilhosa, Editora Ciência Moderna.)