29.12.05

CIDADE MARAVILHOSA

RIO, MARVELOUS CITY


Quando criança eu pensava: “Sorte ter nascido na cidade mais bonita do mundo”. Depois de adulto, tive curiosidade em conhecer outras cidades mundo afora, mas após tantos périplos (nos anos 80), continuo fiel ao primeiro amor, o Rio.
É só sair pelas ruas para deparar com grandes e pequenas maravilhas. A seguir, algumas fotos desta Cidade Maravilhosa.

As a child, I used to think: "How lucky to be born in the most beautiful city in the world". As I became an adult, I became curious to know other cities around the world, but after so many trips (in the 1980’s), I’m still faithful to my first love: Rio de Janeiro.
You have just to go out to the streets to see great and little marvels. Here are some photos from this Marvelous City.


Praias do Leme e Copacabana /
Leme and Copacabana Beaches


Hotel Copacabana Palace


Praia de Copacabana /
Copacabana Beach


Silhueta do Rio ao anoitecer /
Rio de Janeiro skyline at dusk


Reflexo do Cristo na Lagoa / Christ Statue's reflex on the Lagoon


Praias do Leblon e Ipanema / Leblon and Ipanema Beach


Praia de Ipanema vista do Arpoador /
Ipanema Beach seen from Arpoador

Pão de Açúcar e Praia de Botafogo / Sugarloaf and Botafogo Beach


Jardim Botânico / Rio de Janeiro Botanical Garden


Fotos de Ivo & Mi. Se gostou , deixe seu comentário. / Photos by Ivo & Mi. If you liked them, please leave your comment.

27.12.05

RESOLUÇÕES DRÁSTICAS

Márcia Frazão


No ano que vem fecharei os olhos para o Belo e não mais procurarei estrelas em céu nublado. Queimarei todos os meus livros, principalmente os de filosofia e poesia. Não acreditarei mais nos utópicos e dos poetas manterei distância. Comprarei livros novos, especializados na "difícil" arte de vencer na vida sem fazer esforço ou de enganar os trouxas sem nenhum escrúpulo.

No ano que vem me filiarei a um partido e me tornarei capacho de algum político. Me especializarei na "nobre" arte da estupidez e engodo. Farei tudo que o mestre mandar e se ele disser que a Terra é quadrada, assinarei embaixo. Me tornarei exímia na "fabulosa" arte de escrever palavras vazias em discursos cheios de más intenções. Anularei de tal forma minha integridade e compostura que no final serei recompensada: virarei presidente de alguma estatal.

No ano que vem babarei o ovo de alguma estrelinha ou de algum galãzinho bonito que de arte só entendem a de revistas versadas em fuxicos e babados. Me esquecerei de Cacilda, Fernanda, Marília, Dina, Isabel, Natália, Ítalo, Walmor, Autran, Borghi, Petrin, Gracindo, Procópio e tantos outros, verdadeiramente abençoados por São Shakespeare. Por falar nele, o descanonizarei e o enviarei para o limbo, junto com o velho Lear.

No ano que vem desafinarei meus ouvidos e vibrarei com o máximo de lixo musical que conseguir ouvir. Quebrarei todos os meus discos de Jobim, João Gilberto, Maria Callas, Nara Leão, Elizeth Cardoso, Maysa, Ellis, Wanda Sá, Edu Lobo, Caetano, Mutantes, Gil, Maysa, Amália Rodrigues, Charlie Parker, Os Cariocas, Tom Waits, Marina Lima, Dorival, Nana, Ray Charles, Bessie Smith, Billie Holliday, Luis Melodia, Etta James, Jacques Brel, Edith Piaf, Beatles, Rolling Stones, Bob Dylan, Joan Baez, Clementina de Jesus, Cartola, Dr. John, Nina Simone, os Chicos (Buarque e Cesar)... e comprarei todas as éguinhas-pocotó que encontrar pela frente.

No ano que vem me tornarei guru de alguma estrelinha, astro do futebol ou de uma nova emergente e cobrarei fortunas por cada palavra (?) que eu vier a falar. Aliás, não falarei nada. Guru que é bom é aquele que olha, fica calado e mantém um ar distante, acima de qualquer mortal.

No ano que vem farei previsões para o ano seguinte e aparecerei em todos os canais de TV (de preferência com o telefone para consultas devidamente creditado na tela). Vaticinarei acidentes e mortes de celebridades (sem citar nomes, é claro!), seguidas por possíveis triunfos da seleção, casamentos e divórcios de artistas, gangorras financeiras e desilusões políticas (como se isso fosse novidade!).

