18.8.10

NOVIDADE EM IPANEMA I: CHAFARIZ DAS SARACURAS VOLTA A FUNCIONAR

O Chafariz das Saracuras compõe-se de um elemento central formado por uma pirâmide sobre uma bacia com embasamento circular, possuindo uma escadaria intercalada por quatro tanques. A água jorra das saracuras de bronze na base da pirâmide e das tartaruguinhas sobre os tanques.

Vi prodígios na vida — chegada do homem na Lua, a queda do comunismo, o fim da inflação — mas não tinha visto a água jorrar do Chafariz das Saracuras. Sua secura parecia irreversível: “Hoje o chafariz emudeceu”, dizia o Guia Michelin do Rio. “Não há mais nem o canto nem a dança das águas, que secaram.” Quando criança eu brincava na praça e o chafariz... seco. Nos anos 70 de paz e amor, bicho ia ver os amigos artesãos na Feira Hippie e o chafariz continuava... seco. Dois anos atrás, o chafariz havia sido restaurado, as saracuras e tartarugas, repostas e vertendo água. Vi de relance passando de ônibus. Mas logo as peças foram roubadas, e a água secou. Dias atrás minha amiga Vera Dias, chefe da subgerência de monumentos e chafarizes da prefeitura e editora do blog As histórias dos monumentos do Rio de Janeiro, avisou que o chafariz voltou a ser recuperado e está funcionando (como outros chafarizes da cidade) das 8 às 10, das 12 às 14 e das 16 às 18. Fui lá conferir. De prodígios, agora só falta ver um cometa!


O elemento central com as saracuras.

Detalhe da água jorrando de uma tartaruguinha.

Chafariz das Saracuras é um Bem Tombado Nacional e tem seu projeto atribuído ao Mestre Valentim. Foi construído para abastecimento d’água pelo Antigo Convento da Ajuda em 1795 com a projeção do Conde de Rezende, quinto Vice-Rei do Brasil. Com a demolição do convento, situado na atual Praça Floriano no Centro, foi doado à Cidade em 1911 por sua Eminência o Cardeal Arcebispo Dom Joaquim Arcoverde Cavalcanti e transferido para a Praça General Osório. (Informações transcritas de totem da Riotur no local)

O chafariz no antigo Convento da Ajuda. Foto extraída do excelente blog Curiosidades Cariocas que costumo visitar regularmente. As demais fotos são do editor do blog.

16.8.10

250 MIL VISITAS

Literatura e Rio de Janeiro
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EM 16 DE AGOSTO ATINGIMOS A MARCA DAS 250 MIL VISITAS. A TODOS OS VISITANTES OS NOSSOS AGRADECIMENTOS — E VOLTEM SEMPRE!

13.8.10

NOVIDADE EM IPANEMA II: COMPLEXO RUBEM BRAGA & MIRANTE DA PAZ


Nos anos 70 lembro que meu falecido pai comentou que “no meu tempo de rapaz passeávamos tranquilos por morros que hoje são perigosos e não dá para subir”. Durante décadas vivemos (na expressão de Zuenir Ventura) em uma “cidade partida”. O asfalto regido pelas leis do país e a favela regida pela ditadura do tráfico. Com a pacificação das comunidades, o muro de Berlim entre favela e asfalto vai sendo derrubado. Um belo exemplo: o recém-inaugurado Complexo Rubem Braga com o Mirante da Paz no alto. Lá turistas e moradores podem contemplar a vista que antes era privilégio dos moradores da Comunidade do Cantagalo. E estes, por sua vez, têm acesso facilitado ao metrô e à cidade aos seus pés.

Mar de edifícios em Ipanema, Rua Barão da Torre e a Lagoa à direita. Ao fundo as montanhas. São esses contrastes que dão encanto ao Rio.

Prédios colados na Favela do Morro do Cantagalo & rampa de acesso do Complexo Rubem Braga. E de quebra vemos o Corcovado.



Desde o dia 30 de junho, os moradores das comunidades do Cantagalo e do Pavão-Pavãozinho, no Rio de Janeiro, já utilizam o Complexo Rubem Braga para ter rápido acesso à estação Ipanema/General Osório, do metrô.

O Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o Ministro das Cidades, Márcio Fortes, o Prefeito Eduardo Paes e o Secretário de Transportes, Sebastião Rodrigues, participaram da cerimônia de inauguração do local, cujo nome homenageia o jornalista e escritor Rubem Braga, que residiu nas imediações do metrô de Ipanema.

