FEIRA DE SÃO CRISTÓVÃO



São Cristóvão é nos domingos
O ponto mais brasileiro
Encontro dos nordestinos
Que estão no Rio de Janeiro
Lá passam horas saudosas
Comendo coisas gostosas
E ouvindo um bom violeiro

A Feira Nordestina da São Cristóvão — cujo nome oficial é Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas — é um pedacinho do Nordeste em pleno Rio de Janeiro. Ponto de encontro dos nordestinos, como diz o cordel do Mestre Azulão do qual citamos um trecho acima, atrai também muitos cariocas não-nordestinos e turistas, que vão lá saborear delícias como carne de sol com macaxeira, ouvir e dançar a MNB Música Nordestina Brasileira: forró, xote, baião, xaxado, axé e outros ritmos — e fazer compras em uma de suas quase setecentas barracas, onde você encontra de carrancas, berimbaus e rendas a chapéus de couro, artesanatos e redes — e muuuito mais. O ambiente é ótimo, o local é seguro, existem banheiros públicos e muitas barracas e restaurantes aceitam cartões de crédito e débito.

De terça a quinta você pode ir almoçar lá (um bom programa gastronômico), mas afora isso a feira fica morta. É no período ininterrupto das dez da manhã da sexta-feira às oito da noite do domingo que a feira atrai a maior parte do público (são 300 mil visitantes por mês segundo a página de abertura do site da Feira).

Se você prefere ouvir um forró mais tradicional (aquele com sanfona, zabumba e triângulo) num ambiente mais calmo, venha na sexta, sábado ou domingo na parte da tarde. Além dos espetáculos nos dois palcos laterais (palcos João do Vale e Jackson do Pandeiro), percorrendo os meandros da feira você deparará com outros conjuntos de forró, às vezes mais autênticos do que aqueles dos palcos principais (foto abaixo). E se tiver sorte verá algum repentista na “praça” que fica bem no centro da feira (vai precisar mesmo de sorte — cada vez mais vídeos de cultura nordestina vão substituindo os repentistas em carne e osso na praça).

Na época das festas juninas quadrilhas se apresentam à tarde e no início da noite, e a Feira fica toda enfeitada com bandeirinhas coloridas. Depois que anoitece, se por um lado a feira fica mais cheia e animada, por outro lado os espetáculos vão se tornando mais “comerciais” (tipo, assim, Domingão do Faustão) e os instrumentos tradicionais dão lugar ao teclado, guitarra e outras modernidades.

Endereço: Campo de São Cristóvão s/n (São Cristóvão - ver mapa abaixo).

Telefone: (21) 2580-5335


Preço: De terça a quinta, entrada franca. De sexta a domingo e nos feriados a entrada custa 3 reais.

Horário: De terça a quinta, das 10h às 18h, os restaurantes abrem para almoço. Das 10h de sexta-feira às 20h de domingo todas as barracas funcionam ininterruptamente.

Como chegar: 
O mais prático é ir de táxi. Ou então vá de metrô até a Estação Estácio. Lá pegue o ônibus de integração expressa 209A (Estácio-Caju-São Cristóvão). Salte no Campo de São Cristóvão. Outras alternativas:
  • Se você está no Leme, Praia de Botafogo, Praia do Flamengo ou Centro, pode pegar a linha 472 (Triagem-Leme). 
  • Em Ipanema ou Copacabana você pode pegar o 474 (Jacaré-Jardim de Alah) em direção ao Centro. 
  • Na Rua Tonelero (Copacabana) você pode pegar a linha 473 (São Januário-Lido) em direção à Lagoa. Em vez de passar pelo Centro, corta caminho pelo Rebouças, Rio Comprido, tangencia a Rodoviária e depois entra em São Cristóvão. Em horários de pico a entrada do Rebouças engarrafa.


Ver São Cristóvão num mapa maior

Apresentação: Tudo começou em 1945, quando os caminhões pau-de-arara vindos de vários estados do Nordeste chegavam ao Campo de São Cristóvão trazendo retirantes nordestinos para trabalhar na construção civil, onde já tinham vaga garantida. O encontro dos recém-chegados com parentes e outros conterrâneos era animado com música e comida nordestinas, dando origem à Feira de São Cristóvão. Como diz o cordel Feira de São Cristóvão do Mestre Azulão:

Um pedaço do nordeste
Se via na Guanabara
Tinha até gente do sul
Conhecida pela cara
Uns vinham pra conhecer
Um comprar outro vender
Na feira dos paus-de-arara

Durante 58 anos a feira funcionou informalmente (já com muito sucesso) sob as árvores do Campo de São Cristóvão. Naquele mesmo Campo um antigo pavilhão de exposições jazia abandonado, até que o prefeito César Maia teve a brilhante ideia (ou alguém teve a ideia e deu a ele o bizu) de levar a feira para dentro do pavilhão (devidamente reformado). Nasceu assim em 2003 o Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas.

O Prefeito Cesar Maia
É grande admirador
Do caboclo nordestino
Honesto e trabalhador
Disse assim desta maneira
Eu vou dar a esta feira
Seu merecido valor
Vendo aquele Pavilhão
A anos desativado
Disse, não pode ficar
Este prédio abandonado
Vou tirá-lo da ruína
Para a Feira Nordestina
Vou construir um mercado
(Do cordel Feira de São Cristóvão, do cantador, repentista, cordelista, violeiro e poeta Mestre Azulão. Informações obtidas em Ivo Korytowski, Guia da Cidade Maravilhosa, Editora Ciência Moderna.)

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