CATEDRAL


Primeiro umas pitadas de cultura útil. Você sabe o que é catedral? É a igreja principal de uma diocese ou arquidiocese, onde o bispo tem sua cátedra ou sede (daí o termo sé). Diocese é um território eclesiástico administrado por um bispo. Quem cria as dioceses e escolhe seus bispos é o papa. Um grupo de dioceses se subordina a uma arquidiocese. No Brasil existem atualmente 41 arquidioceses e 210 dioceses. Agora você entrou no clima.

Durante três séculos a diocese e, depois, arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro não teve uma catedral própria. Somente na década de 1960 a arquidiocese, após muitas e penosas diligências, obteve o terreno onde se ergue agora a Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Se o Rio já contava com um tesouro de igrejas barrocas e neoclássicas, com a Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro ganhou uma obra-prima da arquitetura religiosa moderna que impressiona pela dimensão e monumentalidade (cabem lá dentro 20.000 pessoas de pé), pela concepção arrojada e pelo efeito da luz solar incidindo sobre os vitrais situados nos quatro pontos cardeais.

Endereço: Rua Av. República do Chile, 245 (Centro - ver mapa abaixo).

Telefones do museu: (21) 2240-2269 / 2240-2869 / 2262-1797


Horário das visitas: Diariamente, 7h às 18h.

Horário das missas: Domingo, 10h no altar-mor; segunda-feira, 11h no Portal da Saudade (subsolo da Catedral); terça-feira, 9h na Capela do Santíssimo; quarta-feira, 11h na Capela do Santíssimo; quinta-feira, 9h na Capela do Santíssimo; sexta-feira, 11h na Capela do Santíssimo; sábado, 10h na Capela do Santíssim.

Horário do Museu de Arte Sacra (no subsolo da Catedral): Quarta-feira, 9h às 12h e 13h às 16h; sábado e domingo, 9h às 12h. Nos demais dias a visita deve ser agendada pelo telefone.

Como chegar: A catedral fica a uns 500 metros de distância da estação de metrô Carioca. Mas o ideal é você aproveitar sua ida ao Centro para ver também o conjunto colonial do Largo da Carioca (Convento e Igreja de Santo Antônio e Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, com belíssima talha barroca), a Igreja da Candelária e a igreja do Mosteiro de São Bento. Está tudo no mapa abaixo.


Ver Mosteiro de São Bento num mapa maior

Apresentação: A Catedral faz parte de um conjunto de prédios modernos (BNH, BNDES, Petrobrás) erguidos na época do “milagre econômico” da década de 1970 na esplanada resultante do desmonte de uma parte do morro de Santo Antônio. Restou do morro apenas o pedacinho que abriga o convento e igreja de Santo Antônio e a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência (ver Conjunto Colonial do Largo da Carioca neste capítulo). As avenidas abertas nessa esplanada não se cruzam, não formam esquina, seguem o mesmo conceito moderno de Brasília. No tempo da ditadura circulava uma piadinha que dizia que naquele trecho ficava o nosso Triângulo das Bermudas, onde “sumia” o dinheiro do Brasil.

A Igreja tem a forma de um cone truncado no alto, com 106 metros de diâmetro externo (só para comparar: o comprimento máximo de um campo de futebol são 120 metros e a largura máxima, 90 metros) e 75 metros de altura externa, segundo informações do site da catedral. Tem capacidade para abrigar 20 mil pessoas de pé ou 5 mil sentadas. O pórtico principal (a “Porta de Fé”) com 18 metros de comprimento e 5,65 metros de altura, é decorado com 48 altos-relevos em bronze. Sobre o altar-mor uma cruz latina pende do teto sustentada por dois cabos de aço. Os vitrais nos quatro pontos cardeais que dão ao interior da Igreja uma luminosidade toda especial simbolizam as quatro características da Igreja: Una (vitral com predominância da cor verde), Santa (cor vermelha), Católica (amarela) e Apostólica (azul).

Do lado de fora você vai observar uma espécie de “torre”: é o Campanário, inaugurado em 1985 em comemoração aos cinco anos da primeira visita do papa João Paulo II à catedral. Com quase a mesma altura da catedral, compõe-se de quatro colunas de concreto aparente que se encontram no topo, onde se ergue uma cruz.

Breve história das catedrais cariocas:

Durante dez anos a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro esteve espiritualmente subordinada ao bispo da Bahia, até que, em 1575, foi criada a Prelazia de São Sebastião. Em 1676 a prelazia foi elevada por uma bula papal à categoria de diocese, e em 1892, com a reorganização da hierarquia eclesiástica do Brasil, tornou-se um arcebispado.

A diocese e, depois, arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro permaneceu três séculos sem uma catedral própria, tendo que se servir de igrejas “emprestadas”.

A catedral instalou-se primeiramente na matriz de São Sebastião que o governador Salvador de Sá mandara construir no Morro do Castelo, demolida (junto com o morro, igualmente demolido) em 1922.

Devido às más condições de conservação da igreja, a catedral foi transferida, em 1734, para a capela de Santa Vera Cruz, no local onde, de 1780 a 1811, veio a se construir a Igreja de Santa Cruz dos Militares existente até hoje.

De 1737 até o ano da chegada da família real portuguesa a catedral funcionou na Igreja do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos (igreja de uma irmandade de homens negros situada na Rua Uruguaiana, 77). Em 1808 a catedral passou a funcionar na igreja do convento dos carmelitas (hoje pertencente à Faculdade Cândido Mendes), ao lado da residência real (o Paço Real, posterior Paço Imperial).

Somente na década de 1960 a arquidiocese conseguiu do então Estado da Guanabara um terreno para a construção da catedral, cuja pedra fundamental foi lançada em 1964 e cujo altar-mor foi sagrado em 1976.

 (Informações obtidas em Ivo Korytowski, Guia da Cidade Maravilhosa, Editora Ciência Moderna.)

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