No ano que vem esquecerei o meu curso de Filosofia e arrumarei um diploma em alguma universidade holística ou de marketing empresarial. Ministrarei palestras e darei workshops caríssimos, voltados para temas ardilosos tipo "Descobrindo o seu Eu Interior", "Os Anjos e os Negócios", "Torne-se Afrodite em Dois Dias" e "Os Deuses Empresariais". Estarei rica em pouco tempo e nunca mais ficarei no vermelho. Platão, Kant, Sartre, Descartes, Hegel, Hume... certamente entenderão minha completa falta de princípios e excesso de fins.

No ano que vem fundarei mais uma igreja evangélica e afirmarei que Jesus cura em suaves prestações e que o Paraíso pode ser financiado pela Caixa Econômica sem assinatura de qualquer avalista. Tirarei encostos, exorcizarei demônios e vícios, muito mais barato que qualquer outro concorrente. E se os meus sermões convencerem, me tornarei dona de uma estação de tevê e de um partido político.

No ano que vem terei me tornado tão medíocre, tão abjeta, que se eu morrer nem o Diabo aceitará minha alma.

Márcia Frazão é autora de Revelações de Uma Bruxa, A Panela de Afrodite, Manual Mágico do Amor e vários outros livros. Clique em seu nome para conhecer seu site.

21.12.05

NATAL 100 ANOS ATRÁS


Como teria sido o Natal brasileiro antes de sua "europeização" e da adoção da árvore de Natal e do Papai Noel? A julgar pelo conto do Machado, "Missa do Galo", e pela crônica "Como se Ouve a Missa do Galo" de João do Rio, publicada em 1906, a grande atração da véspera do Natal era a missa do galo. As pessoas acorriam à missa em massa como hoje vão à queima de fogos do Réveillon. Mas a missa em si, mero pretexto para brincadeiras, paqueras, bebedeiras. Pelo menos é o que se depreende da crônica saborosa do João. Abaixo alguns trechos.



Eu estava exatamente defronte da igreja de Santana, dispondo de um automóvel possante. Era a mais que alegre hora da meia-noite que alguns temperamentos românticos ainda julgam sinistra. Aquele trecho da cidade tinha um aspecto festivo, um estranho aspecto de anormalidade. (...)

Grupos de rapazes berravam graças, bondes paravam despejando gente, vendedores ambulantes apregoavam doces e comestíveis; todos os rostos abriam-se em fraterna alegria, e naquela sarabanda humana, naquele vozear estonteante, uma nota predominava – a do namoro. Os rapazes estavam ali para namorar, para aproveitar a ocasião. (...)

Copacabana devia ser divertido. Tomei de novo o automóvel e disse ao chauffeur:

– Para Copacabana.

Naquele delicioso percurso da Avenida Beira-Mar, toda ensopada de luz elétrica, outros automóveis de toldo arriado, outros carros, outras conduções corriam na mesma direção. Homens espapaçados nas almofadas davam vivas, mulheres de grandes chapéus estralejavam risos, era uma estrepitosa e inédita corrida para Cítera [ilha do Egeu famoso pelo templo a Afrodite]

(...) Cerca de três mil pessoas – pessoas de todas as classes, desde a mais alta e a mais rica à mais pobre e à mais baixa, enchia aquele trecho, subia promontório acima [em direção à igrejinha de Copacabana]. E o aspecto era edificante. Grupos de rapazes apostavam em altos berros subir à igreja pela rocha; mulheres em desvario galgavam a correr por outro lado, patinhando a lama viscosa. Todos os trajes, todas as cores se confundiam num amálgama formidável, todos os temperamentos, todas as taras, todos os excessos, todas as perversões se entrelaçavam. (...)

De todos os lados partiam cantos de galo. Os cocoricós clássicos vinham finos, grossos, roufenhos, em falsete: – Cocoricó! Cocoricô!

–Já ouviste cantar o galo?
– Pois hoje não é a missa dele?
– Cocoricó! pega ele pra capar!
– Pega!

A igrejinha [de Copacabana] estava toda iluminada exteriormente à luz elétrica. Defronte de sua fachada lateral haviam armado um botequim. A turba arfava aí, presa entre a bodega e o templo...

(Do livro A alma encantadora das ruas, de João do Rio, organizado por Raúl Antelo e publicado pela Companhia das Letras)




Ilustrações: Vistas da Igrejinha de Copacabana respectivamente pelo artista plástico Camões,
num cartão postal de 1910 e em foto de Malta de 1906. A igrejinha, citada na crônica de João do Rio, situava-se onde hoje se ergue o Forte de Copacabana. Uma dica para cariocas e visitantes: o forte, que agora abriga o Museu Histórico do Exército, está aberto à visitação. De lá você desfruta vistas magníficas das praias de Copacabana, Arpoador e Ipanema. Saiba mais sobre o forte visitando o
site do museu. Clique no nome de Camões para conhecer melhor a obra deste artista - o homem da máquina do tempo - especializado em retratar o Rio antigo.