O complexo, construído pela Odebrecht Infraestrutura, é composto por um túnel de 260 m de extensão escavado na rocha que liga a estação General Osório às duas torres (de 64 m e 31 m de altura) de elevadores com capacidade para transportar até 100 pessoas por viagem. No topo da torre mais alta foi construído o Mirante da Paz, e serão instalados, ainda, postos de serviços públicos, como o Rio Poupa Tempo.

Estima-se que a nova obra beneficiará cerca de 10 mil pessoas, permitindo o reordenamento urbano de todo o entorno da estação. (Informações transcritas do site da Odebrecht.)



Quase dois anos depois, em 16/5/2012, retornei ao Mirante da Paz com minha câmera nova, uma Sony de 16,1 megapixels. A seguir as fotos resultantes:




Dois meses depois, em 7/7/2012, gravei um vídeo amador da descida pelo elevador do Complexo Rubem Braga:

1.8.10

POEMAS DE AMOR AO RIO


Três poemas do ROTEIRO SENTIMENTAL DO RIO DE JANEIRO de OSVALDO ORICO, tradução do espanhol para o português de ÉLIO MONNERAT SÓLON DE PONTES (com pequenas modificações pelo editor do blog)



Soneto Introdutório

Depois de ver os mundos que criara,
Cheios de força, cheios de esplendor,
Deus, em certa manhã formosa e clara,
Não bastando ser Deus, fez-se pintor.

Quis dar à vida outro primor,
E com as tintas que o Éden pintara,
Pôs em quadro de cumes e de cor
A curvatura azul da Guanabara.

É assim, oh!, viandante deslumbrado!,
Que vês, de longe, sobre o Corcovado,
O criador em sua pintura estranha;

E miras rutilante de beleza,
Cristo desabrochar da Natureza,
Como um lírio de luz sobre a montanha.


Descobrimento

Sempre que volto a ti de uma jornada,
Compraz-se em seguir, meu pensamento,
O rosário de luz e o movimento
De tua preciosa e límpida enseada.

No esplendor de tal descobrimento,
Não sabe distinguir nossa mirada
Onde fica, afinal, o firmamento:
Se no Alto ou na terra platinada.

Quando te vejo ao despontar do dia,
Sinto um capricho da geografia
Marcar em fímbria azul os horizontes;

A cidade, despindo-se nas raias,
Ao fundo do decote de suas praias,
Mostra os seios de pedra dos seus montes...


O Largo do Boticário

Árvores. Sossego.Tranquilidade.
Aqui não chega o rumor da esquina,
E parece que existe uma cortina,
Separando dois tempos da cidade.

E o silêncio, a alma, a surdina,
O berço pleno de hospitalidade
No qual vem abrigar-se esta cidade,
Recordando seus tempos de menina...

Para o divino alívio dos seus males,
Nada como estes velhos arrabaldes
Que falam de um lirismo feiticeiro,

Em que os dedos de luz de sua mão
Tangiam um piano, com emoção.
Usando um candelabro por luzeiro.

Para adquirir o primoroso livro ROTEIRO SENTIMENTAL DO RIO DE JANEIRO em edição bilíngue espanhol-português visite o blog da Editora Muiraquitã.


RIO DE JANEIRO
Manuel Bandeira

Louvo o Padre, louvo o Filho
E louvo o Espírito Santo.
Louvado Deus, louvo o santo
De quem este Rio é filho.
Louvo o santo padroeiro
— Bravo São Sebastião —
Que num dia de janeiro
Lhe deu santa defensão.

Louvo a cidade nascida
No morro Cara de Cão,
Logo depois transferida
Para o Castelo, de então
Descendo as faldas do outeiro,
Avultando em arredores,
Subindo a morros maiores,
— Grande Rio de Janeiro!

Rio de Janeiro, agora
De quatrocentos janeiros...
Ó Rio de meus primeiros
Sonhos! (A última hora
De minha vida oxalá
Venha sob teus céus serenos,
Porque assim sentirei menos
O meu despejo de cá!)

