IGREJA DA GLÓRIA


A Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro é uma joia da arquitetura religiosa colonial brasileira. Foge do padrão das igrejas coloniais cariocas de plantas retangulares, geralmente constituídas de um corpo central com frontão, ladeado por duas torres. As linhas da Igreja da Glória são sinuosas. Sua planta (originalíssima) se compõe de uma torre sineira sobre um pórtico de entrada na frente, acoplada a uma estrutura octogonal (octógono é o polígono de oito lado) que contém a nave, por sua vez acoplada a uma estrutura octogonal final menor que contém a capela mor e a sacristia nos fundos.

A Igreja da Glória foi, no passado, o que é o Cristo hoje: um símbolo da cidade, visível ao longe, no alto de uma elevação. Uma das primeiras imagens que os visitantes tinham do Rio quando seus navios entravam na Baía da Guanabara. A Igreja foi muito representada em gravuras e pinturas antigas (como hoje vemos o Cristo em fotos e filmagens do Rio).

Subir ao outeiro é uma viagem na máquina do tempo: toda a ambiência evoca o Rio colonial: o calçamento de pedras do adro, o velho poço, a própria igrejinha, o museu ao fundo, a vegetação abundante. A vista dali também é bonita: vê-se a silhueta dos prédios do Centro, o bairro da Glória logo embaixo, o Aterro, a baía.

Se possível visite também o museu da irmandade atrás da Igreja, com objetos da liturgia católica ou doados por fiéis (entre eles um cálice de prata dourada oferecido pela Imperatriz D. Amélia e lâmpadas de prata doadas por D. Pedro II).

Endereço: Praça Nossa Senhora da Glória, 135 (Glória - ver mapa abaixo).

Telefone: (21) 2225-2869 / 2557-4600


Horário de abertura da igreja e do museu: Segunda a sexta, 9h às 12h e 13h às 16h; sábados e domingos, 9h às 12h.

Missas: Domingo às 9h e 11h.

Festa de Nossa Senhora da Glória: 15 de agosto.

Como chegar: Pegue o metrô e saia na estação Glória pelo acesso Outeiro. Você logo verá a Ladeira da Glória. Subindo essa ladeira (um pouco íngreme, mas curta) você chega na Igreja da Glória. Se não quiser (ou não puder) subi-la, outra alternativa é seguir pela Rua do Russel até o plano inclinado (bondinho) na Rua do Russel, 312.



Ver Igreja da Glória num mapa maior

Uma sugestão de passeio se você está disposto a andar e não estiver fazendo calor demasiado: salte do metrô no Largo do Machado, pegue a Rua do Catete contemplando seus prédios antigos (muitos tombados pelo patrimônio histórico), visite o Palácio do Catete, de lá prossiga até a Igreja da Glória e, após a visita à igreja, vá a pé até a Lapa e de lá, se ainda tiver fôlego, pegue a Rua do Lavradio e vá ver a Catedral Metropolitana. Assim você mata uma série de coelhos de uma só cajadada (não confundir cajadada, que é um golpe de cajado, com caixa d’água, que é algo bem diferente)! Está tudo no mapa abaixo.


Ver A pé do Largo do Machado à Catedral num mapa maior

História: Antes da construção da igreja atual existia uma pequena capela no morro hoje conhecido como Outeiro da Glória. A igreja atual foi construída de 1714 a 1739 com projeto atribuído ao engenheiro tenente-coronel José Cardoso Ramalho. Os painéis de azulejos foram finalizados em 1740. Os trabalhos de talha são do final do século XVIII ou princípio do XIX.

A Igreja da Glória foi muito importante no tempo do Império. Ali foram batizados a princesa D. Maria da Glória (o nome já denota a devoção a N.S. da Glória), filha primogênita de D. João VI, e o príncipe Pedro, filho de Dom Pedro I, que viria a ser o imperador Dom Pedro II.

A Festa da Glória era popularíssima no tempo do Império, servindo de cenário da abertura do romance Lucíola de José de Alencar. 

Com a proclamação da República a irmandade perdeu seu maior benfeitor, a quem deve o título de “imperial irmandade”. No dia 2 de dezembro, aniversário de Dom Pedro II, é celebrada uma missa em sua homenagem.


Destaques da Igreja da Glória:
  • Os notáveis azulejos portugueses de 1735-1740 representando cenas bíblicas.
  • Os trabalhos de talha no coro, púlpitos e altares da virada do século XVIII para o XIX, transição do rococó ao neoclássico.
  • A portada (portada é uma porta grande e ornamentada) principal, ostentando um medalhão da Virgem em cima, e as portadas laterais, todas de pedra de lioz portuguesa.
(Informações obtidas em Ivo Korytowski, Guia da Cidade Maravilhosa, Editora Ciência Moderna.)

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