14.12.05

ATENTADO AO ESTADO DE DIREITO

Está no O Globo de hoje:

"Usando fardas da Polícia Militar, traficantes da Favela da Parada de Lucas invadiram na madrugada de ontem casas na comunidade vizinha, Vigário Geral, e seqüestraram sete jovens — com idades entre 15 e 24 anos — enquanto eles dormiam."

Invadir lares na calada da noite e seqüestrar moradores que dormem constitui um atentado ao Estado de Direito. Lembra bem as ações das polícias políticas nos regimes ditatoriais. Aliás, há tempos o Estado de Direito deixou de prevalecer nas áreas periféricas e marginalizadas das metrópoles brasileiras. Onde estão aquelas vozes corajosas que se manifestaram - e se manifestam até hoje — com tanta coragem contra o arbítrio do regime militar? Por que se calam ante o novo arbítrio?

12.12.05

DOMINGO CHUVOSO



Domingo chuvoso no Rio de Janeiro. Fazer o quê? Enfurnar-me em casa e assistir ao Faustão? Aderir à onda consumista pré-natalina nos shoppings? Aproveito uma trégua da chuva pra fazer o que gosto: dar uma de João do Rio e sair por aí. Curtir a alma encantadora das ruas pra ver que surpresas o "destino" me reserva. Desço a Atlântica rumo ao Posto Seis, pego a Francisco Otaviano (a rua que liga a praia de Copacabana à de Ipanema), desço a Vieira Souto, depois a Delfim Moreira, até o final do Leblon. Aí vem a surpresa do dia. Que em 54 anos de Rio, sempre descubro algo de novo. Desta vez, a novidade é o Parque do Penhasco Dois Irmãos: encosta no alto Leblon, há uns dez anos ameaçada de favelização, que a Prefeitura transformou em área de proteção ambiental. Vejam as fotos do passeio!


Santuário na rocha


Hotel Sheraton; ao fundo, favela do Vidigal


Praia do Leblon


Praia do Leblon


Grafite hip-hop


Cena urbana

Mais informações sobre o Parque do Penhasco Dois Irmãos, no Alto Leblon, podem ser obtidas no site da Riotur em http://www.rio.rj.gov.br/riotur/pt/atracao/?CodAtr=1431

2.12.05

TERRORISMO & RIO DE JANEIRO PARTE II

Saiu no jornal Extra de 1 de dezembro de 2005:

"Rosinha se calou, Garotinho nada disse, Conde recorreu ao lugar-comum de crime hediondo, Itagiba prometeu como de hábito 'caçar os facínoras', Álvaro Lins minimizou a infâmia. Nem o falante Cesar Maia abriu o bico dessa vez. Nenhuma autoridade parece ter alcançado a gravidade e a dimensão da ação criminosa de terça-feira. Mas Vitória, Wânia, Érika, Dominique, Igor, Roberta, Aline, Áurea, Rogério, Viviane, Úrsula, Luciana, inocentes passageiros, sentiram na pele, e assistiram com dor e pavor, a um ataque impiedoso do crime organizado do Rio. Ao contrário do que o governo tenta fazer crer, o bárbaro atentado a bomba contra um ônibus não é tão-somente mais uma variante da guerra do tráfico. É terrorismo! É desafio ao poder constituído! É ameaça à democracia! É uma afronta ao elementar direito de ir e vir do cidadão! Cinco vítimas morreram, 13 vítimas ficaram feridas. Pior: amanheceu e 15.383.422 fluminenses continuam vítimas."

Saiu na revista Veja de 7 de dezembro de 2005:

"Na semana passada, traficantes tomaram um ônibus e queimaram vivos os passageiros. Cinco pessoas que voltavam para casa morreram carbonizadas, entre elas uma menina de 2 anos. Doze pessoas ficaram feridas. Foi o 73º ataque de traficantes a ônibus no Rio de Janeiro neste ano. Nada foi feito antes para evitar esses ataques. Previsivelmente, nada será feito agora. Em um país civilizado, manifestações de crueldade e impunidade dessa magnitude derrubariam o prefeito, o governador, o ministro da Justiça e o presidente. No Brasil, vai-se colocar a culpa na desigualdade de renda e tudo continuará na mesma."

Nas próximas eleições, lembrem-se disto.