Cidade de sol e bruma,
Se não és mais capital
Desta nação, não faz mal:
Jamais capital nenhuma,
Rio, empanará teu brilho,
Igualará teu encanto.
Louvo o Padre, louvo o Filho
E louvo o Espírito Santo.


são sebastião
Nel Meirelles

as ruas
me atravessam

as esquinas
guardam meus pedaços

as largas avenidas
amaciam meus passos

o sol do arpoador
me descobre a alma

bangu, campo grande, realengo
são trilhas de longas caminhadas

tijuca, ipanema e são cristóvão
canções de todos os carnavais

e minha mangueira
plantada no alto do morro
é a alma desse rio de janeiro
que vive e revive em mim


cidade da felicidade
CAIRO TRINDADE

cidade da felicidade
a capital do samba & da poesia

Do alto do céu, nas nuvens, vislumbro o Corcovado,
o Pão de Açúcar, a Pedra da Gávea e a Floresta da Tijuca,
– o mistério e a magia da cidade mais bela do mundo.
(Vislumbro e me deslumbro.)
Ao chegar no Galeão, minha alma canta, em tom maior,
e eu vejo o mar, as aves e ilhas – as maravilhas do Rio.
(Todas me arrebatam.)
O ar da terra me invade
– o ar dor da raça, o ar da praia, o ar da graça.
Desço com certa solenidade
como se estivesse chegando no paraíso
– um plano de fantasia e plena liberdade.
Peço licença a São Sebastião, aos deuses do Carnaval
e ao povo carioca – o mais feliz que eu já vi.
Ao pisar o chão do coração do Brasil,
meu peito pulsa e eu sinto, dentro, um frenesi.
Atravesso túneis e sóis, em êxtase e volúpia,
e de repente estou entre os Jardins do Flamengo.
(Dá vontade de viver tanta beleza. E eu quase choro.)
Passeio pela Baía, pela Enseada, pela Lagoa,
até chegar a meu destino – um lugar que não existe!
Copacabana sorri sensual, abre os braços e me envolve.
Avassaladoramente.
Eu me entrego, possuído pela paixão.
(E, enfeitiçado, gozo.)


CANTO DO RIO EM SOL (parte II)
Carlos Drummond de Andrade

Rio, nome sussurrante,
Rio que te vais passando
a mar de estórias e sonhos
e em teu constante janeiro
corres pela nossa vida
como sangue, como seiva
— não são imagens exangues
como perfume na fronha
... como a pupila do gato
risca o topázio no escuro.
Rio-tato-
-vista-gosto-risco-vertigem
Rio-antúrio.

Rio das quatro lagoas
de quatro túneis irmãos
Rio em ã
Maracanã
Sacopenapã
Rio em ol em amba em umba sobretudo em inho
de amorzinho
benzinho
dá-se um jeitinho
do saxofone de Pixinguinha chamando pela Velha Guarda
como quem do alto do Morro Cara de Cão
chama pelos tamoios errantes em suas pirogas
Rio, milhão de coisas
luminosardentissuavimariposas:
como te explicar à luz da Constituição?


NOITE CARIOCA
Murilo Mendes

Noite carioca

Noite da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro
tão gostosa
que os estadistas europeus lamentam ter conhecido tão tarde.
Casais grudados nos portões de jasmineiros...
A baía de Guanabara, diferente das outras baías, é camarada,
recebe na sala de visita todos os navios do mundo
e não fecha a cara.
Tudo perde o equilíbrio nesta noite,
as estrelas não são mais constelações célebres,
são lamparinas com ares domingueiros,
as sonatas de Beethoven realejadas nos pianos dos bairros distintos
não são mais obras importantes do gênio imortal,
são valsas arrebentadas...
Perfume vira cheiro,
as mulatas de brutas ancas dançam nos criouléus suarentos.

O Pão de Açúcar é um cão de fila todo especial
que nunca se lembra de latir pros inimigos que transpõem a barra
e às 10 horas apaga os olhos pra dormir.


Dois poemas iniciais do ROTEIRO LÍRICO DO RIO DE JANEIRO de GEIR CAMPOS

O AMADOR

Acordo com
                teu nome

na boca
                é doce

nos ouvidos
                é música

nos olhos
                madrugada

no rosto
                é brisa

nas mãos
                é guia

nos pés
                a estrada
                sonhadora

E A COISA AMADA

cidade minha

quasedigo
                    e pauso
                                  e penso

em verdade
                    sou eu
                                que
                                        a ti
                                              pertenço

Fotos do editor do blog.